Monthly Archives: January 2007

State of the Union Address: o mesmo endereco de sempre!

Escrevo ja no finalzinho do State of the Union Address, essa "fala" que o Presidente apresenta a nacao uma vez por ano pra fazer um balanco de como as coisas estao. Pela primeira vez, ele falava para um Congresso e Senado com maioria Democrata, com uma "Senhora" Speaker of the House, Nancy Pelosi (Democrata da California, sentada ao lado do malissimo mau humorado Dick Cheney). Nada mudou nesse Address, ou seja nesse endereco. Ele, o Bush, depois desses anos todos ainda nao sabe pronunciar a palavra "nuclear" e se esperavam menos aplausos protocolares do que os de sempre, ja que estamos com muitos represetantes contra o plano presidencial de aumentar o numero das tropas no Iraque. Mas nao. Todos aplaudem. Sentam, levantam, e aplaudem. O endereco (address) continua o mesmo: o endereco da retorica e das promessas quebradas. Pior, esta lancada a plataforma oficial de um possivel ataque ao Iran, pra quem conseguiu ouvir as entrelinhas. NOtaram que a Hilary estava sentada atras do Obama? Esses seat assignements nao sao a toa.
Gerald

comentario de Sergio Penteado
Gerry boy, costumo ter uma profunda antipatia por toda essa pompa institucional que são os pronunciamentos presidenciais, seja aqui no Brasil para anunciar planos econômicos miraculosos, como é esse tal de PAC marketeiro (na verdade é da Dilma Roussef, nova reedição da Zélia, que pretende "iluminar" nosso caminho), seja através do sr. Bush, com todos aqueles bonecos engravatados perfilados a chamarem a claque e ouví-lo reverentemente, numa disciplina anglo-saxônica e supostamente civilizada, não mais para bater na mesma tecla de justificar a guerra "contra o terrorismo", o desgastado conflito do Iraque, a missão de "salvar o mundo", num tedioso e repetitivo show de hipocrisia e moralismo. Divirto-me mais quando os americanos debatem os peitos da Janet Jackson e sua influência perniciosa nos seus jovens saudáveis, Mônica Lewinsky, esse tipo de coisa, ao menos há mais humor no tema e não essa pretensa "seriedade". Agora, que parece apocalíptica essa semelhaça de nomes, Obama e Osama…
Sérgio

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Racismo, drogas, solidao no Arizona

Tucson, Arizona – No final de quatro dias agonizantes de conferencias, palestrantes, ouvintes e muita exibicao de "charts" (graficos), grupos divididos, subdivididos, e muitos apertos de maos e abracos aos prantos, o resultado eh esse: solidao!

Como? Sim, um grupo de artistas, cientistas, diletantes, escritores e sei la o que, foi convidado aqui pra essa cidade de coyotes e cactus e deserto e arquitetura horrorosa pra discutir os vicios da sociedade moderna. Nada pra ser publicado. Apenas curiosidade de uma colonia local com o dinheiro de alguns filantropistas. Tudo bem. Aqui estamos.

A solidao gera o medo que gera o RACISMO! E esse racismo gera a violencia. E a violencia (interna) gera todo o tipo de abuso. E por causa dele, ou atraves dele, o abuso, os jovens escapam de todas as formas possiveis. Se drogam, bebem ate cair, sao internet addicts, assistem 18 horas de televisao por dia, comem ate ficarem obsesos, misturam substancias medicas "legais" ate que o corpo as torna "ilegais", usam crystal meth, e coca, e heroina, e mais drogas e drogas e mais alcool e mais e mais e assim por diante. E esta posto o conflito da babel de hoje? De hoje? Como assim, de hoje ?

Eu pergunto: "Mas sem a depressao ou algum tipo de "substance abuse ou use" teriamos tido Van Gogh ou Beckett ou Beethoven ou Wagner (em Tristao e Isolda existe ate a droga em si e em cena, ou seja, a pocao do amor, ou da morte), ou sera que Goethe teria gerado o seu Faust que queria romper com tudo e se tornar eterno a ponto de fazer o pacto com Mephisto (ou Mefausto)? E Freud? E os experimentos psicodelicos de…..Sera que ele….."

"Chega", uma voz masculina me interrompe. O assunto de hoje eh RACISMO. "Ah sim, eu havia esquecido", respondo. Sorry. Eu ja havia relatado que, na minha chegada na cidade uma companheira de voo, negra, chegara no mesmo hotel que eu (com numero de reserva e tudo) e ao chegar no balcao da recepcao (tarde da noite) lhe disseram que nao havia mais quarto disponivel. Eu intercedi dizendo que era evidente que o hotel nao estava cheio e que eu gostaria de falar com o gerente. "O gerente nao esta mais aqui". "Entao, ela ficara comigo, no mesmo quarto" eu disse. "Isso nao sera possivel Sr Thomas, pois temos o Sr registrado como single room". Pronto pra armar um escandalo, ela propria me pediu calma me dizendo que, saindo das grandes cidades eh sempre a mesma coisa.

Eu falei que chamaria a policia e comecei a discar pro "organizador" do evento. Ela nada tinha a ver com esse grupo, mas estranhamente estava ligada ao assunto que iriamos discutir nos dias subsequentes. Repentinamente apareceu um quarto pra ela. O hotel estava praticamente vazio. Isso, em pleno 2007 parece inacreditavel. Mas o assunto foi recorrente nessa border town que tem sua fronteira "ameacada" por mexicanos ilegais o dia e a noite inteira. Drogas entram e os "ratos" entram o tempo todo. Eh assim que se descreve mexicano aqui. Deixei a minha queixa por escrito e deve ter ido pro lixo. Ela? Ela so ficou 2 dias e seguiu pra California, gracas a dues pra ela.

Durante esse simposio decidiu-se que o maior problema atual de falta de comunicacao entre geracoes esta ligado ao fato de os jovens serem mais fechados do que os pais. Que loucura. Antigamente, ou seja, ha uma, duas geracoes passadas era o contrario. Eram os pais que nao falavam. Hoje a garatoda cheira oxy contin (droga legalizada, pain killer, opiacio), misturada com litros de alcool e se trava e nada fala. E se fala, fala em codigo cifrado entre si, atraves de chats da internet que usam consoantes e vogais…..voltamos a stenografia: Colocam o Ipod no ouvido e o mundo fica la fora, a leguas de distancia. Os pais quase imploram pra que voltem a maconha. Chega a ser engracado de ver.

Quanto ao racismo, essa desgraca de doenca, maladia, merda de droga que ja matou mais que qualquer Guerra ou conflito, ( somente a religiao matou mais!) essa parece estar no subcutaneo dos seres do interior republicano, esse white trash que sempre parece querer parecer superior (no Terceiro Reich nao foi diferente). Ora sao os negros, ora sao os chicanos, ora sao os islamicos. Quem tem medo de si mesmo tem que ter o inimigo da vez. E assim sendo, pega a garrafa, entorna a vodka ou seja la qual seja o conteudo alcoolico que for, pega o rifle (verbal ou literal) vai pra fronteira do seu estado (mental ou com algum outro pais) e dispara suas atrocidades mais barbaricas: assim sao. E assim sempre seremos, mesmo quando mostramos alguma melhora de tempos em tempos. Como dizem nas reunioes dos Alcoolicos Anonimos – mesmo sobrios ha decadas, sao "recovering alcoholics". O mesmo vai pro resto da populacao mundial. Mesmo que cercado de amigos, somos "recovering loners", os eternos solitarios do berco ate o tumulo, com alguns momentos de prazer.
Hoje comemora-se em Londres a perda do maravilhoso baterista do Traffic, Jim Capaldi. O mundo nunca mais voltara a ser inocente. "John Barleycorn must die".
Gerald Thomas

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Earth in Trance – parte 1

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Earth in Trance – parte 2

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Esse nosso mundo Orwelliano….

SERES INDESEJÁVEIS
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New York – Estava passando com pressa, sempre com pressa – aqui é tudo pressa – na frente da loja da Virgin Records, na Union Square, tentando entrecortar o intenso trânsito de pedestres para chegar no horário ao encontro com um amigo ator.

Na esquina da Broadway com a rua 14, um cara tentava distribuir de graça uns CDs e sua voz emitia algum som que se parecia com hey new free CD by João Luiz (pode ser que eu tenha ouvido errado). Ninguém aceitava, nem de graça, ou justamente por ser a imposição gratuita.

Alguns metros adiante, na esquina seguinte, esperando o sinal de pedestres, com o acúmulo étnico se amontoando, como se estivéssemos embarcando na arca de Noé, pensei na cena daqueles segundos anteriores, ou melhor, no absurdo que era aquilo: estamos tão temerosos um do "outro", ou tão bombardeados por tanta coisa que sequer aceitamos um CD que nos é oferecido de graça. Quem sabe, o tal músico podia ser bom, legal, "legalzinho", como aqueles do metrô de Williamsburg, Brooklyn, que entrevistei para a TV Uol, em 2000.

Ontem, sábado, ao ir tentar ver o filme Queen (no Angelica's na beira do SoHo com o Village), quase a mesma cena: um rapaz simpático, rastafari, tentava alguma comunicação com o público que esperava na fila desse dia extraordinariamente quente para um janeiro novaiorquino (22 graus centígrados): "Esse filme, esse DVD, foi dirigido, filmado e interpretado por mim e estou distribuindo de graca". Ninguém se interessou, sequer olhou para o desconhecido artista.

Curiosos os lugares que esses seres escolhem seus lugares para panfletar seu material: "Virgin" Records, como algo prometidamente virgem a ser deflorado. A mega empresa de Sir Richard Branston que também é dono da Virgin Atlantic (faz a ponte aerea "cool" entre Londres e NY e outras cidades americanas), de celulares e outras coisas. Não tem nada de "virgem" nessa mega Virgin.

O outro é o Angelica, que de angelical não tem nada: você é posto em salas minúsculas, subterraneas, com o metrô correndo embaixo e os ratos comendo a sola dos seus sapatos. Quanto cinismo! Mas não sou eu, juro.

Na década de 70, em St. Mark's Place com Segunda Avenida, muitos artistas, hoje conceituados, conseguiram a fama através desse tipo de approach: o cartunista Crumb, o "ator" Joe Dalessandro (dos filmes do Warhol), o próprio diretor Paul Morrisey (diretor dos filmes de Warhol) e bandas como Velvet Underground, além de tantos pintores e autores que panfletavam a esquina mais junkie daquela época, a época de Electric Ladyland.

Será que transformamos o "outro" num ser um ser indesejável? Será esse o resultado que vemos quando nos olhamos no espelho depois dos estragos de tantos anos de politica externa corrompida e gulosa e maldosa e, sei lá mais o que dizer sobre esse assunto?

Hoje vivemos com medo. Quem será que está ao nosso lado nos vigiando ou nos entregando coisas? Será a própria encarnação de Orwell disfarçado de um rastafari como esse independent film maker, ou como aquele que, com a camerazinha de seu cellular, capturou as últimas imagens de Saddam Hussein antes de ser pendurado no Hajj, o dia mais sagrado do calendário islâmico?

O que pode fazer sentido em tudo isso? Crazy stuff man! Crazy stuff, como dizia a Fabiana no Earth in Trance nessa tumultuada temporada no La MaMa, em NY, prematuramente cancelada por razões que um dia contarei (nada como uma boa respiração, mas texto, texto, texto realmente não é o tipo de teatro pro La MaMa, e a Ellen Stewart que me deu a vida no teatro considerou aquilo uma "punição". Mas rolou tanta água debaixo dessa ponte que se eu contasse teria que ocupar o espaço de todos os outros colunistas.

Desejo um feliz e, sobretudo, criativo 2007 pra vocês leitores. No mais, a vida aqui e ali caminha (ainda) e isso, como diria Samuel Beckett, é em si surpreendente.

do http://www.diretodaredacao.com

do Rodrigo Contrera
parabéns ao Ruy pela verdadeira aula. Gerald: pano rápido a esses boçais. não merecem qualquer atenção. bj Contrera
Rodrigo Contrera

do Atila Roque
Atila Roque] [Brasilia]
Gerald, Feliz 2007. Estamos sim em um mundo mergulhado na solidão e encurralados pelo medo. Basta pensar nas manchetes dos jornais daí e daqui na passagem do ano. Mas assim mesmo alguns resistem e gritam a sua mensagem. São como os meninos malabaristas do Brasil, equilibristas doidos, sobreviventes sabe-se lá como de virarem falcões (MV Bill e Celso Athayde), mortos antes de completarem 15 anos. Ou simplesmente homeless ignorados em NY. Pelo menos este inverno está ameno, a calmaria que antecede o desastre do aquecimento global. Mas este é outro assunto. Eu queria mesmo dizer apenas Feliz Ano Novo, mas acho que hoje estou um pouco prolixo. Pode deletar!

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EU VI O ANJO DE DEUS

eu vi o anjo de deus no meio dos homens. asas insones. serelepes.
eu vi quando ele desceu da nuvem e pisou o barro. as ruas.
senti seu perfume quando passou por dentro da vida. e sei que seu lugar é no seu. no céu.
eu vi quando ele olhou por dentro dos olhos, os homens.
fechou atrás de si a passagem de volta. equação.
carregou sozinho o monumento do mundo. não defez, nem reconstruiu.
não habita o momento festivo, grave e sublime.
nem suporta a insana hipocrisia da avidez da vida.
mas existem demônios porcos que condensam fuligem.
neles,
eu vi:
eram lambidos pelo anjo de deus até a última fibra.
e aos poucos eu vi o anjo de deus no meio dos homens.
e vi que ele me viu quando me lambeu.

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Ricardo Holcer – Victor Garcia e eu

Ja passa de 1 da manha aqui em NY, mais de 3 da manha em Buenos Aires. Ricardo Holcer eh um dos mais importantes e criativos e divertidos encenadores teatrais desse planeta. Somos irmaos, amigos, sei la. Depois de uma hora de conversa telefonica (ele ainda nao instalou o skype, so pra me deixar com raiva!) por varios dias seguidos, chegamos a seguinte conclusao: precisamos resgatar a obra de Victor Garcia, desde o Balcao (mesmo os Autosacramentales – cujo cenario nunca funcionou na Persia (hoje Iran) ou na Roundhouse, em Londres e outras falhas que nao foram falhas e sim enormes tentativas de superar os nossos tamanhos infinitamente pequenos diante do que queremos ser!)….sua tentativa em dirigir Sir Anthony Hopkins, produzido por Sir Lawrence Olivier e Lady Ruth Escobar. Victor foi um GIGANTE do teatro do seculo XX. Muita coisa do teatro mundial (na verdade) foi desenvolvida (ou cresceu) na America do Sul. Nesse caso especifico tanto o Victor quanto o Ricardo calham de serem argentinos. Suas obras, as de ambos, universais. Mas a historia prefere dar vazao aqueles que nao sao do "contra" ou seja, aos digeriveis, aos Sam Mendes da vida a esses que nao tem assinatura. Em pensar que Garcia foi enterrado como indigente em Paris eh em si uma desgraca. Ricardo Holcer e eu temos como missao colocar os pontos nos "i". E quem quizer, se junte a nos. Sergio Mamberti por exemplo, estas mais que convidado

Gerald Thomas

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