‘QUEM’ Revista – Gerald Thomas (Setembro 2021)

Gerald Thomas: “A solidão é boa para reflexão e criatividade”

Dramaturgo fala sobre a situação do meio artístico e teatral durante pandemia, conta da estreia de espetáculo G.A.L.A e esclarece sobre a venda de desenhos para não ser despejado de apartamento em NY

Do seu escritório no apartamento em Nova York, Gerald Thomas interrompe por alguns minutos a entrevista pelo Zoom para contemplar e fotografar com o celular uma embarcação que atravessa as águas do East River. O cenário, que ele vê pela janela e compartilha comigo, remete ao de seu novo espetáculo G.A.L.A., que transcorre em um barco à deriva em que uma mulher (Fabiana Gugli) faz um desabafo existencial e diz que Samuel Beckett – dramaturgo de Esperando Godot – não está mais lá.

“Esse espetáculo é um desabafo. Não é muito fácil se livrar ou romper com Beckett. É um estado de espírito e um vício como a cocaína. Se eu conseguisse romper com ele, iria agradecer”, diz Gerald sobre o amigo irlandês, morto em 1989, que é uma inspiração para seus trabalhos.

Em meio ao caos da pandemia – que pausou por praticamente um ano atividades em teatros, não só no Brasil como no mundo – Gerald não ficou à espera de uma solução. O autor fez dois espetáculos on-line, versões de Terra em Trânsito, e acredita que esse formato de apresentação permanecerá para sempre em paralelo com o teatro físico.  

“Fiz dois espetáculos online. Foi um sucesso inacreditável. As pessoas precisam parar de reclamar. Que chatice! O teatro passou por guerras mundiais, ditaduras, revoluções… Existe coisa melhor que vencer um desafio? Vamos ver o nosso talento agora. Estou descobrindo coisas impressionantes com essas novas possibilidades. Temos que ser mais minuciosos porque é muito fácil distrair a atenção de quem está assistindo um espetáculo de casa. Você pode se levantar para fazer uma pipoca no meio. No teatro, você é como um prisioneiro, não pode sair dali, pode até fechar os olhos e dormir, mas permanece ali. No on-line, quem não gosta, desliga e às vezes ainda deixa um recado malcriado. Esse formato vai continuar existindo, mas não vai substituir o teatro. Devemos ser gratos à tecnologia que coopera ao invés de ficarmos como um bando de carpideiras”, afirma o americano, que tem 84 trabalhos realizados em 16 países.

FÔLEGO
Gerald também resolveu colocar à venda desenhos e pinturas que fez durante os seus 67 anos, muitas do período em que trabalhava como ilustrador do The New York Times. Ele gravou um vídeo para um amigo anunciando que venderia seus trabalhos com o objetivo principal de evitar o despejo de seu apartamento diante do momento financeiro mais crítico. O vídeo acabou viralizando na web e se tornando assunto de principais sites de notícia. 

“Gravei aquele vídeo para um amigo. Fiquei sabendo que ele estava circulando até na imprensa quando a Fernanda Montenegro me ligou para saber como eu estava. Fui tomado de surpresa, mas no final, reverteu a meu favor. As pessoas se solidarizaram. Uma personalidade, que eu não posso dizer o nome, escolheu comprar dois trabalhos, que eu amo e que antes eu não queria vender de jeito algum. Mas pagou tão bem por eles. É uma dádiva abrir mão, se livrar das coisas”, conta.

Teve também quem usou o vídeo para atacá-lo. “Por causa do vídeo teve gente comentando, ‘agora você é pró-Lula’. Por que alguém vendendo a sua arte tem que ser relacionada a algum partido político? Eu nunca usei a Lei Rouanet, mas as pessoas criticam sem ao menos saber o que é a lei. Tudo está sendo cancelado, vemos um ódio à arte no governo deste escroto idiota. Não sou cidadão brasileiro e dependo da boa vontade da Polícia Federal, que apoia o Bolsonaro. Em 2016, já ouvia falar do Bolsonaro. Já ouvi em aeroporto, de agentes da imigração, que deveria apoiar o candidato.”

Apesar de ter tido um bom retorno com as vendas, Gerald não precisou usar o dinheiro para pagar a dívida de seu apartamento – que segundo a Veja era de 23 mil dólares.

“Dei entrada ao Emergency Rental Assistance, um programa de assistência e proteção ao inquilino e pagaram os atrasados, já que a partir de uma data não se pode mais despejar o inquilino. Nada mais justo, já que pago impostos Federal e Estadual.” 

FIM DE PARTIDA
Durante esse tempo de maior isolamento social, Gerald afirma que não teve bloqueio algum criativo e que a solidão não foi um problema.

“A solidão é boa para reflexão e criatividade. Sempre estive sozinho, não foi por causa da pandemia”, avalia ele, que em 2015 tentou o suicídio após um tempo de isolamento nos Alpes Suíços. 

“Tentei suicídio em 2015 quando estava nos Alpes Suíços. Ficava em uma casa a dois mil metros de altura, cercada de neve e apenas ouvia o som dos animais. Era bom para trabalhar, mas comecei a sentir um desespero. Pensei: ‘Para que continuar vivo se no final vamos morrer?’ Muito Beckett. Me cortei todo e me joguei na neve. Infelizmente, fui encontrado. Deu um trabalho doido para os vizinhos, tiveram que chamar um helicóptero para me levar para o hospital. Mas a verdade é que adoro viver.”

O artista sempre teve a necessidade de se reinventar e de estar em constante produção de trabalhos em que podia exercer suas habilidades com dramaturgia, iluminação, cenografia, figurino, desenho, música e escrita.

“Sou ansioso por natureza. Tomo Rivotril e de vez em quando Frontal. Tenho um ritmo muito rápido e espero que todo mundo esteja no mesmo pique”, diz.

Atualmente, Gerald está envolvido em vários projetos, entre eles, a performance The Apocalypse in a Bottle: Art as War – que estreia no começo de outubro em Nova York, a concepção de um espetáculo para Marco Nanini e a escrita de um livro sobre sua experiência com a cocaína.

“Parei há cinco anos, não sinto falta, mas cheirei a vida inteira. Usava para sexo só. Para ter oito pessoas na cama por três dias. Passava noites acordado. Neste livro, faço um apanhado do efeito sexual e abridor de portas no social da cocaína”, adianta ele, que se aproximou das drogas ainda na adolescência.  

“Saí de casa aos 14 anos e para sobreviver, fiz michê. Era horrível ter que encarar isso, ficava aos prantos e arrasado, mas precisava sobreviver trepando com os evangélicos de Kentucky e Ohio que vinham depravados para cá. Tive que ir para a Londres para sair dessa vida de michê e cocaína. Foi onde trabalhei como motorista de ambulância, que também era um trabalho horrível. Aprendi muito durante esse período sobre a raça humana e sobre a sociedade. Não me arrependo de nada. Faria tudo de novo.”

Quando não está produzindo, Gerald se divide entre ver vídeos sobre gastronomia, arquitetura e luta tailandesa. “Adoro cozinhar, apesar de não ser bom nisso. Então assisto muita coisa de madrugada sobre culinária. Também vejo luta tailandesa, que é uma loucura, e vídeos sobre construções de prédios, como a torre mais alta da França, o prédio mais alto de Dubai…”

Pergunto se assim como alguns colegas do meio artístico, ele acredita na evolução pessoal que muitos dizem estar vivenciando com este período de isolamento social e pandemia. Gerald me responde com seu típico sarcasmo. “Eu não sou Charles Darwin! A raça humana evolui ‘involuindo’. As pessoas que dizem que evoluíram são de uma pretensão! Evolução só se for das neuroses (risos).”

Serviço:
G.A.L.A.
De Gerald Thomas
Com Fabiana Gugli
Estreia: 22 de setembro de 2021, às 21h, com transmissão pelo canal do Sesc Avenida Paulista: youtube.com/sescavenidapaulista.
Ingressos: Grátis
Duração: 45 minutos (aproximadamente)
Classificação: 16 anos

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9/11 – 11 de Setembro – Gerald Thomas 20 anos depois

Até hoje cuspo uma gosma https://www.poder360.com.br/opiniao/internacional/ate-hoje-cuspo-uma-gosma-escreve-gerald-thomas-sobre-o-11-de-setembro/

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CRIPTARTE / ARTRIO / TROPIX and GERALD THOMAS

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G.A.L.A. Rehearsal September 3, 2021 (Gerald Thomas + Fabiana Gugli)

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R.I.P. Sérgio Mamberti !

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ESTREIA DO FILME: “O PALHACO, DESERTO”

BRASÍLIA

SALA 09 14:00

FREI CANECA

SALA 07 17:00

RIO DE JANEIRO

SALA 02 15:50

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Eviction / despejo knocking on one’s door

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Um pintor / encenador / autor e o dinheiro.

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NEY LATORRACA sendo homenageado no programa PERSONA + GT falando

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FABIANA GUGLI ensaia “GALA” , novo espetáculo de GERALD THOMAS.

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MARCO NANINI faz uma re-leitura emocionante do seu monólogo em Circo de Rins e Fígados.

https://studio.youtube.com/video/Z1iPp-WPneo/edit

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Gerald fala presta homenagem a DANILO SANTOS DE MIRANDA no programa PERSONA da TV Cultura.

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My Sunday and my bass

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JABOR faz linda analise do “Circo de Rins e Figados”

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Steven Berkoff and Gerald Thomas – year 2.000

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July 21, 2021 · 10:39 am

Reinaldo Azevedo + Gerald Thomas Instagram messages.

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Arnaldo Bloch – Café da manhã com Gerald Thomas em Manhattan.

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July 17, 2021 · 1:56 pm

A TRUE work of ART ! Uma LINDA Obra de ARTE: escadaria da Lapa !

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A peça com Reinaldo Azevedo – inicio do roteiro!

https://www.facebook.com/gerald.thomas.967/videos/1188953474913838

Reinaldo Azevedo querido: não está na hora de fazermos a peça? Começa com uma facada. A facada nos leva a uma cama. Voceocupa a cama cristã. Eu, a judaica. Nossas mãos estão dadas, braços estendidos e mãos dadas.Sim, existem 4 outras camas do nosso lado, ainda desocupadas. Alias, desocupadas não. É que aqueles que nelas estiveram morreram de Covid-19. Sim, faremos uma viagem terrestre e outra extra-terrestre – visitaremos as piramides e faremos uma prova de existencialismo “crucial” no alto do Monte Sinai (subiremos juntos pra não falarem que estamostentando subornar ou dividir a plebe 🙂. Teremos visões. Visões terríveis . Veremos cada um dos 540 mil mortos durante a gestão Bolsonaro. Erik Von Däniken, convidado especial dessa peça, nos contará que a farsa populista e canalha de se proclamar um auto-mártir vem dos Deuses Voadores do Mal, astronautas também mas que fizeram de Brasilia a PIOR pista de pouso do universo (e olha que poderiam ter escolhido Marte, Saturno….). Bem, esse será o inicio. Depois voltamos pra cama e fazemos de conta que somos o Cristo morto de Andreas Mantegna(podemos tambem incluir algumas outras cenas do Renascentismo (Leonardo, Miguel Angelo etc)….e o resto fica por conta do nosso proximo encontro pois….acho que ainda poderíamos fazer uns “outtakes” e torna-los o melhor reality show do mundo.Te amo Reinaldo. Muitas, muitas saudades.LOVEGerald Thomas

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A PIOR FARSA DO UNIVERSO:

A história é escrita e reescrita por aqueles que a produzem, reproduzem e veem a vida como uma grande farsa. Um enorme teatro. O pressuposto disso é de que o público é ignorante e “adota” seja lá qual versão absurda esteja sendo entregue na bandeja. E agora? Agora o perigo do autoproclamado mártir. O perigo do auto-proclamado guru. O que realmente sabemos, e que não podemos nos esquecer, é que a história é escrita pelos vencedores, enquanto os perdedores são sepultados em algum lugar obscuro do passado. Existem vários casos de manipulação histórica para a criação de uma mitologia, uma mitomania e uma fake news que hoje nos persegue como se fossem os morcegos da Covid. Os republicanos brasileiros tiveram uma árdua tarefa para a construção destes símbolos e contaram com a ajuda dos positivistas, presentes nas fileiras do Partido Republicano. Dentre os vários símbolos criados pela República, alguns tiveram a aceitação pelo público, como é o caso do maior símbolo nacional, o herói nacional: Tiradentes. Comando de Caça aos Comunistas, TFP, os Integralistas e os confessos anti-semitas, anti tudo isso e aquilo e a favor somente das imagens que os seus espelhos malditos refletem até que viram verdade. Sim, é um CIRCO de horrores, é o soluço nosso de cada dia, é o mal do mal do mal da Flor do Mal. É o lugar onde TODOS os ditadores se encontram: de Kim Jong Un, a Putin até os filhos da Putin, Pinochet, Hitler, Mussolini, Fidel…Maduro e …por ai vai. “Minha Pai” ! Como estou cansado do teatro RUIM !!!
Gerald Thomas #bolsonaro #forabolsonarogenocida #brasil #teatro #farsa #martir

PS: copiado da brilhante coluna de Reinaldo Azevedo : Segundo a crença, Cristo morreu na cruz para nos salvar. Bolsonaro escolheu uma política de saúde que já fez quase 540 mil mártires “sem ar, sem luz, sem razão”. E o fez para se salvar. Porque atendia à demanda dos que apoiaram a sua postulação quando ainda era um azarão. Deu o azarão. O urubu pousou na nossa sorte, e o resultado se mede em corpos. Que pesam sobre os ombros dos golpistas.”

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I would have been your friend !

R.I.P. Dr Fabio Hazin. Eu não sabia nada a teu respeito e, no entanto agora que voce se foi, parece que sei tudo. E esse “tudo” se deu em 1 unica hora.
Sem conseguir dormir, eu estava vendo o canal National Geographic ou Discovery pois aqui nos EUA é “shark month”. De repente, as reportagens saem da Australia, saem
de Bahamas ou de Seychelles e eu reconheço imagens de Recife. Num barco – claramente sem recursos, sem bolsas ou financiamento, esse fantástico professor, oceanógrafo, zen budista, advogado por direitos da pesca, está falando num ingles maravilhoso com a equipe australiana que foi estuda-lo. Amante da natureza e contrario a essa matança de animais, ele redirecionou os tubarões que atacavam a costa de Pernambuco. Com muita paciência, estudou o que causava vibracões tumultuadas no cerebro desses peixes e conseguiu seu objetivo. Pois é, Fabio Hazin. Eu entrei aqui no computador pra acha-lo e mandar email de congratulações (como se precisasse de mim) e descobri que ele havia falecido há cerca de 1 mes atras, junho 2021.
E u não te conheci Fabio. No entanto, estou aqui te conhecendo, afundado nos videos que te mostram,
ouvindo as tuas teses e depoimentos emocionantes de todos da Universidade Rural de Pernambuco.
R.I.P. querido. Teriamos sido bons amigos.
Gerald 

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Bete Coelho no programa PERSONA em FOCO a respeito de Gerald Thomas

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Bete Coelho no programa “Persona em Foco” sobre Gerald Thomas

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thank you for all your well wishes for my 67th.

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orfeu eros tânato

orfeu eros tânato

de Renata Phoenix

                                      para Gerald Thomas

supernova

quasar

pulsar

perto dele perde-se o fôlego

nasce uma cor nunca vista

uma palavra que não existe

e, como um raio, me torno

musa

e malabarista no milésimo andar

da torre de marfim

onde ele cria

quimera hipererótica

de asas ultra-românticas

bálsamo, mel corrosivo

ele é aquela nota de mahler suspensa no ar

que faz lágrimas e anjos caírem

ser olhada de perto

pelo azul verde dos olhos dele cheios de noite

é sentir (viver) o relâmpago

de ser perséfone ou beatriz

e atravessar o círculo lindo de infernos

medos, luzes

deste voo quântico

celebro aqui, caindo

no vórtice

o abismo que a órbita dele cria

e cintila o breu

cheio de pirilampos

górgonas, fadas

e ali, no meio de tudo

muda, alada, encantada:

eu

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“LIVE” – VAMOS com Gerald Thomas e Edelcio Mostaço.

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“O BIXO” uma performance de Adriane Gomes

Uma performance em movimento. O Bixo nasceu dentro de uma aula da Samira BR no curso de artes do corpo, em 2007. O Bixo, com artista circense e dançarina de Pole Dance Adriane Gomes, que atualmente mora em NYC, é o deslocamento do corpo que rasteja, o corpo da primeira infância, que quando a criança está aprendendo a engatinhar. O Bixo é aquilo que se tem de gutural. Tal performance se tornou uma experiência coletiva para ser tocada. Inspirada nas obras de Lygia Clark, mas principalmente nas experiências registradas em vídeo, nesta nova versão on-line, a artista sairá do chão e vai ignorar a falta de contato físico com o público, a solidão da casa e as novas interações do corpo rastejante.– 
Adriane Gomes de Brito

Gerald Thomas and Adriane Gomes in O BIXO
Adriane Gomes
Adriane Gomes
Adriane Gomes

Video -Imagem: Guilherme Godoy

Fotografa: Jacyra Lage

Levado ao ar em uma LIVE por “experiencia e ação” (Fabio Dornas)

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uma LIVE deliciosa: assistam

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Playing to a frevo-like, a baião-like groove…

Gerald Thomas playing the bass and staring out of his window on the East River, NYC (in the middle of the night)

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LIVE STREAM times of pandemic: gerald thomas talks to frank hentschker (CUNY):

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