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Barack Obama Ganha NOBEL da PAZ: ESSE É O CARA!

President Barack Obama speaking at the United Nations on September 23.

OSLO – O presidente americano, Barack Obama, foi premiado nesta sexta-feira com o Nobel da Paz 2009, “por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos, indicou o Comitê Nobel da Noruega.

“O comitê atribuiu muita importância à visão e aos esforços de Obama em vista de um mundo sem armas nucleares”, declarou o presidente do comitê, Thorbjoern Jagland.

O anúncio causou surpresa. Além de Obama, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, era um dos candidatos, mas ambos não eram tidos como favoritos. As indicações são feitas por milhares de pessoas de todo o mundo, tais como parlamentares, ministros, ganhadores de anos anteriores, professores universitários e membros de organizações internacionais. Os nomes são mantidos em segredo pelo comitê, mas alguns acabam vazando.

Para a edição deste ano, foram 205 indicados, entre pessoas e organizações. “Trata-se de um número recorde, depois de 2005, quando foram apresentadas 199 candidaturas”, informou o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad.

O comitê, que esperou até o último momento, fez sua escolha em uma última reunião celebrada na segunda-feira (5). Dada a quantidade de indicados e sem um grande favorito, o Comitê Nobel precisou se reunir neste ano mais vezes do que o habitual para poder designar o premiado. “Tivemos mais reuniões que de costume, pois desta vez havia um grande número de candidatos, porque dois de nossos membros são novos e porque tentamos utilizar o tempo que temos para fazer a melhor escolha”, explicou Lundestad.

Vencedores das edições anteriores

No ano passado, o prêmio Nobel da Paz foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como o de Kosovo e Iraque.

Em 2007, o prêmio foi para ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore, juntamente com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Um ano antes o escolhido foi o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do microcrédito para pessoas em extrema pobreza (2006).

EU preciso dizer mais alguma coisa?

Acho que não.

É limpar as lágrimas do rosto de emoção e pronto.

CONGRATULATIONS MR.PRESIDENT!

Estou mudo de emoção, ou… sei lá. Obama ganha prêmio Nobel da PAZ. Acordo cedo, como sempre (quando durmo), e a tela já abre no New York Times: “filed one minute ago”. “OBAMA WINS THE NOBEL PEACE PRIZE”. Caramba! Olhei pra tela e não acreditei. Estou eufórico. Eufórico em pensar que hoje alguns republicanos vão ter infecção na gengiva. Eufórico em saber que HOJE o Health Care Reform PASSA!

Eufórico porque o OBAMA MERECE e pronto! Sem mais conversa fiada!

Não irei escrever mais nada.

Não preciso.

Vocês sabem.

E, se não sabem, é porque eu fiz com que não quisessem saber. Eis um trecho da tradução de “Suicide Note”, “trivial de uma infância num asterisco da linguagem”:

Os doces e bolos não te interessavam. Aliás, te davam um imenso sentimento de culpa e de vergonha, aquela mulher com aquela bonezinho empacotando doces em troca de dinheiro… Ao perguntar o que você quer, você responde que nada. Tua mãe te olha com um ponto de interrogação, pois foi você quem pediu para ir lá. Ela nem imagina que são aqueles dois, mãe e filho, a razão por você ter pedido para passar ali. De novo, nos próximos quarteirões, você nada nota, nada sente além da “awe“, algo entre fascínio religioso e o respeito e tremor perante a santidade. Você passa cada vez mais tempo devotado aquela imagem. De noite, deitado na cama, ainda acordado, você fantasia coisas inacreditáveis. Você se imagina parte da vida daquela mulher. Tem com ela uma relação amorosa, filial. Por mais incrível que soe, você se sente mais perto dela que da sua própria mãe. E ainda aquela Lua ali que te olha e pesa sobre você. Sim, agora você acaba por chama-la pelo teu próprio nome.

A partir desse momento, você desenvolve um senso crítico que te acompanhará a tua vida inteira. Nada mais é o que é. Nada mais é o que te dizem. Você acredita enxergar algo atrás de tudo que te descrevem. Você acredita enxergar algo atrás de tudo que te descrevem. Você se sente muito bem e muito mal o tempo todo. Você não se sente parte de nenhum lugar e você está experimentando um gosto estranho que não mais te permitirá, jamais, sentir bem em qualquer circunstancia em qualquer lugar. Você carrega um choro contido e ao mesmo tempo um raio de sol de otimismo que não consegue sair. Você só se sente bem no chão do teu quarto rabiscando nos blocos gigantescos de papel jornal que teu pai te dá. Você está contaminado por um vírus indefinível e acha que o tempo não vai passar nunca. Você ama aquele lugar em que  você não está e não gosta daquele onde você está. Passará a próxima década vendo o lado horrível e risível das coisas, o lado torto de tudo, o erro primal, as diferenças gritantes, os acidentes, o lado frágil em tudo e todos; você até desenvolve uma repulsa por sangue, uma exaustão ao premeditar qualquer ação, de dá-la como inútil de ante mão. Você se torna para todos e para você mesmo a essência de tudo que vê e sente: insuportável.”

Gerald Thomas

October 9, 2009

New York City

LOVE

Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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MY INDEPENDENCE DAY: Everything to Declare – it’s a long goodbye

New York- Dearest ones: I’ve come to a crucial point in my life. Actually, ‘THE’ most crucial to date. A pedestrian crossing without the white stripes, an “Empty Space” cluttered with junk, an asterisk. I’ve been in it for a while and have realized that moaning and groaning from the cradle to the grave simply doesn’t help. So, I made a decision.

Transform the world: Wake up every morning and change the world”, a soft voice used to whisper into my ear. It was that of Julian Beck’s, whom I directed in his final show and from whom I learned so much.

Yes,I used to have a vague idea or notion of things. Yet, I can’t find them anymore. Don’t seem capable of even knowing of where they are any longer. All I can see, eyes open or shut, is that self portrait by Rembrandt , hanging in Amsterdam, staring right at me; he at the age of 55 and I at the same age. Him on one side of a timezone/era as if trying to tell me, or as if WE are trying to tell one another that my Renaiscence is over, finished, and that I’m dead. Am I dead?

I can’t go on. And I won’t go on.

Beckett, the one whose universe I’m so very close to, would have said: “but I will go on”. Yes, I do realize the necessity of a continuance, continuity, progression, of a forward movement. However, I look around and ask myself (in less than a subtle way…..”continue what?” if I haven’t really started anything!!!! There isn’t – on my turf (or terminology) that much to be continued.

My life on stage, as such, is finished. And it is so because I have determined that it has perished. I do not believe that our times reflect theater as a whole (or vice versa) and I certainly don’t have the patience to  create the iTheatre, as if it were the extension of the iPhone or the iPod and so on. These miniatures and gadgets of self satisfaction  do, indeed, fit extremely well the decadent present days of, well, self satisfaction. Pardon me for writing in loops but this is a reflection of the times. Or is it?

But art and creativity? Not at all. If one were to analyze, say, this or that person’s last movie or CD or choreography we’ll only come to realize that it has all become a mere  and smaller repetition of what once had the taste of the new and of the, say, “good”.

Of course, it’s known that my dramaturgical option has always been on the dark side. From Beckett to Kafka to my own nightmares…a New York Times critic once wrote “that I used the audience as my therapist”. So, I decided to opt for putting Freud center stage right in the middle of Tristan in the Rio Opera House. I guess everyone knows what the outcome was.

What seems strange is that, up to 2003 or, even, 2005, it made sense to put things on stage or to stage pieces. I cannot, for the world, describe with any sort of precision what has changed. But something has.

Of course, needless to say, we are political beings. But this shouldn’t mean that our obsession (as artists) should contain ONE political agenda. Au contraire. If there is something called art, it’s  there precisely to bridge the gaps left over between that which politicians can’t say (or are unable to say) and our need to find ways to survive (by destroying or constructing). Art as metaphor, art as replica, art as illustration or art as protest; art has always required analogies and fantasy between modern man and that of yesteryear.

Daniel Barenboim, who was born Argentinean (but is a citizen of the world) and carries an Israeli passport, found a  way to ‘apply’ his art to the practical, political world. He’s been trying, since 2004, to promote peace between Palestinians and Israelis through music, In his acceptance speech, during the Wolf Prize Ceremony at the Knesset, he said that his life seemed only validated if he could, somehow, liberate those who were confined (Palestinians who were beginning to be surrounded by a WALL built by Israel) and Israelis alike.

I cannot, would not dare compare myself to Baremboim. But building a theater piece from scratch is far more difficult than opening musical scores and making or motivating an orchestra to play. What we do is ‘original stuff’.

Yeah.

TEMPORARY LOSS OF MEMORY

(allow me to skip a part, please)

I just skipped a part where I quote from a text in a program book of Earth in Trance and Queen Liar. Poetic freedom? Was that it? Or pure boredom? Maybe just a gage or indicator of HOW much I need to tell everyone how LOST I am or where I need to get.

Perhaps I need to get lost for a while in order to find myself again, as corny as this may sound. I’ve really, seriously lost sense of who I am. No easy thing to say. Yet, I may be living in a bubble of illusion.

I’ve become a slave of this computer and, likewise,  a slave of an immediate political agenda which isn’t even close to my heart, It’s someone else’s, not my own. I do have an enormous knowledge of history. I mean, I am immensely educated in the field of History. Enough so to know that what happens now, today, hardly matters at all, unless one is talking about, say….Obama’s coming to the White House. Well, there’s something!!!!

Yes, I have to get lost in order to find myself again.

It might be useful to remind you all: I was brought up in the shadows of the Holocaust, amidst drops of paint by Pollock and ‘ready mades’ by Marcel Duchamp….and some drawings and scribbles by Saul Steinberg. I owe this ‘education’, as it were, to two masters: Ivan Serpa and Ziraldo. Both back in Rio.

 

And there is Haroldo de Campos, the inventor of the humans, as Harold Bloom would have put it. Campos is the founder member of the Concrete Poetry movement and my mentor ‘from a distance’ . The guy I always wanted to be. Christ only knows how much I felt when he walked into my theater in 1987 and, later on, curated two books on me, about my work, and wrote, wrote and wrote endless pages about…well…me and my work. Simply unimaginable.

 

The world became so much more boring and flat the day he died. And that day happened to have been on the same day when I opened my Tristan at the Rio Opera House. A decade before that I had written one of my first plays, Eletra ComCreta – a play of words in the ‘concrete tradition’ with the myth of Electra and the island of Crete, in the hopes that the poets – Haroldo and his brother Augusto, would storm into the theater. No such luck. It took them, I mean, him (Haroldo de Campos), another year to discover me.

Philip Glass was kind enough,  gracious enough to grant a wonderful and hilarious interview about me and my work ( https://vimeo.com/11372969). It lasts about 20 minutes and, in it he manages to be funny and brilliant, all at once – as if in a sax solo improv – saying everything (majestically) what scholars and critics have tried but weren’t able to put together in some eight thousand paragraphs, in all these years I’ve been on stage. This Glass interview can also be seen on my site (www.geraldthomas.com).

My father used to place me between two huge loud speakers of a RCA Victor deck  and make me listen to Beethoven. At a very very young age, I’d be in tears, listening to the Pastoral, the 6th Symphony – whilst drawing away, almost autistically, on some rough paper, things which, decades later (at the British Museum Reading Room or Library) would become…theater projects.

Today, with over 80 “things” or works having been staged all over the world, I look back and what do I see?

I see little. I see a world flattened by a shitty and mediocre and petty culture (if one can even call it that), punctuated by twitters and facebooks and Instagrams and the like, which say little or nothing at all.

I see people without ANY NOTION of what was, of what has been and excited about a much ado of a ridiculously cheap plastic fast food junk overload of info. Yes, that’s what I see? Is there anything I’m missing?

Not even bands or innovative musical groups are there to be seen: it’s all just a bunch of look-alikes of the ones we’ve known for decades: from Hendrix to Zeppelin or The Who and so on.

It’s almost as if we lived in a sort of looping inside someone else’s nightmarishes head. Contrary to that of Prospero’s head, this one does not liberate us to the ‘new’. It condemns us to the old and used. How nice! Even China looks like the West. Or is that we’ve anticipated ourselves and it’s the other way around: it is us who look like China, since everything we wear and use is made in China.

Yes, I met Samuel Beckett (yes, I had this amazing privilege!), staged his prose – some of which, world premiere – in the early eighties. Well, for those who don’t know anything about this period, I urge you to access my site (www.geraldthomas.com), and enter my ‘so called’ universe.

Why would I want you to enter my universe? Why would I care? Because when I began my theatrical life, life as such, the scene itself was sparkling, glowing with ingenuity and the wonderful taste of the avant guarde. We had the Village Voice and the SoHo News (amongst others) for intellectual support (or debate) and plays were multifaceted: multimedia and so on. Everything from darkness to brand new monitors were growing on stages.

There were dozens of theater companies, from the ones based at La MaMa, to the Public Theater, or PS122 or in lofts in SoHo or in garages or, even, imports by BAM.

But it was all new, a NEW, New form of Creation.

It was the very exercise of experimentalism, it was all about taking risks. And the critics? Oh yes, just as most scholars, they stood by us and supported what we did. And what was that, you might ask? Well, that was the ‘tradition’ left by Artaud and Brecht and others.Furthermore, I regret to say that my particular generation did not invent anything. All we did was to carry on what the previous generation had given to us on a silver platter.

They were the ones who suffered. They were the ones who really swallowed the bile and digested the undigestible raw material of defiance (Grotowski, for instance). Yes, I’m talking about Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Lee Breuer, Peter Brook, Peter Stein, Richard Foreman and the one who invented it all, Ellen Stewart.

That’s right: all we did had been done before.

I’m part of a generation of collage artists, if there is such a thing. Of course, we added a few ‘personal touches’, whatever it was that the previous generation had fed us.

Not enough, I’m afraid. Not enough.

What does this all mean? Well, regrettably it means that my generation will not be a part of HISTORY. And I say this with an obvious amount of sadness. Sadness and reason. What a weird mixture!

Today, the Village Voice is but a bunch of sex ads. About the theaters themselves, I’d rather shut my mouth. As for the companies themselves, 99% no longer exist nor have they been exchanged for others. All we see is….

(I’m shutting my mouth). It’s very much like the world of music. Can’t you hear the stomping and and repetitive sound of the electronic drums hammering  away into your eardrums the robotic beat of ‘grounding’? Can’t you? Rather, its effect is ‘grinding’.

 

This universe of ours seems smaller than the one Kepler or Copernicus or Galileo described/saw/envisaged. Many of the theater companies here and around the world have closed for good. The money floating around to subsidize theater is laughable and the audiences are so small, we could take them out to dinner.

But I will never blame an audience. It is us who are  doing the wrong thing, obviously. Few youngsters nowadays know who Peter Brook is or what he has done. This year alone we have lost Pina Bausch and Merce Cunningham. Bob Wilson, the last warrior standing (inexplicably) is traveling with a mediocre and simplistic play: “Quartett” by Heiner Mueller. I, myself directed the American and Brazilian premiere of this play with the presence of the playwright. I can now say, with a fair amount of certainty, that Heiner Mueller is a complete waste of time.

But, as it seems, the problem is mine and ONLY mine. As I’ve said before: I’ll try going for a walk around the planet to find who I am. Or, maybe just sit here, exactly where I am now, and come to the same conclusion.

But it’ll be hard: I’m part of that romantic generation who saw Tower Records open its doors here on Broadway and E4th Street. Today, Tower is gone and even, Virgin (which destroyed Tower) is gone. All Towers are gone.

I’m writing this one day before 9/11. Please excuse all analogies and possible comparisons.

I saw Hendrix from a yard away. I saw Led Zeppelin in their best days, live in London.

I directed the best of Richard Wagner and was with spitting distance of Michael Jackson and am grateful to have witnessed the birth of cable television, CNN, internet and the frenzy of emails flying back and forth.

I was given incredibly beautiful presents, such as some of the great operas I directed on the best stages in the world (Moses und Aron, in Austria would just be ONE example).

It’s just….it’s just…so many fantasies that depression has obscured or overcast. I simply cannot see them anymore. And what is art without fantasy or artifice? It would be…well, you got the drift.

No, I’m not leaving. Not really leaving as such. Only leaving “in a way….”

Anatole Rosenfeld once wrote:

“ The theater is older than literature and, thus, does not depend on it. There are plays which aren’t based on literary texts. According to ethnologists, the Pygmies perform an extraordinary theater, completely void of any text. They are capable of acting the agony of an elephant with a perfect impression, as if it were a true art. They might even use a few words here and there, obeying the oral tradition. But there isn’t a formal text laid out as literature.

In the improv theater there’s also a tradition”

That was Rosenfeld.

As for me, I’ve lost my ability to improvise. Yes, I’ve lost my desire to improvise.

I will have to make an enormous effort in….what? In seeing me as myself again as in what I used to be. Why? Because it’s not me what I see when I look in the mirror. It’s a deformity, a hardened version of a self that was,”an aberration of an author as an old man”.

I will have to make an enormous effort when looking into Rembrandt’s eyes again or, maybe, into a slice of a shark, or the shark in its entirety, by Damien Hirst.

It’s obvious that, in the event of a real possibility of a news fatality or a tragedy of great proportions (outside of the theater) taking place in our lives or on our planet, I’ll come back to the blog with texts, images, etc.

Maybe even without such tragedies. It could be that I’ll find myself in the middle of Tunisia, inside a bent tent, and decide, a la Paul Bowles, that it’s time to write. Who knows?

All I can say is that I’m at the beginning of a long, very long and lonely journey.

I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.

Goodbye to you all.

LOVE

Gerald Thomas

September 11, 2009

(what a date!)

Minha “INDEPENDÊNCIA OU MORTE” – TUDO A DECLARAR – “It’s a Long Good Bye”

New York – Meus queridos, cheguei num ponto crucial da minha vida. O MAIS crucial até hoje. Um asterisco. Aliás, já estou nele há algum tempo e percebo que não adianta resmungar pra cima e pra baixo. Finalmente tomei uma decisão.

Transformar o mundo: acordar todos os dias e transformar o mundo”, dizia a voz de Julian Beck (quem eu dirigi e com quem aprendi tanta coisa). Eu tinha uma vaga noção das coisas. Não  encontro mais nenhuma. Eu tinha uma fantasia. Não a encontro mais. Só encontro aquele auto-retrato de Rembrandt me olhando, ele aos 55, eu aos 55,  um num tempo, o outro no outro, como se um quisesse dizer pro outro: o TEU “renascentismo” acabou: Você morreu. Morri?

I can’t go on. And I won’t go on.

Beckett, que é o meu universo mais próximo, diria “but I’ll go on”. Sim, existia uma necessidade de se continuar. Mas olho em volta e me pergunto: Continuar o quê? Não há muito o que continuar.

Minha vida nos palcos acabou. Acabou porque eu determinei que os tempos de hoje não refletem teatro e vice-versa. Também não estou a fim de criar o iTheatro, assim como o iPhone ou o iPod. A miniatura e o “self satistaction” cabem muito bem na decadência criativa de hoje. Mas, se formos analisar o último filme ou CD de fulano de tal, ou a última coreografia de não sei quem, veremos que tudo é uma mera repetição medíocre e menor de algo que já teve um gosto bom e novo.

Claro, minha opção dramatúrgica sempre foi escura, sempre foi dark, se assim querem. De Beckett e Kafka aos meus próprios pesadelos, que um crítico do New York Times disse que eu ”usava a platéia como meu terapeuta”. Até que coloquei Freud como sujeito principal da ópera “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Acho que o resultado todo mundo conhece.

É estranho. Até 2003, 2005 talvez, ainda fazia sentido colocar coisas em cena. Sinceramente não sei descrever o que mudou. Mas mudou.

Claro que somos seres políticos. Mas isso não quer dizer que nossa obsessão ou a nossa única atenção tenha que ser A política. Ao contrário. A arte existe, ou existia, justamente para fazer pontes, metáforas, analogias entre a condição  e fantasia do ser humano de hoje e de outras eras e horas.

Daniel Barenboim, que nasceu Argentino mas é cidadão do mundo (um dos músicos mais brilhantes do mundo), e cidadão Israelense, achou uma forma de aplicar sua arte na prática. Ele tenta, desde 2004, “provocar”, através da música, a paz entre palestinos e israelenses. Fez um lindíssimo discurso ao receber o prêmio “Wolf” no Knesset Israelense dizendo que sua vida era somente validada pela música que ele conseguia construir com jovens músicos palestinos (presos, confinados – justamente na época em que Israel construía um Muro de separação) e jovens músicos israelenses.

Não sou tão  genial quanto Daniel Barenboim e construir uma peça de teatro é muito mais difícil que abrir partituras de um, digamos, Shostakovich ou Tchaicovski, e colocar a orquestra pra tocar.

AMNÉSIA TEMPORÁRIA

Um trecho de uma sinopse, por exemplo, que escrevi quando os tempos ainda se mostravam propícios:

“E em Terra em Trânsito, uma óbvia homenagem a Glauber, uma soprano só consegue se libertar de sua clausura entrando em delírios, conversando com um cisne fálico, judeu anti-sionista, depois de ouvir pelo rádio um discurso do falecido Paulo Francis sobre o que seria a verdadeira forma de “patriotismo”. O cisne (cinismo) sempre a traz de volta a lembranças: “Ah, você me lembra os silêncios  nas peças de Harold Pinter! Não são  psicológicos. Mas é que o sistema nacional de saúde  da Grã-Bretanha está em tal estado de declínio que os médicos estão  a receitar qualquer substância, mineral ou não mineral, que as pessoas ficam lá, assim, petrificadas… cheirando umas às outras…”

Essa “petrificação” que a sinopse descreve, acabou me pegando.

“Os dois espetáculos (Terra em Trânsito e Rainha Mentira), são  uma homenagem à cultura teatral e operística aos mortos pelos regimes autoritários/ditaduras”.

Serão mesmo? Homenagens?  Não, não são. Quando escrevo um espetáculo, escrevo e enceno o que tenho que encenar. Não penso em homenagens.

“Mais do que nunca eu acredito que somente através  da arte o ser humano voltará a ter uma consciência do que está fazendo nesse planeta e de seu ínfimo tamanho perante a esse imenso universo: ambas as peças  se encontram em “Liebestod”, a última ária de “Tristão  e Isolda”, onde o amor somente é possível através  da morte e vice-versa.  No enterro da minha mãe, ao qual eu não fui (por pura covardia) uma carta foi lida (mas ela é lida  na cena final de “Rainha Mentira”), que presta homenagem aos seres desse planeta que foram, de uma forma ou outra, desterrados, desaparecidos, torturados ou são  simplesmente o resultado de uma vida torta, psicologicamente torta, desde o início torta e curva, onde nenhuma linha reta foi, de fato, reta, onde as portas somente se fechavam  e onde tudo era sempre uma clausura e tudo era sempre proibido e sempre trancado. Então, a tal homenagem se torna real, através da ficção da vida do palco”.

Pulo pra outro trecho, lá no fim do programa.

“Essa xícara esparramada nessa vitrine desse sex shop em Munique era um símbolo que Beckett não ignoraria e não esqueceria jamais. Eu também não. Sejam bem vindos a tudo aquilo que transborda. ”

Por que coloquei esse trecho de programa ai? Não sei dizer.

Liberdade poética pura ou pura liberdade poética. Ou chateação mesmo! Talvez seja um indicador do quanto estou perdido no que QUERO DIZER e ONDE QUERO CHEGAR.

Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou. Talvez nunca venha a descobrir. Posso estar vivendo uma enorme ilusão. Mas não me custa tentar. Virei escravo de um computador e virei escravo de uma agenda política imediata da qual não faço  parte. Tenho uma imensa cultura histórica. Imensa. Tão grande que a política de hoje raramente me interessa. Sim, claro, Obama. Mil vezes Obama. Mas Obama afeta o mundo inteiro. Mais eu não quero dizer.

Tenho que sair por aí pra redescobrir quem eu sou.

(nota rápida: acabo de ver o que resta do The Who, Daltrey e Townsend, no programa do Jools Holland: não tem jeito: nenhuma banda de hoje tem identidade MESMO! A garotada babava! E era pra babar mesmo!)

Sabem? Vale sempre repetir. Fui criado na sombra do holocausto entre os pingos de Pollock e os “ready mades” de Duchamp e os rabiscos do Steinberg. Isso o Ivan Serpa e o Ziraldo me ensinaram muitíssimo cedo na vida.

E… Haroldo de Campos.

Meu Deus! O quanto eu devo a ele! Não somente o fato dele ter sido o curador dos livros que a Editora Perspectiva lançou a meu respeito mas… a convivência! E que convivência! E a amizade. Indescritível como o mundo ficou mais chato e menos redondo no dia em que ele morreu. E ele morreu na estréia do meu “Tristão e Isolda” no Municipal do Rio. Haroldo não somente entendia a minha obra, como escrevia sobre ela, traçava paralelos com outros autores e criava, transcriava a partir do meu trabalho. A honra que isso foi não tem paralelos. Por que a honra? Porque Haroldo era meu ídolo desde a minha adolescência. O mero fato de “Eletra ComCreta” se chamar assim, era uma homenagem aos concretistas.

Mas ele só veio aparecer na minha vida na “Trilogia Kafka”, em 1987. Eu simplesmente não acreditei quando ele entrou naquele subterrâneo do Teatro Ruth Escobar.

Nem mesmo a convivência com Helio Oiticica foi uma coisa tão forte e duradoura.

Não posso e não vou nomear todas as grandes influências da minha vida. Daria mais que um catálogo telefônico. Já bato nessa tecla faz um tempo.

Philip Glass dá uma graciosa e hilária entrevista a meu respeito (https://vimeo.com/11372969). Dura uns 20 minutos. Nela, ele sintetiza, como se num improviso, tudo aquilo que os scholars e os críticos não conseguem dizer ou tentam dizer com oito mil palavras por parágrafo! Essa entrevista também está no www.geraldthomas.com ou aqui em vídeos, no blog.

Meu pai me fazia ouvir Beethoven numa RCA Victor enorme que tínhamos. E eu, aos prantos, com a Pastoral (a sexta sinfonia) desenhava, desenhava essas coisas que, décadas mais tarde (na biblioteca do Museu Britânico) iam virando projetos de teatro. Hoje, com mais de 80 “coisas” montadas nos palcos do mundo, olho pra trás e o que vejo?

Vejo pouco. Vejo um mundo nivelado por uma culturazinha de merda, por twitters que nada dizem. Vejo pessoas sem a MENOR noção do que já houve e que se empolgam por besteiras. Nem bandas ou grupos de músicas inovadoras existem: vivemos num looping dentro da cabeça de alguém. Talvez dentro de John Malcovich.  E, ao contrário de Prospero, ele não nos liberta para o novo, mas nos condena pro velho e o gasto! Até a China tem a cara do Ocidente. Ou então nos antecipamos e nós é que temos a cara da China, já que tudo aqui é “made in China”.

Sim, encontrei Samuel Beckett, montei seus textos, encontrei um monte de gente que, quem ainda não viu, não sabe ou não leu – vá no www.geraldthomas.com e se depare com o meu universo.

E gostaria muitíssimo que vocês entendessem o seguinte: quando comecei minha carreira teatral, a vida, a cena aqui no East Village era “efervescente”. Tínhamos o Village Voice e o SoHo News pra nos apoiar intelectualmente. A “cena” daqui era multifacetada. Eram dezenas de companhias, desde aquelas sediadas no La MaMa, ou no PS122, ou em porões, ou em Lofts ou em garagens, ou aquelas que o BAM importava, mas era tudo uma NOVA criação. Era o exercício do experimentalismo. Do risco.  E os críticos, assim como os ensaístas, nos davam páginas de apoio.

Além do mais, a minha geração não INVENTOU nada. Somente levou aquilo que (frutos de Artaud, Julian e Grotowski), como Bob Wilson, Pina Bausch, Victor Garcia, Peter Brook, Peter Stein e Richard Foreman e Ellen Stewart, etc., haviam colocado em cena. Faço parte de uma geração de “colagistas” (se é que essa palavra existe). Simplesmente “levamos pra frente, com alguns toques pessoais” o que a geração anterior nos tinha dado na bandeja. Mas quem sofreu foram eles. Digo, a revolução foi de Artaud e não da minha geração..

Portanto, minha geração não fará parte da HISTÓRIA. Óbvio que digo isso com enorme tristeza. Nada fizemos, além de tocarmos o barco e ornamentarmos ele.

Ah, hoje o Village Voice está reduzido a um jornal de sex ads. Sobre os teatros eu prefiro não falar. Quanto aos grupos, 99 por cento deles, não existem mais e nem foram trocados por outros. Só se vê pastiche. É o mesmo que no mundo da música: é o mesmo bate-estaca em tudo que é lugar.

Esse universo está menor que aquele que Kepler ou Copernico ou Galileu descobriram. O Wooster Group aqui fechou suas portas. Muitas companhias de teatro daqui e da Europa fecharam suas portas. E poucos jovens sabem quem é Peter Brook. Esse ano perdemos Pina Bausch e Merce Cunningham e Bob Wilson, o Último Guerreiro de pé, inexplicavelmente, viaja com uma peça medíocre: “Quartett” de Heiner Mueller, que eu mesmo tive o desprazer de estrear aqui nos Estados Unidos (com George Bartenieff e Crystal Field) e no Brasil com Tonia Carreiro e Sergio Britto nos anos 80. Heiner Mueller é perda de tempo.

E Wilson está tendo enormes dificuldades em manter  seu complexo experimental em Watermill, Long Island, aqui perto, que habilitava jovens do mundo a virem montar mini espetáculos e conviver e trocar idéias com seus pares de outros países.

Sim, o tempo semi-acabou.

Mas somente parte desse tempo acabou. E o problema é meu. Como disse antes: vou tentar sair por aí pra redescobrir quem eu sou.

Mas vai ser difícil. Sou daqueles que viu a Tower Records abir a loja aqui na Broadway com Rua 4. Hoje a Tower se foi e até a Virgin, que  destruiu a Tower, também se foi e está com tapumes  cobrindo-a lá em Union Square. Parece analogia pra um 11 de Setembro? Não, não é. Falo somente de mega lojas de Cds.

Tive a sorte de seguir as carreiras de pessoas brilhantes, ver Hendrix de perto, ou Led Zeppelin, ou dirigir Richard Wagner, e estar na linha de cuspe de Michael Jackson e de assistir ao vivo o nascimento da televisão a cabo, da CNN, da internet, dos emails pra lá e pra cá. Deram-me presentes lindos como grande parte das óperas que dirigi nos melhores palcos das casas de Ópera da Europa.

São muitas fantasias que a depressão  não deixa mais transparecer. E o que é a arte sem a fantasia, sem o artifício? É o mesmo que o samba sem o surdo e a cuíca! Fica algo torto ou levemente aleijado.

Não, não estou indo embora. Anatole Rosenfeld escreveu:

O teatro é  mais antigo que a literatura e não depende dela. Há teatros que não se baseiam em textos literários. Segundo etnólogos, os pigmeus possuem um teatro extraordinário, que não tem texto. Representam a agonia de um elefante com uma imitação perfeita, com verdadeira arte no desempenho. Usam algumas palavras, obedecendo à tradição oral, mas não há texto ou literatura.

No improviso também há tradição.”

Perdi meu improviso. Sim, perdi a vontade de improvisar.

Vou fazer um enorme esforço em me ver de volta, seja via aqueles olhos de Rembrandt ou uma fatia do Tubarão de Damien Hirst.

Óbvio que – na eventual possibilidade de um acontecimento real – eu reapareço por aqui com textos, imagens, etc. Também sem acontecimentos. Pode ser que eu me encontre no meio da Tunísia, numa tenda de renda, e resolva, a la Paul Bowles escrever algo: surgirá aqui também. Então, o blog permanecerá aberto, se o IG assim o permitir.

Sei que estou no início de uma longa, quase impossível e solitária jornada.

I’ve had the best theater and opera stages of the world, in more than 15 countries given to me. Yes,  I was given the gift of the Gods. No complaints, whatsoever. It has been a wonderful ride. Really has. Thank you all so very much. Thank you all so very very much.

Um breve adeus para vocês!

LOVE

Gerald Thomas, 7 September 2009

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Lula, o Messias que Nada fez: Ainda Tem a Gripe Suína. Ah, Deixa pra Lá…

Gerald Thomas

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Morre o Leão do Senado Americano

 

 

New York- Morreu ontem à noite o “último” dos Kennedys. Irmão mais novo de John e Bob (ambos assassinados), Ted foi um dos maiores combatentes a favor dos direitos humanos.

Todos sabíamos que já estava muito mal, sofrendo de um tumor no cérebro, tanto é que não conseguiu participar da campanha do Presidente Obama o quanto quis participar.

Num jantar estratégico (e Obama já eleito) na Casa Branca, servido para pouquíssimas pessoas, Ted passou muito mal e teve que ser retirado.

Os Kennedys têm ou tiveram uma vida trágica e uma complicada relação com o álcool. No caso de Ted Kennedy o álcool provocou um acidente de carro em Chappaquiddick, em que sua secretária (e amante) acabou morrendo. Ele nadou e se salvou. E isso quase lhe custou a carreira política.

O namoro com a morte entre os Kennedys é tão famosa quanto é triste e inclui aqueles que se agregam à ela, como Jackie ou a família Shriver: na medida oriental do yin e yang, eles são tão fortes quanto são fracos.

Robert Kennedy, o irmão do meio, assassinado em 1968, teria sido um dos maiores lideres e pensadores políticos desse país. Sua causa era justamente a de quebrar a barreira da cor (naquela época), do preconceito racial. Ted, de certa forma seguiu seus passos, mas timidamente.

Até os Republicanos o respeitavam. Coisa rara num país dividido entre conservadores e liberais.

O “leão do Senado”, como era chamado, conseguia alianças em todas as áreas porque era um homem brilhante e porque vinha de uma família brilhante! E não media esforços em sua própria batalha no campo dos direitos civis ou da educação e da saúde.

Agosto ou o câncer? Ou os dois? Tem sido triste que – quarenta e cinco anos depois que seu irmão mais velho, John, iniciou o projeto que iria colocar o homem na Lua, ainda estamos perdendo pessoas notáveis e não notáveis para o câncer! É de dois em dois dias, abrir o jornal pra ver a desgraça!Michael Jackson, Pina Bausch, Merce Cunningham, Eunice Shriver, Walter Cronkite, Don Hewitt e…

Ted Kennedy disse, na posse de Obama: “Eu vi a luz”. Qual terá sido ela? A “era Obama” ou a luz que vem com a morte?

Gerald Thomas

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O Reality Show do Woodstock + materia do G1

 

 

New York – Pois é! Quarenta anos se passaram. Mas quarenta anos se passaram desde o homem na Lua, desde que os Beatles isso e aquilo, desde o assassinato de JFK, desde…

 

Quando é que vamos parar de contar ou contabilizar numericamente as coisas, os eventos? Daqui a pouco serão 50 anos.

 

Então, voltando  a Woodstock, sim, peguei o último dia. A maior parte já estava voltando e eu ia na contramão. Com 15 anos de idade nas costas (mas me sentindo maduro como uma Susan Sontag) subi a colina e coloquei os pés na lama e… e o quê?

 

Encontrei um lugar sereno, com menos de meio milhão de pessoas, onde “tudo era permitido”.

 

E esse “tudo era permitido” não é uma questão tão simples. Pelo menos não era. Um ano antes, 68, foi pauleira. As polícias do mundo inteiro pegaram estudantes e manifestantes do mundo inteiro de PORRADA!

 

“Como pode então uma polícia passiva?”, pensava eu, vendo todo mundo fumando seus joints e tanta gente nua, muitos trepando ali, em tendas abertas.

 

E hoje? Como estamos?

 

Estamos bem? Bem, não tivemos ainda nenhuma GUERRA MUNDIAL, então, por esse termômetro, estamos… razoavelmente bem.

 

Mas, culturalmente, estamos PÉSSIMOS! Duchamp, que morreu em 68, e que já havia ironizado a pintura e arte em geral, não podia prever que em 2009 estaríamos com 2000 (dois mil) canais a cabo mostrando merda. E qual merda? Reality shows do PIOR NÍVEL ou então, o que é mais triste ainda, quando comparado a Woodstock, o tal “Vale Tudo”, the Ultimate Fighting, onde homens enjaulados se atracam e partem pra cima dos outros com toda espécie de golpes e sangue e quebras de tudo que seria um avanço, aos urros do público! Uau!

 

Ficamos mais cínicos, mais hipócritas e mais imbecis: claro, os demographics do mundo duplicaram! A maior parte do mundo encaretou! E nem sabe direito que Woodstock não foi somente uma grande festa e celebração de uma geração que levava porrada por PROTESTAR contra a guerra do Vietnam e lutar pela PAZ. PEACE, Man, Peace! Não se tratava simplesmente de um conglomerado de meio milhão de pessoas celebrando a paz (e em paz), debaixo de chuva ou sol, ao som de Hendrix, do Who, de Crosby, Stills, Nash and Young e Joplin e Santana e Country Joe and the Fish e tantos outros: tratava-se de uma afirmação! Estávamos mudando o rumo do mundo.

 

Mudamos?

 

Nada.

 

O ser humano mata golfinhos, esses seres que falam conosco.

 

O ser humano mata racoons (espécie de cães: os dois posts abaixo) e lhes arranca a pele enquanto VIVOS, ao som de Hendrix.

 

Se mudamos o rumo do mundo, mudamos esse mundo por três dias. Ou nos nossos sonhos, assim como numa peça de Shakespeare. O encantamento dura enquanto o espetáculo dura. E foi somente isso. O resto? É a glorificação do passado. Somos, como sempre fomos, um Weapon of self Destruction. E isso não poderemos medir em quarenta anos.

 

 

Gerald Thomas

 

 

 

 

(Vamp na edição)

 

Matéria do G1: Gerald Thomas em Woodstock: ‘melhor show foram 8 violões e uma lata de lixo’

Dramaturgo diz ao G1 que esteve no festival quando tinha 15 anos.
Brasileiros que viveram a época refletem sobre efeitos na contracultura.

O diretor e dramaturgo Gerald Thomas (Foto: Agência Estado) 

 

 

“Cheguei no último dia, algumas pessoas estavam indo embora, mas eu encontrei muita gente ainda lá. Hoje se fala entre 400 mil e 500 mil pessoas. Na época, a gente não pensava assim – pensava: ‘meu Deus, quanta gente, que loucura!’”.
 
A recordação é do diretor e dramaturgo Gerald Thomas, que diz ter estado em Woodstock no último dia do festival (domingo, 17 de agosto de 1969). Nascido em Nova York, em 1954, o diretor de “Um circo de rins e fígados” e “Príncipe de Copacabana” veio ainda bebê para o Rio de Janeiro com a família. Aos 13 anos de idade voltou para a Grande Maçã e tinha 15 anos quando pegou a estrada rumo ao festival em Bethel, comunidade rural no estado de Nova York.

“Uma das lembranças mais fortes que eu tenho, além da lama e do fedor, foi a passividade dos policiais diante de tudo o que estava acontecendo. Pouco tempo antes, a polícia espancava pessoas em Berkeley. [Woodstock] foi o momento em que eu – e, acredito, muita gente – pensei: ‘Caramba, o mundo está mudando’. A impressão era nítida, como nunca tinha sido antes”, conta Thomas em entrevista por telefone ao G1, de Nova York, onde mora atualmente.

Fã de Jimi Hendrix e The Who (que tinha esperanças de ver ao vivo – o que não aconteceu, uma vez que a banda se apresentou no dia anterior), Thomas diz que sua apresentação musical favorita no festival não aconteceu no palco principal, no centro da fazenda. “Foi de um grupo de pessoas sentadas no gramado, não foi no palco. Acho que eram oito violões e uma lata de lixo virada ao contrário usada como tambor. E era um som absolutamente impressionante. Nunca vou saber quem eram.”

O diretor lembra que a cena era comum. “Durante a troca das bandas, a gente não tinha muito o que fazer, demorava horas, às vezes quase duas horas. E as pessoas iam se aglomerando em volta desses pequenos grupos. Fiquei perto desse grupo e achei uma coisa incrivelmente linda.” 
 


Público no Festival de Woodstock (Foto: AFP/AFP)

Paz, amor… e brigas
Por outro lado, Thomas não acredita que houve em Woodstock tanta paz e amor quanto é lembrado por alguns dos frequentadores. Segundo ele, havia brigas acontecendo na plateia. Como exemplo, ele cita o caso do ativista Abbie Hoffman, que foi expulso do palco pelo The Who, no sábado.

“Não vi porque cheguei no dia seguinte, mas foi o próprio Hoffman quem me contou a história mais tarde. Ele havia subido no palco para denunciar o Who como ‘vendidos’ e começou a fazer um discurso. O Pete Townsend [guitarrista da banda], que é um cara imenso de grande, deu-lhe uma guitarrada e jogou o Hoffman para fora do palco. Em 1971 saiu o disco ‘Who’s next’ com a música ‘Won’t get fooled again’ e o verso: ‘Conheça o novo chefe/ É igual ao velho chefe’”.

Thomas se mostra, em certa medida, decepcionado e cético em relação às mudanças provocadas pela contracultura. “O que aquela geração se tornou? Um bando de loucos que jogam na Bolsa de Valores e transformam a bolsa nisso que você viu acontecer em setembro, outubro do ano passado. Um monte de companhias falidas, uma economia desastrosa. Ou seja, nada mudou, porque o ser humano é assim.”
 
‘Sabíamos que a dor estava lá fora’
Assim como Gerald, outros brasileiros que viveram a época lembram de Woodstock como um marco, um divisor de águas. Joel Macedo, escritor e correspondente da primeira versão da revista “Rolling Stone” brasileira, entre 1972 e 1973, morava na Califórnia em 1969 e não conseguiu atravessar o país para chegar a Woodstock, mas sentiu seus efeitos.
 
Macedo enxerga no festival um componente político importante. “Woodstock até foi sexo, drogas e rock‘n’roll, mas foi também o grito de uma geração contra o sistema capitalista (…). As pessoas quebraram as cercas que afastavam o festival do povo, invadiram a fazenda e transformaram um evento que teria um lado comercial numa mega e mitológica celebração tribal. Não foram os superstars que fizeram do Festival de Woodstock um mito, foi o povo”.
 
De Bethel à Mooca
Com a barra pesando na ditadura no Brasil e as mudanças significativas que ocorriam no exterior – com Woodstock à frente, mostrando a nova força do movimento hippie –, muitos brasileiros partiram para o exílio, imposto ou voluntário. Foi o caso do artista plástico Antonio Peticov, que, preocupado com o regime militar nacional se auto-exilou em Londres em 1970, em partes, inspirado por Woodstock.

“Na época as informações chegavam lentamente para nós no Brasil, era complicado. Então, para um garoto de classe média baixa da Mooca (bairro de São Paulo) saber que aconteceu um festival daqueles, programado para 50 mil pessoas e para o qual chegaram 500 mil, foi um estalo: ‘somos uma nação!’.”

Peticov acabou indo ao festival da Ilha de Wight na Inglaterra em 1970, onde encontrou os amigos Gilberto Gil e Caetano Veloso. “Foi uma coisa mágica”, define. Mas, apesar dos ótimos shows e de conhecer uma “nação hippie” maior ainda (o público total de Wight foi de 600 mil pessoas), o artista percebeu que o clima já havia mudado. “Lá já havia o grande problema da questão do comércio. Todo mundo ganhando dinheiro às custas dos hippies”.

Thomas também concorda que Woodstock foi diferente de outros festivais. “Foi um evento quase espontâneo, eu não sei o que reuniu aquelas pessoas. Porque foi único. Altamont não foi assim, Monterrey não foi assim, o festival da ilha de Wight não foi assim. Ele foi único na sua vontade de mostrar para o mundo que a nossa geração tinha força.”
 


Americanos reunidos para a posse de Barack Obama, em janeiro de 2009 (Foto: AFP)
 
‘Obamastock’
O diretor acredita que o festival não foi só um marco mas que é algo que precisa voltar a acontecer. “George Bush foi um retrocesso tão grande que voltamos à uma época pré-Woodstock. Agora com Obama no poder a gente vai avançar de novo no tempo. Teria que haver um novo Woodstock”.

A referência ao novo presidente dos EUA não é à toa – Thomas trabalhou por um ano na campanha do democrata. E acha que encontrou seu próprio “novo Woodstock”, maior e mais inclusivo. “Com a vitória do Obama eu desci para Washington no dia 20 de janeiro (dia da posse do presidente) e chegando lá eu disse, por alguns minutos: ‘isto aqui é Woodstock no inverno’. Um Woodstock com um p… frio, mas ninguém estava sentindo frio, estavam todos sentindo um enorme calor humano. E era quatro vezes Woodstock, porque eram dois milhões de pessoas”, compara.
 

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Descascando Animais

DESMEMBRAMENTOS, ou o Auschwitz dos Animais.

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New York – Com uma câmera escondida filmaram animais, cuja pele era  retirada enquanto ainda todos  vivos. Dizem que é para permitir um corte limpo, depois as carcaças são jogadas em pilhas ainda vivos e por mais ou menos 10 minutos o coração bate e olhos piscam e as patas dos cães tremem. Leram o que está escrito? Cães! Não bastasse o post anterior expor a matança absolutamente cruel e desnecessária de pequenas baleias e golfinhos na Dinamarca (ritual de passagem, my ass!), agora estamos lidando com cachorros mesmo. No vídeo vemos um que levantou a cabeça e fixou os olhos ensanguentados direto para câmera. Pessoalmente, isso me derruba. Pessoalmente, se eu pudesse, eu mataria, sem a menor compaixão, os (não) humanos que cometem esses crimes contra esses seres.

O vídeo que se segue é de uma violência dolorosa. Os seus silêncios atingem no fundo cada um de nós.

 

Pledge to go fur-free at PETA.org.
 

Ontem à noite, por acaso, vi um documentário sobre Marcel Duchamp. Aquele que mais amo, que mais admiro, que riu de tudo, que desmembrou tudo há exatos cem anos! Não houve mais “arte” depois dele, no entanto não entendemos mesmo a mensagem: e o que fazemos? Arte. Ou pensamos que fazemos. Duchamp, sua musa brasileira, a embaixatriz brasileira Maria Martins, em seu longo affair, seu Large Glass: uma declaração de amor ao celibato e à sacanagem, dependendo de qual parte do vidro se quer ver.

Por que eu trouxe Duchamp pra dentro disso? Porque ando numa fase sem muitas explicações.

Assim como deveria ou poderia estar hoje escrevendo sobre Woodstock. Ainda escreverei o meu ÚNICO dia lá, debaixo de chuva.

Quanto a essa matança de animais, voltamos atrás. Digo, viramos a ser cruéis como éramos (na escala da evolução, estamos no ZERO). E quando penso que levei meu pai pra subir as pequenas e improvisadas escadas de madeira no lado de Berlin Ocidental, que olhavam pra Berlin Oriental, por cima do Muro (o que, indiretamente, acabou causando sua morte), não consigo viver bem dentro dessa minha pele.

Olhando direto para dentro da câmera… .


Gerald Thomas

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(Vamp na edição)


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Nojo!

 


Miami – Essa série de fotos (que o Pacheco me enviou) de matança de golfinhos ou pequenas baleias (não sei ao certo) me deixou num estado de… de que nada mais vale a pena: de que somos uma raça de merda mesmo! E isso, cometido pelos Dinamarqueses! Apresento-me na DK desde 1990, com certa regularidade. Conheço seus atores, seus ministros da Cultura, seu público. E confesso que não dá!

 

Temos leis, não temos? O ultimo post (aqui embaixo) gerou enormes discussões: sobre a “liberdade de se expressar” fumando ou não!

 

Muitos dinamarqueses dirão que “vivem” da pesca. E que é um livre direito deles cometerem esse tipo de “GENOCÍDIO” absurdo que vemos nas fotos: esse Mar Vermelho, quase bíblico.

 

Aliás, muita gente vive de muita coisa. E mais da metade desse trabalho é “bárbaro” no sentido do primitivismo da coisa, da barbárie da coisa. Eu, particularmente, cheguei num certo limite: não aguento mais.

 

Não sei se porque a data de hoje me lembra a morte da minha mãe, ou a minha covardia em enfrentá-la (a morte), ou em enxergar esses movimentos obsessivos e redundantes nos quais nos vemos envolvidos (M.O.R.T.E. espetáculo meu de 1990, vai fazer 20 anos).

 

Crise. Crise total.

 

As praias de South Beach estão vazias pra essa época do ano: o calor está completamente insuportável. E estou numa dessas fases onde não acredito mais em nada: leio os jornais ou ligo a TV e é tudo sempre igual: as mesmas discussões sobre isso ou aquilo.

 

Somos mínimos. Somos ainda menores que mínimos. E imperfeitos. E eu, ainda sob o impacto daquele auto-retrato de Rembrandt, feito aos 55 anos de idade, continuo minha jornada não sei como.

 

E esse “não sei como” está repleto de dor.

Dor do mundo, como se diz. Não combina muito com o mar de Miami e com a beleza da “cultura do corpo” daqui, com a nudez do lugar, com os corpos bronzeados, já que vejo tudo como uma breve passagem. Uma breve interrupção.

 

Como seres humanos, sempre nos posicionando de maneira tão rígida, numa fila de opiniões disso ou daquilo, a favor disso ou daquilo outro, me sinto como se estivesse num enorme campo de futebol, cercado de mil jogadores felizes, por terem essa tal de bola que eu não consigo enxergar.

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Gerald Thomas

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Confidências e Inconfidências na Vida de Um Blog (Atualizado)

New York – Gente, acontece o seguinte: chegamos a uma espécie de “deadlock”, ou impasse aqui no Blog. Vários são os motivos.

Um deles, certamente, está ligado ao contrato (que só fui ler ontem: “escrever sobre assuntos culturais e, eventualmente, política mundial…”). Mas o que está pegando mesmo é o stress! Stress não tem cura, não tem remédio, não tem solução!

Recebi um comunicado (ou orientação, como preferirem) da direção do IG, anteontem, pra que eu focasse o Blog em “assuntos culturais”. Era, na verdade, a idéia desde o início. Falo, sim, sobre Presidente Obama (e não “Barack Hussein”, como quer e insiste denegrir um amigo meu, blogueiro que amo, mas que não se conforma que meu presidente foi de fato eleito), mas procuro encaixar meu Presidente em assuntos relacionados a algum fato cultural. Sei lá como encontro conexões, mas encontro. Seja via Rembrandt (ultimamente), seja via junkies nas ruas de Amsterdam ou uma severa brincadeira com o “Esquadrão da Morte Suíço”, que, ora bolas, não existe (e muitos levaram a sério).

Houve um sério problema pessoal aqui. Vocês devem ter notado que o Vamp postou uma excelente matéria, “O RETRATO DO PODER”, que ficou em destaque por um tempo enorme e rendeu 14 mil acessos, etc .,e ficou um dia e meio no ar.

Bem, ocorre que havia morrido Merce Cunningham. Já no domingo eu sabia disso e fiquei me segurando por que não queria interromper a matéria do Vamp.

Mas quando chegamos na Terça, não pude mais segurar. A Folha estava com a matéria na capa, assim como todos os jornais do mundo (o NYTimes estava com a matéria online no mesmo dia, domingo mesmo), e eu “interrompi” o fluxo de quase 700 comentários (UFA) do artigo do Vamp, e postei a tal matéria sobre o maior gênio da coreografia, da dança teatro, que morreu menos de um mês após a Pina Bausch, também aqui registrado (escrevi pra Folha e re-publiquei aqui).

O que quero dizer com tudo isso?

Blog não pode ser precisosista! É como papel higiênico. Vocês todos conhecem outros blogs e sabem muito bem que uma matéria está em cima agora de manhã e, à noite ela já está lá embaixo ou até já  desapareceu! Aqui, por algum motivo, se convencionou “manter” (com unhas e dentes) uma matéria por dias e dias, talvez por eu não ser ‘blogueiro’, por eu não ter esse pique de escrever o dia inteiro. Justamente pelo fato de ter óperas, peças de teatro e um filme pra dirigir. E não está fácil!

Então, o impasse: como sugere o IG. Menos matérias. Talvez uma por semana. Se surgir algum fato INACREDITÁVEL, talvez duas.

A minha identidade está toda ali, exposta. Esse é realmente meu nome, etc. Minha cidadania mista não me permite, de fato, falar ou escrever sobre assuntos políticos internos brasileiros.

Como ficamos nos comentários? Não sei. Bela pergunta. Do jeito que está, não está . Ontem à noite cheguei em casa por volta das 9 da noite (horário daqui, uma hora a menos que no BR) e haviam 21 comentários na moderação. Às vezes acordo e tem uns 17 na moderação. Juro, juro e juro que não agüento fazer esse tipo de trabalho. Espero que entendam. O IG sugeriu “coluna” sem comentários e eu disse que não, que manteríamos os comentários. Esse é justamente o “charme” do blog. Mas como fazer?

O Vamp acabou de deixar um comentário no post de baixo que prefiro nao comentar. Se eu fosse comentar, meu sangue subiria e eu teria que vomitar uma série de coisas aqui. Não quero. Prefiro simplesmente dizer o seguinte:

Está tudo muito difícil. Muito difícil. Estou a um passo de “entregar” o blog. São 5 anos e meio, juntando com o do UOL.

O teatro está muito difícil. O “Ghost Writer” está muito difícil. As Óperas estão extremamente difíceis. O Blog, que deveria ser um prazer, por motivos que prefiro não expor, se torna um enorme peso.

Então, antes de fechá-lo, prefiro agir com calma e… simplesmente, como diz o “Bruno” (Sasha Baron Cohen), colocar um pé na frente do outro pra ver se consigo equilibrar o passo e o compasso. Nem sempre um artigo vem a ser poético. Nem sempre se termina com uma frase retumbante. Às vezes é o coração que bate forte,

Hoje, esse é o caso.

Gerald Thomas

Comentário do Vamp:

Fiquei revoltado. Mas a revolta, como já dizia o maior de todos, é um valor dos escravos.

Não sou contratado do IG, mas do Gerald Thomas. E isto responde à pergunta se voltarei a escrever ou não. Se o Gerald achar conveniente que eu escreva, eu escrevo, se achar que não, não escrevo. Simples assim. E aproveito para salientar que o Gerald sempre me deu total liberade para escrever sobre qualquer assunto ou pessoa, mesmo tendo, muitas vezes, opinião contrária à minha e mesmo já tendo enfrentado grandes problemas em consequência de um texto que escrevi sobre uma empresa do Governo.

O real motivo do atrito ocorrido entre eu e Gerald, acreditem,  foi uma falha de comunicação e um tremendo mal entendido, tudo potencializado pela vaidade, de minha parte e pelo stress, por parte do Gerald.

O meu comentário sobre a “facada nas costas” não tinha como alvo o Gerald. Achei que isso ficaria óbvio. Mas admito que, dentro do contexto dos comentários, acabou ofendendo-o, sim. E por isso venho publicamente pedir desculpas ao mestre Gerald Thomas, o que já fiz por telefone e celular.

Também gostaria de agradecer a todos que se manisfestaram em meu apoio e dizer que, independentemente do que vier acontecer com o blog daqui pra frente, espero sempre contar com a amizade tanto do mestre Gerald como de boa parte dos leitores deste blog.

Para aqueles que me odeiam, ainda não foi dessa vez.

O Vampiro de Curitiba

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A Cultura do Desprezo no Brasil

 

 (A torcida do contra)

 

Os Concretistas, os Tropicalistas, o Modernismo. O que é revolucionário?

 

Zurich- Caetano Veloso deu uma mega entrevista para a Folha de São Paulo, há dois dias, que me emocionou. Daqui a pouco explico o porquê. “Na minha profissão” – explica Dalai Lama pensativo, calmo como sempre e risonho – “podemos trabalhar com a nossa espiritualidade, assim como se fôssemos souffles numa academia de ginástica”.

Como? Faz sentido?

Faz sentido?

Muitas coisas que são ditas ou lidas, especialmente por pessoas iluminadas, não fazem sentido, principalmente fora de um certo contexto. Muitas entrevistas são cortadas, editadas e, às vezes, até mutiladas (seja lá por qual motivo for). Onde o Dalai Lama queria chegar? Ah, era o fato de que o céu é azul e que, mesmo na pior das depressões, deveríamos tentar enxergá-lo sempre azul. Mas não soube dizê-lo assim, diretamente.

Caetano fala de uma cultura, no Brasil, de adoração ao desprezo. Entendo bem do que ele fala. O que se vem falando mal de Chico Buarque e dele, por N motivos, não está no dicionário!

Minha pergunta é a seguinte: se falam mal de Caetano e Chico, essas pessoas ouvem quem, dentro do que se convém chamar de “música brasileira”? Ou exagero? Ou não existem mais fronteiras? Quero dizer, como estou a cada dia num país diferente, afirmo: EXISTEM fronteiras, SIM! Eu, pelo menos (e uma fila enorme atrás de mim) tenho que mostrar passaporte, etc.

Cito Caetano: “… e o fito era nitidamente me tratar como se eu fosse um misto de Sarney com Dado Dolabella.Ao fim da quarta resposta, disse-lhe que fosse embora (Caetano se refere a uma repórter). Ela perguntou triunfante: “Você está me mandando embora?”. Respondi que estava e insisti para que fosse logo. Depois a Mônica Bergamo foi para o rádio gritar meu nome com aquela voz de taquara rachada, competindo em demagogia e má-fé com [o jornalista Ricardo] Boechat.Claro que não ouvi isso na hora: uma amiga me mandou por e-mail em MP3. Havia um desejo ridículo de criar um caso em que eu aparecesse como um cara que não merece respeito.Li artigos de outros na Folha (e cartas de leitores) meio eufóricos com isso. Uma pobreza.”

 Eu, Gerald, volto a perguntar: quem lucra em denegrir o Caetano?

Ou o Chico? 

O Brasil, como pouquíssimos países, fez a revolução modernista. A Alemanha foi um (Bauhaus de Weimar, etc.), Os Estados Unidos, unindo revolução industrial com Dadaísmo e Expressionismo Abstrato (e por aí vai), foi outro. O resto do mundo ainda é extremamente BARROCO. 

Os poetas concretos de São Paulo (falo dos irmãos Campos, da Semana de 22, etc., e até da péssima arquitetura de Niemeyer, aluno de Le Corbusier – que quase não construiu na França (by the way, era Suíço)! – tiveram um ENORME impacto no que diz respeito ao “respeito” pelas palavras e ao possível desrespeito por elas, no sentido de desconstruí-las (“Cale-se, afaste de mim esse Cálice, Pai”).

Os outros países da América Latina (apesar de Borges, Cortazar, Cazares, etc.) não têm essa enorme força, justamente porque estão PRESOS ao continente europeu.

Caetano Veloso é descendente de Godard, de Glauber, e irmão adotivo de Helio Oiticica e filho (sei lá o que estou dizendo) de Carmem Miranda. Sim, essa salada linda que o Tropicalismo fez. E chamá-lo de cantor, somente, é, em si, um insulto.

Mas, no Brasil de hoje, “rebaixar o outro” parece ser o que levanta o ego, ou a carreira de muitos.  Não sei como é essa fórmula, mas parece ser o que funciona. E entendo que Caetano ache isso triste, pobre, etc..

 Nos EUA não xingam Bob Dylan. Não se xinga. Ah, entenderam, não é? Valoriza-se a genialidade. Mesmo que o Oswald (o verdadeiro, o De Andrade) tenha dito que o gênio seja uma grande besteira.

É obvio que me mijo de rir ao ler a coluna de Reinaldo Azevedo sobre a entrevista do Caetano. O RA escreve como poucos e, em seu próprio ofício, não deixa ele próprio de ser um poeta:

Às vezes, parece que a própria Folha é cliente de Paula Lavigne. Entenderam ou fui muito sutil? Ah, sim: Paula e Caetano estão lançando o filme Coração Vagabundo, dirigido por um rapaz “bonitinho” (by Caetano) chamado Fernando Gronstein Andrade, 28 anos.

E por que Caetano está bravo ou “estrila”, como diz o jornal? Bem, em primeiro lugar, porque está lançando o filme e é hora de criar marola. Em segundo, porque a Folha noticiou, em reportagens honestas, que nada tinham de operação de marketing, que o cantor pleiteava — ou seus produtores — incentivos da Lei Rouanet para seus shows. Vocês conhecem a história. Eles foram negados pelo Ministério da Cultura, mas aquele ministro da área, como é mesmo o nome dele?, ficou bravo e demonstrou disposição de rever a decisão.

Pronto! Está criado um caso.” 

Bom, o resto está no Blog do Reinaldo. 

E, juro, não me refiro ao Reinaldo quando falo nessa “torcida contra”, já que ele lida mais com leis fiscais, incentivos. Eu falo do Caetano músico, poeta, inspirador e criador. Um cara que transformou várias gerações e continua transformando.

E esse Caetano é mais ou menos como o Dalai Lama: intocável, acima da crítica. Não importa se o show foi bom ou ruim ou o disco está assim ou assado. E por quê? Porque esse Caetano  é aquele que INICIOU tudo aquilo que somos! Não se esqueçam disso JAMAIS!

 

Gerald Thomas

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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Quarenta Anos de Tanto Faz

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Europa, em algum lugar (não aguento mais) – Calma. Não fiquem nervosos. Não serei daqueles que participam da teoria da conspiração que diz que Neil Armstrong nunca colocou os pés na Lua porque tal missão nunca houve e que tudo não passou de um filmezinho rodado num estúdio do Texas, longe de Hollywood, dirigido, na época, por um razoavelmente jovem Stanley Kubrick que, de tantas ameaças para NUNCA revelar o fato, acabou se refugiando na Inglaterra, morrendo de ódio da “pátria materna”.

Claro que não: ameaças assim, se fossem verdade, acabariam virando presunto  no East River ou em San Fernando Valley.

Não, não serei um daqueles que defenderá a tese de que aquela missão lunar era mais uma arma de propaganda na Guerra Fria contra os soviéticos na corrida do ouro pelo espaço! Não.

Afinal, I’m a proud American e tenho que estar orgulhoso de tudo aquilo. Mas… ok. Digamos que, mesmo com as sombras enganosas no chão, vindas de várias fontes (quando o sol seria a única) e tantos outros erros… No que deu aquilo tudo? No que dá o programa da Nasa, que custa milhões e milhões de dólares? Não sou contra, sou a favor. Inclusive gostaria de ser passageiro de um desses space shuttles.

Mas morreu Walter Cronkite. Esse, cuja voz atravessou todas as décadas. Foi a voz dele que ouvimos quando JFK foi assassinado e foi ele que chorou abertamente diante das câmeras da CBS News, assim como foi ele que repetiu as palavras de Armstrong “foi um pequeno passo para o homem, mas um enorme salto para a humanidade”. Cronkite, o pai dos âncoras americanos, não sobreviveu para ver esse dia, o dia da comemoração do Tanto Faz.

(Fabi Gugli, em “Luar Trovado”)

Sempre fomos obcecados pela Lua. Afinal, fica esse “negócio redondo” pendurado ali de noite, às vezes gigante e amarelo e misterioso e… perto. “Pierrot Lunaire”, de Arnold Schoenberg (foto acima) foi algo que montei, faz uns dois anos. Coloquei o cenário na lua, vendo a terra, assim como havia nos prometido na década de oitenta. Reagan, precisamente. Os presidentes com suas mentiras. “Teremos um entreposto na lua, onde as pessoas poderão passar a noite, e um shuttle disponível para passageiros”. O único progresso que tivemos na aviação foi um retrocesso: o único supersônico que voava comercialmente era o Concorde, e ele foi retirado de circulação. Estamos de volta aos vôos mais longos e desconfortáveis.

Ah, e o que mais? Do ponto de vista sociológico: Woodstock , realizado lá pelos dias 17 de Agosto de 1969,  e mais três dias (ou seja UM MÊS após a pisada do homem na lua), representou muitíssimo mais no campo do comportamento, da conquista das nossas liberdades, etc. E custou bem menos. Ah, e aquilo aconteceu. Como eu sei? Porque peguei o último dia daquela lama deliciosa.


(Walter Cronkite, o anjo americano)

Walter Cronkite dizia que a coisa mais fácil é entrar numa guerra, a mais difícil, sair dela. Tendo se aposentado e passado o posto para o “durão” Dan Rather (que também já dançou), ele virou uma espécie de ‘father figure’, uma espécie de voz da razão para a América. Ou seja, o que Johny Carson era na comédia, Cronkite era na vida política. E era um extremo crítico do governo Bush.

Michael Jackson também não sobreviveu à data, já que ele foi o criador do “Moonwalk”.

Tom Wolfe estava certo: o mundo (the race: a corrida) pelo espaço é tão cínico quanto a fogueira das vaidades. “Quem ficou com os melhores alemães do terceiro Reich?” – referindo-se aos cientistas e “rocketmaniacs”, como Werner Von Braun, pai das V2 que bombardearam parte de Londres e outras partes da Inglaterra. Passada a guerra, ninguém estava interessado em gênio cientista nazista morto: queriam eles VIVOS!

A guerra fria estava em seu início. A disputa pelos “melhores alemães” estava acirrada. Os USA ficaram com Von Braun e por isso… a Lua? Talvez? Agora já estamos em Marte e temos um Hubble com tremendos problemas (mas fotos ótimas).

Entendo a nossa fascinação com o Universo. Claro que entendo. Morria de medo dos programas do Carl Sagan ( we’re just a billion of a billion of a billion of all this). Sim, somos, como diria meu mestre irlandês: uma “speck of dust”. Uma poeirinha. E olhamos o céu escuro, através de nuvens escuras e nos convencemos de que existem forças superiores e que teremos outras vidas e que não estamos sozinhos.

É isso. Acho que estamos em busca de irmãos. Somos os terrestres solitários. Mas se somos tão solitários, por que não somos mais solidários? Como “humanidade” não temos jeito! Não conseguimos um único dia de paz, seja em termos de terrorismo, de roubo, de sacanagem com o outro. Seja o mundo de mentira que despejamos sobre quem está em volta, ou as mentiras que recebemos de cima, criando esse iceberg que se derrete lentamente com o aquecimento Global.

Então é por isso? Tentamos achar alguém aí na imensa escuridão, que não acaba,  para declarar guerra ou entendermos o que já fomos ou o que seremos? Ou para, finalmente, entendermos o quanto tempo perdemos brigando aqui nesse planeta? Coisa, aliás, que em Woodstock já havíamos descoberto em três dias de pura paz e amor.

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Gerald Thomas – 20/Julho/2009

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Juíz Proíbe Que Macaco Simão Escreva sobre Juliana Paes: Censura de Imprensa

Juiz proíbe que Simão fale de Juliana Paes, mas não impede o auto-retrato de Rembrandt.

Atriz alega que teve a honra atingida; colunista vê censura e diz que decisão tolhe liberdade de expressão.

Zurich – Saí correndo de Amsterdam. Depois de sete dias,  sendo empurrado pela população e espremido nas ruelas e quase jogado nos canais, resolvi que essa foi minha trigésima e última vez na cidade holandesa. E como a ópera que estou produzindo é aqui, voltei correndo pra cá, só pra me deparar com esse ABSURDO, que leio na Folha! Ah, mas antes, preciso relatar algo. 

Rembrandt, que sempre foi meu preferido (ao lado de Duchamp e Rauschemberg e Bacon – períodos diferentes, óbvio), me tocou dessa vez de uma forma muitíssimo peculiar.

 

Muitíssimo peculiar. Tive uma espécie de tontura, vertigem, quando peguei o bonde numero cinco e parei na porta do museu e subi pro segundo andar. Lá no cantinho, quase escondido, estava esse auto-retrato, que ele pintou aos seus 55 anos de idade:

 

Rembrandt

 

Eu estou com 55 anos agora e… e o quê? Jamais achei que iria chegar a essa idade. Jamais achei que pudesse olhar no olho vivo desse quadro e dizer “caramba, estamos aqui, você e eu, em épocas diferentes – ele em 1633 e eu em 2009, mas ambos com a mesma idade”. Ele, um total gênio. Gênio dos gênios, da Ronda Noturna, da Dissecação do Cadáver. Aquele que meu mestre Ivan Serpa e meus pais me fizeram gostar. Não, não forçadamente, já que a paixão foi instantânea. E cá estava eu, como sempre estive desse lado do quadro, mudo, estarrecido e pasmo,  já que não sou um personagem de Lewis Carroll.

 

Saí de Amsterdam meio atordoado. Também, com tanto cheiro de maconha no ar, quem não sairia? E tanta comida ruim:  ah, descobri: só tem comida pra larica. Pizza, fries com maionese, mais pizza,  uns indonésios fast food… muito Mac Donalds e Burger King (mais que em qualquer outra cidade que já vi!!).

 

Esse auto-retrato, mais que qualquer outro,  me levou a um estado de emoção que poucas coisas em arte me levam. Pina Bausch me levava. Kazuo Ono e Sankai Juku me levam. E o levo comigo porque ele representa a grande quebra do homem que se olha no espelho na época logo após os descobrimentos  e se pinta dentro de sua simplicidade sem ter que se “vestir”. Quem é de teatro sabe o que é “se vestir”. Retrato era coisa para realeza. Rembrandt começou a pintar o dia a dia das pessoas e de si mesmo. Foi o Tchecov da pintura, só que 300 anos antes de Tchecov. Dá um frio na espinha.

 

 Pessoas que levam suas próprias imagens nas camisetas, como Jane Fonda, por exemplo:

 

 

 

Não sei que doença é essa. Ego? Nostalgia?

 

Mas a pior delas todas está aqui embaixo. Sim, porque ela demonstra total ignorância a respeito do veículo para o qual trabalha e não tem um pingo de humor a respeito dela mesma. Leiam:

 

“O juiz João Paulo Capanema de Souza, do 24º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, determinou que o colunista José Simão, da Folha, se abstenha de fazer referências à atriz Juliana Paes, confundindo-a com a personagem “Maya”, da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo, sob pena de multa de R$ 10 mil por nota veiculada nos meios de comunicação. A atriz moveu duas ações de indenização, uma contra o jornal e outra contra o colunista. Ela alega que Simão “vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família”.Anteriormente, a atriz havia ajuizado ação só contra a Folha na 4ª Vara Cível do Rio de Janeiro, mas não obteve a medida liminar.”  (e blá blá blá…)

 

A (sei lá se ela é atriz… pelo jeito não é!) censora, está com seus mecanismos de defesa em alta. Ah, entendi, ela não gosta que notem que sua bunda é grande, segundo esse relato.

 

Continuando… “do “colunista” sobre a “poupança” da atriz ou sobre o fato de sua bunda ser grande”, já que “sua imagem esteve e está à disposição de quem quisesse e ainda queira ver”, e qualificá-la “nos limites do tolerável””.

 

Meu santo Deus! Que ridículo! Atrizes do mundo inteiro estão fazendo um tremendo esforço para SAÍREM de si mesmas. Adotam crianças em países, digamos assim, em estado de guerra. Tentam ser ativistas políticas da melhor forma possível. E essa aí…? 

 

“É coisa medieval”, afirmou. As advogadas Taís Gasparian e Mônica Galvão, que representam a Folha, consideram que a decisão do juiz Capanema de Souza “trata o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.

 

Bem, Juliana Paes. Um dia, talvez bem mais próximo que você imagina, você estará virando um outro quadro de Rembrandt. Esse ai embaixo!

 

opened cow

 

Afinal, atores ou não, artistas ou não: somos produtos PERECÍVEIS.

 

 

 

Gerald Thomas, 17/Julho/2009.

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição) 

 

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Um Oswald Em Plena Antropofagia

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 (Junkie, 32 anos, mas com um corpinho de 33)

 

Dos países baixos! 

A algumas centenas de quilômetros abaixo do Castelo de Elsinore… 

Amsterdam– Ou Amstel Dam – Paro de tão exausto. A cidade está impossível de se andar, tamanha a horda de pessoas se espremendo nas ruelas. Algumas delas como se estivessem num conto de Beckett (The Lost Ones), comendo “batata frita com maionese”, assim como se fossem gado, umas seguindo as outras e todas na mesma direção, ou em direção alguma. 

Sempre que venho aqui me pergunto por que fiz essa escolha.

São verdadeiros comboios de turistas e junkies e indonésios e turcos e uns poucos holandeses que restam (simpaticíssimos) e as milhares e milhares de bicicletas. Mas parei nessa esquina onde todos param. Na Praça Dam, onde a garotada senta e olha o nada, ou se entreolham ou… vêem os bondes passarem ou simplesmente fazem uma pausa pra andarem de novo ou ficam olhando o nome do hotel mais misterioso do ocidente: Krashnapolski. Tem o Kempinski de Berlim, claro, mas esse ganha todas. 

Ir na contra-mão do fluxo é impossível. Como aqui se toma muito ácido, o negócio é tomar um antiácido! Um Mylanta, Omeprazole, algo assim. Nexium é o melhor.

Sim, os velhos hippies, as lojas de produtos pornôs, uns mais pornôs que os outros, uns com cavalos, cachorros e outros animais (com mulheres, anões, etc.), outros com os ânus dilatados onde entra até hidrante. Sim, a Amsterdam de todos os fetiches, todos.  

A configuração é mais ou menos assim: uma loja pornô, uma de pizza, uma de parafernália de drogas e uma de cerveja (espécie de pub, Heineken, Amstel e Grolsch) e uma de batata frita com maionese. É só seguir essa fórmula por quilômetros e quilômetros que se chega a Centraal Station (com dois aa mesmo). 

Claro, a cidade é linda, tem uma história linda e triste e quem sabe o que Hitler fez aqui, bem, deixa isso pra lá. Tem o lindo entrelaçado dos canais (sim, assim como Veneza, A’dam também está afundando aos poucos). 

Nada mudou desde os primeiros anos em que comecei a vir aqui: 1971. Nunca parei de “pousar” aqui por um motivo ou outro. Quando a Amnesty International fazia suas enormes convenções… ah, que nada, chega de Amnesty!

A Europa inteira é um único cenário: pessoas espremidas, num enorme empurra-empurra, andando em ruelas, seja aqui, seja lá, seja em qualquer monarquia ou república. É tudo gado! O cheiro enjoativo de maconha no ar prova uma coisa: não há porque não legalizar essa erva ou droga. A cidade aqui é a mais pacífica do mundo. Nada acontece. O pior é justamente isso: está todo mundo chapado e NADA acontece. 

Mas não sou guia turístico e não vou descrever a cidade. Quem quiser que venha aqui pra ser empurrado! Falo com algumas pessoas. Poucas conhecem, de fato, a história da Holanda. Mesmo os que moram aqui, e isso sempre me deixa pasmo. O oportunismo do mundo rápido de hoje, de quem pisa e vive numa terra e pouco ou nada sabe sobre ela, me deixa boquiaberto. 

Rembrandt? Mondrian? Van Gogh?  A escola Flemmish toda? Nada! O auto-retrato, o homem se olhando no espelho e se pintando pela primeira vez e exclamando “eureka” num silêncio de Anne Frank, o cálculo minucioso dos navegadores, os importadores de chocolate, enfim, até Spinoza que veio parar aqui. 

E hoje, Segunda, tomo conhecimento de que um otário, de nome “my nerd”, difama Chico Buarque de Hollanda, justamente quando estou na Holanda. 

Pergunto-me: por que, nerd? Por que construir uma carreira difamando pessoas? Que tipo de gente é essa? Não, não é gente. Sofre do mesmo ditatorialismo que tanto criticam. Nunca saberiam lidar com países livres, como esse aqui. Não é à toa que não agüentou Veneza. Precisam viver em países pobres e incultos para soltarem seus venenos, aspirantes de celebs que são. Mas não serão, jamais, celebs,  já que não se constrói uma obra em cima dos destroços da outra. 

Enquanto isso, Waldecy, agradeço às menções honrosas. Ah, quem não sabe quem é Waldecy… ele era o cameraman do Ernesto Varela (Marcelo Tas). Montou a produtora O2 e viveu bem de comerciais. Até que lhe chegou um bom roteiro nas mãos, aperfeiçoado pelas mãos de ouro de Bráulio Mantovani. Esse filme chama-se “Cidade de Deus”.  

Bem, já são quase 11 da manhã e a horda de junkies lá fora me chama! Todo dia elas fazem tudo sempre igual, me acordam às seis horas da manhã. Não, não pra me injetar com heroína ou nada, não. É que parece, assim me dizem (as “Mulheres de Atenas”), tem uma nova droga pra ser experimentada t-o-t-a-l-m-e-n-t-e pura e inquestionável (e que dá um enorme barato: batata frita com maionese, levemente picante, na veia.

Há tempos que eu queria escrever sobre o mais avançado sistema de transporte urbano de toda América Latina, o TransMilenio, em Bogotá.

Por que na Colômbia, com todos os seus problemas, e não em Sampa, por exemplo? Mas isso fica pra próxima, depois que o Sarney e o Daniel Dantas já tiverem dado seus pulinhos aqui em Amsterdam junto com o Lula e todos os outros milhões de safados do mundo. Quem sabe um bom baseado, uma fileira de cocaína e uma injeção de smack e três ecstasys não fazem esses caras falarem logo o que tem que ser dito?

 

Gerald Thomas

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

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O Dia em Que o Mundo Parou

O homem que parou os ponteiros do TEMPO e quebrou os espelhos do mundo.

O “Mundo INTEIRO” diz adeus a Michael Jackson: o maior espetáculo da terra foi a sua morte.

De mais um aeroporto europeu – O funeral de Michael Jackson foi mais um dos grandes espetáculos da terra, levado por quase TODOS os canais de televisão e praticamente ocultando o início do encontro do G-8 (que ninguém aguenta mais!!!). Ah, sim: climate change! Aquecimento global. Sorry, crianças. Tarde demais. Estaremos todos sendo FRITOS ou fritados, já que os raios ultravioletas estão nos queimando, via celular, via micro-ondas disso ou  daquilo. Não adianta os táxis dos países do primeiro mundo andarem com um “sticker” dizendo “esse carro anda com combustível CO2 Free”. Entramos na era da destruição mesmo.

Mas será que tudo isso é verdade?

Ou será que na época dos grandes vulcões em erupção,  da era do (des) gelo a merda toda já não flutuava rio acima? Enfim, esse é um assunto delicado mais apropriado pros meninos da Greenpeace!

Michael Jackson continua sendo a maior atração do planeta. Agora, morto, mais ainda do que vivo. Sim, porque quando vivo (e quase branco) era um véu (literalmente) de enigmas. Agora morto, e quase negro, foi reverenciado por todos os ídolos negros possíveis e imagináveis (eu só peguei mesmo a parte de Kobe Bryant e Magic Johnson, onde eles diziam que Jackson havia sido a grande, grande inspiração pra eles, como o “negro” que foi).

NEGRO

Como negro, ele foi um libertador e vanguardista. Tenho visto uns vídeos dele pelo Youtube. Realmente o cara estava além, muito além do seu tempo, em TODOS OS ASPECTOS (favor ler a coluna aqui embaixo “Michael Jackson morreu por excesso de higiene”).

Mas a intriga, a conspiração que é revelada após a morte de um gênio assim não deixa de ser assustadora, mais que Shakespeariana: os filhos dele não são dele. Os abutres como o pai, são ainda mais abutres.  E ele? Ele se escondia. Escondia-se de tudo e todos e não é à toa. Deus do céu. É só olhar o funeral estatal que recebeu. Será que era isso que queria? Justamente uma cerimônia PRODUZIDA daquele jeito, e justamente pelas pessoas das quais FUGIA a vida inteira. I don’t think so.

O mundo parou na Terça-feira. O Staples Center em Los Angeles virou uma espécie de Muro das Lamentações de Jerusalém e com razão. O mundo perdeu o seu enorme filho.

Na cerimônia a filha de 11 anos leva a platéia às lágrimas ao dizer que o seu era “o melhor pai que se pode imaginar”. Pai? Sim, pai é aquele que cria e não um dermatologista que cuida da pele ou prove o esperma. Entre o palco, em que se revezavam músicos, amigos, e o público, estava o corpo do cantor em caixão banhado a ouro. Isso é uma loucura? Será? Não sei dar a minha opinião sobre isso. Banhar uma pessoa num metal nobre. Mas sei o que é levar uma platéia às lagrimas ou o mundo as lágrimas, pois cá estava eu, aos prantos também,  chorando a morte de Pina Bausch e de Michael Jackson, que NUNCA foi quem ele quis ser.

E mesmo sem nunca ter sido quem ele quis ser, proporcionou uma enorme alegria e emoção para milhões de pessoas por tantas décadas, inventando, inovando, se mexendo, emocionando, quebrando corações. Frágil do jeito que era (e agora morto), Michael Jackson continua a carregar o mundo nas costas. E nós continuamos pasmos, tristes e boquiabertos com a nossa própria fragilidade e a hipocrisia dos humanos perante a morte em si e a dos outros.

Então, estão lá os G-8 ou G-20 ou G não sei das quantas resolvendo o nosso futuro, quando na verdade o nosso futuro é resolvido por emoções. E essas emoções são provocadas ou causadas por seres assim como Michael Jackson que, enquanto vivo era satirizado, sacaneado e perseguido por ser um negro quase branco, um homem quase mulher, um adulto quase criança. Agora morto, será que vão dizer que está quase vivo? Ou será que dirão que os gases letais como esses que produzem o “aquecimento global” também não poderia ter sido evitado se tivéssemos escutado nossos corações ao invés da nossa ENORME GANÂNCIA?

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Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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O Esquadrão da Morte Suíço!

(Campo de nudismo suíço)

A foto acima é a de um soldado suíço assassinando um ponteiro de segundos do relógio do parque público de nudismo, à beira do lago de Zurique, num domingo ensolarado. Um escândalo!

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E isso tudo porque o relógio (ou  melhor, o ponteiro) estava atrasado somente… três segundos.

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Pergunto-me se não bastava ir um técnico, um engenheiro ir lá e acertar a coisa. Não. O nível de violência nesses países de primeiro mundo chegou a tal ponto que assassinam até ponteiros de relógios, na frente de centenas de criancinhas nuas, se divertindo na água, num dia tórrido.

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Não bastasse isso, a cena se deu a metros de distância de uma estátua que se autodestrói do vanguardista Jean Tinguely – um dos pioneiros, parceiros daqueles que criaram o “ready made” (pós-Duchamp), um pós-dadaísta, enfim, um iconoclasta! A escultura se autodestruía, assim como as fitas em “Missão Impossível”.

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O soldado se levantou, com ambos os ponteiros defuntos na mão, tirou o capacete, colocou a arma no ombro e marchou em direção à sua bicicleta. Realmente o primeiro mundo está fodido! O tal soldado mal cabe na bicicleta, tamanha é a “armadura” em torno de seu corpo.  Claro, até certo ponto não lhes tiro (epa!) a razão! Eles têm que lidar com tipos como aquela mulher brasileira que se automutilou e colocou a culpa nos neonazistas e fez com que o Celso Amorim e o consulado inteiro aqui disparassem atrocidades contra esse país. Sim, lá isso é verdade.

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Mas nada justifica um esquadrão da morte contra relógios por causa de atraso de segundos.

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Imaginem Portugal! A merda da TAP, por exemplo, segura passageiros em conexão, numa porra de um ônibus, por uma hora inteira na pista, sem banheiro ou uma única explicação! Sim, passageiros que teriam conexões internacionais e com hora marcada em outros vôos! E por quê? Porque não conseguiam retirar um sujeito que precisava de cadeira de rodas de dentro do avião!!! Essa operação (que é mais que rotineira em qualquer aeroporto do mundo), em Lisboa mobilizou dezenas de funcionários e paralisou todas as operações. Mas – bem no estilo de um país que conhecemos bem- NINGUÉM fornecia explicação, fora aquele conhecido “um minutinho”.  Algo que era pra durar 15 minutos (enquanto escrevo ainda não parece ter tido solução: e já lá se vão 3 horas e meia: inacreditável!).

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Imaginem o Esquadrão da Morte Suíço em Portugal. SOU A FAVOR!!! Não restaria uma só alma.

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Lula desembarcou  em Paris para um fim de semana de descanso ao lado da família, que beleza, antes de seguir para a Itália, para participar da cúpula do G8+G5+G3+GT+G90+G171+GB+GH, o Hormônio de Crescimento (este ano com o acréscimo do Egito, convidado dos italianos, convite pessoal de Silvio Berlusconi: que lindo!).

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Eu amo quando os líderes ficam íntimos e se amam, se convidam. Especialmente um fascista e comprovadamente corrupto como o Berlusconi. Ah, já sei. Deve ser pra tratar daquele mafioso que está no Brasil como  exilado! Já que o Brasil é o paraíso da bandidagem, quem sabe o Berlusconi nao estaria “barganhando” seu futuro com o Lula?

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Ah, deixa o Lula, Berlusconi, e todos os “G” e GT pra lá!

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Alguns países conseguiram atingir o sonho do GRANDE PODER EM QUESTÃO DE SÉCULOS. Outros levaram décadas. Agora, com mídia forte, precisa-se somente de alguns anos. Ou alguns segundos antes de acordar. Outros ainda vivem num sono profundo. Outros vivem num tremendo pesadelo. (Pesadelo, em alemão, é “Alptraum”, ou seja: sonho dos Alpes. Não exatamente, mas sim foneticamente. Tem dia em que se apela pra tudo.) A questão do Esquadrão da Morte da Suíça é que ele consegue dar um fim àqueles que conseguem subir ao poder através do voto comprado, da bolsa famiGLIA, da corrupção e do “jeitinho” do “minutinho” e do voto obrigatório dos analfabetos e mantidos na margem da inércia e da desinformação.

Ih, o telefone toca. Não vou atender, não. Pode ser um soldado do Esquadrão… Ou um funcionário da TAP. Pior ainda, pode ser um ex-aluno de Jean Tinguely querendo que eu pose pra uma dessas esculturas que se autodestroem. Hummm, nesse caso eu até toparia!

Ah, ia quase me esquecendo:

LONDRES (Inglaterra) – O suíço Roger Federer conquistou o hexacampeonato de Wimbledon na tarde deste domingo. Com o triunfo sobre o norte-americano Andy Roddick na decisão, o tenista supera o também norte-americano Pete Sampras e se torna o maior vencedor de Grand Slams da história, além de retomar a liderança do ranking mundial.

Longe de Wimbledon desde que foi eliminado na segunda rodada da edição de 2002, Sampras voltou para acompanhar o 15º título de Grand Slam de Roger Federer. Superado apenas pelos sete títulos do norte-americano, o suíço é o segundo maior vencedor do torneio na era profissional. Após sete decisões consecutivas, Roger Federer estabelece um recorde em Wimbledon de 48 vitórias nas últimas 49 partidas disputadas na competição. Em 20 finais de torneios do Grand Slam, o espanhol Rafael Nadal foi o único capaz de vencer o tenista suíço. Superado pelo jovem rival na decisão do ano passado, Federer desbanca o adversário e retoma a liderança do ranking mundial. Desta forma, o suíço inicia sua 238ª semana no topo da lista da ATP e parte em busca do recorde de 286 semanas estabelecido por Pete Sampras. Mas vocês sabem muito bem por que o Federer TEM QUE VENCER SEMPRE EM WIMBLEDON, NÃO É?

PORQUE SE NÃO GANHAR, LEVA CHUMBO!

O Esquadrão da Morte Suíço não perdoa erros! Ao mesmo tempo NINGUEM aqui se manifestou com sua vitória. Nenhum piu se ouviu! Ninguém berrou. Ninguém celebrou. Era esperado. Era EXIGIDO!!!!! Tem que ser assim! Ora, bolas!

Perdesse pediria ASILO AO BERLUSCONI OU AO LULA, ou se enforcaria lá perto mesmo, Wimbledon, Richmond, Roehampton, Putney. Belos e nostálgicos bairros da minha adolescência.

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Gerald Thomas, 06/Julho/2009

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(Vamp na edição)

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Independência ou Morte Súbita!



(Refugiados negros pintados de branco tocando “Kashmir” do Led Zeppelin em Zurique‏)

Independence Day, 4th of JULY

Domicilio: Lugar Nenhum!

Alpes Suíços- Essa terá sido uma das poucas vezes em que não passo o 4 de julho em Nova York, vendo os fogos de artifício da Macy’s estourando bem próximo à minha janela no East River.

Nao sei porquê. Algumas coisas simples não têm explicação. Outras, complexas, também não.

Vim dar uma estudada em projetos futuros aqui na Europa. Aliás, as últimas peças e óperas (de 1996 até as mais recentes) já estão disponíveis online no http://www.geraldthomas.com, clicando em “vídeos”. Especialmente o “Moses und Aron” de Schoenberg (1998, Áustria) me deixa besta! Sorry pela modéstia. Mas “Ventriloquist” ou “Nietzsche Contra Wagner” ou mesmo “Narzissus” estão lá.

E, revendo tudo isso, estou aqui, nesse Independence Day, lutando pela minha própria independência, notando mais um ENORME GAP entre JUSTIÇA e injustiça.

Num tribunal federal de Manhattan o juiz de primeira instância Denny Chin sentenciou Bernard Madoff a 150 anos de prisão. Era o máximo que a lei permitia para as 11 acusações nas quais o empresário admitiu ser culpado.
Madoff foi condenado por perpetrar uma fraude avaliada em cerca de US$ 65 bilhões.

Ótimo! Se fosse por mim, pegaria paredão! O que esse filho da puta fez com milhares de vidas não está no gibi! Não deixa de ser um assassino.

Aqui na Suíça inventou-se algo interessante: africanos, (nigerianos, kenianos, etc.), de saco cheio de serem “repatriados”, inventaram uma fórmula interessante de ingressar no país e FICAR.

Dizem: “Não sei de onde sou”. E, com uma resposta dessas (e sem passaporte na mão), a imigração Suíça não pode devolvê-los a lugar algum. Era o que chamávamos (quando eu trabalhava na Amnesty International em Londres, anos 70) de “desterrados”. Então o que acontece? Dão a eles uma graninha curta e moradia simples em lugares distantes dos grandes centros como Zurique, Basel, Bern, etc., e uma hora específica para estarem de volta, e assim levam a vida de exilados DE LUGAR NENHUM.

ISSO JUSTAMENTE QUANDO O LULA sancionou uma lei que permitirá normalizar a permanência de cerca de 50 mil estrangeiros que vivem de maneira irregular em solo brasileiro.
A decisão vai em sentido oposto ao endurecimento que marca a política de imigração de países ricos. O caso mais recente e deplorável é o da Itália, que tem no primeiro-ministro Silvio Berlusconi um incentivador do racismo, como atestam suas estapafúrdias declarações -a mais recente delas, durante as eleições regionais realizadas no mês passado, lamentando que Milão parecesse “uma cidade africana”.
É verdade que no Brasil o cenário difere daquele que se observa no mundo economicamente mais avançado.

Não me diga! Quer dizer que o Brasil não faz parte do primeiro mundo ainda? Que tremenda decepção. Logo esse Brasil que mora dentro do meu coração e que vai ser o tema do meu filme, “Ghost Writer”.

Embora seja em sua história um país aberto a fluxos migratórios, entre nós a presença de estrangeiros caiu nos últimos dez anos – ao passo que aumenta a saída de cidadãos para o exterior, o Brasil…  ah, o Brasil! Que terra linda! Que país lindo!

Bem diferente é o quadro nas nações ricas, que atraem quantidades crescentes de migrantes de regiões menos favorecidas em busca de melhores condições de vida.

Mas o Brasil tem futebol, tem praia e tem feriados, muitos feriados. Nao é somente o de Julho, que tem o dia em que os USA lutaram até o último fio de cabelo contra a colonização Inglesa. Não, o Brasil tem o chopp mais gelado do mundo e a bolsa família e NÀO PRENDE SEUS CORRUPTOS, NÃO PRENDE SEUS VILÕES. Já NOS EUA, Martha Stewart, Leona Helmsley e Madoff levam CANA mesmo.

Mas existem soluções. O Comandante (ou piloto) Peter Lessmann (27 anos de Varig e 5 de ETHIAD, Emirados Árabes) tem algumas sugestões para um Brasil fora do campo do Futebol:

1) “Montar um banco de dados em um site com tudo como, por exemplo, o currículo pessoal de políticos, os processos contra eles em andamento ou condenações, se for o caso, aquela declaração de renda/bens, que se diz, são obrigados a fazer antes de assumir certos cargos, etc., enfim, tudo que possa interessar sobre o perfil de políticos, ex-políticos ou candidatos. Junto com isso pode-se associar imagens, textos, filmes, documentários, qualquer coisa que ajude um eleitor a tomar a sua decisão de voto.

2) Outro banco de dados acumularia tudo que há de informações disponíveis sobre o governo em todas as esferas possíveis nos 3 poderes, se possível acompanhado de comparações entre governos aqui e fora do país. Sei que hoje há como levantar isso se você for persistente e tiver muito tempo para pesquisar, mas desconheço se há um site onde estas informações ou o caminho para chegar nelas esteja disponível.”

Pois é! A vida é um sonho, já dizia Calderon De La Barca, o clássico autor espanhol.

Alguns países conseguiram atingir esse sonho segundos antes de acordar. Outros ainda vivem num sono profundo. Outros vivem num tremendo pesadelo. Os Africanos de Lugar Nenhum estão entre um e outro ou em nenhum e noutro, já que não retornarão e ficar onde estão me parece uma vida perdida.

INDEPENDÊNCIA é uma prioridade absoluta na vida de uma nação, a auto-estima, a alta auto-estima de uma nação, o orgulho de um povo, a proliferação de uma cultura. Mas, antes de mais nada, a gente deveria tentar entender o que “independência” significa. E, se ela tocar nas raízes da ignorância ou alguém lucrar com ela, nada feito. De volta a estaca ZERO. É uma linha quase invisível. Como aquela que o bandeirinha indica que o cara estava no impedimento depois que a torcida berrava GOOOOOOLLLLLLL !

Tenham um ótimo fim de semana!

Gerald Thomas

(Vamp na edição)

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Morre Pina Bausch: Essa que todos nós invejávamos e amávamos tanto!

 

São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009
 
 

OPINIÃO

Nós, do teatro, a invejávamos

Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a “senhora Beckett” da dança

GERALD THOMAS


ESPECIAL PARA A FOLHA

 

Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a “obra de arte total” (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.

Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.

Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.

Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: “Posso te amar?”. “Nããããoooo!!!” “Posso te amar por um dia?” “Nããããooooo!!!!”

Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.

Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da “dor do mundo” que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.

GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro.

Saiba mais sobre essa mulher GENIAL

(da Folha de São Paulo)

A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico “Café Müller” (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e “A Sagração de Primavera” (1975).”Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea”, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.

Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: “Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” é uma de suas mais representativas falas.

Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.

Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.

Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.

Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.

Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.

As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: “A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso”.


 

 

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Somos Todos Jacksons ou: Quando os Urubus Não Liberam a Alma

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(Jesse Jackson (esquerda) e o pai de Michael Jackson (direita)

Uraniastrasse (Urania Parkhaus) – Como você se sentiria  olhado, vigiado por BILHÕES de pessoas todos os dias? O Jagger, por exemplo, tem estrutura. Adolescente rebelde, mas já estudando na London School of Economics, ele se “ancorou” internamente para ser um “alvo”.

Já Michael Jackson, nasceu ali, menino, pequeno, frágil, no meio dos irmãos. E menino ficou. O sucesso lhe “estourou” na cara. Nem a voz mudou, ou mudou pouco até quinta passada, quando nos deixou.

A repercussão da morte dele serviu até para desviar a atenção das demonstrações contra o Ahmadinejad, no Irã, e outras atenções. Claro, morrer aos 50 anos não é, digamos, natural.

E nos faz refletir um bocado sobre quem somos, o que fazemos de nossas vidas, o quanto lutamos para termos o que temos, para que, no final, o lixo todo de um “império do rancho do nunca” seja desmontado, assim como são desmontados os nossos pequenos apartamentos, nossas caixas, nossos arquivos, nossos armários e segredos que guardamos atrás de mil tabus. Em nome de quê, mesmo?

Na verdade é estranhíssimo. Logo antes do Michael Jackson morrer, eu ia mesmo escrever algo sobre nossas compulsões, obsessões, higiene, nossa OBSESSÃO em esticar a vida. Lembro-me do Caetano Veloso dizendo, certa vez, que Michael Jackson era uma das fontes que mais distribuía alegria pelo mundo. Eu não poderia concordar mais. Quanto a querer prolongar a vida, isso já é coisa da mitologia grega ou shakespeariana e, especialmente, iluminista (Goethe). Mas Hollywood é o símbolo desse prolongamento artificial estético.

É incrível como a morte de alguém tão genial acabe cavando feridas e expondo microscopicamente a sociedade dopada, dopaminada e lipoaspirada: três em cada dez comerciais de TV nos EUA são de “pílulas de promessas” de redução de peso em sete dias. Na vitrine da Barnes & Noble (cadeia de lojas de livros que a Amazon.com não conseguiu matar) metade dos livros são sobre dieta, fitness, saúde, etc. ou as “últimas” promessas de vida eterna.

No entanto a estatística mostra que estamos morrendo como sempre morremos. Claro, em “alguns casos” estica-se a vida até os 90 e poucos. Mas sempre foi assim.

Minha avó também chegou aos 96. O poeta e escritor beat William Borroughs chegou perto disso, tendo sido viciado em heroína quase a vida inteira.  Tem mulheres paupérrimas no nordeste do Brasil que chegam aos 100. Qual a fórmula? Qual a fórmula?  Somente “ELE” lá em cima a tem.

E nós aqui podemos passar os cremes mais incríveis na cara, nos injetar de colágeno do “La Prairie” ou da “La Mer” ou de GH (Growth Hormone) ou do caralho a quatro que acaba tudo dando numa enorme EXPERIMENTAÇÃO dos médicos e laboratórios. Ninguém sabe nada. Todos se promovem à custa da nossa ignorância.

Somos cobaias e radicais livres numa corrida contra o tempo, contra o círculo de giz.

Claro: macrobiótica serve pra alguns. Ortomolecular para outros. Homeopatia ou (pros masoquistas) acupuntura é uma delicia. Mas tem aqueles que se resolvem mesmo é numa boa feijoada.

Agora, para assuntos mais compulsivos:

MAÇANETA DE PORTA DE BANHEIRO PÚBLICO

Algo muito estranho é maçaneta de porta de banheiro público, como o de avião, por exemplo. Depois que você fez lá o que teve que fazer, lavou as mãos, você pega na maçaneta da porta em que TODOS tocaram, um nojo! Faz sentido? Você não sabe se a pessoa anterior lavou as mãos! Não sabe se está infectada com qualquer tipo de vírus. E não houve nenhum “gênio” que ainda inventasse uma forma de NÃO se tocar naquela horrorosa maçaneta de porta!

PADRES-POLÍTICOS QUE SEMPRE MONOPOLIZAM SITUAÇÕES (foto acima)

Jesse Jackson (mesmo sobrenome, não é da família): Michael havia se convertido ao islamismo. Ninguém está tocando nesse assunto.

Diz o Reverendo Jackson:

“Quando o médico veio? O que fez? Deu uma injeção a Michael? E se deu, qual foi a substância injetada? O médico voltou muito tempo depois de ter sido chamado?”, perguntou o reverendo. “A ausência dele levanta questões importantes, às quais só ele pode responder”, prosseguiu.

Só que…

O Departamento de Polícia de Los Angeles, que investiga a morte de Michael Jackson, afirmou neste domingo que o médico do cantor, Conrad Murray, está ajudando as investigações. Na noite de sábado, Murray foi entrevistado pela polícia por cerca de três horas.

Segundo comunicado divulgado pela polícia, o médico, que estava com Jackson antes de o socorro ser chamado à sua casa, se apresentou voluntariamente. “O Dr. Murray foi cooperativo e deu informações que vão ajudar nas investigações”, disse o texto.

Também neste sábado, uma porta-voz de Murray afirmou que o médico “não é um suspeito” na morte do cantor e que ele vai “continuar a colaborar” nas atividades policiais.

“O Dr. Murray ajudou a esclarecer algumas circunstâncias e inconsistências na morte do ícone pop”, afirmou a porta-voz, em comunicado. “Os investigadores disseram que o médico não é um suspeito e, sim, uma testemunha da tragédia”.

Pronto, aí está. Jesse Jackson sempre CORRE para cena. Sempre. Por ser uma pessoa realmente importante (alguns o colocam no local da morte de Dr. Martin Luther King), acabou por se achar “justiceiro”. Mas com Barack Obama na presidência os valores dialéticos mudaram.

O Reverendo Al Sharpton (que monopolizou a morte de James Brown), é outro cuja voz sempre ouvimos (aos berros). Enfim, deixa pra lá. São pessoas que parecem viver de intrigas, de conchavos, escândalos (na esperança que eles nos tragam alguma revelação).

Então copio abaixo um trecho de um texto que adoro de Alan Viola, cujo blog está linkado a este:

“O ato secreto de Ninguém

Desde o processo de renúncia/impeachment de Collor não se parou mais com a onda de escândalos e suas revelações. Não separamos mais a política de maracutaias – espécie de extensão natural da profissão não regulamentada. Passamos pelo lodo do mensalão escandalizados com o PT, que criou-se e se fortaleceu na tese da ética na política. O partido parece que também não sabia que o jogo do poder – o poderio do jogo – poderia levá-lo para onde sempre pautou sua crítica. O PT frequenta hoje o espaço de suas críticas ferozes por décadas. Que doido. Ou era apenas um estratégia? Um discurso roteirizado para forçar a aceitação do círculo, uma contra-senha?

Havia, e há, uma palavra mágica que adere a antigos, e novíssimos, movimentos de atos políticos, uma aceitação generosa da agilidade e maneira peculiar de se fazer política, tradicional, e supermoderna. A palavra é: governabilidade. Ela que sustenta as línguas dobradas e os conchavos. A governabilidade, para não se romper, impedindo a suposta ação benéfica dos governos, é uma aceitação a priori do outro, com suas manias, idiossincrasias e jeito diversificado – uma ação para além do comum. A governabilidade e seu fim tem que superar essa cisma do comum, de que as coisas tem que estar submetidas a uma ética. Tem uma expressão que lhe assegura os atalhos e lhe dá a camada de importância: Em nome da governabilidade! Depois disso, portal e porteira abertos.

Então, expressões novas e bastantes usadas também vão se acercando de nós como o chatíssimo diferenciado, que já deveria partir sem saudades, pois quer ser um adjetivo de marketing do diferente, e já tornou tudo igual. Expressões servem para isso às vezes, nos fazem entender que nem tudo é como nos parece.”

(seu texto por inteiro continua lá no blog do Alan)

Pois é! Ali está: “Ela que sustenta as línguas dobradas e os conchavos. A governabilidade, para não se romper, impedindo a suposta ação benéfica dos governos, é uma aceitação a priori do outro, com suas manias, idiossincrasias e jeito diversificado”.

Leiam isso no contexto dos conchavos Elsinorianos ou Hamletianos, no caso da morte de Michael Jackson, onde reverendos e políticos (às vezes ambos) querem meter a mão  e o bedelho. Essa tragédia,  que já chamei de “Weltschmerz” (dor do mundo), ou dor de sentir a dor do mundo, é uma medida que não tem medida. Mas pessoas sensíveis a sentem: Van Gogh ouvia vozes e cortou a orelha, e não foi por amor, e por aí vai. Jackson sofria as dores do mundo, desde muito cedo.

Grandes estrelas se apagam e as galáxias ficam com pequenos asteróides sombrios querendo 12 minutos de fama. Nunca me esquecerei as lágrimas de crocodilo de Jesse Jackson aplaudindo a vitória de Obama em Chicago em 4 de novembro, cerrando os dentes de ódio. Ele foi, no início, um dos candidatos pelo Partido Democrata.

É isso. Estamos todos tristes. Não nos entendemos, não entendemos nada, e, no entanto, queremos FICAR aqui o máximo de tempo que der. Ego? Muito ego? Todos nós tentamos “prolongar” a vida. Seja ela a vida biológica ou pública, a dos factóides. É antioxidante pra lá, pílula pra cá, remédio pra isso e Omega 3, 6 e 9 pra aquilo. Os laboratórios fazem verdadeiras fortunas e as clínicas lipoaspiram, botoxam, siliconam as pessoas, tudo pra que se ESTACIONE num tempo! Num túnel do tempo.

Num pacto com Mephisto. Numa troca de sangue.

Numa troca dos três poderes, três mãos, minas de sal, estátuas de sal, coisa que jamais será possível.

E mesmo assim os mais poderosos acabam sendo os mais sensíveis e levam nas costas essa merda dessa coisa chamada “WELTSCHMERZ”, ou Dor do Mundo, que vem da compreensão de que está tudo torto, de que está tudo errado, desde a maçaneta da porta do mictório até as mais altas esferas políticas, até o microcosmo das famílias disfuncionais! Não há jeito.

Nascemos com parafusos a menos!

Gerald Thomas

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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MICHAEL JACKSON MORREU POR EXCESSO DE HIGIENE

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New York – Caramba! Mal coloco os pés em casa e vem a BOMBA!!!! Michael Jackson está morto!

Na minha peça, “Circo de Rins e Fígados”, Marco Nanini dizia (numa entrevista fictícia sobre o astro Peter Pan que acaba de morrer): “Não é homem nem mulher, não é branco nem negro, não é adulto nem criança”. De fato, MJ transcendeu a figura humana. Poucos fizeram isso na nossa história recente.

Estávamos em 2005 e Jackson se encontrava em mais um desses escândalos de moléstia, mais crianças encontradas em seu LaLaLand e o ídolo escondido (guarda-chuvas, chapéu entrerrado na cara, lenço para se esconder) dançava no topo de uma limousine na frente do tribunal em Los Angeles. Imagino o que Greta Garbo acharia dessa cena.

Pode ser que a autópsia revele que ele tenha morrido por excesso de anti-depressivos, ou cocktail de “prescription drugs”, ou seja, drogas tarja preta. Na minha opinião, Michael Jackson já estava num processo de morrer há muito tempo, se isolando em bolhas de oxigênio, não querendo respirar o mesmo ar que o resto de nós.

Morreu por excesso de higiene!

Será?

O que se pode dizer dele? Genial? Certamente.

Eu o vi, junto com a minha ex-sogra, Sir. Fernanda Montenegro e toda a minha trupe em Lausanne, Suíça, em 1992. Surgia de um buraco feito no palco como se fosse um boneco inflado e parado ficava.  O público ria de nervoso porque o impacto da subida era forte demais para um ser humano. Pois é! Forte demais para um ser humano. E por um minuto e meio ele não se mexia depois de “subido”, lá plantado.

De repente, ao leve som de um instrumento, move-se um braço. O povo delira, vai abaixo.

Bem, o resto é história.

Uma bela, triste história, como poucos, poucos verdadeiros ídolos mágicos do nosso imaginário podem provocar. Não importa a causa da morte, na verdade. Importa, sim, que morreu um poeta excêntrico, um menino do Jackson 5 que morria de medo do seu próprio império e que queria que o tempo parasse! E fazer o tempo parar é uma equação impossível, assim como é impossível achar a fonte da eternidade (“Fausto” de Goethe ou Marlowe), assim como é impossível se superar como Michael Jackson se superou virando monstros, bichos, virando um thriller ele mesmo. E ao virar isso tudo, ele acabou por dar a volta no Universo. Esse Universo tão grande e tão escuro em que ontem, uma estrela, Michael Jackson, se apagou, deixando legiões de planetas, satélites, asteróides, enfim, uma galáxia inteira totalmente desolada.

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Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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Seis Meses de Obama e a Mosca

“Barack, Barack, nosso pai!”

China ou Chinatown- Sim, Hollywood existe! “A diferença entre insanidade e genialidade só pode ser medida por sucesso”. Um dia explico tudo! Mas foi com a frase “Sim, Hollywood existe” que terminei meu último post. Mas agora… agora, tendo chegado aqui, sem saber quem sou, sem identidade, tento ler os jornais daqui, mas não entendo o Mandarim. Imploro ás pessoas nas calçadas para que falem comigo. Ninguém pára. Poucas pessoas falam Inglês e mesmo assim, ficam cabreiríssimas. Menos gente ainda fala alemão. Ninguém (óbvio) fala Português. A revolução cultural de Mao uniu 16 nações através de um idioma: e eu não entendo uma única palavra: quero saber se os jornais daqui estão dando algo sobre o Irã.

Claro, a maior revolução do século XX. Será? Claro que não! E a revolução Bolchevique, meninos? Não conta? O que é o Irã com o seu extremismo islâmico (1979), contra o “perigo vermelho” de 1917?

Mas não vejo nenhuma foto do Ahmadinejad nos jornais locais, somente uma MOSCA que o Obama matou a tapa!! Também quero saber se falam algo sobre o país vizinho aqui, a Coréia do Norte. Quero saber o que acham do nosso Obama, festejando gloriosos SEIS meses no poder sem um único tropeção!!! Ainda matou uma mosca com um peteleco certeiro!

Mais ou menos com o mesmo poder e já com algum tédio, Barack Obama trucidou com certeiro golpe e destra mão um exemplar da espécie, que teve também seu momento de glória. Não precisou usar seu assombroso arsenal militar, seus porta-aviões que sozinhos são capazes de dominar a Terra, suas ogivas nucleares, os serviços do FBI e da CIA. Com um peteleco e uma expressão de quem é hábil em matar moscas, deu um único golpe e matou a mosca e a questão.

Bem, aí mais da metade da população do Oriente Médio ficou assim:

Aos berros, ou aos mantras, ou aos prantos:

“Barack, Barack, Barack, nosso Pai”, como na foto aí em cima.

O Oriente Médio, como sabemos, é infestado de moscas. Se Ahmadinejad não tivesse roubado as eleições no Irã, seria uma mosca a  menos. Mas, descontando o Irã, mesmo assim, são muitas moscas.

Num telhado qualquer, de um país qualquer onde se secam tâmaras, damascos ou figos, a quantidade de moscas é simplesmente incrível: e Obama demonstrou o que uma cultura milenar não soube ainda conquistar.

13 mortos, pelo menos, no Irã. E nós com isso? O mundo INTEIRO só fala do Irã. O foco do mundo está ali. Como o Lula deve estar com inveja, nossa!

Olha só: Uma das figuras mais poderosas do Irã (o ex-braço direito do pai da revolução islâmica, o Aiatolá Khomeini), o Sr. Rafnanjani, era um crítico de Ahmadinejad e um grande aliado de Moussavi. Ou seja, no fundo nada prova nada. Não importa quem está na presidência. Importam os Aiatolás. Não importa muito quem está na presidência: se ele diz ou não que houve ou não houve o Holocausto: são os palhaços perigosos da vez, mas não passam de palhaços!

O Presidente Obama nao terá que se preocupar muito em dizer se apóia esse ou apóia aquele (o mundo fica lhe cobrando uma posição. Olhem a foto: todos de quatro).  Os Republicanos estão perdidos, sem líder. Em seis meses, Obama fez mais que qualquer outro presidente em anos. Até mosca matou.  Ao invés de olhar o “adversário islâmico” como inimigo, procura um diálogo. Nada mais lógico.

Os Americanos querem guerra? Sim, no passado acredito que sim. Mas a economia está em frangalhos e esse presidente vem de um background bastante diferente para não repetir as merdas históricas.

Num artigo recente no Washington Post, dois líderes dessa administração (Larry Summers e Tim Geithner) escreveram um pouco, assim como se fosse um trailler, do plano econômico dessa presidência. Não, não vou reproduzir aqui no blog o texto do Washington Post e nem vou me irritar com partidos perdidos ou países ditatoriais onde a religião é usada como instrumento de manipulação das massas! Não vou.

Olho em volta e vejo cobras e lagartos pendurados em vitrines.  Congestionamentos enorrrrmes!  Deus do céu! Seis meses de Obama ! Viva! E quem se atrever a criticar o cadarço de seu sapato, vai virar uma mosca morta, com um simples peteleco!!!!

Gerald Thomas (des-orientado)

(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Crise Existencial Oriental – parte 1

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Torcida Gay do Flamengo

(Torcida Gay do Flamengo)

De um  AEROPORTO qualquer ai pelo mundo –  Gente, é o seguinte: estou num stress terrível. A torcida extremista gay do Flamengo não me deixa mais dormir. O goleiro Ahmadinejad levou um “frango”, mas está deitando e rolando na grama da corrupção e a galera está furiosa. Mas eu queria dizer que, POR FAVOR,  não descontem em gays, lésbicas ou nos gatos. Gatos, na Itália, são considerados diabólicos! Já vi gato sendo torturado na Toscana! Aqui na China gato é comida de primeira classe, mas a torcida do Flamengo preserva o gato pra…

Não sei mais o que escrevo. Estou muitíssimo perturbado. Noto que, segundo um artigo que leio online, “Relações homossexuais são quase universais no reino animal e podem ser agentes importantes de mudança evolutiva”, afirma uma dupla de pesquisadores dos EUA. No entanto, eles alertam que os zoólogos podem estar rotulando de “homossexualismo” uma série de comportamentos diferentes. O estudo, publicado hoje no periódico “Trends in Ecology and Evolution”, é uma revisão das pesquisas já feitas sobre relações homossexuais animais. Essa área ganhou grande atenção do público após 1999, quando o zoólogo Bruce Baghemil publicou o livro “Biological Exuberance”, documentando homossexualismo em mais de 400 espécies. Há milhares de exemplos na literatura. Que machos gostem de fazer sexo com machos e fêmeas com fêmeas é um enigma evolutivo. Afinal, um gene gay (ou vários genes) seria eliminado, pois à primeira vista ele não ajuda a espécie a se perpetuar. “A grande questão é como explicar qual é o sentido evolutivo”, diz César Ades, etólogo (especialista em comportamento animal) da USP (Universidade de São Paulo). Qual é, então, a vantagem da homossexualidade para os animais? Os autores do novo estudo, Nathan Bailey e Marlene Zuk, da Universidade da Califórnia em Riverside, dão um exemplo. Veja as fêmeas do albatroz-de-laysan (Phoebastria immutabilis), do Havaí. ”Essas aves se unem em casais lésbicos que às vezes duram a vida inteira para criar os filhotes, especialmente quando há escassez de machos. Até um terço dos casais da espécie são formados por fêmeas. O resultado é que elas têm mais sucesso do que fêmeas “solteiras” na criação dos filhotes. O comportamento homossexual, portanto, muda a dinâmica da população -e pode ter consequências evolutivas importantes.”

Vago pelo mundo como se fosse uma nau qualquer sem rumo. Um dia, quem sabe, voltarei a ser eu mesmo. Mas quem sou eu? Não sei.

Boa pergunta!

Fiquem felizes, vocês todos!

Um tremendo abraço!

Sim, Hollywood existe! Um dia explico tudo!

Gerald Thomas

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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O Paraíso da Bandidagem

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New York – O episódio de “Law and Order, Criminal Intent”, com Jeff Goldbloom, girava em torno de um dono de uma mega companhia de segurança (prestadora de segurança até para embaixadas) e que tinha poder de voto pras próximas duas Olimpíadas. O nome Rio de Janeiro foi pronunciado inúmeras vezes. Fotos do Pão de Açúcar, do Cristo, etc., eram mostradas o tempo todo. Mas são vários Laws and Orders. Cada núcleo é diferente: o melhor ainda é o “SVU, o Special Victims Unit”: pessoas mutiladas, estupradas, aos berros, aos prantos. Assim.

Jay Leno está dando um basta. Chega! Vai criar uma “cruzada” contra tudo isso. Eu, que não gostava de Leno, estou começando a gostar.

Tenho notado, recentemente (mais que nunca), que o bandido da história “a essa hora já poderia estar num avião em direção ao Rio de Janeiro”. A série “CSI Miami” chegou a abrir um braço chamado “CSI Brazil” e assim por diante. Sim, onde quero chegar? Não é de hoje que se equaciona o Rio (não o Brasil) com o “paraíso da bandidagem”. Chegou lá, viveu bem pra sempre.

Hollywood sempre soube disso. Ronald Biggs também.

Nossa sociedade aqui é movida a armas. Nossa! Tudo aqui gira em torno delas. Não há seriado (exceto um, dois ou três) que não tem pistola, bazuca, anti-missel. O povo ama a polícia, ao contrário do povo brasileiro. Aqui, os heróis são os Marines.

Nao é à toa que o Superman, o herói kryptonictico, Batman, Homem Aranha e tudo isso, surgiram aqui. Somos doentiamente fascinados com a farda! Com os aviões supersônicos, com as bombas, com os computers que conseguem identificar (através de um fio de cabelo) alguém numa rua no Cairo.

Desde “Flashpoint” até NCSI, Cold Case, Burn Notice, In Plain Sight, 24 ou MILHARES de outros (a cabeça chega a doer) parace que o plano é assim: “TEMOS AS ARMAS, TEMOS OS INSTRUMENTOS BÉLICOS. Agora vamos armar a trama, o complô pra meter tudo isso dentro.”, pensam os produtores.

Kojak, Colombo, Shaft e até Beretta e Sarsky and Hutch eram violentos também. Mas, deus me livre! Nada parecido com o que se vê hoje: a bala penetrando como se fosse uma foda rápida, rasgando as artérias, o sangue manchando as paredes como se fosse um jorro de gozo, o corpo morto numa cama metálica do médico legista e isso TODOS os DIAS em TODOS os canais

Então não vamos bancar os hipócritas: quando o insano lá, aquele nazista, entra no Museu do Holocausto em Washington DC e acaba matando o guarda negro, o que ele esperava? Escapar e pegar um avião e ir para “a Rio de Janeiro” e viver os poucos anos que lhe sobram? Quem começou essa coisa de chamar o Rio de paraíso dos bandidos? Sinatra? Ginger Rogers e Astaire?

Orson Welles? Quem?

Amanhã à noite teremos uma vigília em Washington Square Park em memória de Sean Goldman. É a triste constatação de que terão se passado cinco anos que o menino foi seqüestrado down to Rio de Janeiro.

Gerald Thomas, 15/Junho/2009

(Vamp na edição)

 

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O BRASIL QUER SER CONHECIDO POR INCENTIVAR SEQUESTRADORES?

Por que Sean ainda não foi?

Por Barbara Gancia, Folha de São Paulo

Com interferências minhas, Gerald.

“É fundamental que Sean Goldman seja devolvido com a maior brevidade possível à guarda de seu pai, David”

Barbara – “QUANDO COMECEI A FALAR sobre o caso da guarda pelo me nino Sean Goldman, 9, imaginava que o padrão verde-amarelo de sempre iria prevalecer. Somos um país de torcedores que não entra no mérito da disputa. Para nós, se há um brasuca na parada, é do lado dele que sempre iremos nos alinhar. Já devo ter dedicado uns dez ou 12 posts no meu blog mais uma coluna neste caderno Cotidiano à luta para ver quem fica com Sean, se o pai, David Goldman, ou se o padrasto, João Paulo Lins e Silva, apoiado pela família da mãe. E, até agora, descontando os comentários daqueles que se identificaram como amigos da mãe ou parentes de amiguinhos da escola de Sean, creio que posso dizer com alguma segurança que apenas 20% dos meus leitores apóiam a permanência do menino no Brasil. A maioria das pessoas que me escreveu até aqui para falar do caso se mostrou estupefata pelo fato de o menino ainda não ter sido devolvido ao pai. Alguns chegam a usar a palavra “sequestro” para descrever o ato que o viu subtraído de David Goldman nos Estados Unidos.”

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Gerald- Quando eu comecei a comentar o caso (reproduzindo inclusive o próprio Blog http://www.bringseanhome.org aqui), a resposta também foi “overwhelming”. O maior problema, nesse caso, é a lentidão  da Justiça Brasileira. Um juiz dá a sentença. Vai um Ministro do STF e anula! (O Dateline NBC acompanha o David nessas jornadas). De repente, o STF inteiro vai e anula a “última anulada” e devolve ao meritíssimo juiz que fez o ÓTIMO relatório de 82 páginas. Se fosse por ele, Sean já estaria aqui, nos braços do pai, em New Jersey. Isso pode demorar uma eternidade.

O mais surreal disso tudo? O Padrasto, João Paulo, parece não estar dando conta de tudo isso: então o garoto está sendo criado pela avó!!! Isso sendo que ele TEM UM PAI BIOLÓGICO que já fez, pelos meus cálculos, 14 viagens pro Brasil. Sean vive um pesadelo de Garcia Márquez só que reduzido aos seus nove anos. NOVE ANOS de SOLIDÃO!

Sua mãe, Bruna, infelizmente morta, ano passado, JAMAIS deveria tê-lo “seqüestrado” para o Brasil. Sim, foi uma abdução na medida em que ela mentiu pro David. “Eram férias de 3 semanas. David iria encontrá-los no BR no final das férias. Mas ela já mantinha um namoro (que virou casamento) com um poderosíssimo advogado, de uma linhagem de poderosíssimos advogados, chamados Lins e Silva.

Será que o Brasil quer ser conhecido por abduzir menores? Não, acho que não. Vocês também acham que não.

Prossegue o artigo da Bárbara:

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Bárbara – “Acho no mínimo interessante constatar que o meu leitor, que demonstra estar seguindo o caso com grande interesse e proximidade, tenha deixado o ufanismo de lado e resolvido tomar as dores do pai norte-americano em detrimento dos familiares brasileiros. Parece claro que tanto o padrasto quanto a família da mãe levam em consideração os melhores interesses de Sean. Ele é muito bem tratado, conduz uma vida regrada, tem tudo do bom e do melhor e é assistido 24 horas por dia nos 365 dias do ano. Mas a minha tendência é a de concordar não só com a opinião dos leitores do jornal e do blog, como com a decisão do juiz da 16ª Vara Federal do Rio, Rafael de Souza Pereira Pinto, que expediu sentença de 82 páginas sobre o caso. A decisão ressalta: “É fundamental que (…) seja devolvido com a maior brevidade possível à guarda de seu pai, de maneira que a sua readaptação à família paterna possa também reiniciar-se de maneira imediata” e que “chega mesmo ao plano do surrealismo” que uma pessoa sem poder familiar sobre o garoto (no caso, o padrasto) se oponha à entrega da criança ao pai. “Admitir a possibilidade significa abrir perigosas brechas capazes de consagrar verdadeiros absurdos.” Ouso dizer que não existe motivo nenhum para que Sean Goldman continue a viver com um padrasto que enviuvou jovem e que pode e deve voltar a se casar e a constituir família, quando tem um pai que nunca o abandonou ou teve a intenção de abrir mão dele. Quanto à hipótese de que o menino é quem tem que decidir se fica ou não no Brasil, o próprio pai do padrasto, o advogado Paulo Lins e Silva, especialista em alienação parental, poderia responder que essa não é a mais sábia das decisões. Em palestra disponível no YouTube, ele discorre longamente sobre o poder da mãe em uma separação e como, por passar mais tempo com os filhos, ela pode manobrar para colocá-los contra o pai. No caso de Sean, que tem nove anos, quem passa mais tempo com ele é a família da mãe.”

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Gerald- É legal constatar que não se trata de uma campanha somente de “gringos” (como vocês gostam de chamar). São milhares de brasileiros torcendo pela volta de Sean pra cá.

Mas ele vive nesse limbo. Pela lentidão de um Tribunal, jogando a bola pro outro e assim por diante, essa “coisa” poderá demorar anos. Quem sofre? O menino. E ele, ao que parece, já não está bem. Por quê? Porque não tem a figura paterna nem materna por perto. SOFRE DE ALGUNS ANOS DE SOLIDÃO. Mas tenho a certeza de que o Brasil não quer virar Macondo. Macondo, aquele lugar ou estado surreal e perdido, de Gabriel Garcia Márquez.

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Museu do Holocausto, Washington DC

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Eu ia escrever sobre o Holocausto dentro do Museu do Holocausto, anteontem, em Washington DC e os Nazis, etc.. Mas esse assunto é ainda mais surreal. Em pleno 2009 um cara mata um guarda negro do museu, consegue fugir. Os arianos, essa coisa de raça pura, deus me livre! Sei, claro, não sou inocente: sempre teremos esses “losers” e malucos que se preenchem quando seguem alguma suástica ou algum liderzinho de merda. Impressionante.

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Enfim,  mais uma vez, nesse blog eu termino: Bring Sean Home. In the meantime, good luck kiddo and don’t let them drive you crazy. We’re all rooting for you.

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Obs: fiquei felicíssimo ao ler a Folha e me deparar com esse artigo da Gancia.

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Gerald Thomas, New York, 12/06/2009

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Nas Entrelinhas do Terrorismo

New York– Não me sentindo muito bem, me ponho a escrever como se fosse uma disciplina. Ainda saudoso, triste e inconformado pela morte do amigo e maestro Silvio Barbato no vôo da Air France (hoje, domingo, a CNN informa que recuperararm 17 corpos), me pego vendo a Fórmula 1, em Istambul. Nossa! Desde que Ayrton Senna morreu, nunca mais vi uma Fórmula 1. Fora o Barrichello (que parece uma eterna luta pra ser um Barrichello, mas fazer o quê? Ele não é um Barrichello!), o resto é um bando de nomes que não reconheço.

Mas durante essa semana aconteceu o imprevisível, o impalpável, o mais chocante: enquanto o Presidente Obama já estava em Buchenwald (campo de concentração perto de Weimar), o ex-vice Dick Cheney finalmente confessou que não tínhamos que invadir o Iraque mesmo e que não havia nenhuma ligação entre Saddam Hussein e Osama Bin Laden.

Nossa! Barichello deu uma escorregada na pista, virou 360 graus e retomou a corrida. Parece estar um enorme calor na Turquia.

Querem saber de uma coisa? Eu estou completamente de saco cheio de jornalistas ou blogueiros que se metem a comentar discursos do Obama ou sua política externa sem JAMAIS terem colocado um pé aqui. Sem JAMAIS terem trocado uma, duas ou três palavras com os paquistaneses, indianos, sírios ou alguém REAL e de alguma dessas tribos (sunitas, xiitas, etc.). Todo motorista de táxi aqui é de uma dessas tribos, o que torna a viagem, no mínimo, interessante! Ou duas em cada dez pessoas em NY são do Oriente Médio. Escrevem através de teorias ou (sei lá!) ideologias! Isso é jornalismo? Ou partidarismo? Partidarismo, óbvio! Não sabem fritar um único ovo, mas sabem TUDO sobre culinária! Não me aborreçam!

Não acredito em nenhum deles. Apesar de eu ser membro aqui do Partido Democrata Americano, mantenho a cabeça cool. E sei que a visita de Obama ao Cairo, por exemplo, foi uma “mão estendida”, sim. Falou  “presidenciavelmente”, falou numa nova linguagem. Uma linguagem que os islâmicos pudessem entender. E, ao mesmo tempo, dias antes, Benjamin Nataniahu esteve aqui, e sua determinação por Israel é firme: basta ver seu time: Rahm Emmanuel chegou a ser do Exército Israelense em sua juventude. Hoje o Líbano tem suas eleições, vamos ver: talvez o senso comum faça com que o Hesbolah saia de cena. Quem dera!

Talvez os velhos rancorosos não gostem da estratégia de Obama. É por isso que gente como o Rush Limbaugh (um porco!) e gente da liga dele estão chafurdando na lama da mentira de guerras inventadas que nada consertaram e só pioraram a imagem dos USA e matam MILHARES de pessoas.

E agora?

E agora, quem teve o prazer de ver a série de Brian Williams (NBC) sobre a intimidade dentro da Casa Branca, viu também a disciplina, a tensão, a ENORMIDADE de trabalho que é lá dentro. Não sei como o homem (Obama) agüenta.

No que diz respeito a uma aproximação PACÍFICA com o Islã, a coisa é clara: enquanto George W. Bush não sabia onde era a POLÔNIA em seu segundo dia de governo (e isso é sério, não sabia mesmo!), Obama é mestre em História. E foi uma aula de história que ele deu no Cairo.

Não somente por que, quando criança, morou na Indonésia e conhece a religião de perto e entende as diferenças entre um bando de terroristas e uma enorme população pacífica, mas porque está traçando uma estratégia de paz que faz a Ângela Merkel (Alemanha) não conter as lágrimas.

Chega de Fórmula 1. Está me dando enjôo! Tá vendo? Eu pessoalmente não agüento, mas não critico quem agüenta: torço pelo Barrichello, óbvio!

É um absurdo escrever através de teorias, de longe, via agência de notícias ou  ideologias. Jornalismo deveria ser algo “experimentado”. Deveria se colocar os pés aqui ou em países árabes. Os jornalistas mais “da antiga” faziam isso.

Os que vivem atrás de um microfone se entupindo de Oxy-Contin ou atrás de um computador expelindo seu veneno, nada fazem além de conseguir uma pequena legião de… De que mesmo? Pensem bem, de que mesmo?

O Presidente eleito chama-se Barack Hussein Obama. Prestem atenção no que ele diz  e como ele diz o que diz. E prestem atenção no que disse na Normândia, por exemplo! E pensem também no que confessou Dick Cheney: que nada tínhamos que invadir o Iraque.

“E que com o Iraque, perdemos muita força no Afeganistão”. Enfim, esse é somente um dos desastres que Obama agora herdou.

Nossa! Voltei à Fórmula 1. Muitas derrapagens! Muita troca de pneus. Odeio as câmeras que ficam dentro dos carros: deixam-me tonto, treme tudo.

Falam num tal de Button. Nunca ouvi falar.

Existem muitos mundos nesse mundo.

Mas os islâmicos estão aí. Essa “arabada”, como se costuma falar, está aí. Aliená-los não é, de forma alguma, uma boa! Integrá-los é a ÚNICA maneira! ÓBVIO! Assim, se afastam os Al Qaedas da vida! É como na década de 50, quando os porto-riquenhos invadiram Nova York. Hoje são parte integral da cidade. Os separatistas da época ficaram sem voz. Sem ar.

Isso me levaria, naturalmente, a falar sobre Sonia Sottomayor, a Juíza latina (mulher brilhante), nomeada pelo presidente para Suprema Corte, filha de porto-riquenhos. Mas isso é para um outro post!

Mas os carros estão derrapando, o Dick Cheney me fez vomitar, já não me sinto muito bem, pois hoje completaremos uma semana do desastre da Air France e nada. O mundo gira. A pomba gira.

A Lusitana nada. A Lusitana já parou de rodar faz tempo!

Nada como uma corrida dessas numa cidade linda como Istambul pra… Mas quantos de vocês sabem algo sobre Istambul? Quantos sabem sobre as fronteiras mais perigosas do mundo, onde o Al Corão pode ser interpretado de uma forma tão deformada que a paz pode significar a paz depois da morte de um desses loucos homens-bombas e, portanto, as entrelinhas do terrorismo são tênues. São frágeis como uma obra dramática de Tchecov, como “Tio Vanya” onde um mundo invade o outro. E baseado nessa fragilidade, um tempo entrando no outro, nessa entropia, Obama faz seus planos de CHANGE.

Não estamos nem na terceira cena do primeiro ato ainda: calma! Muita calma com as críticas. A Fórmula 1? Essa tem a largada e a faixa da chegada. Muita luta, muita gasolina, mas é simples, não? Merda: esse Button venceu. Eu torcia pelo Barrichello.

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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A Rota Perdida do Vôo 447

 

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E-mail enviado pelo comandante Peter Lessmann:

 

“Oi GT!

Em anexo um e-mail que me foi enviado por um colega mostrando um trecho de uma carta de navegação onde se vê a “aerovia” (highlighted em amarelo) e sobreposto a ela uma outra carta (carta é um “mapa” usado em navegação OK?) meteorológico e sobreposto a ambos o desenho de um exemplo de desvio que eventualmente eles poderiam ter feito para evitar aquele “pretão” de nuvens de tempestade. Você vai notar que o desvio alternativo era enorme, centenas de KM, a ponto de passar por cima de outra aerovia paralela!! Passei a minha vida desviando totalmente ou encontrando “buracos” entre as nuvens “piores”, mas às vezes somos enganados pelas sombras na imagem do radar ou nuvens tenebrosas “escondidas” atrás de outras menos perigosas como um tumor maligno escondido atrás de um benigno num raio-X, com a enorme diferença que não dá para parar um avião e esperar a chuva passar. Imagine-se em um automóvel na estrada no meio de uma chuva onde você não vê nada, sem poder frear, o acelerador preso a 900km/h olhando apenas para uma telinha de televisão como referência de direção…
A decisão de desviar ou procurar uma brecha é dificílima e depende enormemente da análise das informações apresentadas pelo radar do avião, mas assim como um Raio-X imagem pode enganar a gente porque uma nuvem se comporta mais ou menos como quando você derrama leite no café, aquilo é um turbilhão de energia fenomenal que chega a subir 10 a 15 KM céu acima e não há tempo para segundas opiniões ou novos exames.
Abr.

Peter

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English readers: I’ve just transposed both graphics by adopting the very same scale to them both; I’ve also

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corrected True North and then, I’ve created a Navigation Display style view, so we’ can understand accordingly, how situation really was. In short, and according to my understanding, it shows an extended exposure into the ‘inferno’: 25 minutes . . . In other words, I don’t think anyone else will loose any interesting information.

Most importantly, I’d say that and earlier Flight Plan Change , Route, Airway, to UN 866, including a minor deviation to West would certainly apply!

Additionally, how sad it is . . . definitely!

All the very best,

Fla

Hisashi,

depois de examinar detalhes de weather, não há o que discutir: é simplesmente inacreditável que os Aviadores, com tanto espaço disponível para Oeste da formação maior – e, a despeito disto –, tenham tido o peito de enfrentar exatamente a extensão maior desta área de instabilidade.

Pior ainda, seria voar ao longo da formação, na direção NE / SW, em qualquer dos sentidos!

Para quem está familiarizado com AUTOCAD, por exemplo, seria possível criar um ponto a cerca de 100 NM a SW de INTOL, em seguida seria possível . . .”

 

 

. . . voar na proa 320, por exemplo, ao longo do corredor limpo, até interceptar a próxima posição, TASIL na proa escolhida; 050, 055, ou 060, por oportuno! Neste caso o avião percorreria, sem nenhuma interferência, a trajetória proposta no gráfico acima. Este era, a propósito, meu exercício favorito de navegação usando apenas o FMS e um pouco de expertise de desenho geométrico, mecânico do gênero AUTOCAD!

No caso, fica claro que: criar um segundo ponto, na tangente mais a Oeste da trajetória seria melhor ainda!

De todo modo, foi uma pena este acidente! Nestas oportunidades, fazendo-se uso de pouca criatividade, o avião sai deslizando entre as nuvens, fazendo o desvios independentemente de quaisquer comandos, até parece mágica!

Mas, é curioso até para tentar explicar, o webmaster, por exemplo, girou o Norte cerca de 30 graus para o Leste, no lugar de escanear a carta preservando o Norte na vertical do eixo de leitura como se costuma fazer. Ora, sem saber qual é o público leitor, assim fica difícil até para poder entender . . .

Desta forma, juntando tudo, fica muito melhor! Mas, o correto mesmo, seria girar este gráfico 43 graus para o Oeste; ora, tem-se o Navigation Display na função TRACK! Aliás, como todo mundo sabe! Ei-lo:

 

 

O desvio proposto tem esta forma, porque não disponho de mais informação. Melhor mesmo, seria trocar de aerovia bem mais ao sul, passar a voar na UN 866; ainda assim, seria necessário desviar para Oeste!

Decididamente, não sei o que teria se passado.

Bem, eram três os Aviadores; o antigão, deveria estar dormindo, é normal! Muito principalmente se fosse um cara chato! Daí, surge o problema de língua – de ambas as partes –, modificação de plano de voo; o sujeito fica com preguiça de alterar o FMS, fica preocupado com manutenção do horário do voo, etc. Outros , sem saber as características de projeto do FMS, passam o voo todo inserindo e corrigindo o vento; pensam que é necessário, e, por aí vai!

É uma encrenca . . . mas, eu sinto muita falta!

Gostei muito do que li e do vi. Mas, a exemplo de todos, lamento muito o acidente!

Muito obrigado, Hisashi, um abraço!

Fla

 

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Morre Um Grande Amigo no Vôo da Air France

New York- Estou escrevendo com o coração partido e lágrimas nos olhos. O vôo da Air France levava meu amigo, o regente/maestro Silvio Barbato.

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Mas vou escrever sobre algo que me deixou extremamente feliz também: a Justiça Brasileira determinou que o menino Sean Goldman deve ficar junto ao seu pai biológico, David Goldman. Esse Blog, já há meses, embarcou na campanha www.bringseanhome.org , chegando, inclusive, a publicar o blog deles na íntegra. Minha correspondência com Mark DeAgelis (coordenador da campanha aqui em New Jersey) é freqüente, muitíssimo freqüente.

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Parabéns à justiça brasileira pela decisão!

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Ao mesmo tempo, essa notícia me pega num dia onde não consigo superar a dor: Silvio Barbato foi meu maestro na mais controversa de todas as óperas que encenei: “Tristão e Isolda”, no Municipal do Rio. Sim, aquela em que acabei mostrando a bunda porque… ah, deixa isso pra lá!

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Olha só que loucura o destino: Fazia anos que Silvio e eu não nos falávamos. Cheguei de viagem, de volta pra NY, na Sexta passada. Surge um e-mail dele: “Posso te ligar pra fazer uma entrevista com você? Em que número te ligo?” Respondi na hora e às 5 da tarde do meu horário o Silvio me ligava da Rádio Roquette-Pinto, no Rio. “Oi cara, que prazer, há quanto tempo, etc..”

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Fomos companheiríssimos desde o “Navio Fantasma”, que dirigi no Municipal do Rio, em 1987, no qual ele era assistente do maestro Eugene Cohen, do Metropolitan, aqui de NY. Anos depois, já maestro, veio o “Tristão e Isolda”. A entrevista foi, primordialmente, sobre Wagner. Richard Wagner e o anti-semitismo. E o GIGANTISMO de Wagner e quantas óperas ainda poderíamos realizar juntos, como “Parsifal”, por exemplo.

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Ele me falou que andava mais fora do Brasil do que “dentro” e falou, repedidas vezes, em Belgrado. Foi uma das conversas mais legais, inusitadas e veio com uma promessa, agora interrompida (nossa, estou aos prantos!): “Vou te visitar ai em New York, cara! Mas depois vou pra ‘minha cidade, Chicago”. Eu te perdôo, Silvio, dizia eu, hoje Chicago é sinônimo de tudo que há de bom, pois é a CIDADE OBAMA.

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Agora veio essa bomba de notícia. O Gustavo Ariani me manda um email ainda ontem à noite dizendo: “perdemos o Silvio Barbato nesse vôo”. Fiquei perplexo, paralisado diante da tela e desabei a chorar, enquanto procurava seu nome em sites, etc.

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Como pode, em pleno século XXI, um Airbus novo ser derrubado dessa forma? Sumir do mapa? Ser controlado não por homens, mas por instrumentos?

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Eu vôo muito, como vocês já perceberam. E o pior, adoro turbulência. Pra mim é como cadeira de balanço! Sinto-me como se estivesse nos braços da minha mãe sendo colocado pra ninar.

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Gente, desculpa, mas não está dando pra continuar. A perda do Silvio é enorme. Não dá pra entender mais nada. Falávamos-nos e falávamos sobre a última ARIA de Tristão, aquela cantada por Isolda, o “LIEBESTOD”, essa palavra que não canso de repetir nesse blog: é o amor através da morte, o “amormorte”, a “morteamor”.

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Silvio, meu mais querido: onde quer que você esteja, nosso coração está com você! Que merda de vida é essa, caralho???? Não dá mesmo pra entender!

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Alguém, algum dia, por favor, me explique!

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And Sean Goldman: we wish you the best life in the world next to your real father, David. And we want you to know that all of América WELCOMES YOU with open arms, kiddo!

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Gerald Thomas

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. Maestro Silvio Barbato (Fotografia enviada por Sandra Barbato, filha do maestro)

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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PS. do Vamp: Pessoal, o Gerald escreveu este texto ontem, na parte da tarde. Ainda não sabíamos da decisão do Supremo de manter o menino Sean aqui no Brasil…
Vai ser complicado explicar para o pai do garoto e para todos os americanos, inclusive para o presidente Obama, como funciona nossa Justiça. Esse caso se desenrola há anos, mas o Supremo precisa de MAIS tempo para julgar. Incrível!!!
Foi só elogiar a Justiça e…

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Drogas: Qual é a Sua, Companheiro?

 

New York – Um mágico está no palco serrando uma mulher ao meio ou saindo de um cubo onde ficou durante 40 dias sem comida, como David Blaine, por exemplo. A platéia está “entorpecida”.  Ou uma banda de rock está em seu solo de guitarra, ou a marcha fúnebre de Siegfried em “O Crepúsculo dos Deuses” (última parte do “Anel dos Nibelungos”), de Wagner, está “inebriando” o público do Metropolitan Opera House. Ou mesmo um primeiro leitor de “Metamorfose” chega ao final da primeira página e sente um calafrio e um engasgo orgástico quando descobre que Gregor Samsa, o homem, se transformou num enorme inseto.

 

Nossa arte, nossa existência, a analogia do que somos pode ser – sempre – comparada, através de nossa longa história, a uma droga ou outra.

 

Mas a droga (seja ela qual for) continua sendo tabu. E como tabu, ela continua sendo sempre usada. E sempre usada, continua sempre sob repressão! Por que será? Quem lucra? Quem ganha? Quem perde?

 

Desde que me entendo por gente as pessoas em minha volta fumam maconha, se injetam com “coisas”, fazem surubas, etc.. Lembrem-se: sou da geração da década de 60, plena celebração da contracultura, anti-Vietnam,  Woodstock e Hendrix e Joplin. A geração que ficava horas e horas pro Filmore East abrir, aqui na 2 Avenida. Ou, em Londres, o Marquee na Wardour Street, pra ver o Cream, Yardbirds,  ou sei lá quem tocar.

 

Sim, pessoas caindo, caídas, o surgimento do Punk Rock, Johny Rotten, Sid Vicious vomitando na platéia, os ídolos se cortando com gilete sem saber tocar um único “tune” e se jogando de corpo e alma em cima do próprio público em pleno delírio.

 

Ainda me lembro de ver o MC5 dar uma paradinha em seu show, em Londres (início dos anos 70) pra que John Sinclair pudesse sair de cena pra se picar. “Hang on while I get my fix”. Horas se passavam. Assim como a Banda Vitória Régia tocando no palco enquanto o Tim Maia parecia ter mais o que fazer no camarim.

 

Heroína, Maconha, Cocaína. Crystal Meth, Metadona, Special K, GHB, Mother’s Litlle Helper’s (Queludes) , Uppers, Downers, Meta-anfetamina, crack, chá de cogumelos, mescalina, ecstasy e tantos outros (é só entrar na página do falecido Timothy Leary pra ver, inclusive, a relação entre um e outro e do outro com o outro).

 

Eu não sou muito disso. Aliás, não sou nada disso, exceto a coca (pra fins sexuais), que  usava recreativamente. Mas já foi a época. Consegui, essas décadas todas, me manter longe do Smack (heroína) e do álcool e de todas as outras. Como, não sei. Todo mundo em minha volta dando voltas, cambaleando.

De vez em quando um e outro iam pro cemitério, por causa disso ou daquilo. Quando não era o destino final, era aquela paradinha antes, o Pinel. “Sujeito pirou”. É, sujeito misturou tudo e nunca mais voltou. Comum ouvir isso na década de 70, início dos 80.

 

Mas isso era então. Hoje…

 

Hoje caiu TUDO nas mãos da bandidagem. Isso deu um ar, um estigma, horrendo à “coisa”.

 

Além do mais (ainda voltando no tempo), na minha pós-adolescência ainda fui ser motorista de ambulância, pro Royal Free Hospital. Antes disso, meu posto era pegar os junkies em Piccadilly Circus, a estação de metrô, lá em baixo: famílias inteiras com seus cachorros: eram esqueletos humanos: pele sobre osso, dentes podres e braços infectados (tracks), pelas agulhas, e levá-los pra Tooting Recovery Center, onde lhes davam metadona.

 

Dia seguinte estavam lá os mesmos junkies “scoring”. Conseguiram fugir. O governo inglês tinha um programa em que a Boots (a rede de farmácias mais conhecidas na Grã- Bretanha) que ficava aberta em Picadilly Circus, fornecia certa quantia, com agulha limpa, de metadona, ao junkie que entrava lá trêmulo. A fila era enorme!

 

Cigarro, nicotina, álcool, tudo a mesma merda. E falam em legalizar? Tenho lá algumas coisas a dizer.

 

Se legalizarem a cocaína… Digam-me uma coisa: ótimo, o controle estaria com o governo. Maravilha, acabaria a bandidagem. Afinal, o que determina o consumo é a demanda. Mas existe uma coisa horrenda chamda CRASH ou caminho de descida, ou quando o sujeito entra em abstinência, ou seja, quando as fileiras estão se acabando. E aí??? O que ele faria??? Ás 5 da manhã?

Metralharia o farmacêutico pra conseguir mais ou iria arrancar o médico de sua cama com brutalidade para conseguir mais uma receita médica?

 

Existe algo ILÓGICO nessa equação quando falamos em legalizar drogas pesadas.

 

Maconha? É erva. Na Holanda já deu certo e até a Califórnia já tem programas para legalizar! Esquece a maconha. Cigarro faz mais mal. A maconha (THC) deixa a pessoa sem memória e com certa imbecilidade através da vida. Ambição? Todas elas DESTROEM com o tempo! TODAS.

 

Paulo Francis, por exemplo, não era nem um pouco hipócrita a respeito do uso de drogas. Aliás, é isso (entre tantas outras coisas transparentes a respeito de sua personalidade) que o torna gênio: Francis admitiu experimentar e até usar com freqüência o “speedball” (mistura de heroína com cocaína).

 

HIPOCRISIA

 

Ninguém mais cabe em suas peles. Ninguém mais cabe em suas gavetas. Ninguém mais cabe em seus papéis. É como se fôssemos um bando de atores com papéis mal distribuídos. Um Pirandello às avessas. “Assim não é se não lhe parece” deveria se chamar a sociedade do século XXI.

 

TODAS ou quase todas as famílias estão ou são disfuncionais. Mas não é de hoje!Desde que o pai estuprou as 5 filhas e as engravidou ou o pai virou mãe e a mãe virou lobisomem e os ditadores mandaram a população para as câmaras de gás ou para os gulags ou para as guilhotinas, nós aqui, os números, nos sentimos impotentes e tentamos reagir “tomando” alguma coisa que nos faça sentir superiores.

 

SIM,  nascemos tortos. E morreremos mais tortos ainda. Seria lindo se a sociedade aceitasse isso e parasse com a hipocrisia das aparências!  Adoramos nos subverter.

 

Milhares morreram durante a lei seca. Depois, de repente, a lei seca foi revogada. E os milhares de destiladores caseiros que morreram? É mais ou menos como o muro de Berlin: de pé por 28 anos, 150 mil morreram tentando atravessá-lo. De um dia para o outro, o Muro cai. E os milhares de mortos?

 

Não, não faz sentido.

 

Em “Tristão e Isolda”, Wagner introduz o elixir da morte que vira o elixir do amor. Nada mais do que uma droga, coisa de bruxaria para, inicialmente, matar  Tristão, mas que acaba por deixar o casal LOUCO de amor e tesão um pelo outro até o amor/morte (Liebestod), tema final da lindíssima ópera que dirigi duas vezes.

 

Freud usou a cocaína pra fazer seus pacientes falarem. Alguns travaram. Outros falaram tanto que acabaram por dar câncer no céu da boca do mestre da psicanálise!

 

O fato é que adoramos colocar um pé na lama e outro na merda. O problema a ser discutido e o papel da JUSTIÇA perante tudo isso.

 

O Afeganistão esta produzindo mais papoula do que nunca. Sim, a morfina é derivada da papoula e tem fins medicinais. O paciente precisa ser anestesiado. Fazer o quê? Plantação controlada? Não me faça rir!

Já diziam a mesma coisa na Bolívia sobre a coca e a Coca-Cola. Ora bolas!

 

O queijo? Não, não sei por que o queijo entrou aqui. O queijo não é droga.

 

E, sim, de quando em quando temos as “estrelas caídas”, como Fábio Assunpção ou Vera Fischer e ou os rock stars que morrem de overdose. Faz parte do nosso orgasmo. É o jogo do trapezista sem a rede embaixo. Afinal, que graça tem o circo com rede?

 

Pois é: A “brincadeira” com as drogas nada mais é do que um significativo jogo com a morte como aquele jogo de xadrez em “Morangos Silvestres”, de Ingmar Bergman. E desafiar a morte é o nosso “motto” diário, como diria Malone, personagem de Beckett, que morre desde o início do romance. Malone Morre (que dito em inglês soa ainda melhor: ‘m alone dies: sozinho morro). Portanto nos colocamos no lugar dos Freddie Mercuries, dos Cazuzas, das Cássias Ellers, ou dos Hendrixes e outros heróis que morreram de overdose. Pelo menos eles não cultivaram o vício da hipocrisia de sorrir pra cara do consumo do “bonitinho” e descascaram e desconstruíram o que há de disfuncional em nós! É assim que somos, nós os pecadores!!!!

 

Enfim, o assunto é delicado. Já perdi amigos e amigas por causa de tudo isso. Sinto-me AMBÍGUO, pra dizer o mínimo, quando se trata da legalização.

 

O queijo? Não, o queijo nada tem a ver com este artigo.

 

Mas a vaca tem!

 

 

Gerald Thomas

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição) 

 

  • 01/06/2009 – 10:22 Enviado por: O Vampiro de CuritibaQuero fazer um parênteses aqui. Especificamente sobre a maconha. Não escrevi a respeito pois não tenho, ainda, uma opinião formada. Claro, sou a favor de penas duras para traficantes e controle rígido sobre as drogas. Mas me parece que a maconha deveria ser tratada de forma distinta das demais drogas. Este é um debate que está acontecendo no mundo todo, aqui no Brasil não é diferente. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de forma corajosa, vem pregando a descriminação do uso da maconha. Eu tendo a concordar com ele. Sejamos honestos: Vocês conhecem alguém que deixa de fumar maconha por ser proibida? Oras, aqui em Curitiba, como em todo país, é mais fácil comprar maconha do que cigarro. Eu prefiro que os jovens comprem maconha (vão comprar de qualquer jeito) na farmácia do que com traficantes, nas favelas. O que vem acontecendo em muitas familias, é que os próprios pais de muitos adolescentes se encarregam de eles próprios comprar a erva pra seus filhos, evitando, assim, o contato destes jovens com os mundo do crime. Mesmo assim, a maconha “batizada” com todo tipo de porcaria, sem controle algum, é um problema sério de saúde pública. Se fosse legalizada, vendida em farmácia, controlada pelo Ministério da Saude, devidamente taxada de impostos, seria muito mais conveniente com nossos tempos. Do jeito que está, nem falar a respeito é possível sem estar incorrendo em CRIME de apologia ao uso de drogas. Acho que devemos debater esse assunto sem hipocrisias.
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    Um Ano de Blog no IG

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     .          (Antes do Blog, em Paris)                                      (Depois do Blog)

     

    New York – Miami: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.

    E, no entanto, os espelhos!  Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam nossa dor. Retratam nosso humor. Retratam nossa estima. Meu medo? Quem estaria ou estará atrás desses espelhos! Quem nos vê da maneira que ninguém mais nos vê. Ou seja: Quem enxerga MESMO, de verdade, nossa alma?

    Alma, aquilo que poucos conseguiram até hoje retratar.

    Esse ano passou como uma flecha! Foi um ano devotado, praticamente todo ele, á eleição de Barack Obama. Foi, de minha parte, uma tensão doida!

    Tem um corpo morto no chão, aqui do meu lado, enquanto escrevo. Sou eu mesmo. Não me reconheço mais. Parte de mim se foi. E não estou tentando brincar com palavras, não estou tentando fazer joguinho com as parolas. Sim, morri de várias formas. Fui traído por vários amigos. Ainda não sei muito bem por quê. Talvez um dia saiba.

    Blog traz dessas coisas: em teatro temos um mundo muito EXPLOSIVO. Ele se mostra na hora. O aplauso ou a vaia são ali mesmo, no final, quando cai o pano! Sabemos dos cochichos, sabemos do veneno, mas “sabemos”. Nossos inimigos, por assim dizer, se tornam nossos maiores amigos assim, da noite pro dia, como se nada jamais tivesse acontecido. E aceitamos isso.

    A Decadência dos tempos de hoje, com tanto artista legal fazendo tanta bobagem, me choca! Deixa-me triste! Meu corpo morto aqui do lado ainda não foi achado pelo time de “Law & Order Special Victims Unit”. No momento em que encontrarem esse meu corpo em decomposição, constatarão que ele foi molestado, espancado, torturado por tanta, mas tanta burrice, tanta besteira e tanta pobreza cultural que ele leu nesse último ano. E o médico legista não terá um diagnóstico! Aliás, não há!

    É de se questionar tudo mesmo: em que ponto de nossa cultura estamos? Como nos vemos? Quem nos vê? Como somos enxergados? Se Richard Wagner nos visse hoje (seu aniversário, by the way), como ele nos veria?

    Obama tenta imprimir nessa linda terra nossa uma proposta de um NOVO SISTEMA LEGAL em que terroristas  poderiam ser presos ou detidos por um tempo prolongado DENTRO dos USA (sem julgamento em vista). Qual a diferença entre isso e Guantánamo? É que aqui dentro eles teriam acesso ao sistema judicial. “Ou se prova que são culpados, ou deixa-os andar”.

    A Arábia Saudita está conduzindo um programa de reabilitação de ex-membros do Al Qaeda. Entre erros e acertos, a margem é de 80 por cento.

    Meu corpo morto aqui do lado, infestado de Kafkas, de Becketts, de Orwells, de uma literatura praticamente obsoleta quando olho essas estantes (retornei pra casa ontem e ainda olho tudo numa ressaca terrível), vejo esses volumes de Joyce, de Gertrude Stein, de sei lá quem. Não nasci com um nome bom. Quem dera. Deram-me um nome vulgar.

    Sim, agradeço muitíssimo aos meus mestres! E como! Eles têm nomes sonoros. Mas na autópsia desse corpo não sairão sons. Nunca sai som, a não ser o som do vento armazenado nas entranhas, nos intestinos, o som dos gases, o som gutural do tempo perdido de Proust, o som de certa amargura por não ter sido entendido por A, B ou C.

    Escreve o leitor “José Augusto Barnabé”: 

    “O Gerald, chegou a hora definitiva de a arte e a criação representar pelos seus meios, o futuro.Acho que Da Vinci foi o último, nos seus escritos e desenhos, que geram até hoje controvérsias e discussões.Não há mais espaço para Inquisições, que se mostrou uma fraude política.O Artista tem que achar forças para se desvincular do Sistema, ser um pouco Iluminatti, escancarando até essas próprias sociedades secretas, também fraudulentas, e criar.Na imaginação está o nosso gene, e o artista que tem o dom da sensibilidade, a aplica melhor.O Planeta está mudando rapidamente, e não é coisa para 500 anos como na época do Da Vinci. É coisa para já.Se os artistas não perceberem, vão deixar de existir e continuar sendo os BOBOS DA CÔRTE.Ficção? não sei. E o Sistema não o é?Você não tem nada para comentar, porém tem muita coisa a fazer, se não desocupa a moita, meu caro”.

    Difícil, muitíssimo difícil responder qualquer coisa que coloque Leonardo Da Vinci no meio. Até Shakespeare, em sua última peça, “A Tempestade” (praticamente autobiográfica), se viu num espelho e enxergou um futuro não sangrento. Foi a única tragédia desse magnífico gênio não sangrenta: Prospero, o personagem principal, era um Leonardo. Mas era também um Duque deposto. Era um ILHADO, era alguém que tinha o poder da mágica reduzido aos confins do palco.

    Tudo é sempre uma metáfora.

    Há um ano, nesse blog, escrevo parte em metáforas, citando meus mestres, citando minhas angústias. Criei um enorme e lindo círculo de amigos. Vocês, os leitores.

    Mas as metáforas estão fadadas a ter um limite, a esbarrar na moldura do espelho ou refletirem a luz que vem de fora e, portanto, ofuscarem a imagem real que o espelho deveria estar mostrando. Sim, escapismo.

    Escreve o “Capitão Roberto Nascimento”:

    Gerald Thomas meu querido cabeludo, que beleza esse texto rapaz! Não é um texto de moleque, de fanfarrão!!É UM TEXTO PARA QUEM USA FARDA PRETA E COLETE; MAS É PARA SE REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO.Eu penso: no BOPE, a gente não pode pensar muito NA HORA; mas devemos pensar antes, no treinamento, para que a ação seja EFICAZ COMO O SILÊNCIO DO FUNDO DO MAR.Nossa missão é subir o morro e deixar corpo de narcotraficante no chão. Pode parecer nazismo, mas, para mim, NAZISMO É DEIXAR OS NAROTRAFICANTES DOMINAREM O MORRO, OPRIMINDO CENTENAS DE MILHARES DE POBRES FAVELADOS.O teu silêncio, Gerald, chega como um abraço. O teu silêncio é o silêncio do preto da minha farda, do frio do meu fuzil, antes da ação.E nós agimos em silêncio Gerald. Quem faz festa é bandido. Quem solta rojão é traficante.A lei é fria e silenciosa. COMO O TSUNAMI QUE NASCE NO FUNDO DO MAR.”

    Tudo é sempre uma metáfora. Nem tudo sempre é uma metáfora. Muitos de vocês, leitores, lidam com a vida REAL. E isso, muitas vezes, me assusta. Por quê? Não sei.

    Ontem, ainda em Miami, a caminho daqui, um velho, obviamente cubano, enrolado na bandeira americana, trazia, trêmulo, a sua bandeja com um croissant, café, um ovo, etc. Sua cara marcada pelo tempo e sua elegância deixavam claro não tratar-se de um “daqueles” milhões de cubanos que povoam Miami (pra onde eu vou 3 vezes ao ano). Tive uma enorme vontade de cobrir-lhe de perguntas. Muitos milhares de perguntas. Ele me olhava. Eu o olhava. Estamos em pleno feriado de “Memorial Day”, dia dos caídos em combate, em guerras passadas. Os USA em guerra constante!

    Mas pensei e pensei. Não, melhor não. De repente, assim como já foi com tantos outros seres interessantes, ele vai vir com uma dessas “verdades universais” ou com a “ordem do universo” e despejar tudo isso sobre a minha bandeja. Isso me aconteceu no Arizona com indígenas que “ouviam deus” ou na Chapada da Diamantina e mesmo na Cornualia.  São seres simples e que tremem, elegantes. Mas que quando perguntados, são verdadeiras “torneiras da verdade”. E eu não suporto mais a quantidade de verdades que existem por aí.

    Tive medo de fazer perguntas a um simples ser que poderia ter me contado a sua história de vida. Mas tive medo. Arreguei.

    Como pode ser isso? Medo de seres místicos? Eu? Medo de ouvir sobre Eric Von Denicken e os deuses que eram astronautas? Logo eu? Quem te viu e quem te vê, Gerald!

    Já ouvi que a minha cara era o mapa de Hiroshima. Então, do que ter medo?

    Exaustão chama-se isso. Falta de espaço aqui dentro. E isso me preocupa.

    Sim, assim como no texto anterior: “Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.”

    Nem tudo sempre é uma metáfora. Às vezes esse corpo morto aqui do meu lado tentou atravessar o espelho vezes demais ou tentou atravessar espelhos espessos demais.

    Faz parte da minha profissão: o risco. Como me sinto? Esgotado. Acabado. Esse (que ainda vive) olha praquele que está morto e pensa: será esse o meu futuro? Caramba!

    Parece mesmo um conto de Poe! Ou um Borges mal escrito. Somos tantos e não somos porra nenhuma. No texto anterior, “NADA A DECLARAR”, fiz uma declaração de amor a tudo que sinto, de verdade, ao vazio, ao TUDO a Declarar, como o Pacheco detectou.

    Mas e agora, José? Um ano e não sei quantos artigos. A partir de hoje estamos sem contrato. Como diria meu mestre Samuel Beckett: “Não Posso Continuar: Hei de Continuar!”

    Em inglês soa melhor:

    I Can’t Go On. I’ll Go ON!

    Muito Obrigado por tudo!

    Coberto de emoção e lágrimas vendo o mundo numa relativa paz e, no entanto, atravessando o maior período de mediocridade em décadas, se desmanchando num milk shake insosso e azedo, esperando um Moisés que ainda nem subiu o Monte Sinai, porque lá nada existe!

    O deserto está realmente repleto de areia mesmo. E ela está em nossos sapatos.

     

    LOVE

    Gerald

     

    Gerald Thomas, 23/Maio/2009

      

    (O Vampiro de Curitiba na edição)

     

     

     

     

     

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    Nada a Declarar

    Londres– A BBC mostra uma reportagem sobre o Exército Iraniano que luta contra os traficantes do Afeganistão, que trazem heroína através dessa fronteira. Parece ser essa a maior guerra contra o narcotráfico no mundo! Será? Mais uma vez estou diante de fatos produzidos ou reproduzidos pela mídia (parte do artigo anterior, aqui embaixo). Será essa guerra “contra as drogas” maior do que a da… (bem, vocês sabem o que estou pensando. E se não sabem, deveriam saber)?
     
    Recessão: Um dos mais revolucionários e inovadores de todos os tempos, EVER, John Cage, tem uma peça para piano que se chama “SILENCE”. E, nessa peça, um pianista (o original, David Tudor) sentava ao “piano temperado” (uma invenção de Cage, se não me engano), e NADA fazia, por 14 minutos.
     
    Bem, recessão econômica pode ser vista dessa maneira. Algo acontece, sim. Mas nada acontece. Digo, algo acontece, sim. Existe o instrumento, existe um músico e até uma partitura. Existe até uma expectativa enorme de música no ar, mas o que se ouve nada mais é do que um enorme RUÍDO do que habitualmente chamamos de silêncio. Cage compôs isso na década de 50, depois de várias recessões econômicas e artísticas. Depois de uma falência múltipla de órgãos ou valores ideológicos. Fim da Segunda Grande Guerra. Início do Sonho Americano, início de um grande fim. Qual fim?
     
    Aquele que, ao mesmo tempo, Beckett descrevia em seu deserto em “Esperando Godot”. Uma entidade que não vinha. Uma promessa que não chegava.
     
    Até hoje nos sentimos incomodados com a partitura de Cage. Até hoje nos sentimos incomodados com a “partitura dramática” de Beckett com as montagens recentes da Broadway e daqui, do West End. É visível o quanto o “grande público” ainda não está preparado pra “entender” Beckett. Então, “Esperando Godot” é aplaudido por uma platéia que, na verdade, se incomodou com os silêncios RUIDOSOS deixados nas entrelinhas não ditas ou malditas entre Didi e Estragon, ou nos geniais monólogos de Lucky.
     
    Não queremos entender o vazio. Não estamos preparados pra ele. Portanto, a mídia nos enche de ervilhas. Essa reportagem da BBC, assim como ver a foto do jogador Ronaldo em plena capa do respeitoso jornal paulistano em pleno sábado (não é mais só a foto do GOL nas segundas, agora tem jogador na capa, também aos sábados, brasileiros!!!), me deixa um tanto quanto receoso quanto a tentar explicar o inexplicável: “um dia não terei mais nada a declarar”. Sim, um dia, nós não teremos mais nada a declarar.
     
    Estaremos MUDOS diante das conflitantes e concomitantes notícias: nada prova nada. Jura? O exército iraniano? Mas justamente esse Irã que tanto ostracisam???? Caramba! “Sim”, diz um oficial da armada contra as drogas iraniano, “o mundo ocidental nos deve muito, já que um saco desses, nas ruas de NY ou de Londres, custa 80 mil dólares! Mas não nos dão um tostão porque acham que estarão armando o Exercito Iraniano”. Pois é. Está posto o dilema!
     
    Está estabelecido o conflito, como dizia um personagem a outro em “Electra Com Creta!” Ah, os tempos! Como passam…
     
    NADA A DECLARAR:
     
    Temos o instrumento. Temos a partitura. Vemos o que vemos. Mas o que enxergamos? As guerras – apesar de serem aristotelicamente explicáveis e perfeitamente lógicas (se justificadas por um lado ou pelo outro) – não passam de encenações sangrentas e que devoram milhões de almas. Milhões. Não fazem NENHUM SENTIDO. NENHUM. 

    Me perdoem por não fazer sentido nesse texto. Mas é como estou hoje. Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.

    Mas não sou John Cage: não consigo (ainda) criar um espetáculo no qual alguém senta e NADA toca por 14 minutos. Meu recorde foi em M.O.R.T.E. (Movimentos Obsessivos e Redundantes pra Tanta Estética) em que eu coloquei os atores em posição de total estática, rígidos como estátuas de sal e acendi as luzes da platéia, por 7 minutos. Mas isso foi em 1990. Quarenta anos depois de Cage.

    Estou morto.

     Me perdoem, não tenho nada a declarar.

     

    Gerald Thomas

     

     
     

    (Na edição: O Vampiro de Curitiba)

     

     

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    A GRANDE MENTIRA DA MÍDIA

    Vocês acreditam na mídia? Juram? Sério?  Um amigo me liga do Brasil e desabafa. Ele é o Daniel Feingold, um pintor, ótimo, por sinal. Ele não agüenta mais o que lê nos jornais, o que ouve na televisão, o que ouve falar por aí, nos círculos por onde anda. E garanto a vocês, o Daniel, anda por vários círculos.

    Ex-morador daqui, de NY, ex-fabricante de pranchas de surf no Rio, ele vive de sua arte, a pintura. Politizadíssimo, ele simplesmente não agüenta mais o lero-lero da midia: “estão todos com o rabo preso, cada um com a sua mentira!”.

    A minha opinião não difere muito da dele, não. Quando leio (o pouco que leio) a imprensa brasileira, ela me deixa simplesmente PASMO.  Quer dizer, o simples fato de, religiosamente, ás Segundas-feiras, todos os jornais brasileiros estamparem ENORMES, uma foto do GOL do dia anterior, já é, em si, um atestado de… (ah, deixa, estou exausto). Juro, estou chegando no meu limite.

    Blog já é um pouco diferente. Existe um pouco mais de autonomia. Mas a quantidade de merda que se escreve, que se twita ou tweeta, é simplesmente “amazing”. Não bastasse a idiotice de receber texto via celular, e a praga do iPhone, do iPod , do iFode, do não fode, agora ninguém mais sai do MYSPACE, ou do FACEBOOK, e realmente estamos em plena crise da idiotice dos idiotas!!!      

    Bem, aqui nesse blog, estamos chegando perto de completar um ano de hospedagem pelo IG. Somando com o UOL, dá mais ou menos 5 anos e meio de papel-higiênico virtual. Nossa! Quanta coisa já foi escrita. Quanta coisa ainda não foi!

    Será que me imagino escrevendo daqui a três meses?

    JURO que não sei. Juro!

    No estado mental, psicológico e físico em que me encontro, eu marcaria um enorme encontro com todos os amigos do Blog numa… pizzaria vegana. E daria um beijo em todos e partiria no Queen Mary pro Mediterrâneo pra Creta. Pra Eletra Com Creta, pra Carmem Com Filtro Com Creta, Pra Trilogia Kafka Com Creta, ou pra qualquer território teatral concreto, mas não mais pra esse espaço aqui que… sei lá, cabe mais aos comentaristas políticos que se disfarçam daquilo que não são e comentam aquilo que não sabem. Exemplo:

    BRASÍLIA – “Aconteceu de novo. Juízes passaram um feriadão num hotel de luxo acompanhados de mulheres ou maridos. Desta vez, eram magistrados ligados à Justiça do Trabalho. A conta do Tivoli Ecoresort Praia do Forte, na Bahia, foi paga pela pela Febraban, a federação dos bancos brasileiros.
Os juízes sempre dão a mesma explicação para esse tipo de estripulia. É tudo legal, feito às claras.
Um magistrado não se venderia por um fim de semana num resort de luxo com todas as mordomias pagas. Para arrematar, é um “sacrifício” desfrutar uns dias diante do mar.
João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST e membro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), declarou ter sido “um sacrifício muito grande” passar o feriado de 21 de abril no hotel de luxo.
Em setembro de 2006, o então corregedor nacional do CNJ, Antonio de Pádua Ribeiro…”

    CHEGA ! CHEGA! Eu berro antes mesmo de chegar no final (já próximo). Sim, o texto é válido. Aliás, super. Mas parece encomendado pelo GRANDE ESQUEMA. Ou seja, “eu erro e você comenta: certo? E não me acontece nada. E fica tudo por isso mesmo.”

    O Brasil é um pais blindado! O ser humano parece cada ver mais blindado também!

    Um excelente dramaturgo baiano, Gil Vicente Tavares, ignorado pela imprensa de Salvador, ganha elogios da imprensa européia. Mas em sua própria cidade nao é notado. Eu lhe escrevo pra ignorar a ignorância porque a mídia esta viciada sempre nos mesmos nomes: peguem os cadernos culturais de um mês. Juntem esses cadernos. Façam uma lista dos nomes que saem. É uma vergonha. É sempre a mesmíssima coisa!

    E por quê? Com os prêmios é também a mesma coisa. As pessoas gostam de se auto-celebrar. Acaba sendo uma maneira de se encontrarem, uma desculpa de segurarem uma taça de champagne na mão e um chacoalhozinho de mãos, um apertozinho no cinto, um “sinto muito pela perda” de alguém que morreu, um “parabéns pela tua obra” (sem saber direito se a pessoa é de cinema, teatro ou nenhuma das duas coisas!). Vocês deveriam ver! É patético, mas hilário. Tragicômico. Ou de vomitar! É Dercy Gonçalves puro. “Hoje, homenageio… (…..)… sussurros e mais sussurros (como é mesmo seu o nome?”)

    Cerimônias esquizofrênicas que transformam em múmias canonizadas aqueles que morrem! CRUZES!

    Agora que passou mais de mês e meio, posso contar. Ah, querem saber? Não vou contar, não. Ah, vou sim! Fica valendo a falsa manchete do O Globo: “Zé Celso lança DVDs em Nova York.”

    Jura? Lançou? Onde? Me lembro de ter alugado um espaço, pago por MIM, onde foi PROJETADO as Bacantes para um número de pessoas… E o resto é pura invenção!!!! VIVA O MITO da mentira e GLÓRIA: Tancredo Neves estava morto antes de estar morto!

    Ah a mídia… não é, Daniel?

     

    Gerald Thomas

    comentario do Feingold

     

    1. 12/05/2009 – 15:16Enviado por: Daniel FeingoldCaríssimo,Havia me esquecido que você é um homem extremamente público e que sendo assim, em algum momento mais adiante, caso o conteúdo corrosivo de nossas considerações de ontem perturbasse ainda mais a ineficácia de seus rivotrís, à revelia de minha proferida timidez que teima em esconder minha figura, meu nome também acabaria vindo à público. Como conversamos “quase que” longamente ontem e hoje vejo sua menção à nossa discussão, volto a te dizer do quanto minha dolorosa solidão encontra ressonância em suas reflexões diante da falta de ambição dos habitantes do Brasil. Chamo-nos habitantes porque soa mal essa idéia de “povo brasileiro.” Parece algo cunhado por antigos ditadores e que insiste em progredir por aqui. Aqui a construção moderna da idéia de “cidadão”caiu no domínio compassional e tem ficado a encargo de ONGs beneficentes em vez de estimular uma política pública educacional. Não conseguiremos construir cidadania por aqui enquanto não nos livrarmos do clientelismo, do assistencialismo, do poder retrógrado dos bunkers nordestinos. Cinicamente hoje, mais uma vez nos vemos controlados por um trio oligarca: Sarney, Calheiros, Collor. A perpetuação do retrocesso no poder por mais de 40 anos! Ainda uma terra extensa controlada por famílias dominantes. Repito, há de se temer também o Temer, o agente que aquadrada a figura triangular acima. Todos limpos demais, escovados, enternados cínicos e arrogantes atuam diante de 200 milhões de passivos ilhéus. Sim por que assim nos comportamos, como tal assim agimos. Amedrontados “cercados por todos os lados.” É o teu “lá fora” que, para um surfista como eu, significa_ depois da arrebentação. Trancados dentro de terra imensa, acreditando puramente na informação como agente transformador. Conhecer é enfrentar o risco do desconhecido, é o exercício moderno do espaço público e o enfrentamento das fobias dalí advindas e/ou alí projetadas, é ter que se atritar com a adversidade da vida, com o estranho sem obrigatorimente querer transformá-lo em unanimidade. A tecnologia por si não liberta, a ilusão agora é a de que todos estamos plugados no mundo mas não é assim que funciona. A vida online não é mais provocativa do que o áspero contato do conhecimento que nos obriga o passado como catapulta para o futuro. A tecnologia tem fornecido sem duvida mais informação mas isto sozinho não promove o conhecimento.

      Como você aponta, nos jornais daqui, a primeira página de segunda-feira é o lugar da emoção do esporte. O atacante gordo que felizmente continua atacando nos traz felicidade. Outro atacante, de 27 anos, menos gordo porém emocionalmente invaginado, bebe, açoitado pela ausência do feijão, da farofa, da empada, do afeto dos antigos companheiros de infância. Êle quer voltar_ pede o colo da mãe e o afago do povo que penalizado o adota. O “clube X” da oficialidade nacional o adota. A oficialidade nacional é o retrocesso para qualquer luz do espírito. Mais ainda, luz do espírito soa evangélico demais mas, como poderia se dizer hoje no mundo e ao mundo, “espírito das luzes”? O brasileiro não desmama… A mídia copia a forma estrangeira e a classe mérdia, se apronta para consumir a casa a la Miami, o carro tecnológico que deveria ser vendido sem sinalizador lateral já que ninguém aprende a se comportar, pensa só em si, e não sinaliza manobras. As músicas em ingles banal vendem o produto: a casa, o carro, o remédio é tudo igual. Enquanto aberrantes escândalos nos circundam nos congresso e senado, enquanto acontece o retorno das mais desqualificantes figuras políticas deste país, daqueles que impunemente e coniventemente atravessaram uma ditadura criminosa que até hoje não nos permite observar seus arquivos, enquanto esta ópera bufa se desenrola em capítulos sem fim. Uma lei de imprensa, isto é, lei que controlava a imprensa, que punia aqueles que escreviam em desacordo com o status quo, dizem ter sido revogada, isto agora, 40 anos depois de ser instaurada pela ditadura. Daí pensar, à medida que teóricos, poetas, escritores, intelectuais em geral têm sido, na mídia, paulatinamente substituídos por jornalistas medianos, bem pagos, sempre mais suscetíveis ao agasalho do bom salário e à propenção ao acordo pacífico com as ordens das corporações. Não que clame por um chulo puritanismo abstinente ao dinheiro nem a apologia do intelectual ou scholar mas, aponto sim o descaso, o desinteresse, o medo de aprofundar discussões, de trazer à superfície conteúdos embasados nas dúvidas, nas desconfianças de todos, e até porque não, no pensamento mais abstrato, menos causal. Vejo muitos repórteres, basicamente entrevistadores, como são acovardados, instigadores da fofoca, da intriga somente. Talvez porque passaram todas essas décadas temendo ser expurgados e, acho, no fundo, assim acabaram sendo. Existem contudo alguns corajosos que me agradam como o Alberto Dines por exemplo.

      Caríssimo, vejo a ambição como uma virtude em oposição ao vazio inoperante da arrogância burra. Não sei o que fazer com esse meu ceticismo pois observo o contingente desta nação sem verdadeira ambição coletiva. Até o melhor de nossa história recente: o neo-concretismo, a bossa-nova, a arquitetura modernista, tem sido mais bem armazenado em registros em outras terras do que aqui. É certo que o armazém não substitui a experiência mas, se a memória escapa, por aí também vai nossa história culta.
      Além do nosso inerente judaísmo ateu, compartilhamos intestinos multifacetados que lembram, à distância, as incursões do cubismo analítico de Braque e Picasso, não poderíamos então nos eximir desta propensão crítica e deixar escapar das paletas deste cubismo aquilo que é sócio-político e nos diz respeito. Mas o que vejo, e que ainda instiga, é que acima de tudo continua pulsando o que mais estimamos, o desejo de liberdade. Beijos,

      Feingold

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    Animal Canibal Pizza

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    Tempos macros e tempos micros

    New York- Tem gente encenando “Esperando Godot” em tudo que é canto. Aqui em NY é John Goodman (no papel de Pozzo) e o (palhaço) Bill Irwin. E em Londres Sir Ian McKellen e Patrick Stewart são Didi e Estragon. As produções poderiam ser tão “convencionais” quanto aquelas da década de 60, com Zero Mostel e Burgess Meredith.

    Nada mudou.

    Nada de novo. Lama na cara, roupas rasgadas e com aquele spray típico que falsamente dá aquele look de envelhecido. Beckett está nos grandes palcos do mundo (ou seja, Broadway ou West End), mais uma vez.

    Nunca houve tanto Beckett no ‘mainstream’, ou seja, nos grandes palcos dos grandes teatros! Quem diria! Quem diria, hein, Walter Kerr? Esse crítico do NY Times, que renunciou já faz algumas décadas por ter julgado mal “Esperando Godot”, dizendo tratar-se de uma peça “onde nada acontece, em dois atos”, depois reconheceu tratar-se da obra mais importante do século XX. E despediu-se dos seus leitores do New York Times dizendo que, já que havia feito um erro crasso desse tamanho (o de não ter reconhecido o talento de Beckett), quantos outros talentos ele também não teria deixado de enxergar?

    Pronto. Fim de Kerr. Fim de Jogo. Foi-se um crítico. Fica Beckett.

    O dramaturgo irlandês que eu conheci era muito engraçado. Suas peças e textos são muitíssimos engraçados. Não são hilários somente porque são escritos para palhaços ou ex-palhaços na beira de um ataque de nervos, mas o homem em si era um irlandês tipicamente no exílio (como quase todos). Pensam torto, falam torto, andam com a Irlanda na cabeça, mas não retornam.

    Mas chega de Beckett. Será que chega mesmo? Muitos autores são confinados a sua própria memória. Muitos deles vivem numa prisão, mesmo estando livres.

    Pois é: outro dia li na Folha Online um triste texto sobre o Boal. O que dizia? Ah, sim, dizia que ele vendia livros em Amsterdam ou qualquer lugar “lá fora”. Ora, que besteira a se dizer sobre o Boal. Com tanta coisa importante a ser dita sobre alguém que “pensou o teatro” como Augusto Boal (mais tarde o crítico da Folha consertou isso, graças a deus), tinha que prevalecer justamente aquilo que o pobre coitado sempre combateu!

    A idéia do Brasil ainda é do “lá fora” e o “aqui dentro”. Vocês vivem numa prisão? Que horror essa mentalidade lusa (justamente TUDO que Boal não representava. Ou não queria representar), de viverem confinados a um país de dimensões continentais mas se comportando como se estivessem naquela ilha minúscula a qual Hamlet, já considerado louco, é mandado pro confinamento: a Inglaterra.

    Correção: a minha Inglaterra é enorme! Só Londres… ah, esquece!

    Quando eu era macrobiótico era assim. Havia poucos restaurantes aqui em NY.

    Eu morava num loft na 23 com Lexington (perto de onde moro hoje – quantas voltas eu já dei em volta dessas ilhas: ah, as ilhas! Que sub-produto mental de nosso estado de ser!) e o Fernando estava com 6 anos. Matriculei-o na Little Red School House na Bleeker com 6 Avenida e, quando estava tudo no lugar, quando estava tudo certo, caí – amarelo como um táxi – com hepatite (que me diziam), provavelmente peguei 6 meses antes visitando presos políticos brasileiros, quando ainda trabalhava para Amnesty International, em Londres.

    Os médicos do Bellevue Hospital não sabiam o que fazer comigo! Eu também não. Eu caminhava lentamente os quarteirões do meu loft… Parecia o Lex Luthor, ou o próprio Didi, diante de Estragon tentando achar a sombra de uma árvore. Não haviam árvores nesse trajeto da rua 23 até a 1 Avenida.

    Depois de sofrer meses e não ter forças pra me levantar da cama, finalmente a macrobiótica entrou na minha vida: eles, os “Men in Black”, vieram de Boston e esvaziaram minha geladeira! “Como assim? Eu não posso mais beber Coca-Cola? Nem açúcar? Nem pão? Nem queijo?” Eu estava aos berros como uma bicha histérica enquanto o Fernando morria de rir. Os ‘médicos’ macros faziam eu engolir um chá de araruta, gengibre, umeboshi e shoyu. Buuhh.

    Três dias depois eu estava de pé e ÓTIMO.

    Existe cura para a grande dramaturgia. Existe cura praqueles que se sentem ilhados dentro de suas cabeças provincianas porque nunca ‘pensaram’ suas artes ou nunca deixaram sua marca na história.

    Um desses chás, por exemplo, e pimba! Não há limite geográfico que resista! A psicanálise e um chá macrobiótico e seria o fim da dramaturgia internacional. Estaríamos todos curados!

    Por que esse post? Porque “a vida tem que seguir seu curso” (essa frase é de “Fim de Jogo”, do mesmo Beckett). Nossa vida, nossa dramaturgia é baseada em nossos traumas e nossos traums (sonhos, em alemão). Não ousem tirá-los de nós!

    Os comentários dos últimos dois posts estão excelentes. Excelentes! Na verdade acho uma pena interromper o papo de quase 800 comentários pra ter que iniciar tudo novamente aqui. Mas parece o próprio ciclo da vida, esse “nada” que temos que alcançar, esse espaço NULO (void) no UNIVERSO, a falta de ego, o nosso NADA, como aquela mulher em Rockaby (Cadeira de Balanço) que enxerga a vida através da veneziana ou da persiana e diz assim: “one blind up, fuck life”!

    Ah, claro, se hoje ainda sou macrobiótico?

    Sou vidrado na Cristiane Amampour. Isso explica alguma coisa? Explica. É uma forma diferente de macrobiótica. Sim, porque se você tem a total compreensão do que significa o yin e o yang, você não precisa mais seguir rigidamente nada. Isso deveria ser um exemplo para os partidos políticos radicais. Isso deveria ser um exemplo para aqueles que colocam bombas em seus cintos e se jogam pra dentro de uma multidão e se explodem.

    Isso deveria ser um exemplo de transparência de que estamos aqui num processo temporário e efêmero, quase besta, e que Godot jamais virá. E quem ganha dinheiro, muito dinheiro, doutrinando meninos e meninas dizendo que ele já chegou ou que ele já está aqui, acaba asssado num campo qualquer numa Animal Canibal Pizza ou enterrado até a cabeça como o personagem Winnie em “Oh, Que Belos Dias!”, de… ah, claro, quem mais? Samuel Beckett, evidentemente. O anti-Godot.

    Gerald Thomas

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    (Vamp na edição)

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