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O Esquadrão da Morte Suíço!

(Campo de nudismo suíço)

A foto acima é a de um soldado suíço assassinando um ponteiro de segundos do relógio do parque público de nudismo, à beira do lago de Zurique, num domingo ensolarado. Um escândalo!

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E isso tudo porque o relógio (ou  melhor, o ponteiro) estava atrasado somente… três segundos.

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Pergunto-me se não bastava ir um técnico, um engenheiro ir lá e acertar a coisa. Não. O nível de violência nesses países de primeiro mundo chegou a tal ponto que assassinam até ponteiros de relógios, na frente de centenas de criancinhas nuas, se divertindo na água, num dia tórrido.

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Não bastasse isso, a cena se deu a metros de distância de uma estátua que se autodestrói do vanguardista Jean Tinguely – um dos pioneiros, parceiros daqueles que criaram o “ready made” (pós-Duchamp), um pós-dadaísta, enfim, um iconoclasta! A escultura se autodestruía, assim como as fitas em “Missão Impossível”.

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O soldado se levantou, com ambos os ponteiros defuntos na mão, tirou o capacete, colocou a arma no ombro e marchou em direção à sua bicicleta. Realmente o primeiro mundo está fodido! O tal soldado mal cabe na bicicleta, tamanha é a “armadura” em torno de seu corpo.  Claro, até certo ponto não lhes tiro (epa!) a razão! Eles têm que lidar com tipos como aquela mulher brasileira que se automutilou e colocou a culpa nos neonazistas e fez com que o Celso Amorim e o consulado inteiro aqui disparassem atrocidades contra esse país. Sim, lá isso é verdade.

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Mas nada justifica um esquadrão da morte contra relógios por causa de atraso de segundos.

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Imaginem Portugal! A merda da TAP, por exemplo, segura passageiros em conexão, numa porra de um ônibus, por uma hora inteira na pista, sem banheiro ou uma única explicação! Sim, passageiros que teriam conexões internacionais e com hora marcada em outros vôos! E por quê? Porque não conseguiam retirar um sujeito que precisava de cadeira de rodas de dentro do avião!!! Essa operação (que é mais que rotineira em qualquer aeroporto do mundo), em Lisboa mobilizou dezenas de funcionários e paralisou todas as operações. Mas – bem no estilo de um país que conhecemos bem- NINGUÉM fornecia explicação, fora aquele conhecido “um minutinho”.  Algo que era pra durar 15 minutos (enquanto escrevo ainda não parece ter tido solução: e já lá se vão 3 horas e meia: inacreditável!).

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Imaginem o Esquadrão da Morte Suíço em Portugal. SOU A FAVOR!!! Não restaria uma só alma.

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Lula desembarcou  em Paris para um fim de semana de descanso ao lado da família, que beleza, antes de seguir para a Itália, para participar da cúpula do G8+G5+G3+GT+G90+G171+GB+GH, o Hormônio de Crescimento (este ano com o acréscimo do Egito, convidado dos italianos, convite pessoal de Silvio Berlusconi: que lindo!).

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Eu amo quando os líderes ficam íntimos e se amam, se convidam. Especialmente um fascista e comprovadamente corrupto como o Berlusconi. Ah, já sei. Deve ser pra tratar daquele mafioso que está no Brasil como  exilado! Já que o Brasil é o paraíso da bandidagem, quem sabe o Berlusconi nao estaria “barganhando” seu futuro com o Lula?

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Ah, deixa o Lula, Berlusconi, e todos os “G” e GT pra lá!

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Alguns países conseguiram atingir o sonho do GRANDE PODER EM QUESTÃO DE SÉCULOS. Outros levaram décadas. Agora, com mídia forte, precisa-se somente de alguns anos. Ou alguns segundos antes de acordar. Outros ainda vivem num sono profundo. Outros vivem num tremendo pesadelo. (Pesadelo, em alemão, é “Alptraum”, ou seja: sonho dos Alpes. Não exatamente, mas sim foneticamente. Tem dia em que se apela pra tudo.) A questão do Esquadrão da Morte da Suíça é que ele consegue dar um fim àqueles que conseguem subir ao poder através do voto comprado, da bolsa famiGLIA, da corrupção e do “jeitinho” do “minutinho” e do voto obrigatório dos analfabetos e mantidos na margem da inércia e da desinformação.

Ih, o telefone toca. Não vou atender, não. Pode ser um soldado do Esquadrão… Ou um funcionário da TAP. Pior ainda, pode ser um ex-aluno de Jean Tinguely querendo que eu pose pra uma dessas esculturas que se autodestroem. Hummm, nesse caso eu até toparia!

Ah, ia quase me esquecendo:

LONDRES (Inglaterra) – O suíço Roger Federer conquistou o hexacampeonato de Wimbledon na tarde deste domingo. Com o triunfo sobre o norte-americano Andy Roddick na decisão, o tenista supera o também norte-americano Pete Sampras e se torna o maior vencedor de Grand Slams da história, além de retomar a liderança do ranking mundial.

Longe de Wimbledon desde que foi eliminado na segunda rodada da edição de 2002, Sampras voltou para acompanhar o 15º título de Grand Slam de Roger Federer. Superado apenas pelos sete títulos do norte-americano, o suíço é o segundo maior vencedor do torneio na era profissional. Após sete decisões consecutivas, Roger Federer estabelece um recorde em Wimbledon de 48 vitórias nas últimas 49 partidas disputadas na competição. Em 20 finais de torneios do Grand Slam, o espanhol Rafael Nadal foi o único capaz de vencer o tenista suíço. Superado pelo jovem rival na decisão do ano passado, Federer desbanca o adversário e retoma a liderança do ranking mundial. Desta forma, o suíço inicia sua 238ª semana no topo da lista da ATP e parte em busca do recorde de 286 semanas estabelecido por Pete Sampras. Mas vocês sabem muito bem por que o Federer TEM QUE VENCER SEMPRE EM WIMBLEDON, NÃO É?

PORQUE SE NÃO GANHAR, LEVA CHUMBO!

O Esquadrão da Morte Suíço não perdoa erros! Ao mesmo tempo NINGUEM aqui se manifestou com sua vitória. Nenhum piu se ouviu! Ninguém berrou. Ninguém celebrou. Era esperado. Era EXIGIDO!!!!! Tem que ser assim! Ora, bolas!

Perdesse pediria ASILO AO BERLUSCONI OU AO LULA, ou se enforcaria lá perto mesmo, Wimbledon, Richmond, Roehampton, Putney. Belos e nostálgicos bairros da minha adolescência.

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Gerald Thomas, 06/Julho/2009

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(Vamp na edição)

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Independência ou Morte Súbita!



(Refugiados negros pintados de branco tocando “Kashmir” do Led Zeppelin em Zurique‏)

Independence Day, 4th of JULY

Domicilio: Lugar Nenhum!

Alpes Suíços- Essa terá sido uma das poucas vezes em que não passo o 4 de julho em Nova York, vendo os fogos de artifício da Macy’s estourando bem próximo à minha janela no East River.

Nao sei porquê. Algumas coisas simples não têm explicação. Outras, complexas, também não.

Vim dar uma estudada em projetos futuros aqui na Europa. Aliás, as últimas peças e óperas (de 1996 até as mais recentes) já estão disponíveis online no http://www.geraldthomas.com, clicando em “vídeos”. Especialmente o “Moses und Aron” de Schoenberg (1998, Áustria) me deixa besta! Sorry pela modéstia. Mas “Ventriloquist” ou “Nietzsche Contra Wagner” ou mesmo “Narzissus” estão lá.

E, revendo tudo isso, estou aqui, nesse Independence Day, lutando pela minha própria independência, notando mais um ENORME GAP entre JUSTIÇA e injustiça.

Num tribunal federal de Manhattan o juiz de primeira instância Denny Chin sentenciou Bernard Madoff a 150 anos de prisão. Era o máximo que a lei permitia para as 11 acusações nas quais o empresário admitiu ser culpado.
Madoff foi condenado por perpetrar uma fraude avaliada em cerca de US$ 65 bilhões.

Ótimo! Se fosse por mim, pegaria paredão! O que esse filho da puta fez com milhares de vidas não está no gibi! Não deixa de ser um assassino.

Aqui na Suíça inventou-se algo interessante: africanos, (nigerianos, kenianos, etc.), de saco cheio de serem “repatriados”, inventaram uma fórmula interessante de ingressar no país e FICAR.

Dizem: “Não sei de onde sou”. E, com uma resposta dessas (e sem passaporte na mão), a imigração Suíça não pode devolvê-los a lugar algum. Era o que chamávamos (quando eu trabalhava na Amnesty International em Londres, anos 70) de “desterrados”. Então o que acontece? Dão a eles uma graninha curta e moradia simples em lugares distantes dos grandes centros como Zurique, Basel, Bern, etc., e uma hora específica para estarem de volta, e assim levam a vida de exilados DE LUGAR NENHUM.

ISSO JUSTAMENTE QUANDO O LULA sancionou uma lei que permitirá normalizar a permanência de cerca de 50 mil estrangeiros que vivem de maneira irregular em solo brasileiro.
A decisão vai em sentido oposto ao endurecimento que marca a política de imigração de países ricos. O caso mais recente e deplorável é o da Itália, que tem no primeiro-ministro Silvio Berlusconi um incentivador do racismo, como atestam suas estapafúrdias declarações -a mais recente delas, durante as eleições regionais realizadas no mês passado, lamentando que Milão parecesse “uma cidade africana”.
É verdade que no Brasil o cenário difere daquele que se observa no mundo economicamente mais avançado.

Não me diga! Quer dizer que o Brasil não faz parte do primeiro mundo ainda? Que tremenda decepção. Logo esse Brasil que mora dentro do meu coração e que vai ser o tema do meu filme, “Ghost Writer”.

Embora seja em sua história um país aberto a fluxos migratórios, entre nós a presença de estrangeiros caiu nos últimos dez anos – ao passo que aumenta a saída de cidadãos para o exterior, o Brasil…  ah, o Brasil! Que terra linda! Que país lindo!

Bem diferente é o quadro nas nações ricas, que atraem quantidades crescentes de migrantes de regiões menos favorecidas em busca de melhores condições de vida.

Mas o Brasil tem futebol, tem praia e tem feriados, muitos feriados. Nao é somente o de Julho, que tem o dia em que os USA lutaram até o último fio de cabelo contra a colonização Inglesa. Não, o Brasil tem o chopp mais gelado do mundo e a bolsa família e NÀO PRENDE SEUS CORRUPTOS, NÃO PRENDE SEUS VILÕES. Já NOS EUA, Martha Stewart, Leona Helmsley e Madoff levam CANA mesmo.

Mas existem soluções. O Comandante (ou piloto) Peter Lessmann (27 anos de Varig e 5 de ETHIAD, Emirados Árabes) tem algumas sugestões para um Brasil fora do campo do Futebol:

1) “Montar um banco de dados em um site com tudo como, por exemplo, o currículo pessoal de políticos, os processos contra eles em andamento ou condenações, se for o caso, aquela declaração de renda/bens, que se diz, são obrigados a fazer antes de assumir certos cargos, etc., enfim, tudo que possa interessar sobre o perfil de políticos, ex-políticos ou candidatos. Junto com isso pode-se associar imagens, textos, filmes, documentários, qualquer coisa que ajude um eleitor a tomar a sua decisão de voto.

2) Outro banco de dados acumularia tudo que há de informações disponíveis sobre o governo em todas as esferas possíveis nos 3 poderes, se possível acompanhado de comparações entre governos aqui e fora do país. Sei que hoje há como levantar isso se você for persistente e tiver muito tempo para pesquisar, mas desconheço se há um site onde estas informações ou o caminho para chegar nelas esteja disponível.”

Pois é! A vida é um sonho, já dizia Calderon De La Barca, o clássico autor espanhol.

Alguns países conseguiram atingir esse sonho segundos antes de acordar. Outros ainda vivem num sono profundo. Outros vivem num tremendo pesadelo. Os Africanos de Lugar Nenhum estão entre um e outro ou em nenhum e noutro, já que não retornarão e ficar onde estão me parece uma vida perdida.

INDEPENDÊNCIA é uma prioridade absoluta na vida de uma nação, a auto-estima, a alta auto-estima de uma nação, o orgulho de um povo, a proliferação de uma cultura. Mas, antes de mais nada, a gente deveria tentar entender o que “independência” significa. E, se ela tocar nas raízes da ignorância ou alguém lucrar com ela, nada feito. De volta a estaca ZERO. É uma linha quase invisível. Como aquela que o bandeirinha indica que o cara estava no impedimento depois que a torcida berrava GOOOOOOLLLLLLL !

Tenham um ótimo fim de semana!

Gerald Thomas

(Vamp na edição)

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MICHAEL JACKSON MORREU POR EXCESSO DE HIGIENE

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New York – Caramba! Mal coloco os pés em casa e vem a BOMBA!!!! Michael Jackson está morto!

Na minha peça, “Circo de Rins e Fígados”, Marco Nanini dizia (numa entrevista fictícia sobre o astro Peter Pan que acaba de morrer): “Não é homem nem mulher, não é branco nem negro, não é adulto nem criança”. De fato, MJ transcendeu a figura humana. Poucos fizeram isso na nossa história recente.

Estávamos em 2005 e Jackson se encontrava em mais um desses escândalos de moléstia, mais crianças encontradas em seu LaLaLand e o ídolo escondido (guarda-chuvas, chapéu entrerrado na cara, lenço para se esconder) dançava no topo de uma limousine na frente do tribunal em Los Angeles. Imagino o que Greta Garbo acharia dessa cena.

Pode ser que a autópsia revele que ele tenha morrido por excesso de anti-depressivos, ou cocktail de “prescription drugs”, ou seja, drogas tarja preta. Na minha opinião, Michael Jackson já estava num processo de morrer há muito tempo, se isolando em bolhas de oxigênio, não querendo respirar o mesmo ar que o resto de nós.

Morreu por excesso de higiene!

Será?

O que se pode dizer dele? Genial? Certamente.

Eu o vi, junto com a minha ex-sogra, Sir. Fernanda Montenegro e toda a minha trupe em Lausanne, Suíça, em 1992. Surgia de um buraco feito no palco como se fosse um boneco inflado e parado ficava.  O público ria de nervoso porque o impacto da subida era forte demais para um ser humano. Pois é! Forte demais para um ser humano. E por um minuto e meio ele não se mexia depois de “subido”, lá plantado.

De repente, ao leve som de um instrumento, move-se um braço. O povo delira, vai abaixo.

Bem, o resto é história.

Uma bela, triste história, como poucos, poucos verdadeiros ídolos mágicos do nosso imaginário podem provocar. Não importa a causa da morte, na verdade. Importa, sim, que morreu um poeta excêntrico, um menino do Jackson 5 que morria de medo do seu próprio império e que queria que o tempo parasse! E fazer o tempo parar é uma equação impossível, assim como é impossível achar a fonte da eternidade (“Fausto” de Goethe ou Marlowe), assim como é impossível se superar como Michael Jackson se superou virando monstros, bichos, virando um thriller ele mesmo. E ao virar isso tudo, ele acabou por dar a volta no Universo. Esse Universo tão grande e tão escuro em que ontem, uma estrela, Michael Jackson, se apagou, deixando legiões de planetas, satélites, asteróides, enfim, uma galáxia inteira totalmente desolada.

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Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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