Category Archives: release

Gerald Thomas fala ao GLOBO

gerald post novo1

gerald post novo2

gerald post novo3

———————————————————————————————

VERSÃO IMPRESSA

jornal o globo

(O Vampiro de Curitiba na edição)

1,892 Comments

Filed under release

Cortina de Fumaça

        

São Paulo, domingo, 02 de agosto de 2009 

              

 

Cortina de fumaça

Ecoando discurso de um fumante inveterado, seu personagem em “Restos”, monólogo de Neil LaBute que estreia em São Paulo dia 20, ator Antonio Fagundes critica a Lei Antifumo e diz que vai “peitar” a medida e acender cigarro em cena

 

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Antonio Fagundes, 60, que vai estrelar o monólogo “Restos’, sob direção de Márcio Aurélio; ator encarna fumante que, durante velório, relembra a relação com sua mulher, vítima de câncer
.
LUCAS NEVES

 

DA REPORTAGEM LOCAL 

 

Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em “Restos”, de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.
Em cena, dirigido por Márcio Aurélio (“Agreste”), ele encarna um fumante inveterado que repassa -com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos- as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.
Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz à plateia.
O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.
Para Fagundes, “começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso”.
Sem patrocínio para a montagem de “Restos”, o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.
“As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo “só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro”. É claro que precisam!”
Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com “morte anunciada”. “Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar”, observa.Seu Zé e Dona Maria
Ao longo dos 43 anos de carreira teatral, transitou com desenvoltura entre a dramaturgia engajada do Teatro de Arena, musicais da Broadway, montagens de clássicos (como “Macbeth” e “Gata em Teto de Zinco Quente”) e empreitadas de risco, como “Carmem com Filtro”, estreia de Gerald Thomas na cena paulistana. Sempre com uma piscada de olhos para “seu Zé e dona Maria” -como se refere ao espectador pouco familiarizado com teatro.
“Estamos acostumados a ensinar filosofia a quem não sabe ler. Parte-se do princípio de que quem foi lá [ao teatro] sabe tudo”, afirma. “Defendo a tradição teatral para um público que não a conhece. Sempre pensei assim: só vou fazer experiência na minha vida quando tiver feito o resto todo. No Brasil, parte-se para a inovação antes de se ter experiência.”
Daí seu descontentamento com o abandono “da cortina, da sala convencional”. “Criaram-se espaços que não são teatros. Você pode inovar sem deixar de dar ao público conforto. Já cansei de sentar em cima de prego. Não acho interessante. A gente não tem mais maquiagem, grandes figurinos, cenários, efeitos. O próprio texto deixou de ter surpresas.”
Não é o caso de “Restos”, dotado de uma reviravolta que, nos momentos finais, atira no colo do público um segredo oculto pela cortina de fumaça. 

 

Proibição do cigarro no teatro incomoda artistas

Lei que entra em vigor esta semana exige autorização judicial para fumar em cena

Exceção a cultos religiosos não se aplica a espetáculos cênicos; para atores e diretores, legislação ameaça liberdade artística

JOSÉ ORENSTEIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Onde tem fogo tem fumaça. E é na boca de cena que a coisa começa a esquentar. A partir de sexta-feira, dia 7 de agosto, entra em vigor em todo o Estado de São Paulo a lei que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo.
No extenso rol de lugares proscritos estão cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, hotéis, centros comerciais, bancos, supermercados, açougues e… teatros.
Quem quiser acender um cigarro, cachimbo ou charuto “cenográficos”, deverá pedir autorização judicial, explicando o porquê de a fumaça ter que se espalhar pelo palco. Ao juiz caberá decidir se o fumo é de fato imprescindível na construção dramática.
A medida vem preocupando alguns atores e diretores, que veem na lei um cerceamento da liberdade artística. É o caso da atriz Mika Lins, que está em cartaz no Sesc Consolação com a peça “Memórias do Subsolo”, uma adaptação do livro de Dostoiévski. “Eu fumo dois cigarros em cena, a frente do cenário tem um monte de bitucas. Faz parte da concepção do espetáculo, é quase um acessório de pensamento”, afirma.
“Acho o fim. É um absurdo essa história de ter que se justificar. Sei que tem multa, mas estou disposta a pagar ou recorrer na Justiça”, diz a atriz. A penalidade deve recair sobre o dono do estabelecimento.
Antonio Rocco, que dirige o teatro N.ex.t. -para onde Lins muda sua peça a partir do dia 11-, diz não estar preocupado. “É uma lei de saúde pública. Não foi pensada para espetáculos teatrais. Isso vai mudar.”
Salvo-conduto
Já o ator e diretor Celso Frateschi, em cartaz com duas peças no teatro Ágora -que não utilizam cigarros-, diz achar “patética” a lei. “Se tiver que usar cigarro em cena, vou usar sem dúvida. É uma hipocrisia uma cidade que não controla a poluição dos carros fazer isso. É quase revoltante”, comenta.
Além de tabacarias e afins, cultos religiosos “em que o uso de produto fumígeno faça parte do ritual” têm salvo-conduto.
“É uma incoerência que soa quase como um privilégio. Por que não há uma exceção de natureza artística?”, pergunta o diretor José Henrique de Paula. Sua peça “As Troianas”, em cartaz no Instituto Cultural Capobianco até dia 16, usava cigarros em cena, mas eles foram retirados a pedidos da instituição. “Não era um objeto crucial para a narrativa. Era um elemento que apenas ajudava numa concepção mais realista da peça”, conta.
O diretor do teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, que está ensaiando a peça “Cacilda!!”, com cenas em que se usa o cigarro, dá outra interpretação para a lei: “O teatro é um culto religioso, dionisíaco. Então, tá liberado!”.

 

“Teatrinho realista”
Rodolfo García Vázquez, diretor da peça “Justine”, que entra em cartaz no final do mês no Espaço Satyros, engrossa o coro: “Eu não sei qual a diferença entre ato religioso e artístico… Por que proibir só na arte?”.
Quem tem opinião diferente é Gerald Thomas. Radicado em Nova York, o ex-fumante acha a lei “ótima”. “O cigarro é uma merda, não dá barato, só traz câncer e miséria. As pessoas têm que parar de ver seus ídolos fumando”, diz Thomas. Para ele, não é só questão de saúde. “É uma besteira esse teatrinho realista, que precisa de uma mesa, de uma cadeira, de um cigarro. O artista tem que transcender isso tudo.”
  

PS: Moral da história: Se não formos capaz de fazer teatro, poesia, qualquer coisa “dependentes” de um “prop”, ou seja, de um objeto cênico ou uma mamadeira qualquer, é porque o ator é muito ruinzinho mesmo, ou porque não consegue mesmo usar o pouco que tem da sua imaginação para criar metáforas e deixar o PÚBLICO pensar ou imaginar coisas. Não é à toa que ninguém aguenta mais essa caretice: pior, essa caretice traz CÂNCER!!!!! Não, Zé Celso, nem TUDO é dionisíaco (tadinho de Dionísio! Daqui a pouco batida de tânsito também é “dionisíaco!”). E beijar, como diz o Fagundes, nada tem com fumar. Não se tranta de censura e sim de BOM SENSO. O público precisa de “roles models”. E os role models podem se beijar à vontade, mas não às custas da maldita indústria tabagista!

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

887 Comments

Filed under release

Morre Pina Bausch: Essa que todos nós invejávamos e amávamos tanto!

 

São Paulo, quarta-feira, 01 de julho de 2009
 
 

OPINIÃO

Nós, do teatro, a invejávamos

Pina Bausch sacaneava o balé clássico e era a “senhora Beckett” da dança

GERALD THOMAS


ESPECIAL PARA A FOLHA

 

Meu Deus, o que dizer? Morreu a maior de todas ou de todos. Morreu aquele inventor que todos nós do teatro invejávamos. Sim, esse é o termo. Invejávamos, pois Pina Bausch conseguiu reunir com seu visionarismo inacreditável a “obra de arte total” (termo criado por Richard Wagner), com poucos elementos minimalistas, duplicados, ampliados até um ponto de erupção, como um vulcão.

Sim, seus bailarinos repetiam e repetiam temas obsessivos da impossibilidade entre a relação entre homem e mulher, e a mulher objeto. É claro, Pina sacaneava o próprio balé clássico no qual se formou. Eram horas de cena sobre como fazer um movimento clássico ou exercício de barra. Eram horas sempre lindas e lúdicas, de uma lágrima caindo lentamente de um só olho de uma bailarina e atriz, formada em seu teatro na pequena cidade de Wuppertal.

Pina Bausch foi alguém que abriu uma nova página na dramaturgia da dança e do teatro. Tivemos poucos. Muito poucos. Bob Wilson e Tadeuz Kantor e poucos outros construíram um dicionário, um vocabulário reconhecível e imitado mundo afora. Tenho que confessar que assisti a todos os seus trabalhos, desde os mais convencionais, até os últimos, baseados em cidades pelas quais perambulava pelo mundo. Pina está acima do nosso julgamento.

Nos últimos tempos, estranhamente, ela estava basicamente trilhando uma espécie de revisitação do que parece ter sido o início da vida e carreira de Bob Wilson (baseado no autismo de Christopher Knowles), usando diálogos desconexos e mais minimalistas do que nunca: “Posso te amar?”. “Nããããoooo!!!” “Posso te amar por um dia?” “Nããããooooo!!!!”

Pina é Beckett puro. Aliás, os dois se encontraram. É a única coisa que tínhamos em comum. Nos encontramos duas vezes, em turnês comuns pelo mundo, e poucas palavras trocamos. E era sobre Samuel Beckett que falávamos. Pina construiu uma obra gigantesca e monumental.

Estou impactadíssimo com a notícia de sua morte. Como todo gênio, será estudada, amada e reverenciada pelas décadas que virão. E aquela lágrima que escorria pelo rosto daquela bailarina? Agora escorre no meu e profundamente. Pina foi a pedra fundamental para toda uma geração (ou várias). Nunca se recuperou da morte do marido. Nunca se recuperou da tragédia da vida, da “dor do mundo” que carregava e que está pontuada em sua obra com tanta delicadeza.

GERALD THOMAS é autor e diretor de teatro.

Saiba mais sobre essa mulher GENIAL

(da Folha de São Paulo)

A grande dama da dança-teatro, a alemã Pina Bausch, morreu ontem pela manhã, aos 68 anos, na cidade de Wuppertal, onde dirigia sua companhia, o Tanztheater Wuppertal. A morte da coreógrafa foi divulgada em nota do próprio grupo, segundo a qual, na semana passada, Bausch teria sido diagnosticada com câncer. Ela subiu ao palco pela última vez há dez dias, no dia 21, como sempre para agradecer os aplausos com sua companhia.Com personalidade forte, Bausch seguia todas as apresentações do grupo e controlava todas suas ações. Dessa maneira, fica difícil saber o futuro do Tanztheater Wuppertal, mesmo se continua agendada a vinda do grupo a São Paulo, em setembro, com o programa histórico “Café Müller” (1978), peça que sempre teve a presença de Bausch, e “A Sagração de Primavera” (1975).”Pina Bausch é a mãe da dança contemporânea”, disse certa vez o coreógrafo Alain Platel, diretor do grupo belga Les Ballets C. de la B.. De fato, no século 20, poucos coreógrafos foram tão influentes como como Pina Bausch.

Enquanto a dança norte-americana, com nomes como Trisha Brown e Lucinda Childs, seguiam uma linha formalista, com a qual Bausch também teve certa identidade, já que estudou nos Estados Unidos, entre 1958 e 1962, ela pode ser caracterizada como uma coreógrafa com marca profundamente humanista: “Não me interesso em como as pessoas se movem, mas o que as movem” é uma de suas mais representativas falas.

Com isso, Bausch ampliou as fronteiras da dança de forma tão radical que tudo passou a ser permitido: dançar deixou de ser uma técnica para que qualquer movimento fosse admitido como dança.

Para criar suas peças, a partir de 1973, quando foi contratada pelo Teatro de Ópera de Wuppertal e de onde nunca mais saiu, Bausch levou seus bailarinos a situações de risco.

Em geral, treinados no balé clássico, para socorro imediato, especialmente após quatro horas de espetáculo sobre água. Nos primeiros anos, muitos bailarinos se recusaram a trabalhar com Bausch. Nos últimos anos, suas audições eram frequentadas por centenas de candidatos.

Com o público não foi diferente, em suas primeiras peças, as pessoas saiam do teatro batendo as portas em sinal de fúria. Atualmente, ingressos para a companhia de Bausch se esgotam rapidamente, em qualquer lugar do mundo. Para Bausch, o palco não deveria ser um lugar protegido, mas tão difícil como a própria vida. Além do mais, o próprio limite entre palco e plateia sempre foi questionado em seus espetáculos. Em todos eles, seus bailarinos interagem com o público, servem café ou vinho, os abraçam, mostram fotos.

Ao contrário da dança clássica, eles não incorporam papéis definidos, eles sempre se chama Düsseldorf, a poucos quilômetros de Wuppertal. A dança-teatro de Bausch, aliás, sempre teve um caráter performático: no palco, os bailarinos comem cebolas inteiras, escalam altos muros, penduram-se em cordas, escorregam na água. Difícil um espetáculo de dança contemporânea que não tenha alguma marca do Tanztheater Wuppertal.

As temáticas de suas primeiras peças, especialmente nos anos 1970 e 1980, costumam ser vistas como muito intensas e deprimentes, enquanto sua fase mais recente tem sido vista como mais superficial e alegre. Bausch justificava essa mudança de forma muito direta: “A questão é do que precisamos hoje. Estamos num momento terrível, tenebroso, sério e assustador. Então, procuro dar um pouco de balanço, compensação para tudo isso”.


 

 

360 Comments

Filed under artigos, release

Nas Entrelinhas do Terrorismo

New York– Não me sentindo muito bem, me ponho a escrever como se fosse uma disciplina. Ainda saudoso, triste e inconformado pela morte do amigo e maestro Silvio Barbato no vôo da Air France (hoje, domingo, a CNN informa que recuperararm 17 corpos), me pego vendo a Fórmula 1, em Istambul. Nossa! Desde que Ayrton Senna morreu, nunca mais vi uma Fórmula 1. Fora o Barrichello (que parece uma eterna luta pra ser um Barrichello, mas fazer o quê? Ele não é um Barrichello!), o resto é um bando de nomes que não reconheço.

Mas durante essa semana aconteceu o imprevisível, o impalpável, o mais chocante: enquanto o Presidente Obama já estava em Buchenwald (campo de concentração perto de Weimar), o ex-vice Dick Cheney finalmente confessou que não tínhamos que invadir o Iraque mesmo e que não havia nenhuma ligação entre Saddam Hussein e Osama Bin Laden.

Nossa! Barichello deu uma escorregada na pista, virou 360 graus e retomou a corrida. Parece estar um enorme calor na Turquia.

Querem saber de uma coisa? Eu estou completamente de saco cheio de jornalistas ou blogueiros que se metem a comentar discursos do Obama ou sua política externa sem JAMAIS terem colocado um pé aqui. Sem JAMAIS terem trocado uma, duas ou três palavras com os paquistaneses, indianos, sírios ou alguém REAL e de alguma dessas tribos (sunitas, xiitas, etc.). Todo motorista de táxi aqui é de uma dessas tribos, o que torna a viagem, no mínimo, interessante! Ou duas em cada dez pessoas em NY são do Oriente Médio. Escrevem através de teorias ou (sei lá!) ideologias! Isso é jornalismo? Ou partidarismo? Partidarismo, óbvio! Não sabem fritar um único ovo, mas sabem TUDO sobre culinária! Não me aborreçam!

Não acredito em nenhum deles. Apesar de eu ser membro aqui do Partido Democrata Americano, mantenho a cabeça cool. E sei que a visita de Obama ao Cairo, por exemplo, foi uma “mão estendida”, sim. Falou  “presidenciavelmente”, falou numa nova linguagem. Uma linguagem que os islâmicos pudessem entender. E, ao mesmo tempo, dias antes, Benjamin Nataniahu esteve aqui, e sua determinação por Israel é firme: basta ver seu time: Rahm Emmanuel chegou a ser do Exército Israelense em sua juventude. Hoje o Líbano tem suas eleições, vamos ver: talvez o senso comum faça com que o Hesbolah saia de cena. Quem dera!

Talvez os velhos rancorosos não gostem da estratégia de Obama. É por isso que gente como o Rush Limbaugh (um porco!) e gente da liga dele estão chafurdando na lama da mentira de guerras inventadas que nada consertaram e só pioraram a imagem dos USA e matam MILHARES de pessoas.

E agora?

E agora, quem teve o prazer de ver a série de Brian Williams (NBC) sobre a intimidade dentro da Casa Branca, viu também a disciplina, a tensão, a ENORMIDADE de trabalho que é lá dentro. Não sei como o homem (Obama) agüenta.

No que diz respeito a uma aproximação PACÍFICA com o Islã, a coisa é clara: enquanto George W. Bush não sabia onde era a POLÔNIA em seu segundo dia de governo (e isso é sério, não sabia mesmo!), Obama é mestre em História. E foi uma aula de história que ele deu no Cairo.

Não somente por que, quando criança, morou na Indonésia e conhece a religião de perto e entende as diferenças entre um bando de terroristas e uma enorme população pacífica, mas porque está traçando uma estratégia de paz que faz a Ângela Merkel (Alemanha) não conter as lágrimas.

Chega de Fórmula 1. Está me dando enjôo! Tá vendo? Eu pessoalmente não agüento, mas não critico quem agüenta: torço pelo Barrichello, óbvio!

É um absurdo escrever através de teorias, de longe, via agência de notícias ou  ideologias. Jornalismo deveria ser algo “experimentado”. Deveria se colocar os pés aqui ou em países árabes. Os jornalistas mais “da antiga” faziam isso.

Os que vivem atrás de um microfone se entupindo de Oxy-Contin ou atrás de um computador expelindo seu veneno, nada fazem além de conseguir uma pequena legião de… De que mesmo? Pensem bem, de que mesmo?

O Presidente eleito chama-se Barack Hussein Obama. Prestem atenção no que ele diz  e como ele diz o que diz. E prestem atenção no que disse na Normândia, por exemplo! E pensem também no que confessou Dick Cheney: que nada tínhamos que invadir o Iraque.

“E que com o Iraque, perdemos muita força no Afeganistão”. Enfim, esse é somente um dos desastres que Obama agora herdou.

Nossa! Voltei à Fórmula 1. Muitas derrapagens! Muita troca de pneus. Odeio as câmeras que ficam dentro dos carros: deixam-me tonto, treme tudo.

Falam num tal de Button. Nunca ouvi falar.

Existem muitos mundos nesse mundo.

Mas os islâmicos estão aí. Essa “arabada”, como se costuma falar, está aí. Aliená-los não é, de forma alguma, uma boa! Integrá-los é a ÚNICA maneira! ÓBVIO! Assim, se afastam os Al Qaedas da vida! É como na década de 50, quando os porto-riquenhos invadiram Nova York. Hoje são parte integral da cidade. Os separatistas da época ficaram sem voz. Sem ar.

Isso me levaria, naturalmente, a falar sobre Sonia Sottomayor, a Juíza latina (mulher brilhante), nomeada pelo presidente para Suprema Corte, filha de porto-riquenhos. Mas isso é para um outro post!

Mas os carros estão derrapando, o Dick Cheney me fez vomitar, já não me sinto muito bem, pois hoje completaremos uma semana do desastre da Air France e nada. O mundo gira. A pomba gira.

A Lusitana nada. A Lusitana já parou de rodar faz tempo!

Nada como uma corrida dessas numa cidade linda como Istambul pra… Mas quantos de vocês sabem algo sobre Istambul? Quantos sabem sobre as fronteiras mais perigosas do mundo, onde o Al Corão pode ser interpretado de uma forma tão deformada que a paz pode significar a paz depois da morte de um desses loucos homens-bombas e, portanto, as entrelinhas do terrorismo são tênues. São frágeis como uma obra dramática de Tchecov, como “Tio Vanya” onde um mundo invade o outro. E baseado nessa fragilidade, um tempo entrando no outro, nessa entropia, Obama faz seus planos de CHANGE.

Não estamos nem na terceira cena do primeiro ato ainda: calma! Muita calma com as críticas. A Fórmula 1? Essa tem a largada e a faixa da chegada. Muita luta, muita gasolina, mas é simples, não? Merda: esse Button venceu. Eu torcia pelo Barrichello.

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

251 Comments

Filed under artigos, release

Zé Celso em New York

.  

Zé Celso

Ah, vai ser uma delícia recebê-lo. Há anos não nos vemos! Escrevo, emocionado e orgulhoso, de Zé Celso e de sua companhia maravilhosa de atores “reais”, nobres, engraçados, farsescos, berrantes, bacantes, na boca do lixo, na boca de cena do teatro aberto ao berro do mundo, ao grito para o mundo: esse mundo que não pára nunca de estar no caos. 

Então, eu pego os dois no aeroporto, o Zé e o Marcelo, e os trago aqui em casa para começar uma longuíssima conversa que terá prosseguimento com o testemunho do público no Theater Lab (informações aí em baixo). Zé é o grande artista do teatro, de todos os teatros, de todas as formas de teatro, dos “Sertões” até Schiller, e faz um Hamlet que eu chamei de “O maior Espetáculo da Terra”. E era mesmo. Raramente fiquei tão emocionado em teatro. EVER!!!!  

A premissa do Zé em teatro não precisa ser explicada. Como o pessoal aqui vai receber o DVD das “Bacantes”, não sei.  São entendimentos e compreensões distantes, já que a carnavalização e a antropofagia não fazem parte (culturalmente) do cotidiano cultural americano. Mas Nova York não é a América, propriamente. A Antropofagia aqui se dá em outro nível: é política. É a fagia mesmo, a do ataque bélico. Não a do ‘happening’, que Oswald de Andrade gozoso misturou na semana de 22, e nem aquela que Julian Beck despiu como se fosse o “Nu Descendo a Escada”, de Duchamp. 

Com Zé Celso quero poder enxergar o fantasma, os fantasmas ideológicos que existem em mim. Ou melhor, quero poder enxergar os denominadores comuns que nos unem. Por que falei em fantasma? Porque o pai assassinado de Hamlet era um fantasma e Zé Celso é o pai do teatro brasileiro ainda VIVO e muito vivo, o que talvez nos torne um tanto quanto… Mortos. Na verdade estamos todos imobilizados em nossas ações, como o príncipe dinamarquês. E acho que no “Q&A” (perguntas e respostas), depois da exibição do vídeo, vai rolar muito sobre quem somos, o quanto valemos além das palavras, palavras, palavras.

 

Welcome to New York, Zé Celso!

 

 

Gerald Thomas 

 

       THEATERLAB    137 West   Fourteenth   Street  – New York 

presents

The North American premiere screening of


AS BACANTES 2009

 

Zé Celso

 

     As Bacantes 2009 is a lyrcial Brazilian

 re-creation of Eurípedes’

tragi-comedy-orgy The Bacchae as told

in the context of Carneval, first staged

by Ze Celso in 1996.

April 2, 2009 beginning at 5 PM

(3 hrs 35 min w/ intermission)

with English Subtitles

FREE Admission

 

followed by a Q&A with Brazilian theater legend

Ze Celso (José Celso Martinez Corrêa)

in his first US appearance

 

Hosted by playwright & director Gerald Thomas

 

Reservations Recommended – 212-929-2545

 

 

Na edição: O Vampiro de Curitiba

Colaboração de Patrick Grant

324 Comments

Filed under artigos, release

Leitura Estreia Hoje

________________________________________________________________________

Terça-feira, 16 de março de 2009                                         

 

Peça do inglês Tom Stoppard é lida hoje na Folha

 

“Travesties” flagra efervescência de Zurique no fim da década de 1910, quando lá moravam Tristan Tzara, James Joyce e Lênin

Elenco e diretor (ao centro, de camisa verde) de “Travesties’ durante ensaio para a leitura

REPORTAGEM LOCAL

Na Zurique de 1917, consta que o revolucionário Lênin (1870-1924), o precursor do dadaísmo Tristan Tzara (1896-1963) e o escritor James Joyce (1882-1941) viviam na mesma rua, mas nunca se cruzaram.

O dramaturgo inglês Tom Stoppard “consertou” esse infortúnio histórico em “Travesties”, peça de 1974 lida hoje, no auditório da Folha, com direção de Caetano Vilela -que pretende montá-la como “Farsas Burlescas”.
No enredo, a sala da casa do funcionário da embaixada britânica Henry Carr (outra figura que de fato existiu) e uma biblioteca da cidade suíça acolhem encontros ocasionais do trio de notáveis.

O relato é conduzido pela memória de um Carr já velho, cheia de imprecisões e solavancos -mas capaz de manter intactas as discussões sobre a função política do artista e o estado da arte em regimes totalitários que pautaram sua relação com as figuras históricas. Como é caro a Stoppard, a dramaturgia de “Travesties” tem traços de metalinguagem.

Aqui, ele dialoga com “A Importância de Ser Fiel”, crítica de costumes de Oscar Wilde (1854-1900): ator diletante, Carr é convencido a participar de uma montagem do clássico.Ópera Seca

Vilela, que faz sua estreia como diretor da Cia. de Ópera Seca (fundada por Gerald Thomas), conta que descobriu o texto durante a preparação da ópera “Lady Macbeth do Distrito de Mtzensk”, há três anos: “Pesquisando a censura dessa ópera [pelo Partido Comunista russo, em 1936], cheguei a autores contemporâneos que tratavam de arte e poder. E Stoppard era um deles. Quis adaptar “Rock’n’roll” (2006), mas os direitos tinham sido comprados. Então me lembrei do ‘Travesties’.
 

Em uma conversa telefônica, Stoppard avisou: “Veja bem, esse é um dos meus textos mais difíceis. Você não sabe onde está se metendo”. O diretor não se assustou: “Apesar do discurso político sobre o papel do artista na sociedade e da linguagem elaborada, ele mesmo disse que não era para ver a peça como tese: tratava-se de uma comédia, um divertimento”.

 

  

Sessão dupla

 

A obra, que nunca foi encenada na América do Sul, está em pré-produção e deve estrear no circuito em outubro deste ano, em teatro ainda não definido, para uma temporada de três meses. “Essa é a primeira leitura pública do texto, e nosso projeto é que ele seja apresentado em um programa duplo, com encenação da obra que inspirou Stoppard”, explica Vilela.

 

A ideia é reunir “Travesties” e “A Importância de Ser Prudente” no mesmo teatro, em apresentações paralelas. Vilela ainda esclarece o significado do título da montagem. “O espetáculo nada tem a ver com o termo ‘travestis’, mas trata de um estilo teatral baseado na paródia, que também é utilizado na peça de Oscar Wilde.”

 

A leitura de “Travesties” reúne os atores Fabiana Gugli, Marco Antônio Pâmio –também responsável pela tradução da obra–, Sabrina Greve, Anette Naiman, Laerte Mello, Germano Melo, Mauro Wrona e Theodoro Cochrane.

 

Al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, região central, São Paulo, SP. Seg. (16): 20h. Grátis. Não recomendado para menores de 14 anos.

  

LEITURA DA PEÇA “TRAVESTIES”
 
Quando: hoje, às 20h
Onde: auditório da Folha (al. Barão de Limeira, 425, 9º andar, Campos Elíseos)
Quanto: grátis (inscrições pelo tel. 3224-3473 ou pelo e-mail eventofolha@grupofolha.com.br, das 14h às 19h)
Classificação: não indicada a menores de 14 anos
  

 

 

232 Comments

Filed under release

É neste Sábado, às 15:00 hs em New York

 

PS: Estamos com problemas técnicos na liberação dos comentários, o que pode vir a causar demora na aprovação. Tenham paciência.

.

Ainda sobre o problema técnico, o pessoal do IG está trabalhando:

Caro Gerald,
Realmente o problema do sumiço dos comentários foi só no seu blog. A equipe de tecnologia do iG me diz que a grande quantidade de comentários excedeu a capacidade do sistema que temos para fazer as cópias de segurança periódicas de todos os blogs. A nossa equipe conseguiu recuperar os comentários, mas não todos, por causa do horário da última cópia de segurança. O problema ainda não foi resolvido definitivamente, portanto pode acontecer de novo. Hoje nossa equipe vai começar a instalar uma máquina exclusiva para o seu blog para agüentar o volume de comentários para que o problema não volte a acontecer. A previsão é terminar esse trabalho na segunda-feira.
Abraços,
Caique Severo
.
.
PS do Vamp: Gerald, de New Iork, nos traz noticias nada boas sobre o estado de saúde de Ellen Stewart: Ellen  encontra-se internada e em situação muito preocupante.   

173 Comments

Filed under release

Stop The Bleeding + Gerald Thomas faz palestra em NY

STOP THE BLEEDING 

CHEGA DE SANGUE

New York – Que loucura! Sento aqui numa Terca-feira de manhã e penso que já passou uma semana desde que o Presidente Barack Obama estava lá no Capitolio, alguns minutos passados de meio dia, mão sobre a bíblia e: Pimba! O mundo se mexeu, lágrimas de alegria e ondas de calor contagiaram o planeta.

No entanto, algumas poucas mínimas pessoas no mundo continuam discutindo “se” Obama isso ou “se” Obama aquilo: ora bolas! Ele é e pronto! Será que alguns mortos vivos estão mais mortos do que vivos? Que chatice!

Ontem à noite foi ao ar uma entrevista exclusiva pela TV Al Arabiya em que Obama fala claramente sobre o caminho louco e nada lúcido que Israel e os Palestinos estão tomando nessa constante guerra sem fim. Falou também que o plano dos Saudis tem um prazo (aliás, era uma vez uma aliança entre a dinastia Bush e os Saudis)  e ele está se esgotando e que é melhor voltar para mesa de negociações!

Jobs. Foi o PIOR dia no mundo dos JOBS! Não do Steve Jobs (talvez no dele também), mas no plano de empregos: 70 mil empregos se foram, bem, pra cucuia hoje neste país! Mais 70 mil desempregados graças às administrações anteriores e uma economia cuja moradia tinha o endereço fixo: nos 7 pecados capitais.

Enfim, de volta à semana passada (túnel do tempo): Fechando Guantânamo e dizendo na cara de Bush que “aqui na América não se torturara mais”. Que mensagem essa! Quer dizer: então “se torturou!” Então admite-se que torturaram. 

Isto, em si só, já é um passo. Mas quem ainda tem ‘reservas’ quanto ao fechamento do pedaçinho da ilhota Cubista, ou se torna um cidadão americano ou afaste de mim e se cale-se! “Ah, não seja tão cínico! Todo mundo tem o direito de opinar! ” E tem mesmo. Mas as besteiras que são ditas…”vão direto se aliar a Al Qaeda…”, dizem vozes do além.

Não, não vão! Quando a gente lê essas bobagens, essa ‘nivelagem de tabloide’ geralmente nao vem de consultores como o Peter Bergen. O Bergen é o maior especialista em ‘counter intelligence’ e já teve o desprazer de sentar numa toca com o Bin Laden. Sabe tudo. E mais! Segundo pesquisas dele (aliás nada mais do que mero senso comum), não existe essa “lenda” dos caras (ex-terroristas) simplesmente se juntarem novamente a grupos de onde vieram por um único e simples motivo (e é simples mesmo) :

Depois de tanto tempo sob ‘comando ou domínio americano’ esses sujeitos simplesmente seriam vistos como infiltrados e qualquer um, seja no Afeganistão ou no Paquistão, ou seja onde for, olharia para eles com uma tremenda desconfiança! ÓBVIO, não é?????? Pombas!

O mundo ainda tem mais pra Rush Limbaugh do que imaginei. Deus me livre! 

Quem é ele? Naveguem, meus queridos! Naveguem e vejam o tamanho do inferno republicano e seus vícios Oxy-Contin e outros dopaminadores! Ah, e falando em travessuras: O ex-reverendo Ted Haggard! Hetero CONVICTO e pego no flagra com outro homem e depois mais outro homem, e cheirando methanfetamin, seu império evangélico trilionário e republicano veio abaixo. Claro! 

Mas chamá-lo de gay, jamais!!! Jamais!!! Com ele e sua mulher a coisa tem que ser semântica, entende? É “same sex attraction”. Bem, perdeu tudo. Está procurando emprego. A filha da Nancy Pelosy (representante do Partido Democrata na nossa House) fez um documentário pro HBO sobre a boneca e, bem… vamos assistir com compaixão! Sim, faz UMA SEMANA que o mundo se livrou daquela imagem. Qual? A melhor mesmo, a melhor de todas naquela Washington DC (fora um lindíssimo sentimento “Woodstockiano”, sem a nudez ou as drogas ou a lama), foi a de um Dick Cheney saindo, indo numa cadeira de rodas: um inútil, um aleijado, um Hamm de Beckett, um canastrão, um Dr. Strangelove, um amputado! E nem Clov do lado tinha. Hamm tem que ter Clov do lado. Esse é o verdadeiro FIM DE JOGO!!! (Notem que Ham= presunto + Clove= cravo, quando um é enfiado no outro e entram no forno, dão uma bela refeição de Natal. Canastrão também está implicado e Clov deriva de Clown). Cheney, portanto, na posição do comandante aleijado por “caixas que movia em sua casa” (só faltava estar cego), estava na cerimônia como um mendigo clownesco amputado do meu dramaturgo predileto irlandês! I HAVE A DREAM… agora virou I’M LOOKING at REALITY and it’s GREAT!

Continuamos sendo um país de sonhadores. Mas aqui, ao contrário dos outros lugares, lutamos pelos sonhos com… todos os artifícios. Chega a ser kafkiano: 

Bernie Maddof é um dos lados criminosos da “coisa”. Somos todos sonhadores (sufixo: dores). E cometeremos os mesmos erros e acertos sempre, não? Sempre. É uma questão cíclica, ciclotímica, histórica, histriônica, natural, naturalista, representada, interpretada, diplomática, irada, irrigada, ironizada e, quem sabe, às vezes… um periodozinho de TRÉGUA!

 

Gerald Thomas

(cumprindo o contrato, batendo ponto e batendo no ponto!)

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

429 Comments

Filed under artigos, release

A Estréia de BATE MAN (Bait Man) de Gerald Thomas

13/12/2008 DO BLOG DO CAETANO VILELA:

.

O Ator, o Diretor, o Autor e o entendimento sobre o Tempo


“Decantar o vinho, como pode o teatro, enfim… É tempo, tempo entendeu, é o tempo que o teatro tem que ter, teatro não, uma câmara de tortura. Precisa de tempo, tempo.
Teatro e tortura, amizade e literatura e um bom vinho precisam de TEMPO.
(Gerald Thomas/”Bait Man”)
.

Marcelo Olinto sob a minha luz, dirigido por Gerald Thomas e fotografado por Daniela Visco no Sesc Copacabana

.
Faltou tempo! A citação acima vem do novo espetáculo dirigido e concebido por Gerald Thomas para Marcelo Olinto. Todos concordam que faltou tempo para que o espetáculo ficasse melhor… poucos dos envolvidos nesta produção concordam que faltou tempo para ‘decantar’ deste evento uma nova ‘amizade’.
Trabalho com Gerald há uns 10 anos, nos separamos por um tempo para eu cuidar da minha carreira e nos aproximamos quando nossas agendas permitem. A vida dele sempre foi uma loucura inter-continental, sua cabeça sempre esteve em, no mínimo, três países ou cinco cidades ou duas culturas, dez projetos, ou, ou, ou…
Acredito na empatia entre criadores, ator e diretor num processo tão autoral precisam ‘estar siameses’ em fase de produção de um novo espetáculo. Depois de mais ou menos 3 semanas de ensaios cheguei ao Rio e após assistir um ensaio sem saber de absolutamente nada identifiquei alguns pontos frágeis sobre o entendimento que o ator tinha do autor. Note bem eu disse “DO AUTOR” e não do espetáculo (embora houvesse sim alguns pontos também, mas não é o caso).
Gerald é o autor dele mesmo e ninguém pode acusá-lo de repetir sempre o mesmo discurso, seu tema é e sempre foi o DILACERAMENTO que qualquer guerra provoca nas relações, para isso abusa do jogo teatral, do corpo do ator que precisa ser um comediante disciplinado para ‘decantar’ e ‘autorar’ toda verborragia (nisso sempre preferi Damasceno à Bete Coelho) contida nas múltiplas camadas de entendimento. Kantor era assim também, todo o seu teatro era o reflexo do pós-guerra e seus atores marionetes deste ‘campo militar’, todo o Living Theatre também e a primeira fase de Pina Bausch… é sempre a guerra e a contradição da guerra e a guerra e a contradição da…
Se não se entende isso para trabalhar com um diretor assim o ator é fisgado (Bait Man!?) pela traição da falsa verdade, do falso entendimento. O público pode sair do teatro com centenas de peças soltas e montar seu quebra-cabeça na pizzaria ou no seu travesseiro, já o ator não!
O ator não pode dar pistas equivocadas do entendimento que o ‘autor-diretor’ criou (Marienplatz 1933 sempre será o início da ascensão e nunca uma garrafa de vinho raro!), muito menos subestimear a capacidade que este mesmo autor tem em criar armadilhas que coloquem em xeque este entendimento.
Concordo com Gerald, o ofício do ator faz muito mais sentido semânticamente em inglês (to play) do que em português (representar) ou francês (repeticion) e não quero dizer com tudo isso que o que apresentamos ontem a noite no Sesc Copacabana seja ruim ou mal realizado e que Marcelo Olinto esteja bem ou mal. Voltando a citação inicial acho que o que melhor define o estado que saímos do teatro hoje é um fragmento de uma canção de Renato Russo, quando diz: “(…) agimos certo sem querer, foi só o tempo que errou…”

 

          

                                                                                                

FOLHA DE SÃO PAULO 

São Paulo, quinta-feira, 11 de dezembro de 2008  

TEATRO
 
GERALD THOMAS DIRIGE O MONÓLOGO “BATE MAN”
 
Parte do projeto “Auto-Peças”, que comemora os 20 anos da Cia. dos Atores, o monólogo “Bate Man” estréia amanhã no Rio, no Teatro de Arena do Espaço Sesc (r. Domingos Ferreira, 160, Copacabana; tel. 0/xx/21/2547-0156; qui. a sáb., às 21h; dom., às 19h30; R$ 16; classificação: 16 anos; até 21/12). “Bate Man” é o primeiro solo de Marcelo Olinto e tem direção de Gerald Thomas.

 

FOTOS DE DANIELA VISCO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DO BLOG DO CAETANO VILELA
    

Mal terminaram as óperas no Teatro S.Pedro/SP no domingo passado eu já embarquei para o Rio de Janeiro, na segunda, para outra parceria na iluminação (de última hora, mas sempre em boa hora!) com Gerald Thomas. Falo sobre “Bate Man” escrito e dirigido por GT na forma de um monólogo para Marcelo Olintho (acima num ensaio, fotografado por mim) defender no evento-efeméride “Auto Peças”, comemoração dos 20 anos da Cia. dos Atores no Sesc Copacabana.
Mais, depois falo! Enquanto isso o próprio GT dá uma idéia do que aguarda o público carioca, leiam aqui. Estou curioso para sentir as reações, pena que volto para SP neste domingo.
Se joga:
“Bate Man”, concepção/direção Gerald Thomas, monólogo com Marcelo Olintho
Sesc Copacabana/RJ
12 a 21 de dezembro (quinta a sábado 21h/domingo 19h30)

 

                        —————————————————————-
 
 

PARTE DO TEXTO

(Vira de costas e toma mais banho de vinho.
Murmura pra si mesmo.)
Sabe que… eu acho nunca vi….
Sinceramente.
Eu vou dizer uma coisa para vocês…
Ai…
Sinceramente.
Ai….
(pigarreia algumas vezes, como se preparando para falar.
Murmurando.)
Acho que….
Eu nunca achei que agradar a Burguesia seria desperdiçar aquilo, aquilo que eles acreditam ter de melhor. E agora? Que eu fiz tudo isso aqui.
Qual será a próxima?
(tempo, pensando.
Conclui.)
Um banho de caviar?
Banho de caviar.
(olha para baixo e vê caixas de caviar.
Encontra caixas de caviar.
Se assusta com a surpresa.)
Ahhh…
NOSSA QUE COINCIDÊNCIA!!!!
OSSETRA!
BELUGA!
SEVRUGA!
Que loucura, as coisas estão todas aqui.
É uma doideira.
QUE COISA MAIS APROPOS!!!!
APROPOS!!
A  PRO  POS!!
APROPOS!!!
GENTE QUE LUXO.
CAVIAR VINDO DIRETO DA RÚSSIA, DO IRÃ, DO IRAQUE
Olha agora é sério.
Sério.
TUDO ISSO PRA DIZER O SEGUINTE:
TORTURA VALE A PENA SIM.
VALE A PENA E NÃO É SÓ ISSO NÃO!
NÃO É MESMO.
VALE A PENA RALAR E TER OS SEUS DIREITOS  COMPLETAMENTE CASTRADOS, VIOLADOS…
Eu não sei como explicar isso melhor hmmm……
Vou tentar explicar…. é….. é…. é….    CONFISCADOS… RAPTADOS…. é….
NO FINAL DE UM REGIME ASSIM TÃO, TÃO VIOLENTO, TÃO VIL, TÃO FILHO DA PUTA , CRUEL….
Ah…..VOCÊ TEM COMIDINHAS ÓTIMAS, BEBIDINHAS MARAVILHOSAS, entendeu?
TÃO GOSTOSINHAS.
(descobre alguma coisa genial.
Não acredita.)
E OLHA QUE LOUCURA ESSA AGORA!
MEU DEUS DO CÉU.
Roupas FASHION!
Não posso acreditar.
Um John Galiano direto da próxima coleção de verão!
WOW!
(entra música. Bate Bait se veste e começa a desfilar.)
Bait Man

 ———————

Copyright Gerald Thomas
New York – Nov 2008-11-25
Serviço – “Bate Man”
Texto e Direção: Gerald Thomas
Luz: Caetano Vilela
Musica: Patrick Grant
Com Marcelo Olinto
De 11 a 21 de dezembro
Teatro de Arena – Espaço Sesc
Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana
De quinta a sábado, às 21h; domingos, às 19h30
Ingressos: R$ 16
Informações: (21) 2548-1088 / 2549-1616

 

( O Vampiro de Curitiba na Edição)

 

291 Comments

Filed under release, shot cuts

"LIVE"- AO VIVO – Ontem foi ao ar…. Mais Fotos e o Link para assistir à Blognovela

 

OBS: ABAIXO DAS FOTOS TEM O LINK PARA A BLOGNOVELA

 

PS: PATRICK GRANT NOS ENVIA NOVO LINK PARA A BLOGNOVELA:

 

http://www.strangemusic.com/GTBlogNovela.html

     

 

Do Blog do Caetano Vilela:

14/11/2008

 

‘Nonada’ com Gerald Thomas (*ou: Não demorou muito para eu descobrir o que as pessoas querem dizer com a minha destruição)

 

Nonada!
Como diria Guimarães Rosa no início do livro-painel “Grande Sertão: Veredas” ficamos literalmente “no nada” após o último ‘enter’ da
BlogNovela apresentada por Gerald Thomas/Cia. de Ópera Seca no Sesc Paulista com transmissão simultânea pelo portal Ig.

No post anterior alguns amigos me ‘apertaram o piercing’ dizendo que nada disso era inédito, que até filme baseado em Blog já havia estreado assim como outras produções também foram transmitidas pela internet. Sei disso, inclusive participei de dezenas! Dirigi com Marcelo Tas – o ‘rei da multimídia’ – uma ópera e uma peça que foram transmitidas ao vivo pela rede, sei de projetos de amigos que se conectaram entre três países e simultâneamente apresentaram um espetáculo com links ao vivo em fuso horários diferentes, também assisti na Europa experiência semelhante com Robert Lepage, etc, etc…, o que conta aqui é a DRAMATURGIA que Gerald propõe.

Quem acompanha o seu Blog sabe que a participação dos leitores é uma ferramenta à parte no diálogo que Gerald propõe com os seus leitores. Às vezes pode até parecer que são um bando de ‘xiitas culturais’ perigosissímos (por vezes são sim, até eu já tive comentário ‘clonado’ por lá), mas não conheço outro espaço na internet que provoque tantas ‘teses dramatúrgicas’ como lá.
E nisso a experiência beckettiana de Gerald é indispensável para tornar esse material ‘adaptável’ para os palcos.

Mais uma vez Fabiana Gugli comanda o caos tendo, dentre outros companheiros, os excelentes Duda Mamberti (às vezes um Vladimir e por outras um Estragon do clássico beckettiano) e Pancho Cappeletti (o reverso do travestismo, concentrando todo o universo masculino sempre presente na obra de Gerald, principalmente depois da ópera Mattogrosso, parceria com Philip Glass).
O que vemos e ouvimos é o cotidiano disfarçado em acasos, a interação cyber refletida nos conflitos mundiais e uma universalidade que pode parecer simplista quando se lê os comentários para os posts escritos por Gerald. É simples sim, mas poucos são capazes de interpretar esses simples sinais.

O regionalismo universal de Guimarães Rosa, o ‘newspeak’ de Orwel e a ‘dramaturgia online’ de Gerald sempre serão difíceis para os menos atentos. ARTE é difícil, TEATRO é difícil, LITERATURA é difícil de se fazer, assistir ou produzir! Claro que não estou falando isso ‘para’ o Brasil que tem um ministério da Cultura ‘aculturado’ em que se exige “contrapartida social” do artista.
Contrapartida Social? E qual é a contrapartida cultural que os brasileiros recebem? O tombamento da receita do acarajé, da capoeira, dos quilombolas (de repente viramos uma nação de quilombolas!); é sobre tudo isso e muito mais que os leitores do Blog do Gerald falam, discutem, brigam, e não só pelo prazer de discordar mas de unir, propor, combater…

 

Mais uma vez Gerald usa Led Zeppelin como ‘leitmotiv’ de um espetáculo, compreensível, afinal o que mais podemos dizer depois dos versos de Black Dog:

“(…) watch your honey drip, can’t keep away (…)
Didn’t take too long before I found out, what people mean my down and out…”

 Alguns clics que fiz do último ensaio que fizemos para a equipe do Ig, para ajustarem as imagens com os ‘camera-men’, antes de abrir para o público, enjoy!

  

 

  

 

  

   

   

 

 

Em breve colocaremos a janela para a Blognovela, por enquanto, cliquem no link abaixo:

 

http://www.strangemusic.com/GThomas/blog_novela.mov 

(Nossos agredecimentos a Patrick Grant que fez a gravação e disponibilizou o Link)

   

No Blog do Alberto Guzik:

 

O impacto de “Kepler, the dog”

 

É muito poderoso o novo trabalho de gerald thomas, “o cão que insultava as mulheres, kepler, the dog”. vi ontem e ainda está girando na minha cabeça. as imagens, a força das idéias. tudo muito simples, muito despojado, e extremamente requintado. não parece o gerald capaz de inventar máquinas cênicas complicadíssimas. este gerald está interessado em explorar o palco nu, a caixa cênica desventrada, sem nenhuma moldura que a enfeite. o resultado é magnífico porque sofre o impacto da visão de mundo lúcida e arguta do encenador. fabiana gugli está esplêndida, cada vez mais precisa e senhora do palco. e também brilham duda mamberti e pancho capeletti, dominam a cena com extrema segurança. mas é das idéias do espetáculo que se precisa falar. não posso fazer isso agora. tenho um dia longo pela frente. reunião do projeto dos sonhos, depois santo andré, onde estrearemos “liz”, logo mais, no sesc de lá, às 21h. ontem ensaiamos até alta madrugada. e hoje tive de pular da cama bem cedo. então depois vou contar mais e melhor do que vi ontem, e narrar como foi que vi, porque não deixou de haver uma peripécia para que eu assistisse ao pontiagudo “kepler, the dog”, com que jerry está abrindo frentes e vertentes, criando uma dramaturgia a partir de textos do blog, fazendo um espetáculo que, segundo cálculos, seria visto por no mínimo 150 mil navegadores. porque “kepler” foi transmitido pelo portal ig, no igpapo. deixo para vocês uma foto de fabiana gugli e  duda mamberti, enquanto eram acompanhados pelas câmaras do ig, clicada pelo talentosíssimo caetano vilela, que colaborou com gerald na criação de uma luz de tirar o fôlego.

       

           Foto: Caetano Vilela

 

DO ÚLTIMO SEGUNDO:

SÃO PAULO – A nova obra do diretor e dramaturgo Gerald Thomas, “O Cão que Insultava Mulheres – Kepler, the Dog”, estréia nesta quinta-feira (13), às 21h30, no teatro do Sesc Paulista. Quem não puder comparecer terá a opção de ver pela internet, ao vivo, no IG Papo.

A peça é, na verdade, o primeiro capítulo de uma blognovela criada por Thomas em seu site. A segunda parte, ainda sem data de estréia definida, se chamará “O Cão Astrônomo que Estragava Planetas e Estrelas”.

O texto da peça é resultado de discussões e comentários de 11 capítulos anteriores da blognovela, todos criados no blog de Gerald Thomas. A montagem terá atores profissionais e amadores, recrutados a partir de vídeos enviados pela rede ao diretor.

Segundo Thomas, a obra é uma crítica ao universo masculino. “Os homens se consideram o máximo, mas são uns grandes imbecis sempre engajados em guerras, matanças, estupros, emboscadas”, explicou em seu blog.

A crítica, vale ressaltar, não é nada leve. Tanto que a peça tem cenas bastante fortes e, por isso, não é aconselhada para menores de 18 anos.

“O Cão que Ofende Mulheres” será apresentada no Sesc Paulista (Avenida Paulista, 119, Paraíso), a partir das 21h30. A entrada é gratuita. Para assistir, basta retirar senhas que serão distribuídas uma hora antes do espetáculo.

A transmissão pela internet será feita através do iG Papo, também a partir das 21h30. Será possível assistir à peça ao vivo e também comentá-la com outros internautas pela sala de chat. Saiba mais sobre o espetáculo no blog de Gerald Thomas.

 

Serviço
Data: 13 de novembro de 2008, quinta-feira, 21h30
Local: SESC Paulista
Endereço: Avenida Paulista, 119 – Paraíso
Entrada franca; os ingressos devem ser retirados na bilheteria a partir das 20h30.

 

Ficha técnica
O Cão que Insultava Mulheres – Kepler, the dog
Projeto: Cia. Ópera Seca
Criação e direção: Gerald Thomas
Elenco: Anna Américo, Caca Manica, Duda Mamberti, Fabiana Gugli, Luciana Fróes, Pancho Cappeletti, Simone Martins.

Produção executiva: Dora Leão – PLATÔproduções
Assistência de produção: Hedra Rockenbach
Som: Claudia Dorei
Luz: Caetano Vilela

  

DA ILUSTRADA (FOLHA DE SÃO PAULO):

Gerald Thomas leva ao palco 1º capítulo de sua “blognovela”

Cão que Insultava Mulheres” se inspira em comentários de internautas 

 

 DA REPORTAGEM LOCAL

 

“Não é o que vocês estão pensando. De alguma forma, é o que vocês estão pensando. De alguma forma, o que vocês estão vendo é isto. O que vocês estão vendo confirma o que vocês estão pensando.” Na voz de Gerald Thomas, a gravação parcialmente transcrita acima abre “O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the Dog”, encenação do primeiro capítulo da “blognovela” do diretor, que tem ensaio aberto hoje à noite. No início da tarde de ontem, a produção informou que o espetáculo será transmitido em tempo real pelo portal iG. Boa parte da dramaturgia, que desafia descrições, foi construída a partir de comentários deixados por internautas no blog de Thomas (www. colunistas.ig.com.br/geraldthomas). Da internet também foi “importada” uma atriz- Thomas pediu que interessados enviassem vídeos inspirados nos textos postados por ele na internet. Em cena, Thomas e sua Cia. de Ópera Seca (em que se destaca Fabiana Guglielmetti) inicialmente sondam os elos entre arte e poder, mas logo se debruçam sobre as relações de gênero e a permanência de certa mentalidade sexista. As intelectuais americanas Camille Paglia e Susan Sontag (1933-2004) comparecem. Segundo o diretor, “Cão” fecha uma trilogia aberta por “Terra em Trânsito” (2006) e “Rainha Mentira” (2007). (LUCAS NEVES) 

 

O CÃO QUE INSULTAVA MULHERES, KEPLER, THE DOG 
Quando: hoje, às 21h30 
Onde: Sesc Avenida Paulista (av. Paulista, 119, 11º andar, tel. 0/xx/11/ 3179-3700; grátis) 
Classificação: não indicado a menores de 16 anos

 

 

 

 

302 Comments

Filed under release

Nascemos para divergir: estou indo votar. E tremer. E sei lá o quê!

UPDATE as 8: 45 hora Eastern TIME US

—————————-23:45 BR

“Polls Begin Closing in Final Hours of Epic Campaign”

 

VITORIA PRATICAMENTE CERTA PRA OBAMA

muitos estados ja fecharam suas contagens

102- Obama

34- McCain

Ainda eh cedo mas esta se dizendo essa derrota eh “devastating” pra McCain.

—————————————-

Nervoso demais, prefiro publicar essa coluna aqui:

PS: UPDATE: Mais de meio dia aqui (mais de 3 da tarde no BR)

PS UPDATE as 5:20 Eastern US (20;20 BR): filas enormes em varios estados e counties em todas as partes dos EUA. Muitas urnas nao funcionam. Muita gente que estava na fila nao conseguiu entrar: foi prometida “votacao estendida” (garantida pra todos). HISTORICA em 100 anos, nunca teve tanta gente nas urnas.

PS 3- muitos nomes nao constavam nas listas (centenas). Muitos livros foram mandados pros distritos errados e tiveram que ser imprimidos (improvisadamente) na hora.

California fecha suas contas as 9 da noite da hora deles (3 antes de NY, 6 antes do BR e Hawaii 9 antes de NY) Unhas das maos e pes roidos!!!!

GT

Da Folha de S Paulo

Bifurcação

NÃO SERIA exagero dizer que os americanos estão com os nervos à flor da pele. Esta temporada eleitoral interminável cobrou seu preço de amizades, casamentos e relações com colegas de trabalho. Nossos nervos estão no limite.
Está. Quase. No. Fim. Um novo presidente será eleito, finalmente, e … bom, e aí?
Por mais que nós, americanos, gostemos de reclamar da política, também gostamos das discussões, das brigas internas, dos bate-bocas com os adversários externos, do debate belo e hediondo sobre o papel que o governo deve exercer em nossas vidas.
É tudo uma grande confusão, mas é nossa confusão. Mesmo assim, esta era particular na história americana testou para valer nosso bom humor habitual. Desde o 11 de Setembro nosso país vive em estados alternados de choque, negação, histeria e mal-estar.
A Guerra do Iraque nos dividiu, colocando vizinho contra vizinho. A crise econômica levou os americanos de classe média a voltar-se contra aqueles cuja cobiça nos levou à beira do colapso.
Raiva e ansiedade são as emoções que nos dominam. Como todo o mundo já observou, ou vamos eleger o primeiro presidente afro-descendente, ou a primeira vice-presidente mulher. Bravo.
Mas os desafios que este presidente vai enfrentar acabarão logo com nossos aplausos autocongratulatórios. A Guerra no Iraque pode mudar de rumo, dependendo de quem vencer a eleição. A ameaça do terrorismo persiste. A maioria dos americanos compreende, em algum nível, que em algum momento nos próximos anos seremos obrigados a defender nosso país.
O fato de estarmos aguardando a próxima catástrofe -uma bomba escondida numa mala ou uma explosão no sistema de transporte de massas- faz a Guerra Fria parecer algo de um passado até pitoresco. Naquela época, pelo menos, sabíamos quem era o inimigo; sabíamos que ele era suficientemente lúcido para não querer morrer conosco.
Nosso novo inimigo não se importa com isso.
Esta eleição também tem o potencial de assinalar uma mudança de gerações. A chapa McCain-Palin representa não apenas o velho, mas o tradicional. Personifica a memória institucional da América.
Obama representa o novo, o progressista, o que ainda não foi testado. Mas ele ingressa na luta com uma legião de jovens cheios de esperança e sedentos por mudanças. Os jovens sempre são assim.
Finalmente, esta eleição opôs o chamado “americano comum” (Joe, o encanador, ou Joe Six-Pack, aquele que compra um engradado de seis cervejas) às elites, vistas como tal. McCain e Palin alimentaram esse fogo com ferocidade indecorosa, cavando fissuras profundas num momento em que não podemos nos dar ao luxo de ter nenhuma.
Assim, o desafio maior do próximo presidente será lançar uma ponte sobre o abismo que nos separa e tentar alisar o gramado do campo comum onde jogamos. Nada fácil.
Se Obama perder a eleição, os afro-descendentes provavelmente sentirão que ficaram de escanteio. De novo. McCain terá dificuldade em convencê-los de que não é o caso, graças à eficácia de Palin em levantar suspeitas de que Obama não é exatamente um de nós. Talvez o discurso de “eles e nós” não tivesse a intenção de alimentar o mal-estar racial, mas foi apreendido assim. Se McCain vencer, os efeitos sobre a harmonia racial serão sentidos por muito, muito tempo.
O que virá a seguir, então?
Esperança e mudança, a julgar pelas pesquisas.
A esperança pode ser uma curva que não permite divisar o que vem a seguir, e a mudança pode não passar de uma promessa vazia, na qual só os inexperientes acreditam, mas elas não podem nos prejudicar, neste momento em que os americanos tentam lembrar quem são. Para melhor ou para pior, estamos nisto juntos. E as coisas vão se agravar.
Precisamos de uma mão calma e firme no leme. 

 

KATHLEEN PARKER é colunista do “Washington Post” e comentarista da NBC; ela escreveu esta coluna para a Folha

PS do Gerald: ESTOU NERVOSO demais para escrever algo agora. Além do mais, vou ficar na fila um tempão.
.

PS 2: Fui la cedo: nao demorou tanto tempo. Eh muita coisa pra preencher. Mas foi um alivio e muita EMOCAO. Temos que tomar cuidado, afinal, eleicao nao eh esporte e nao eh campeonato: sao as pesssoas APONTADAS POR NOS, ELEITAS POR NOS. SAO NOSSOS REPRESENTANTES,

CLARO QUE SOMOS LEVADOS PELAS EMOCOES E, JUSTAMENTE POR CAUSA DISSO, IMPLORO QUE OS LEITORES NOVOS LEIAM O TRANSCRIPT DO ENDOSSO DE COLIN POWELL A BARACK OBAMA NO MEET THE PRESS HA UMAS SEMANAS ATRAS

EH UM DOS MOMENTOS MAIS LUCIDOS DE DEMOCRACIA, DE LUCIDEZ, DE….

LEIAM. SE NAO SABEM INGLES, POR FAVOR, ALGUEM TRADUZ PRA VCS

 

LOVE

GERALD


 

331 Comments

Filed under release, shot cuts

AMANHÃ, QUARTA-FEIRA: SESSÃO EXTRA ÀS 10 DA MANHÃ, NO UNIBANCO ARTEPLEX, ENTRADA FRANCA. HUGH HUDSON E GERALD THOMAS DEBATEM REVOLUTION REVISITED

32ª Mostra Internacional de Cinema

Hugh Hudson Revolution

  

 Al Pacino e Hugh Hudson

 

HUGH HUDSON E GERALD THOMAS DEBATEM REVOLUTION REVISITED NO PRÓXIMO DOMINGO

O diretor Hugh Hudson e o dramaturgo Gerald Thomas vão debater com o público o longa Revolução Revisitada, no Unibanco Arteplex, após a exibição do filme, programada para as 20h do dia 26, domingo. Fica cancelada a sessão de Greystoke, a Lenda do Tarzan, o Rei das Selvas, às 22h.
Hugh Hudson integra o júri da 32ª. Mostra e é um dos homenageados do evento, que está apresentando quatro títulos do diretor.

No final dos anos 1970 David Puttnam, nome importante do mundo publicitário, decidiu lançar alguns diretores de comerciais de televisão na grande tela, tendo em mente nomes como Hugh Hudson, Ridley Scott, Adrian Lyne e Alan Parker. Todos tinham dirigido grandes sucessos e a maior surpresa foi o filme de Hudson Carruagens de Fogo (1981), sucesso de crítica e de público. Foram quatro dos sete Oscar para os quais havia sido indicado: melhor filme, roteiro original, música e figurino.
Na 32ª Mostra Hudson ganha o merecido destaque. Serão exibidos os filmes Carruagens de Fogo, o deslumbrante documentário Fangio: Uma Vida a 300 km por hora, retrato do piloto argentino Juan Fangio (1977); Greystoke, A Lenda de Tarzan, o Rei das Selvas (1983) e Revolução Revisitada (2008). Este último foi mal interpretado e injustamente tratado em sua primeira exibição há 20 anos. Nesta reedição Hudson colocou uma narrativa feita por Al Pacino, concluindo o filme que havia vislumbrado em 1985. (http://www.mostra.org)

 

Reportagem do UOL: 

Guerra Civil Espanhola

Neste momento, Hudson terminou de escrever o roteiro de um novo filme sobre a Guerra Civil Espanhola, baseado em livros do escritor George Orwell, como “Lutando na Espanha” e “Homenagem à Catalunha”. O ator Colin Firth, de “Mamma Mia!”) interpretará o papel de Orwell. O resto do elenco ainda não foi escolhido.

Embora a Guerra Civil Espanhola tenha ocorrido nos anos 1930, Hudson julga o tema muito contemporâneo. “É um grande assunto, não só político, também humano. As pessoas não fazem mais isso, ninguém vai mais lutar daquele jeito ingênuo, por suas crenças. Atualmente, os únicos que fazem isso são os fundamentalistas. E o fazem de um modo um tanto agressivo e terrível, até fanático”.

Um desses idealistas que foi lutar na Espanha foi o próprio Orwell que, por isso, foi chamado de romântico. Uma visão com a qual Hudson não compartilha: “Alguns dizem que ele era romântico, mas conseguia enxergar longe. Não é a toa que os dicionários hoje registram a palavra ‘orwelliano’. Vivemos num mundo como ‘1984’ agora. Tudo é controlado pelo Estado, mais e mais. Foi isto o que ele previu. E isso veio de sua experiência na Espanha”.

Um outro futuro projeto do diretor é um documentário sobre aneurismas – um mal que acometeu sua mulher, a atriz e produtora Maryam d’Abo, há dois anos. “É algo que atinge as pessoas do nada, alguns morrem, outros ficam paralíticos, outros escapam sem danos. Você não sabe como acontece, pode atingir qualquer um, de qualquer idade”, destaca.

Como se leva muito tempo para produzir filmes, ele também gosta de freqüentar júris de festivais. Ao contrário de colegas como Wim Wenders, que afirmam que ser jurado é uma boa forma de ganhar inimigos, Hudson aproveita bem a experiência “Vejo filmes de gente jovem que eu não veria de outro modo, que nunca chegariam à Inglaterra. Você encontra pessoas, abre seus olhos para outras coisas”. Ele sabe do que fala. Já foi jurado em Sarajevo, Mar del Plata, Tóquio, Istambul, Vladivostok e muitos outros festivais. “Só não fui ainda a Cannes”.

—- Como vim participar do juri da mostra e ser homenageado, resolvi escolher alguns filmes. “Revolução revisitada” é algo que eu queria que as pessoas vissem. “Carruagens de fogo” é um filme muito famoso e ganhou quatro Oscar. “Greystoke” é uma aventura, mas também é um filme sobre identidade e sobre se render a uma sociedade que lhe diz como se comportar. “Fangio” é um filme que mostro pouco e sei que nesta semana há uma corrida de automóveis em São Paulo (Interlagos). Achei apropriado.

Hudson trabalhou tanto com produções independentes quanto com Hollywood, portanto, consegue ter uma visão privilegiada da indústria cinematográfica.

– Quando você é financiado por Hollywood, você tem que dançar conforme a música deles, aceitar os compromissos. É difícil às vezes. No entanto, há muito mais liberdade ao se trabalhar em uma produção independente. Ao se trabalhar para Hollywood, você não tem mais direito autoral, é como trabalhar com televisão. Em uma produção independente, você é o autor. Mas eu não acredito em controle completo, pois cinema é uma mídia colaborativa. Produtores são muito importantes. Um bom produtor tem uma visão objetiva e é um ponto de equilíbrio.

divulgação

Apesar de não gostar muito de falar sobre seus projetos, Hugh Hudson acabou cedendo e contou que já terminou o roteiro de seu novo filme, baseado no livro “Homenagem à Catalunha”, no qual George Orwell narra sua participação na Guerra Civil Espanhola.

– O filme terá Colin Firth. George Orwell é um homem muito profético. Ele escreveu “1984” e vivemos hoje em um mundo como o que ele descreveu. Tudo é controlado. Tudo o que ele disse está se tornando realidade – disse o diretor, que está agora captando recursos para o filme, que terá também no elenco Geoffrey Rush. – Não sei quando começarei a filmar. Demora muito mais do que pensamos.

Neste domingo, após a exibição de “Revolução revisitada” no Unibanco Arteplex às 20h, Hugh Hudson e o dramaturgo Gerald Thomas debatem com o público.

“Carruagens de fogo” – Sexta-feira, dia 24/10, às 22h30, no Unibanco Arteplex 1. Domingo, 26/10, às 16h, no Unibanco Arteplex 1

 

“Fangio – Uma vida a 300 km por hora” – Domingo, 26/10, às 18h20, no Unibanco Arteplex 1

 

“Revolução revisitada” – Sexta-feira, dia 24/10, às 20h20, no Unibanco Arteplex 1 e domingo, 26/10, às 20h, no Unibanco Arteplex 1. Sessão seguida de debate com o diretor Hugh Hudson e o dramaturgo Gerald Thomas

————————————————————————————-

Election Special Issue

Barack Obama, Forever Sizing Up

 
Damon Winter/The New York Times

A FACE IN THE CROWD A supporter, dressed in a T-shirt perfect for the occasion, listened to Senator Barack Obama speak in New Hampshire this month at Mack’s Apples in Londonderry.

 

PESSOAL, VEJAM ESTE VÍDEO, É SÓ CLICAR NO LINK ABAIXO:

 

 http://www.cnnbcvideo.com/index.html?nid=AUW5pfFCWpkqs_EvA8KzRzQ1MTkxNg–&referred_by=11598762-RxAPZLx

 

446 Comments

Filed under release

Debate no SESC AV Paulista- Alberto Guzik e Gerald Thomas abrindo a série "o que der na telha"

Quarta, amanhã, às 21 horas no SESC da Av. Paulista (não confundir com o SESI nem com o Instituto Medico Legal e nem com o Macksoud Plaza e nem com a Casa de Haroldo de Campos e nem mesmo com o Citibank e muito menos com o Masp) eu, Gerald Thomas, amante número 1 desse país (portanto as críticas – quem não ama não critica, ignora!) dou início a uma série de debates: o primeiro é com o ator/autor/ex-crítico do Jornal da Tarde e genial, genial, figura; membro do Companhia Satyros de Teatro (que assaltaram os assaltantes da Praça Roosevelt e tornaram aquele lugar “o point’ da cidade já faz alguns anos), o Alberto e eu…..bem. O Alberto e eu nos conhecemos quando o Brasil ainda era colônia da Austrália. Ele escreveu muito sobre meus espetáculos quando era crítico do JT e do Estadão, e eu estava na ponta da ponta de encenar uma adaptação de seu romance maravilhoso, Risco de Vida. Alberto, além de estar on the road com sua troupe, trabalha em seu mais novo romance MARAVILHOSO (parte do qual eu já li – início, porque ele teve receio ou ciúmes de me mandar mais porque um personagem “parecido” comigo tem uma morte HORRENDA), enfim, esse novo romance chama-se UM CRÍTICO.

Discutiremos sobre o que DER NA TELHA e o que VOCÊS perguntarem:

1- Aonde: no auditório – 14º andar do SESC Av. Paulista

2- Quando: 21 horas de quarta, amanhã.

3- Quanto custa? Nada, zero, niltch.

25 Comments

Filed under release

Varig e o Mars – Projeto da Cia de Ópera Seca

Sobre a Varig venho escrevendo há anos! Desde 2003, quando eu ainda escrevia pra um jornal carioca (está no http://www.geraldthomas.com) e depois pra Folha (tendências e debates) e outros veículos. Amo a Varig. É um dos casos mais tristes da história recente do Brasil. Pessoas DIGNÍSSIMAS roubadas de suas identidades, seus empregos, quase 14 mil. 14 mil pessoas postas na RUA por causa de FALCATRUA política, e tivemos que engolir essa TAM. Deus me livre!  E Lula diz que o caso está encerrado (está “encerado”, Museu de Cera, Madame Tusseaud – Baker Street ou Times Square) na Venezuela de Chavez. Um golpe FEIO, SUJO, horrível que deixou pessoas DIGNAS, os melhores aviadores…… quase 80 anos de aviação pioneira: um patrimônio nacional, cair, se (…), assim, por vias que já sao comuns no Brasil.

Sobre o Keplão aqui embaixo: é Kepler, Johannes Kepler (astrônomo do século 16) em Nurenberg (século 20): estamos indo por aí. Mas será mais que isso, óbvio. Não ficamos numa tecla só! Ficamos?. E Tem a ópera Hemingway também. E tem…….

Gerald

7 Comments

Filed under release, shot cuts