Monthly Archives: May 2004

Happy birthday Patrick Grant

Patrick Grant eh o compositor da Third Rail Stage, a minha nova Companhia.

Gerald Thomas

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Chico Buarque

Chico Buarque eh GENIAL porque eh atemporal. Sua obra sera moderna e emocionante daqui a duzentos anos (se eh que daqui a duzentos anos ainda existira a especie humana). E porque? Chico tem um pe no teatro. "Calabar", "Opera do Malando" e outros, Chico eh um compositor altamente emotivo e, ao mesmo tempo, mantem um minimo de distanciamento o que da a ele a possibilidade de se transvestir em mulher, em crianca, em velho, no que quizer.

Saiu um livro a respeito de Chico Buarque, chamado, "Chico Buarque do Brasil". Espero que comprem.

Esse eh, sem duvidas, o maior compositor brasileiro. Quieto, na dele, nao cria escandalos, tem pavor deles, quase nao fala, morre de timidez…..Mas cria as maiores beldades do planeta.

Gerald Thomas

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"Um Circo e tanto"

Nova York – Nada como se desligar de tudo e voltar a ouvir os velhos clássicos. Digo, a quinta sinfonia de Shostakovich, terceiro movimento (que é de onde Eletra ComCreta surgiu nos anos 80) e agora, é estranho que dissolvo aquilo que já foi a Companhia de Opera Seca, ou Dry Opera Company pra criar aqui a Third Rail Stage. Como os tempos nos fazem ficar mais ásperos. Não deveria ser assim, mas é. É só consultar os livros de história. Com aqueles "mitos" que eu tive o privilegio de conviver, foi assim. Não há explicação. E agora me vejo fazendo o mesmo. Querendo varrer o meu passado pra debaixo de um tapete bem barato.
Beckett não queria nem saber. Odiava que se falasse do passado. Não recebia jornalistas. Luciano Berio era um revoltado. "Mas com o que Sr. Berio?". Compositor celebradissimo – único na Itália depois da morte de Luigi Nono e herói na Franca onde Pierre Boulez (o "dono" da música) lhe fazia todas as honras, Berio não tinha do que se queixar. Mas se queixava o tempo todo. Nossa parceria em Firenze (o projeto era Zaide, de Mozart, e já estava fadada ao fracasso desde o início, mas não era esse o problema.) O problema era Berio. Ranzinza até o fim, o homem não tinha humor, assim como na vida real Ítalo Calvino também não o tinha. Jorge Luis Borges (com tanto humor e tantos truques a la Edgar Alan Poe) em sua literatura, era um homem atormentado. Cego e atormentado que se fazia de arrogante. Ser arrogante já é algo, mas se fazer de arrogante é coisa pra maestro.

Imagine essa cena. Camarim de maestro numa casa de ópera famosa. Maestro medíocre como ele só. Orquestra fraquinha que só ela. O maestro não tinha que estar ali esnobando ninguém. Ao contrário. Deveria estar feliz de que alguém ou dois alguens sequer foram ao seu camarim comprimentá-lo. Mas não. Ares de superioridade, manda a camareira dizer que não está. Pois era a brigada do fogo, mandando evacuar o prédio. O maestro tem que sair de qualquer jeito, mas esta debaixo do chuveiro e não ouve as instruções. Resultado. Invadem seu camarim e o sujeito é arrastado a força pelos bombeiros semi nu pela porta afora e todos os paparazzis o pegam nessa situação ridícula.

Há algo estranho acontecendo em Nova York. Passo os dias ensaiando a minha versão de Dom Quixote que estréia no final do mês, e escrevendo um novo espetáculo pro MAIOR ator brasileiro. Coisas repentinas que o acaso traz. Hoje, segunda, terminei o temível capitulo 13 (mando pra ele por e-mail a "coisa" por capítulos e ele, tímido que só ele, me manda seu entusiasmo em parcas palavras em seus "replies"). Mas há algo estranho acontecendo aqui na Rua 23.
David Letterman está brigado com o resto das redes americanas. Não é mais convidado da Casa Branca pra nenhum evento, principalmente depois que Seymour Hersch (ex New York Times, hoje The New Yorker) revelou no programa "60 Minutes" as fotos horrendas das torturas em que os soldados (homens e mulheres do comando americano aplicavam choques elétricos e sodomizavam – na terra de Saddam – os capturados iraquianos). Junto com a violacão brabíssima do que já vem acontecendo em Guantanamo Bay há mais de dois anos, os EUA vem se provando o mais ávido violador de direitos humanos dos – assim chamados – países civilizados.

David Letterman, é hoje – junto com Al Franken – um dos poucos que detém o horário nobre da televisão, ao DENUNCIAR e ridicularizar diariamente as tristezas burras de George W Bush. Está, evidentemente, sendo boicotado pelo sua própria rede, a CBS, que não o retransmite em varias partes dos EUA. Mas Letterman continua, depois de quase três décadas no ar, como King of Late Night, sendo o grande enfant terrible da tv americana. Não há nada tão inventivo e divertido como ele. Em contraste, o BUNDÃO do Jay Leno, faz tudo pra ser aceito pela Casa Branca, vai a todas as festas, aceita todos os convites, é patético como se vende o sucessor de Johny Carson na NBC.

Me lembro de quando eu trabalhava na Amnesty Internacional em Londres, na minha pós-adolescência. Estaria, provavelmente, trabalhando sem parar. Mas, ao invés disso, ouço meu Shostakovich e meu Led Zeppelin, pois o mundo dá muitas voltas e a civilização é nojenta, e a idade traz uma certa crosta de cinismo que nem a chuva ácida é capaz de penetrar e nem a arte é capaz de incomodar. Prossigo no meu trabalho e procuro fazer o que sei fazer melhor.

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Segunda novayorkinalina

Falhar. Falhar de novo. Falhar melhor.

Essas palavras sao de Beckett, nao sao minhas.

Hoje o meu mundo esta mais pra:

Viver. Viver de novo. Viver melhor.

LOVE

Gerald

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