CONVITE – lançamento das leituras

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December 4, 2019 · 6:10 pm

Datas em São Paulo e no Rio (11 e 12 de dezembro respectivamente)

Lançamento em SAO PAULO
– Dia 11 de dezembro as 20h no SESC da AV Paulista (inclui debate entre Gerald Thomas e Dirceu Alves Jr. – e leitura de trechos das minhas peças com Ney Latorraca, Edi Botelho, Bete Coelho e Fabiana Gugli

No RIO DE JANEIERO
– 12 de Dezembro – o debate será com Luiz Felipe Reis no ARTE SESC – Rua MARQUES DE ABRANTES 99 F
M.E.R.D.A. pra nós.
LOVE
Gerald Thomas

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LANÇAMENTO NO RIO – 12 Dezembro 2019 (meu livro “Circo de Rins e Figados”) Dia 11, em São Paulo (SESC Av Paulista 20h)

Em São Paulo o debate será com o Dirceu Alves Jr – e os atores Ney Latorraca, Edi Botelho, Bete Coelho e Fabiana Gugli (e eu) lerão trechos de peças.

Gerald – NYC – Dec 3, 2019

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Ney Motta escreve lindamente sobre o lançamento do livro “Circo de Rins e Figados”

Na noite de 11 de dezembro, um evento no Sesc Avenida Paulista marcará o lançamento pelas Edições Sesc SP do livro Um circo de rins e fígados: o teatro de Gerald Thomas, uma reunião das peças escritas e montadas por Thomas no Brasil e no exterior. Na ocasião, além da tradicional sessão de autógrafos com o autor e diretor, haverá um bate-papo seguido leituras de trechos das peças por alguns dos atores e atrizes que atuaram em suas criações.

A obra apresenta os textos integrais de 24 peças acompanhadas de suas respectivas críticas de época, e traz ainda ensaios da organizadora Adriana Maciel, do jornalista Dirceu Alves Jr. e da professora de teoria do teatro Flora Süssekind. O livro configura-se como o mais completo em língua portuguesa sobre a profícua produção autoral desse dramaturgo brasileiro, abrangendo até mesmo o texto de sua peça mais recente, Dilúvio, encenada no Teatro Sesc Anchieta no final de 2017.

Os textos teatrais escritos por Gerald Thomas são vivos: emolduram-se à vivacidade dos atores em cena. Organizá-los em um único volume é um registro importante da força da palavra no palco, sem que seja somente ela a motriz de um diretor inquieto, provocador e tão importante para a história do teatro brasileiro.

Criado pela Tuut design, o projeto gráfico do livro tomou como ponto de partida uma declaração de Gerald Thomas, que define uma peça de teatro como um organismo vivo. Segundo ele: “Quando o ator respira, o publico está respirando junto, então o nosso pulmão atinge o pulmão do público. Logo, o teatro funciona como um órgão enorme, um coração, por exemplo, que inspira e expira, e o público inspira e expira junto com o ator. Isso faz com que o teatro se transforme em um pequeno universo.” O conceito adotou uma estética que transmite ousadia e experimentação. A lombada do livro fica exposta quando a capa é aberta, revelando que a marca desse projeto é sua estética visceral na exploração das partes para formar um todo que traduza a sua essência.

No Rio de Janeiro, o lançamento está previsto para a noite de 12 de dezembro.

Ney Motta, Rio de Janeiro Dec 2, 2019

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“Sou uma Carmen Miranda nascendo das cinzas de Brunhilde” (Gerald Thomas)

GT- BUTTERFLIES (photo by Adriane Gomes)

Mas, quanto a ser uma espécie de extensão, de continuação dessa vanguarda, me acho mais próximo ao próprio Haroldo e Augusto de Campos ou ao Hélio Oiticica e suas “Warholsisses”, mais próximo a Duchamp e Joyce. Claro que eu me formei (aqui dentro) a partir desses nomes acima, juntando ainda meu mestre, Beckett, Bob Dylan e a contracultura (essa que vi e vivi desde seu inicio – lá em Tennessee. Sim, o Tropicalismo triste, uma Carmen Miranda nascendo das cinzas de Brunhilde, um sambista acanhado no meio de Woodstock, um Artaudiano em busca da sanidade perdida em Auschwitz.

GT- NYC Nov 27, 2019

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DIGESTIVO CULTURAL – Jardel Dias Cavalcanti entrevista Gerald Thomas

Terça-feira, 10/12/2019
Entrevista com Gerald Thomas

 

 

O dramaturgo e encenador Gerald Thomas lança dia 11 de dezembro, no SESC da paulista — SP, o livro Um Circo de Rins e Fígados com grande parte dos textos de suas peças (mais de 20 entre as mais de 80 peças que criou). O livro está sendo publicado pela editora do SESC e vem acompanhado de parte da fortuna crítica e de excelentes ensaios que aprofundam uma leitura de seu teatro. Entre os ensaístas estão Danilo Santos de Miranda (que apresenta o livro), Adriana Maciel, Dirceu Alves Jr. e Flora Süssekind.

Das peças podemos encontrar, entre outras, Carmen com Filtro 2Eletra Com CretaThe Flash and Crash DaysPragaMatogrossoM.O.R.T.E. Império das Meias VerdadesVentriloquistUnglauberGargóliosEntredentes e Dilúvio.

É um acontecimento extremamente importante, dada a relevância que seu teatro tem no Brasil (Haroldo de Campos o coloca como um dos mais importantes criadores e inovadores do teatro brasileiro). Com a publicação de suas peças, teremos a oportunidade de reviver a criatividade e a ousadia de seu teatro a partir dos textos ousados e transgressores que criou.

Aproveitamos este momento para fazer uma entrevista com o dramaturgo, que mora em Nova York, e que estará no Brasil em dezembro especialmente para o lançamento do seu livro.

JARDEL – Com o lançamento do livro Um Circo de Rins e Fígados, com mais de 20 de suas peças (e você já encenou mais de 80 peças), qual é a sensação de estar diante do resultado organizado de anos de trabalho intenso, não só de montagem, mas de elaboração de uma escrita bastante pessoal para o seu teatro?

GERALD THOMAS – Sabe Jardel, esses últimos anos, especialmente depois de uma enorme crise depressiva que resultou numa tentativa de suicídio em 2015, eu tenho tentado pensar nesse “conjunto” de coisas que me trouxeram até aqui: desde que comecei a rodar o mundo e “achatá-lo” com as minhas próprias mãos, até os dias de hoje. É, no mínimo, bizarro testemunhar essa “coisa” que sou (pro mundo de fora), visto a partir daqui desse mundo de dentro. Aqui dentro eu ainda acho que sou um amador, acho que sou alguém com muita vontade de fazer coisas, tenho 2 mil ideias por segundo, mas a exaustão do corpo não deixa que eu realize tudo isso.

Sim, montei mais de 80 espetáculos pelo mundo. Mas, se você levar em consideração que a maior parte dessas montagens entraram em turnê, eram montadas e desmontadas a cada semana…. acho que devo ter “sentido a pressão da estreia” pelo menos 3 mil vezes na vida.

Mesmo assim, nas artes a gente não gradua nunca. Todo santo dia é um mistério. Minha escrita mudou muitíssimo desde, digamos, EletraComCreta até hoje. Tenho tentado não ser mais tão irônico e, principalmente, tenho tentado não mostrar o quanto sei ou seja, tenho me colocado na posição do espectador. Beckett me dizia “o público pressupõe”. Não se preocupe porque ele pressupõe. Eu já acho que não. Acho que estamos vivendo um período de didatismo necessário (tamanha a burrice disseminada pela social media).

O resultado? Parecido com aquele quando Entre Duas Fileiras foi lançado. Eu só pensava nos capítulos que não entraram e naqueles 80% que foi cortado do original. Eu achava, como ainda acho, que naquilo que não foi publicado residia a “verdadeira” autobiografia. Acho, portanto, que as cenas de peças que foram cortadas ou as peças e textos que não entraram nesse livro….” aha! É lá que reside o verdadeiro Gerald Thomas”.

JARDEL – O seu teatro funciona dentro de uma correlação riquíssima entre texto, imagem, performance corporal e música. Não te angustia ver o texto separado daquela vibração única que é a apresentação ao vivo da peça, sem todos esses elementos que citei?

GERALD THOMAS – Dá sim uma certa angústia. Mas mesmo durante o ano em que passei pela revisão do livro, eu lia e relia os textos pensando ou relembrando como era a coisa montada e como cheguei nos textos (muitos deles, os textos, foram escritos depois de vários ensaios de marcação de cena. Foram concebidos pra caber naquele espaço. Como eu ainda me lembro de tudo como se fosse ontem, o que tomava conta de mim era uma espécie de nostalgia, de tristeza (mil problemas de ego e de destempero pessoal entre vários colaboradores (as) e eu….).

 


JARDEL – Agora que você publicou os textos do seu teatro, deixaria alguém montar um espetáculo a partir desses textos? (Tal como você fez, por exemplo, com o Quartett de Heiner Müller).

GERALD THOMAS- Mas o Heiner escreveu Quartett pra ser montado por outros. Ele só encenou nos últimos anos da vida dele. E ele não entendia de luz, não entendia do aparato por traz do teatro, não entendia nada sobre o que é atuar, interpretar, representar (3 coisas diferentes). Pra te responder: eu ficaria preocupado, te confesso. Em 2009 peguei o carro e fui de Londres até Cardiff (acho que era lá, ou Swansea, Pais de Gales), pra ver o que um diretor havia feito com o meu Ventriloquist. Nossa mãe. Não tenho palavras pra te dizer o quanto vomitei.

JARDEL – Haroldo de Campos via – com muita admiração – a sua produção como o terceiro e mais jovem braço de uma vanguarda que se completava com dois outros grandes diretores: Zé Celso e Antunes Filho. Como você vê essa declaração de Haroldo de Campos?

GERALD THOMAS- Eu acho lindo mas acho engraçado também. Eu não me considero um “diretor”. Não gosto desse termo. Eu sou um autor que, coincidentemente, encena as próprias coisas. O Antunes? O que ele escreveu? O Zé escreveu algumas coisas (acho que Cacilda, principalmente) mas, ainda assim, o Zé é um happening-maker, alguém que criou um ritual pra aquilo (ritual mais do que uma estética ou um método). Os dois são fabulosos mas eu só me entendo parte dessa “Santíssima Trindade” uma vez que os meus espetáculos já estavam disponíveis para o público, no palco. Mas o Haroldo participou muitíssimo da escrita deles, da concepção deles e não somente da coisa encenada. Mas, quanto a ser uma espécie de extensão, de continuação dessa vanguarda, me acho mais próximo ao próprio Haroldo e Augusto ou ao Hélio e suas Warholsisses, mais próximo a Duchamp e Joyce. Claro que eu me formei (aqui dentro) a partir desses nomes acima, juntando ainda meu mestre, Beckett, Bob Dylan e a contracultura (essa que vi e vivi desde seu inicio – lá em Tennessee. Sim, o Tropicalismo triste, uma Carmen Miranda nascendo das cinzas de Brunhilde, um sambista acanhado no meio de Woodstock, um Artaudiano em busca da sanidade perdida em Auschwitz.

Jardel Dias Cavalcanti 
Londrina, 10/12/2019

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ANOTHER BOOK PUBLISHED : “DILUVIO” Galileu Edições – (analysis of my play @2017) by Jardel Dias Cavalcanti

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