“Foi dada a largada” (Dilúvio) por Dirceu Alves Jr (Veja SP)

Deixa que digam, que pensem, que falem… O fato é que Gerald Thomas desperta curiosidade incomum por onde passa e, desde ontem pela manhã, o cara está em São Paulo. O diretor e dramaturgo, ainda na segunda, deu a largada aos ensaios de seu novo espetáculo, “Dilúvio”, que tem estreia prometida para 11 de novembro no Teatro Anchieta do Sesc Consolação.

Com elenco totalmente feminino. a montagem será focada na criação de um ambiente de fantasia, abrindo espaço para a reflexão sobre períodos conturbados e atuais da história da humanidade. Uma das protagonistas da peça, nas palavras do encenador, representa “uma espécie de anti-santo ou o Capitão de uma Arca que Não É (para rimar com Arca de Noé).”

No palco estarão seis atrizes – a portuguesa Maria de Lima, a paraguaia Ana Ivanova  e as brasileiras Lena Roque, Isabella Lemos, Beatrice Sayd e Ana Gabi -, além de um grupo de bailarinas coreografado por Lisa Giobbi. Através do português de Maria e do espanhol de Ana, Thomas pretende fazer uma espécie de embate entre os colonizadores que dividiram o mundo. A temporada paulistana será de quintas a sábados às 21h, e domingos, às 18h, até 17 de dezembro.

Dirceu Alves Jr.

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Belíssimo texto de André Bortolanza ! OBRIGADO querido.

Quando eu entrei no primeiro curso de teatro aos 13 anos, o Gerald era uma referência forte pra mim. Eu lia todas as entrevistas, colecionava artigos e juntava as fotos das peças na minha imaginação. Assim tentava reconstruir, a minha maneira, aquelas montagens que eu não tinha visto. Na faculdade fui aluno da Sílvia Fernandes, que escreveu um livro sobre o Teatro do Gerald. Sempre ficava importunando a Sílvia com perguntas sobre ele. Já formado, fui trabalhar com a Bete Coelho e o Luiz Damasceno, atores centrais da Ópera Seca. Nos intervalos dos ensaios e nas coxias, sempre arrumava uma oportunidade de perguntar: “E o Gerald?” Um dia o Dama me emprestou uma caixa de fitas VHS das montagens da companhia. Um material bem editado que dava uma medida real das peças. Naquela época o Gerald já tinha sido casado com pelo menos três mulheres que eu respeito e admiro demais: a Daniela, a Bete e a Fernanda Torres. Eu pensava: “Mesmo que ele não tivesse feito mais nada na vida, já merece o meu respeito por esse trio”. Mas ele fez, e muito. Ainda tinha o Oiticica, o Beckett, o Julian Beck… e uma série de artistas, ataques de amor e ódio, paixões e incompreensões. Era um universo fascinante e desafiador. Um dia, em 2006, o Gerald abre teste de atores para a montagem de uma tetralogia chamada “Asfaltaram a Terra”. Foi assim que eu entrei pra companhia. Logo no início dos ensaios, numa conversa de camarim, contei pra ele do meu histórico e fui convidado pra ser assistente de direção. Eu hoje brinco com ele dizendo que um dia vou escrever um livro dos bastidores das montagens. O que acontece durante os ensaios é tão eletrizante quanto as cenas no palco. Acompanhar um processo do Gerald é uma aventura que só pode contar quem já viveu. Porque é preciso estar realmente vivo pra suportar. É impossível passar impunemente por isso. Assistir um autor dirigindo é sensacional. Presenciar o texto surgindo na hora da cena, para aquele ator específico, ressaltando as idiossincrasias daquela persona. E ainda assim, o Gerald está em todas as figuras que habitam seu universo. Não existem personagens nas suas peças, porque todos os atores em cena representam o Gerald Thomas. São muitas camadas sobrepostas. Os ensaios são por ora tensos, mas também hilários. Ele é muito engraçado e trabalha se divertindo. Isso é quase uma regra. Durante as apresentações, o Gerald fica na primeira coxia esquerda e eu, quando posso, fico do outro lado, de frente pra ele. Estou ali para ver o Diretor mudando a cena, criando textos que ele sopra aos atores durante a apresentação, com o público presente. Não conheço nenhum processo de teatro tão vivo. E ao mesmo tempo tudo é mentira, tudo é ilusão, uma grande brincadeira com uma torre segurando um elipsoidal e um sarrafo sustentando o cenário. Um dos livros que a Silvinha organizou chama-se “Um encenador de si mesmo” e o título de uma das suas peças é “O Império das Meias-Verdades”. É isso! Tenho muitas histórias, algumas registradas em centenas de e-mails que trocamos ao longo dos anos. Muitas delas sempre animam rodas de amigos. Como aquela em que eu tive que demitir na noite da estréia a acrobata que ficava pelada, pendurada e sangrando e contratar uma substituta para a apresentação da noite seguinte. Um dia ainda escrevo esse livro. Os processos do Gerald me deixaram grandes amigos e experiências que justificam o amor ao Teatro. Ele acolhe todos os julgamentos que projetam sobre sua persona pública e, ao mesmo tempo, não é nada disso. Desde o começo, por alguma mágica do meu olhar, eu pude vê-lo além dessa máscara que ele, a classe artística, a platéia e a imprensa construíram e alimentam ao longo dos anos. Tudo é teatro, não só o que está em cena. A arte transborda o palco e vinga a vida convencional, careta e conservadora. Não é fácil. É um desafio diário, mas pra quem está ganhando gosto pela intensidade da vida, vale a pena correr o risco Gerald Thomas. Dizem que a gente é muito diferente e muitos não entendem como essa parceria pode durar tanto. O fato é que não somos tão diferentes assim, são apenas disfarces das nossas personas. Ou talvez sejam essas diferenças que equilibram a loucura do outro. Não sei. A gente se entende no silêncio. O fato é que a gente se ama. É declarado. É um privilégio, um presente e uma Alegria estar ao seu lado. E ele ainda desenha daquele jeito! E toca! Trabalhar com o Gerald Thomas é Rock and Roll. Na próxima segunda-feira, começam os ensaios de DILÚVIO, a sétima peça em que trabalho com ele. Play.

André Bortolanza

São Paulo, 16 de Setembro, 2017

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Essa PUTARIA (sem sexo) no Brasil que não acaba (e a imprensa continua a dar: sem dar o cu). Incrível !!!

Um eterno pau pra toda obra – sangrando sempre ! meu pau !

Zezinho delatou Zezinha que beliscou a Chiquinha que roubou a Aninha que deu um golpe no Branquinho que delatou o Pretinho mas que deu rasteira neles todos e depositou $$$ no cu do mundo enquanto um jato lavava um Luisinho que berrava contra o tal empessegamento e o tal peach e todos berravam FORA e aí veio a Amazonia e então um soco PUM, e aí, um jab BUM e aí de repente todos índios e todos AI MEU DEUS, ou outros OH MY GOD, ou então OMG !!! (que poderia ser uma ONG mas não é)… e “Salvem a Amazonia” !!!!! (o relógio parou pela 11111 vez),  mas isso enquanto o Palocci isso e o Janot aquilo porque o Cunha isso e o Lula aquilo e – claro, o Temer ainda ainda ainda isso e a Dilma nas nuvens, digo, na Cloud, na iCloud, e dia seguinte….o Zezinho delatou Zezinho que beliscou a Chiquinha que roubou a o Dirceu e roubou o Gesuino (não, era Genuino, não era algo assim)…. mas a Aninha que deu um golpe no Branquinho que delatou o Pretinho mas que deu rasteira neles todos e depositou $$$ no cu do mundo enquanto um jato lavava um Luisinho que berrava E VOCES ? COMO AINDA AGUENTAM ESSA MERDA TODA TODOS OS DIAS HEIN?

S I N CE R A M E N T E ? Voces gostam dessa PUTARIA (sem sexo) Juram ?

Gerald Thomas

NYC – Sep 16, 2017

Comentário de Vagner Fernandes no Facebook : Isso tudo é o próprio coito sadomasô (des)conCERTADO, a trepada sem maestro, com instrumentos em permanente estado de dissonância, a vulgo foda mal dada por corpos com cadeia de aminoácidos podres. Não há Centro de Neurociência Cognitiva do Instituto de Tecnologia de Massachusetts que nos auxilie na compreensão disso aqui.

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I CUNNUSCLASTA  – por Fátima Vale

I CUNNUSCLASTA

didascáli(d)a: só uma vulva em cena a lembrar sam ainda a sentir os dentes de jerry uma vulva-vale entre alpinas coxas o corpo cenário em sentido único como o boulevard de onde barthés nunca voltou a voz feminina sai de uma boca que está nas costas de um homem o homem já nem está

é só o fato vazio

afinal

mundo vem pôr

mundo vem tirar

apanhar uma menina pequenina

um carro maior

um rapazinho já com bola

uma fila de fome

uma cantina social

uma vulva mutante clarabóia com vidros  em torno de si

paredes duplas relógios pendurados civilização progressiva

um comboio  entra e sai

pouca-terra pouca-terra muita-sede muita-sede

meninos nascem a atirar pedras

um bando de pretos voadores constroem uma muralha da china

entre o ânus e a vulva

e as suas avós chamam-nos de dentro as vozes ecoam na cabeça deles

 o ânus tornou-se um lugar clandestino e o amor de patas no parapeito

lança o hálito e resvala

uma vulva na cabeça de cada refugiado os chama para reiniciar a vida

cada um entra e sai do seu destino

uma gota de sémen um gueto

uma verdade precoce uma guerra de ponteiros

o do tempo ponteiro maior no sangue

o do espaço  ponteiro menor

nos ossos

e AGORA aqui eu a mil léguas de ti

lambo-me guetizo o pensamento bato contra as paredes da minha pele

cresço nas próprias mãos

e a luz seca-me

alguma boca me engole para um lugar mais fundo

uma vulva cada vez mais imaginária

A VULVA GUÉISER É REAL

desabou um eurodeputado um banqueiro

um oficial da marinha

que vai dar os olhos no porto de baltimore e ao fim de seis meses

chega à casa onde o filho já anda expeliu a puta que paga as contas da mãe e a cura pois sabe de medicina

u m l e i t o d e s é m e n e s c o r r e u m a b a n d e i r a d e p a z

e m c a m p o m e n s t r u a d o

fátima vale

filo-café “os guetos”,

4 de março de 2017

A genial autora

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Theater of the Absurd, 2017 edition !

The Theater of the Absurd – 2017 version.

If, in 1962, the absurd theater critic Martin Esslin coined the term “Theatre of the Absurd, based on a broad theme of the “Absurd”, similar to the way Albert Camus uses the term in his 1942 essay, The Myth of Sisyphus. The Absurd in these plays takes the form of man’s reaction to a world apparently without meaning, and/or man as a puppet controlled or menaced by invisible outside forces. Yes, ‘outside forces’

It’s a long list (and I won’t get into the long debate I had with Esslin back in 1987 about Beckett NOT belonging to this category..) but here is how he configures it: Samuel Beckett, Eugène Ionesco, Jean Genet, Harold Pinter, among dozens of others (as if they were a ‘team’ )

Now, fast forward to 2017.
This year has become one in which absurd jokes appear to be coming true. When Dennis Rodman made his first trip to North Korea back in 2013, it was amusing to imagine the eccentric NBA legend acting as the United States’ de facto ambassador to the country. The idea was as preposterous as Donald Trump somehow being elected president. 
It sounds surreal, but with tensions rising between the two countries thanks to North Korea’s growing nuclear weapons program, there’s a very real possibility that Rodman, a man who once married himself, ends up playing a key role in preventing armageddon. Rodman himself certainly believes he will. In an interview with Good Morning Britain, the five-time NBA champion offered to“straighten things out” between Trump and North Korea’s Kim Jong-un, emphasizing that he considers both men friends. 
Personally, I think Essslin would have a ball. Or maybe not.
Damn.

Gerald Thomas

NYC Sept 14, 2017

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16 years ago today……

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September 11, 2017 · 10:52 am

Eis….”Ana Gabi” in a bathtub with friends (actress in my “DILUVIO”)

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September 8, 2017 · 5:14 pm