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Independência ou Morte Súbita!



(Refugiados negros pintados de branco tocando “Kashmir” do Led Zeppelin em Zurique‏)

Independence Day, 4th of JULY

Domicilio: Lugar Nenhum!

Alpes Suíços- Essa terá sido uma das poucas vezes em que não passo o 4 de julho em Nova York, vendo os fogos de artifício da Macy’s estourando bem próximo à minha janela no East River.

Nao sei porquê. Algumas coisas simples não têm explicação. Outras, complexas, também não.

Vim dar uma estudada em projetos futuros aqui na Europa. Aliás, as últimas peças e óperas (de 1996 até as mais recentes) já estão disponíveis online no http://www.geraldthomas.com, clicando em “vídeos”. Especialmente o “Moses und Aron” de Schoenberg (1998, Áustria) me deixa besta! Sorry pela modéstia. Mas “Ventriloquist” ou “Nietzsche Contra Wagner” ou mesmo “Narzissus” estão lá.

E, revendo tudo isso, estou aqui, nesse Independence Day, lutando pela minha própria independência, notando mais um ENORME GAP entre JUSTIÇA e injustiça.

Num tribunal federal de Manhattan o juiz de primeira instância Denny Chin sentenciou Bernard Madoff a 150 anos de prisão. Era o máximo que a lei permitia para as 11 acusações nas quais o empresário admitiu ser culpado.
Madoff foi condenado por perpetrar uma fraude avaliada em cerca de US$ 65 bilhões.

Ótimo! Se fosse por mim, pegaria paredão! O que esse filho da puta fez com milhares de vidas não está no gibi! Não deixa de ser um assassino.

Aqui na Suíça inventou-se algo interessante: africanos, (nigerianos, kenianos, etc.), de saco cheio de serem “repatriados”, inventaram uma fórmula interessante de ingressar no país e FICAR.

Dizem: “Não sei de onde sou”. E, com uma resposta dessas (e sem passaporte na mão), a imigração Suíça não pode devolvê-los a lugar algum. Era o que chamávamos (quando eu trabalhava na Amnesty International em Londres, anos 70) de “desterrados”. Então o que acontece? Dão a eles uma graninha curta e moradia simples em lugares distantes dos grandes centros como Zurique, Basel, Bern, etc., e uma hora específica para estarem de volta, e assim levam a vida de exilados DE LUGAR NENHUM.

ISSO JUSTAMENTE QUANDO O LULA sancionou uma lei que permitirá normalizar a permanência de cerca de 50 mil estrangeiros que vivem de maneira irregular em solo brasileiro.
A decisão vai em sentido oposto ao endurecimento que marca a política de imigração de países ricos. O caso mais recente e deplorável é o da Itália, que tem no primeiro-ministro Silvio Berlusconi um incentivador do racismo, como atestam suas estapafúrdias declarações -a mais recente delas, durante as eleições regionais realizadas no mês passado, lamentando que Milão parecesse “uma cidade africana”.
É verdade que no Brasil o cenário difere daquele que se observa no mundo economicamente mais avançado.

Não me diga! Quer dizer que o Brasil não faz parte do primeiro mundo ainda? Que tremenda decepção. Logo esse Brasil que mora dentro do meu coração e que vai ser o tema do meu filme, “Ghost Writer”.

Embora seja em sua história um país aberto a fluxos migratórios, entre nós a presença de estrangeiros caiu nos últimos dez anos – ao passo que aumenta a saída de cidadãos para o exterior, o Brasil…  ah, o Brasil! Que terra linda! Que país lindo!

Bem diferente é o quadro nas nações ricas, que atraem quantidades crescentes de migrantes de regiões menos favorecidas em busca de melhores condições de vida.

Mas o Brasil tem futebol, tem praia e tem feriados, muitos feriados. Nao é somente o de Julho, que tem o dia em que os USA lutaram até o último fio de cabelo contra a colonização Inglesa. Não, o Brasil tem o chopp mais gelado do mundo e a bolsa família e NÀO PRENDE SEUS CORRUPTOS, NÃO PRENDE SEUS VILÕES. Já NOS EUA, Martha Stewart, Leona Helmsley e Madoff levam CANA mesmo.

Mas existem soluções. O Comandante (ou piloto) Peter Lessmann (27 anos de Varig e 5 de ETHIAD, Emirados Árabes) tem algumas sugestões para um Brasil fora do campo do Futebol:

1) “Montar um banco de dados em um site com tudo como, por exemplo, o currículo pessoal de políticos, os processos contra eles em andamento ou condenações, se for o caso, aquela declaração de renda/bens, que se diz, são obrigados a fazer antes de assumir certos cargos, etc., enfim, tudo que possa interessar sobre o perfil de políticos, ex-políticos ou candidatos. Junto com isso pode-se associar imagens, textos, filmes, documentários, qualquer coisa que ajude um eleitor a tomar a sua decisão de voto.

2) Outro banco de dados acumularia tudo que há de informações disponíveis sobre o governo em todas as esferas possíveis nos 3 poderes, se possível acompanhado de comparações entre governos aqui e fora do país. Sei que hoje há como levantar isso se você for persistente e tiver muito tempo para pesquisar, mas desconheço se há um site onde estas informações ou o caminho para chegar nelas esteja disponível.”

Pois é! A vida é um sonho, já dizia Calderon De La Barca, o clássico autor espanhol.

Alguns países conseguiram atingir esse sonho segundos antes de acordar. Outros ainda vivem num sono profundo. Outros vivem num tremendo pesadelo. Os Africanos de Lugar Nenhum estão entre um e outro ou em nenhum e noutro, já que não retornarão e ficar onde estão me parece uma vida perdida.

INDEPENDÊNCIA é uma prioridade absoluta na vida de uma nação, a auto-estima, a alta auto-estima de uma nação, o orgulho de um povo, a proliferação de uma cultura. Mas, antes de mais nada, a gente deveria tentar entender o que “independência” significa. E, se ela tocar nas raízes da ignorância ou alguém lucrar com ela, nada feito. De volta a estaca ZERO. É uma linha quase invisível. Como aquela que o bandeirinha indica que o cara estava no impedimento depois que a torcida berrava GOOOOOOLLLLLLL !

Tenham um ótimo fim de semana!

Gerald Thomas

(Vamp na edição)

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