Monthly Archives: February 2008

importado do Blog do Reinaldo, um LINDO comentario de Nelson Motta

(Escreve Reinaldo):Nelson Motta
Recebi o que segue do querido Nelson Motta. Presto atenção às vezes ao que dizem os inimigos. Mas sempre presto atenção ao que dizem os amigos. A parte mais instrutiva para mim, hehe, é esta: "Falar de humildade, no caso de Reinaldo e Gerald, pode provocar gargalhadas, mas foi uma humildade altiva, independente, orgulhosa, se é que me entendem."
Abraço, caríssimo.
*
Caros Reinaldo e Gerald,
acompanhei por alto – dei boas risadas, mas algumas vezes fiquei meio constrangido com a grossura – o bate-digitos de vocês. Mas não li os comentários, estou trabalhando. Me senti feliz – e orgulhoso de vocês, que respeito e admiro, por razões talvez até opostas – com o entendimento na divergência, coisa de civilizados. Os dois vão se enriquecer no convívio e no confronto, aprender, fazer autocritica. Rir de seus equívocos e exageros. Uma boa lição para os patrulheiros de qualquer causa. Falar de humildade, no caso de Reinaldo e Gerald, pode provocar gargalhadas, mas foi uma humildade altiva, independente, orgulhosa, se é que me entendem. Nada de sabujice, interesses rasteiros, acomodação, apenas consciência de nossa precariedade. Saíram do arranca-rabo (êpa!) meio ralados e arranhados, mas maiores e melhores.Um duplo abraço do amigo.
Nelson Motta
do Vampiro (Ariano) de Curitiba
Sim, ambos têm muito em comum. Mas uma coisa me chama a atenção. Como esses dois são feios, né? Ô povinho feio, gente! Um careca, o outro a cara da Mortícia Addams, he, he… Nesse ponto, muito particularmente, eu me diferencio dos dois: Loiro, 1,90m, olhos azuis meio esverdeados, lábios vermelhos… Prazer, Vampiro de Curitiba!
do Sergio Penteado
Para aqueles que estão pensando que o Gerald "tramou" essa aproximação como uma brilhante estratégia de marketing para alavancar a audiência de seu blog (e que, de fato, acabou acontecendo), quero dizer que, apesar de ele e o Reinaldo Azevedo serem pessoas aparentemente opostas, o fato teve a origem da forma mais fortuita possível.
Um belo dia, passeando pela rede, entrei, como faço às vezes, no blog do Reinaldo, e me deparei com um post que mencionava uma entrevista do Contardo Calligaris, o brilhante psicanalista que, até onde eu sei, é amigo de ambos.
Disparei um e-mail para o Gerald, sugerindo que ficasse de olho para quando essa entrevista fosse comentada, sem segundas intenções, apenas porque imaginei que ele acharia interessante ter a referência da matéria do amigo.
Isso aconteceu domingo passado, e como e um dia meio chato e sem inspiração, o Gerald tem que pensar em algo, escrever e entregar na correria o seu artigo semanal para o "Direto da Redação", que normalmente é reproduzido aqui nesse blog.
O que ocorreu seguida foi que ele, Gerald, ao entrar no blog do Reinaldo, concentrou sua atenção no conteúdo dos posts de lá, e discordou especialmente de um que mencionava a desproporção estatística dos mortos pela ditadura cubana contra a ditadura militar no Brasil na década de 70. E publicou sua opinão, tanto no DR como aqui.
O resto da história todo mundo conhece, caiu para o embate ideológico e para o princípio da matilha, com uma constrangedora troca de insultos (diga-se, mais por parte do RA) ao que o Nelson Motta se referiu (gratuita e pesada, pelo que me cumpre dizer, deveria ser deletada ou simplesmente esquecida como resolução diplomática porque o que o Reinaldo escreveu sobre o Gerald continua lá no blog dele, antes que decidissem "rodar o cachimbo" da paz).
E a partir daí, nos dias seguintes até o episódio da tal "reconciliação" não comentei nada, por inútil. Seria como querer apagar fogo com gasolina.
Mas o fato é que a comunicação eletrônica, por proteger muitas vezes o anonimato dos bloguescribas, incentiva o abuso, particularmente o estereótipo. Parte do pressuposto que quem está com o Reinaldo é um cachorro hidrófobo da direita, quem gosta do Gerald é porra-louca de esquerda enrustido, em que ou se é preto ou branco, zonas intermediárias de dissenção são vistas como fraqueza ou "em cima do muro", sei lá…
Nada mais falso. Continuo achando que, a despeito da divergência de alguns, até ironicamente, as opiniões de ambos convergem em vários aspectos. Eu mesmo, há alguns dias, tive meu comentário publicado nesse blog condenando (pra quem entendeu) com veemência o regime de Fidel Castro em Cuba.
E, depois de desencadeada a polêmica, também disse com franqueza ao GT que considerava a divergência e o debate saudáveis, que o que de fato pode seduzir é um argumento bem colocado, mesmo que não concordemos, e que, sobretudo, ele tinha errado ao iniciar de maneira torta aquela discussão, atacando pessoalmente o Reinaldo Azevedo, com aquela história de "dar dicas", etc. Fugindo ao campo do debate de idéias e argumentos reais, como é próprio de discussões civilizadas, tornou-se alvo dá própria artilharia.
E, mal que se fale do Gerald por sua excentricidade e recorrente incoerência, tem muitas, e grandes, qualidades : é uma pessoa extremamente democrática, que reconhece suas limitações, contrariando a fama de "arrogante" e tem humildade para reconhecer seus erros e também PUBLICA críticas em contrário nesse blog e interessa-se por incentivar um debate saudável.
De algum modo, por enquanto, esse "affair" terminou bem, e decerto não foi golpe de marketing ou uso de nome alheio.
Não é sempre que precisamos pensar o pior em relação a outrem.
Sergio
Do Jorge Schweitzer, o taxista em movimento

Pessoal, Ontem o Gerald Thomas estava aqui no Rio de Janeiro e acabamos nos encontrando… Aproveitei para filmar um bate papo com o nosso amigo… Foram gravados 10 minutos, mas só consegui colocar no ar 6… O final da gravação ele explica o imblóglio com o Reinaldo Azevedo e deixa um recado simpatissímo à ele… Infelizmente não consegui colocar no youtube… Mas conservei a gravação original e, posteriormente, tentarei corrigir colocando a entrevista na íntegra… Vocês podem visualizar o filme no meu blog: http://www.taxiemmovimento.com.br ou no endereço do you-tube: http://br.youtube.com/watch?v=aZG2oG56eBw Abração, Jorge Schweitzer
Jorge Schweitzer

do Carlos

Sergio e Gerald: caracas, vocês viram o anúncio que a Hillary Clinton colocou no ar? vejam esse vídeo no youtube (vá até 1:41) http://br.youtube.com/watch?v=EhTHGk3Foao&NR=1*********Usando as mesmas técnicas do Bush, a retórica do MEDO? Vergonhoso! E Gerald, mais pra frente no mesmo vídeo tem uma performance da Hillary que prova ser uma atriz e tanto. Você pode pensar em contratá-la depois das eleições (que ela certamente não vai ganhar caso sela nomeada). NO MAIS: como faz falta um cara como Christopher Hitchens no Brasil!!! O livro dele: "GOD IS NOT GREAT. HOW RELIGION POISONS EVERYTHING." Imagino o que os guruzinhos e reizinhos virtuais da internet e seus subalternos não diriam sobre esse cara. Provavelmente o queimariam vivo.

do Sergio Penteado

Carlos, ainda não assisti ao vídeo, vou dar uma olhada, depois comento. De todo modo, se for como você diz, não parece muito o "modus operandi" que mais aprecio, mais ainda por ter dito que preferia a Hillary dentre as opções oferecidas. E Jorge, já que o vídeo menciona a evolução do coito por aprimoramentos tecnológicos, frustrei-me ao ver que a brusca interrupção do mesmo sugeriu um coito interrompido…he he he

responde Jorge Schweitzer

Carlos, (na verdade a resposta é para o Sérgio Penteado)…Na realidade, o vídeo é gravado em um formato e transformado para outro que o youtube identifique… Gravo dez minutos ou o equivalente a extensão de aproximadamente 100.000 kb… Este controle ainda não aprendi a controlar pois depende de luminosidade na gravação… E fico a mercê da sorte em conseguir ou não postar a totalidade do vídeo… Conservei os 10 minutos de gravação no original e irei voltar a tentar enquadrar no padrão para que todos possam ver o final da nossa conversa… Já havia avisado o Gerald mesmo antes de colocar no ar as imagens que tive este problema… Ele ficou chateado e eu idem, pois era a parte mais interessante do diálogo que abordava o assunto "Reinaldo Azevedo"… Mas, podes crer, foi falha por ignorância no manejo cibernético e não por 'censura' em não concordar totalmente com o exposto… Jorge Schweitzer


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comentario do Tales

– Reinaldo diz que é defensor da civilização e da tolerância, que não vai deixar de dizer o que pensa – essa é sua ética, etc e tal. Eu também gostaria de dizer que concordo com muitas das idéias dele. Mas eu gostaria de saber (por que esta é a odiosa impressão que fica pra mim) se ele está de acordo com esta análise: o Brasil teve uma história injustíssima com relação à sua estrutura fundiária excludente. Aí como é que alguém em sã consciência pode achar que só o DEUS-mercado-desenvolvimento econômico-educação pode sanar essa injustiça e chamar o MST de quadrilha criminosa? A reforma agrária não é uma solução?
Tales

resposta do Gerald:

Olha so. Sobre esse tipo do coisa, de analise eu me sinto um total inutil. Nao posso discutir. Nao tenho a info que ele tem. Sobre o MST nada ou pouco sei (falha minha, eu sei). Mas posso discutir Artaud, Beckett ou John Cage, ou como dividir ou "antes e depois" da obra de Arnold Schoenberg ou de Marcel Duchamp na cultura do seculo XX. Claro que entro em politica tambem: mas, geralmente em coisas do passado: Adenauer, Hitler, Clinton, Reagan, Blair, Putin ou os filhos do Putin. Ninguem pode falar sobre TUDO. No momento estou estudando Hemingway e sua relacao com Gertrude Stein e Pound. Nao eh exatamente um "cup of tea". O "Prospero" da Tempestade de Shakespeare eh mais agradavel mais apaioxonante e mais poderoso (apesar de des-tronado).
Aprendi a respeitar o Reinaldo nesses ultimos dias pela ENORME capacidade de informacao e CULTURA e ETICA que esse HOMEM tem. E mais. Volto a pedir que PAREM de rotula-lo como ISSO ou AQUILO. Minha caixa da aol entupiu. Entupiu de gente (amigos?) dizendo (nao vou reproduzir), muitos aplaudindo , outros vaiando. So posso repetir: Me sinto FELIZ com esse encontro porque NINGUEM deve ser PRE-JULGADO. NINGUEM. Tales: nao sou economista. Nao tenho essa pretensao. O Reinaldo realmente me surpreende no que diz respeito a sua incrivel IMPARCIALIDADE. Espero que entendam a nao CONFUNDIR estilo com opiniao. Estilo eh a roupa. Opiniao eh o conteudo: A roupa dele – as vezes – pode ser gritante (assim como a minha tambem eh). Mas o seu conteudo eh baseado em FATOS!
Portanto, esse tipo de pergunta, realmente, tem que ser dirigida a ele. A mim, restam as pobres "impressoes e metaforas"
LOVE
Gerald

do João

Tales, quanto à necessidade de uma reforma agrária nos moldes da propalada pelo MST, tenho minhas dúvidas. É uma proposta arcaica que, a meu ver, faria mais mal do que bem à agropecuária brasileira, que é exemplo de excelência na área. O MST é criminoso, sim, a partir do momento em que invade propriedade alheia, depreda bens públicos e privados, incita a violência. O que você acha da ação do MST na Aracruz? O que você acha de o MST invadir e depredar praças de pedágio? Esse movimento é violento, anti-democrático, contra a Lei e defende teses altamente questionáveis. Isso sem falar da atuação política muito distante das questões agrárias: o MST parece o braço-armado de uma corrente política. Onde tem baderna com fundo político, pode-se esperar a presença do MST e congêneres. O MST é um péssimo agente nessa questão toda: é um fator não de revolução benéfica, mas de desestabilização institucional, o que me parece que é a real vontade desse movimento.

do Walter/SP

Cartas a um amigo americano – I Olavo de Carvalho Diário do Comércio, 19 de novembro 2007 Quando você esteve no Brasil trinta anos atrás, o panorama de miséria, atraso, opressão e taxas altíssimas de mortalidade infantil por desnutrição parecia ser o resultado inevitável de um regime político dominado por oligarcas rurais corruptos e de uma economia agrícola latifundiária e monoculturista. A reforma agrária, com distribuição de terras e ajuda estatal aos pequenos proprietários, parecia ser o remédio mais adequado para a situação desesperadora de milhões de brasileiros, mas os senhores do poder opunham à sua aplicação uma resistência obstinada, através do Congresso e da mídia. Nos grupos políticos, intelectuais e militares livres de compromissos com os oligarcas, não havia muita divergência nem quanto ao diagnóstico, nem quanto à terapêutica. A necessidade da reforma agrária era admitida pelo consenso geral, só restando saber quem iria promovê-la, a esquerda ou a direita

do diamond – Curitiba

Ao Gerald e ao Teles. Como uma reforma agraria pode ser a solução, quando o MST ja dispoe de terras do tamanho de paises inteiros da Europa e ainda sim boa parte de seus membros dependem da ajuda governamental? A agricultura moderna precisa de investimentos pesados, equipamentos caros e naturalmente, de muita terra para uma produção em escala. O modelo de "pequeno agricultor" não funciona hoje. Veja o exemplo dos EUA. Menos de 1% de sua mão de obra esta no campo. Isso é natural e nao necessariamente gera desemprego. Os empregos sao realocados. Foi a mecanização que permitiu a queda nos preço dos alimentos em 75% na segunda metade do século 20. O livre mercado resolve problemas quando é LIVRE! Mas no Brasil não existe "deus mercado". Estamos em 101º em liberdade economica, entre 150 paises.vide: http://www.heritage.org/Index/countries.cfm E pra encerrar, um excelente trabalho sobre o MST. Radiografia do MST http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=470 abraços!

do Moreirinha

Caro Gerald Fez bem em fazer as pazes com o Reinaldo, aquele precocíssimo (e ponha precocidade nisso) poço de virtudes. Imagine que, segundo ele mesmo, aos 14 anos já lutava contra a ditadura. Fico a imaginar que tipo de luta ele fazia naqueles estertores do regime? Talvez matasse aulas no banheiro do colégio como forma de lutar contra o sistema. Ou será que, no meio da multidão, vaiava paradas de 7 de setembro? Sei lá, mas se ele, o coerente, falou, tá falado, não tem discussão. Tento em postar aqui no seu blog porque no blog do Reinaldo, apesar de ele ser um democrata convicto, um baluarte contra qualquer tipo de patrulhamento, por algum motivo que não consigo entender uma série de uns 30 comentários meus em cinco ou seis dias, não foram publicados. Talvez isso tenha acontecido por algum problema no sistema, pois é claro que anti-patrulha e democrático como é,Reinaldo não os censuraria. Nem ele e nem alguns dos seus leitores que, volta e meia, gritam: Detona ele, Tio Rei!

…e um alerta do Paulo

Gerald, você escorregou feio. O Reinaldo não é IMPARCIAL (presta atenção nesta palavra). Você começou agora. Reinaldo Azevedo é mais complexo do que você imagina. Tome cuidado com ele.
Paulo

Edna discorda :

Gerald, não ligue para o alerta do Paulo. Pelo jeito ele nem lê o Reinaldo Azevedo – embora pretendesse se fazer passar por grande conhecedor. Se ele o lesse, saberia que o próprio Reinaldo já cansou de dizer que não é imparcial, muito pelo contrário. Portanto, Gerald, alguém que deixa tão claro o porquê de suas opiniões só pode ser digno de toda confiança. E você foi suficientemente inteligente para perceber isso. Parabéns.

Nosso amigo Vampiro também :

Paulo, deixa de teoria de conspiração, hómi! O Reinaldão é o cara! Pode-se discordar dele, como eu discordo (ele tem o mesmo problema do Olavo de Carvalho, quando se metem a falar em religião, em deus, só sai merda) mas o cara escreve muito.

E o Mau arremata !

Quem for totalmente imparcial dê um passo para frente.

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Reinaldo Azevedo em seu blog hoje(http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/)

Minha sede é de civilização, não de sangue

Os três posts de ontem do episódio "Reinaldo Azevedo-Gerald Thomas"entraram para a lista dos mais comentados do blog: até agora, nada menos de 679 opiniões publicadas – e, creio, umas 200 vetadas pelos motivos que já expus num outro post. A vilania do PCC eletrônico veio para cá em peso e, quiçá, contaminou alguns que não perceberam que adotavam a linguagem e os procedimentos da bandidagem. Temos aqui a brincadeira do "Tio Rei", mas, é evidente, todo mundo é bem taludinho. Cada um sabe de si. Nunca pego no braço de ninguém porque odeio que peguem no meu braço. Entre os 679 comentários, há muitas críticas a mim, algumas bastante duras. É do jogo. Surpreendi? É bem possível. Compreendo as reações negativas, mas não vou me abster de comentar algumas boçalidades.

"E se Lula ligar? E se Mangabeira ligar? E se Não-Sei-Quem ligar?" Esse "não-sei-quem" pode ser preenchido por alguns nomes do lobismo em pele – ou pêlo – de jornalistas. "Você também fará as pazes?" Quanta tolice!

Já relatei aqui, conto de novo. Quando fechamos as portas de Primeira Leitura, recebi um telefonema gentilíssimo do ministro Tarso Genro. É claro que falei com ele. E falo de novo se ele ligar. E ligarei pra ele se julgar necessário ao meu trabalho – se é que ele vai me atender. Lamentou, então, o fechamento da revista (e não especulo sobre a sua sinceridade porque, nesse caso, não me cabe). Tivemos uma conversa educada. Ele me disse então: "Sempre reconheci em vocês adversários ideológicos leais". Achei boas as suas palavras. Sim, Primeira Leitura era adversária ideológica – e não partidária – do PT. Também escrevi uma carta de despedida em que afirmava que não havia culpados para aquilo. Nem PT nem ninguém. Se querem culpados, apresento-me logo. Tenho horror de vitimismo. E era leal. A lealdade que mantenho no meu blog. Qual é meu jeito de ser "leal"? Dizendo tudo, absolutamente tudo, o que penso.

A boa educação do ministro comigo não me tornou um seu aliado. "E se Lula ligasse?" A hipótese é ridícula, mas é claro que falaria com ele. E atenção: não tentaria dar pitaco no seu governo, não. Não tentaria mudar as suas escolhas, não. Não ficaria fazendo críticas pontuais a isso ou àquilo, não. Perguntaria sobre a sua saúde, se Dona Marisa vai bem, comentaria sobre o Corínthians. Se fosse para ele me dar uma entrevista, bem, aí, sim, o papo seria outro.


Há uma diferença gigantesca – e não reconhecê-la é brutalizar o debate, e se há brutos aqui que queiram ir embora, a porta de saída é a serventia da casa – entre relações pessoais e relações marcadas pela representação pública. Quando o sr. Mangabeira Unger afirmou que Lula conduzia o governo mais corrupto da história da República, ele falava em nome de um entendimento da política, do estado, da sociedade, das instituições, que julgava avesso àquela ordem de coisas. Como pôde, depois, ser ministro daquela mesma ordem, sem que ela tenha mudado?

Em seu blog, Gerald Thomas me autoriza a tornar pública a troca de e-mails que antecedeu seu telefonema e a relatar a conversa que tivemos ontem. São e-mails que também avançam de uma certa dureza para a cordialidade, mas publicá-los corresponderia a negar o direito que tenho à privacidade – com Gerald ou com qualquer outra pessoa. Calma lá! Não fui eleito a nada! Não vivo de dinheiro público! Sou um homem absoluta e resolutamente privado. Uma coisa é ter certa curiosidade sobre os caminhos que levam duas pessoas que se estapearam a manter uma conversa civilizada; outra, diferente, é xeretar a vida alheia.

Escreve Thomas no blog: "O que quero dizer é que aprendi MUITA COISA! Que não se ataca simplesmente sem constatar antes quem é: isso é gratuito e leviano. O Reinaldo e eu – óbvio – divergimos em alguns pontos. Mas estamos em TOTAL acordo sobre outros". Alguém reconhece que errou, e eu devo me comportar como um tiranossauro rex? Ah, vão procurar outro pra fazer esse papel!

Sobre Fidel ainda: na conversa, Thomas expressou o seu horror ao ditador e à ditadura. Lembrou, no entanto, que a larga maioria dos cubanos tem fixação pelo Comandante, mantendo em casa o seu retrato, o que não seria habitual em outras tiranias, de direita ou de esquerda. E é verdade. Ponderei que essa devoção tem de ser relativizada, dado que não há liberdade de imprensa, de crítica, de manifestação. E é bem provável que ela seja, em boa parte dos casos, expressão não de alguma forma de afeto ou de adesão política, mas da repressão. Falamos de números, do PIB per capita antes da revolução e hoje; observei que os números sociais de Cuba foram manipulados para baixo em 1959 e são manipulados para cima hoje etc. Descobrimos que ambos detestamos, e por motivos idênticos, o filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles, uma espécie de elegia envergonhada ao tiranete Che Guevara – o "Chezinho do Waltinho", conforme chamei. Falamos de Bush – ele bem mais crítico do que eu -, da Guerra do Iraque (ele contra, eu a favor).

Thomas deixou claro que seu "amor" ao comunismo não é inferior ao meu, se é que me entendem. Até porque conheceu de perto, com familiares vivendo nas duas Berlins, tendo de atravessar o muro para levar laranjas (!) ao lado comunista. Ou, ainda, em suas palavras: "Rimos do que temos em comum: o ódio ao PATRULHISMO XENOFÓBICO de MERDA e o (meu) DESENCANTO TOTAL por esse que se chama de presidente aí: o LULA."

Se divulgasse, como ele autorizou (sim, ele tem de autorizar porque é correspondência privada, e prezo a civilização), os e-mails, talvez ficasse ainda mais claro por que aceitei conversar e por que julguei a conversa frutífera, positiva. Mas não vou. Trata-se de uma intromissão inaceitável. Estão querendo transformar numa variante de crime, de trapaça, de traição, o que deveria ser a coisa mais comum do mundo: duas pessoas que vivem do seu próprio trabalho, sem pegar um tostão de dinheiro público, tem suas divergências e acabam conversando.

E os insultos? Estão lá no blog dele. Estão no meu blog. Outros, antes de nós e melhores do que nós, já brigaram e se entenderam. Nem vou citar nomes porque logo diriam que estou tentando pegar carona em biografias alheias, muito mais virtuosas do que as nossas. Mas há um caso no Brasil que se tornou um clássico do confronto e da conciliação.

E finalmente…
No primeiro texto em que relata a nossa conversa, Thomas escreveu: "Desculpe decepcioná-los, mas conversamos longamente ontem por telefone (iniciativa minha depois que percebi que tínhamos muito mais em comum do que contra)." Não era um recado para os leitores deste blog. É que alguns camundongos já haviam se oferecido para "ajudar" Thomas a malhar o "Reinaldo irascível, que briga com todo mundo, o cão sarnento da direita". E Thomas percebeu que era uma gente suja, feia e malvada. Rejeitou a solidariedade dos idiotas.

Terei hoje um dia complicado porque Dona Reinalda passará algumas horas no médico e depois em repouso. Vou buscar as crianças na escola, levar pra lá, trazer pra cá, tudo de táxi, já que não dirijo nem carroça (alguns gostariam de me ver puxando uma, hehe, com o relho no lombo). Por isso, não sei se terei tempo de tomar café com Thomas. Se não hoje, quem sabe amanhã.

Poderia encerrar assim, com Fernando Pessoa de novo: "Como sou rei(naldo) absoluto da minha simpatia, basta que ela exista para que tenha razão de ser". Mas talvez não fosse o melhor emblema do caso. Como ser privado, briguei com Gerald Thomas (e ele comigo) com tudo o que a briga tem de razão e fúria. É um dado da realidade. E passamos a manter uma conversa civilizada, com tudo o que esse termo revela de matizes, cuidados e diferenças.

Um dos adversários de Marat, o grande porra-louca e cortador de cabeças do Terror (Revolução Francesa), disse a respeito de sua fúria homicida: "Dêem um copo de sangue a este canibal, que ele está com sede". Eu tenho sede de civilização e de tolerância. Sem jamais deixar de dizer o que penso. Por isso aprendi a detestar as generalizações estúpidas da esquerda. Por isso aprendi a detestar o "Imbecil Coletivo". A canalha comunista e adjacências é que entende de morte. Eu entendo de vida.

Aos que se foram ou se forem, ainda e sempre, o meu afeto. Aos que ficam, a luta renhida. Aos que chegarem, o convite para novos embates. Lamento ter eventualmente decepcionado os que me imaginavam como uma espécie de "contínuo de mim mesmo" (by Nelson Rodrigues, quase) ou de funcionário burocrata do que imaginavam de mim.

Por Reinaldo Azevedo

do Heitor Bonfim

Gerald Thomas causou um terremoto de 7,5 na escala Richter no blog do Reinaldão. Foi muito interessante a diversidade de reações. Mas o Reinaldo, mesmo, já disse que seus leitores querem sangue.

do Vampiro de Curitiba

Bom dia! Sou leitor assíduo do Reinaldo Azevedo. Confesso que só depois dessa "briguinha" vim a conhecer seu blog. Tudo muito bem, tudo muito bom, mas vem cá: E as tais "dicas" sobre sexo que você havia prometido a ele, hein? Foi sobre isso que conversaram? Foi por aí que você o seduziu? Nos conte tudo, não nos esconda nada, he, he… Fico feliz por ter mais um blog para ler… Abraço!

do Jorge Schweitzer

"camundongos já haviam se oferecido para "ajudar" Thomas a malhar o "Reinaldo irascível"… Aí o caro Reinaldo exagerou e como 'oferecido' devo esclarecer que somente pretendia conhecer as medidas glúteas do Azevedo já que ele possui o mesmo sobrenome que a Andressa Garota Melancia da Dança do Créu e imaginava parentesco… Pô, ficar amigo do Gerald e atacar seus amigos é uma tática sacana-abraço-de-afogado que pretende afastá-lo de quem lhe admira… Não gostei da brincadeira… Camundongo é a puta que o pariu!

do Daniel

Não dava mesmo pare entender uma discussão naqueles termos… é realmente reconfortador saber que pessoas inteligentes e civilizadas -algo cada vez mais raro no Brasil – são capazes de superar picuinhas inúteis causadas por um comentário infeliz… bastava olhar o blog do Reinaldo para ver que ele jamais tentou relativizar barbáries de direita ou de esquerda… Gerald, vc realmente se mostrou um homem livre, algo que sempre transpareceu nos seus trabalhos…

do Laion

De chutador do traseiro a copidesque do "tronco de enchente".Essa é boa. Certa feita René Descartes empreendeu uma série de ataques contra a teologia e seus expositores.Porém, foi orientado:"Não publique nada, antes de conhencer vida e obra de Tomás de Aquino." Assim fez, e descobriu que São Tomás já havia antecipado e respondido a possíveis refutações a suas idéias. Descartes Passsou a comungar das idéias de São Tomás. RA ñ é René e Gerald ñ é São Tomás. Mas ficou a lição: Nunca ataque biografias, pontos de vista, etc,sem antes conhecê-los. Inteligência não coaduna com aleives.

do Carlos (US)

Sim, a "capacidade" de Reinaldo Azevedo de acumular fatos é proporcional à sua capacidade de manipular seus leitores. Só que não vai ficar atacando os leitores desse blog gratuitamente e passar em branco. Cansou. E quem escreveu aqui em defesa desse blog está sendo ridicularizado sem defesa. Reinaldo Azevedo escreveu que VETOU umas 200 mensagens ONTEM. E justificou: "A vilania do PCC eletrônico veio para cá em peso e, quiçá, contaminou alguns que não perceberam que adotavam a linguagem e os procedimentos da bandidagem". Pois bem: minha mensagem foi vetada. Não sou camundongo muito menos bandido, senhor Reinaldo Azevedo. Essas táticas de manipulação são fétidas e isso aproxima você, Reinaldo Azevedo, dos procedimentos da bandidagem que mencionou. Seu nível é baixo demais e é lamentável que a internet brasileira já esteja tão corroída e putrefata tendo você e outras aberrações guiando a locomotiva da estupidez. Fui vetado por discordar e por discutir de forma respeitosa.

É grave e mentiroso dizer de que as mensagens vetadas adotavam a linguagem e os procedimentos da bandidagem. Estou chocado com o nível de manipulação das pessoas na internet. É possível, através de generalizações, insultos, desinformação e completa ignorância, DESTRUIR a reputação de outra pessoa, principalmente quando "guiadas" por pessoas que pouco se importam com o resultado de suas irresponsabilidades. Repito: escrever que as mensagens vetadas naquele blog vem de pessoas que adotavam procedimentos de bandidagem é uma afirmação MENTIROSA e uma OFENSA contra as pessoas sérias que AINDA circulam pelos blogs. Lamento.
Carlos

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Minha conversa com o REInaldo

Estou no Rio, no meio do tumulto e, portanto, sem acesso a computador. Mas fiquei numa felicidade ÚNICA quando o tel tocou no meio de uma reunião: era o Reinaldo, dizendo que estava comentando o meu post aqui de baixo. Acabo de ler o que ele escreveu. No Blog dele: Ana, se vc estiver lendo isso, please, pode reproduzir o texto dele aqui tambem: Reinaldo, se vc quiser, tenha a total liberdade de reproduzir a nossa troca de e-mails que precederam o telefonema, pra que a coisa fique transparente. Ou não. O que quero dizer é que aprendi MUITA COISA!

1- Que não se ataca simplesmente sem constatar antes quem e: isso é gratuito e leviano. O Reinaldo e eu – óbvio – divergimos em alguns pontos. Mas estamos em TOTAL acordo sobre outros!! Falamos sim sobre Fidel. Nao chegamos a nenhuma CONCLUSÃO, senão a de sempre: DITADURAS são HORRENDAS. mas me expressei quanto à peculiaridade desse "enigma", "estranho" que ainda é adorado dentro de sua própria ilha. Comparamos com o Hoenecker da ex DDR (pelo fato d'eu ter cruzado tantas vezes o Checkpoint Charlie ou o Bahnhof Friedrichstrasse) pra levar laranjas e macas pra família do lado de lá: e como isso me doia. Como era HORRRRRÍVEL aquilo ali.

2- Rimos sobre o que temos em comum: o ódio sobre o PATRULHISMO XENOFÓBICO de MERDA e o (meu) DESENCANTO TOTAL por esse que se chama de presidente aí: o LULA. Ja escrevi sobre o Lula e Bush no Tendências e Debates na pag 3 da Folha. Preciso sair. Mas escrevo mais. Como disse antes, achei o Reinaldo uma pessoa Maravilhosa. Por favor, PAREM com estereótipos!!!! Se vcs querem ver sangue, matriculem-se nos Gracies. Vejam luta livre ou vão à luta! Entre nós? Vamos nos encontrar, espero, e tomar um belo café brasileiro e reclamar da vida. Ou celebrá-la, o que é mais o nosso estilo.
VIVA
LOVE
Gerald

PS: Ah, e para aqueles que afirmam que eu "ganhei" muitos leitores por causa dele: Ótimo. É uma HONRA! Eu mesmo lerei o blog dele! Mas é bom lembrar: blog é de graca. Teatro ainda é pago e tem que se estacionar, pegar taxi, etc,…essas coisas. Quem dera a vida fosse resolvida aqui, nesse espaço virtual.

Comentários de hoje sobre o assunto de Reinaldo Azevedo (http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/):
"Alguns leitores me perguntam se é verdade, outros acham que é assim que se faz, e há aqueles que estão nos acusando de prima-donismo etc e tal. Bom, vamos lá. Sim, é verdade o que vai acima. E acho, como diria Louis a Ricky, em Casablanca, que pode ter sido o "início de uma bela amizade". Com uma diferença em relação ao filme: Louis era um corrupto simpático. Eu e Gerald não somos corruptos – e há muita controvérsia sobre se somos simpàticos.

Olhem aqui: faz a guerra quem pode e promove a paz quem pode ainda mais. Será que deveríamos ficar trocando porradas vida afora, embora, como ficou claro numa longa conversa, tenhamos hoje em dia mais convergências do que divergências? Já imaginaram a cena? No limite de nossas forças, lá na frente, dois velhinhos (olhem a minha esperança, hehe…) lutando pelo… passado? Começaram a nascer convergências de divergências as mais claras, as mais explícitas, sem meias-palavras. Como gosto. E eu acho isso muito bom. Na nossa guerra e na nossa paz, não há um miserável tostão de dinheiro público. Não estamos engabelando ninguém.

E que se note: os vagabundos de sempre tentaram emprestar sua "solidariedade" mafiosa a Gerald – vocês sabem: as ratazanas… "Ah, não liga, não; o Reinaldo é assim mesmo. Ele também bate na gente; ele é um brucutu". Sabem a coisa de que mais gostei nesse processo todo? Gerald dispensou essa solidariedade dos canalhas; quando ele percebeu a qualidade dos que se alinhavam contra mim, sacou que havia algo de errado: "Epa? O que essa gente quer comigo?" E tomou a iniciativa de me ligar. E a conversa, de fato, foi muito boa.

Alguns tontos gostam de me transformar num monstrengo, que sai por aí a distribuir porradas, sem olhar. Lutam desesperadamente para que eu os transforme em vítimas aqui no meu blog pra exibir, depois, as chagas: "Olhem o que aquele direitista e reacionário disse de mim" E, então, outros tão imbecis e irrelevantes quanto eles próprios se solidarizam: "Ah, ele é horrível mesmo!"

Ocorre que, lamento dizer, nesses confrontos, quem está com a civilização dos indivíduos, do "menos estado, mais sociedade", da vitória da vontade sobre os mercadores do coletivismo, somos nós, os que estamos do lado de cá da linha, os que não queremos participar, na melhor das hipóteses, desse arremedo de "neo-estato-nacional-desenvolvimentismo" e, na pior, desse stalinismo liofilizado, à espera da água quente das contradições para, então, evoluir para uma ditadura.

Sim, conversamos, sim. E foi uma conversa agradável. Os camundongos (eram ratazanas, mas a realidade já lhes aplicou um downgrade) fingem acreditar na existência de uma conspiração de homens maus, que eu integraria, porque, assim, podem bater a carteira do público sem que ninguém perceba. Mas vejam que surpreendente!, eu gosto é de civilização. E foi sobre ela que conversei com Gerald nesta madrugada.

E os bobinhos que têm a pretensão de ser inimigos meus ou de VEJA continuarão em sua cantilena triste e solitária."

"A reação dos leitores

Às 15h38, publiquei o post sobre a conversa desta madrugada com Gerald Thomas. São 18h16: liberei, até agora, 217 comentários e vetei 34. Entre os 217, a maioria, como podem ver, é de apoio e compreensão amiga. Mas:
– há quem, leitor freqüente e colaborador deste blog, tenha anunciado o rompimento com a página. Lamento. Bocatto, por exemplo, não gosta mais de mim. Continuo a gostar dele;
– há quem se diga decepcionado pura e simplesmente;
– há quem me compare a Lula, a "metaRmofe ambulântio"…;
– há os que perguntam: "E se fulano ligasse? E se Beltrano ligasse"? E aí listam todos os adversários políticos e intelectuais do blog e do blogueiro.

Está tudo ali. Há para todos os gostos. Entre os 34 vetados:
– há alusões grosseiras à suposta sexualidade de Gerald, à minha e à de parte da humanidade;
– há petralhas disfarçados de "reinaldistas", gente que não reconheço, propondo uma cruzada contra o blog… O "Reinaldismo" não existe: é uma invenção do petralhismo;
– há mesmo alusões a um suposto acordo secreto… É, vai ver que sim, né? Seria, mais uma vez, a "Conspiração Judaica"??? Será que Gerald e eu andamos manipulando verbas do Orçamento, usando cartões corporativos? Reeescrevemos os Protocolos...?
– E há aqueles que agridem os próprios leitores do blog: "Estão vendo? Vocês foram trouxas em confiar no Reinaldo".

Bem, o conjunto da obra me remete à morte de Pinochet, quando desejei que ele ardesse no fogo do inferno. Alguns ficaram muito decepcionados. Como? Então eu não era um pinochetista? Quanta decepção! Não! Não era! "E se o comunismo tivesse vingado no Chile? Não teria morrido mais gente?" Teria, sim. Mas e daí?

Perde seu tempo quem achar que vai entrar neste blog para encontrar justificativas morais para canalhas que torturam e matam pessoas indefesas, por mais criminosas que sejam, que estão em poder do Estado.

O meu paradigma é a civilização democrática, é o estado de direito. Evito o tema porque detesto esses heroísmos de propaganda. Mas comecei a lutar contra a ditadura aos 14. Aos 15, fugia da polícia. Minha ficha está lá. Sou anticomunista, sim. Ah, é démodé? Problema meu. A maioria das teses das esquerdas não passa de empulhação e elogio da incompetência. É o que eu acho. Isso me rende muitos inimigos? Não ligo. Cada um arque com o peso das suas escolhas. Com um pouco de esforço, eu receberia uma indenização: o monstro totalitário contra um garotinho de 15 anos. Mas eu escolhi. Mando à merda esses caras que também escolheram e que depois se borram, cobrando ressarcimento da "ordem burguesa" com a qual queriam acabar. A minha única ressalva é a indenização justa aos familiares daqueles que morreram sob a guarda do estado – a minoria dos 424 mortos da ditadura. Ocorre que as indenizações hoje contemplam milhares – até Lula – de aproveitadores.

Mas daí a acharem que posso ser condescendente com ditaduras, por mais virtuosas que se queiram, ou com torturadores? Ah, mas não mesmo!!! Disse então: "Vocês que esperam isso de mim não têm o que fazer aqui".

Arco, como sempre, com o peso das minhas escolhas. Falei, sim, com Gerald. Falo com quantos queiram falar comigo, desde que não me peçam para o coonestar o crime, a lambança, a trapaça – sobretudo o maior de todos os engodos: a vulgar dialética dos bandidos, que acreditam que o bem pode derivar do mal; que apostam que pode nascer o "homem novo" das ditaduras virtuosas.

Meu mundo é o dos homens livres – e quem não pode perdoar é escravo de seu rancor. Eu não sou. Sou apenas subordinado ao que consegui fazer do que fizeram de mim.

E finalmente: há pessoas sinceramente decepcionadas, sim. Respeito-as. Talvez um dia também possam, segundo seus critérios, me perdoar. Talvez não. Há a hipótese de que eu esteja errado? Sempre há. De novo, cumpre arcar com o peso das escolhas, pelas quais sou o único responsável."

"

Eu sou UM

Olhem, daqui a pouco, vou sair para um jantar – não é com Gerald Thomas, ainda… Vocês viram que passei boa parte da tarde avaliando comentários. É justo. Um blog é feito, em grande parte, pelos leitores. Cobram que eu "revele" o que foi que nós conversamos. Epa! Aí já acho um pouco demais. Mas não me furto a tratar da dimensão, vá lá, pública da coisa.
– vocês acham mesmo que, caso Thomas tivesse tratado Fidel como herói, a conversa teria evoluído bem?;
– vocês acham mesmo que, se ele tivesse feto a apologia das ditaduras, que a conversa teria encontrado solo fértil para prosperar?;
– vocês acham mesmo que, se ele fosse, sei lá, um admirador do comunismo, tudo teria se dado de forma tranqüila?;
– vocês acham mesmo que, se ele tivesse feito a apologia da estatismo cultural, que teríamos avançado na conversa?

Não! Eu não vou reproduzir o que ele me disse. Isso é com ele. E faz se quiser. Há muita gente lendo O QUE NÃO ESTÁ ESCRITO e ignorando O QUE ESTÁ ESCRITO.

Mais: tentam me intrigar com Olavo de Carvalho, que é meu amigo, o que nunca escondi. Por que o faria? Ao contrário. Sempre escrevi: é uma amizade que me honra. Pensamos as mesmas coisas? Às vezes, sim; às vezes, não. No essencial, acho que concordamos.

Aos que vêm com agressões baratas, respondo com o Lisbon Revisited – 1923, de Fernando Pessoa (Álvaro de Campos):

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

– Quando me virem aqui a defender ditaduras, de esquerda ou de direita, então cuspam na minha coerência;
– quando me virem aqui a defender o aparelhamento do estado em nome do bem comum, então cuspam na minha coerência;
– quando me virem aqui a defender a substituição da sociedade pelo estado, então cuspam na minha coerência;
– quando me virem aqui a defender o coletivismo em lugar da vontade do indivíduo, então cuspam na minha coerência;
– quando me virem aqui a afagar ratazanas, mascates e anões morais, então cuspam na minha coerência;
– quando me virem aqui a defender a mudança ad hoc da lei para permitir negócios bilionários na telefonia, então cuspam na minha coerência.

Mas, se me virem aqui a exaltar a tolerância e, ao mesmo tempo, a expressão radical das diferenças, então exaltem a minha coerência.

Um Reinaldo que se alimenta de doses diárias de sangue excita a fantasia tanto de meus detratores quanto de admiradores que não quero ter? É possível. Pois é. Só avanço na jugular quando é estritamente necessário. É que tem sido muito necessário. Daí muita gente confundir a necessidade com um gosto.

Aí me diz o outro: "Você vai perder leitores". Acho que não. Acho que vou ganhar. Mas, se perder, anotem aí: não sou escravo nem da audiência.

Neste ano e meio, se existe um convite permanente neste blog, é este: SEJAM LIVRES. E a maior de todas as ditaduras, como escreveu Olavo em livro, é a "imbecilidade coletiva".

Eu sou UM."

Por Reinaldo Azevedo

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Eu e Reinaldo, Reinaldo e Eu

Desculpe decepcioná-los, mas conversamos longamente ontem por telefone (iniciativa minha depois que percebi que tínhamos muito mais em comum do que contra). Foi ÓTIMA a conversa. ÓTIMA. Essa troca de ofensas não leva a nada. Absolutamente nada. Li o blog dele e amei. Conversamos madrugada adentro, divergimos sobre poucas coisas, concordamos sobre TANTAS outras! Fiz um amigo. Espero que ele tambem.
Gerald (and the rest is NOT silence)

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Frases em tongues

Em ale limao

"und Du? Kerr engraxarrr mein Sapatu?"

em Francois

"Et tois? Est que vou voulez engraxez mons sapat?"

em Portugois

" Man ist was man Ist. QuerU commeter deine wonderfully POLISH, oh Poland, shoes"

und so weiter
GT

Sashtishfeitosch? meine FREUNDE? Und…..rrrrrrraus!

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Blogueiros: pensem em outra coisa! minha profissao vai bem obrigado!

Ich meine, MY Theater!THANKS
GT

otimo comentario

Eddie] [Curitiba]
Os tarados já estão todos em posição, querendo "pau retórico". Estão esperando de ti, Thomas! Não tem jeito, enquanto não forem "retoricamente enrabados" não vão sossegar. Até um tal Olavo de Carvalho ficou sabendo da festa e parece que tá te oferecendo a bunda agora. E eles querem participar também, é claro! A ereção desse povo deve ser realmente difícil, pra procurar prazer na internet assim de forma tão desesperada. Imagine a cena, os pobres tarados bem-nascidos, impedidos de exercitar seu sadismo no mundo real, onde se fazem de pudicos, se realizam mesmo é no virtual, quando sintonizam os tais blogs (que são até falados agora) e começam a se masturbar languidamente com cada palavra chula, cada esporro, cada impropério. Pudera. Donzelas furadas que são, só podem experimentar o prazer de ser enrabados e humilhados aqui na net. É por causa de tarados como eles que tem tanta gente tentando impedir que crianças tenham acesso ao conteúdo da mídia eletrônica. Com razão, como se pode ver.

otimos comentarios (anonimos, nao sei porque) (medo do que>)
Porque o preço de 75,000 vidas, economia em frangalhos, ditadura sem liberdade política, de opinião, econômica, onde a criatividade é tolhida e a garganta dissidente é cortada, é um preço justo a se pagar para a manutenção de uma sociedade Comunista? Quantos teatros tem cuba per capta, em relação a Nova Iorque? Quantos habitantes de cuba podem escolher a profissão de artista de teatro? E quais peças poderiam ser encenadas em Manhattan que são proibidas em Cuba? Qual é o custo da Utopia comunista Cubana, seus reais benefícios e pergunte-se se VOCÊ deseja ser a pessoa a pagar esse custo. Porque muitos Comunistas de Butique acham lindo a Cuba Troféu, mas não viveriam numa sociedade como aquela de maneira nenhuma.
FIXtheMAD2 | eee@uuu.com | 27/02/2008 15:29
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outro:
Discuta o Mérito, os argumentos usados, os números, a lógica, as referências. E no meio dessa discussão, e introduza as ofensas e chacotas como tempero. Se o argumento é formado unicamente por ofensas aos aspectos privados da vida do adversário, então se trona pobre a discussão, insossa e prova o quão miúdo e leve é o argumento retórico. Esse é o problema das esquerdas, que se revelam por essa formula cansada, e depois de diminuir a pessoa, partem a conclamar que lhes seja removido o direito de expressão, que sejam demitidos e excluídos da arena pública. Querem um pensamento homogêneo, querem que somente os memes das cartilhas sejam reproduzidos, e por saberem tais idéias, fracas. As defendem de forma canhestra. Debata o mérito!
FIXtheMAD | spam@menot.com | 27/02/2008 15:29

Ja Ja, Mein General! Sofort!!!! At your feet! Done! I mean, done deal!
GT

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