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Isle-landic repetitions: hostages without a cause

The shortest way (sometimes) seems as if it’s the longest.


An oig rig burning out of control in the Gulf of Mexico sank Thursday morning, with 11 workers still missing and the authorities fearing a potential environmental disaster. What are we to make of such things? A few days ago, if I remember a-right, a ship was sinking off the coast of Australia, leaking hundreds of millions of thousands of dozens of tens of billions  of crude oil. Oil. And oil. Oil oil oil. And “our growing dependency on FOREIGN oil” is on the mouth of every president, prime minister, minister, ter or just on every publicly elected  mouth. Mouth. Monmouth.

Yes, we’ve been witnessing disasters like never before. Since the catastrophe in Haiti, so many others followed that …That what?  What? Yes, and Iceland holding us all as hostages without a cause….Strange days. And there is greed. Oh yes, the greed. Not ending, never bending, never minding, always on the foreheads and the forefronts  of our delicious capitalism. So, after the Detroit automotive industry and a daring Health Care plan, Obama now goes to Wall Street and takes on the money guys.

Pushing an overhaul plan for financial regulation on Thursday, president Obama said, “Unless your business model depends on bilking people, there is little to fear from these new rules.” Meaning, “work with us, not against US”.

Speaking in the bankers’ backyard inManhattan (what is a banker’s backyard? What does it grow? Alan Greenspan trees?), Mr. Obama castigated a “failure of responsibility” by Wall Street that led to the financial crisis of 2008, and he pressed his case for what he called “a common-sense, reasonable, non-ideological” system of tighter regulation to prevent any recurrence. He took issue with the claim that his proposal would institutionalize the idea of future bailouts of huge banks. Let me repeat this: “institutionalize the idea of future bailouts of huge banks”. I wonder what all this really means.

Oh yes, the banker’s backyard and the “natural” disasters that have rocked Haiti, Chile, China…the unnatural disasters that make us smaller and smaller by the day, by the hour: the ash cloud pending over our heads for a week here in Europe: a cloud of ash and TEN straight days of pure (I mean pure) sunshine in London. Not a drop of rain. Just police activity, but not a drop of rain.

As I actually write this, the 3 candidates are debating (in Bristol), on British Television. The very 1st televized debate here in the UK. It took the Brits 40 years to repeat or to imitate the US pattern of a Presidential debate: now they’re talking about whether or not to get “closer” to the European Union, or stay away from the Brussel sprouts.

What do the 3 have in common?: President Obama.  Obama has become the number ONE reference for the British candidates. It’s amazing, if not funny, how “the buck stops here” (G. Brown) or “guys, you (Cameron) are either anti European or anti American. Again, Gordon Brown’s words against the constant rhetoric dribbling out of Cameron’s mouth: CHANGE ! CHANGE! . Yes, the “Obama era” is here and it’s staying.

Nick Clegg and the 2 others are good performers. There’s something America can certainly learn. American candidates do not perform well. No education. McCain’s morose speeches were based on GOP cheering and nothing else. Oh yes, there was the POW drill, always: “I was tortured in Vietnam and so on….”. Does past torture a good president make?

But here in the British isles there are no women competing. No women since Thatcher. No women since Queen Victoria. Queen Elizabeth…well, Queen Elizabeth. What can one say? Nothing. That she picked a fight with Annie Leibovitz and???

The level of discussion or, say, the argument is far more intelligent here in England. That is a given fact.

Walk the walk and talk the talk.”

As I was sketching out a column, along with the withdrawal symptoms of the (serious) Topamax effects, I began to write what the candidates then actually said: “Walk the walk and talk the talk.” I don’t walk. I do indeed (seriously now)… talk.

So, please forgive me for any….Well, it’s the lack of Topamax in my system. I’m not on any ‘legal high’ , believe me. Just the wonderful cup of coffee (blended with ice, a sort of coffee shake), from Patisserie Valerie.

Tell me, for real: do we need Jim Cameron  (who makes the biggest fortune with his mediocre films)….do we need him to teach Brazilians just because he spent some days (or maybe more, who cares?), amongst a tribe of Brazilian Indians? How does it sound when a film director  takes on the “save the rain forest” campaign and tells the world what Lula is doing wrong or right?

Everything (or maybe nothing) seems more surreal than a withdrawal.

Zweig. Zweig means twig, branch.

Twig. Stephan Zweig committed suicide.

Branches and twigs, however, is what Beckett meant when he planted a tree in the middle of the set for Didi or Estragon to hang themselves in “Waiting for Godot”.

We have become disaster watchers. Oil.

Change. We have become witnesses to television crews being embedded in tanks in some mountain in Pakistan or something. We’re passive when film directors tell us “what is” and “what isn’t” (remember? Titanic sank!) and when Labour, Tory or Liberal Democrats copy a system which is, as I write, being dismantled. While America is deconstructing its system, Britain is trying to build a version of America (not aversion). An isle-landic version of what America once was. Oh, the colonoscopy! Oh, the colonies!

Is Kafka having a ball? Well, if not, then he should. Is Orwell turning in his grave? Huxley? Are they all meeting silently with Stephan Zweig and talking about the dry tree? The last tree? The last tree on earth?

Sad, very sad update: bombings kill hundreds in Iraq. Why are we there? oh yes, Oil.

Gerald Thomas

London 23 April 2010

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Barack Obama Ganha NOBEL da PAZ: ESSE É O CARA!

President Barack Obama speaking at the United Nations on September 23.

OSLO – O presidente americano, Barack Obama, foi premiado nesta sexta-feira com o Nobel da Paz 2009, “por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos, indicou o Comitê Nobel da Noruega.

“O comitê atribuiu muita importância à visão e aos esforços de Obama em vista de um mundo sem armas nucleares”, declarou o presidente do comitê, Thorbjoern Jagland.

O anúncio causou surpresa. Além de Obama, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, era um dos candidatos, mas ambos não eram tidos como favoritos. As indicações são feitas por milhares de pessoas de todo o mundo, tais como parlamentares, ministros, ganhadores de anos anteriores, professores universitários e membros de organizações internacionais. Os nomes são mantidos em segredo pelo comitê, mas alguns acabam vazando.

Para a edição deste ano, foram 205 indicados, entre pessoas e organizações. “Trata-se de um número recorde, depois de 2005, quando foram apresentadas 199 candidaturas”, informou o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad.

O comitê, que esperou até o último momento, fez sua escolha em uma última reunião celebrada na segunda-feira (5). Dada a quantidade de indicados e sem um grande favorito, o Comitê Nobel precisou se reunir neste ano mais vezes do que o habitual para poder designar o premiado. “Tivemos mais reuniões que de costume, pois desta vez havia um grande número de candidatos, porque dois de nossos membros são novos e porque tentamos utilizar o tempo que temos para fazer a melhor escolha”, explicou Lundestad.

Vencedores das edições anteriores

No ano passado, o prêmio Nobel da Paz foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como o de Kosovo e Iraque.

Em 2007, o prêmio foi para ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore, juntamente com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Um ano antes o escolhido foi o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do microcrédito para pessoas em extrema pobreza (2006).

EU preciso dizer mais alguma coisa?

Acho que não.

É limpar as lágrimas do rosto de emoção e pronto.

CONGRATULATIONS MR.PRESIDENT!

Estou mudo de emoção, ou… sei lá. Obama ganha prêmio Nobel da PAZ. Acordo cedo, como sempre (quando durmo), e a tela já abre no New York Times: “filed one minute ago”. “OBAMA WINS THE NOBEL PEACE PRIZE”. Caramba! Olhei pra tela e não acreditei. Estou eufórico. Eufórico em pensar que hoje alguns republicanos vão ter infecção na gengiva. Eufórico em saber que HOJE o Health Care Reform PASSA!

Eufórico porque o OBAMA MERECE e pronto! Sem mais conversa fiada!

Não irei escrever mais nada.

Não preciso.

Vocês sabem.

E, se não sabem, é porque eu fiz com que não quisessem saber. Eis um trecho da tradução de “Suicide Note”, “trivial de uma infância num asterisco da linguagem”:

Os doces e bolos não te interessavam. Aliás, te davam um imenso sentimento de culpa e de vergonha, aquela mulher com aquela bonezinho empacotando doces em troca de dinheiro… Ao perguntar o que você quer, você responde que nada. Tua mãe te olha com um ponto de interrogação, pois foi você quem pediu para ir lá. Ela nem imagina que são aqueles dois, mãe e filho, a razão por você ter pedido para passar ali. De novo, nos próximos quarteirões, você nada nota, nada sente além da “awe“, algo entre fascínio religioso e o respeito e tremor perante a santidade. Você passa cada vez mais tempo devotado aquela imagem. De noite, deitado na cama, ainda acordado, você fantasia coisas inacreditáveis. Você se imagina parte da vida daquela mulher. Tem com ela uma relação amorosa, filial. Por mais incrível que soe, você se sente mais perto dela que da sua própria mãe. E ainda aquela Lua ali que te olha e pesa sobre você. Sim, agora você acaba por chama-la pelo teu próprio nome.

A partir desse momento, você desenvolve um senso crítico que te acompanhará a tua vida inteira. Nada mais é o que é. Nada mais é o que te dizem. Você acredita enxergar algo atrás de tudo que te descrevem. Você acredita enxergar algo atrás de tudo que te descrevem. Você se sente muito bem e muito mal o tempo todo. Você não se sente parte de nenhum lugar e você está experimentando um gosto estranho que não mais te permitirá, jamais, sentir bem em qualquer circunstancia em qualquer lugar. Você carrega um choro contido e ao mesmo tempo um raio de sol de otimismo que não consegue sair. Você só se sente bem no chão do teu quarto rabiscando nos blocos gigantescos de papel jornal que teu pai te dá. Você está contaminado por um vírus indefinível e acha que o tempo não vai passar nunca. Você ama aquele lugar em que  você não está e não gosta daquele onde você está. Passará a próxima década vendo o lado horrível e risível das coisas, o lado torto de tudo, o erro primal, as diferenças gritantes, os acidentes, o lado frágil em tudo e todos; você até desenvolve uma repulsa por sangue, uma exaustão ao premeditar qualquer ação, de dá-la como inútil de ante mão. Você se torna para todos e para você mesmo a essência de tudo que vê e sente: insuportável.”

Gerald Thomas

October 9, 2009

New York City

LOVE

Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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Morre o Leão do Senado Americano

 

 

New York- Morreu ontem à noite o “último” dos Kennedys. Irmão mais novo de John e Bob (ambos assassinados), Ted foi um dos maiores combatentes a favor dos direitos humanos.

Todos sabíamos que já estava muito mal, sofrendo de um tumor no cérebro, tanto é que não conseguiu participar da campanha do Presidente Obama o quanto quis participar.

Num jantar estratégico (e Obama já eleito) na Casa Branca, servido para pouquíssimas pessoas, Ted passou muito mal e teve que ser retirado.

Os Kennedys têm ou tiveram uma vida trágica e uma complicada relação com o álcool. No caso de Ted Kennedy o álcool provocou um acidente de carro em Chappaquiddick, em que sua secretária (e amante) acabou morrendo. Ele nadou e se salvou. E isso quase lhe custou a carreira política.

O namoro com a morte entre os Kennedys é tão famosa quanto é triste e inclui aqueles que se agregam à ela, como Jackie ou a família Shriver: na medida oriental do yin e yang, eles são tão fortes quanto são fracos.

Robert Kennedy, o irmão do meio, assassinado em 1968, teria sido um dos maiores lideres e pensadores políticos desse país. Sua causa era justamente a de quebrar a barreira da cor (naquela época), do preconceito racial. Ted, de certa forma seguiu seus passos, mas timidamente.

Até os Republicanos o respeitavam. Coisa rara num país dividido entre conservadores e liberais.

O “leão do Senado”, como era chamado, conseguia alianças em todas as áreas porque era um homem brilhante e porque vinha de uma família brilhante! E não media esforços em sua própria batalha no campo dos direitos civis ou da educação e da saúde.

Agosto ou o câncer? Ou os dois? Tem sido triste que – quarenta e cinco anos depois que seu irmão mais velho, John, iniciou o projeto que iria colocar o homem na Lua, ainda estamos perdendo pessoas notáveis e não notáveis para o câncer! É de dois em dois dias, abrir o jornal pra ver a desgraça!Michael Jackson, Pina Bausch, Merce Cunningham, Eunice Shriver, Walter Cronkite, Don Hewitt e…

Ted Kennedy disse, na posse de Obama: “Eu vi a luz”. Qual terá sido ela? A “era Obama” ou a luz que vem com a morte?

Gerald Thomas

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Tortura (bem, sei lá… espero!) NUNCA MAIS!

Tortura sob Bush

New York- Não será fácil escrever esse post, já que me comove, emociona essa questão da tortura. Por seis anos da minha vida fui militante (eram 24 horas por dia, não se dormia) na Amnesty International, em Londres. Naquele Secretariado Internacional, na sede, eu convivia com todas as atrocidades, notícias, mutilações, assassinatos vindos de todas as partes do mundo. Meu trabalho era fazer contato com prisioneiros, advogados, exilados, parentes de desaparecidos nos porões, nos cárceres, etc.. Foi duro. Hoje, então, começa um longo processo de (espero) desmantelamento de uma máquina que espalhou pelo mundo uma técnica que causou tanto mal. 

Existem os terroristas. Quero que morram! Mas eles não são “o” governo.  Agem por conta própria e merecem o castigo ou o punishment apropriado! Não há nada pior do que quando um governo se rebaixa ao nível de uma organização terrorista e age como tal.

Começa o processo de denúncia contra o ex-presidente. Já nos primeiros CEM dias de Obama na presidência, uma “espécie” de revolução se torna visível. Viva!

Então, é isso: o Presidente Obama abre caminho para ações judiciais contra os torturadores: ou contra aqueles que praticavam “técnicas duras de interrogatório” do governo passado! Ah! Vamos ver quem vai surgir desse porão de sujeiras!!!

Obama disse ontem, numa coletiva em todas as redes, que apoiaria uma comissão de investigação bipartidária. Mas é óbvio que os Republicanos estão com o cu na mão! O diretor da C.I.A. escreveu que tortura levou a “informações valiosas”. Que loucura! Eu, que fui militante, por seis anos, na Amnesty International, em Londres, na década de 70, leio tudo isso meio que… de boca aberta. TORTURA NUNCA MAIS!

E NO ENTANTO… ainda se tortura e… aqui, debaixo do meu nariz. Sim, óbvio! Todos vimos as fotos de Abu Ghraib e Guantánamo e não sei quantas outras bases. Aqui perto de onde escrevo, em Riker’s Island, ou Sing Sing (prisões de New York), é comum ouvir-se que um “lock down” (prisioneiros são “recolhidos” de repente), significa que um ou dois são levados a “celas especiais” e de lá vão pra salas médicas.

(Enquanto escrevo, passa aqui no East River um enorme barco da Coast Guard… hmmm… será que serei o próximo?)

UMA declaração de amor à ROLHA!

Imaginem a vida de uma pobre rolha. Ela segura ali um belo vinho (digamos um Barolo ou um Tignanello ou um Brunello de Montalcino) por anos e anos e mais anos. Eis que de repente alguém vai – CRUELMENTE – e enfia-lhe aquele saca-rolha, pontudo, afiado, aquela coisa de metal encaracolada, penetrante, e… vupt! Como se num golpe entre o vácuo e o gozo, a rolha se foi! Semi-destruída e homeless, ela nada vale. Toda a atenção está no vinho. Sim, decantar o vinho!

E 98 por cento das rolhas vão pro lixo! Apodrecem, sofridas, amputadas, meio putas, Gregor Samsas que são, irão ao encontro de baratas e outros bichos! Sim, tiveram o privilégio de segurarem UM LITRO do mais caro e delicioso vinho por uma década. Agora estão fora da militância. Estão no lixo! TORTURA! E tortura que termina em MORTE.

Obama abriu caminho ontem para processos contra autoridades do governo Bush que criaram o marco legal para torturar suspeitos de terrorismo em interrogatórios. Nosso presidente disse que os EUA perderam “o patamar moral” com o emprego de táticas como simulação de afogamento (waterboarding) e “outros”, como sleep deprivation (material de comédia pro programa do David Letterman de ontem, que disse ter o mesmo problema, o de não conseguir dormir), que eram chamadas de “técnicas duras de interrogatório” pelo governo anterior.

O comentário de Obama foi feito um dia após reiterar, na sede da CIA – onde foi ovacionado – que os funcionários da agência envolvidos nos abusos não serão punidos por isso.  Pena! Mas em qual país algum torturador já foi punido? Me digam. Me contem. Nem a PIDE em Portugal… (bem, esqueçam Portugal porque ela não existe), mas Argentina, Chile, Espanha, etc. Alguém da Stasi foi punido? Até Werner Von Braun foi pra Nasa ao invés do cárcere!!!! Aliás, foi por causa de Von Braun que colocamos  o PÉ na Lua!!! “Quem tem os melhores nazistas? Os russos ou os americanos?” – Tom Wolfe, em “The Right Stuff”

CIA, tortura e América Latina

Phillip Agee, “Diários da CIA”: Quem ainda não leu, leia. É, no mínimo, interessante. E quem não sabe do envolvimento ou do TAMANHO DO GRAU DE ENVOLVIMENTO  entre os engenheiros da tortura (CIA) e como ensinavam aos militares sulamericanos nos anos da ditadura do Cone Sul, investiguem e se informem.

Nos DOI-CODI’s, nas Oban’s, nos DOPS, etc. houve muita criatividade, como o pau de arara, por exemplo.

Mas para mim é doloroso entrar nesse assunto, por motivos óbvios.

Ontem, Obama deixou a cargo do secretário da Justiça, Eric Holder, avaliar se os mentores dos interrogatórios com tortura devem ser processados. Holder agirá “dentro dos parâmetros de inúmeras leis e eu não pretendo prejulgar isso”, disse.
Ele declarou também que apoiaria uma investigação parlamentar bipartidária do programa de detenção de suspeitos de terrorismo da era Bush. A porta aberta ontem por Obama aparentemente contrariou a declaração de seu chefe de gabinete (equivalente no Brasil a ministro-chefe da Casa Civil), Rahm Emanuel, que dissera, no domingo, que o governo não apoia processos contra “os que planejaram a política”.
Assessores da Casa Branca depois informaram que ele tinha se referido aos superiores da C.I.A. e não às autoridades do Departamento da Justiça, autoras dos memorandos que os autorizavam.
Ontem o “New York Times” revelou que o diretor da C.I.A., Dennis Blair, escreveu um memorando a seus funcionários, também na quinta passada, no qual diz que as técnicas agora banidas forneceram “informações valiosas”. Na versão distribuída à imprensa não havia esse trecho e a agência disse que o documento passou por processo normal de edição.
A revelação deve munir as críticas de políticos republicanos e ex-funcionários, como o ex-diretor da C.I.A. Michael Hayden, que alegam que a revelação dos memorandos compromete a segurança nacional.
O ex-vice-presidente Dick Cheney (esse merda!), já havia pedido a divulgação de documentos que provariam que os órgãos de inteligência obtiveram dados importantes nos interrogatórios em que houve prática de tortura.
A revisão da política de combate ao terror de Bush representa um enorme problema para Obama.  Mas o fato é que Obama mostra uma enorme coragem em querer desmantelar essa máquina do mal, essa merdalha que levantou o lado RUIM desse país maravilhoso, mas que também teve o Macartismo e manteve uma guerra fria (parcialmente por inabilidade e arrogância de seus líderes em dar uma surra nos outros do lado de lá, que nada tinham a não ser um medíocre programa aeroespacial. Arrghhhg! O MURO, o PACTO de Varsóvia, quantas VIDAS perdidas em nome do QUÊ?  E tantos ismos e xismos! PRONTO. BASTA, entramos numa nova era!

BRAVO MR. PRESIDENT!

Gerald Thomas (autor e diretor de teatro e militante na Amnesty International em Londres na década de 70, por seis anos)

Agradeço aos mais de 600 comentários do post anterior.

 

 

Esclarecimento do leitor José Pacheco:

“Cada dia fico mais encantado por teus enviados.
Não etive nem estou cagado.
O mal eu conheço pois em Belmonte devido um caldo de sururú tanto obrei que quase me torno especializado.Foi terrivel. Bactéria brava e tinhosa.Um dia contarei em detalhes.Deste mal que fui atacado e por ter sido salvo pelo Doutor Luiz Brun daquela cidade é que tenho hoje um dos meus melhres amigos.Ele é o dono da Clinica Anacleto de Paula.Um atual Robin Hood dos tempos modernos.Cobra um a mais de quem pode e ajuda os que nada tem.E como ajuda!Com ele aprendi que uma simples visita e uma palavra de carinho a doentes hospitalizados é um bem tão grande que ajuda até na recuperação do doente.E tenho feito o que posso neste sentido.
Fique tranquila porque a caganeira não passou de um mal entendido.
Isto acontece .No frigir dos ovos lucrei ao perceber que eu existo.

E cagar todos cagamos.

Abaços.
Ou melhor.

Jose Pacheco”

 

 

(Vamp na edição)

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We Won’t Get Fooled Again!

 

We Won’t Get Fooled Again! (The Who)

 

Obama propõe “novo começo” a Cuba

Na abertura da Cúpula das Américas, presidente americano prossegue o xadrez de reaproximação com inimigo da Guerra Fria. Como Raúl Castro, ele diz querer diálogo direto, mas não “falar por falar” aos vizinhos. Diz que EUA não podem ser culpados de tudo.

Querem saber? Estou feliz nesse momento.  Cuba não representa nada. Uma reaproximação com a Ilha poderá, no máximo, tirar a “tirania” (nossa, que português horrível!) do poder e reestabelecer os mínimos, que sejam, valores democráticos à Havana.

Que seja! Mas não seremos enganados de novo, como berrava, girava com sua guitarra, Pete Townsend em “We Won’t Get Fooled Again”. Aliás, não há nada como os deuses do Rock. Eles nos inspiram até hoje.

Quando leio o mundo de hoje, leio isso: um setor INVESTIGA O OUTRO! Parece um Kafka mal resolvido ou um Orwell mal sentenciado. Todos investigando todos. Aqui em New York temos os escândalos óbvios, mas temos a LUZ de Obama! Kafka pediu que se queimasse sua obra. Graças a Max Brod, seu grande amigo, nós a temos! Orwell reportava da Guerra Civil Espanhola, onde Franco queimava uma Espanha desunida. Chamas! Fogo! Uma era se vai.

Penso como era essa era: eu ia ao Filmore East e via o Hendrix de perto. Lá a única coisa que investigávamos era a genialidade do cara! E a nova era. Qual nova era? Pois. Agora em retrospecto, já que estamos todos mortos (porém felizes), a era de uma superhomem-idade/andróginia e PAZ, sim, a paz. NÃO, NÃO POSSO RIR ENQUANTO DIGITO!!!! Eu via o Cream tocando no Marquee, na Wardour Street e tento não rir. É que Eric Clapton e Jack Bruce e Ginger Baker não se falavam na vida real. Mas éramos todos do “bem” e do “amor” e não queríamos saber que EXISTIA  a flor do mal, ou melhor, o MAL,  e que CUBA, essa mesma, a da Revolução de Sierra Maestra, era ‘mocked” (satirizada) pela Carnaby Street e pelas lojas aqui da Saint Mark’s Place, nas tirinhas de Jules Feiffer e nas tironas de Crumb! Ah o mundo!!! 

Não posso chorar enquanto digito! Eu era aquele que catalogava os mortos, desaparecidos, exilados, mutilados, etc. na Amnesty International em Londres na década de 70, poucos anos depois de ver o Hendrix ao vivo. A Bibba, loja incrível, tinha acabado de fechar as portas na High Street Kensington e “Blow Up” (de Antonioni, com Jimmy Page e Jeff Beck) estava nas telas. Nova era BIPOLAR. Na Bibba o que se mais vendia era uma camiseta com a cara de Che estampada enorme, em autocontraste! E Mao também!

Deixei uma de minhas “ex”, a modelo americana Ellen Kaplan, plantada em Viena e voltei para Londres, arrombei meu próprio carro (teto de lona, era um MG, que eu deixava estacionado no aeroporto de Heathrow) para não perder o show do Led Zeppelin no Earl’s Court Arena.

Foi a maior e melhor coisa que já vi. Nunca nada igual. EVER! Meu olho ficava nas mãos de John Bonham (morto), no ritmo que saía “daquilo”, porque no Rio, quando jovem, eu havia subido a Mangueira e sabia o que era um SAMBA! E como sabia! E meu outro olho ficava na guitarra de Page imaginando o inimaginável, porque em “Kashmir” todas as sinfonias se reuniam, de Beethoven até Cezar Frank. Até mesmo uma Ária de Wagner estava lá. Kashmir ainda é o maior problema entre o Paquistão e a India (ambas nações nucleares, nuclearizadas!) e, digamos assim, a constante “missile crisis” ou em estado de “Bay of Pigs”, da região deles, delas. Entra ano, sai ano, Paquistaneses, independetistas e Indianos brigam por Kashmir. E eu, eu aqui, usando um cachecol de cachemera…. Mas não! Esse é de ovelha escocesa! Sim, na época, todos quebravam suas guitarras, colocavam fogo nelas! (óbvio, nada como o capitalismo dentro da contracultura: haviam outras novinhas lá atrás). Ah, o mundo!!! As vacas sagradas da India e as vacas abatidas em Cuba! O fazendeiro que mais abatia vacas em Cuba era capa do jornal cubano que quase provocou o love affair entre Nikita Khrushchev e Kennedy, lembram? Sapatos histéricos na ONU e tudo? Éramos ou tentavamos ser vegetarianos (comiamos carne escodidos uns dos outros nos subsolos ou nos porões da contracultura: ou seja, oito andares abaixo no nivel da terra: fundo demais até para poder respirar, éramos nós e os ratos). 

E agora? E AGORA? Depois de Hendrix, Zeppelin, Who, Cream… essas bandinhas de merda DE HOJE usam a mesma cozinha, a mesma merda reciclada. Não é à toa que se ouve mais Rolling Stones que nunca, mais… ah não, deixa! Um dia o Sting falou assing (com g no final mesmo, porque tudo que ele diz tem g no fim): “Lennon was nothing. Ringo was everything. Pay attention to the Beat”. Era tudo rubbish. Sting só fala bobagem, assim como eu. Mas o Police era o máximo! Não, não era não! Não era nada, comparado às bandas de antes! Música e Política. Alquimia e Religião (Carl Jung),  Pintura e Revolução (Barthes, que nada), podemos juntar as partes de um quebra-cabeça de um Guatary que nunca houve ou qualquer tratado surrealista de Breton: nada será como antes: A LUZ de OBAMA ! Estamos vendo o desempenho de um novo PRESIDENTE.

QUE LOUCURA ESSES PRIMEIROS CEM DIAS!!!! O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
Em resposta à declaração da véspera, de Raúl Castro, que se disse disposto a conversar sobre “tudo” com os EUA, ele afirmou: “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar. Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”



 

Sênior e júnior 

Não há mesmo! Somos todos juniors. Ou então, estamos mortos. Se não estamos ABERTOS  PARA MUDANÇAS, melhor nos considerarmos mortos.

Viva Obama, por ter a coragem de abrir novas fronteiras e quebrar paradigmas retóricos! Afinal, Cuba em si, nada significa além do nada. Quanto às bandas de rock, estamos ávidos – assim como em todas as outras artes – para termos um BARACK OBAMA DO ROCK!!!!!

 

Gerald Thomas 

 

 

Ps.: Quero agradecer imensamente aos mais de 800 comentários do post anterior!

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)          

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PORTUGAL DOMINA WASHINGTON!!!!

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New York- Até hoje os brasileiros comemoram, como se fosse algo palpável e não retórico, as três palavras de Obama sobre Lula, ou para Lula, que em português foi traduzido “esse é o cara!”. Provincianos como vocês são, estamparam isso na capa de TODOS os jornais. TODOS.  O endosso de Obama, portanto, passa a ser “a coisa”. Fico um pouco com pena de uma nação tão rica, tão linda, mas tão insegura, que ainda precisa de endossos, seja lá de quem for, mesmo que seja do mais lindo Obama. 

Já aqui, quando Obama esteve na França, logo após Londres (G20) e Sarkozy disse para ele “Je t’aime, man!”, com o “man” vindo da gíria pop, mas oriunda da slang negra americana, o presidente orelhudo francês foi o maior alvo de chacotas da imprensa americana. Bem, Obama não precisa mais de endosso retórico. Ele agora precisa derrubar os conservadores Republicanos no Congresso.

 

Brasileiro se impressiona muitíssimo com “palavras, palavras, palavras”, aquelas que Shakespeare colocou na boca de Hamlet. Hamlet, aquele que não ia para a ação por causa de tanta palavra. Às vezes me vejo amando o Brasil, mas o vejo numa situação hamletiana. Não indo nunca para a ação. CPIs que nunca dão em nada… Nada que nunca prova nada e tudo num estado de falso encantamento por si mesmo que é suprido por “palavras”. Bem, tudo bem. Monto minhas peças ou óperas aqui em NY ou pelo mundo e as palavras também me encantam, às vezes justamente pela negação que representam.

 

 

Bo, THE DOG

 

Mas imagino se Portugal agora está ou não numa situação de delírio nacional. Por quê? Afinal, BO, o cão da família real Obama, é português! Se os periódicos portugueses forem tão ufanistas quanto os brasileiros, imagino que na capa do O Publico ou do Expresso ou do Diário de Noticias deve estar estampado assim: “PORTUGAL REINA DENTRO DA CASA BRANCA”, ou mesmo “Lisboa toma conta de Washington”. Ou até “O IMPÉRIO PORTUGUÊS CONQUISTA E DERRUBA OS EUA COM UM MERO CÃOZINHO: ESTA É A FORÇA PORTUGUESA

 

Lula não falou nada no G20 de importância. Não entrou na reunião (de portas fechadas) daqueles que resolveram problemas. “Hey, you’re my man”, disse Obama a Lula, numa confraternizaçãozinha. Mas como Lula não sabe falar inglês, não houve nenhuma resposta. Uma possível resposta: “Yes, you’re my woman too!” Lindo. Lindinhos! Imagine que Obama deva ter dito coisas semelhantes ao presidente da Ucrânia, da Jeranonia, da Cracalonia e do Cerimonial. Em Elsinore, o Castelo dinamarquês onde Hamlet vive seu pesadelo, as palavras paralisam a ação! E nós, espectadores, somos paralisados pelas palavras dos protagonistas.

 

Lindo. No final, tudo é silêncio e todos aplaudem de boca aberta e queixo caído, queijo nas mãos, como se lideres políticos fossem heróis, mentirosos atores que são!

 

Os artistas também se elogiam uns aos outros. Caetano diz que Chico Buarque “é o Cara” (em outras palavras, claro).  Harold Pinter elogiava Beckett (de quem sugava tudo) e os pintores abstratos expressionistas da década de 50 se defendiam uns dos outros e não uns aos outros. Dessa forma, o mundo cria pequenos grupos, como G20, como o G220, como o G2220, ou como o Expresso 2222, que se auto-protegem ou auto Protógenes. Indignados com a estagnação ou com a auto-consciência do que está por vir (o mistério do envelhecimento), o Protógenes Sofoclógenes Platógenes criou um monstro Freudológenes que não aponta mais para o futuro e sim para o passado. Estamos em plena era da revisitação. Notaram? Estamos correndo atrás do tempo perdido, correndo dos erros dos bancos e do sistema. Qual sistema? Do imaginário das palavras. Estamos correndo atrás de uma depressão econômica.

 

Ah, menos em Portugal, onde o cão ainda é um puppy de seis meses, presente do Senador Ted Kennedy, e aquele país de velhos envelhecidos finalmente poderá levar seus poucos jovens para as ruas do Bairro Alto, ou de Alcântara ou de Alfama e berrar:  O MUNDO é LOSER, quer dizer, o MUNDO É LUSO!

 

 

 

Gerald Thomas, 15/Abril/2009

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

 

 

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PIRATAS DE UMA MENTE DE MANHATTAN

New York  – Acordo no meio da madrugada. Agora é assim. Não consigo dormir mais que 3 horas. Deve ser a quantidade de coisas pela frente. O senso de urgência ou cobrança me sufoca. Então, caminho pelo apartamento e olho o East River, alguns poucos barcos passando (serão os piratas de Manhattan?), pego um copo de Rice Milk na geladeira, coloco açaí desidratado dentro e como o meu “mix antioxidante” (só revelo minha fórmula sob suborno!), e fico putíssimo com a perda de tempo em ter visto um filme sobre Francis Bacon, ou que eu achava ser sobre o meu pintor preferido e… nada. Era sobre o chato do amante dele, o George. All about George. Muito chato. Bacon gostava de levar uma surra, um cigarro queimado na pele. Mas isso já sabíamos das entrevistas com o David Sylvester.

Será que as mulheres do Afeganistão também gostam de serem estupradas? Não, acho que não. Pois o parlamento de Kabul aprovou uma lei em que o marido pode currá-las (mesmo que não queiram) quatro ou mais vezes por semana. Um grande amigo no Rio me sugere Frank Zappa, o mestre dos mestres. Imagine se estivesse vivo: “OUTRAGEOUS! RAPE YOUR OWN WIVES!!!!”. Viraria mais uma estoriazinha contada por Gregory Pegory, aquele porquinho que vivia entre o sul do Texas e o norte do Peru. Ah, Zappa! Você não sabe o que está perdendo nessa era da cartelização! Nos tapeiam, estapeiam, nos contam mentiras ROXAS e nós aqui, veados, putos e vagabundos que somos,  defendemos os detritos, ou os ícones, que achamos que devemos defender.

Mantenho minha “Obama-memorabilia” visível de onde escrevo: daqui desse escritório, mesmo sendo meio da madrugada, dá pra ver os Tug Boats (rebocadores), flutuando levemente corrente acima (riverrun: Finnegan’s Wake) desse meu amado Thames de NY, o East River.

Aliás, o Bacon e David Sylvester são publicados pela Thames and Hudson. Sempre achei lindo esse nome para uma editora. Os dois rios das duas cidades que se amam e só não se casam por que… existe uma Los Angeles para atrapalhar!

Ando muito impaciente com a incompetência. Qual? Todas.

Ando tão impaciente como o Freeman Dyson! Esse, então… Não acredita em Aquecimento Global e ainda acredita que dióxido de carbono ajuda a qualquer tipo de planta crescer! O Dyson enfurece a comunidade científica, óbvio. Mas olhem suas credencias! É um dos “7 ases”, junto com Stephen Jay Gould, Steven Toulmin, Oliver Sacks e Rupert Sheldrake. Houve uma época em que eu não pensava em outra coisa senão nesses SEVEN ASSES, sorry, seven ases! Dyson é o mentor de Star Wars. Sim, aquilo que Lucas filmou. Oliver Sacks e Dyson são amigos e ambos ingleses morando aqui: casos de Thames e Hudson. Sacks defende Dyson dizendo que sua mente é extraordinariamente flexível, o que o torna muito mais que um mero “negador de mudanças climáticas”.

Calma. Deixa eu dar um gole no meu leite de arroz com baunilha e açaí. Ah… que loucura! Sinto-me como um desses piratas de sonos alheios. Insônia é uma coisa horrível. Pior ainda que jornalismo C passando por jornalismo A: 

““A indústria brasileira perdeu R$ 24,7 bilhões de riqueza nos últimos seis meses em razão da crise, segundo projeções do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O carro que deixou de ser montado, a máquina de lavar que não foi fabricada, o alto-forno da siderúrgica desligado, por exemplo, provocaram uma contração da ordem de 15% no ritmo de produção e um recuo no Produto Interno Bruto (PIB) industrial.

O baque sofrido pela indústria em seis meses foi tão grande que, mesmo com a recuperação esboçada no ritmo das fábricas em janeiro e fevereiro, economistas preveem que a produção industrial encolha entre 4% e 5% este ano na comparação com 2008.” 

Mas nem tudo está perdido! A Marinha americana resgatou ontem o capitão Richard Phillips, comandante de navio mercante mantido refém desde a última Quarta por piratas somalis em um barco salva-vidas, e matou três dos seus captores.  Eu tenho verdadeiros gozos ecumênicos quando vejo isso na CNN, especialmente depois de um filme ruim como aquele que “não era sobre o Bacon” (que pela overacting performance do Derek Jacoby também poderia se chamar Hamm ou Rack of Lamb: canastra!).

 

Um dos bandidos, que negociava o resgate a bordo do destróier USS Bainbridge no momento da ofensiva, foi preso. A libertação de Phillips, 53, mobilizou aparato de guerra e envolveu uma delicada negociação, acompanhada atentamente pela população dos EUA.

Só faltou o Johnny Depp nessa hora, para entrar com seu “Piratas no Caribe”. Pois estamos na era cartelizada e pirateada e quem ainda me vier com globalização vai ter que me mandar caixas e caixas de Leite de Arroz da WholeFoods (365 é a marca), sabor baunilha, já que dormir é impossível.

Visto como herói nacional, o capitão veterano mandou que os homens sob seu comando se trancassem em uma cabine e se ofereceu como refém, segundo relatos de tripulantes. A coragem de Phillips é um modelo para os americanos, afirmou o presidente Barack Obama, que autorizou o resgate. O cargueiro Maersk Alabama tinha acabado de passar pelo golfo do Áden, o chamado “beco dos piratas”, quando foi atacado.Os piratas somalis mantêm reféns cerca de 200 tripulantes de embarcações atacadas, a maioria cidadãos de países pobres, como Bangladesh, Paquistão e Filipinas.

Artistas são atacados por piratas o tempo todo. A indústria de Cds pirateada vindas da China e da Índia, Paraguai e México é inacreditável. A quantidade de fitas de filmes em camelôs que se pode comprar aqui em Union Square é simplesmente incrível.

Então, agora, ensaio alguns passos de volta para cozinha, ignoro os mais de mil e-mails pra responder, ignoro as dores no corpo e os poros de suor e lágrimas. Muitos se foram. Tantos jamais voltarão.

Nessa luta indomável pela vida, alguns índios náufragos pegaram um pedaço de gelo enorme, um iceberg, mas ele derreteu. E flutuando como uma canoa desgarrada, esse gelo já minguado atracou-se em Honduras. Mas isso é pra outro dia, outra coluna. Estou sendo pirata de mim mesmo porque me seqüestrei da cama, me trouxe aqui para o escritório e escrevi pros meus amigos do BLOG. Mas o que vocês não sabem é que atrás de mim tem três bandidos somalis com metrancas apontadas em minha direção,  falando algo que não entendo.

Vou dar mais umas horinhas e ligar pro Oliver Sacks.

 

Gerald Thomas, 13/Abril/2009

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Ps. do Vamp: A página nem sempre atualiza automaticamente, portanto: F5, “ATUALIZAR” ou “REFRESH”.  

 

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Michelle Obama, a nova "royalty" em Londres.

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As Duas Famílias Reais na mesma Inglaterra

G20 (à distância, de New York): Michelle Obama está se tornando uma espécie de replacement (linda, inteligentérrima e elegante que é) de Lady Diana. Ontem, em Londres, o que se viu foi uma família REAL cumprimentando a outra família REAL. E os tablóides que não cobriam a porradaria na “City” (Bank, etc), comparavam ela à Jackie Kennedy, ou à nova princesa, cuja morte em Paris até hoje é envolvida em mistério.

Confesso uma coisa: não, não confesso nada. Uma convenção enorme dessas não passa de um show. O que importa lá são os pequenos encontros. O “tete a tete”. O resto é a chamada “photo-opportunity”. Não muito diferente do teatro. São aquelas fotos que a gente tira ou que tiram da gente para publicidade: nada mais constrangedor do que foto posada. “A Po(u)sada das Fotos”. Poderia haver uma po(u)sada dessas. Ninguém iria alugar um quarto lá.

Aliás, o mau teatro tem vários quartos na “Po(u)sada das Fotos”. Político não é bom ator. Alguns foram bons e tinham assinatura: Churchill, por exemplo. Outros foram os maiores canastrões da História: Hitler, Stalin, Franco, Pol Pot, etc. Por acaso, canastrão mata, trucida, tortura e tem prazer em ver a morte lenta. O melhor político de todos: Chaplin.

O Presidente Obama, ainda ontem, pediu para que os líderes mundiais focassem numa solução (falando sobre o colapso financeiro), em vez de ficarem apontando dedos ou tentando culpar esse ou aquele (Bush, Reagan, Clinton ou seja lá quem for). “É o sistema em si que está podre, os bancos deveriam nos proteger”, dizia Brown. Ora, Gordonzinho! O sistema é TODO ele baseado em ESPECULAÇÃO, darling, haven’t they told you that? Proteger? Sério?  Investimento é para proteger ou para satisfazer a “ganância daqueles que JOGAM?”

Um dia antes da chegada de Obama, Brown dizia isso. Depois desembarcou Michelle Obama e o Reino Unido se calou, os queixos caíram e Brown (ainda atordoado com os olhos azuis de Lula) desconversou diante de Obama. É, o discurso era completamente outro. Quase um Rei Claudius diante de um Polonius. Já não sei mais quem está tentando abafar as mentirinhas de quem! “UM MERCADO CONSUMIDOR FAMINTO”, falava Obama, dizendo que provavelmente não se voltaria a isso tão cedo. Confesso que… Confesso que nada! Nada.

Na verdade o pau quebrou. O G20 ainda nem havia começado (ontem) e a “Obamatrona” já estava a mil por hora. Era encontro com presidente da China, Hu Jintao, e o da Rússia (estamos em plena guerra fria de novo, negociando ‘redução de armamentos nucleares com os russos’, ai que preguiça!). Ah, sim, claro: o fatídico encontro com a minha queridíssima (bored to death) Queen Elizabeth, a rainha em Buckingham Palace. Mais entrevista coletiva, e uma caralhada de… UFA! Mas quem trinfou mesmo foi a Michelle. Só se falava nela na cidade. Só dava Michelle Obama! VIVA!

E os “street fighting men” (uma adaptação coletiva da música dos Stones mais linda que existe) tentando ser contidos pela riot police no distrito financeiro (ha, ha, o William Burdett Coutts e uma filial do Royal Bank of Scotland aos pedaços!). Uma parte da cidade em pompa e circunstância e a outra às pedradas. Ah, a minha Londres que amo! Tudo começa num clima pacifista.Fantasias carnavalescas e tal, até que um, um único joga um sapato e PUM. Vem todos para cima e a coisa explode. Meio bêbados na melhor tradição do hooliganismo ou do punk rock, o pau quebra, o sangue rola, a pedra rola e estão todos stoned!

Vamos fazer um breve exercício de memória: parem por um segundo: foram os bancos e os especuladores que causaram essa porra desse meltdown em primeiro lugar. Foram empréstimos acima da conta, dinheiro de plástico, passos mais largos que as pernas podiam dar… usando, como instrumento colateral, um instrumento complexo como… ah, deixa isso para os colunistas econômicos! Eu sou mais econômico que eles!

Não tem que ter nada de G20, porra nenhuma! Esqueçam essa besteira. Daqui a pouco cresce para G43 ou G59. Não tem a menor graça. Os grandes especuladores estão certos: agora está na mãos de 2: USA e CHINA.

Então, gente fina: é G2 !

E o resto volta para casa em classe econômica e bebe suco de uva de canudinho.

Enquanto isso, amo ver a Michelle dando banhos de elegância por onde passa! LINDA! LINDA!

Bem, hoje é dia de palestra de Zé Celso e eu no TheaterLab (ler post abaixo, por favor)

M.E.R.D.A. para nós.

E G2 para o mundo, gente intrusa! Deixe o Obama conversando com o Hu Jintao. O resto poderia ir alugar quartos na “Pousada da Foto Posada”.

 

Gerald Thomas

 

 

(Vamp na edição)

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Lula, o Moreno de Olhos Negros, na TV Americana

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Lula no programa GPS, de Fareed Zakaria, da CNN.

 

 

New York – Todo mundo gosta de enfrentar um entrevistador elogioso. Nada de perguntas “sensíveis”, nada de controvérsias, nada de perguntas sobre a corrupção interna e os escândalos que vêm acompanhando seu mandato. Aqui o presidente Luis Inácio Lula da Silva foi entrevistado como o líder de uma nação “potente”, “o país do futuro”, etc.

 

Olha, até que fiquei impressionado. Fora algumas datas que ele errou (tudo bem), Lula falava em deus o tempo todo e disse ter dado muitos conselhos a Obama. Por que deus? Será que Lula se sente um iluminado? Um escolhido? Bem, o aspecto “proletário” dele foi um fato bastante explorado. Sim, o metalúrgico que subiu ao poder e tal…”Sim, eu conheço a pobreza. Na minha casa haviam inundações de um metro e meio. Flutuavam ratos e baratas quando isso acontecia então… sei muito bem o que é ser pobre!” – dizia um deslumbrado Lula a um deslumbrado Zakaria (que me parece ser paquistanês, não sei ao certo). Ambos deslumbrados, Lula completava: “às vezes me pergunto o que estou fazendo no meio desses líderes mundiais todos.” Os dois se olhavam deslumbrados. Acho que Zakaria também nunca imaginou que teria um programa na CNN.

 

Em nenhum minuto o presidente brasileiro foi questionado sobre a violência interna em seu país. Quando Musharaff foi entrevistado (já depois de deposto como presidente do Paquistão), as perguntas eram muito mais agressivas, óbvio. Era Al Qaeda pra lá, Al Qaeda pra cá, e como pequenos grupos seletos protegiam os terroristas em vilarejos na fronteira com o Afeganistão. E assim foi com outros líderes políticos que já deram seu depoimento a Zakaria.

 

Já na sua intro, o apresentador deixou muito claro: “aqui estará sentado um presidente de um país dos mais importantes e sobre o qual você sabe menos”.

 

Acho impressionante como Fareed Zakaria conseguiu apresentar o Lula como o líder mais “popular do mundo” (com 80 por cento de aprovação), sem entrar em detalhes de como esses dados são colhidos. Não se falou em voto obrigatório. Não se falou em mensalão e outros escândalos.

 

Acho de uma irresponsabilidade ÚNICA um canal como a CNN apresentar um presidente de um país como o Brasil sem que se mostre antes uma reportagem sobre a “realidade do país” que esse líder governa.

 

Lula falou muito nas alianças entre países de terceiro mundo, como Índia e China. Foi cauteloso quando falava na China, parecia não ter muitos dados. Falou com cautela também sobre Hugo Chavez e, aí sim, foi interrompido algumas vezes. Mas disse que a Venezuela é parceira econômica do Brasil, e que não se sentia livre para falar criticamente de seu companheiro, o ditador Hugo Chavez, e seus métodos nada ortodoxos de se manter no poder. Lula falou que “deve-se respeitar a cultura de cada país”. Bem, se formos seguir esse raciocínio, é melhor deixar o genocídio do Congo e em Darfur prosseguir, porque, afinal, deve ser algo tribal e, portanto, cultural. Enfim, sem comentários.

 

Bem… ao mesmo tempo, digo o seguinte: Lula não se saiu mal. Se todos os entrevistadores do mundo fossem tão “amáveis” quanto Fareed Zakaria (cuja única pergunta realmente sensível foi: “O senhor disse a Obama para levantar o embargo a Cuba?”), seria sempre fácil.

 

Primeiro Lula procurou desconversar. Depois se confundiu com as datas. Mas acertou que a revolução de Sierra Maestra foi em 59 e disse que não fazia nenhum sentido “manter um embargo quando na verdade o Obama foi eleito, em grande parte, por cubanos residentes aqui”. O que o Lula talvez não saiba é que esses cubanos residentes aqui são EXILADOS FORAGIDOS, pessoas que remaram, que nadaram, que quase foram comidas por tubarões para chegarem à costa da Flórida e que ODEIAM Fidel.

 

Mas se Zakaria não interrompe, do que adianta ficar desse lado da tela, ficar esperneando?

 

 

Ps.: A fala do presidente foi dublada para o Inglês por um intérprete com a voz idêntica a do Lula.

 

Gerald Thomas, 29/Março/2009.

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PS. do Vamp: Pessoal, é preciso sempre atualizar a página ( F5,”atualizar” ou “refresh”), pois a mesma nem sempre atualiza automaticamente.  

 

 

 

(Vamp na edição)

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UM VÍRUS CHAMADO “AIG”

 

 

New York – No Capitólio agora a pouco, nesta Quarta-feira, um Deputado fez uma piada quase aos prantos citando um velho e conhecido produto das prateleiras americanas: “I can’t believe it’s not butter” (não posso acreditar que não seja manteiga).Óbvio que se trata de uma margarina com um gosto praticamente igual à manteiga. Prosseguia o deputado: “Pelo menos eles têm a DECÊNCIA de dizer que não se trata de manteiga. Por que a AIG também não nos informou algo como “I can’t believe it’s not insurance?”

Todo mundo riu. Mas depois do discurso inflamado do já inflamadíssimo Barney Frank, as coisas por aqui não terminam em pizza, não. A AIG é o gigante das seguradoras.  Ela assegura as outras seguradoras. Ela assegura os grandes filmes de Hollywood, as plataformas de petróleo, enfim, coisas enorrrmes.

Mas se qualquer uma dessas empresas fosse à falência, a AIG não teria como pagar, porque essa enorme máquina está falida. Mas mesmo falida, estava sendo subsidiada pelo “bailout” do governo. E como se isso não bastasse, seus chefões estavam se dando “bônus” na ordem de milhões de dólares. Milhões! E de quem é esse dinheiro? Nosso. Do contribuinte. Está todo mundo puto. E serão obrigados a devolver. No momento em que escrevo, o Presidente Obama está na televisão em rede nacional falando justamente sobre a AIG. Pronto: a bomba (mais uma) estourou: Wall Street está em coma. Mesmo com o Dow Jones em alta nos últimos dias, esse fenômeno dos CEO’s se beneficiando sem qualquer tipo de moral ou julgamento… bem esses dias acabaram. A festa acabou, rapazes. Os good guys de ontem são os vilões de hoje.  Nada que ficções ou filmes como “Wall Street” ou “Money”, ou editoriais já não vem dizendo há anos.

Sim, a recessão vai durar um ano. Tem previsão para isso. E depois disso nasce a Phoenix das cinzas. Como? O que digo? Utopia? É mais ou menos assim. Matou a família e foi ao cinema. Ninguém tem qualquer senso de História.

Exemplo: tenho aqui na minha cozinha um jarro de Maple Syrup, um sorbet de Blueberry e vários itens (como manteiga de amendoim orgânica). Mas se eu perguntar a qualquer mortal qual a origem real desses produtos, o que vou receber em retorno? Se eu perguntar ao vizinho o que significa o “SEC”, ou o “FDA”, realmente, vou receber um berro mudo, uma boca aberta. Ninguém sabe nada. São muitas siglas. Ninguém é perfeito. E por isso mesmo, os CEO’s nadam e rolam, porque “They can’t believe it’s not butter” e nós não podemos acreditar no que eles fazem. Mas que fazem, fazem! E agora… ha, ha, vão PAGAR CARO!

 

 

Gerald Thomas, 18/Março/2009

 

PS.: Se esse post não serviu para nada, considerem o seguinte: eu os apresentei a Barney Frank.  Quem é ele? É o primeiro “abertamente gay” deputado e presidente do Comitê de Finanças do Congresso.

Ah, e além disso, a AIG é a seguradora das seguradoras. Chega a ser uma piada metalingüística mesmo.  Disse alguém no meu ouvido: “é como se fosse um banco que não é um banco, ou um ônibus que não é um ônibus”. Ou seja, a AIG, cujo prédio eu vejo todas as vezes em que vou comer ostras no South Street Seaport, é um monstro de Loch Ness. Não existe!!!

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Bastardos: O Brasil Virou o Paraíso da Bandidagem Judicial

O triste caso dos BASTARDOS

(Continuação do texto de ontem sobre a pena de morte – que por sua vez era a continuação do texto sobre o casamento de Gisele Bündchen: vejam a que ponto nós chegamos!!!)

Ou: “O guia de Deus ou do Diabo?” (Não, esse é o título do livro de Walter Greulach, um genial escritor Argentino (seguindo a tradição de geniais escritores argentinos).

New York– Mas, sim. Quem nos guia? Deus ou o diabo? Ou passou mesmo a onda e o maniqueísmo morreu com a dialética. Nada! Queremos ver UMA COISA somente! Não agüentamos a dúvida. Não agüentamos as meias verdades, apesar de vivermos nelas e criarmos um mar de mentiras ao nosso redor.

E  se perseguimos a “versão única”, por que ouvimos os dois, três, quatro lados da mesma estória? É um desespero. É por isso que nos desesperamos e é por isso que brigamos. Por que será que nada pode ser contado assim como é?

Mas como é?

Porque Pirandello não deixa ser. Porque… Kafka não quis que fosse. Porque Bob Fosse. Ah, o Bob Fosse! Porque Orwell instalou um olho (não da “Historia do Olho” de ontem, mas esse que, quem assiste ao Big Brother e pronuncia esse nome nem sabe quem foi George Orwell: bastardos!

Sento aqui e vejo os barcos passarem no East River e penso no que vi ontem no “Larry King Live”, assim como vejo há 25 anos no “Larry King Live”. Só que ontem, algo inusitado:

O triste caso de David Goldman e Bruna Bianchi (ele americano, ela brasileira).

Eu estava fazendo hora para mudar de canal (pra NBC, para ver um novo episódio de “Law & Order”) pois já não agüentava mais ouvir falar nesse idiota do Rush Limbaugh (mais sobre ele abaixo), quando o Larry apresentou um caso tristíssimo envolvendo a (in)justiça brasileira: uma criança ‘raptada’ pela mãe (agora estranhamente morta durante o segundo parto no Rio).

Ihhh, é complicado!

Começa assim: David e Bruna eram casados aqui e moravam aqui em New Jersey, pelo que me parece, com o filho de 4 anos. Um belo dia, como é normal, os pais dela vieram visitar. Ela resolve passar férias no Brasil. Ele, o David, iria buscá-la e o filho, no final das férias, e voltariam para cá.

Mas a vida não é assim. Deus ou o diabo ou os grandes autores não querem que seja!  David recebe um telefonema. Ela diz que quer se separar. Ela já tem outro cara. Outro cara aí no Brasil. Um advogado (ihhhh!). O cara aqui fica bastante desesperado por causa do filho, óbvio.

Tenta contato. Cada vez mais o contato fica restrito.  Até que vem a BOMBA: Ela já está grávida do outro.

Ela vai parir. Ela MORRE durante o segundo parto, no Rio. E o filho do David? Bem, depois de oito viagens e tentativas, nada. Oito tentativas: como num conto de Kafka, ” O Processo” ou “Castelo”, cara na porta ou QUILOS de documentos e carimbos e selos e 350 mil dólares gastos em NADA! Sorrisos e tapinhas nas costas e mais nada. Conheço bem. Sei como é isso.

MESMO ele sendo o pai BIOLÓGICO, a (in)justiça brasileira deu custódia ao OUTRO. Digo, ao padrasto que, agora nada tem a ver com o filho do David, uma vez que a mãe biológica está morta. Bem, aí, numa certa altura do programa, aparece um brasileiro sinistro falando de Seattle. Sim, é o irmão do OUTRO!  Difama o David. Tentativa de difamação de caráter dizendo que ele não pagava pensão alimentar: ÓBVIO que NÃO: pagar pros SEQÜESTRADORES DO SEU PRÓPRIO FILHO SERIA JUNTAR KAFKA A ORWELL e ainda colocar uma pitada de Pirandello no meio!

Juro que é triste ver o Brasil sempre envolvido em confusões assim, em misérias ou porcarias ilegais desse jeito. Acabamos de ver a tal Paula na Suíça e a não extradição do italiano mafioso… e agora esse caso (que já se arrasta há anos) e… se fôssemos investigar a fundo o sistema jurídico brasileiro, teríamos que chamar o TOM WOLFE para acender a “Fogueira das Vaidades”.

O Brasil virou o paraíso fiscal da Bandidagem Judicial?

Ainda bem que vocês não têm aí uma figura NOJENTA chamada Rush Limbaugh: um porco humano, que se comporta e respira como um suíno (ex-viciado em Oxy-Contin) que o David Letterman chamou de mafioso russo, pois de tão inchado e grosso, suas gravatas pretas lhe soltam do corpo, o suor pula da testa. Mas quem é? Nada mais que um IRADO  radio talk show host tão, tão, tão, tão à direita da direita dos republicanos que ele chegava a ser contra o John McCain!!!! Agora diz que quer que o Obama FALHE! Essa frase poderia ser enquadrada como ato de traição, se não levássemos essa caricatura de imbecil na brincadeira. O redneck (de tão obeso, não dá nem pra ver se tem nuca ou não)… é o suíno que fala. Mas por que mencionei Rush Limbaugh? Ah, porque estava entalado na minha garganta e pronto! Certos assuntos têm que ser vomitados senão viram câncer. Limbaugh é um deles.

 

“New York – New York”, um belo livro por Denny Yang: 

Quando criança, eu havia visto, ou lido, alguma coisa sobre a guerra. Eu achava que nunca viveria o bastante, ou que ninguém mais iria presenciar um momento de guerra...” (…) “Talvez fosse assim que ela me visse, como um mero amigo, que saiamos juntos para nos divertir como fazíamos no passado.

Denny Yang é um brasileiro que mora em Taiwan. Seu livro maravilhoso (que estou há tempos para resenhar) se chama “New York, New York”. Não fica claro se o autor já esteve aqui em NY, ou não. Mas isso não importa. O que importa é uma imagem utópica dessa cidade. Tão utópica quanto esse OVNI que vocês vêem no topo da página que vem a ser um detalhe art deco (telhado do hotel Delano em Miami). No livro NY é um lugar onde “férias prolongadas” se iguala com o paraíso perdido ou com um lugar montanhoso. “Que raios de liberdade seria esse que eu não pudesse, se eu quisesse viver nas minhas montanhas?” O livro desinibe o inibido autor e passa a ser um berro de guerra contra o mundo, uma prisão. O livro é ficção. Mas toda ficção está nas entranhas do seu autor. 

Não muito distante da realidade da vida de David Goldman, Denny vive um exílio auto-imposto na ilhota chinesa.

Continua Yang: Não sei. O cara vinha aqui sempre, ficava aqui no bar, sentado sem beber nada… só olhando quieto”. 

Em sua dedicatória para mim ele escreve: Para GT, um americano-brasileiro, que deve compreender este livro de um escritor brasileiro-taiwanês. Um abraçoDYang

Sim, entendi e amei. O blog dele está linkado  a esse.  Mas amar um livro deve querer dizer entendê-lo ou ter algum nível de compreensão do que está se passando com o autor ou personagem (assim como numa sinfonia de Beethoven ou numa peça de Cage ou num quadro de Jackson Pollock, o estado emocional é o termômetro e basta).

Arte não se entende, mas se percebe e se intui. Às vezes caímos na burrice de construir castelos teóricos sobre essa intuição como Clement Greenberg o fez na década de 50. Mas, graças a deus, logo chegou um Warhol e fez piada de tudo isso, assim como o Duchamp havia feito piada de tudo décadas antes! 

Estou num estado de raiva e de “justiçamento” que não tem explicação. Deve ser a idade. Ou a menopausa. Sim, devo estar passando pela menopausa. Nem mais um minuto a perder. Viro-me, me mexo, pulo para várias áreas de Manhattan (várias fechando por causa da recessão), mas tenho me concentrado em reconhecer talentos. Os verdadeiros talentos: os escritos que me caem aqui nessa enorme mesa de metal.

Danny Yang, Walter Greulach, Judith Malina sobre Erwin Piscator, uma pilha de novos scripts e Hard Shoulder prosseguindo com o cenário sendo feito na Polônia.

Estranho?

Por que seria?

 

Justiça Brasileira: RETORNEM o FILHO de David GOLDMAN para ele JÁ! Ou o Tribunal de Haia (tratado que vocês assinaram em 2003) passará a ver o Brasil como infrator! Mais uma vez. O Brasil como país de gangsters: Sinatra com um ticket na mão “hey babe… let’s flee and fly to Rio”.

Brasil: um paraíso Limbaugh da Bandidagem Judicial. Ronald Biggs deu um belo exemplo, não?

 

Gerald Thomas, 05/Março/2009 

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(Vamp na edição)

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Pena de Vida ou de Morte?

         

New York – Com o post abaixo, o sobre o casamento da Gisele Bundchen com o Tom Brady (colocado no ar num domingo – dia considerado péssimo pelos redatores dos portais), fiquei surpreso com o número de acessos: ficou nas dezenas de milhares. Já escrevi sobre outras celebs (até mais importantes, ou mais populares) e nunca houve uma enxurrada assim. Mas esse fenômeno de ontem e anteontem me despertou uma curiosidade: o extremo vazio em que vivemos e como o preenchemos com ‘outras coisas’. E quais?

Bem, antes de mais nada, por favor, dêem um pulo no novo www.geraldthomas.com (sessão vídeos e “press”). Depois, mais embaixo, explico.

Foi justamente pelo preenchimento do vazio que escrevi a tal matéria sobre Gisele.

Eu dizia mesmo que nada tínhamos que invadir o casamento de Gisele (ou de ninguém). Mas ela nos convidou, pessoa pública que era e – já que havia combinado com as revistas que a cerimônia seria mais uma “photo opportunity” (eu sei bem o que é isso) – não me senti tão invasivo assim. Bem, quem quiser leia a matéria abaixo.

O que mais me interessou foi justamente aquilo que foi “tomando conta do vazio”. Não tendo mais o que comentar sobre o casamento, os amigos do blog mudaram radicalmente de assunto e logo, logo, logo estávamos discutindo a PENA DE MORTE (ou de VIDA).

Ainda escrevo numa noite de Terça-feira, um dia extremante GELADO em NY, coberto da neve de ontem, enquanto sou lido – na maioria por vocês aí, reclamando dos dias mais quentes. Ontem, o DOW Jones caiu tanto, mas tanto, como não havia caído desde 1997. Mais uma notícia alarmante para o Obama herdar de seu criminoso antecessor. Ah, mas como contraponto (e como em qualquer recessão), as pessoas querem diversão, divertimento. Os cinemas estão LOTADOS! NUNCA estiveram tão lotados. Os filmes? Umas merdas. Mas – ao invés de fazerem turismo interno e gastar uma grana – o casal vai ao cinema, compra aquele BALDE de pop corn com manteiga derretida (óleo de canola) e Coca-cola gigante e ainda paga a Baby Sitter. E dá-lhe comédia. E dá-lhe casamento de Gisele em coluna de…

Constatou-se que 15 por cento da população americana, hoje, oficialmente, é hispânica. Legal e ilegalmente, 15 por cento no habla sequer lo inglês. Eu estava discutindo isso com um brilhante intelectual, um autor argentino que mora em Miami de nome Walter. Acaba de publicar um livro que irei resenhar junto com o livro do Denny Yang, “New York – New York” (um brasileiro de origem chinesa que mora em Taiwan e cujo blog está linkado aqui). O Livro do Walter se chama “O guia de deus?” Ou do diabo?

Bem, a questão é punição. Pena capital. “Não é o que vocês estão pensando. Sim, é o que vocês estão pensando…”. É pena de morte, mesmo, que ainda divide essse país mais que a falha de St. Andréas Fault, que divide a Califórnia e que pode demolir  aquele Estado na escala Richter mais que sua economia ou mais que seu demolidor Governador Arnie, de Graz, Áustria.

Ah, sim: pena capital. Pena de morte. É o assunto do dia. Se pegarmos trechos da mais importante literatura (romance ou drama) da história (seja Shakespeare, Goethe (os Gregos) dando um enorme pulo até, digamos, Georges Bataille (a História do Olho), teríamos um bom exemplo de:

“Simone andava por aí nua debaixo de uma roupa branca, insinuando que ela vestia um cinto ou meia vermelha que, em certas posições revelavam sua boceta….Sentou na cara do padre, e depois de mijar nele e ordenar que (….) o enforcasse até que tivesse um forte orgasmo, (….) pegou uma faca e arrancou o olho do padre. Com o olho do padre na mão, Simone então o esfregou em sua boceta…)”

(pequeno trecho de Georges Bataille em “A História do Olho”)

Muitas obras de arte sugerem a morte: são sugestivas nesse sentido. Eu disse “término de vida”. Sim, disse. Desde as obras expostas no Uffici em Firenze (Renascentismo – onde o homem encontra Deus, e portanto sua mortalidade) até a escola Flaminga – Rembrant que disseca cadáveres ou Bosch que zomba da nossa natureza humana e nos transforma no Paraíso Infernal, Milton – Dantesqueano.

Enfim, ao que parte dos amigos do Blog acham sobre a pena de Morte:

 

Jose Pacheco Filho

“Vou sair completamente do assunto.Para e infelizmente de dar noticia de algo abominável e estúpido ocorrido na Bahia. Aqui no nosso Brasil.A ocorrência foi há mais de três meses. Porem só ontem foi amplamente divulgado.Assisti ela televisão.Antes não tivesse visto.A revolta e grande.Contarei a meu modo. Vou procurar me ater ao que assisti e ouvi.

Um casal ele da Nova Zelândia e ela brasileira estiveram em Trancoso (praia famosa do sul do estado) em período de descanso e lazer. Não poderiam imaginar o que os aguardava.E a filha do casal que com eles veio.Uma linda menina de um pouco mais de três anos. Pelas fotos parece um anjinho.Gerald, a mãe notou a falta da filha quando terminou de lavar peças de roupas. Estavam em condomínio fechado.Desses que alugam bangalôs a preços de palácios.Saíram todos em busca e ajudados pelo zelador encontraram a menina jogada entre arbustos e afogada.Não vamos nem nos ater por enquanto no tremendo golpe do já relatado. tem mais desgraça pra frente.Na demorada espera do IML o pai notou que o anus da filha apresentavam sinais de violação.Ai começou um verdadeiro drama para a família conseguir ser ouvida. Nem o delegado local se interessou pele investigação após as denuncias da mãe ( brasileira repito ).Direto no assunto, após interferências inclusive da Interpol e da Policia Federal em conjunto já se sabe que o FDP do zelador foi o assassino violentador.Apertado ele acabou confessando. O miserável também tem uma filha de igual idade da que escolheu como vitima.Confessou na maior frieza.Uma delegada que o interrogou perguntou para ele o que ele mesmo faria se tivessem estrupido e matado a filha que ele tem.O desgraçado respondeu que mataria o culpado.

Não vou escrever mais nada. Não e minha intenção mas acredito que já estraguei o teu dia.Faça as conjecturas que desejares. As minhas eu já fiz.Infelizmente são impublicáveis.Mas no finalzinho eu peço a Deus que nos perdoe a todos. Todos os seres humanos.Entendam com quiserem.

Muito obrigado.

Pacheco.”

 

Peter Punk

Tava falando que que sou contra a pena de morte. Ela torna muito vivo o que pretende exterminar quando eh aplicada. Acho estranho a América( hiper civilizado em tantos aspectos) aplica-la em varias partes. E tbm acho estranhíssimo este culto ao rifle. Eh o culto ao pau de maneira sinistra.A justça tem que funcionar prendendo que tem que. Recuperandoquem tem que.A vida ja contém a pena de morte.E como diz o pedro luís: “Sou a favor da pena de vida/ quem vacilou não pode pular fora.”

 

Aninomyous

Algo mais sobre Boderlines…há diversos casos relatados de gente ‘boder’ ou ‘fronteiriça’, o tal do Champinha que sequestrou um casal, mataram o rapaz e manteve a menina uma semana consigo sob violência, apresentando ela como namorada (e ela em choque não reagia), até que ele foi chamado à delegacia ou algo assim e saiu de lá direto pra onde estava sua vítima e a ‘abriu’ no meio com um facão…terror ao nível de ‘o massacre da serra eletrica ou jason’…os Boderlines e sociopatas são geralmente esse tipo de covardes, mas vou colocar aqui algo sobre os boderlines, porque acho ter algo a ver com a ‘cultura da inversão de valores’ gerando essas monstruosidades:

2) Há alguma relação entre a cultura atual e o “comportamento borderline”?
Os psicopatologistas, desde Pinel, depararam-se com um inédito fenômeno: a violência cega, abrupta, desconcertante em pacientes que não apresentavam um quadro psicótico tradicional. Para aqueles alienistas não era novidade presenciar manifestações de fúria assassina em indivíduos considerados loucos. Mas como compreender tais manifestações em pessoas que mantinham preservadas suas funções de consciência e não apresentavam um dos principais sintomas da loucura, a desagregação progressiva da função de pensamento?
Wilhelm Reich percebeu com clareza essa situação e descreveu-a em seu brilhante estudo sobre os “caráteres impulsivos”. Esses indivíduos com altíssimo grau de impulsividade, descritos na década de 1920, não eram exatamente idênticos aos pacientes que hoje denominamos como “borderlines”, mas Reich observou, naquelas pessoas, vários fenômenos que encontramos atualmente em nossos consultórios. Naquele grupo de pacientes “as exigências impulsivas eram preponderantemente difusas, não eram dirigidas a objetos específicos e não estavam ligadas a situações determinadas”.
Pinel, Reich e vários outros estudiosos ensinam-nos, portanto, que o nascimento do conceito de “fronteiriço” é indissociável da percepção de uma específica violência. Essa violência é muito singular e deve ser diferenciada do sadismo neurótico, do surto psicótico furioso e da raiva em sua expressão bioenergética. Sem essa diferenciação, a estrutura psicopatológica “fronteiriço” perde o sentido.
Por outro lado, o conceito de “fronteiriço” está diretamente ligado à “crise de valores” ou “crise ética” do século XX, e à simultânea pressão do contato profundo. A teoria reichiana ensina que uma das principais funções do encouraçamento humano é, justamente, impedir o contato profundo.
Em minha opinião, o funcionamento fronteiriço está enraizado, em grande parte, nesse contexto, ou seja: entre o incremento da pressão do contato profundo (um verdadeiro “pico” de pressão) e as dificuldades da couraça caractero-muscular de suportar esse “tranco”.
A “crise de valores” já era pressentida, no final do século XIX, por algumas pessoas mais “antenadas”, como, por exemplo, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o pintor Vassili Kandinsky. No livro O Espiritual na Arte Kandinsky falá-nos com muita clareza daquele “espírito da época” que, nas primeiras décadas do século XX, encontra expressão em vários movimentos artísticos (e, sem dúvida, na vida quotidiana…), balançando e questionando radicalmente os rígidos padrões morais-caracteriais: “Batalha dos sons, equilíbrio perdido, princípios que desmoronam, rufar de tambores inesperados, grandes perguntas, buscas aparentemente despropositadas, impulsos aparentemente dilacerados e nostalgia, cadeias e ligações rompidas, várias reagrupando-se em uma só, contrastes e contradições — eis nossa harmonia”. [O filme “La Dolce Vita”, magistralmente dirigido por Fellini, é um ótimo material para se analisar a passagem do funcionamento neurótico (linear/caracterial) para o funcionamento fronteiriço (impulsividade + depressividade + não-linearidade + vazio de contato)].
Fenomenologicamente pode-se dizer que o funcionamento borderline apresenta um conjunto de características indissociáveis: a específica violência cega à que me referi acima, a pressão do contato profundo, a patologia do vazio, a terrível exigência consigo mesmo e as dificuldades do encouraçamento caractero-muscular em lidar com essa situação.”

Juliano

“Interesse o debate sobre a pena de morte, fiquei surpreso com a posição do Gerald. No Brasil o direito a vida é clausula petrea, portanto, esqueçam pena de morte. No mais nosso sistema judicial é cheio de falhas, muitos inocentes poderiam morrer. Posso asssegurar a vocês que estupradores sofrem bastante na cadeia e muitos são mortos pelos próprios presos. Pena de morte não resolve nada, não podemos nos igualar a esses animais, a lei de Talião, “olho por olho, dente por dente”. Prisões brasileiras são masmorras medievais, ali o cara sofre muito, sem saneamento basico, micoses, doenças dos pulmões, aids, dezenas de presos numa pequena cela. Não tem esse papo do cara com vida boa na prisão, comendo bem e tal. E diferentemente do que fala a midia as penas são durissimas e ajustiça condena muito. Passar 10,20, 30 anos numa prisão braisleira é pior que pena de morte.”

 

Sandra

“Sobre a diferença entre punição e vingança. Interpretei-o da seguinte forma: a pena deve ser apenas a necessária garantir que o criminoso não provoque mais danos. Por esse critério, se pudéssemos garantir que o criminoso não irá cometer o crime novamente, nem para a prisão ele precisaria ir. Esse monstro sobre o qual o Pacheco falou, Mengele, … poderiam ficar livres. Mas… calma lá! Alguém que matou crianças, com requintes de crueldade, ignorando seus gritos de dor, suas súplicas, sua expressão horrorizada,… não fará isso de novo? Só se não puder. Uma pessoa assim é IRRECUPERÁVEL. Então, prisão perpétua para esses monstros. E uma prisão que garanta sua integridade física, a mesma que ele negou a suas vítimas.Mas, honestamente, vocês acham que a morte é uma pena mais dura que a prisão perpétua? Acho que, por impulso, numa briga de trânsito, por exemplo, até uma pessoa muito calma poderia matar. Mas, passados alguns minutos, iria pensar: Meu Deus, o que fiz? E o remorso iria pensar.Mas… estupro… isso é coisa de canalha. Gerald, o que está errado é dar condicional, redução de pena, etc, etc, para esses monstros. No Brasil, achamos que a prioridade é a recuperação do preso, e que TODO ser humano é recuperável. A prioridade deveria ser as vítimas e nem todo o ser humano é recuperável. “

Targino Silva

“A justiça brasileira, com Juizes da Suprema Corte, nomeadospor políticos, não tem condições de decidirem sobre pena demorte. Será um holocausto dos pobres.A pena de morte se faz necessária nesses casos.O grande problema é que a pena não pode ser revertida ea justiça é feita por homens que erram.Como a duvida beneficia o réu, é melhor não ter.Do outro lado a leis brasileiras são muito brandas,de uma certa forma, incentiva o crime.”

 

Por enquanto é isso. O post ficou enorme. Mas não maior que a Vida ou a Morte, ou Deus e O Diabo que o Walter (….) o genial autor argentino de Miami, propõe em seu livro ou naquela vida frágil em que Emile Zola, Dostoyevski, Nietzsche ou Tolstoy tanto batem, batem, nos machucam e relembram que estamos vivos ou, quem sabe, somente fingindo estar vivos (eu não poderia terminar sem uma citação de Beckett: resisti até o fim!)

 

Gerald Thomas

New York – 03/Março/2009

 

 

(Vamp na edição)

 

 

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Obama e o Carnaval Brasileiro

 

Miami — Enquanto os brasileiros estão pulando seus últimos momentos de Carnaval e fazendo réplicas de Teatro Municipal na Marquês de Sapucaí (seria interessante, também, ver um contraponto: a Marquês de Sapucaí dentro do Municipal – e por sua vez, com uma réplica do próprio Municipal – criando um labirinto de Escher, infinito e ensurdecedor), os Estados Unidos da América estão no TRABALHO!

  
O Presidente Barack Obama falou ao membros do Congresso e Senado e Convidados especiais. Não era exatamente uma State of The Union Address apesar de ter a cara do State of the Union Address. Foi, certamente, o mais EMOCIONANTE discurso de qualquer presidente EVER que já vi ou já ouvi nesses 54 anos em que habito esse planeta.

 

Barack Obama fala normalmente. Não se trata de oratória. Não tem aquele canto, aquela projeção desnecessária que político adota uma vez que se percebe político (assim como ator que se percebe ator!).

 

Enquanto o País em crise permanente (o Brasil) festejava mais um longo e badalado feriado, Obama e os EUA foram à luta. O Brasil pré-Medeia, ou quase Hamlet, só fica na terra do “quase”. Aqui é o seguinte:

 

Desde que assumiu a liderança no dia 20 de janeiro, Obama vem lutando pra passar suas idéias. E não são poucas.

 

Hoje ele as delineou por 52 minutos na frente de seus inimigos republicanos e amigos democratas. E, ao contrário dos eternos panos quentes brasileiros onde NUNCA HÁ CRISE, aqui o Presidente é justamente o PRIMEIRO a dizer que estamos na PIOR recessão desde a Grande Depressão (1929). Mais ou menos como colocar a réplica do Teatro Municipal dentro do Teatro Municipal e assim por diante!

 

“Nós nos reconstruiremos, nos recuperaremos e os Estados Unidos irão emergir mais forte que antes”, dizia Obama, de pé, diante de Nancy Pelosi e seu vice Joe Biden. “Ninguém mexe com o Joe” (nobody messes with Joe!), citando uma frase de Mean Streets de Martin Scorcese. Temos um presidente culto, educado. Santo Deus, que diferença!

 

Até os republicanos apertaram sua mão quando fez sua entrada triunfal! E como foi triunfal! Pois é, que loucura!

 

Os jornais de amanhã trarão detalhes explícitos sobre o discurso. Não estou aqui para isso. Mas me impressiono, SIM, e me emociono, SIM, com alguém que tem a coragem e tem princípios de admitir os erros do passado sem (necessariamente) ter que perseguir aqueles que cometeram esses erros.

 

A América está caindo para trás da China e da Alemanha, do Japão e outras nações em termos de produção de energia limpa.

 

Será que ele esqueceu do Carnaval Brasileiro? Não se produz energia limpa no carnaval brasileiro? Afinal, são 6 dias sem se produzir porra nenhuma. E produzir porra nenhuma é… no mínimo, limpo. Não é?

 

Ah, claro. Tem esse bostinha do Bobby Jindal, de Louisiana, que os republicanos inventaram agora. Sarah Palin não deu certo, fez o partido de idiota total, então agora o GOP pegou uma pessoa de “pele escura”. Não são curiosos esses republicanos? Pois ele se pronunciou logo após o ovacionado Obama. Não tem importância. Já eram 11 da noite na Costa Leste. Ninguém ouviu, nem eu.

 

Claro, Obama tomou conhecimento do descontentamento do público sobre o bailout (salvamento) para os bancos, para indústria automobilística, etc.. Mas anunciou um FIM, num tom quase ditatorial que – com dinheiro PÚBLICO do contribuinte –  os CEO’s desses bancos estariam com suas fichas transparentes de agora em diante e SEM JATINHOS PARTICULARES. FIM. FIM DE UMA ERA.

 

FIM DE PARTIDA.

 

Ah, sim, e em falar em fim de partida (já que ele foi o único senador a votar CONTRA a invasão do Iraque), hoje, mais uma vez, ele colocou seu plano de SAÍDA das tropas de lá. Não disse quando. E isso me preocupa cada vez mais. Pois parece cada vez mais longe.

 

Ah, claro. Falou que NOS ESTADOS UNIDOS NÃO SE TORTURA MAIS! (ovacionado até pelos militares presentes – e não eram poucos!). Referia-se ao fechamento da base de Guantánamo!

Ou seja: admitiu hoje, como em outras vezes, que JÁ SE USOU O MÉTODO DE TORTURA!

 

“Foi em momentos de crise profunda que esse País se ergueu. Na Guerra Civil  nos colocamos nos trilhos. Na Depressão dos anos 30 construímos nossas autoestradas, foi numa crise que colocamos o homem na Lua! Não temos mais o DIRETO de ver a garotada cair fora das escolas porque cair fora das escolas significa cair fora dos Estados Unidos (Quitting América).”

 


Forte este último parágrafo para alguém que caiu fora da escola e aprendeu tudo sentado na vida ou numa biblioteca ou nos palcos de teatro… foi um pouco ditatorial, mas sei do que ele está falando. Ele fala (indiretamente) do nível baixíssimo do sistema educacional em que se chegou aqui. Fala (indiretamente) do outsourcing, da exportação da força de trabalho, do fato de que os USA inventaram a energia solar,  mas quem fabrica a pilha é a Coréia do Sul ou a China e isso é enfurecedor!!!!! E ele fala também, assim como nenhum líder brasileiro tem CULHÃO de falar, porque o povo brasileiro não tem CULTURA pra ouvir que a ERA FORJADA da GUERRA FRIA acabou: “Nao usamos mais armas da época da guerra fria. Então, fim! Fim disso”.

 

Ovação

 

Assim, dessa mesma maneira, ele foi ovacionado quando respirou, olhou um por um nos olhos e disse: “olha aqui… podemos divergir em vários pontos. Afinal, política é isso. Mas eu tenho a certeza absoluta de uma coisa: somos todos cidadãos americanos nessa sala. Todos amamos esse país. Todos queremos que a América seja um sucesso”.

 

Gerald Thomas

 

 

 ( O Vampiro de Curitiba na edição)

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Toalhas Imundas de Miami

Heath Ledger e Evian

Miami e Florida Keys

– Confesso: Eu tenho problemas quando saio de NY ou Londres. Quando ainda estou no primeiro mundo mas vejo todos de shortinho e sandalhas havaianas… algo está errado. No entanto, sempre volto pra cá. Fazer o quê? Bem, o fato de darem todos os prêmios para um ator (coadjuvante) recém morto é bem indicativo de uma cultura desesperada. Sim, desesperada.

Os “Academy Awards” estão passando agora na ABC, mas não estou vendo. Geralmente vejo. Geralmente me divirto. Mas, sinceramente, visto desse ponto de vista estratégico da terra de Juan, Jose, Hidalgo essa América Latina toda misturada a essa Tel Aviv se casando na praia (sempre na praia) – e trabalhando ao mesmo preço que a meninada do Slumdog Millionaire – as coisas não me interessam mais.

Sei que vocês estão apressados. Para vocês aí no Brasil já é praticamente Segunda-feira de Carnaval. Eu só penso na ‘minha’ Mangueira. Espero que ela ganhe, mas nem os jornais brasileiros online tenho lido.

Fato curioso: tendo conversado com alguns ultraconservadores Republicanos que votaram naquele velhinho de 71 anos oponente do Obama (cujo nome nem me lembro mais) sobre os primeiros 30 dias do nosso novo presidente no poder, todos eles se mostravam extremamente entusiasmados.

Estranho, né? Já que estou num Estado conhecido por ser tradicionalmente Republicano e refúgio conhecido de Cubanos no exílio, etc…

Mas mais estranho ainda são os franceses que inundam a cidade e pedem Evian ou Perrier. Ou os Italianos que pedem San Pellegrino ou Panna. Ou os Japoneses que vão comer sushi com Sapporo no Delanos. Ou todas essas nacionalidades que vão no Joe’s Crab Córner e ignoram a tradição do lugar (Stone Crab) e pedem um bife ou uma lagosta vinda do estado de Maine (nordeste daqui!!!!) Será que o brasileiro chega aqui e pede uma Minalba? Ou uma água Prata?

LIMPAR para SUJAR

Ouvi essa pérola de uma chambermaid do hotel, num leve sotaque haitiano. “Rehab pra esse pessoal de Cinema é como essas toalhas sujas que arrastamos pra fora dos quartos todos os dias. É o mesmo ciclo todos os dias. Limpamos as toalhas e deixamos elas frescas e dobradinhas nos quartos dos hospedes todos os dias e, pra quê? Só para recolhermos elas IMUNDAS no dia seguinte.

É, Rehab é mesmo uma ilusão.

São aquelas toalhas ricas que entram. Algumas não saem. Outras saem e ficam limpas um tempo. Outras voltam para a lavanderia logo, logo. Miami é um dos lugares onde isso está escarrado na cara!

Tenham um ótimo Carnaval!

A estimativa para mortes por overdose para esse fim de semana em Miami: 25 jovens entre 18 e 25 anos e 10 assassinatos relacionados a drogas.

 

Gerald Thomas

  

PS: Parece que os espíritos todos se retiraram. Foram-se. Quero dizer, os de LUZ. Aqui embaixo somente os EXÚ! Os outros só voltam na Páscoa. (minha versão: O QUE ELES QUEREM MESMO, SÃO OS OVOS DE CHOCOLATE DAS CRIANÇAS!!!!!! ninguém me engana não!!!!!)

 

 (O Vampiro de Curitiba na edição)

 

 

 

 

 

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O Brasil Precisa Voltar a se Enxergar

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“Cross Gender Restrooms”

 

New York – Reconhecemos que uma  sociedade é sofisticada quando ela lida com assuntos considerados “tabus” por outras. Um exemplo: Certas escolas primárias aqui já têm algo chamado “cross gender bathrooms ou restrooms”. O que vem a ser isso? Bem, isso vem a ser um banheiro, ou lugar de trocar roupa, nem para homem nem para mulher. É para aqueles que estão no meio, atrapalhados, atropelados e aprisionados em corpos que os traíram desde que nasceram. “São corpos de meninos, mas cabeças de meninas e vice- versa”. Sim, homossexualidade, mas um pouco mais complicado. Já lidando com ela desde a primeira fase da adolescência na escola, para que não levem pedrada dos colegas na hora de ir mijar ou trocar de roupa: a hora da humilhação de ter que decidir por um ícone ou outro. Aquele homenzinho estéril ou aquela mulherzinha estéril padronizada, estampada nas portas dos banheiros do mundo afora, pode ser apavorante para alguns. Geralmente aquelas figurinhas em azul.

 

Mas, enquanto não quebramos todos os tabus, tentamos lidar com alguns. Claro que os religiosos conservadores fanáticos e evangélicos (bible bashers) dos wastelands desse país afora, desde o Colorado até as Montanhas de Montana, não estão muito felizes com isso, mas, aos poucos, terão que engolir a revolução sexual que começou lá atrás, na década (qual década foi mesmo?), quando as Sufragettes se auto-flagelavam e Collette era seu expoente ou, décadas depois, quando Germaine Greer e Gloria Steinem escreviam seus manifestos e a contracultura ganhava um peso a mais que nada era Flower Power.

 

Mas por que escrevo isso?

 

Bill Clinton dava uma entrevista ontem. Longa entrevista. Não tão animado como eu imaginava. Em sua enorme biblioteca em Little Rock, Arkansas, ele falava de Hillary em sua primeira viagem como Secretária de Estado no Governo Obama. Não, não é sobre isso que quero escrever.

 

Recebo centenas de e-mails. Alguns me divertem profundamente. Alguns eu guardo para futuros estudos. Outros eu encaminho para amigos, muitos deles psicanalistas, como o João Carlos, aí no Brasil.

 

Um desses recorrentes e-mails é de alguém chamada “Lola” (como no filme “Run Lola Run”). É de uma menina alemã que conheci há uns vinte anos e que se tornou amiga, mas que hoje, infelizmente, não sabe mais distinguir um pão de um tijolo ou tijolo de areia, e escreve para amigos imaginários, já que não tem mais ninguém. O caso é meio triste. Mas, como dizemos em teatro, nenhuma tragédia é inteiramente trágica sem ser, ao mesmo tempo, cômica. E existe uma enorme verdade nisso.

 

Depois de traduzir alguns e-mails e longas cartas escritas a mão, num alemão meio gótico (como se estagnada na escuridão do pré-iluminismo), João Carlos do Espírito Santo leu tudo com atenção, e me devolveu algumas idéias interessantíssimas:

 

Medeia estéril 

“Tem mulheres que não ascendem sequer à condição de Medeia, úteros áridos e desertos que não dispõem sequer de filhos para o matricídio, são apequenadas em suas lascívias, são embrutecidas em suas toscas sexualidades, sempre na espera de que o outro as veja, as eleve, as empodere.Sim! Medeias sem filhos, sem a quem castigar, sem a quem assassinar, sem tela de projeção para as próprias  falências, para as incapacidades e as derrotas pessoais.Sem um palco, sem uma clássica tragédia para encenarem e sem expectadores, dão-se a quem em espetáculo?Mulherzinhas que se querem Cacilda, Medeias do raso cotidiano, sem serem amadas porque amargas.São Medeias que fazem do mundo representantes dos seus natimortos filhos, que assassinam ou pelo menos tentam – porque seus atos estarão sempre condenados ao fracasso – destruir tudo o que é sua antítese, não suportam a diferença. E sua antítese está na gênese, na criação, no começo, na relação, na fecundidade, na solidariedade, na alteridade, resgatada como valor, como ética.Sim, meu querido toda Medeia, toda Medeia rasa e rastejante não suporta quem inaugura, quem é marco, quem fecunda, quem move e promove a VIDA! Porque nestes gestos, nestas gestações, revela-se o NADA que são.Medeias capadas, clitóris simbólicos cortados, metafísicas lhe são impossíveis de compreensão porque acovardaram-se do necessário enfrentamento e, tendem, frustradas como são, a querer bloquear o fluxo sanguíneo que alimenta a VIDA!SIM A VIDA! É ISSO QUE ELAS NÃO SUPORTAMÉ PRECISO DIZER: A VIDA! É ISSO QUE NÃO SUPORTAM.”

 

Freud, estudante em Paris, assistindo as aulas do Professor Charcot, escreve em seu diário:  “Curioso como este homem, contrariando a medicina orgânica, se dispõe a tratar destes casos, destas mulheres que, sem nenhuma justificativa orgânica, sem nenhum problema físico não andam, não vêem, falam línguas incompreensíveis, convulsionam, se contorcem, se dão ao espetáculo. Negam a medicina e todos os estudos do corpo, da lógico-físico-química que aprendi em Viena. Que natureza é essa que se insurge contra todas as evidencias? Que corpo é esse que nega a natureza e se impõe como um enigma?”

Freud em Viena, anos depois:  Charcot tinha razão, porém a solução está na decifração da diferença entre o anatômico e o simbólico, entre o biológico e o imaginário.  

Mas o que quer uma mulher? De que desejo ela sofre? Qual  a sua queixa? Oscilam sempre entre TER e SER o Falus. A castração, de que todos sofrem. Existem homens histéricos também, levam, em alguns, a uma busca desenfreada pela reparação do que julgam ter perdido e que só o outro possui o que, por direito, acreditam ser seu, e quando chegam a isso, percebendo o equívoco e o peso de estar na posição fálica, de suportar esse peso, renunciam, gerando a constante e indefinida queixa contra a vida, sempre insatisfeitos, pois querem o que não desejam e desejam o que não querem. Precisam entender que necessidade é diferente de vontade. Não estão satisfeitos dentro de suas peles, acomodadas com os ditames de seus corpos. Os outros, para se livrarem do mesmo dilema, se sacrificam em espírito, negam o corpo e tendem a se manifestar enquanto puro espírito, mera abstração, meros rituais, dissociados de si mesmos. As minhas queridas histéricas – a quem devo minha descoberta da Psicanálise  – me dão exibição, seus corpos são para serem vistos, olhados, alvos de pena e de piedade, de atenção. Meus obsessivos negam seus corpos, sendo puramente pensamentos. 

Triste Fim. 

Continua João Carlos: 

“Começa mais um a semana de moda, mais uma Fashion Week no Rio, em São  Paulo ou em Paris. Ocupa em São Paulo o prédio da Bienal de artes que em sua ultima edição, deixou um andar inteiro vazio, ou melhor, com cinco extintores de incêndio que para muitos desavisados era a instalação de um anônimo e gastaram suas metafísicas e seus conceitos decorados posando de complexos analistas da historia da arte e da sua libertação da representação após o advento da fotografia (Susan Sontag). As passarelas montadas, a primeira fila repleta de celebridades, a musica, o conceito, a inspiração e la vamos nos.Mulheres cabides, descabeladas, desfiguradas, magérrimas, andando trôpegas, apáticas, sob as luzes dos flashes, sobre os aplausos, sob a fome negada, sob  a tirania compensada num reconhecimento patético que durara o tempo do desfile. Meninas em busca do quê?”

GT: Pois é. Pergunto-me e pergunto a todos: Em busca de quê? Lola, coitada, já deve ter cortado os pulsos em Passau, onde mora ou morava.  

No mais, ligando tudo isso ao “cross gender bathroom” e a falta de sofisticação de alguns países em relação a outros, me lembro que criticar o Brasil hoje em dia é sinônimo de anti-patriotismo, é sinônimo de Yankee go home, é a mesma coisa que o Stalinismo em seus dias mais cegos e úmbrios com as caras dele mesmo (e de Marx e de Lênin) enormes, ou a de Fidel em Cuba com aquelas bandeiras a la Rudchenko tornando uma critica construtiva numa máquina de destruição em massa: as pessoas não conseguem mais lidar com a critica. Se sentem rejeitadas. Entram em surto. Piram. Entram em pinóia. Viram uma máquina de movimentos espasmódicos e convulsivos que babam baboseiras porque sua identidade foi ameaçada.

Pergunto-me, sinceramente, se o Brasil não se tornou um país pré-Medeia. Um país (de certa forma) Medeia Estéril. Não consegue ter filhos e, quando consegue, não os mata exatamente, mas os coloca numa posição de limbo confuso, algo entre o absurdo e o a falta de vontade de vencer e ouvir. E ver! Melhor ainda, ENXERGAR!

 

Gerald Thomas

18 Fevereiro 2009

 

(Vamp na edição)

 

 

 

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Estamos Queimados

“MOSES UND ARON”

Gerald Thomas

Imagens disponibilizadas por Patrick Grant no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=NBh-7jEtDuw

 cena de moses und aron

Cena da Ópera “Moses Und Aron” (Schoenberg) dirigida por Gerald Thomas.

 

1998

*”MOSES UND ARON”, de Arnold Schoenberg, na Ópera de Graz. De longe o ponto alto da carreira de mais de 20 anos de Gerald Thomas. Com Arturo Tamayo na regência (um maravilhoso colaborador) e um coro extra da Letônia (totalizando 260 pessoas no palco), essa produção foi uma indignação. Custos? Pornográficos demais para se citar na recessão cultural de hoje. O cenário de Guenther Domenic foi um escândalo (especialmente na cena final, em que o monte Sinai se movia como uma aranha. No topo, o próprio Moisés, gaguejando, sem palavras, olhando para a decadência promovida por Aarão, seu irmão, abaixo).

Thomas ambientou a ópera em um estúdio de TV, como se fosse um programa de entrevistas barato como o de Jerry Springer, em que a platéia se manifesta o tempo todo, gritando, interferindo e assim por diante. Gerald Thomas fez um inventário do desconstrutivismo com essa ópera inacabada, colocando em cena todos os ícones da arte do século 20 (de Duchamp a Pollock, Koons, Warhol, Hélio Oiticica e Christo). A iconoclastia também foi a grande questão, simplesmente porque (por razões muito pessoais) Thomas acredita que o século 20 já analisou tudo o que tinha de analisar, destruiu tudo o que tinha de destruir e colocou sob uma lente de microscópio muito precisa todos os cacos do mosaico que possivelmente existiam. Os semiologistas franceses fizeram sua parte. Agora, como disse Karl Loebl brilhantemente em sua revista ao vivo no canal ORF, “Gerald Thomas muito inteligentemente encenou as conseqüências do conflito entre os dois irmãos e tudo o que pode ser lido no meio”. A produção foi elogiada como uma das melhores de todos os tempos e Nuria Nono Schönberg em pessoa estava lá e pareceu muito comovida com o que viu.

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BURN NOTICE – Uma nota achada num cruzamento perigoso!

New York – Caramba! Percebo que não escrevo artigo novo desde Londres, numa Segunda- feira em que a cidade parou por completo: neve, tudo parado. Até trouxe um exemplar de cada jornal e chega a ser engraçado: “FOREIGNERS , bloody foreigners”. Parece que a neve (a mais forte em 18 anos) e o despreparo são tudo culpa dos estrangeiros.

Virou um Monday, Bloody Monday, ou melhor, um snowy Monday. Todo mundo plantado em seus lugares e xingando um europeu do leste. Até os indianos e paquistaneses xingavam os europeus do Leste!

Mas deixemos a xenofobia pra lá. Outro dia me peguei mandando um alemão pra um lugar terrível, tipo Dachau ou Buchenwald. Logo eu! Numa discussão terrível e apaixonada sobre arte e comunicação apela-se e chega-se a denominadores comuns baixos, baixíssimos! Um horror!

Ontem, após dar uma aula na Julliard (atrás do Alice Tully Hall, onde fiz o “Flash and Crash Days” com as Fernandas em 1992), mal consegui atravessar a rua de tanto vento! Metáfora? Nada. Era o vento mesmo nos levando! Era o tempo real atacando nossas peles nessa temperatura quase primaveril, para essa época do ano, nessa Manhattan.

Louco para voltar pra casa e não para o hospital onde está  Ellen Stewart e lidar com médicos e enfermeiras, cada um falando uma língua, cada um falando um dialeto, como se tudo viesse de Punjab ou de… sei lá. Estresse causa isso! O trânsito também causa isso. Vou jogar o celular no lixo! Pronto. Deve ser o início da cura, como disse belissimamente o Billl Mahr ontem no “Larry King Live”, logo antes de sabermos da notícia do crash do avião que levava uma viúva de uma vítima de 11 de setembro. Como falar sobre isso? E como não falar?

 “BURN NOTICE” é o seriado mais legal, mais ágil e mais cínico da TV americana. Leva no USA channel e não em canal aberto (ainda). É impressionantemente ligeiro, deliberadamente charmoso, profundo quando quer ser, e diabolicamente romântico e semi-tropical, já que tudo é baseado na vida de um EX isso e EX aquilo e tudo acontece em Miami. Adoramos os rejeitados que dão banhos no sistema e ainda narram como se deve fazer pra construir armadilhas em torno dele.

 “Mas a vida não começa hoje nem ontem”, eu dizia para os alunos da Julliard. Ria-se muito. E eu com eles.

 “Não,  a arte tem mil e dois precedentes. E nós, 44 presidentes!” Eles ouviam, num telão,  um crítico ao vivo (Karl Loebl, da TV estatal ORF) fazendo uma crítica linda e comovente da minha encenação de “Moses und Aron”*, de Schoenberg (1998, Graz, Áustria), e é justamente aí que o MUNDO pára. Ah, sim: Quando é que o mundo pára? Quando precisamos que pare para uma reflexão do que fizemos. Quando tem gente em volta precisando de nós e nós precisando dela. Quando a arte de hoje virou uma cópia estranhamente boba da arte de ontem. Não, nada morreu. Mas está na UTI, assim como a Ellen.

 

Obama e o pacote de estímulo.

Não, de Obama eu falo mais perto de completar UM MÊS. Será que agüento?  Será que meu coração agüenta?

 “Burn Notice” é um seguimento natural de “Rockford Files” da década de 70, com James Garner, que vem a ser um seguimento natural do detetive Phillipe Marlowe, do escritor Raymond Chandler.

Onde as coisas começam? “Onde nós determinamos que elas comecem”, respondi para uma aluna. Senão enlouquecemos. Estão tentando traçar paralelos loucos entre Obama e Lincoln (sim, mesmo Estado, abolição  da escravidão…) e mesmo com o pacote econômico de FDR.  Mas não há paralelos. Existem cruzamentos. E, como nos mostram os heróis ou anti-heróis da TV, como Michel Western do “Burn Notice” ou James  Garner do “Rockford Files” – como  é da história da arte, como Duchamp e o próprio Schoenberg – cruzar verdades ou criar um futuro virtual  pode ser perigoso.

Pior ainda: pode ser somente uma tática semântica. Pior ainda: pode ser somente uma arma de propaganda.

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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O Que Eu Sou e o Que não Sou

LondresPois é! Esta cidade amanheceu soterrada por quase 30 cm de neve. Já ontem a noite o carro patinava pelas ruas como se fosse uma nave desgovernada. Para quem está em plena crise existencial, isso é a própria metáfora perfeita. 

Olha, vou tentar explicar: o blog me reduz. Por favor, não me leiam mal. Mas, sim, ele me reduz. Ao mesmo tempo, eu vivo dizendo aqui que “estou me despedindo do blog, que estou acabando com isso aqui”. 

A razão é simples. Talvez nem tanto. 

Seguinte: Eu sou um ser político. 

Não sou um ser político. 

Bem, não é bem isso. 

Este blog comemorou ontem CINCO anos de existência, contando com o do UOL.  Mas, numa recente entrevista que o Philip Glass deu a meu respeito (linda, deslumbrante, e que o Vamp irá disponibilizar aqui para vocês nos próximos dias), ele me situa dentro do mundo TEATRAL, assim como a Ellen Stewart, a minha MaMa, do La MaMa, também havia feito, a cerca de umas semanas em sua cama de hospital em Nova York. 

O BLOG 

Isto aqui  acabou virando uma tela de Pollock. Mas não lúdica. Não estamos no campo da cultura, como eu havia me proposto. Acabo me vendo no campo das “mundanices” respondendo e atacando coisas e pessoas que são, em última instância, a MENOR das minhas preocupações. 

Me vejo pequeno! 

Sim, me vejo pequeno. Não nasci blogueiro. Sou autor e diretor teatral e , desde que essa entrevista do Philip foi editada, eu tenho pensado o que fazer da vida, qualitativamente. O que fazer? 

Claro que durante esse último ano o assunto era Obama. Eu não poderia deixar de comentar com PAIXÃO aquilo que mais me movia e comovia no campo da política, cultura e comportamento mundial e Barack Obama compreendia tudo isso.  

Mas Obama agora é presidente. Pronto. Já aconteceu. Agora o Presidente Obama completa praticamente 2 semanas desde o seu ‘comando’ na Casa Branca. 

Lula, lulismo, Castro e castrismo, Brown e brownismo, Merkel e merkelismo e ficar reclamando disso e daquilo não é o meu barato.  Tem gente muito mais qualificada para fazer isso.  Entenderam? 

Estou escrevendo “HARD SHOULDER” (Acostamento), um novo espetáculo. E… não posso e não irei mais ficar blogando a favor ou contra aspectos “menores” de governos locais. Sim, é isso. Daqui de Londres eu poderia estar comentando o que o mais recente PLOT da MI5 contra os paquistaneses extremistas-islâmicos tem… Mas não vou. Poderia falar do ETERNO debate local sobre a ETERNA luta contra o a UNIÃO EUROPEIA em que Edward Heath jogou o Reino Unido… e que hoje traz para cá uma quantia desproporcional de romenos, de croatas, de búlgaros, enfim, do Leste Europeu e que ‘não estavam no contrato’ quando Heath (Primeiro Ministro nos anos 70) queria ligar a ilha ao ‘continente’ (significando França, Alemanha, Itália e olhe lá!!!!).  MAS, mais uma vez, não vou falar disso. UFA! 

Então, este artigo é um artigo de alguém em plena crise. Quando o Vamp quiser escrever sobre problemas políticos locais, tá ótimo. Vocês comentam, pulem em cima, se rebelem, mas, por favor, prestem atenção na assinatura do artigo: ele é ele e eu sou eu. 

Nem de Obama eu falo mais.  

Nem sei exatamente sobre o que escreverei até maio próximo. Sei que de política estou de saco repleto. E porquê? O motivo é simplérrimo: é só voltar para Londres para se ter uma sensação de que o tempo parou. 

Encapsulou-se o tempo. Deu-se um pulo para trás. São as mesmas reclamações conservadoras ou trabalhistas de sempre e sempre… 

Mas eu não sou um sujeito do “sempre e sempre”. 

Prefiro ser do NUNCA e nunca. Ou na linha do Risco, sem rede embaixo. Afinal é teatro, ou não? Estou mais para Lewis Carroll ou Borges do que para esses Saramagos que resmungam e resmungam. 

Tenho um dia enorme pela frente. Estou de bem com a vida: acreditem. Londres me faz bem, me “aterra” apesar de ser o lugar da Madness of King George e do avô de Mick Jagger! E no mais, obrigado a todos vocês por terem me aturado por esse tempo todo! 

Vou tentar me mover nessa cidade nevada e, debaixo do braço, alguns livros ‘basicos’: “Náusea”, “1984” (acreditem se quiser) e outros menos conhecidos como “O que fazer?”

 

Gerald Thomas

2 Fevereiro 2009, Londres

 

PS do Vamp: Sempre que entrarem no Blog teclem “F5” para atualizar a página, pois a mesma não está atualizando automaticamente.

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Washington: Faltam 3 horas + Carta para "Mileny" (8 anos): Ba-ROCK Obama

“Ba-ROCK Obama”

Carta para Mileny (8 anos)

Amor da minha vida,

Quando o ponteiro do relógio da sala da tua casa aí no Rio (ironicamente ela fica na Avenida Dr. Martin Luther King Jr.) apontar 3 da tarde, aqui em Washington DC estará sendo meio dia, o homem mais inteligente e glorioso deste planeta estará se transformando no nosso 44 presidente. O presidente dos Estados Unidos da América. Quem poderia pensar que isso aconteceria, mesmo há quatro meses atrás? Você , Mileny, está vendo (pela televisão) as filhas dele? Parecidas com você (só que você é mais linda, óbvio!) sempre de mãos dadas com a mamãe Michelle ou papai Barack? Bem, trata-se de uma longa história que começou com alguém que teve um sonho. E desde o sonho foi assassinado. Muitos foram assassinados, Mileny, para que esse dia de hoje chegasse e meus olhos não parassem de chorar e de pensar em você e no mundo em que você estará vivendo e no qual eu já serei uma espécie de passado.

Mileny: aos quase oito anos de idade você tem a linda sorte de se enxergar pequena, linda e negra, exibir esses cabelos de trancinhas e notar que todos olham pra você com enorme ternura e carinho. Mas, quando você estiver com seus 18 anos, talvez lerá essa carta em outra perspectiva e terá uma conversa em perspectiva comigo. No que você terá se transformado? Numa linda bailarina? Numa cientista? Numa médica ou filósofa? Nao importa. Ou melhor, importa sim, porque a mensagem que começou, essencialmente em 1963 quando um dos discursos mais COMOVENTES e mais ouvidos e mais imitados e mais INSPIRADORES da história da humanidade, “I had a Dream”, de Martin Luther King, nos foi “entregue” aqui nessa capital e nessas escadarias onde hoje bandas tocarão, pessoas tocarão… para comemorar seus quase 41 anos de seu… sim, assasinato.

Sim, Mileny: segregação racial. Ônibus para brancos e para negros. Bebedouros para brancos e para negros (que eu ainda peguei quando criança no mesmo Tennessee de Dr King). Ainda bem que você, meu amor, não sabe o que vem a ser isso.

Mas você certamente não notou, como tua mãe e tua avó notaram quando, naquela tarde de feijoada no último andar do Ceazar Park Hotel, no Rio no meio de dezembro passado, enquanto éramos cercados por olhares de brancos curiosos, como era estranho que “não cabíamos lá”. E realmente, como a tua mãe falou: “não cabíamos lá”. Por que será? O racismo camuflado no Brasil não deixaria revelar jamais um Dr Martin Luther King Jr? Será? Quero crer que sim. Mas, se isso não for possível e será difícil que surja, como surgiu, aqui, um Barack Obama. Mestrado pela Columbia e Harvard Universities, assim como sua mulher Michelle, a nova geração, a garotada afro americana ou simplemente ‘the black kids’ como a Oprah quer voltar a chamar e parar com essa coisa de Afro, agora vira uma página FUNDAMENTAL em sua história: percebe que não precisa mais se espelhar em atletas, como Michael Jordan ou Magic Johnson ou mesmo os músicos, como James Brown, Ray Charles, Stevie Wonder ou os milhares de rap ou hip hop que surgiram nas últimas décadas.

Agora o mais novo símbolo de “cool” é SER O MAIS inteligente e letrado e genial e culto político negro do mundo: e por quê? Porque entenderam that YES WE CAN. Sim, Mileny, A Gente Consegue!, Conseguimos se lutamos muito até conquistar a presidência dos Estados Unidos Unidos da América.

AMERICA IS BLACK AND IT’S PROUD.
AMERICA IS THE NEW BLACK

Mas chega de ufanismos!
Mas precisamos desse momento. E como!!!!!
Até a nossa cultura pop precisa.
Ah, Mileny, ontem foi feriado nacional: dia de Dr. Martin Luther King Jr. Sim, a nação inteira parou e se PREPAROU para hoje. E hoje? A nação acordou pra realizar, concretizar seu sonho de 45 anos atrás: ” I have a dream” se torna I AM HERE NOW !

Um dia, talvez, por interesse ou por pura preguiça, você me pergunte por que o Dr King escreveu uma carta da prisão de Birmingham e que ficou tão famosa (“Letter from a Birmigham Jail”). Talvez eu te conte, talvez os eventos avassaladores do tempo que nos atropelam me obriguem a te contar coisas de outros períodos. Por quê? Porque até lá, Barack Obama já terá (se deus quiser), dois termos inteiros de administração na Casa Branca e terá sido o mais revolucionário Presidente Americano desde Abraham Lincoln (que aboliu a escravidão em 1862). Quem sabe, daqui a dez anos, quando você estiver com seus 18, as palavras do sonho de Dr King, visto e ouvido por 250 mil pessoas aos pés do Lincoln Memorial, em 1963 com aquela estátua de dar arrepios Constitucionais e Democráticos dizia cantando de levantar cabelos:

“EU TENHO UM SONHO que um dia essa nação se elevará e viverá o verdadeiro significado do seu credo: que todos os seres são criados iguais.

E deixa a Liberdade tocar, soar. E quando ela tocar – e quando nos deixarmos que isso aconteça!- ela vai tocar em todas os vilarejos, em cada casebre, virá o som de cada estado e de cada cidade e seremos capazes de ACELERAR esse dia quando todas as crianças de deus – negros, brancos, judeus e góis, protestantes e católicos – e nos daremos as mãos e cantaremos as palavras daquele antigo ‘negro spiritual’: FREE AT LAST ! FINALMENTE LIVRES. OBRIGADO SENHOR, Thank God Almighty WE ARE FREE AT LAST”

Então Mileny, te escrevo isso na manhã do dia em que multidões esperam O MOMENTO mais IMPORTANTE da HISTÓRIA deste País. Te escrevo isso num momento em que duas milhões de pessoas se aglomeram na cidade para assistir a posse de um novo ídolo e presidente negro americano. E quero que você saiba quantas vidas isso custou, quanto de escravos ainda existe no mundo, de adultos e de crianças e quanta miséria humana acontece enquanto te escrevo com lágrimas nos olhos porque uma coisa eu sei: VENDO ISSO AQUI PERCEBO QUE NÃO HOUVE PASSO MAIOR dado desde que Neil Armstrong pisou na Lua e (pra te dizer a verdade), aquele passo pra mim nada quer dizer frente aos passos dados no campo da liberdade civil ou da conquista política.

Faltam algumas horas para que Barack Obama assuma sua posição de líder dessa nação. Vamos voltar a ter uma CARA e ALMA digna para o mundo! Espero que a nojeira da administração anterior passe logo.

E, quem sabe…? Daqui a dez anos, se alguém ai em cima der uma forcinha, você olhar a cor da tua pele e olhar tudo isso, as vidas perdidas e as guerras santas e essa loucura toda por causa de pigmentação de pele me olhará na cara e dirá: “será que você escreveu isso loucaço?”

E eu vou te responder, Mileny: não. Washington não era somente uma cidade aquele dia. Era também o espírito do primeiro presidente Americano, depois da Revolução, depois da expulsão dos Ingleses. E agora, como então, o clima está EUFÓRICO, e, pela primeira vez em muito tempo, nós aqui estamos nos abraçando, nos olhando nos olhos, nos dizendo GOOD MORNING, seja lá qual etnia, seja lá qual sotaque, seja qual vestimenta, pois essa é a verdadeira cara dessa imensa US of A. A cara de T.U.D.O e portanto nela cabe o que você otimizar de melhor.

(faltam 3 horas)

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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SAPATOS ASSASSINOS

Sapatos como Arma Preferida

Entrar numa guerra é fácil. Sair dela, muitíssimo difícil, já dizia Walter Cronkite.

Bem, ontem, George Bush levou um sapato voador na cara: “Vai e leva isso como presente de despedida, seu cachorro!!”

Wow! Sapatos têm um significado muito especial na política e na nossa cultura: Nikita Kruschev  martelava, meio histericamente, com um sapato (soviético?) na bancada da ONU porque queria falar sobre a crise dos míssseis (Baía dos Porcos), lembram? Mas não chegou a tacar seu sapato em ninguém.

JFK teve uma morte trágica. A mais trágica da minha vida. Assim como em 11 de setembro, todos se lembram o que estavam fazendo no dia em que JFK morreu. Meus pais fecharam as cortinas, choraram o dia inteiro e eu, pasmo, olhava aquilo tudo e chorava, pois o nosso apartamento era decorado com fotos do casal Jackie e Jack.

Sapatos: Bush merecia levar mais que isso. E também depende de QUAL sapato. Segundo Susan Sontag (uma colecionadora de botas de cowboy – tinha centenas) Bush (ex Governador do Texas) deveria ter levado uma bota daquelas de John Wayne ou daquelas que Larry King usa diariamente: especialmente pontiagudas.

Ou seria mais propício uma daquelas da coleção de Imelda Marcos? Ah, sim, um salto alto Filipino, comprado com o dinheiro da miséria do povo de Manilla e redondezas, a ex-mulher do ditador Ferdinando tinha mais de mil pares de sapatos em seu armário.

E no Brasil? O que se jogaria num presidente? Bem, considerando que metade da população nem os tem, ou quando tem são meros chinelos… (eles voam bem, mas não doem…) quase não surtiria efeito!

Bush mostrou que se esquivou bem! Se o “ataque” tivesse sido em algum ponto mais ao “norte” e dentro dos confins do assim chamado primeiro mundo, talvez tivesse levado uma boa Timberland na cabeça! Timberland é uma bota pesada, que agüenta qualquer coisa. Seria o Range Rover dos sapatos.

A 37 dias de entregar o governo para Barack Obama, Bush não sai do buraco e, quando tenta sair, BUM! Vem um sapato voador em sua direção. Nada mais teatral.

Eu ia, na verdade, escrever sobre o AUTO-Massacre do ex-marido da Suzana Vieira. E como essa estória me soa completamente absurda. Paranóia, tudo bem, mas se auto-esmurrar e ter energia pra isso até o fim? Como? Bem, nesse mundo existe imaginação pra tudo. Lembrei daquele brasileiro que foi baleado por engano em Londres. A polícia brasileira mandou representantes lá, cobrar satisfações de Ian Blair (chefe da Scotland Yard). Na entrevista coletiva, os repórteres ingleses perguntavam aos representantes do governo brasileiro: “mas vem cá, quantos cidadãos brasileiros não são baleados pela polícia dentro do próprio Brasil e… nada lhes acontece?”  – Silêncio.

Certas perguntas e alguns sapatos nos causam constrangimento e, à vezes… silêncio.

Gerald Thomas

PS: Da coluna do JORGE COLI (carderno MAIS da Folha de S Paulo de domingo, 14 Dez 2008)

O país do homem cordial (parte da coluna que diz respeito ao processo judicial que uma jovem pixadora está sofrendo pelo ataque à Bienal do Vazio. Como se trata também de uma “censura artística”, Coli também me cita  e faz referência à minha montagem de Tristão e Isolda, Municipal do Rio, 2003)

Nádegas
“A Bienal dizia ser um espaço interativo. Rolou de algumas pessoas entrarem lá para discutir arte contemporânea. O cara que ficou pelado (Maurício Ianês) estava integrado com o sistema, para a gente não é assim.
A arte tem que ser livre”. A frase do pichador Rafael Augustaitiz denuncia o caráter oficial e convencional das vanguardas.
As vanguardas se institucionalizaram e afastaram qualquer liberdade não autorizada, que não caiba em sua ordem autoritária e arbitrária.
Há tempos, Gerald Thomas sofreu um patético processo porque mostrou a bunda no Municipal do Rio, ao ser vaiado por uma excelente montagem.
Se sua bunda tivesse aparecido durante o espetáculo, antes de a cortina baixar, seria artística e livre de perseguições judiciárias.

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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An American Idol e a Morte da Imprensa

 

Se o Obama fala com o Berlusconi, mas não fala com o Lula, pensem:

A América chama “América” por causa do Américo Vespúcio. Ah, sim, quase ia esquecendo o Colombo! E, óbvio, a Itália fala “Euros”. Razões históricas são históricas! Raízes, descobrimentos, sorry: com gaffe e tudo, o “tycoon” da TV, e primeiro ministro da Itália, ainda comanda suas rédeas!

Lula vai ficar na fila, tsc, tsc!

Nunca vi ou li uma semana com tanta BESTEIRA escrita na imprensa mundial (exceto na dos EUA e na inglesa ou alemã!!!). “Superstar” disso e daquilo.

Superstar? Obama é formado em Ciências Políticas pela Columbia University e em DIREITO pela Harvard. E os analfabetos do mundo ou editores diletantes querem lhe dar “conselhos” de “como governar”. Por que será? Para que o mundo continue essa mesma merda em que se encontra? Alguma “political agenda” escondida por trás, seus espertinhos?

Quando um dos fundadores de um dos portais online me falou, no meu próprio apartamento, no Brooklyn (1996), que “em poucos anos não teremos mais jornais”, eu não acreditei. Agora rezo para que seja verdade. Pompa besta! Rezo para que esses escrotos da imprensa (quase toda ela marrom) sumam, desapareçam!

Quem sabe o público não migra logo pros blogs e esquece esses jornais, bem como seus pomposos editores e seus arrogantes opinadores?

Mudando e não mudando de assunto, olhem, ao fim do texto, o que um self made man consegue nos transmitir. Não, não falo de Obama, e sim de Steve Jobs, com legendas em português! Assistam só  essa entrevista EMOCIONANTE.

Quando ele fala de “RITO de PASSAGEM”, morte, sucesso, fracasso, aproveitar esse momento (o “agora”)… e não aceitar conselhos de ninguém, muito menos seguir DOGMAS.

Não que com os blogs seja muito diferente da imprensa. Não que alguns blogs não sejam pura propaganda ideológica ou desculpa para descarregar dogma. Mas aqui berramos e não se paga a polpa da pompa! A pompa é descartável e a interação (pelo menos isso) é maior. Com direito DIRETO de resposta!

Pena que George Carlin, o comediante mais áspero dos últimos tempos, não tenha sobrevivido à essa eleição para ESCULHAMBAR esse besteirol de pompa que anda solta pelo mundo: todos querem DAR CONSELHOS A BARACK OBAMA.

O homem ainda nem sentou no Oval Office e os senhores edirores já lhe dão conselhos! Ora bolas, quem são vocês?????

Se alguém acha que pode aconselhá-lo, acho melhor sentar debaixo do Minhocão e conversar com os sem-tetos de Sampa!

George Carlin falava muito da falcatrua que dominava a mídia. Não entenderam? Então não me expressei bem. Falcatrua no sentido do pacto-corporativo-orgiástico-governamental-religioso: Sim, falcatrua no sentido orgiástico: a “orgia falcatruada” (falsa, encenada): trepar sem orgasmos, trepar para as câmeras, assim como o famoso beijo da novela, o beijo do cinema!

Editor de jornal deve pensar assim. Carlin estaria acabando com eles.

Querem saber? O público ria de nervoso do humor antipatriótico e agnóstico de Carlin.

Ser “do contra” faz bem a saúde. Não há duvidas. Mas dar conselhos, dá náusea. Carlin torcia a favor mas esculhambava, era áspero. Mas, isso, depois que o homem já tivesse completado 100 dias na Casa Branca, uma espécie de tradição americana. Ou como Cristóvão Colombo talvez dissesse e Vespucio talvez colocasse em seu caderno: “em 100 dias de Oval Office, O Presidente Obama está começando a limpar o lixo deixado por oito anos da administração anterior e, como Professor de Ciências Políticas e História da Lei, encontrou um velho testamento com uma pintura deixada numa das gavetas das galerias da West Wing… ela parecia um ovo colocado em pé.

Um ovo, um novo mundo. O meu ovo,  meu novo mundo.”

Cristóvão Colombo.

 

Gerald Thomas

(Vamp, na edição)

 

PS: O vídeo com Steve Jobs está em duas partes, a segunda aparecerá automaticamente ao final da primeira, na janela a baixo.

 

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Sua Excelência Obama: a realidade que ainda assusta alguns.

Enfim, a realidade:

New York – Fico pasmo como alguns ainda tentam relutar a realidade. Não sei bem contra o que lutam, sinceramente.

Mas isso é papo para outra hora e em consultório. Em dias mais tranqüilos, volto a tocar nesse assunto, porque se formos levar até às últimas conseqüências o raciocínio lógico de algumas equações, não conseguiríamos nunca estacionar um automóvel, por exemplo, ou exercer o ato de aplaudir, ovacionar. Muitos diriam que a vaga é um pouco pequena demais ou que o carro é grande demais ou que os urros que soltamos quando estamos emocionados não passam de emoções primitivas. Pois.

Bolsas de valores nem sempre reagem no dia seguinte a uma eleição, e isso também é um fato histórico, assim como ter vasta experiência em “governar” pode provar péssimos vícios em cidades como Washington DC. Então, por que tanta pressa em julgar o nosso novo presidente?

Bem, nenhum jornal do mundo conseguiu, exceto um: o New York Times: a capa de ontem, logo abaixo do logo dizia somente:

OBAMA

Pra que dizer mais?  O Wall Street Journal, assim como todos os outros, elaboraram manchetes, quebraram a cabeça mas… como se diz aqui, o headline, de costa a costa, no centro da página…  OBAMA… era magnífico!

Criticamos uma obra de arte ou um candidato pela sua postura e oratória ou porque não entendemos ele ou ela, a obra de arte. Criticamos um presidente eleito pelo slogan que ele escolheu depois de eleito, como se isso fosse novidade na história. Devo aqui traduzir o que todos os maiores estadistas usaram como slogan para suas campanhas? Me poupem! Devo fazer aqui uma lista de todos aqueles que levaram porrada logo de cara por não serem entendidos, mesmo sem conseguirem se provar, como diria Chesterton?

Na arte a regra pode até ser não facilitar o entendimento para o público. Na política ocorre justamente o contrário e Barack Obama (para o desespero de uns poucos) conseguiu essa conexão desde o início. Ou seja, facilitou o entendimento do que quis passar. Mesmo não sendo explícito sobre o seu plano como governante, passou a sua imagem. E imagem, como todos viram…

A língua de McCain ficou embaralhada. A de Obama, no mínimo, bem-feita, educadíssima. No máximo, emocionante. Como? Culpar o povo por se emocionar? Como? Eu ouvi direito? Culpar o povo do mundo INTEIRO por se emocionar com a vitória AVASSALADORA de um cara que surgiu do nada,  de um “escurinho” (como vocês gostam de dizer), num pais RACISTA (como vocês adoram nos acusar!) depois de OITO anos de ódio pelo mundo afora… (é assim que o mundo nos enxerga). Ah… give us a break! Estamos livres. Livres, no melhor sentido da frase famosa de Dr. Martin Luther King.

Mas nem todos são santos. Jesse Jackson não estava aos prantos por emoção. Ou pelo menos não por emoção somente. Eu me lembro e Obama se lembra do que o reverendo da Rainbow Coalition e do affirmative action falou a respeito dele: aquelas lágrimas ao lado da Oprah (essa sim, essa sem dúvidas. Ela “lançou” Obama!), tinham algo de crocodilo!

Os críticos de Obama ainda pecam por se perderem na analogia das imagens, que não tem começo, meio e fim.

Prezam a lógica e, no entanto, se perdem nela.

Sabem por quê? Porque algumas coisas simplesmente  não se explicam pela lógica e sim através da emoção. Sim, sou de teatro e sei muito bem que uma cena pode estar logicamente montada (isto quer dizer, aristotelicamente, com começo, meio e fim), e não surtir nenhum efeito.

No entanto, uma ária de Wagner, um trecho de uma sinfonia de Mahler não precisam de lógica alguma, ao contrário. Chegam a ser bestiais. Brutalmente ilógicas e… justamente nesse momento soltamos o que temos de melhor! Aha! Soltamos aquele pingo de “razão trancada”, aquela razão que esta travada ali e que faz com que os tituleiros de jornal ficassem horas e horas e horas e não conseguissem orgasmificar num simples golpe: uma simples manchete. Um raciocínio simples. Dramaturgia simples e pura, sem artificios, sem sabores ou adoçantes.

Política da paixão pode ser perigosa em paises subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento), onde existem grandes esquemas de corrupção, certo. O tema  é livre e as novelas, digo, os fatos, estão aí. Mas aqui a coisa já é um pouco diferente. Obama é o nosso novo presidente. Conversei o dia inteiro com as mais diversas pessoas possíveis aqui em NY e pelo país: foram unânimes. Por que não podemos nos dar o luxo de ENJOY, de degustar esse que acabamos de escolher?

Justamente. ENJOY Mr. Obama! And please feel very WELCOME Sir!!!! Very welcome!

Gerald Thomas

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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Nascemos para divergir: estou indo votar. E tremer. E sei lá o quê!

UPDATE as 8: 45 hora Eastern TIME US

—————————-23:45 BR

“Polls Begin Closing in Final Hours of Epic Campaign”

 

VITORIA PRATICAMENTE CERTA PRA OBAMA

muitos estados ja fecharam suas contagens

102- Obama

34- McCain

Ainda eh cedo mas esta se dizendo essa derrota eh “devastating” pra McCain.

—————————————-

Nervoso demais, prefiro publicar essa coluna aqui:

PS: UPDATE: Mais de meio dia aqui (mais de 3 da tarde no BR)

PS UPDATE as 5:20 Eastern US (20;20 BR): filas enormes em varios estados e counties em todas as partes dos EUA. Muitas urnas nao funcionam. Muita gente que estava na fila nao conseguiu entrar: foi prometida “votacao estendida” (garantida pra todos). HISTORICA em 100 anos, nunca teve tanta gente nas urnas.

PS 3- muitos nomes nao constavam nas listas (centenas). Muitos livros foram mandados pros distritos errados e tiveram que ser imprimidos (improvisadamente) na hora.

California fecha suas contas as 9 da noite da hora deles (3 antes de NY, 6 antes do BR e Hawaii 9 antes de NY) Unhas das maos e pes roidos!!!!

GT

Da Folha de S Paulo

Bifurcação

NÃO SERIA exagero dizer que os americanos estão com os nervos à flor da pele. Esta temporada eleitoral interminável cobrou seu preço de amizades, casamentos e relações com colegas de trabalho. Nossos nervos estão no limite.
Está. Quase. No. Fim. Um novo presidente será eleito, finalmente, e … bom, e aí?
Por mais que nós, americanos, gostemos de reclamar da política, também gostamos das discussões, das brigas internas, dos bate-bocas com os adversários externos, do debate belo e hediondo sobre o papel que o governo deve exercer em nossas vidas.
É tudo uma grande confusão, mas é nossa confusão. Mesmo assim, esta era particular na história americana testou para valer nosso bom humor habitual. Desde o 11 de Setembro nosso país vive em estados alternados de choque, negação, histeria e mal-estar.
A Guerra do Iraque nos dividiu, colocando vizinho contra vizinho. A crise econômica levou os americanos de classe média a voltar-se contra aqueles cuja cobiça nos levou à beira do colapso.
Raiva e ansiedade são as emoções que nos dominam. Como todo o mundo já observou, ou vamos eleger o primeiro presidente afro-descendente, ou a primeira vice-presidente mulher. Bravo.
Mas os desafios que este presidente vai enfrentar acabarão logo com nossos aplausos autocongratulatórios. A Guerra no Iraque pode mudar de rumo, dependendo de quem vencer a eleição. A ameaça do terrorismo persiste. A maioria dos americanos compreende, em algum nível, que em algum momento nos próximos anos seremos obrigados a defender nosso país.
O fato de estarmos aguardando a próxima catástrofe -uma bomba escondida numa mala ou uma explosão no sistema de transporte de massas- faz a Guerra Fria parecer algo de um passado até pitoresco. Naquela época, pelo menos, sabíamos quem era o inimigo; sabíamos que ele era suficientemente lúcido para não querer morrer conosco.
Nosso novo inimigo não se importa com isso.
Esta eleição também tem o potencial de assinalar uma mudança de gerações. A chapa McCain-Palin representa não apenas o velho, mas o tradicional. Personifica a memória institucional da América.
Obama representa o novo, o progressista, o que ainda não foi testado. Mas ele ingressa na luta com uma legião de jovens cheios de esperança e sedentos por mudanças. Os jovens sempre são assim.
Finalmente, esta eleição opôs o chamado “americano comum” (Joe, o encanador, ou Joe Six-Pack, aquele que compra um engradado de seis cervejas) às elites, vistas como tal. McCain e Palin alimentaram esse fogo com ferocidade indecorosa, cavando fissuras profundas num momento em que não podemos nos dar ao luxo de ter nenhuma.
Assim, o desafio maior do próximo presidente será lançar uma ponte sobre o abismo que nos separa e tentar alisar o gramado do campo comum onde jogamos. Nada fácil.
Se Obama perder a eleição, os afro-descendentes provavelmente sentirão que ficaram de escanteio. De novo. McCain terá dificuldade em convencê-los de que não é o caso, graças à eficácia de Palin em levantar suspeitas de que Obama não é exatamente um de nós. Talvez o discurso de “eles e nós” não tivesse a intenção de alimentar o mal-estar racial, mas foi apreendido assim. Se McCain vencer, os efeitos sobre a harmonia racial serão sentidos por muito, muito tempo.
O que virá a seguir, então?
Esperança e mudança, a julgar pelas pesquisas.
A esperança pode ser uma curva que não permite divisar o que vem a seguir, e a mudança pode não passar de uma promessa vazia, na qual só os inexperientes acreditam, mas elas não podem nos prejudicar, neste momento em que os americanos tentam lembrar quem são. Para melhor ou para pior, estamos nisto juntos. E as coisas vão se agravar.
Precisamos de uma mão calma e firme no leme. 

 

KATHLEEN PARKER é colunista do “Washington Post” e comentarista da NBC; ela escreveu esta coluna para a Folha

PS do Gerald: ESTOU NERVOSO demais para escrever algo agora. Além do mais, vou ficar na fila um tempão.
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PS 2: Fui la cedo: nao demorou tanto tempo. Eh muita coisa pra preencher. Mas foi um alivio e muita EMOCAO. Temos que tomar cuidado, afinal, eleicao nao eh esporte e nao eh campeonato: sao as pesssoas APONTADAS POR NOS, ELEITAS POR NOS. SAO NOSSOS REPRESENTANTES,

CLARO QUE SOMOS LEVADOS PELAS EMOCOES E, JUSTAMENTE POR CAUSA DISSO, IMPLORO QUE OS LEITORES NOVOS LEIAM O TRANSCRIPT DO ENDOSSO DE COLIN POWELL A BARACK OBAMA NO MEET THE PRESS HA UMAS SEMANAS ATRAS

EH UM DOS MOMENTOS MAIS LUCIDOS DE DEMOCRACIA, DE LUCIDEZ, DE….

LEIAM. SE NAO SABEM INGLES, POR FAVOR, ALGUEM TRADUZ PRA VCS

 

LOVE

GERALD


 

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Na TPM das eleicões dos EUA + Brasileiro vence a Maratona de NY(leiam também matéria abaixo desta: Halloween mais polítco da História)

Stand up and fight my friends, defend your country, fight on, never stop fighting, fight for America, God Bless America!”

John McCain estava aos berros em Virginia nos últimos surros, urros e sussurros dessa campanha eleitoral. Mas “stand up and fight” de quem e do que, pergunta-se? Levantar e lutar contra si mesmo ou contra os números que o desfavorecem nas estatísticas?

A campanha do terror não está funcionando, obviamente. As malditas pesquisas estão sendo ignoradas por um zangado McCain cujo desespero agora está mais nítido que nunca. Seus discursos, hoje, o fizeram cair mais 4 pontos nas enquetes.

Bate-boca

Começando  conversas com pessoas em diversas partes da cidade  e até mesmo aqui, no prédio onde moro, uma delas foi enfática e procurei ouvi-la: “Vou votar nele, no McCain, porque tenho medo de mudanças. Não tivemos mais nenhum ataque doméstico desde o 11 de Setembro [2001]”.

“Mas o que o senhor me diz sobre o equívoco de invadir o Iraque e a morte de 100 mil civis iraquianos e mais de 4 mil soldados do nosso país?”, perguntei. “Acho que temos de tomar todas as precauções possíveis…” No meio de sua resposta, o saguão do prédio começou a se encher, e as pessoas se intrometeram na hora.

“Isso é um absurdo. Tenho vergonha de ser do mesmo país que você!!!”, berrava uma senhora de uns 60 , com um back up de adolescentes vestidos da festa de Halloween de ontem, ou de um concerto de rock.

“Guerra era uma palavra do passado e paz não era somente uma utopia, mas era a realidade. Temos que voltar a ter essa realidade” , a grande maioria do grupo de senhores e jovens berravam.

Existem grupos de negros que sequer admitem a possível derrota de Obama. Eles vivem, e com toda razão, o sonho quase impossível de Dr. Martin Luther King Jr.

Sábado foi somente o ensaio. Faltava ver o que a festa/protesto de ontem nos traria. Eu iria para  Dumbo, um dos  bairros de Brooklyn mais, digamos, “artísticos”.

Nesse pós-Halloween, eu queria ver qual seria a fantasia deles ou se simplesmente estariam olhando para o skyline de Manhattan com aquele famoso efeito de distanciamento brechtiano, chacoalhando as cabeças, o que, aliás, vem a ser muito saudável numa hora dessas.



Estamos em plena TPM da terça-feira que vem. Vai ser um deus-nos-acuda. 


Gerald Thomas

(Vamp, na edição)

 

A ELEIÇÃO DO CRASH

BARACK OBAMA OU JOHN MCCAIN. 
EM DOIS DIAS, UM DELES SERÁ ESCOLHIDO O SUCESSOR DE GEORGE W.BUSH, EM MEIO À MAIOR CRISE ECONÔMICA NOS EUA DESDE A GRANDE DEPRESSÃO DOS ANOS 30

O estouro da bolha de créditos podres, que invadiu a economia real, precipitou a radicalização da disputa política na superpotência. McCain, 72, começou a campanha como representante da ala moderada do governista Partido Republicano, mas vem adotando discurso mais conservador à medida que pesquisas apontam que a crise tende a favorecer o rival Obama, 47, do Partido Democrata, de oposição a Bush. Há décadas a eleição para o cargo mais poderoso do mundo não apresenta opções tão díspares nem ocorre em momento tão delicado. Este caderno apresenta os dilemas que serão enfrentados pelo próximo ocupante da Casa Branca, as posições programáticas que podem definir o futuro governo e a expectativa mundial em relação à eleição. 

 

PS: Que DIA!!!! UFA! MARILSON GOMES DOS SANTOS VENCEU A NEW YORK CITY MARATHON

COMO SE AS EMOCÕES NÃO BASTASSEM NESSA TPM PRÉ-ELEIÇÃO, AINDA VEM UMA NOTICIA DESSAS AQUI DO CENTRAL PARK !!!! DIA LINDO AQUI, E NENHUM PORTAL BRASILEIRO PARECE GIVE A DAMN!

GERALD

A Maratona de Nova York é uma das competições mais importantes e tradicionais do atletismo. Mais de 38 mil pessoas participaram desta edição (38.377).

Marílson fez o tempo de 2h08min44, correndo pela primeira vez abaixo dos 2h09min58 que ele tinha obtido na Maratona de 2006 – ano do seu primeiro título.

“Hoje eu provei que em 2006 não foi sorte”. “Este circuito é muito favorável para mim. Me lembra a minha casa”, declarou Marílson, que fez muita festa quando cruzou a linha de chegada, vibrando muito com a bandeira do país e com a sua esposa Juliana.

O marroquino Abderrahim Goumri liderou durante grande parte da prova, com Marílson sempre correndo entre o pelotão de elite. 

No fim, Goumri se desgarrou do pelotão, tendo Marílson em seu encalço. Mas nos minutos finais e a menos de 2km da chegada, em um belo “sprint”, o brasileiro não tomou conhecimento do rival e venceu a prova, com o marroquino em segundo com o tempo de 2h09min07. O queniano Daniel Rono terminou a prova em terceiro com 2h11min22.

“Nunca perdi as esperanças. Quando entrei no Central Park, os torcedores me inspiraram a continuar correndo e vencer a corrida”, disse Marílson.

Os outros dois campeões da Maratona de Nova York que disputaram a prova, o queniano Paul Tergat e o sul-africano Hendrick Ramaala, terminaram em 4º e 12º, respectivamente. 

No feminino, a britânica Paula Radcliffe conquistou o bicampeonato da prova, ao vencer com o tempo de 2h23min56. 

A russa Ludmila Petrova foi a segunda colocada com 2h25min43, seguida pela norte-americana Kara Goucher com 2h25min53.

Com agências internacionais, atualizada às 16h23

 

 

A Shifting LandscapeMap  

A Shifting Landscape

The Electoral Map

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O Halloween mais político de toda a história!

 

Halloween é uma data onde se fantasia daquilo que você quer, ou daquilo que você mais odeia! Poderia se dizer que hoje, a cada 31 de outubro, a nação americana mostra de fato a sua cara (escondendo-a). Estranho. Mas o Carnaval brasileiro também não é assim? Ou o de New Orleans, quando não levam um Katrina na cara? Ou o de Veneza, em preto e branco. Se fôssemos ao pé da letra, racismo e tudo, esse Halloween deveria ser a cara do carnaval de Veneza. Preto e Branco. 

Esse é o dia (ou a semana) onde se “expurga” as bruxas, ou os espantalhos, colocando máscaras, rufando tambores, sendo aquilo que se é, sendo aquilo que não se é.

Quem faz teatro sabe disso muito bem: fazemos isso todos os dias nos ensaios. Fazemos isso todas as noites durante as apresentações!

Andando agora por certos bairros de Manhattan vejo gente fantasiada segurando seus cachorros (também fantasiados – nem o osso é um osso!), esperando a parada, o desfile, assim como Didi e Estragon esperavam a aparição daquele “messias prometido” e que não chegava nunca: Godot. O desfile sai mais tarde no West Village e atravessa a cidade, como todos os anos. Essa eleição parece que não vem NUNCA e mexe com os nervos de TODOS. Deus me livre! Tá todo mundo doido.

Já vi McCains, Obamas, Super-homens, Sarah Palins e milhares de combinações entre uns e outros, até gente vestida de Wall Street, tinha. Ou seja, vestida de nota de Dollar queimada!!! A tradicional caveira – fantasia muito comum nesta data – está meio desaparecida. Ou será que ela virá mais tarde, depois da eleição, de forma realista? Ai meu deus! Pára de pensar bobagem, GT!

Em época de eleição as pessoas fazem questão de AFIRMAR aquilo que são, ou aquilo que NÃO são. Difícil dizer. Afinal, quando alguém se veste de caveira, ela seria o que durante o ano? E quando ela se veste de Super-homem? Ela seria o anti-herói durante os dias infelizes dos meses que nos conduzem até aqui?

Numa nota mais lógica e menos analítica (já encheu o saco isso) até o Larry Eagleburger, que trabalhou para a administração Bush (pai) disse que Sarah Palin não está preparada para ser vice-presidente. Ou seja, numericamente, agora só restam mesmo QUATRO Secretários de Estado do Partido Republicano que apóiam Palin! Os outros todos afirmam que essa mulher, enfim, não presta. Olha que loucura!

Colin Powell, cuja entrevista no Meet The Press ainda está disponível nesse blog, foi um dos primeiros a endossar Obama e dizer que ela não está preparada. Meu carteiro, o Salvatore, que ama Giuliani, acha que as pernas de Palin são mais sexy que as de Joe Biden.

Essas piadas são ótimas num dia como esse, onde os gheists estão soltos, onde Mephisto vai ter que procurar suas botas e Fausto estará reescrevendo seu papel – escondido atrás de uma máscara de, digamos, Idi Amin Dada! Esqueceram dele? Sim, tem muita gente morta ou morta viva endossando muita gente!

CUIDADO! Se você andar na Upper West Side de Manhattan, onde fica o museu de História Natural e muita carcaça de Dinossauro, ou o Dakota, o prédio onde morava John Lennon, Lauren Bacall e Leonard Bernstein e onde Polanski filmou o “Bebê de Rosemary”, uma mulher velha andava com um rádio sintonizada na National Public Radio a toda altura: “Eu não aguento mais: fico olhando as pesquisas de dez em dez minutos”.

Mas Nova York não é termômetro. Al Gore está na Florida fazendo campanha. Aliás, campanha aqui é invisível: não tem bandeiras nas ruas, não tem lambe-lambe. Clean. Clean.

Tão clean quanto “Esperando Godot”, de Beckett, que estréia com Patrick Stewart e Ian McKellen num teatro do West End Londrino, o Heymarket. Tá vendo? O mundo está perdido mesmo! Beckett na Broadway londrina. Pela lógica então…

Gerald Thomas, enfiado numa abóbora (Pumpkin)

 

(Na edição, O Vampiro de Curitiba)

 

 

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O Último Debate – A Última Ceia E MAIS!!!!

+ O TEXTO DO GUZIK E DO FELIPE FORTUNA E O MAPA ELEITORAL AMERICANO APOS O DEBATE!!!!!

Não parece ser o que parece ser. Mas poderia. O que vocês viram, vocês não viram realmente. Péraí! O que vocês ouviram, vocês acham que ouviram. Ah, os debates. Ah, quem conhece a estratégia deles – right, Ben Stein? Right, Paul Begalla?

Quem articula os debates presidencias são os articulistas, os press agents, os lobbyists e os (….). Aquilo não é exatamente um debate e sim uma sinfonia dos “des-ditos”. Por acaso a peça que estou tentando montar chama-se, justamente, a “Sinfonia dos Des-ditos: Kepler, parte 1”

Ah, sim, Weather Underground. Deixou pro último momento. Pena que McCain não trouxe a tona o grupo Weather Report, aquele em que tocava o Wayne Shorter e, às vezes, um brasileiro, Doum Romão. Subversivos a ponto de terem tocado junto com um terrorista austríaco e outro um cantor e compositor de nome Milton Nascimento.

A coluna de dias atrás de Frank Rich, da Oped  page, do N Y Times, estava ÓTIMA. Brincava em cima disso tudo mais que o Dario Fo brincava em cima do orgasmo adulto que escapou do zoológico.

Não, não assisti o debate. Está me fazendo mal ao fígado. Mas a enxurrada de telefonemas e emails de pessoas me contando detalhes é como se… Péraí! Como se nada. Nada mudou.

McCain está apelando, sua cara pelando, digo, Palindo. E não Sarah. A Cagada está feita. Do que se deduz: quem aponta o dedo (dedinho, como o do Lula) está perdendo. E os polls (pesquisas) confirmam isso. Só que não confio nem em polls e nem em poles (postes) (poderia falar algo sobre poloneses também, mas tenho muitos amigos em Varsóvia e em Cracóvia.)

Confio no dia da eleição! O resto é teatro, e teatro RUIM. Péssimo, aliás.

Pior do que esse que Pedro Cardoso tem nos mostrado com seu… falo moralismo, digo, falso moralismo. 

Impostos, Impostores, health care, segurança nacional, o cara lá do Weather Underground (pra quem não sabe, não perca tempo pesquisando: não eram os subversivos que a mídia quer fazer parecer: eram cartoons da Disney que mediam a temperatura dos vagões dos metrôs de Londres quando garoava lá em cima!) E olha que McCain nem mencionou The BLACK Panthers ou o Pink Panther com Peter Sellers.

Poxa, acho que teria sido o máximo o nosso POW de plantão mencionar o seriado britânico THE GOONS (onde Sellers começou) junto com Spike Milligan!

Ah, sim, o weather no underground da Northern line anda “rather stuffy!”. Por que será?

Porque eles não gostam do desempenho do McCain. Os seios dele não dão uma boa foto pra página 3 dos tablóides britânicos.

Gerald Thomas

 

Top News

 

 

 

(Vamp, na edição)

 

 

Do Blog do Alberto Guzik:

 

 

 Fui ontem almoçar com Gerald Thomas. Uma pessoa que amo e  vejo muito menos do que gostaria. Ele tem uma agenda atrapalhada, eu tenho outra, então quando ele pode, eu não posso, vice-versa. Vai daí que há meses ele tem vindo regularmente a São Paulo, mais ou menos a cada 30 dias e a gente, que se adora, mal se vê. Desta vez marcamos o almoço vários dias antes e nenhum imprevisto impediu que encontrássemos. Foi meio atribulado por conta da escolha do restaurante. Queria levar Jerry ao Kawai, o japa aqui do lado de casa. Chegamos lá, lotado. Só havia umas mesas ao sol, naquele calor etíope de ontem. Não deu. Jerry disse que não queria almoçar, só tomar chá. Estava sem apetite, arrasado, problemas no trabalho. Lembrei então de um fast food japa que abriu aqui perto, na Augusta, o Yoi. A temperatura ali estava bem mais amena, apesar do barulho da rua. E havia mesas disponíveis. Ficamos lá. Temakis. Comi dois. Estavam bons. E conversamos muito. De nós, de trabalhos, de cidades, de blogs, da crise, da crise, da crise, de ética. Contamos histórias. E Jerry a certa altura observou que para além da depressão, com a qual está lutando faz tempo, ele se sente extremamente cansado. Respondi que sei muito bem do que ele estava falando, sinto a mesma coisa. Jerry respondeu que não acredita. E argumentou: estou trabalhando muito, dando aulas, mantendo o blog, ensaiando, atuando, escrevendo montes de coisas, entre as quais um romance cuja gênese ele acompanha desde o início, e que além de tudo minha aparência é ótima. Eu poderia ter retrucado, da mesma forma, que ele também está com excelente aspecto, pele saudável, olhos brilhantes, não pára de trabalhar e tem uma vida muito mais agitada que a minha desenvolvendo-se em três continentes. Em vez de levantar esses argumentos, disse que se faço tudo isso, é porque me ocupo, me deixo aturdir de tanto trabalho, justamente para não me entregar. Não sou um trabalhador feliz e ajustado. O que faço na vida é laborterapia, pra não pirar e viajar sem volta. Por isso não paro. E Jerry também não pára. (Ele me disse ontem que há décadas não tem férias, férias de verdade. Pelo menos nosso admito que levo vantagem sobre ele. Nessas últimas décadas tive férias e fiz umas viagens bem gostosas.) Bom, no meio da conversa, quando estávamos falando dessa dor que é viver, Jerry me olhou e perguntou: “Será que isso é coisa de judeus?” Páro e penso. Estou falando com um dos homens mais inteligentes que jamais conheci, um dos artistas mais brilhantes do nosso tempo. Não é improvável o que ele sugere. Nós dois, eu e ele, temos origens similares. Pertencemos quase à mesma geração (sou dez anos mais velho que Jerry), filhos de imigrantes judeus que escaparam do massacre nazista na segunda guerra, educados entre dois mundos, estrangeiros na terra natal, estrangeiros no mundo, sempre. Pensei na figura do judeu errante, do homem sempre em busca de um pouso, de um porto. Talvez essa minha melancolia, a tristeza do Gerald, sejam atávicas. Uma condição biológica que nos condena a isso. Será? É tão plausível. A coisa pode vir em nosso DNA. Sei lá. Terminamos o almoço. Jerry precisava voltar ao trabalho para tentar resolver os problemas graves que rondam seu projetado espetáculo. Eu tinha que dar um jeito de pagar contas que venciam, já que os bancos estão em greve. Acabei fazendo isso numa casa lotérica. Há décadas não entrava em uma. Mas isso é uma outra história que fica para uma outra vez. 


PS: Obrigado ALBERTO, SO QUE TEM UM ERRO AI. O MAIS INTELIGENTE EH VC.

LOVE

G

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POESIA E TÉCNICA: CAMPOS ALEATÓRIOS

 Felipe Fortuna

 

Encontra-se na internet (e, portanto, ao alcance de todos) a revista MnemoZine, cujo número 4 é inteiramente dedicado a Augusto de Campos: www.cronopios.com.br/mnemozine/. Tanto por sua qualidade gráfica quanto pela pertinência do material reunido (poemas, artigos, depoimentos e traduções), o exemplar virtual de MnemoZine deve ser referência para as publicações literárias que se arriscam na rede eletrônica. Editada por Marcelo Tápia e Edson Cruz, e transformada em objeto multimídia por Pipol, a revista, expandindo-se em www, faz circular a obra do poeta, crítico e tradutor como jamais se pensou: a massa pode agora comer o biscoito fino que Augusto de Campos fabrica desde a estréia, com O Rei Menos o Reino (1951).

Mas a maior circulação do poeta concretista não é tudo: a revista também apresenta textos cinéticos e se vale de recursos sonoros e visuais que trazem à poesia concreta aquilo que não se encontrava na versão impressa em papel. É o que acontece, por exemplo, com os poemas “Osso” e “Intradução: Guillotine Apollinaire”, este último uma composição lúdica e bem-humorada, no qual até a página branca, quando se cortam todas as palavras, também é degolada. Fatos inesperados, escuta-se o poeta a interpretar “Chegou a Noite”, samba composto pelo pai, Eurico de Campos, que contém o verso paulistano “lá vem a gaze da garoa”; e ainda, como em diálogo, o próprio pai a cantar “Samba Concreto”, de sua autoria, no qual garante que num quadro (e não num poema, note-se) feito segundo os princípios do concretismo “havia 100% de expressão e sentimento”.

 O importante conjunto de MnemoZine agora se junta à reunião de ensaios organizada por Flora Süssekind e Júlio Castañon Guimarães em Sobre Augusto de Campos (2004), concebida em torno de seis grupos temáticos, entre os quais “Poesia e Técnica”. Em vista das possibilidades abertas à criação artística pelas tecnologias digitais e pelos meios eletrônicos de divulgação, de que tanto se vale a mencionada revista literária, o tema “Poesia e Técnica” revela-se de fato produtivo para uma discussão sobre um aspecto da poesia de Augusto de Campos. Aproveita-se também uma coincidência: a professora Lucia Santaella escreveu um ensaio em MnemoZine (“A Invenção Viva da Poesia Concreta”) e outro ensaio no citado livro (“A Poética Antecipatória de Augusto de Campos”). Em ambos, defendeu a tese de que “a poética de Augusto de Campos é aquela que mais coerentemente permaneceu fiel a seus precursores como Mallarmé, Cummings, Pound, e à própria poesia concreta de que foi fundador e participante. Por isso mesmo, é a poética que antecipou e, no seu desenvolvimento interno, sempre em progresso, veio, ela mesma, desembocar na poesia digital contemporânea.”

 É difícil aceitar a integralidade das afirmações acima. A professora aponta, primeiramente, o paradoxo da fidelidade de Augusto de Campos aos princípios ortodoxos do concretismo, que teria conduzido a obra à forma mais atual de poesia (e acrescenta: “por ironia inesperada para os críticos”). Lucia Santaella seguramente não considera o recorte realizado pelos poetas concretos, pela via do paideuma, para assegurar em Mallarmé, Cummings e Pound aquilo que tinha serventia às idéias fixas do grupo: apenas uma parte da obra, escolhidaà la carte. Ao mesmo tempo, persegue o tipo de evolucionismo histórico-literário criado pelo grupo de poetas concretistas – e não apenas por Augusto de Campos – para explicar a poesia que produzem. Sobre o autor, informa que “sua produção poética avançou pari passu,sincronizando-se com o potencial apresentado pelas novas tecnologias”. Por isso mesmo, mencionam-se as palavras “progresso” e “desembocar”: a primeira, com a noção distorcida de que se atingiu um patamar superior ou que o mais moderno é o melhor; a segunda, com a insistência num processo de desenvolvimento (que existiu na ilusão de todos os planos-piloto) que tem um resultado final ou um ponto de chegada.

 Mais incongruente ainda é a afirmação de que Augusto de Campos produziu uma “poética que antecipou” a poesia digital contemporânea. Alguns poemas concretos, como “Osso” e “Intradução”, ganharam elementos de visualidade graças às novas tecnologias – mas, infelizmente, na velocidade e na direção que oferece o poeta ou o editor, e não mais nas que o olho do leitor captava ao abrir uma página. Do suporte do livro para o suporte digital, como se vê, há perdas e ganhos. O que falta na argumentação é um sopro de dialética: um artista ou um crítico deveria ficar alerta para a imprevisibilidade e mesmo para as mutações (e não o progresso) que as técnicas impõem sobre o ser em todas as suas atividades, e não apenas as poéticas. Ao tratar das interações entre tecnologia e literatura, Hugh Kenner, emThe Mechanic Muse (1987), soube interpretar que “a tecnologia tendeu a subjugar as pessoas gradualmente, forçando-as a um comportamento do qual não faziam idéia. E ela alterou os seus mundos, de tal modo que um datilógrafo de 1910 não poderia ter imaginado como a sua contraparte de 1880 costumava passar o dia.”

A tecnologia tem a capacidade de alterar os sentidos, sem perder ambivalências e casualidades. O objeto verbivocovisual, por fim, é um ato de criação com fundas repercussões para a literatura, e Augusto de Campos começou a produzi-lo com a tecnologia existente à época: primeiramente, os recortes de letras e palavras impressas nas revistas; em seguida, as folhas de plástico do Letraset. Tivesse escrito seus argumentos nos anos 70, Lucia Santaella afirmaria que o seu poeta antecipou a técnica do decalque a seco!

Por outro lado, talvez haja interesse em distinguir os poemas que, posteriormente, ganharam aspectos inovadores com o uso da técnica digital daqueles poemas que foram diretamente concebidos com os novos recursos. Aplique-se tecnologia digital, por exemplo, a qualquer um dos poemas visuais portugueses do século XVII – e decerto seria obtida outra antecipação.

O poema “SOS”, um dos mais bem realizados de Augusto de Campos, foi publicado emMnemoZine do mesmo modo como está impresso no livro Despoesia (1994). Consulte-se, no entanto, www2.uol.com.br/augustodecampos/clippoemas.htm: ali, “SOS” ganha cor, movimento e som, e se transforma, ao que parece, em outro poema, igualmente extraordinário. O que a tecnologia fez foi transformar ambos os poemas em dois objetos distintos, impulsionados pelos sinais de desespero e de solidão que acompanham cada um de nós desde sempre.

 

 

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O DEBATE – Obama e McCain e vejam essa entrevista…


Primeira parte da entrevista com a Judith Malina

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David Blaine, o mágico, Obama e McCain

New York- Olha, vou te dizer: não é à toa que o mágico-trickster agora resolveu ficar de cabeça para baixo por um número X de horas. Não é ele que está de cabeça para baixo. É o mundo que está. Blaine, de cabeça pra baixo, deve estar vendo o mundo da forma certa!

A que me refiro? Ah, sim, ao debate Obama e McCain em Nashville, mediado por Tom Brokaw, que me “deu” as notícias por mais de 20 anos pela NBC News até que se aposentou.

McCain, um chato sem galochas: “my friends, isso, my friends, I know how to do it!” Quem apela para “meus amigos, meus amigos, eu sei como fazê-lo!”, é porque não tem amigos e, certamente, não tem IDEIA de como fazer porra nenhuma.

McCain se refere a Osama Bin Laden. Essa frase vinda do Senador do Arizona chega a ser CRIMINOSA porque se ele REALMENTE soubesse onde está o terrorista saudita, então está escondendo algo de ordem de segurança nacional. Sim ou não? Pensem comigo!

Esse anãozinho chato pacas (inacreditavelmente ruim e… pros brasileiros que não entendem inglês, parace um Lula, que não fala o idioma bem, não articula bem, é monocórdio… ai que saco: “yes, my friends, I can do it….and we fellow Americans….”

NAO PEGA MAIS!!!!

Não comento mais sobre debates. Voto e espero o resultado das eleições. Não agüento mais especulações! Tem muita gente LUCRANDO de quatro em quatro anos especulando e espectorando e peitando – como se fosse totto lotto – com quem ganha mais!

Só que o mundo está nas mãos desses dois!

Já ouviram falar da Bauhaus? Suas diversas fases? O impacto que ela teve na arquitetura mundial? O impacto que ela teve na política mundial? Sim? Não?  Estudem. Enfiem o nariz nos livros ou no Google ou se alienem de vez já que, segundo alguns, estamos entrando numa tremenda depressão financeira. A maior de todas desde… Desde quando mesmo? Desde a última. Sim, desde a última. Estou com a maior diarréia desde… bem, desde a última.

Já eu prefiro outra explicação: O Capitalismo é uma enorme bolha flexível. Enormemente flexível. Ela quaaaaaase estoura pra um lado… quaaaaase estoura pro outro, mas não estoura. Estourar, ela não estoura nunca.  Essa bolha está feita para agüentar todo o tipo de pressão e todo tipo de jogo porque essa é justamente a natureza do capitalismo: o risco.

Teatro também é feito de risco. A VIDA também é feita de risco. Saindo da porta ninguém mais sabe se veremos aqueles que amamos. Tudo pode acontecer. É do que somos feitos, não é? Ah, a corrida do ouro… Ah, a Guerra Fria… Ah… McCain nos chama de “peacemakers” do mundo. Mais de meio mundo nos enxerga como INIMIGOS.

Obama estava certo em relação ao Iraque: seríamos vistos como “liberadores” no início e, logo depois, essa loucura sem fim, e sem planos de ter um fim, está nos custando Rins e Fígados e os Olhos da Cara! E uma divida que não podemos pagar. A divida humana.

Pior ainda seria a estagnação: Onde nada acontece. Uma vida sem risco. O que vocês achariam disso? Bom? Duvido.

“We can work together as Americans”, diz o anãozinho republicano. O que ele quer dizer com isso? Nada. Retórica política. Ou será que, se eleito, ele vai convidar 300 milhões de pessoas para o Oval Office? É tanta imbecilidade que não dá pra agüentar!

Os massacres da humanidade, os holocaustos, as emboscadas culturais foram onde a humanidade fez a curva de forma errada. Deu errado. O carro bateu no meio-fio. No entanto, esses somos ‘nós’ em nossos piores momentos. Ruanda somos nós, Kosovo somos nós, Darfur somos nós, Auschwitz somos nós, os de dentro e os de fora. Todos somos nós, os que viraram cinzas e os que faziam o Hitler salut. Somos podres. E somos podres por causa do fator RISCO. E a Bauhaus era boa disso. E David Blaine também!

É impressionante como sabemos pouco sobre a nossa história. É impressionante como escolhemos esconder that the biggest Fear is Fear Itself e outras frases-chaves que atravessam nossas cabeças porque, obviamente, fica sendo muito mais conveniente olhar o olho do outro como se fosse a História do Olho, de George Bataille. Esse sim, um conto pra lá de erótico, beirando a pornográfico, mas se formos olhar fundo no fundo do fundo, ele não passa de um retrato de um escritor quando jovem olhando a crueldade sensual de um mundo religiosamente organizado e enfileirado para as suas grosssas grosseirias e pronto para vê-las de cabeça pra cima, ao contrário do mágico David Blaine, que está sempre de cabeça pra baixo!

Gerald Thomas

Logo após o debate em Nashville, Oct 2008

 

(Vamp, na edição)

 

 

 

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Paul Newman, morto aos 83, de câncer

 

The actor Paul Newman has died at 83 of cancer, his spokeswoman told The associated Press. Mr. Newman, whose career spanned five decades, was also a prominent social activist, a major proponent of actors’ creative rights and a noted philanthropist. He was nominated for Academy Awards 10 times, and won a best actor Oscar in 1987 for “The Color of Money.”

Daqui a pouco comento. Nesse instante estou meio…. nada!

2008 está engolindo todo mundo. O Tsunami .

 

SOBRE O DEBATE de ontem:

DEBATE NãO SE GANHA!  ELEIÇÃO SE GANHA!  DEBATE, HAVERÁ MUITOS. VOCÊS SÃO MUITO INOCENTES. EM DEBATE SE DISCORDA SOBRE VÁRIOS PONTOS, SOBRE ESTRATÉGIAS, TÁTICAS, ETC .VOCÊS ACHAM QUE DEBATE É PRA SER “GANHO” COMO SE FOSSE CORRIDA DE CAVALOS. NUNCA VI IMBECILIDADE MAIOR. DESCULPA MAS ISSO É POUCA EDUCAÇÃO POR PARTE DE VOCÊS NO SISTEMA ELEITORAL NORTE AMERICANO!!!!

LOVE GERALD

 

Estou triste com a morte de Paul Newman e estudando o que os comentaristas de todos os jornais e televisões estão escrevendo e dizendo “around the world” sobre ontem à noite.

 Não se trata de QUEM GANHOU, CARAMBA! SE TRATA DE QUEM FOI MAIS FORTE, QUE ATENDEU AS PERGUNTAS, QUE EVITOU AS PERGUNTAS, QUE DESVIOU DOS ASSUNTOS, QUEM INVERTEU OS ASSUNTOS, POR FAVOR, ENTENDAM QUEM É JIM LEHRER DA PBS, DO LEHRER REPORT!!!!!


GT

 

 

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Depois do Debate: leia no fundo desse texto: nota do NYTIMES!Abbey Road vista de Miami: John (McCain), Paul, Obama e Ringo???

Samba Final

 

(Estou cego de verdade)

 

Miami- South Beach.

 

Quando quero dar um pulo para fora de mim mesmo e ver o mundo de fora, venho para cá. Por quê? Porque Miami não existe! Amo essa milha e meia do Ocean Drive, aqui no Art Deco District.

Amo essa total liberdade de TUDO num dos estados mais conservadores. E fiz questão de fazê-lo, a poucas semanas das eleições, justamente na noite ou no dia em que, AFINAL, teremos o tal debate entre McCain e Obama, do qual o primeiro tentou escapar.

 

Ontem, na Casa Branca, McCain deferia qualquer pergunta a seu financial advisor. Obama foi lá, convocado por Bush, o que eu também acho um absurdo. Mas á essas alturas o que eu não acho um absurdo? Só falta o Hugo Chavez aparecer aqui em Miami e dirigir um táxi! Enfim, Obama laid out. Como se fala? COLOCOU seu plano durante 40 mintutos.

McCain Calado.

 A CNN capitalizou: eles levarão o debate para as TVs do mundo e não mais somente à ABC.

 

SINFONIA dos DES-DITOS 3

 

Capa do New York Times de hoje, vista de Miami, é muito engraçada.  Aqui, do meio de las putchas, do meio desse caos fantástico que amo, mi-amo, e onde a mansão de Versace virou um private hotel (o que será um “private hotel”?  Hummmm…), a foto de Obama e McCain andando PARECEM meia ABBEY Road, ou seja, Half Beatles.

Já que só restam dois deles mesmo, será que a semiologia está implícita?

Paul MacCartney

Ringo

John (McCain)

Barack

 

Eles não estão andando numa “zebra Crossing” e nem estão em West Hampstead ou em Kilburn ou sequer estão no mesmo lugar. Mas me faz pensar.

Me faz pensar que há 20 anos atrás, quando meus nervos não estavam tão a flor da pele ainda, mas a pele recebia mais flores do que hoje… eu escrevi e montei um espetáculo chamado “Movimentos Obsessivos e Redundantes para Tanta Estética”: M.O.R.T.E.

 

Bete Coelho, Damasceno e Edílson Botelho, e um enorme elenco de brasileiros, levaram ele para o mundo. Até para Taormina fomos, Zurich e o escambau, fomos.

 

Ele era uma homenagem àquele que amarra e sufoca TUDO, embrulha tudo como se fosse um PACOTE, o artista Christo. E, dentro da peça, o personagem principal ouvia um relógio tic- tac dentro de um outro ser grávido. Era um homem- bomba quando ainda não tínhamos homens-bomba, que horror! Esse personagem principal (na primeira versão, Bete Coelho, segunda, Edi Botelho), era um escultor que não conseguia esculpir. Por quê? Porque as pedras em que tinham que esculpir já estavam embrulhadas por pano pelo CHRISTO, o embrulhador.

 

Paralelo com a política, total!

Paralelo com Hamlet, total: todos os personagens eram Hamlet, Ofélia, etc.

Aqui vai, de MIAMI (lembrado por Marina Salomon), o trecho final, o SAMBA FINAL que encerrava o espetáculo:

 

Quem faria isso comigo?

Olhe fundo nos meus olhos e diga!

Aqui? Um universo?

Os de cima, os de baixo?

 

Os menores erros… EU DISSE

Os menores erros EU DISSE

EU DISSE!

LUZ!

SOM!

Palavras!

Mas do que valem?

Nossos poetas estão mortos

Nossa musica não tem heroísmo

 

Nos não temos corpos, somos fracos, somos rasos

Nossos casos, moribundos.

Julgamentos: cada caso, um acaso.

Nossa obra, uma obra do acaso total.

 

CLAMO!

EU DISSE

 

CLAMO!

 

Que me acordem se eu estiver dormindo

Minha angustia, meu espírito!

 

CONVOCO!

 

EU DISSE!

CONVOCO!

 

Uma NOVA geração de criadores!

Que se afunilem

E que se intoxiquem

E ouçam os lamentos das cidades!

Que se estrangulem, mas achem a geometria das cidades!

 

CONVOCO!

EU Disse. Convoco. Um novo Parangolé Brasileiro!

 

E Que chova sobre a NOSSA POESIA!”

.

 

Não faço mais teatro. Faço ópera. Ópera seca. Há anos digo isso e há anos faço isso. Só que agora mais do que nunca.

Estou constrangido pela falta de pensadores no mundo. Constrangido pela falta de loucos, obcecados, visionários. Parece que só existem os políticos e os que entretém os políticos com shows ou com consentimento. O nojo nacional é, antes de mais nada, um nojo cultural. E não adianta centralizar informação e distribuir verba. Isso vira FBI sangrento e burocrático e, para minha infelicidade, não parece mais ópera.

 

M.O.R.T.E.

 

(Movimentos Obsessivos e Redundantes pra Tanta Estética), há mais ou menos vinte anos.

 

Desabafo – espetáculo de Gerald Thomas com a Cia. de Ópera Seca de 1990, endossado em South Beach em Sept 2008.

 

 

(Na edição, O Vampiro de Curitiba)

 

PRATICAMENTE ACABOU O DEBATE: DEPOIS COMENTO: TÉCNICAS BÁSICAS DE DEBATE: McCAIN: EU ESTIVE MAIS TEMPO AQUI. EU CONHEÇO AS TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS MELHOR MEU FILHO, GAROTO, “O QUE O GAROTO (OBAMA) NAO PARECE QUERER ENTENTER (what the Senator doesn’t seem to be able to understand) over and over and over.

ESSA É A TATICA

NÃO OLHAR NUNCA NOS OLHOS DE OBAMA

RIR SEMPRE NA HORA DA RESPOSTA DO OUTRO

É ISSO

SERÁ ISSO

E PROVAVELMENTE SERÁ ELEITO

FALO DE McCAIN, o Quarto Beatle. Não falou dos Weapons For Mass Destructions no Iraq que não existiam, não falou do massive tax break pra elite, não falou que o Irã era mais enfraquecido com a presença de Saddam Hussein.

SÓ TEM UM PROBLEMA: MCCAIN ESTÁ AQUI HÁ MAIS TEMPO, SIM!

MCCAIN ASSINOU MAIS ACORDOS SIM!

E JUSTAMENTE POR ISSO

JUSTAMENTE PORQUE FEZ ISSO E AQUILO

JUSTAMENTE PORQUE CONHECE AS ENTRANHAS DOS MECANISMOS

É QUE ESTAMOS NA MERDA EM QUE ESTAMOS!

É QUE ESTAMOS NA MERDA EM QUE ESTAMOS!

É QUE ESTAMOS NA MERDA EM QUE ESTAMOS!

Mas é assim!

Chega!

GT

 

 

 

 

Do New York Times de sábado:

 

 

The two men met for 90 minutes against the backdrop of the nation’s worst financial crisis since the Great Depression and intensive negotiations in Congress over a $700 billion bailout plan for Wall Street.

Despite repeated prodding, Mr. McCain and Mr. Obama refused to point to any major adjustments they would need to make to their governing agendas — like scaling back promised tax reductions or spending programs — to accommodate what both men said could be very tough economic times for the next president.

For the first 40 minutes, Mr. Obama repeatedly sought to link Mr. McCain to President Bush, and suggested that it was policies of excessive deregulation that led to the financial crisis and mounting economic problems the nation faces now.

“We also have to recognize that this is a final verdict on eight years of failed economic policies promoted by George Bush, supported by Senator McCain — the theory that basically says that we can shred regulations and consumer protections and give more and more to the most and somehow prosperity will trickle down,” Mr. Obama said. “It hasn’t worked and I think that the fundamentals of the economy have to be measured by whether or not the middle class is getting a fair shake.”

Mr. McCain became more animated during the second part of the debate, when it shifted to the advertised topic: foreign policy and national security. The two men offered strong and fundamentally different arguments about the wisdom of going to war against Iraq — which Mr. McCain supported and Mr. Obama opposed — as well as how to deal with Iran.

More than anything, Mr. McCain seemed intent on presenting Mr. Obama as green and inexperienced, a risky choice during a difficult time. Again and again, sounding almost like a professor talking down to a new student, he talked about having to explain foreign policy to Mr. Obama and repeatedly invoked his 30 years of history on national security (even though Mr. McCain, in the kind of misstep that no doubt would have been used by Republicans against Mr. Obama, mangled the name of the Iranian president, Mahmoud Ahmadinejad, and he stumbled over the name of Pakistan’s newly inaugurated president, calling him “Qadari.” His name is actually Asif Ali Zardari.).

 

 

PS. do Vamp: Sobre o ocorrido: Um vagabundo entrou com nicks de outras pessoas e postou comentários em nome das mesmas. Todos sabemos quem é o vagabundo. Aqueles que deram o e-mail para o vagabundo terão que mandar um e-mail diferente para o Gerald e só comentar aqui no Blog com o e-mail novo. É o preço a pagar por não saberem escolher amizades. Quanto ao vagabundo: Eu sei quem é ele. Ele sabe que eu sei. Eu sei onde encontrá-lo. Ele não imagina quem eu seja. O mundo dá voltas, mas é na reta que resolvemos nossas diferenças.  Não hoje, não amanhã, mas resolvemos!

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Vem aí o Inferno anual e o Império da Manipulação das Emoções. Quem sofre mesmo? Quem viveu DE FATO o 11 de setembro?

Contagem anual:  9, 10, 11… de setembro dos INFERNOS!!!!

E a cada ano fica pior. Eu achava, lá no inicio, digo, em 2002, 2003, que iria melhorar. Nada. Essa merda só piora! Vem mais um aí. A data está dobrando a esquina. E a lista de pedidos de entrevista são os mesmos ou um pouco diferentes, mas o martelo bate como se fosse o personagem Clov na cabeça de Hamm em “Fim de Jogo”, de Beckett. Som de lata! Sim, aquele dia foi um final de jogo, um fim de mundo, um final das contas, o holocausto ao vivo. O holocausto dentro dos EUA. Para aqueles que não estiveram em Kosovo, ou no Vietnam, ou em Sarajevo, Uganda, Ruanda, sim, esse aqui foi o que nos atingiu. Não me falem em Hiroshima, Nagasaki, Dresden, Auschwitz, Dachau, Buchenwald porque os ossos de meus parentes estão em cinzas lá. Sem lágrimas. Na boa!

Também vi Vigário Geral!

11 de setembro e as ruínas onde fui trabalhar e, ao voltar empoeirado, massacrado e sem fibra, escrevia meu depoimento para a “Folha”.

Mas o que veio depois foi ainda pior: A política de Bush. Não posso acreditar que estou em 2008 escrevendo isso. Leiam o que quiserem e acreditem em quem quiserem, juro que não agüento mais discutir como estrelar um ovo. Você agüenta? Não, não agüenta. Tenho aqui na minha frente todos os livros de Woodward e o 9/11 Commission Report e o livro de George Tenet e o de Frank Rich e uma pilha de livros que nem eu mais agüento ver ou ler. Náusea. Não, nada a ver com o Sartre, não.

Não posso acreditar que estou em 2008 me vendo diante de John McCain e Sarah Palin e sua pequena vila pentecostal no Alasca. Essa radical quase fundamentalista que transborda “pecados” por todos os lados. Transborda? Como assim? Sim. Marido bêbado que é pego dirigindo “sob a influência”… “DUI”, chama-se isso aqui.

Deus quis”… Ai, meu deus! Qual deus? Qual deus? “Deus é o maior problema, não a solução”, dizia um grafiti numa calçada em Brooklyn, nos dias após os ataques.

Não. Esse jogo de novo, não. Sou de teatro, mas odeio a repetição!

Será que escrevo sobre os ingressos do show da Madonna na Argentina que esgotaram em questão de horas? Digo, a mesma Argentina que vaiava Madonna por interpretar Evita Perón na sacada da Casa Rosada… Não, não irei entrar nessa de falar sobre a Madonna. Vou tentar me distrair com a ótima entrevista concedida por Alec Baldwin ao “60 Minutes” de domingo último, em que demonstrava ser  “outrageous”. Um cara de coragem singular por ter se “excluído” de Hollywood. Sim, e por quê? Porque sim! Porque George Bernard Shaw diria que ele seria um caso muito “peculiar” e que pertenceria ao equivalente a Fabian Society ou que ele atrairia muito mais atenção sendo um excluído! Faz sentido. Pouco. Tanto quanto Palin, Deus, Jews for Jesus ou campanha eleitoral onde VALE TUDO, ou seja, nada!

De volta a realidade, Gerald! Volta!  O ex-pastor, ministro, sei lá como se chama isso, da igreja de Sarah Palin (a Wasilla Assembly of God) falam em jivês, em gírias. Não, gírias, não. Falam como se fala no candomblé. Ou seja, quem é de fora não entende. É para não entender. É que nem o meu teatro. Epa! O ex-pastor de lá, o tal de Brickner, dos Jews for JESUS (Judeus por Jesus) acha que os ataques a Israel são justificados pelo seguinte: Ouçam bem: porque os judeus não procuraram por JESUS!!!

OLHEM o NÍVEL de loucura em que está metida a nossa potencial VICE presidente! E eu, tentando fazer o meu anual memorial sobre o 11 de setembro que vem sombrio, sóbrio, frio, estúpido, como todo setembro vem! ESTÚPIDO!

Olhem o potencial nível de loucura ao que chegou o Jihad propagandístico da políticaÉ um deus contra o outro.

O que eu vi da minha janela na Kent Avenue em Williamsburg, naquela terça-feira de manhã? Os aviões batendo no WTC, os prédios em chamas, os prédios caindo… muita gente morrendo e eu indo trabalhar em GROUND ZERO por VINTE E UM DIAS. Foi o que eu vi e vivi. Mas o que foi que aconteceu, por trás das paredes políticas dos que escrevem o DRAMA?

E, fora o petróleo, e a indústria bélica e a indústria do lucro, qual outra intenção? A de estabelecer uma nova ordem religiosa, a new religious RIGHT no mundo, usando Bin Laden (ex Cia nas Afghan mountains contra os russos)… Será? Não, estou sendo um Hamletzinho. Agora que o Musharaff nem “está” mais no Paquistão e o marido da Benazir pegou o poder… o que será? Caos total? A ordem é essa?

Para que liberassem um bando de mentiras?

E que construíssem uma CONSTITUIÇÃO paralela, mentirosa, ilegal… Não, não foi para isso que engoli kilos de asbestos, de amianto. Não foi para isso que segurei sapato com um pé dentro ou camisas… Chega!

Palin mudou de igreja, mas, como pergunta Larry King, “o que nós temos a ver com isso?” Por que isso determinaria o futuro do Commander-in-Chief? Desde quando isso é assunto? Agora ela freqüenta outra pentecostal , mais parecida com uma pipeline (oleoduto), a coisa mais cobiçada pelo estado do salmão, dos esquimós e do bacalhau negro!

Ah, a igreja agora é a outra, do outro lado da rua, e os pastores mudam de nome, vão de Tim McGraw até Larry Kroon, mas são todos a favor desse abominarrável Jews for Jesus, Jesus for Cheese, Cheese for Jesus, Jesus for Cristus, I for Isus, Pumpkins for Ravolis, Ricotas for Veal and so on, e assim por diante e com essa CARTA BRANCA se entra em qualquer país, se destrói, se desmonta, se mente em nome do santíssimo. E se sorri marotamente, assim como Madonna (olha o nome, que ironia!) sorria nos balcões da Casa Rosada com um sorriso amarelo quando a população portenha queria expulsá-la porque a sua santíssima Evita Perón havia sido manchada de um sangue impuro, assim como Brunhilde havia sido manchada com o sangue dos planetas e no desmanchar do castelo de Walhalla… E a Sarah Palin ainda vai me pertencer a uma organização obscura????? (sim, ela existe) Que acredita  QUE O MUNDO ESTÁ PERTO DO SEU FIM!!!! E QUE O ALASCA SERÁ O ÚNICO LUGAR SALVO PARA AQUELES QUE ACREDITAM EM JESUS. Caramba! Está uma coisa muito… o que mesmo?

Isso ultrapassou os limites de uma campanha presidencial. Isso aqui virou uma verdadeira AMEAÇA!

Gerald Thomas

Sobrevivente. Contagem regressiva e ainda sofrendo de Post Traumatic Shock Syndrome!

 

(Na edição: O Vampiro de Curitiba)

09/09/2008 – 23:29Enviado por: Tene ChebaGerald Thomas, sinceramente, o Iraque foi uma disponibilidade que não poderia ser dispensada, na minha opinião.Também para mim, foi um consenso político entre os Democratas e Republicanos, não se gasta o PIB do Chile por ano com uma alçada apenas.No meu ponto de vista,(coisa mais antiga, propaganda de ótica, Ponto de Vista, a melhor), o Iraque serviu para três coisas, desmobilizar um estado com tendências muito perigosas, criar uma barreira geográfica para proteger Israel, Arábia Saudita e menores laterais, vizualizar o Irã mais proximamente.Eu não acredito, que com as poderosas ferramentas disponíveis para tomar decisões, o despropósito ocorreu.A Jordânia vendia petróleo iraquiano, furando o bloqueio da ONU, Kofi Anan, este sim, através do seu filho, deitou os cabelos, e depois foi réu confesso.Não sei, alguém teria que alterar aquele absurdo, 5.000 curdos, mais os xiitas, um motivador e tanto. Gostei, só para variar, do seu texto, incrível que seus textos sempre nos desorganiza, ficamos atordoados, as quatro estações, rir, chorar, feliz e triste, perplexos, no parágrafo final, beijamos a lona. Você é demais.

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A Sinfonia dos Des-Ditos (ato 1: Os Caretas)

 

 

Um torcedor do Corinthians desce a pé  a Brigadeiro Luis Antonio, feliz da vida. Um vulto sozinho neste frio sábado à noite, nesta rua cinza, cidade cinza, sombras além do cinza, garoa fina e cinza ele toca nos postes como se fossem pessoas.  Seu time ganhou.

 A cena não deixa de ser sublime, apesar de estranhamente triste e tristemente cinza, assim como Beckett sonhava o mundo. Estranho esse sentimento passageiro de “vencer”, de “ganhar”. Sempre nós, os homens, querendo vencer ou ganhar. Ou colocando nossas mulheres como cavalos ou éguas de Tróia para vencer nossa batalha por nós. Ele, o loner torcedor-sozinho,  fantasiado de pierrot,  poderia também estar vindo da convenção dos Democratas ou dos Republicanos.

Caramba! Como estou exausto de política! Como estou exausto de retórica. Como estou podremente exausto dessa guerra de nervos que somente se resolverá mesmo é através das urnas, em novembro, nos EUA. E, até lá, será um deus-nos-acuda, um deus-nos-acusa, um rebola hesbollah, um índio a menos ou a mais na tribo. Exausto.

Nessas convenções todo mundo está certo e orgulhoso de que alguém irá “vencer”, “levar o título”, “ocupar o trono”. Nesse catch as catch can, uma mulher estava sendo cogitada por anos, a Hillary, e eis que outra, no partido oposto (um coringa, uma incógnita), a Sarah Palin,  leva a cartada. Golpe sujo. Golpe baixo. Política já foi outra coisa?

Como pergunta pertinentemente alguém (será Larry King?): Ela está preparada para ser a Comandante Chefe?”

A pergunta já inclui a resposta.

Muitas respostas já incluem a pergunta.

Não agüento mais.

O nome “Lula da Silva” me enoja, e todo seu ministério! Mas nada mais tenho a dizer a esse respeito. O Real está forte, os restaurantes desta triste Paulicéia estão cheios. São Paulo enche a pança! É o que se faz aqui. O que mais se faria perto da Brigadeiro Faria Lima? Ah sim, os pequenos teatros alternativos que imitam os grandes teatros de GRUPO alternativos do mundo: mas aqui eles adicionam um pouco de cor a esse gris sur gris!

 Ainda me preocupo muito em ler e ouvir análises disso e daquilo, mas entro facilmente em nada! De tanto golpe baixo em golpe baixo a coisa vai, que nem me importo mais se McMain pega uma mulher que só viu duas vezes na vida antes… Bah! Política!!!  Eu deveria me importar depois de tanto que sofri com o Obama nesse último ano. E agora? Agora é esperar as eleições! Não adianta mais sofrer por antecipação ou por frustração.

A “Sinfonia dos DesDitos”  – que pequena revolução!

Escreve o Comandante Peter Lessman, 27 anos de Varig e agora na “Arab Emirates”:

Tendo a triste lembrança da política Brasileira como pano de fundo, assisti emocionado à Convenção Nacional do Partido Democrata nos EUA oficializando a escolha do seu candidato a Presidente e Vice, assim como também no dia seguinte o show de retórica de Obama aceitando a indicação.

Não consegui desgrudar um minuto daquele espetáculo de democracia e esperança em estado bruto. Do meu quarto de hotel em Bangcoc, acompanhei totalmente fascinado a cobertura da CNN nos mostrando de todos os ângulos possíveis os rostos, expressões e palavras das grandes e pequenas figuras humanas em um grande momento da sociedade americana, comprovando mais uma vez a sua incrível capacidade de reagir efetivamente, e com extremo vigor, quando insatisfeita com os rumos do seu governo e de seu país. Sem contar a grandeza da sua grande adversária derrotada na feroz disputa, Hilary Clinton, quando vigorosamente conclamou a todos para se unirem em torno de Obama, pelo bem do país!

Viajando há quase 30 anos literalmente pelo mundo, este acontecimento mais uma vez confirma o que eu não canso de repetir:

O que realmente diferencia o chamado “Primeiro” mundo do restante não é o dinheiro ou os eventuais rios de petróleo no “pré-sal” de cada país; mas acima de tudo na capacidade, ou não, de cada cidadão entender que a sua conduta e engajamento individual têm um impacto decisivo na qualidade da sociedade na qual ele está inserido, e conseqüentemente o futuro da sua nação…

O sistema deles funciona e se aprimorou ao longo dos anos com muita luta e até de uma guerra interna, e onde mulheres e negros, por exemplo, só conquistaram o pleno direito ao voto há menos de 100 anos.

Mas há duas características fundamentais por trás deste sucesso: os simples e sólidos princípios básicos quando a Constituição deles foi criada há mais de 200 anos pelos chamados “Pais Fundadores da Nação”, e o total comprometimento e vigilância de cada um dos cidadãos para com o seu fiel cumprimento.

E é este mesmo engajamento que tornou possível o “fenômeno” Obama, e TODOS os comentaristas políticos são unânimes em concordar, através do que eles lá chamam de “grass roots movement”. Um movimento “de raízes”, de “base”, onde através do trabalho “de formiguinha” de dezenas de milhares de voluntários de TODAS as camadas sociais país afora, ele obteve o apoio e arrecadou milhões de dólares para ao seu movimento chamado de “Change” (Mudança).

Assim como levou milhões a repetir em coro ao longo da campanha pela indicação de candidato pelo partido Democrata o “yes we can” (nós podemos sim). Com certeza fará o mesmo na Campanha Presidencial contra o candidato Republicano McCain.

E ele reconheceu a importância deste trabalho em um dos momentos marcantes do seu discurso de aceitação da candidatura Democrata ao afirmar: “O que alguns ainda não entenderam é que tudo isto que está acontecendo (o movimento CHANGE que ele lançou) não trata da minha pessoa (it’s not about ME), mas é sobre vocês! (it’s about YOU!)”, em uma extraordinária lição de humildade e liderança que já começou a fazer história.

Pois é, meus Brasileiros e Brasileiras: cada país tem o “Fenômeno” que merece certo?

Será que NUNCA aprenderemos a reagir??

Abraços esperançosos de muito longe,”

Peter Lessman.

 Minha companhia de teatro finalmente “aconteceu”: ontem, sábado, lá no SESC Paulista. O que significa acontecer? Significa fazer a cena acontecer! Significa entrar no groove, entrar no vivo da natureza viva e nunca morta. E estamos vivos. E o projeto que já mudou de nome (depois de muita raiva minha e muitas dissidências de atores) esta lá, de pé, assim como o teatro está de pé desde Sófocles!

 

E como o torcedor do time desta capital descendo uma de suas avenidas principais numa falsa alegria passageira, eu, numa falsa alegria passageira, comemoro um dia de vitórias dramáticas sabendo que o povo de New Orleans está fugindo do “Gustav”, marido da “Katrina”, 3 anos depois da devastação, pois é disto que nós somos feitos:

Festas

Vitórias

Devastação

Gerald Thomas

Abaixo, um texto de Artaud (mandado por Marina Salomon) em resposta á minha ira de anteontem no “ Geração Careta”: 

“Jamais, quando é a própria vida que nos foge, se falou tanto em civilização e em cultura.  Há um estranho paralelismo entre essa destruição generalizada da vida, que encontra-se na base da desmoralização atual, e a preocupação com uma cultura que jamais coincidiu com a vida, e que é feita para governar sobre a vida.

Antes de retornar à cultura, observo que o mundo tem fome, e que ele não se preocupa com a cultura; e que é apenas de maneira artificial que se quer dirigir para a cultura pensamentos que estão voltados unicamente para a fome.

O mais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência jamais salvou um homem de ter fome e da preocupação de viver melhor, e sim extrair disso que se chama de cultura idéias cuja força viva seja idêntica à da fome.

Nós temos necessidade sobretudo de viver e de acreditar naquilo que nos faz viver e que alguma coisa nos faz viver ¤ e aquilo que sai do misterioso interior de nós mesmos não deve retornar perpetuamente sobre nós mesmos, em uma preocupação grosseiramente digestiva.

Quero dizer que se para todos nós é importante comer, e já, nos é ainda mais importante não desperdiçar nesta única preocupação imediata de comer nossa simples força de ter fome.

Se o signo da época é a confusão, vejo na base dessa confusão uma ruptura entre as coisas e as palavras, as idéias, os signos que são a representação dessas coisas.

Certamente não são sistemas de pensamento que nos faltam; o seu número e as suas contradições caracterizam nossa velha cultura européia e francesa: mas quando é que a vida, a nossa vida, foi afetada por esses sistemas?

Não diria que os sistemas filosóficos são algo que se possa aplicar direta e imediatamente; mas das duas, uma:

Ou esses sistemas estão em nós e somos impregnados por eles a ponto de viver deles, e neste caso o que importam os livros?  ou nós não somos impregnados por eles, e neste caso eles não merecem nos fazer viver; e de

qualquer forma, que importa seu desaparecimento?

É necessário insistir sobre esta idéia da cultura em ação e que se torna em nós como um novo órgão, uma espécie de segunda respiração: e a civilização é a cultura que se impõe e que rege até mesmo nossas ações mais sutis, é o espírito que se encontra nas coisas; e é de maneira artificial que se separa a civilização da cultura, e que há duas palavras para significar uma única e idêntica ação.

Julgamos um civilizado pelo modo como ele se comporta, e ele pensa da maneira como se comporta; mas já sobre a palavra civilizado existe uma confusão; para todo o mundo, um civilizado culto é um homem esclarecido quanto aos sistemas, e que pensa através de sistemas, de formas, de signos, de representações.

É um monstro em quem se desenvolveu até o absurdo essa faculdade que temos de extrair pensamentos de nossos atos, em vez de identificar nossos atos com nossos pensamentos.

Se falta amplitude à nossa vida, ou seja, se lhe falta uma constante magia, é porque gostamos de observar nossos atos e de perder-nos em considerações sobre as formas sonhadas de nossos atos, em vez de sermos impelidos por eles.

E essa faculdade é exclusivamente humana.  Diria mesmo que é essa infecção do humano que nos estraga certas idéias que deveriam permanecer divinas; pois, longe de acreditar no sobrenatural e no divino inventados pelo homem, creio que foi a intervenção milenar do homem que acabou por nos corromper o divino.

Todas as nossas idéias sobre a vida devem ser modificadas, numa época em que nada mais adere à vida.  E essa penosa cisão é motivo para que as coisas se vinguem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nas coisas ressurge de repente pelo lado mau das coisas; e jamais se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só pode ser explicada por nossa impotência em possuir a vida.

Se o teatro existe para permitir que nossos recalques tomem vida, uma espécie de atroz poesia se exprime através de atos bizarros, onde as alterações do fato de viver demonstram que a intensidade da vida permanece intacta, e que bastaria melhor dirigi-la.

Porém, por mais que queiramos a magia, no fundo temos medo de uma vida que se desenvolvesse toda sob o signo da verdadeira magia.

E é assim que nossa ausência enraizada de cultura espanta-se com certas grandiosas anomalias e que, por exemplo, em uma ilha sem nenhum contato com a civilização atual, a simples passagem de um navio, somente com pessoas sadias, pode provocar o aparecimento de doenças desconhecidas nessa ilha, e que são uma especialidade de nossos países: zona, influenza, gripe, reumatismos, sinusite, polinevrite, etc., etc.

Do mesmo modo, se achamos que os negros cheiram mal, ignoramos que para tudo aquilo que não é Europa somos nós, os brancos, que cheiramos mal.  E eu diria mesmo que exalamos um odor branco, branco assim como se pode falar de um “mal branco”.

Como o ferro aquecido ao branco, pode-se dizer que tudo o que é excessivo é branco; e para um asiático a cor branca tornou-se a insígnia da mais extrema decomposição.

Dito isto, podemos começar a traçar uma idéia da cultura, uma idéia que é antes de tudo um protesto.

Protesto contra o estreitamento insensato que é imposto à idéia de cultura ao se reduzi-la a uma espécie de inconcebível Panteão; o que resulta em uma idolatria da cultura, da mesma maneira que as religiões idólatras colocam deuses em seu Panteão.

Protesto contra a idéia separada que se faz da cultura, como se existisse, de um lado, a cultura, e de outro a vida; e como se a verdadeira cultura não fosse um meio requintado de compreender e de exercer a vida.

Pode-se queimar a biblioteca de Alexandria.  Acima e além dos papiros, existem forças: podem nos roubar durante algum tempo a faculdade de reencontrar essas forças, mas não podem suprimir a sua energia.  E é bom que muitas das grandes facilidades desapareçam e que certas formas caiam no esquecimento; assim a cultura sem espaço nem tempo contida em nossa capacidade nervosa ressurgirá com uma energia amplificada.  E é justo que de tempos em tempos se produzam cataclismas que nos incitem a retornar à natureza, ou seja, a reencontrar a vida.  O velho totemismo dos animais, das pedras, dos objetos utilizados para aterrorizar, das vestimentas bestialmenteimpregnadas, em uma palavra tudo o que serve para captar, dirigir e desviar as forças, é para nós uma coisa morta, da qual sabemos apenas tirar um proveito artístico e estático, um proveito de fruidor e não um proveito de ator.

Ora, o totemismo é ator porque se move, e é feito para atores; e toda verdadeira cultura apoia-se sobre os meios bárbaros e primitivos do totemismo, cuja vida selvagem, ou seja, inteiramente espontânea, quero adorar.

O que nos fez perder a cultura foi nossa idéia ocidental da arte e o proveito que dela tiramos.  Arte e cultura não podem andar juntas, contrariamente ao uso que universalmente se tem feito delas!”

Antonin Artaud

  

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

 

 

 

 

 

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