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We Won’t Get Fooled Again!

 

We Won’t Get Fooled Again! (The Who)

 

Obama propõe “novo começo” a Cuba

Na abertura da Cúpula das Américas, presidente americano prossegue o xadrez de reaproximação com inimigo da Guerra Fria. Como Raúl Castro, ele diz querer diálogo direto, mas não “falar por falar” aos vizinhos. Diz que EUA não podem ser culpados de tudo.

Querem saber? Estou feliz nesse momento.  Cuba não representa nada. Uma reaproximação com a Ilha poderá, no máximo, tirar a “tirania” (nossa, que português horrível!) do poder e reestabelecer os mínimos, que sejam, valores democráticos à Havana.

Que seja! Mas não seremos enganados de novo, como berrava, girava com sua guitarra, Pete Townsend em “We Won’t Get Fooled Again”. Aliás, não há nada como os deuses do Rock. Eles nos inspiram até hoje.

Quando leio o mundo de hoje, leio isso: um setor INVESTIGA O OUTRO! Parece um Kafka mal resolvido ou um Orwell mal sentenciado. Todos investigando todos. Aqui em New York temos os escândalos óbvios, mas temos a LUZ de Obama! Kafka pediu que se queimasse sua obra. Graças a Max Brod, seu grande amigo, nós a temos! Orwell reportava da Guerra Civil Espanhola, onde Franco queimava uma Espanha desunida. Chamas! Fogo! Uma era se vai.

Penso como era essa era: eu ia ao Filmore East e via o Hendrix de perto. Lá a única coisa que investigávamos era a genialidade do cara! E a nova era. Qual nova era? Pois. Agora em retrospecto, já que estamos todos mortos (porém felizes), a era de uma superhomem-idade/andróginia e PAZ, sim, a paz. NÃO, NÃO POSSO RIR ENQUANTO DIGITO!!!! Eu via o Cream tocando no Marquee, na Wardour Street e tento não rir. É que Eric Clapton e Jack Bruce e Ginger Baker não se falavam na vida real. Mas éramos todos do “bem” e do “amor” e não queríamos saber que EXISTIA  a flor do mal, ou melhor, o MAL,  e que CUBA, essa mesma, a da Revolução de Sierra Maestra, era ‘mocked” (satirizada) pela Carnaby Street e pelas lojas aqui da Saint Mark’s Place, nas tirinhas de Jules Feiffer e nas tironas de Crumb! Ah o mundo!!! 

Não posso chorar enquanto digito! Eu era aquele que catalogava os mortos, desaparecidos, exilados, mutilados, etc. na Amnesty International em Londres na década de 70, poucos anos depois de ver o Hendrix ao vivo. A Bibba, loja incrível, tinha acabado de fechar as portas na High Street Kensington e “Blow Up” (de Antonioni, com Jimmy Page e Jeff Beck) estava nas telas. Nova era BIPOLAR. Na Bibba o que se mais vendia era uma camiseta com a cara de Che estampada enorme, em autocontraste! E Mao também!

Deixei uma de minhas “ex”, a modelo americana Ellen Kaplan, plantada em Viena e voltei para Londres, arrombei meu próprio carro (teto de lona, era um MG, que eu deixava estacionado no aeroporto de Heathrow) para não perder o show do Led Zeppelin no Earl’s Court Arena.

Foi a maior e melhor coisa que já vi. Nunca nada igual. EVER! Meu olho ficava nas mãos de John Bonham (morto), no ritmo que saía “daquilo”, porque no Rio, quando jovem, eu havia subido a Mangueira e sabia o que era um SAMBA! E como sabia! E meu outro olho ficava na guitarra de Page imaginando o inimaginável, porque em “Kashmir” todas as sinfonias se reuniam, de Beethoven até Cezar Frank. Até mesmo uma Ária de Wagner estava lá. Kashmir ainda é o maior problema entre o Paquistão e a India (ambas nações nucleares, nuclearizadas!) e, digamos assim, a constante “missile crisis” ou em estado de “Bay of Pigs”, da região deles, delas. Entra ano, sai ano, Paquistaneses, independetistas e Indianos brigam por Kashmir. E eu, eu aqui, usando um cachecol de cachemera…. Mas não! Esse é de ovelha escocesa! Sim, na época, todos quebravam suas guitarras, colocavam fogo nelas! (óbvio, nada como o capitalismo dentro da contracultura: haviam outras novinhas lá atrás). Ah, o mundo!!! As vacas sagradas da India e as vacas abatidas em Cuba! O fazendeiro que mais abatia vacas em Cuba era capa do jornal cubano que quase provocou o love affair entre Nikita Khrushchev e Kennedy, lembram? Sapatos histéricos na ONU e tudo? Éramos ou tentavamos ser vegetarianos (comiamos carne escodidos uns dos outros nos subsolos ou nos porões da contracultura: ou seja, oito andares abaixo no nivel da terra: fundo demais até para poder respirar, éramos nós e os ratos). 

E agora? E AGORA? Depois de Hendrix, Zeppelin, Who, Cream… essas bandinhas de merda DE HOJE usam a mesma cozinha, a mesma merda reciclada. Não é à toa que se ouve mais Rolling Stones que nunca, mais… ah não, deixa! Um dia o Sting falou assing (com g no final mesmo, porque tudo que ele diz tem g no fim): “Lennon was nothing. Ringo was everything. Pay attention to the Beat”. Era tudo rubbish. Sting só fala bobagem, assim como eu. Mas o Police era o máximo! Não, não era não! Não era nada, comparado às bandas de antes! Música e Política. Alquimia e Religião (Carl Jung),  Pintura e Revolução (Barthes, que nada), podemos juntar as partes de um quebra-cabeça de um Guatary que nunca houve ou qualquer tratado surrealista de Breton: nada será como antes: A LUZ de OBAMA ! Estamos vendo o desempenho de um novo PRESIDENTE.

QUE LOUCURA ESSES PRIMEIROS CEM DIAS!!!! O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
Em resposta à declaração da véspera, de Raúl Castro, que se disse disposto a conversar sobre “tudo” com os EUA, ele afirmou: “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar. Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”



 

Sênior e júnior 

Não há mesmo! Somos todos juniors. Ou então, estamos mortos. Se não estamos ABERTOS  PARA MUDANÇAS, melhor nos considerarmos mortos.

Viva Obama, por ter a coragem de abrir novas fronteiras e quebrar paradigmas retóricos! Afinal, Cuba em si, nada significa além do nada. Quanto às bandas de rock, estamos ávidos – assim como em todas as outras artes – para termos um BARACK OBAMA DO ROCK!!!!!

 

Gerald Thomas 

 

 

Ps.: Quero agradecer imensamente aos mais de 800 comentários do post anterior!

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)          

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Rússia e Geórgia: Nessa pôrra desse mundo fútil, um pintor chamado Beethoven faz o auto retrato da minha namorada Geórgia em plena batalha de Waterloo: HELP, blogueiros: o Museu Prada está em liquidação e a sopa Porsche na Rússia está vendendo Pacas!

 

Neste blog tudo é possível! Eu disse Blog? Esquece! Quero dizer: mundo útil. Esquece! Mil desculpas. Eu quis dizer… MUNDO FÚTIL.

Por exemplo: tenho uma namorada chamada Geórgia: Ela está sendo estuprada por uma amiga lésbica que tínhamos em comum, a Rússia. Estupro violento. Pior! Além da violência, da porrada, das partes mortas (minha namorada está sem rim, fígado, já teve perna amputada e está sangrando….) a Rússia, agora, ainda está mandando um ultimato: que a Geórgia se renda por total, se desarme: “Se solta, boneca. Vai, se libera, caramba!”.

  

Mas quem se interessa pela Geórgia? Ninguém, né!? Em época de Olimpíadas e numa sociedade cada vez mais imbecilizada pelo nada, pela “falta cultura  nessa falta de cultura” e/ou  noção histórica (cheguei a ouvir atrocidades no último ensaio em Londres! Já estou de volta a NY onde ninguém sabe nada mesmo), qualquer notícia tem o valor daquele dia. E somente o valor daquele dia, nada mais!

Fui levar uns amigos pra passear ainda lá em Londres: jovens, mas nem tanto. Nos seus 30 pra mais. Dei voltas por tudo que é parte da cidade: “’Waterloo’. Vocês sabem porque se chama assim ? Vocês sabem a qual evento histórico esse nome se refere?”

Silêncio. Nada.

Logo do lado de lá da ponte, a enorme praça “Trafalgar Square”:E aí, rapaziada? Alguma pista? Vocês têm noção se os eventos são relacionados?”

Silêncio sepulcral.

Esse cara lá em cima, lá, olha… lá em cima daquele poste enorme o… Nelson, Almirante Nelson… alguma idéia?”

Bem, se a minha namorada Geórgia não estivesse em frangalhos e a Rússia não continuasse o estupro (e eu, covarde, me divertindo a passear em Londres), quase ligo pra ela pra que se juntasse a nós, para uma boa lição de história!

Caminhamos até Whitehall e Westminster, e as Casas do Parlamento (House of Commons, grudada ao House of Lords). Me ocorreu uma idéia pirotécnica: “alguém já ouviu falar em Guy Forks? Ou em Cromwell?”

Nenhuma reação!

Bem, fico com o “History Channel” que colocou a Magna Carta (1215) junto com o  Monty Python  no seu release das “50 coisas” que você simplesmente PRECISA saber nessa era turbulenta do NADA.

Não, a rainha Victória não está na lista (pra fúria da “Regina” de mais longo e criativo reinado no trono britânico). Winston Churchill e outras brincadeiras sérias também foram  deixadas de fora, como o descobrimento do “admirável MUNDO NOVO”, as Américas. (vamos lá, blogueiros indignados, aos comentários!)

A CNN também foi deixada de fora.

 

Eis algumas das 50:

43 ad – A invasão romana

1610 – Shakespeare (não sei porque escolheram esse ano: um ano antes dele escrever sua última peça, “A Tempestade”)

1829 – o Bobby, (policial britânico)

1927 – A BBC.

1973 – A Grã-Bretanha se junta à Europa. (!!!!)

 

Enfim, fico por aqui com a lista. John Cleese e sua turma têm, pelo menos, um senso crítico, áspero, cáustico da História e sabem o que fazem e onde pisam… fico pensando se realmente Napoleão, Hitler , Stalin, Franco e Fidel (que parecem não terem entrado), são meros passageiros de um trem dos horrores de Coney Island. Ah, sim, Coney Island, pra ser destruída, junto com a minha namorada Geórgia, é/era um dos maiores parques de diversão do mundo!

Já o resto de nós, digo, dos turistas, entram nos museus e galerias, mas na verdade estão querendo entrar na Prada e não no Prado. Querem seus celulares funcionando pra mandarem torpedinhos imbecis, querem parar na frente das lojas da Porsche e ficar babando. Tate Modern? O que é isso? Ah, é o “Moma” daqui? “Moma” é Museu de Arte moderna, né? Temos que ir, não é? Lá tem o que, mesmo? O… aquele… o… aquele pintor… o Beethoven, né? Muito bom o Beethoven, rapaz! Gosto muito dele! De vanguarda, né merrrrmo? Vem cá, onde que  fica a Marcos e o Spencer mesmo? Parece que tão liquidando tudo!

Geórgia, heeeelp ! Dá um sinal de vida!

Antes que você seja transformada na Guernica de Picasso, pintada a barril de petroeuros, fala comigo: Alô! Alô! AAAAlôôô!

Putz! Meu celular da T-mobile está sem conexão e o da Orange também. Ainda bem que a British Airways perdeu minha bagagem! Eu não preciso de pôrra nenhuma mesmo, a não ser de um pouco de paz!

Gerald Thomas

(Vamp na edição)

 

 

 

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