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Isle-landic repetitions: hostages without a cause

The shortest way (sometimes) seems as if it’s the longest.


An oig rig burning out of control in the Gulf of Mexico sank Thursday morning, with 11 workers still missing and the authorities fearing a potential environmental disaster. What are we to make of such things? A few days ago, if I remember a-right, a ship was sinking off the coast of Australia, leaking hundreds of millions of thousands of dozens of tens of billions  of crude oil. Oil. And oil. Oil oil oil. And “our growing dependency on FOREIGN oil” is on the mouth of every president, prime minister, minister, ter or just on every publicly elected  mouth. Mouth. Monmouth.

Yes, we’ve been witnessing disasters like never before. Since the catastrophe in Haiti, so many others followed that …That what?  What? Yes, and Iceland holding us all as hostages without a cause….Strange days. And there is greed. Oh yes, the greed. Not ending, never bending, never minding, always on the foreheads and the forefronts  of our delicious capitalism. So, after the Detroit automotive industry and a daring Health Care plan, Obama now goes to Wall Street and takes on the money guys.

Pushing an overhaul plan for financial regulation on Thursday, president Obama said, “Unless your business model depends on bilking people, there is little to fear from these new rules.” Meaning, “work with us, not against US”.

Speaking in the bankers’ backyard inManhattan (what is a banker’s backyard? What does it grow? Alan Greenspan trees?), Mr. Obama castigated a “failure of responsibility” by Wall Street that led to the financial crisis of 2008, and he pressed his case for what he called “a common-sense, reasonable, non-ideological” system of tighter regulation to prevent any recurrence. He took issue with the claim that his proposal would institutionalize the idea of future bailouts of huge banks. Let me repeat this: “institutionalize the idea of future bailouts of huge banks”. I wonder what all this really means.

Oh yes, the banker’s backyard and the “natural” disasters that have rocked Haiti, Chile, China…the unnatural disasters that make us smaller and smaller by the day, by the hour: the ash cloud pending over our heads for a week here in Europe: a cloud of ash and TEN straight days of pure (I mean pure) sunshine in London. Not a drop of rain. Just police activity, but not a drop of rain.

As I actually write this, the 3 candidates are debating (in Bristol), on British Television. The very 1st televized debate here in the UK. It took the Brits 40 years to repeat or to imitate the US pattern of a Presidential debate: now they’re talking about whether or not to get “closer” to the European Union, or stay away from the Brussel sprouts.

What do the 3 have in common?: President Obama.  Obama has become the number ONE reference for the British candidates. It’s amazing, if not funny, how “the buck stops here” (G. Brown) or “guys, you (Cameron) are either anti European or anti American. Again, Gordon Brown’s words against the constant rhetoric dribbling out of Cameron’s mouth: CHANGE ! CHANGE! . Yes, the “Obama era” is here and it’s staying.

Nick Clegg and the 2 others are good performers. There’s something America can certainly learn. American candidates do not perform well. No education. McCain’s morose speeches were based on GOP cheering and nothing else. Oh yes, there was the POW drill, always: “I was tortured in Vietnam and so on….”. Does past torture a good president make?

But here in the British isles there are no women competing. No women since Thatcher. No women since Queen Victoria. Queen Elizabeth…well, Queen Elizabeth. What can one say? Nothing. That she picked a fight with Annie Leibovitz and???

The level of discussion or, say, the argument is far more intelligent here in England. That is a given fact.

Walk the walk and talk the talk.”

As I was sketching out a column, along with the withdrawal symptoms of the (serious) Topamax effects, I began to write what the candidates then actually said: “Walk the walk and talk the talk.” I don’t walk. I do indeed (seriously now)… talk.

So, please forgive me for any….Well, it’s the lack of Topamax in my system. I’m not on any ‘legal high’ , believe me. Just the wonderful cup of coffee (blended with ice, a sort of coffee shake), from Patisserie Valerie.

Tell me, for real: do we need Jim Cameron  (who makes the biggest fortune with his mediocre films)….do we need him to teach Brazilians just because he spent some days (or maybe more, who cares?), amongst a tribe of Brazilian Indians? How does it sound when a film director  takes on the “save the rain forest” campaign and tells the world what Lula is doing wrong or right?

Everything (or maybe nothing) seems more surreal than a withdrawal.

Zweig. Zweig means twig, branch.

Twig. Stephan Zweig committed suicide.

Branches and twigs, however, is what Beckett meant when he planted a tree in the middle of the set for Didi or Estragon to hang themselves in “Waiting for Godot”.

We have become disaster watchers. Oil.

Change. We have become witnesses to television crews being embedded in tanks in some mountain in Pakistan or something. We’re passive when film directors tell us “what is” and “what isn’t” (remember? Titanic sank!) and when Labour, Tory or Liberal Democrats copy a system which is, as I write, being dismantled. While America is deconstructing its system, Britain is trying to build a version of America (not aversion). An isle-landic version of what America once was. Oh, the colonoscopy! Oh, the colonies!

Is Kafka having a ball? Well, if not, then he should. Is Orwell turning in his grave? Huxley? Are they all meeting silently with Stephan Zweig and talking about the dry tree? The last tree? The last tree on earth?

Sad, very sad update: bombings kill hundreds in Iraq. Why are we there? oh yes, Oil.

Gerald Thomas

London 23 April 2010

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Barack Obama Ganha NOBEL da PAZ: ESSE É O CARA!

President Barack Obama speaking at the United Nations on September 23.

OSLO – O presidente americano, Barack Obama, foi premiado nesta sexta-feira com o Nobel da Paz 2009, “por seus esforços extraordinários para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos, indicou o Comitê Nobel da Noruega.

“O comitê atribuiu muita importância à visão e aos esforços de Obama em vista de um mundo sem armas nucleares”, declarou o presidente do comitê, Thorbjoern Jagland.

O anúncio causou surpresa. Além de Obama, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, era um dos candidatos, mas ambos não eram tidos como favoritos. As indicações são feitas por milhares de pessoas de todo o mundo, tais como parlamentares, ministros, ganhadores de anos anteriores, professores universitários e membros de organizações internacionais. Os nomes são mantidos em segredo pelo comitê, mas alguns acabam vazando.

Para a edição deste ano, foram 205 indicados, entre pessoas e organizações. “Trata-se de um número recorde, depois de 2005, quando foram apresentadas 199 candidaturas”, informou o diretor do Instituto Nobel, Geir Lundestad.

O comitê, que esperou até o último momento, fez sua escolha em uma última reunião celebrada na segunda-feira (5). Dada a quantidade de indicados e sem um grande favorito, o Comitê Nobel precisou se reunir neste ano mais vezes do que o habitual para poder designar o premiado. “Tivemos mais reuniões que de costume, pois desta vez havia um grande número de candidatos, porque dois de nossos membros são novos e porque tentamos utilizar o tempo que temos para fazer a melhor escolha”, explicou Lundestad.

Vencedores das edições anteriores

No ano passado, o prêmio Nobel da Paz foi entregue ao ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, que esteve envolvido em várias negociações de conflitos como o de Kosovo e Iraque.

Em 2007, o prêmio foi para ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore, juntamente com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. Um ano antes o escolhido foi o bengalês Muhammad Yunus, pioneiro na implementação do microcrédito para pessoas em extrema pobreza (2006).

EU preciso dizer mais alguma coisa?

Acho que não.

É limpar as lágrimas do rosto de emoção e pronto.

CONGRATULATIONS MR.PRESIDENT!

Estou mudo de emoção, ou… sei lá. Obama ganha prêmio Nobel da PAZ. Acordo cedo, como sempre (quando durmo), e a tela já abre no New York Times: “filed one minute ago”. “OBAMA WINS THE NOBEL PEACE PRIZE”. Caramba! Olhei pra tela e não acreditei. Estou eufórico. Eufórico em pensar que hoje alguns republicanos vão ter infecção na gengiva. Eufórico em saber que HOJE o Health Care Reform PASSA!

Eufórico porque o OBAMA MERECE e pronto! Sem mais conversa fiada!

Não irei escrever mais nada.

Não preciso.

Vocês sabem.

E, se não sabem, é porque eu fiz com que não quisessem saber. Eis um trecho da tradução de “Suicide Note”, “trivial de uma infância num asterisco da linguagem”:

Os doces e bolos não te interessavam. Aliás, te davam um imenso sentimento de culpa e de vergonha, aquela mulher com aquela bonezinho empacotando doces em troca de dinheiro… Ao perguntar o que você quer, você responde que nada. Tua mãe te olha com um ponto de interrogação, pois foi você quem pediu para ir lá. Ela nem imagina que são aqueles dois, mãe e filho, a razão por você ter pedido para passar ali. De novo, nos próximos quarteirões, você nada nota, nada sente além da “awe“, algo entre fascínio religioso e o respeito e tremor perante a santidade. Você passa cada vez mais tempo devotado aquela imagem. De noite, deitado na cama, ainda acordado, você fantasia coisas inacreditáveis. Você se imagina parte da vida daquela mulher. Tem com ela uma relação amorosa, filial. Por mais incrível que soe, você se sente mais perto dela que da sua própria mãe. E ainda aquela Lua ali que te olha e pesa sobre você. Sim, agora você acaba por chama-la pelo teu próprio nome.

A partir desse momento, você desenvolve um senso crítico que te acompanhará a tua vida inteira. Nada mais é o que é. Nada mais é o que te dizem. Você acredita enxergar algo atrás de tudo que te descrevem. Você acredita enxergar algo atrás de tudo que te descrevem. Você se sente muito bem e muito mal o tempo todo. Você não se sente parte de nenhum lugar e você está experimentando um gosto estranho que não mais te permitirá, jamais, sentir bem em qualquer circunstancia em qualquer lugar. Você carrega um choro contido e ao mesmo tempo um raio de sol de otimismo que não consegue sair. Você só se sente bem no chão do teu quarto rabiscando nos blocos gigantescos de papel jornal que teu pai te dá. Você está contaminado por um vírus indefinível e acha que o tempo não vai passar nunca. Você ama aquele lugar em que  você não está e não gosta daquele onde você está. Passará a próxima década vendo o lado horrível e risível das coisas, o lado torto de tudo, o erro primal, as diferenças gritantes, os acidentes, o lado frágil em tudo e todos; você até desenvolve uma repulsa por sangue, uma exaustão ao premeditar qualquer ação, de dá-la como inútil de ante mão. Você se torna para todos e para você mesmo a essência de tudo que vê e sente: insuportável.”

Gerald Thomas

October 9, 2009

New York City

LOVE

Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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Morre o Leão do Senado Americano

 

 

New York- Morreu ontem à noite o “último” dos Kennedys. Irmão mais novo de John e Bob (ambos assassinados), Ted foi um dos maiores combatentes a favor dos direitos humanos.

Todos sabíamos que já estava muito mal, sofrendo de um tumor no cérebro, tanto é que não conseguiu participar da campanha do Presidente Obama o quanto quis participar.

Num jantar estratégico (e Obama já eleito) na Casa Branca, servido para pouquíssimas pessoas, Ted passou muito mal e teve que ser retirado.

Os Kennedys têm ou tiveram uma vida trágica e uma complicada relação com o álcool. No caso de Ted Kennedy o álcool provocou um acidente de carro em Chappaquiddick, em que sua secretária (e amante) acabou morrendo. Ele nadou e se salvou. E isso quase lhe custou a carreira política.

O namoro com a morte entre os Kennedys é tão famosa quanto é triste e inclui aqueles que se agregam à ela, como Jackie ou a família Shriver: na medida oriental do yin e yang, eles são tão fortes quanto são fracos.

Robert Kennedy, o irmão do meio, assassinado em 1968, teria sido um dos maiores lideres e pensadores políticos desse país. Sua causa era justamente a de quebrar a barreira da cor (naquela época), do preconceito racial. Ted, de certa forma seguiu seus passos, mas timidamente.

Até os Republicanos o respeitavam. Coisa rara num país dividido entre conservadores e liberais.

O “leão do Senado”, como era chamado, conseguia alianças em todas as áreas porque era um homem brilhante e porque vinha de uma família brilhante! E não media esforços em sua própria batalha no campo dos direitos civis ou da educação e da saúde.

Agosto ou o câncer? Ou os dois? Tem sido triste que – quarenta e cinco anos depois que seu irmão mais velho, John, iniciou o projeto que iria colocar o homem na Lua, ainda estamos perdendo pessoas notáveis e não notáveis para o câncer! É de dois em dois dias, abrir o jornal pra ver a desgraça!Michael Jackson, Pina Bausch, Merce Cunningham, Eunice Shriver, Walter Cronkite, Don Hewitt e…

Ted Kennedy disse, na posse de Obama: “Eu vi a luz”. Qual terá sido ela? A “era Obama” ou a luz que vem com a morte?

Gerald Thomas

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Tortura (bem, sei lá… espero!) NUNCA MAIS!

Tortura sob Bush

New York- Não será fácil escrever esse post, já que me comove, emociona essa questão da tortura. Por seis anos da minha vida fui militante (eram 24 horas por dia, não se dormia) na Amnesty International, em Londres. Naquele Secretariado Internacional, na sede, eu convivia com todas as atrocidades, notícias, mutilações, assassinatos vindos de todas as partes do mundo. Meu trabalho era fazer contato com prisioneiros, advogados, exilados, parentes de desaparecidos nos porões, nos cárceres, etc.. Foi duro. Hoje, então, começa um longo processo de (espero) desmantelamento de uma máquina que espalhou pelo mundo uma técnica que causou tanto mal. 

Existem os terroristas. Quero que morram! Mas eles não são “o” governo.  Agem por conta própria e merecem o castigo ou o punishment apropriado! Não há nada pior do que quando um governo se rebaixa ao nível de uma organização terrorista e age como tal.

Começa o processo de denúncia contra o ex-presidente. Já nos primeiros CEM dias de Obama na presidência, uma “espécie” de revolução se torna visível. Viva!

Então, é isso: o Presidente Obama abre caminho para ações judiciais contra os torturadores: ou contra aqueles que praticavam “técnicas duras de interrogatório” do governo passado! Ah! Vamos ver quem vai surgir desse porão de sujeiras!!!

Obama disse ontem, numa coletiva em todas as redes, que apoiaria uma comissão de investigação bipartidária. Mas é óbvio que os Republicanos estão com o cu na mão! O diretor da C.I.A. escreveu que tortura levou a “informações valiosas”. Que loucura! Eu, que fui militante, por seis anos, na Amnesty International, em Londres, na década de 70, leio tudo isso meio que… de boca aberta. TORTURA NUNCA MAIS!

E NO ENTANTO… ainda se tortura e… aqui, debaixo do meu nariz. Sim, óbvio! Todos vimos as fotos de Abu Ghraib e Guantánamo e não sei quantas outras bases. Aqui perto de onde escrevo, em Riker’s Island, ou Sing Sing (prisões de New York), é comum ouvir-se que um “lock down” (prisioneiros são “recolhidos” de repente), significa que um ou dois são levados a “celas especiais” e de lá vão pra salas médicas.

(Enquanto escrevo, passa aqui no East River um enorme barco da Coast Guard… hmmm… será que serei o próximo?)

UMA declaração de amor à ROLHA!

Imaginem a vida de uma pobre rolha. Ela segura ali um belo vinho (digamos um Barolo ou um Tignanello ou um Brunello de Montalcino) por anos e anos e mais anos. Eis que de repente alguém vai – CRUELMENTE – e enfia-lhe aquele saca-rolha, pontudo, afiado, aquela coisa de metal encaracolada, penetrante, e… vupt! Como se num golpe entre o vácuo e o gozo, a rolha se foi! Semi-destruída e homeless, ela nada vale. Toda a atenção está no vinho. Sim, decantar o vinho!

E 98 por cento das rolhas vão pro lixo! Apodrecem, sofridas, amputadas, meio putas, Gregor Samsas que são, irão ao encontro de baratas e outros bichos! Sim, tiveram o privilégio de segurarem UM LITRO do mais caro e delicioso vinho por uma década. Agora estão fora da militância. Estão no lixo! TORTURA! E tortura que termina em MORTE.

Obama abriu caminho ontem para processos contra autoridades do governo Bush que criaram o marco legal para torturar suspeitos de terrorismo em interrogatórios. Nosso presidente disse que os EUA perderam “o patamar moral” com o emprego de táticas como simulação de afogamento (waterboarding) e “outros”, como sleep deprivation (material de comédia pro programa do David Letterman de ontem, que disse ter o mesmo problema, o de não conseguir dormir), que eram chamadas de “técnicas duras de interrogatório” pelo governo anterior.

O comentário de Obama foi feito um dia após reiterar, na sede da CIA – onde foi ovacionado – que os funcionários da agência envolvidos nos abusos não serão punidos por isso.  Pena! Mas em qual país algum torturador já foi punido? Me digam. Me contem. Nem a PIDE em Portugal… (bem, esqueçam Portugal porque ela não existe), mas Argentina, Chile, Espanha, etc. Alguém da Stasi foi punido? Até Werner Von Braun foi pra Nasa ao invés do cárcere!!!! Aliás, foi por causa de Von Braun que colocamos  o PÉ na Lua!!! “Quem tem os melhores nazistas? Os russos ou os americanos?” – Tom Wolfe, em “The Right Stuff”

CIA, tortura e América Latina

Phillip Agee, “Diários da CIA”: Quem ainda não leu, leia. É, no mínimo, interessante. E quem não sabe do envolvimento ou do TAMANHO DO GRAU DE ENVOLVIMENTO  entre os engenheiros da tortura (CIA) e como ensinavam aos militares sulamericanos nos anos da ditadura do Cone Sul, investiguem e se informem.

Nos DOI-CODI’s, nas Oban’s, nos DOPS, etc. houve muita criatividade, como o pau de arara, por exemplo.

Mas para mim é doloroso entrar nesse assunto, por motivos óbvios.

Ontem, Obama deixou a cargo do secretário da Justiça, Eric Holder, avaliar se os mentores dos interrogatórios com tortura devem ser processados. Holder agirá “dentro dos parâmetros de inúmeras leis e eu não pretendo prejulgar isso”, disse.
Ele declarou também que apoiaria uma investigação parlamentar bipartidária do programa de detenção de suspeitos de terrorismo da era Bush. A porta aberta ontem por Obama aparentemente contrariou a declaração de seu chefe de gabinete (equivalente no Brasil a ministro-chefe da Casa Civil), Rahm Emanuel, que dissera, no domingo, que o governo não apoia processos contra “os que planejaram a política”.
Assessores da Casa Branca depois informaram que ele tinha se referido aos superiores da C.I.A. e não às autoridades do Departamento da Justiça, autoras dos memorandos que os autorizavam.
Ontem o “New York Times” revelou que o diretor da C.I.A., Dennis Blair, escreveu um memorando a seus funcionários, também na quinta passada, no qual diz que as técnicas agora banidas forneceram “informações valiosas”. Na versão distribuída à imprensa não havia esse trecho e a agência disse que o documento passou por processo normal de edição.
A revelação deve munir as críticas de políticos republicanos e ex-funcionários, como o ex-diretor da C.I.A. Michael Hayden, que alegam que a revelação dos memorandos compromete a segurança nacional.
O ex-vice-presidente Dick Cheney (esse merda!), já havia pedido a divulgação de documentos que provariam que os órgãos de inteligência obtiveram dados importantes nos interrogatórios em que houve prática de tortura.
A revisão da política de combate ao terror de Bush representa um enorme problema para Obama.  Mas o fato é que Obama mostra uma enorme coragem em querer desmantelar essa máquina do mal, essa merdalha que levantou o lado RUIM desse país maravilhoso, mas que também teve o Macartismo e manteve uma guerra fria (parcialmente por inabilidade e arrogância de seus líderes em dar uma surra nos outros do lado de lá, que nada tinham a não ser um medíocre programa aeroespacial. Arrghhhg! O MURO, o PACTO de Varsóvia, quantas VIDAS perdidas em nome do QUÊ?  E tantos ismos e xismos! PRONTO. BASTA, entramos numa nova era!

BRAVO MR. PRESIDENT!

Gerald Thomas (autor e diretor de teatro e militante na Amnesty International em Londres na década de 70, por seis anos)

Agradeço aos mais de 600 comentários do post anterior.

 

 

Esclarecimento do leitor José Pacheco:

“Cada dia fico mais encantado por teus enviados.
Não etive nem estou cagado.
O mal eu conheço pois em Belmonte devido um caldo de sururú tanto obrei que quase me torno especializado.Foi terrivel. Bactéria brava e tinhosa.Um dia contarei em detalhes.Deste mal que fui atacado e por ter sido salvo pelo Doutor Luiz Brun daquela cidade é que tenho hoje um dos meus melhres amigos.Ele é o dono da Clinica Anacleto de Paula.Um atual Robin Hood dos tempos modernos.Cobra um a mais de quem pode e ajuda os que nada tem.E como ajuda!Com ele aprendi que uma simples visita e uma palavra de carinho a doentes hospitalizados é um bem tão grande que ajuda até na recuperação do doente.E tenho feito o que posso neste sentido.
Fique tranquila porque a caganeira não passou de um mal entendido.
Isto acontece .No frigir dos ovos lucrei ao perceber que eu existo.

E cagar todos cagamos.

Abaços.
Ou melhor.

Jose Pacheco”

 

 

(Vamp na edição)

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We Won’t Get Fooled Again!

 

We Won’t Get Fooled Again! (The Who)

 

Obama propõe “novo começo” a Cuba

Na abertura da Cúpula das Américas, presidente americano prossegue o xadrez de reaproximação com inimigo da Guerra Fria. Como Raúl Castro, ele diz querer diálogo direto, mas não “falar por falar” aos vizinhos. Diz que EUA não podem ser culpados de tudo.

Querem saber? Estou feliz nesse momento.  Cuba não representa nada. Uma reaproximação com a Ilha poderá, no máximo, tirar a “tirania” (nossa, que português horrível!) do poder e reestabelecer os mínimos, que sejam, valores democráticos à Havana.

Que seja! Mas não seremos enganados de novo, como berrava, girava com sua guitarra, Pete Townsend em “We Won’t Get Fooled Again”. Aliás, não há nada como os deuses do Rock. Eles nos inspiram até hoje.

Quando leio o mundo de hoje, leio isso: um setor INVESTIGA O OUTRO! Parece um Kafka mal resolvido ou um Orwell mal sentenciado. Todos investigando todos. Aqui em New York temos os escândalos óbvios, mas temos a LUZ de Obama! Kafka pediu que se queimasse sua obra. Graças a Max Brod, seu grande amigo, nós a temos! Orwell reportava da Guerra Civil Espanhola, onde Franco queimava uma Espanha desunida. Chamas! Fogo! Uma era se vai.

Penso como era essa era: eu ia ao Filmore East e via o Hendrix de perto. Lá a única coisa que investigávamos era a genialidade do cara! E a nova era. Qual nova era? Pois. Agora em retrospecto, já que estamos todos mortos (porém felizes), a era de uma superhomem-idade/andróginia e PAZ, sim, a paz. NÃO, NÃO POSSO RIR ENQUANTO DIGITO!!!! Eu via o Cream tocando no Marquee, na Wardour Street e tento não rir. É que Eric Clapton e Jack Bruce e Ginger Baker não se falavam na vida real. Mas éramos todos do “bem” e do “amor” e não queríamos saber que EXISTIA  a flor do mal, ou melhor, o MAL,  e que CUBA, essa mesma, a da Revolução de Sierra Maestra, era ‘mocked” (satirizada) pela Carnaby Street e pelas lojas aqui da Saint Mark’s Place, nas tirinhas de Jules Feiffer e nas tironas de Crumb! Ah o mundo!!! 

Não posso chorar enquanto digito! Eu era aquele que catalogava os mortos, desaparecidos, exilados, mutilados, etc. na Amnesty International em Londres na década de 70, poucos anos depois de ver o Hendrix ao vivo. A Bibba, loja incrível, tinha acabado de fechar as portas na High Street Kensington e “Blow Up” (de Antonioni, com Jimmy Page e Jeff Beck) estava nas telas. Nova era BIPOLAR. Na Bibba o que se mais vendia era uma camiseta com a cara de Che estampada enorme, em autocontraste! E Mao também!

Deixei uma de minhas “ex”, a modelo americana Ellen Kaplan, plantada em Viena e voltei para Londres, arrombei meu próprio carro (teto de lona, era um MG, que eu deixava estacionado no aeroporto de Heathrow) para não perder o show do Led Zeppelin no Earl’s Court Arena.

Foi a maior e melhor coisa que já vi. Nunca nada igual. EVER! Meu olho ficava nas mãos de John Bonham (morto), no ritmo que saía “daquilo”, porque no Rio, quando jovem, eu havia subido a Mangueira e sabia o que era um SAMBA! E como sabia! E meu outro olho ficava na guitarra de Page imaginando o inimaginável, porque em “Kashmir” todas as sinfonias se reuniam, de Beethoven até Cezar Frank. Até mesmo uma Ária de Wagner estava lá. Kashmir ainda é o maior problema entre o Paquistão e a India (ambas nações nucleares, nuclearizadas!) e, digamos assim, a constante “missile crisis” ou em estado de “Bay of Pigs”, da região deles, delas. Entra ano, sai ano, Paquistaneses, independetistas e Indianos brigam por Kashmir. E eu, eu aqui, usando um cachecol de cachemera…. Mas não! Esse é de ovelha escocesa! Sim, na época, todos quebravam suas guitarras, colocavam fogo nelas! (óbvio, nada como o capitalismo dentro da contracultura: haviam outras novinhas lá atrás). Ah, o mundo!!! As vacas sagradas da India e as vacas abatidas em Cuba! O fazendeiro que mais abatia vacas em Cuba era capa do jornal cubano que quase provocou o love affair entre Nikita Khrushchev e Kennedy, lembram? Sapatos histéricos na ONU e tudo? Éramos ou tentavamos ser vegetarianos (comiamos carne escodidos uns dos outros nos subsolos ou nos porões da contracultura: ou seja, oito andares abaixo no nivel da terra: fundo demais até para poder respirar, éramos nós e os ratos). 

E agora? E AGORA? Depois de Hendrix, Zeppelin, Who, Cream… essas bandinhas de merda DE HOJE usam a mesma cozinha, a mesma merda reciclada. Não é à toa que se ouve mais Rolling Stones que nunca, mais… ah não, deixa! Um dia o Sting falou assing (com g no final mesmo, porque tudo que ele diz tem g no fim): “Lennon was nothing. Ringo was everything. Pay attention to the Beat”. Era tudo rubbish. Sting só fala bobagem, assim como eu. Mas o Police era o máximo! Não, não era não! Não era nada, comparado às bandas de antes! Música e Política. Alquimia e Religião (Carl Jung),  Pintura e Revolução (Barthes, que nada), podemos juntar as partes de um quebra-cabeça de um Guatary que nunca houve ou qualquer tratado surrealista de Breton: nada será como antes: A LUZ de OBAMA ! Estamos vendo o desempenho de um novo PRESIDENTE.

QUE LOUCURA ESSES PRIMEIROS CEM DIAS!!!! O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
Em resposta à declaração da véspera, de Raúl Castro, que se disse disposto a conversar sobre “tudo” com os EUA, ele afirmou: “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar. Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”



 

Sênior e júnior 

Não há mesmo! Somos todos juniors. Ou então, estamos mortos. Se não estamos ABERTOS  PARA MUDANÇAS, melhor nos considerarmos mortos.

Viva Obama, por ter a coragem de abrir novas fronteiras e quebrar paradigmas retóricos! Afinal, Cuba em si, nada significa além do nada. Quanto às bandas de rock, estamos ávidos – assim como em todas as outras artes – para termos um BARACK OBAMA DO ROCK!!!!!

 

Gerald Thomas 

 

 

Ps.: Quero agradecer imensamente aos mais de 800 comentários do post anterior!

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)          

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PORTUGAL DOMINA WASHINGTON!!!!

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New York- Até hoje os brasileiros comemoram, como se fosse algo palpável e não retórico, as três palavras de Obama sobre Lula, ou para Lula, que em português foi traduzido “esse é o cara!”. Provincianos como vocês são, estamparam isso na capa de TODOS os jornais. TODOS.  O endosso de Obama, portanto, passa a ser “a coisa”. Fico um pouco com pena de uma nação tão rica, tão linda, mas tão insegura, que ainda precisa de endossos, seja lá de quem for, mesmo que seja do mais lindo Obama. 

Já aqui, quando Obama esteve na França, logo após Londres (G20) e Sarkozy disse para ele “Je t’aime, man!”, com o “man” vindo da gíria pop, mas oriunda da slang negra americana, o presidente orelhudo francês foi o maior alvo de chacotas da imprensa americana. Bem, Obama não precisa mais de endosso retórico. Ele agora precisa derrubar os conservadores Republicanos no Congresso.

 

Brasileiro se impressiona muitíssimo com “palavras, palavras, palavras”, aquelas que Shakespeare colocou na boca de Hamlet. Hamlet, aquele que não ia para a ação por causa de tanta palavra. Às vezes me vejo amando o Brasil, mas o vejo numa situação hamletiana. Não indo nunca para a ação. CPIs que nunca dão em nada… Nada que nunca prova nada e tudo num estado de falso encantamento por si mesmo que é suprido por “palavras”. Bem, tudo bem. Monto minhas peças ou óperas aqui em NY ou pelo mundo e as palavras também me encantam, às vezes justamente pela negação que representam.

 

 

Bo, THE DOG

 

Mas imagino se Portugal agora está ou não numa situação de delírio nacional. Por quê? Afinal, BO, o cão da família real Obama, é português! Se os periódicos portugueses forem tão ufanistas quanto os brasileiros, imagino que na capa do O Publico ou do Expresso ou do Diário de Noticias deve estar estampado assim: “PORTUGAL REINA DENTRO DA CASA BRANCA”, ou mesmo “Lisboa toma conta de Washington”. Ou até “O IMPÉRIO PORTUGUÊS CONQUISTA E DERRUBA OS EUA COM UM MERO CÃOZINHO: ESTA É A FORÇA PORTUGUESA

 

Lula não falou nada no G20 de importância. Não entrou na reunião (de portas fechadas) daqueles que resolveram problemas. “Hey, you’re my man”, disse Obama a Lula, numa confraternizaçãozinha. Mas como Lula não sabe falar inglês, não houve nenhuma resposta. Uma possível resposta: “Yes, you’re my woman too!” Lindo. Lindinhos! Imagine que Obama deva ter dito coisas semelhantes ao presidente da Ucrânia, da Jeranonia, da Cracalonia e do Cerimonial. Em Elsinore, o Castelo dinamarquês onde Hamlet vive seu pesadelo, as palavras paralisam a ação! E nós, espectadores, somos paralisados pelas palavras dos protagonistas.

 

Lindo. No final, tudo é silêncio e todos aplaudem de boca aberta e queixo caído, queijo nas mãos, como se lideres políticos fossem heróis, mentirosos atores que são!

 

Os artistas também se elogiam uns aos outros. Caetano diz que Chico Buarque “é o Cara” (em outras palavras, claro).  Harold Pinter elogiava Beckett (de quem sugava tudo) e os pintores abstratos expressionistas da década de 50 se defendiam uns dos outros e não uns aos outros. Dessa forma, o mundo cria pequenos grupos, como G20, como o G220, como o G2220, ou como o Expresso 2222, que se auto-protegem ou auto Protógenes. Indignados com a estagnação ou com a auto-consciência do que está por vir (o mistério do envelhecimento), o Protógenes Sofoclógenes Platógenes criou um monstro Freudológenes que não aponta mais para o futuro e sim para o passado. Estamos em plena era da revisitação. Notaram? Estamos correndo atrás do tempo perdido, correndo dos erros dos bancos e do sistema. Qual sistema? Do imaginário das palavras. Estamos correndo atrás de uma depressão econômica.

 

Ah, menos em Portugal, onde o cão ainda é um puppy de seis meses, presente do Senador Ted Kennedy, e aquele país de velhos envelhecidos finalmente poderá levar seus poucos jovens para as ruas do Bairro Alto, ou de Alcântara ou de Alfama e berrar:  O MUNDO é LOSER, quer dizer, o MUNDO É LUSO!

 

 

 

Gerald Thomas, 15/Abril/2009

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

 

 

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PIRATAS DE UMA MENTE DE MANHATTAN

New York  – Acordo no meio da madrugada. Agora é assim. Não consigo dormir mais que 3 horas. Deve ser a quantidade de coisas pela frente. O senso de urgência ou cobrança me sufoca. Então, caminho pelo apartamento e olho o East River, alguns poucos barcos passando (serão os piratas de Manhattan?), pego um copo de Rice Milk na geladeira, coloco açaí desidratado dentro e como o meu “mix antioxidante” (só revelo minha fórmula sob suborno!), e fico putíssimo com a perda de tempo em ter visto um filme sobre Francis Bacon, ou que eu achava ser sobre o meu pintor preferido e… nada. Era sobre o chato do amante dele, o George. All about George. Muito chato. Bacon gostava de levar uma surra, um cigarro queimado na pele. Mas isso já sabíamos das entrevistas com o David Sylvester.

Será que as mulheres do Afeganistão também gostam de serem estupradas? Não, acho que não. Pois o parlamento de Kabul aprovou uma lei em que o marido pode currá-las (mesmo que não queiram) quatro ou mais vezes por semana. Um grande amigo no Rio me sugere Frank Zappa, o mestre dos mestres. Imagine se estivesse vivo: “OUTRAGEOUS! RAPE YOUR OWN WIVES!!!!”. Viraria mais uma estoriazinha contada por Gregory Pegory, aquele porquinho que vivia entre o sul do Texas e o norte do Peru. Ah, Zappa! Você não sabe o que está perdendo nessa era da cartelização! Nos tapeiam, estapeiam, nos contam mentiras ROXAS e nós aqui, veados, putos e vagabundos que somos,  defendemos os detritos, ou os ícones, que achamos que devemos defender.

Mantenho minha “Obama-memorabilia” visível de onde escrevo: daqui desse escritório, mesmo sendo meio da madrugada, dá pra ver os Tug Boats (rebocadores), flutuando levemente corrente acima (riverrun: Finnegan’s Wake) desse meu amado Thames de NY, o East River.

Aliás, o Bacon e David Sylvester são publicados pela Thames and Hudson. Sempre achei lindo esse nome para uma editora. Os dois rios das duas cidades que se amam e só não se casam por que… existe uma Los Angeles para atrapalhar!

Ando muito impaciente com a incompetência. Qual? Todas.

Ando tão impaciente como o Freeman Dyson! Esse, então… Não acredita em Aquecimento Global e ainda acredita que dióxido de carbono ajuda a qualquer tipo de planta crescer! O Dyson enfurece a comunidade científica, óbvio. Mas olhem suas credencias! É um dos “7 ases”, junto com Stephen Jay Gould, Steven Toulmin, Oliver Sacks e Rupert Sheldrake. Houve uma época em que eu não pensava em outra coisa senão nesses SEVEN ASSES, sorry, seven ases! Dyson é o mentor de Star Wars. Sim, aquilo que Lucas filmou. Oliver Sacks e Dyson são amigos e ambos ingleses morando aqui: casos de Thames e Hudson. Sacks defende Dyson dizendo que sua mente é extraordinariamente flexível, o que o torna muito mais que um mero “negador de mudanças climáticas”.

Calma. Deixa eu dar um gole no meu leite de arroz com baunilha e açaí. Ah… que loucura! Sinto-me como um desses piratas de sonos alheios. Insônia é uma coisa horrível. Pior ainda que jornalismo C passando por jornalismo A: 

““A indústria brasileira perdeu R$ 24,7 bilhões de riqueza nos últimos seis meses em razão da crise, segundo projeções do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

O carro que deixou de ser montado, a máquina de lavar que não foi fabricada, o alto-forno da siderúrgica desligado, por exemplo, provocaram uma contração da ordem de 15% no ritmo de produção e um recuo no Produto Interno Bruto (PIB) industrial.

O baque sofrido pela indústria em seis meses foi tão grande que, mesmo com a recuperação esboçada no ritmo das fábricas em janeiro e fevereiro, economistas preveem que a produção industrial encolha entre 4% e 5% este ano na comparação com 2008.” 

Mas nem tudo está perdido! A Marinha americana resgatou ontem o capitão Richard Phillips, comandante de navio mercante mantido refém desde a última Quarta por piratas somalis em um barco salva-vidas, e matou três dos seus captores.  Eu tenho verdadeiros gozos ecumênicos quando vejo isso na CNN, especialmente depois de um filme ruim como aquele que “não era sobre o Bacon” (que pela overacting performance do Derek Jacoby também poderia se chamar Hamm ou Rack of Lamb: canastra!).

 

Um dos bandidos, que negociava o resgate a bordo do destróier USS Bainbridge no momento da ofensiva, foi preso. A libertação de Phillips, 53, mobilizou aparato de guerra e envolveu uma delicada negociação, acompanhada atentamente pela população dos EUA.

Só faltou o Johnny Depp nessa hora, para entrar com seu “Piratas no Caribe”. Pois estamos na era cartelizada e pirateada e quem ainda me vier com globalização vai ter que me mandar caixas e caixas de Leite de Arroz da WholeFoods (365 é a marca), sabor baunilha, já que dormir é impossível.

Visto como herói nacional, o capitão veterano mandou que os homens sob seu comando se trancassem em uma cabine e se ofereceu como refém, segundo relatos de tripulantes. A coragem de Phillips é um modelo para os americanos, afirmou o presidente Barack Obama, que autorizou o resgate. O cargueiro Maersk Alabama tinha acabado de passar pelo golfo do Áden, o chamado “beco dos piratas”, quando foi atacado.Os piratas somalis mantêm reféns cerca de 200 tripulantes de embarcações atacadas, a maioria cidadãos de países pobres, como Bangladesh, Paquistão e Filipinas.

Artistas são atacados por piratas o tempo todo. A indústria de Cds pirateada vindas da China e da Índia, Paraguai e México é inacreditável. A quantidade de fitas de filmes em camelôs que se pode comprar aqui em Union Square é simplesmente incrível.

Então, agora, ensaio alguns passos de volta para cozinha, ignoro os mais de mil e-mails pra responder, ignoro as dores no corpo e os poros de suor e lágrimas. Muitos se foram. Tantos jamais voltarão.

Nessa luta indomável pela vida, alguns índios náufragos pegaram um pedaço de gelo enorme, um iceberg, mas ele derreteu. E flutuando como uma canoa desgarrada, esse gelo já minguado atracou-se em Honduras. Mas isso é pra outro dia, outra coluna. Estou sendo pirata de mim mesmo porque me seqüestrei da cama, me trouxe aqui para o escritório e escrevi pros meus amigos do BLOG. Mas o que vocês não sabem é que atrás de mim tem três bandidos somalis com metrancas apontadas em minha direção,  falando algo que não entendo.

Vou dar mais umas horinhas e ligar pro Oliver Sacks.

 

Gerald Thomas, 13/Abril/2009

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

Ps. do Vamp: A página nem sempre atualiza automaticamente, portanto: F5, “ATUALIZAR” ou “REFRESH”.  

 

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