Monthly Archives: March 2018

Some drawings / paintings / illustrations from my past on VIMEO (editing by Victor Hugo Cecatto)

 

Leave a comment

Filed under Uncategorized

“Verbo Defectivo” – texto maravilhoso de Guilherme Zelig

Verbo Defectivo

Guilherme Zelig

Percebeu-se a esmo no mundo quando vislumbrou-se sozinha, a ouvir Maria Bethânia cantando uma música de Chico Buarque, o volume baixo no velho rádio herdado da avó, uma edição antiga de Mrs. Dalloway sobre a cama desarrumada e a mão enfaixada com gazes ensopadas de sangue – em decorrência da violenta porrada no espelho que dera durante a tarde.
O uísque já havia acabado. Não tinha dinheiro para mais nada. As contas estavam vencidas e estavam para cortar a luz em alguns dias. Havia mais de quinze dias que não dava as caras na escola em que trabalhava. Abandono de cargo público. Não aguentava aquelas crianças. Não suportava ouvir a voz de mais ninguém. Estava derrotada no jogo da vida.
Uma dor insuportável corria-lhe o corpo. As costas doíam, os cortes de vidro na mão só não eram piores que as dores que sentia em seu interior. A angústia tomava-lha pelo pescoço e sufocava-a com extremo ímpeto. A impotência do ato de se matar fazia-lha, sôfrega, desistir de querer viver também. A inação era seu nome do meio.
Apercebeu-se a fumar o último cigarro que restava no maço e via o sol ir embora detrás de uma nuvem pela janela. Os dias de sol havia muito se tornaram dias nublados para Selma. O terror corria-lhe a espinha a pensar que sobreviveria o dia seguinte e perpassaria pela mesma falta de vontade.
Que insignificante se tornara! Não conseguia terminar de ler um artigo de jornal, não assistia mais a nenhum filme de Fellini completo, não entendia mais o significados do verbos. Selma não se conjugava. Era um verbo defectivo.
Dormiu aquela noite em posição fecal a desejar a inexistência. Acordava toda hora a perceber que ainda estava viva.
A frustração tomou-lha o espírito ao perceber-se pronta para mais um dia ensolarado na manhã seguinte.
Guilherme Zelig

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Texto escrito pro meu livro “ENCENADOR DE SI MESMO” (Editora Perspectiva – Jacó Ginsburg 1996) e para o livro MARGINALIA de Marisa Alvares Lima: “Menino, voce esteve com ele?”

Leave a comment

Filed under Uncategorized

“CIRCO de RINS e FIGADOS” (© Gerald Thomas 2005 Escrito para Marco Nanini) Um trechinho:

De Gerald Thomas 2005 Circo de Rins e Figados
Escrito pra Marco Nanini © Gerald Thomas (um pequeno trecho)

NANINI
NAO ADIANTA QUEREREM ME DOPAR. 
ESTOU SEM LINGUA…
E vocês ficam aí, conspirando sobre o meu efeito paradoxal?
Ora, que ridículo!
Tá todo mundo muito confortável,
nas suas casinhas, seus carrinhos,
seus confortos…Todo mundo chupando, e eu sem língua? O que é isso agora?!
Agora é desvendar o código de Da Vinci.

Fabiana Gugli
Meu deus. Nunca vi ele assim, tão radical. De novo, estou achando que não é ele.

NANINI
SOU EU SIM! 
AH.. E se lembra quando eu te falei
(Medico vem com mais uma pílula na mão)

NANINI 
To sem LINGUA doutor.
Isso mesmo, me dopa mesmo. 
Sem língua vai fazer muito efeito mesmo!!! 
Que piada! 
Ninguém aqui mais sabe o que faz!
Sei que o publico AMOU quando sodomizei aqueles cadáveres! 
(NANINI fala pra Fabi)
Meu amor, da uma retocada aqui na maquilagem, que eu tô no auge do meu discurso. Isso! Obrigado.
(Continua)
Então, nada prova nada. 
Prova alguma coisa? 
Nada prova nada. 
Prova alguma coisa, meu amor?
Nada prova nada. 
Vocês aí, prova alguma coisa?

(platéia)
NADA !

NANINI
Muito bem !

Gerald Thomas

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Paulucci Araujo performs his version of my Between Two Lines (Entre Duas Fileiras) :)

https://drive.google.com/file/d/1D4-blsBrAi0eQkkK_zm5DKYcQ46Q2oK0

 

 

 

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Mileny – my daughter – almost 17 ! Gorgeous !

Leave a comment

March 26, 2018 · 5:39 am

Bete Coelho estréia hoje “O Terceiro Sinal” de Otavio Frias Filho: M.E.R.D.A. pra voce, Bete

Bete Coelho

 

Isso porque o texto de Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, é baseado na experiência do jornalista no próprio Oficina. Ali interpretou o personagem Caveirinha em “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, numa montagem de 2000 com o grupo do diretor Zé Celso.

O ensaio em primeira pessoa do jornalista foi publicado no livro “Queda Livre” (Companhia das Letras), em 2003, e adaptado ao teatro sete anos depois, com interpretação de Bete e direção de Ricardo Bittencourt, que formam a Cia. BR116, ao lado de Gabriel Fernandes.

Em “O Terceiro Sinal”, o autor descreve a aflição antes da estreia (fez apenas três ensaios), o pânico de estar em cena (quem sabe, pensa ele, seu desempenho passaria batido) e a sensação, para quem atua, de que o tempo é suspenso.

“Ele metodifica e revela esse processo subjetivo da atuação”, afirma Bittencourt.

Também pensa sobre os teóricos da interpretação, como o russo Stanislávski e o francês Diderot, de quem lembra uma frase: “As lágrimas do comediante lhe descem de seu cérebro; as do homem sensível lhe sobem do coração”.

BASTIDORES

“Estar no Oficina é, para o ator, uma situação de muita fragilidade, muita exposição e, ao mesmo tempo, de muita força”, comenta Bete, que protagonizou ali o espetáculo “Cacilda!” (1998).

Assim, a nova versão de “O Terceiro Sinal” aproveita a arquitetura do teatro, com suas estruturas e bastidores à mostra do público —essa exposição era representada nas apresentações anteriores, feitas em tradicionais palcos italianos, por coxias transparentes.

Os camarins de madeira desenhados por Lina para o teatro foram levados para o palco, fazendo as vezes de cenário. “Estamos colocando o Oficina dentro do Oficina”, explica Bittencourt, que é ex-integrante do grupo de Zé Celso.

Além disso, momentos que antes eram apenas narrados pelo personagem de Bete agora ganham uma encenação.

Quando o narrador lembra de colegas de “Boca de Ouro”, por exemplo, o restante do elenco de “O Terceiro Sinal” entra em cena, representando essas figuras. “Antes, a peça valorizava mais a palavra, agora ganha movimento”, afirma Bittencourt.

Tudo é acompanhado por vídeos, tanto reproduções ao vivo do que acontece no palco —o que é praxe em montagens do Oficina— quanto de imagens de arquivo da companhia Zé Celso.

Para os integrantes da BR116, contudo, estar no Oficina não tem apenas um lado afetivo, mas também político.

Eles lembram do imbróglio entre o teatro e o Grupo Silvio Santos, proprietário do terreno vizinho, onde tem planos de erguer torres residenciais. A companhia alega que a construção “encaixotaria” o teatro, que é tombado, e propõe criar ali um parque.

“Estar aqui é um ato político”, diz Bete. “Estou especialmente estimulada a fazer isso neste momento em que o Brasil está adormecido.”

O TERCEIRO SINAL

  • Quando sex. e sáb., às 21h, dom., às 19h; até 20/5
  • Onde Teatro Oficina, r. Jaceguai, 520 tel. (11) 3104-0678
  • Preço R$ 20 a R$ 40
  • Classificação 14 anos

Leave a comment

Filed under Uncategorized