Narração inicial (opening narration) de M.O.R.T.E. (Movimentos Obsessivos e Redundantes – para – Tanta Estética (Copyright @ Gerald Thomas 1990)

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This is Philip Glass talking about a certain aspect of me to the New York Times (1989 – Mattogrosso was about to open:

Cut out from an interview PG did about me. Interesting how “certain” set designers and
“directors” WENT THE OPPOSITE WAY !

 

JUST INTERESTING TO NOTE THAT PHILIP GLASS IS A VISIONARY AND  UNDERSTOOD ME and / or DECIPHERED ME so well. I’m so grateful.

Now, certain “set designers or directors” have gone the opposite way. Funny. Pity !!!

Gerald

NYC – Aug 21, 2019

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in”Other Stages” or, my other renderings for theatrical sets as a teenager ( roughly between the ages of 14 to 17): in London.

Detail of a set – GT- London 1972

Closer detail – same set

The pride of prides – I was heavily influenced by metalinguistics and art- Helio Oiticica and Marcel Duchamp: this is what I did (age 16 or 17 in London)

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I began working in theater (professionally) at age 17 – as a set designer / Eu comecei a trabalhar profissionalmente no teatro aos 17 anos, como cenógrafo: eis aqui “Verbenas de Seda”: 1972.

MY STAGE – meu palco – Verbenas de Seda, Rio, 1972

Se ainda resta dúvida, aí está: e está com o meu nome, como era: “Geraldo Sievers” (ha ha). Sou eu. Era eu. Eu cenógrafo, aos 17 pra 18 anos. Fiz MUITO mais coisas desde então, logo nos anos seguintes. Mas aí está a prova. (Eu estava passando 1 mes no Brasil, vindo de Lloyd Brasileiro (Carga) com a Jill (minha primeira) quando, durante a produção, me apaixonei pela Dudu Continentino, com quem casei anos depois.

IF – in case, there’s still any doubt about WHO did what, started what (in the theater), here is the proof: my name as Brazilians spelled it out at the time, “Geraldo Sievers” and the set I designed and crafted for The Open Theater Co. in Rio. The production was called “Silk Verbenas”.  I was spending a month or so in Brazil (traveled on a cargo ship from Tilbury to Santos), arrived with my first ex – Jill and, during the course of the production, fell in love with Dudu Continentino whom I married years later.

Gerald – NYC – Aug 2019

Dudu and Gerald 1972 – photo credit O Pasquim

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Fátima Vale: é um quarto que nos falta a todos.

Fátima Vale

a três vírgulas do chão e de clarabóia a entrever a lua zumbir em torno da terra. um quarto a ver-se do regato por debaixo das saias dos amieiros. plantado numa herdade onde os pés de blusa nascem senhoras, dos pentes tomates, dos caroços de azeitona saladas temperadas.

  • encontrarás o teu caminho, ao primeiro raio de sol sobre o meu calcanhar o mais belo pé que levarás à boca! – sou a fonte palpitante no seio das primaveras ao romper da aurora. não sei o que têm as flores que ladram em fila de fome com a malga de espera a colher pássaros. diz que os pássaros pintados são os donos das violas, que as navalhas compraram as coroas de laranjeira, as cordilheiras venderam as minas de café aos meninos de vento. meu amor, os dedos precisam da saliva para pintarem o que beijam. desde lisboa que tenho as 5 fechaduras que dão para dentro do planeta. minha asa com a tua asa fazem repicar o meio-dia-fatia sobre a mesinha-de-verga. Já se vê o exército de formigas a atravessar os dentes do elefante poente. picotado por um relâmpago o sorriso do cavalo parou a dança das cadeiras. fazemos postais com sentenças de alfinete. os teus desejos tornar-se-ão palpáveis como o gelo que assiste ao despejar dos bolsos ao vinho no teu cálice.

degraus de vento

preciso desesperadamente de ir aos lugares

para decifrar as minhas águas
é nelas que vejo a imagem e o significado

os passos são o vento que abre a visiva

o nosso olhar – essa dança parada

alpina a memória sobe ao símbolo como fervura levantada
todavia o que lembramos é indício de caminho ainda por chegar
um simples cântico pode acelerar mais uma obra que mil motores

entre os bancos da basílica passam caudais de silêncio

onde afluem pequenos regatos ajoelhados perante o que constroem

tecem arapucas a fio de medo entre as sombras

é brilhante a dolorosa seda das preces afinadas

altares com o resumo à escala vulgata da separação

metem a mão no bolso dos mistérios guiados

bate catabático o vento no peito trancado

abrem asas nas máscaras da fé imaginada

o desejo e o perdão entrelaçam-se noutra atmosfera

uma monja da ordem fechada no altar gradeado

é o vértice da leveza submissa reclusa em pedernal

lentamente fujo para respirar o abismo a céu aberto

sentir-me cair lágrima abaixo ampliada

reter a imagem de tudo e escorregar na incerteza da escada

porvindoura uma percussão chama-nos no poente ultrapassado

a mesma antecede a pele do animal tocado

numa paisagem sem chão só o silêncio arrulha

a voz sai como eco tatuado

os braços caem para dentro de outros nascentes

e as mãos em rizoma da perifala

bordam as linhas em si desenhadas

 

porvindoura uma dança acontece

dentro da luz que nos é lançada

 

tu apareces em vários tons de negro parado na estação

os teu olhos entram na minha voz quando falo

pois falar é abrir um deserto a um público sempre escasso

e só lhes nascem aos mãos quando nos querem matar

ou cobrir de flores

 

é de negro que estás na minha tábua flutuante

para que te distinga sobre a neve que encobre a visão do gesto

 

deste espartilho de pedra plantada,

com um amor que anestesia as pregas da ausência

 

fátima vale, no caminho do meio da tábua flutuante

dois meses depois continua a ser um de julho.

FV – Portugal, Aug 13, 2019

FATIMA VALE X 4

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Matéria pro Estado de São Paulo sobre Woodstock – 50 anos: na integra.

 

Woodstock 50 anos na integra: 

 Eu estava numa cidadela no interior do Tennessee. Lá mesmo, na minha escola (Unicoi County High School), eu já subvertia os meus colegas com LP’s de bandas de rock como o MC-5, Jimmy Hendrix, Joplin, Cream e Jefferson Airplane.

Para o horror dos papais e mamães caretas, eu vencia a batalha convertendo a galera pro meu lado. Meu arsenal era grande e consistia de revistas como Ramparts, Rolling Stone Magazine e assim por diante.

E, com meus 15 anos recém completados, propus uma espécie de caravana com 4 de nós rumo ao Festival de Woodstock.

Chegamos. Mas só conseguimos chegar no último dia. Sim, a cena que vi era épica. Parecia um êxodo bilblico. Eram hordas e hordas de pessoas, de gente “groovy”, freaks and “far out” people indo embora e voltando pra onde quer que seja que voltariam. 

E assim a minha chegada foi uma coisa parecida com a foto da Serra Pelada de Sebastião Salgado. Todos os seres cobertos de lama, todos num encanto e desencanto por terem vivido um evento único na historia: eram parte de 500 mil pessoas unidas sob o lema do “make love, not war”. Não era Altamont com os Hell’s Angels esfaqueando um fã desesperado por Mick Jagger. Aqui deveria ter se encontrado a paz. Essa que todos cantavam.

Todos, menos Abbey Hoffman. Depois eu volto a ele.

Ao som de Hendrix tocando o hino americano distorcido, com sons de bombas, rajadas), eu senti uma espécie de  desespero (típico de fim de festa) e a certeza de que o mundo jamais seria o mesmo depois disso.

matéria do Estadão

LAMA

Woodstock era pra ter sido “O lugar onde tudo começou” mas a lama do ultimo dia conseguiu inverter isso para ”o lugar onde tudo acabou”

Sim, essa lama virou tragédia e, um ano depois do Festival, Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison estavam mortos. Somente um ano depois.

Conseguíamos protestar contra a guerra do Vietnam ou apoiar Angela Davis e Stockley Carmichael. Podîamos reunir forças ouvindo e aplaudindo os discursos de Malcom X ou Mohammad Ali (morto em 1965).

Um ano antes de Woodstock Dr. Martin Luther King Jr havia sido assassinado (no mesmo Tennessee onde eu morava), mas a “March on Washington (6 anos antes de Woodstock) ganhava imensa força e seu berro lindo “I have a dream” ainda ecoava pelos nossos cérebros e nos cérebros de quem mantinha alguma lucidez.

Sim, eu assisti ao inicio do fim de um sonho. “E quem sequer dormiu num sleeping bag nem sequer sonhou e John Lennon, no mesmo ano, decretou o fim do sonhou”. Lennon decretou um muro entre nós e não podia-se ignorar esse muro. O muro das lamentações, hippie, yippie,  style, o muro construído pela desilusão de Lennon, Jerry Rubin e Abbery Hoffman e pelo cinismo de Andy Warhol.

Me lembro da conversa que tive com Abbie Hoffman no apartamento da minha diretora de arte do New York Times, Jerelle Kraus, década de 80. Eu queria saber tudo sobre a coronhada que havia levado de Pete Townsend, líder do The Who.

Hoffman interrompeu o desempenho do The Who para tentar falar contra a prisão de John Sinclair, do Partido dos Panteras Brancas. Ele pegou um microfone e gritou: “Eu acho que isso é um monte de merda enquanto John Sinclair apodrece na prisão”. Essa interrupção resultou na musica do The Who “We won’t get fooled again”, e a “guitarrada” criou o câncer que eventualmente mataria Hoffman.

Mas foi somente uma breve interrupção e não a interrupção do fim.

Gerald Thomas (photo Marisa Alvares Lima)

THE DREAM IS OVER (John Lennon):

“Deus é um conceito

Pelo qual medimos

Nossa dor

Falarei de novo

Deus é um conceito

Pelo qual medimos

Nossa dor

Eu não acredito em mágica

Eu não acredito em I-Ching

Eu não acredito em Bíblia

Eu não acredito em tarô

Eu não acredito em Hitler

Eu não acredito em Jesus

Eu não acredito em Kennedy

Eu não acredito em Buda

Eu não acredito em Mantra

Eu não acredito em Gita

Eu não acredito em Ioga

O sonho acabou

Ontem,

Eu era o tecedor de sonhos

Mas agora renasci.

Eu era a morsa,

Mas agora sou John.

Então queridos amigos,

Vocês precisam continuar

O sonho acabou”

Não vale a pena enumerar as centenas, milhares de mudanças desses últimos cinquenta anos. – em todos os campos. Todos.

Mas a ascenção de Barack Obama, primeiro presidente negro nos Estados Unidos, de alguma forma remota me assegurava, em 2008, que o sonho ainda estava vivo.

Durou pouco. A “breve interrupção” na qual caímos com a subida de Trump e Bolsonaro foi o choque da lama. O fim de outro sonho. Que tristeza. Que horror.

Esse downfall, essa desilusão toda já havia sido prevista  pelo grupo que escreveu THE BLUE PRINT FOR SURVIVAL . O Blue Print for Survival de 1de janeiro de 1972, foi publicado antes da primeira a Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano (a Cúpula do Meio Ambiente do mundo em Stockolm)

Ah sim, o homem na lua! A frase de Neil Armstrong “That’s a small step for man, one giant leap for mankind” parecia determinar o novo começo. Mas nada mudou.

Ficamos mais cínicos, mais hipócritas e mais imbecis: A maior parte do mundo encaretou! E nem sabe direito que Woodstock não foi somente uma grande festa e celebração de uma geração que levava porrada por PROTESTAR contra a guerra do Vietnam e lutar pela PAZ. Não se tratava simplesmente de um conglomerado de meio milhão de pessoas celebrando a paz (e em paz), debaixo de chuva ou sol. Se mudamos o rumo do mundo, mudamos esse mundo por três dias. Ou nos nossos sonhos, assim como numa peça de Shakespeare. O encantamento dura enquanto o espetáculo dura. E foi somente isso. O resto? É a glorificação do passado. Somos, como sempre fomos, um “Weapon of self Destruction”.

A morte de Hendrix e de Joplin encobriam os lindos sons do  “Star Spangled Banner” que Jimmy Hendrix tocou lá, em plena chuva, plena lama mas…

Mas mesmo tendo sido enterrado, soterrado, coberto pela lama que nos assola até hoje, confesso que não houve nenhum outro momento mais sublime em minha vida. Nenhum outro. E quando sonho com aquela lama nas madrugadas que passo acordado, tenho quase certeza de que o sonho ainda não acabou.

Gerald Thomas

NYC – August 4, 2019

Gerald Thomas, age 15

 

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‘Woodstock parecia um êxodo bíblico. Eram hordas e hordas de pessoas’, diz Gerald Thomas. Especial para o Estado de São Paulo

Woodstock parecia um êxodo bíblico. Eram hordas e hordas de pessoas’, diz Gerald Thomas

Dramaturgo tinha 15 anos e lembra que no evento teve a certeza de que o mundo jamais seria o mesmo

Gerald Thomas, especial para O Estado

10 de agosto de 2019 | 11h36

Eu estava numa cidadela no interior do Tennessee. Lá mesmo, na minha escola (Unicoi County High School), eu já subvertia os meus colegas com LP’s de bandas de rock como o MC5, Jimi Hendrix, Joplin, Cream e Jefferson Airplane.

Para o horror dos papais e mamães caretas, eu vencia a batalha convertendo a galera pro meu lado. Meu arsenal era grande e consistia de revistas como RampartsRolling Stone Magazine e assim por diante.

E, com meus 15 anos recém- completados, propus uma espécie de caravana com quatro de nós rumo ao Festival de Woodstock.

Chegamos. Mas só conseguimos chegar no último dia. Sim, a cena que vi era épica. Parecia um êxodo bíblico. Eram hordas e hordas de pessoas, de gente “groovy”, freaks and “far out” people indo embora e voltando pra onde quer que seja que voltariam. 

E assim a minha chegada foi uma coisa parecida com a foto da Serra Pelada de Sebastião Salgado. Todos os seres cobertos de lama, todos num encanto e desencanto por terem vivido um evento único na história: eram parte de 500 mil pessoas unidas sob o lema do “make love, not war”. Não era Altamont com os Hell’s Angels esfaqueando um fã desesperado por Mick Jagger. Aqui deveria ter se encontrado a paz. Essa que todos cantavam. Todos, menos Abbey Hoffman. Depois eu volto a ele.

Gerald Thomas, age 15

Gerald Thomas tinha 15 anos de idade quando foi ao festival Woodstock Foto: Gearld Thomas

Ao som de Hendrix tocando o hino americano distorcido, com sons de bombas, rajadas, eu senti uma espécie de  desespero (típico de fim de festa) e a certeza de que o mundo jamais seria o mesmo depois disso.

Lama

Woodstock era pra ter sido “O lugar onde tudo começou”, mas a lama do último dia conseguiu inverter isso para “o lugar onde tudo acabou”.

Sim, essa lama virou tragédia e, um ano depois do festival, Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison estavam mortos. Somente um ano depois.

Conseguíamos protestar contra a Guerra do Vietnã ou apoiar Angela Davis e Stokely Carmichael. Podíamos reunir forças ouvindo e aplaudindo os discursos de Malcolm X(morto em 1965) ou Muhammad Ali.

Um ano antes de Woodstock, dr. Martin Luther King Jr havia sido assassinado (no mesmo Tennessee onde eu morava), mas a “March on Washington (6 anos antes de Woodstock) ganhava imensa força e seu berro lindo “I have a dream” ainda ecoava pelos nossos cérebros e nos cérebros de quem mantinha alguma lucidez.

Sim, eu assisti ao início do fim de um sonho. “E quem nem sequer dormiu num sleeping bag nem sequer sonhou e John Lennon, no mesmo ano, decretou o fim do sonho.” Lennon decretou um muro entre nós e não se podia ignorar esse muro. O muro das lamentações, hippie, yippie, style, o muro construído pela desilusão de Lennon, Jerry Rubin e Abbie Hoffman e pelo cinismo de Andy Warhol.

Me lembro da conversa que tive com Abbie Hoffman no apartamento da minha diretora de arte do New York Times, Jerelle Kraus, década de 80. Eu queria saber tudo sobre a coronhada que havia levado de Pete Townshend, líder do The Who.

Hoffman interrompeu o desempenho do The Who para tentar falar contra a prisão de John Sinclair, do Partido dos Panteras Brancas. Ele pegou um microfone e gritou: “Eu acho que isso é um monte de merda enquanto John Sinclair apodrece na prisão”.

Hendrix

A morte de Hendrix e de Joplin encobriam os lindos sons do Star Spangled Banner que Jimi Hendrix tocou lá, em plena chuva, plena lama, mas…

Mas mesmo tendo sido enterrado, soterrado, coberto pela lama que nos assola até hoje, confesso que não houve nenhum outro momento mais sublime em minha vida. Nenhum outro. E quando sonho com aquela lama nas madrugadas que passo acordado, tenho quase certeza de que o sonho ainda não acabou.

Gerald Thomas

NYC  – August 10, 2019

Gerald Thomas (photo Marisa Alvares Lima)

 

 

 

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