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Wrong information!!!!

This tiny note says that I will be the curator of Afro Reaggae’s theater or cultural center in Vigario Geral, Rio. It’s not quite that way. They did get in touch with me and I replied: I live in London and in New York and how am I expected to be the curator (virtual, perhaps?)  of a theater in Rio? But the press publishes anything they want, without running it by me. They all have my email addresses and/or phone numbers.Is it really so difficult to make a goddamn call?

not quite true

Gerald ThomasLondon 18 April 2010

PS: in Jornal do Brasil, this Sunday, MORE …

JB online
Em 2008, Gerald Thomas se arriscou em formato híbrido No Brasil, em 2008, Gerald Thomas lançou mão das possibilidades da rede para produzir e veicular uma linguagem teatral híbrida que denominou “blog novela”. A experiência ficou no primeiro episódio, O cão que insultava mulheres – Kepler, the dog (2008), encenado no Sesc Avenida Paulista e transmitido em tempo real no blog que o diretor pilotava no portal Ig. A tentativa de criar uma dramaturgia interativa, esculpida a partir dos comentários que os internautas postavam em seu blog, era motivada por uma insatisfação pessoal. “Teatro é chato pra burro. Blog tá meio chato. Jornal é chato. A internet tem essas possibilidades. Resolvi então criar um híbrido”, comentou o autor sobre a ideia à época. Tempos depois, em setembro de 2009, ao longo de uma série de entrevistas em que anunciava o seu afastamento por tempo indeterminado do teatro, Thomas, um tanto quanto desencantado com a produção artística contemporânea, tomava partido contrário, e insurgia com ceticismo ante à convergência de mídias. “Teatro não é tecnologia, é algo para que o público esteja na presença do ator, a metros dele. Se você tenta transformar em tecnologia, fica pretensioso. Essa integração de mídias é a maior mentira que já houve”, disse. Procurado agora pela reportagem do Jornal do Brasil, Thomas foi sucinto: – Vamos ver se tenho saco para isso. Melhor perguntar para os “outros diretores”. Boa sorte – respondeu, por e-mail.

UPDATE , April 20

Correction was made by Gente Boa:

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O Paraíso da Bandidagem

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New York – O episódio de “Law and Order, Criminal Intent”, com Jeff Goldbloom, girava em torno de um dono de uma mega companhia de segurança (prestadora de segurança até para embaixadas) e que tinha poder de voto pras próximas duas Olimpíadas. O nome Rio de Janeiro foi pronunciado inúmeras vezes. Fotos do Pão de Açúcar, do Cristo, etc., eram mostradas o tempo todo. Mas são vários Laws and Orders. Cada núcleo é diferente: o melhor ainda é o “SVU, o Special Victims Unit”: pessoas mutiladas, estupradas, aos berros, aos prantos. Assim.

Jay Leno está dando um basta. Chega! Vai criar uma “cruzada” contra tudo isso. Eu, que não gostava de Leno, estou começando a gostar.

Tenho notado, recentemente (mais que nunca), que o bandido da história “a essa hora já poderia estar num avião em direção ao Rio de Janeiro”. A série “CSI Miami” chegou a abrir um braço chamado “CSI Brazil” e assim por diante. Sim, onde quero chegar? Não é de hoje que se equaciona o Rio (não o Brasil) com o “paraíso da bandidagem”. Chegou lá, viveu bem pra sempre.

Hollywood sempre soube disso. Ronald Biggs também.

Nossa sociedade aqui é movida a armas. Nossa! Tudo aqui gira em torno delas. Não há seriado (exceto um, dois ou três) que não tem pistola, bazuca, anti-missel. O povo ama a polícia, ao contrário do povo brasileiro. Aqui, os heróis são os Marines.

Nao é à toa que o Superman, o herói kryptonictico, Batman, Homem Aranha e tudo isso, surgiram aqui. Somos doentiamente fascinados com a farda! Com os aviões supersônicos, com as bombas, com os computers que conseguem identificar (através de um fio de cabelo) alguém numa rua no Cairo.

Desde “Flashpoint” até NCSI, Cold Case, Burn Notice, In Plain Sight, 24 ou MILHARES de outros (a cabeça chega a doer) parace que o plano é assim: “TEMOS AS ARMAS, TEMOS OS INSTRUMENTOS BÉLICOS. Agora vamos armar a trama, o complô pra meter tudo isso dentro.”, pensam os produtores.

Kojak, Colombo, Shaft e até Beretta e Sarsky and Hutch eram violentos também. Mas, deus me livre! Nada parecido com o que se vê hoje: a bala penetrando como se fosse uma foda rápida, rasgando as artérias, o sangue manchando as paredes como se fosse um jorro de gozo, o corpo morto numa cama metálica do médico legista e isso TODOS os DIAS em TODOS os canais

Então não vamos bancar os hipócritas: quando o insano lá, aquele nazista, entra no Museu do Holocausto em Washington DC e acaba matando o guarda negro, o que ele esperava? Escapar e pegar um avião e ir para “a Rio de Janeiro” e viver os poucos anos que lhe sobram? Quem começou essa coisa de chamar o Rio de paraíso dos bandidos? Sinatra? Ginger Rogers e Astaire?

Orson Welles? Quem?

Amanhã à noite teremos uma vigília em Washington Square Park em memória de Sean Goldman. É a triste constatação de que terão se passado cinco anos que o menino foi seqüestrado down to Rio de Janeiro.

Gerald Thomas, 15/Junho/2009

(Vamp na edição)

 

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A Cartelização do Mundo

 

New York – Caramba! Com os “cartéis” dominando o mundo, acho que nós, os putos, veados e vagabundos deveríamos tentar rebatizar a globalização para “cartelização” do mundo. Leio que Andrew Cuomo, filho do maravilhoso ex-governador do Estado aqui de NY, Mario Cuomo, e agora o nosso Attorney General, diz que convenceu nove entre dez dos principais recipientes dos bônus do AIG a devolverem  a grana. Algo em torno de 50 milhões de dólares. Nada mal. Nove em Dez. “Nine out of ten movie stars make me cry, I’m alive” (Caetano Veloso… descendo a Portobello Road, no exílio em Londres, Notting Hill Gate…)

Enquanto isso, o cartel mexicano de drogas se estende até à cidade de Sarah Palin, Anchorage! Caramba! Mas também (pensem!) com baleias e neve ao redor não resta muito o que fazer: o sujeito deve andar que nem um zumbi atrás de qualquer tipo de droga, não é? Diferente do Rio de Janeiro, SITIADA pela POLÍCIA E PELOS BANDIDOS!!!! Por quê? Maconha, cocaína e armas! “Seja marginal, seja herói!“, aquela coisa do Helio Oiticica já era! BASTA! Aquilo era naquela época. Soava bonitinho. Era logo depois de Sartre qie havia endossado Jean Genet com Saint Genet e artistas do mundo inteiro (como Warhol, por exemplo, declaravam seu amor pelo underground [ alguns com velvet, outros nao]. O Helio ainda in love com o Cara de Cavalo. Mas agora? Olha a merda que deu! BASTA! Sério. Eles hoje olhariam tudo isso com REPUGNÂNCIA!

Sim,  a cartelização do mundo! E ainda tem gente que defende a tese de que o teatro deve ser feito de “tarjas”. Mas isso é para quem ainda acha que o teatro é o “novo lugar” para ser descoberto. Nós, os veados, putos e vagabundos, que temos uma vivência um pouco mais abrangente,  tentamos nos (des)preocupar com a merda que acontece no mundo, como: a China que toma conta de tudo, as pequenas guerras localizadas e que estão extraindo o pouco de ‘humano’ que ainda resta em nós, as doenças RADICAIS  e que não precisariam existir se todo o dinheiro do mundo fosse gasto nas coisas certas (e não em bônus para CEO corrupto, que agora devolve…vamos ver…), as pequenas guerras frias entre paises como o Irã, a merdalha entre Israel e vizinhos, a merdalha entre os próprios árabes que não se entendem, a merdalha do Afeganistão que voltou a ser um campo de papoula (imagine a polícia do Rio subindo a Ladeira dos Taba-Maha- jahras! Brigando com o Taleban).

Ah, a cartelização do mundo…

Era sobre Descartes que eu escrevia? Não, né? É sobre os escrotos mesmo. Eles não querem deixar nós, os putos e vagabundos, em paz. 

 

PS.- Ontem foi aniversário do Blog: 10 meses de IG. E obrigado pelos quase 600 comentários do Post anterior! 
Ah, não falei em flores e na grande depressão, ou melhor, na CRISE econômica: mas andando na Sexta e no Sábado pelo Village ou Soho e assistindo um ensaio do Philip Glass na City Winery (tudo lotado, sempre, tudo completamente acumulado de gente, e a Dow Jones – the Devil in Miss Jones – estourando novos índices para CIMA) começo a ter minhas dúvidas o quanto é retórica e o quanto não é “remanejamento” dos… cartéis!

  

 

Gerald Thomas

 

 

(Vamp na  edição)

 

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Resposta da Advogada de David Goldman (aos acusadores brasileiros)

 

 

 

Resposta da Advogada de David a Carta de Lins e Silva

 


Memorando em Resposta a carta enviada ao Conanda e publicada pela Imprensa Brasileira

 

“É de meu conhecimento que correspondencia fora adiantada a Imprensa Brasileira, escrita por Joao Paulo Lins e Silva com o proposito de ser sua versao para acontecimentos ligados ao caso Goldman.

 

A vasta maioria do que foi representado contem depoimentos que nao sao apoiados pelos fatos, e sao apenas hearsay (conversas ocorridas), e portanto nao eh necessario responder a tais acusacoes, principalmente porque nao irrelevantes as determinacoes feitas de acordo com a Convencao de Haia.

 

A Convencao de Haia, nos Aspectos Civis de Sequestro de Criancas eh uma investigacao limitada: Se uma crianca fora ilicitamente removida ou retida longe do estado de sua habitual residencia e por um dos pais que tinha custodia, ou que obteria custodia, para remocao ou retencao? Se a resposta for sim, o retorno da crianca eh obrigatorio.

 

Entretanto, sera sem duvida util para a avaliacao de credibilidade, particularmente aos que tentam legitimamente a entender este caso, a avaliar os varios pontos objetivos, todos apoiados por provas e documentacao provenientes de ambas as partes nas cortes dos EStados Unidos, o que contradizem esta carta.

 

As tentativas do Sr. Lins e Silva de caracterizar este assunto como um problema de nacionalidade nao so eh errado como diminui a importancia do Governo e Judiciario Brasileiros que agora apoiam a aplicacao [de Haia] para o retorno da crianca aos Estados Unidos. Seus comentarios podem apenas ser considerados um ato de desespero, com o intuito de distrair [as pessoas] das obrigacoes do Tratado. Primeiramente, o Sr. Lins e Silva disponibiliza em sua correspondencia uma linha temporal que pela primeira vez contem admissoes que somente comprovam o papel do Sr. Lins e Silva nesta longa e sordida historia, e confirma a antiga suspeita de que Bruna Goldman planejou e premeditou o sequestro do filho de ambas as partes, como suspeitava o Sr. Goldman em entrar com o seu processo judicial em Agosto de 2004.

 

Processo Original de Custodia no Brasil

 

Sr. Lins e Silva descreve as alegacoes como lhe foram contadas por Bruna, e indica que Bruna “decidiu” nao retornar ao Brasil. Mais abaixo, na mesma carta, ele eh cauteloso ao dizer que ela fez esta decisao somente depois de chegar ao Brasil. Entretanto, nas aparicoes que ela fez a Vara de Familia Brasileira ela contou outra historia, que fora uma separacao planejada e que David Goldman permitiu que seu filho viajasse ao Brasil com este entendimento, a corte resumiu os testemunhos, nos quais baseou sua decisao, como o seguinte:

 

“Em junho, apos uso do poder de persuasao, a solicitante pode vir ao Rio de janeiro na companhia de seu filho…continuando com os acordos iniciados nos Estados Unidos relacionados com sua separacao”

 

A historia dela foi apenas descoberta quando a Sra. Goldman tentou usar documentos da Vara de Familia Brasileira no caso em New Jersey e anexou a traducao das decisoes da corte brasileira as suas peticoes nos Estados Unidos, varios meses depois. Obviamente, Sean estava no Brasil ha apenas 2 semanas em 9 de julho de 2004 quando a Sra. Goldman alega que apenas “continuou com o acordo que ela havia iniciado”. Tal linguagem tinha apenas o proposito de falsamente representara ao juiz no Brasil de que sua presenca era apenas o resultado de separacao conjugal planejada por ambas as partes.

 

O Sr. Lins e Silva agora confirma a estrategia que Bruna empregou em seus processos “durante o periodo de tempo em que Bruna foi autorizada pelo americano a ficar no Brasil com seu filho…apareceu perante a corte brasileira e pediu a custodia de Sean, que foi rapidamente dada”. Neste breve “periodo autorizado”, os arquivos do processo provam que Sean foi imediatamente matriculado na “Andrews Baby School, desde junho de 2004, comprovado por documentacao anexada e totalmente adaptado:. Sr. Lins e Silva alega que a Sra. Goldman apenas tomou a decisao apos chegar ao Brasil no dia 19 de junho de 2004, mas aos pedidos a corte refletem que ele fora “matriculado” na escola imediatamente, sem o conhecimento ou consentimento do pai. Em uma tentativa de construir seu caso, ela sujeitou a crianca a um dos muitos psicologos que ela utilizaria ao longo do processo, nunca com o conhecimento ou participacao do Sr. Goldman. Estes argumentos, como tantos feitos pelo Sr. Lins e Silva, foram feitos, e rejeitados perante as cortes de New Jersey.

 

Enquanto se diz que David Goldman estava ciente deste processo, o mesmo nao poderia ser verdade, o que foi estabelecido pelo advogado de Bruna, Peter A. McKay. O advogado da Sra. Goldman foi obrigado a admitir para a corte oficialmente, e tambem por escrito, que o Sr. Goldman apenas recebeu os documentos apoiando o processo movido por Bruna nas cortes brasileiras em 22 de dezembro de 2004, quase 6 meses depois da data qme que o processo fora iniciado. Porque precisamente o tipo de ambiguidade contido na referida correspondencia ja era esperado, o r. Goldman insistiu que nos autos do processo constasse a admissao do proprio advogado como prova (vide carta de Peter McKay datada 7 de janeiro de 2005; favor consultar ordem da corte de New Jersey confirmando que a reclamacoa de custodia nao havia sido servida ate 22 de dezembro de 2004). Ja fora alegado antes, e descoberto pela corte, que a Sra. Goldman propositalmente nao fornecera estes documentos ao Sr. Goldman porque era obvio que as alegacoes que ela havia feito as cortes brasileiras, como as acima, seriam questionadas imediatamente. 

 

Divórcio e Envolvimento de Lins e Silva

 
As outras alegações jurídicas que tenham sido feitas agora nos permite caracterizar a relação do Sr. Lins e Silva e esta criança, de uma forma que merece atenção. Uma leitura cuidadosa desta carta [carta de JPLS] indica que o Sr. Goldman foi notificado do divórcio através de um “funcionário judicial em Brasília”. Essa é uma maneira educada de dizer que ele foi informado de que o divórcio já havia sido realizado quando ele viajou ao Brasil para participar no processo sobre o assunto Haia. Não só o Sr. Goldman recebeu nenhum aviso de Bruna da apresentação do divórcio brasileiro, na verdade seus representantes legais nos Estados Unidos, continuaram a discutir a eventual acusação de uma queixa de divórcio nos Estados Unidos, e continuou a promessa de responder ao conselho de Mr. Goldman e confirmar a sua capacidade de representar os seus interesses nos Estados Unidos. Mr. Goldman mais tarde ficou sabendo que ela já tinha feito seu relatório 2006. 

 

 Mas uma leitura atenta da presente carta indica que o Sr. Lins e Silva diz que Sean Goldman estava “sob o seu cuidado” desde janeiro de 2005. Mais tarde ele admite que “em menos de seis meses a partir da reunião fomos viver juntos”. Não está claro a partir da história de várias reuniões que ele cita em sua carta, quando ele e Bruna se encontraram e sob quais circunstâncias. Mas claramente a sua admissão, estabelece o seu envolvimento com a Bruna de junho de 2004, quando a deslocação ilícita e retenção para o Brasil ocorreu. No momento em que Bruna ainda estava casada, embora este caso ainda estavisse pendente no tribunal de Nova Jersey, e ainda pendentes perante os tribunais brasileiros sobre a Petição Haia (que foi introduzido em Outubro de 2005), o fato de que Sean não estava vivendo exclusivamente com sua mãe e seus pais [os avós], como ela tinha afirmado em sua própria declaração ao tribunal, nunca foi divulgado, até estabelecido nesta carta. O facto que a Sra. Goldman tinha se mudado com seu amante, e que este homem foi incentivado a ser referido como “Papai”, de Sean, para diminuir o papel do Sr. Goldman o “americano” foi um segredo mantido estrategicamente perante juízes que ouviram as audiências tanto no Brasil como nos Estados Unidos, e demonstra falta de cuidado e preocupação com as necessidades do menor.

 

Em anexo está a minha correspondência datada de 18 de janeiro de 2005 dirigida a James Newman, Esquire, do escritório de advocacia Newman, Scarola e Associados, o advogado local que representa os Ribeiros, os avós maternos de Sean. Isto documenta que o Sr. Goldman, que tentou virtualmente dia a dia falar com seu filho, repentinamente “foi incapaz de localizá-lo”, isto coincide precisamente com a admissão do Sr. Lins de que ele tinha se mudado junto com Bruna Goldman e tinham tomado controle de Sean nesta data.Se a Sra. Goldman e sua família tivessen sido tão orgulhosos ou tão certos de suas ações como eles agora opinam, pergunta-se então porque eles continuaram a mentir nos tribunais de ambos os países. É claro que nenhum tribunal, em qualquer país aprovaria em razão um homem se mudar para dentro da casa, com uma criança pequena, enquanto os processos ainda estão em andamento, e um ano antes do divórcio ser requerido. Na verdade, até mesmo a secreta guarda provisória de custódia obtida rapidamente por Bruna, revelada ao Sr. Goldman, em dezembro de 2004 é omissa quanto às intenções da Sra. Goldman fazer outra coisa senão viver a custa de seus pais.

 

 Petição Haia 

 

A alegação de rapto parental internacional, como o Sr. Lins e Silva bem sabe, foi reportada imediatamente com o Departamento de Estado dos Estados Unidos e transmitido à Autoridade Central do Brasil em 3 de setembro de 2004, 46 dias após Sean ter sido abduzido, e somente após os bilhetes de avião para o regresso Sean e sua mãe não terem sido utilizados, e constante tentativas do Sr. Goldman para garantir Bruna seu regresso voluntário foram ignorados. Em anexo a este foi o pedido para Bruna regressar voluntariamente. Se os motivos alegados por Sr. Lins e Silva fossem seguros como foi descrito, ela não teria dificuldade alguma em obter autorização para relocar com Sean para o Brasil. Mrs. Goldman não quis submeter sua provas para que fossem examinadas, ou para que elas fossem submetidas a exame no local da prova, em Nova Jersey, onde as partes viviam, onde Sean ia para a escola e, e onde todas essas acusações seraim imediatamente desmentidas por testemunhas que viviam com esta família. O pedido da petição judicial de Haia foi adequadamente feito perante o Tribunal Federal do Brasil buscando o retorno de Sean, em 17 de novembro de 2004. Mr. Goldman não foi para um escritório de advocacia em São Paulo, tal como descrito [na carta de JPLS], (querendo dizer que ele negligenciou a visitar Sean). Na verdade, ele exercia a sua reparação, como exigido no Tratado (ou seja, Convenção de Haia sobre Aspectos Civis da Abdução Internacional de Crianças), através da assistência dos escritórios diplomáticos de ambos os países, e conselhos organizados no Brasil. O Sr. Lins e Silva sabe que as negociações foram conduzidas, e Mr. Goldman fez proposta após proposta através de advogado para o exercício de acesso nos Estados Unidos e no Brasil, incluindo a oferta para ver Sean em um terceiro país, se necessário, somente para poder ver seu filho. Durante as últimas propostas escritas, os advogados da Sra. Goldman comunicaram que Bruna se recusou a cumprir ou até mesmo ter uma conferência para discutir uma maior resolução. Apesar do Sr. David Lins e Silva descrever David como ter ” perdido repetidamente”, ele tem o cuidado de não compartilhar o calendário ou as questões jurídicas com seus leitores. Em outubro de 2005, o Tribunal Federal do Brasil publicou a sua conclusão de que Sean, tinha sua residência habitual efectivamente nos Estados Unidos da América, para os fins do presente Tratado, e, ainda, que, em conformidade com a lei da residência habitual, New Jersey, Estados Unidos da América, Sean tinha sido indevidamente retido no Brasil. Sr. Lins e Silva sabe que é a determinação da residência habitual, não o fato de Sean gozar dos benefícios da dupla cidadania que determina a responsabilidade de devolver Sean. No entanto, o Tribunal Federal recusou a devolver Sean, baseando-se erroneamente sobre o tempo que a Justiça Federal levou para deliberar e prestar uma decisão. Uma vez que essa posição não é suportada no Tratado Internacional ou encontrados na jurisprudência, o resultado foi imediatamente recorrido.

 

 O assunto permaneceu pendente ao mais alto tribunal de recursos quando Bruna morreu. No entanto o Sr. Lins e Silva, e aqueles que representam Bruna, não divulgaram a sua morte, nem para David Goldman ou para a Justiça Federal no Brasil, na esperança de obter uma primeira decisão favorável. Seu comentário de que “ele [referindo-se a David] foi feito para compreender que as regras do direito, no interesse do menor e, neste caso, que ele ficaria no Brasil com sua mãe” desmente o facto do Sr. Lins e Silva, e seu pai , que é internacionalmente considerado um especialista brasileiro na Convenção de Haia, são ambos bem conscientes de que os preceitos da presente Convenção nunca apoiou a continuação da retenção indevida de Sean. No requerimento agora pendente no Tribunal Federal, o governo do Brasil reconhece e pede o regresso de Sean, e eles continuam a insistir em que, porque a retenção indevida da remoção continou até agora, a residência habitual de Sean é no Brasil. A relação que o Sr. Silva Lins cultivou com Sean só foi possível porque ela foi conduzida em segredo por [eles] terem evitado qualquer tipo de contato significante entre David Goldman e seu filho. Documentos das cortes confirmam que o Sr. Goldman ganhou em juízo o direito de ter acesso ao seu filho e o Sr. Lins da Silva ignorou a ordem e saiu com a criança, causando Mr. Goldman, mais uma vez mais a sair [do país] sem sequer ver Sean. É claro, baseado na mais recente order do tribunal de visitação, que o medo que engendra a obstrução do poder paternal o acesso foi bem fundamentada, em que Sean imediatamente respondeu ao seu pai, com grande físico e emocional afeto e amor, na presença de testemunhas e do psicólogo contratado para observar suas interações. Sr. Lins da Silva está correcto em descrever que imediatamente após a morte de sua esposa ele decidiu “tomar uma iniciativa jurídica …”, na verdade, ele aplicou, novamente em segredo, para ter o nome de David Goldman retirado da Certidão de Nascimento brasileira de Sean, bem como os nomes dos avós paternos. 

 

Mr. Goldman então incluiu Sr. Lins e Silva em sua petição de Haia para afirmar a continuação da retenção indevida de Sean, somente quando se tornou claro que o Sr. Lins e Silva e a família Ribeiro não iria honrar com as ordens dos tribunais dos Estados Unidos seus direitos como o pai de Sean e retornar a custódia de Sean para seu pai. Mr. Goldman foi consistentemente aconselhado a confiar no processo judicial internacional na aplicação da Convenção de Haia sobre os Aspectos Civis de sequestro da criança por parte do governo e do judiciário no Brasil. Confiando no conselho das autoridades centrais de ambos os países, o Sr. Goldman não iniciou nenhuma das sanções penais disponíveis nos Estados Unidos, nem procurou contactar qualquer mídia em relação a este caso, enquanto o assunto permaneceu pendente nos tribunais brasileiros. Mr. Goldman nunca contratou um consultor de imprensa. Uma vez que Bruna morreu, e o segredo e os esforços inadequados contenciosos foram expostos, Mr. Goldman concordou relutantemente para iniciar o árduo processo diplomático, e para permitir a sua estória a ser contada em público, quando ele descobriu sobre a morte de Bruna e a retenção de Sean por Sr. Lins e Silva.

 

Não estando mais sobrecarregado pelas deturpações de Bruna Goldman e de sua família, ou da influência secreta do Sr. Lins e Silva, espera-se que o Tratado Internacional de Direito, nos quais ambos os países contam para com o bem-estar e proteção de todos os seus cidadãos não será mais utilizada erroneamente.”

 

Patricia E. Apy

 

Advogada de David Goldman

  

7 de Março de 2009 

 

 

 

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A Estréia de BATE MAN (Bait Man) de Gerald Thomas

13/12/2008 DO BLOG DO CAETANO VILELA:

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O Ator, o Diretor, o Autor e o entendimento sobre o Tempo


“Decantar o vinho, como pode o teatro, enfim… É tempo, tempo entendeu, é o tempo que o teatro tem que ter, teatro não, uma câmara de tortura. Precisa de tempo, tempo.
Teatro e tortura, amizade e literatura e um bom vinho precisam de TEMPO.
(Gerald Thomas/”Bait Man”)
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Marcelo Olinto sob a minha luz, dirigido por Gerald Thomas e fotografado por Daniela Visco no Sesc Copacabana

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Faltou tempo! A citação acima vem do novo espetáculo dirigido e concebido por Gerald Thomas para Marcelo Olinto. Todos concordam que faltou tempo para que o espetáculo ficasse melhor… poucos dos envolvidos nesta produção concordam que faltou tempo para ‘decantar’ deste evento uma nova ‘amizade’.
Trabalho com Gerald há uns 10 anos, nos separamos por um tempo para eu cuidar da minha carreira e nos aproximamos quando nossas agendas permitem. A vida dele sempre foi uma loucura inter-continental, sua cabeça sempre esteve em, no mínimo, três países ou cinco cidades ou duas culturas, dez projetos, ou, ou, ou…
Acredito na empatia entre criadores, ator e diretor num processo tão autoral precisam ‘estar siameses’ em fase de produção de um novo espetáculo. Depois de mais ou menos 3 semanas de ensaios cheguei ao Rio e após assistir um ensaio sem saber de absolutamente nada identifiquei alguns pontos frágeis sobre o entendimento que o ator tinha do autor. Note bem eu disse “DO AUTOR” e não do espetáculo (embora houvesse sim alguns pontos também, mas não é o caso).
Gerald é o autor dele mesmo e ninguém pode acusá-lo de repetir sempre o mesmo discurso, seu tema é e sempre foi o DILACERAMENTO que qualquer guerra provoca nas relações, para isso abusa do jogo teatral, do corpo do ator que precisa ser um comediante disciplinado para ‘decantar’ e ‘autorar’ toda verborragia (nisso sempre preferi Damasceno à Bete Coelho) contida nas múltiplas camadas de entendimento. Kantor era assim também, todo o seu teatro era o reflexo do pós-guerra e seus atores marionetes deste ‘campo militar’, todo o Living Theatre também e a primeira fase de Pina Bausch… é sempre a guerra e a contradição da guerra e a guerra e a contradição da…
Se não se entende isso para trabalhar com um diretor assim o ator é fisgado (Bait Man!?) pela traição da falsa verdade, do falso entendimento. O público pode sair do teatro com centenas de peças soltas e montar seu quebra-cabeça na pizzaria ou no seu travesseiro, já o ator não!
O ator não pode dar pistas equivocadas do entendimento que o ‘autor-diretor’ criou (Marienplatz 1933 sempre será o início da ascensão e nunca uma garrafa de vinho raro!), muito menos subestimear a capacidade que este mesmo autor tem em criar armadilhas que coloquem em xeque este entendimento.
Concordo com Gerald, o ofício do ator faz muito mais sentido semânticamente em inglês (to play) do que em português (representar) ou francês (repeticion) e não quero dizer com tudo isso que o que apresentamos ontem a noite no Sesc Copacabana seja ruim ou mal realizado e que Marcelo Olinto esteja bem ou mal. Voltando a citação inicial acho que o que melhor define o estado que saímos do teatro hoje é um fragmento de uma canção de Renato Russo, quando diz: “(…) agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou…”

 

          

                                                                                                

FOLHA DE SÃO PAULO 

São Paulo, quinta-feira, 11 de dezembro de 2008  

TEATRO
 
GERALD THOMAS DIRIGE O MONÓLOGO “BATE MAN”
 
Parte do projeto “Auto-Peças”, que comemora os 20 anos da Cia. dos Atores, o monólogo “Bate Man” estréia amanhã no Rio, no Teatro de Arena do Espaço Sesc (r. Domingos Ferreira, 160, Copacabana; tel. 0/xx/21/2547-0156; qui. a sáb., às 21h; dom., às 19h30; R$ 16; classificação: 16 anos; até 21/12). “Bate Man” é o primeiro solo de Marcelo Olinto e tem direção de Gerald Thomas.

 

FOTOS DE DANIELA VISCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DO BLOG DO CAETANO VILELA
    

Mal terminaram as óperas no Teatro S.Pedro/SP no domingo passado eu já embarquei para o Rio de Janeiro, na segunda, para outra parceria na iluminação (de última hora, mas sempre em boa hora!) com Gerald Thomas. Falo sobre “Bate Man” escrito e dirigido por GT na forma de um monólogo para Marcelo Olintho (acima num ensaio, fotografado por mim) defender no evento-efeméride “Auto Peças”, comemoração dos 20 anos da Cia. dos Atores no Sesc Copacabana.
Mais, depois falo! Enquanto isso o próprio GT dá uma idéia do que aguarda o público carioca, leiam aqui. Estou curioso para sentir as reações, pena que volto para SP neste domingo.
Se joga:
“Bate Man”, concepção/direção Gerald Thomas, monólogo com Marcelo Olintho
Sesc Copacabana/RJ
12 a 21 de dezembro (quinta a sábado 21h/domingo 19h30)

 

                        —————————————————————-
 
 

PARTE DO TEXTO

(Vira de costas e toma mais banho de vinho.
Murmura pra si mesmo.)
Sabe que… eu acho nunca vi….
Sinceramente.
Eu vou dizer uma coisa para vocês…
Ai…
Sinceramente.
Ai….
(pigarreia algumas vezes, como se preparando para falar.
Murmurando.)
Acho que….
Eu nunca achei que agradar a Burguesia seria desperdiçar aquilo, aquilo que eles acreditam ter de melhor. E agora? Que eu fiz tudo isso aqui.
Qual será a próxima?
(tempo, pensando.
Conclui.)
Um banho de caviar?
Banho de caviar.
(olha para baixo e vê caixas de caviar.
Encontra caixas de caviar.
Se assusta com a surpresa.)
Ahhh…
NOSSA QUE COINCIDÊNCIA!!!!
OSSETRA!
BELUGA!
SEVRUGA!
Que loucura, as coisas estão todas aqui.
É uma doideira.
QUE COISA MAIS APROPOS!!!!
APROPOS!!
A  PRO  POS!!
APROPOS!!!
GENTE QUE LUXO.
CAVIAR VINDO DIRETO DA RÚSSIA, DO IRÃ, DO IRAQUE
Olha agora é sério.
Sério.
TUDO ISSO PRA DIZER O SEGUINTE:
TORTURA VALE A PENA SIM.
VALE A PENA E NÃO É SÓ ISSO NÃO!
NÃO É MESMO.
VALE A PENA RALAR E TER OS SEUS DIREITOS  COMPLETAMENTE CASTRADOS, VIOLADOS…
Eu não sei como explicar isso melhor hmmm……
Vou tentar explicar…. é….. é…. é….    CONFISCADOS… RAPTADOS…. é….
NO FINAL DE UM REGIME ASSIM TÃO, TÃO VIOLENTO, TÃO VIL, TÃO FILHO DA PUTA , CRUEL….
Ah…..VOCÊ TEM COMIDINHAS ÓTIMAS, BEBIDINHAS MARAVILHOSAS, entendeu?
TÃO GOSTOSINHAS.
(descobre alguma coisa genial.
Não acredita.)
E OLHA QUE LOUCURA ESSA AGORA!
MEU DEUS DO CÉU.
Roupas FASHION!
Não posso acreditar.
Um John Galiano direto da próxima coleção de verão!
WOW!
(entra música. Bate Bait se veste e começa a desfilar.)
Bait Man

 ———————

Copyright Gerald Thomas
New York – Nov 2008-11-25
Serviço – “Bate Man”
Texto e Direção: Gerald Thomas
Luz: Caetano Vilela
Musica: Patrick Grant
Com Marcelo Olinto
De 11 a 21 de dezembro
Teatro de Arena – Espaço Sesc
Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana
De quinta a sábado, às 21h; domingos, às 19h30
Ingressos: R$ 16
Informações: (21) 2548-1088 / 2549-1616

 

( O Vampiro de Curitiba na Edição)

 

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Gabeira

Gabeira

Se eu tivesse que comparar o Gabeira a qualquer “ser” ou personagem teatral da História dramatúrgica, sinceramente? Não conseguiria. Não existem paralelos.

Esse homem é um ser iluminado, em todos os sentidos. Já foi tachado disso e daquilo pela direita, pela esquerda, por cima, por baixo, já foi chamado de viado, de cachorro, de tudo: no entanto está de pé, assim como a cultura cigana.

“Bury me Standing” de Isabel Fonseca, escritora Americana, (acho que ainda) casada com o autor inglês Martin Amis… enfim, “Bury me standing” vem de me enterrem de pé!, um velho comando, ou dizer, ou expressão usada pelos nômades que, de tempos em tempos, sofrem um holocaustozinho em diversos paises.

Pela lógica, Fernando Gabeira jamais poderia estar onde está agora, ou seja, vencendo e glorioso. Já o odiaram por ter voltado do exílio usando uma sunga mínima (um insulto pra esquerda), já o insultaram por querer se “intrometer” a defender causas que não lhe diziam respeito, como os negros e os homosexuais. Talvez, seguindo essa mesma lógica, talvez o Gabeira seja a única e REAL ponte que cubra esse “canyon” ridículo que ainda insiste em dividir  pessoas entre direita e esquerda. Gabeira parece aquele que já atravessou o Checkpoint Charlie da (ex) Alemanha Oriental para a Ocidental com um sorriso na cara como se quizesse dizer: GENTE IMBECIL! Criando MUROS! Criando MURALHAS! Criando barreiras!  O Gabeira que eu conheço pessoalmente há… há (ufa! 30 e poucos anos) sempre foi um LIBERTADOR!.

Mas vejam só que engraçado: certa vez, como correspondente da Folha em Berlim, ainda casado com a Yame, Gabeira vem para cobrir uma ópera que eu estava dirigindo em Stuttgart (Perseo e Andrômeda – John Neshling fez a crítica para o mesmo jornal – 1990).  Pegou o trem, era inverno, tudo atrasou, chegou afobado… pediu uma tomada para plugar o computador. Naquela época não era internet ainda. Mandava-se matéria para uma central, sei lá como…

Mandou a coluna. Jantamos. Pegou o trem de volta para Berlim.

Anos antes disso: nos encontrávamos com muitíssima freqüência num restaurante macrobiótico no Leblon. Mastigávamos e mastigávamos e mastigávamos… Ruminávamos e ficávamos nos perguntando por que diabos um restaurante macro (um sobrado) ficava justamente em cima de um açougue!!!!!

Anos antes disso: Gabeira no exílio e eu sentado em Londres na sede da Amnesty International. Ele já não querendo muito contato com o “Que é Isso, Companheiro?”

E assim que o filme foi lançado, nos cruzávamos e, ambos de bico calado. A Nanda fez o filme, acompanhei de perto a tragédia filmada de um livro tão legal.

Fui em sua casa certa vez na Lagoa. Depois se mudou pro Bairro Peixoto, gravei uma entrevista.  E tivemos um ÓTIMO debate sobre terrorismo, logo assim que voltei de NY após os ataques de 11 de setembro.

O Rio não pode AFFORD NOT TO, não pode se dar ao LUXO DE NÃO TER o Gabeira, sendo o Rio o que ele é.

E por quê? Porque um é  a cara do outro! Se você tenta pegar o Gabeira com ecologia ele te devolve algo sobre supercondutores. Se você quer falar sobre política ele te responderá alguma coisa na linha da cultura eclética dos pós-semiólogos egípcios. Se você colocá-lo na mira em relação a qualquer assunto ele te devolve dez sobre os quais você simplesmente nada sabe ou sabe pouco.

E essa é justamente a natureza do carioca: a do samba, a do segundo surdo que entrecorta o samba e cria aquele falso desequilíbrio que faz com que a avenida inteira se sinta na ponta do pé e dance a noite inteira e rebole sem saber como está rebolando.

Ah… você está pensando… Farra? Não senhor! Essa é justamente a ARTE do equilíbrio de um EXIMIO político com vivência INTERNACIONAL pronto para enfrentar uma cidade aos pedaços, mas, nem por isso, menos cosmopolita.

E se você pedir um simples abraço ao Fernando, ele vai abraçar a Lagoa inteira!!!!

Gabeira, LOVE as always, Gerald!

 

 

 (Vamp, fã do Gabeira, na edição)

 

Matéria do Fernando Rodrigues (Folha) de Sábado:

FERNANDO RODRIGUES

O pânico derivado NOVA YORK – A boataria dominou os mercados ontem. Ford e GM tiveram de negar que estivessem falindo ou pedindo concordata. A Casa Branca precisou declarar desinteresse pelo plano de decretar feriado nos mercados financeiros. O presidente norte-americano praticamente pediu clemência às Bolsas de Valores num depoimento infeliz e ineficaz na TV. Nada adiantou. Ontem a Bolsa de Valores de Nova York fechou sua pior semana nos seus 112 anos de vida. Os papéis despencam há oito pregões consecutivos. A semana acumulou uma desvalorização de 18%. Já se pode usar, sem medo de errar, a expressão “crash” (quebra) dos mercados. É importante registrar esse momento, pois as quedas recentes eram ainda sempre menores em algum sentido do que as registradas em anos passados. A diferença agora parece ser o total descontrole dos agentes reguladores nos Estados Unidos, a incompetência e a tibieza política de George W. Bush e a globalização completa do mercado de ações. Em nenhum dos outros “crashes” o mundo estava tão integrado. Mesmo no início da década, quando explodiu a bolha das empresas “pontocom”, tratava-se de um setor específico. Havia ramificações, mas nada comparável à explosão dos chamados derivativos. Há na praça US$ 531,2 trilhões de contratos de derivativos. Grosso modo, uns 500 “Brasis”. Em 2002, o total era de US$ 106 trilhões. Não se sabe exatamente o quanto, mas uma parcela gigantesca desses papéis não vale nada. Esse é o DNA do atual colapso financeiro. Se as reuniões do G7 e do G20 não chegarem a um consenso neste fim de semana sobre como tornar esse tipo de mercado mais regulado, nada adiantará injetar dinheiro nos bancos. Será como enxugar gelo. Não há US$ 531 trilhões disponíveis para que todos os derivativos sejam honrados no mundo. 

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Gerald Thomas entrevista Judith Malina

 (Especial para a Folha de São Paulo)

São Paulo, sábado, 04 de outubro de 2008

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“Temos de rir”, diz Judith Malina

 

Diretora do Living Theatre vem ao Brasil receber medalha por reparação pelo fato de ter sido presa durante a ditadura

Além da homenagem, Malina também dará aulas para atores na Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro  

Fabiana Guglielmetti
 

Judith Malina, diretora do grupo Living Theatre, que estreou peça baseada em Edgar Allan Poe em Nova York, durante entrevista

GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Confesso que meus joelhos estavam trêmulos quando o “yellow cab” me deixou na esquina da East Houston com Clinton Street, em Nova York. Andei alguns passos, e tomei fôlego para ir até os “headquarters” do Living Theatre. Vi a preparação de “Eureka”, adaptação de texto de Edgar Allan Poe que estreou nesta semana no espaço do grupo, e subi ao segundo andar, onde mora Judith Malina, sua diretora. O Living Theatre foi um dos grupos de teatro mais influentes do mundo. Sem a filosofia deles, não teríamos hoje o Oficina, no Brasil (leia ao lado). Sim, é triste sim, porque a última vez em que nos vimos, em maio, ela estava deitada numa esteira no meio da sala, dezenas de pessoas ao redor. Seu companheiro de 40 anos, Hanon Reznikov, havia morrido no dia anterior. Eu tinha ido ao enterro em Paramus, Nova Jersey. Ela nos olhava como se seu mundo fosse acabar ali. O mundo da última beat iria acabar sem deixar um último berro, um último manifesto: Hanon morreu abruptamente, de um derrame, aos 57, de repente. Durante o enterro, eu não parava de olhar pra essa jovem alemã pequena, de 82 anos, que também me olhava e cochichava em meus ouvidos “What went wrong, Gerald?” (O que deu errado, Gerald?). Ambos olhávamos o caixão em que o corpo de Hanon cozinhava num calor de 32ºC e meus olhos iam pra tumba de Julian Beck (1925-1985), o primeiro marido de Judith, líder e fundador do Living Theatre, também enterrado ali. Eu estava no enterro do Julian em 1985. Ele morreu durante a turnê de um espetáculo meu, a “Beckett Trilogy”, em que atuou, pela primeira vez fora do seu Living. Beck e Beckett, onde um homem ouvia sua própria voz em três fases diferentes de sua vida no passado. As filas no La MaMa davam voltas no quarteirão: o povo sabia que ele estava com câncer terminal. Eu fazia o meu meta-teatro e eles vieram dizer o seu adeus. Um homem quase morto ouvindo vozes do passado: era de levantar a pele! Na semana passada, subindo as escadas pro apartamento, depois de seis meses sem vê-la, encontrei-a bem humorada, às vezes aos prantos, jovial, energética e divertida. Levantou num pulo. Algumas várias lágrimas durante a entrevista. Judith Malina receberá a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura brasileiro na próxima terça, em cerimônia a ser realizada no Teatro Municipal do Rio, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Cultura, Juca Ferreira. Em 1971, membros de seu grupo foram presos acusados de participar de atividades subversivas. Leia abaixo trechos da conversa com Malina.

 
JUDITH MALINA – Ainda não posso ser deixada sozinha. Nunca fui deixada sozinha desde o Julian, que me colocava três refeições por dia na mesa… Não sou bipolar, mas sou exagerada, você me conhece, tenho energia demais e preciso exercitá-la

GERALD THOMAS – Mas todos te vêem como uma super-mulher. A batalhadora, quase invencível.


MALINA
– Que nada. Sou inútil pra coisas práticas. Não sei lidar com coisas reais, atender um telefone, nunca precisei escrever um cheque, não sei o que é uma conta de luz.

THOMAS – E o espetáculo, “Eureka”?


MALINA
– Estamos fazendo essa produção com garra e com zero tostões.

THOMAS – Mas com vocês foi sempre assim…


MALINA
– Mas agora vendemos todas as pinturas de Julian e não sei como continuar. Você sabe que as coisas pioraram no mundo do teatro.

THOMAS – Nem me fale!


MALINA
– Aqui e no mundo inteiro. Precisamos berrar mais do que nunca. Ou seremos enterrados vivos. Estou indo pro Brasil receber uma medalha de honra de reparação de danos. Gosto muitíssimo do Brasil. Aliás, é o país de que mais gosto. Brasil primeiro, Itália depois e, sei la qual é o terceiro.

THOMAS – Você vai dar workshops na Casa das Artes de Laranjeiras…


MALINA
– Porque sinto que os atores brasileiros têm fome de saber. Te abraçam com tudo e se jogam sem medo. Nos outros lugares estão com muito medo. Eu sou sobrevivente de guerra e me pergunto: “medo de quê”?

THOMAS – Te conto: ator hoje tem medo de falar de como perdeu a virgindade, a caretice é enorme. Crêem que a história começou ontem.


MALINA
– Não que sejamos nostálgicos. Mas existe uma geração que deletou ou não absorveu toda uma cultura de demonstração, de contracultura, de agitprop. Por isso quero escrever meus diários e o que Erwin Piscator me ensinou.

THOMAS – Uma condecoração no Brasil substitui o tempo que você ficou presa?


MALINA
– Nada vai tirar aquilo da minha memória. Foi horrível, por isso esse diário da prisão é importante (leia ao lado).

THOMAS – No início da década de 60, o teu teatro revolucionou o mundo. Na década de 70, você estava confinada numa prisão em Minas Gerais. Hoje, você tem liberdade para viajar e berrar. Mas adianta?


MALINA
– Quero abraçar o mundo com as pernas, com os braços. Amo tudo isso, amo estar viva e percebo que o mundo inteiro é um fracasso. Temos de rir.

 GERALD THOMAS é autor e diretor teatral 


 

  Judith Malina e Gerald Thomas 

   
   

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