Monthly Archives: September 2015

Welcome to my state of mind !

BLACK WATERS

 

José Saramago on God : https://www.facebook.com/AteuInteligente.BR/videos/1654383338118155/

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September 30, 2015 · 9:30 pm

Um berro pra William Oliveira sobre o Papa, o Cristianismo, o Congresso e eu.

William, oh, William, me atende… (caramba, não consigo falar com você..)

É que eu estou com esse enorme nó na garganta desde hoje de manhã sabe? Liguei a televisão cedo pra ouvir o Papa falar ao Congresso em Washington e, desde então, algo em mim mudou substancialmente. Quer dizer mudou tudo, ficou tudo de cabeça pra baixo. O que era zero agora é um milhão.

Oh, William, cade você?

Ai meu deus? Onde começar? Pela Missa de Janacek? Pelo “O Balcão” de Jean Genet? Onde começo? Pela teologia da Libertação? Começo pelos Irmãos Boff? Começo pelo Cardeal Evaristo Arns, Pedro Casaldaliga? Frei Beto?

Não, William! Nada disso.

Sou judeu, caceta. Sei que ontem foi Yom Kipur e hoje é Hajj pros Islamicos mas nada disso importa. O que importa é que estou, desde cedo, aos prantos, cara. Aos prantos e sem conseguir respirar direito, com o coração palpitando, revendo a vida como se estivesse vivendo em flashes, lembrando das minhas varias visitas ao Vaticano, deitando no chão da Capela Sistina, zombando disso e daquilo e…hoje, hoje, agora, 24 de Setembro, 18:40, momento exato em que o Papa entra na St. Patrick’s Cathedral aqui em Nova York, eu continuo aos prantos, William, tentando enxergar as entrelinhas em mim mesmo, ou na vida que levo, na obra que já deixei, nas dores que sinto, físicas, metafisicas e psicossomáticas ou o que sinto pela humanidade, passado e presente.

Paro e penso no que acho realmente da arte, no seu significado mais pleno, nas elites que temos discutido, você e eu, quem tem acesso e quem não, a cada beijo que esse Papa sai da sua armada policial e vai abraçar alguém do publico.

Eu sei que não significo nada, William. Sei que poucos de nós significam alguma coisa. Muito muito poucos. Mas sei que quando o Papa, hoje de manhã, em pleno Congresso, olhou pra estátua de Moises e falou em Dr. Martin Luther King e na sua Marcha de Selma, ele criou um triangulo sagrado, digno de poucas pessoas. Digno de pessoas que nasceram divinas, como esse Padre Jorge (por quem eu pouco sentia até hoje e que a partir de hoje….ai…não sei continuar esse texto porque isso aqui não é um texto e sim um berro que está sem endereço (já que vc não atende o telefone e as ruas de Manhattan estão superlotadas pra conseguirem dar uma olhada nesse senhor simpático e que anda meio torto e que da vontade de abraçar ou de se jogar aos pés dele e pedir perdão por tudo, sim PERDAO POR TUDO….PERDAO POR TUDO…..)

William querido, se eu não atender o telefone, não se preocupe: pela primeira vez saiba que fui achar a minha paz. E não é através daqueles meus e-mails ‘exagerados’ e ‘ameaçadores’ de sempre. Nada disso. Fui lá na St. Patricks Cathedral tentar ver se consigo respirar um pouco daquele ar inspirador de que todos sempre falaram e que demorei 61 anos pra entender.

Um beijo querido,

LOVE

G

PS: Trecho do discurso do Papa no Congresso:

Here I think of the political history of the United States, where democracy is deeply rooted in the mind of the American people. All political activity must serve and promote the good of the human person and be based on respect for his or her dignity. “We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are life, liberty and the pursuit of happiness” (Declaration of Independence, 4 July 1776). If politics must truly be at the service of the human person, it follows that it cannot be a slave to the economy and finance. Politics is, instead, an expression of our compelling need to live as one, in order to build as one the greatest common good: that of a community which sacrifices particular interests in order to share, in justice and peace, its goods, its interests, its social life. I do not underestimate the difficulty that this involves, but I encourage you in this effort.

Here too I think of the march which Martin Luther King led from Selma to Montgomery fifty years ago as part of the campaign to fulfill his “dream” of full civil and political rights for African Americans. That dream continues to inspire us all. I am happy that America continues to be, for many, a land of “dreams”. Dreams which lead to action, to participation, to commitment. Dreams which awaken what is deepest and truest in the life of a people.

In recent centuries, millions of people came to this land to pursue their dream of building a future in freedom. We, the people of this continent, are not fearful of foreigners, because most of us were once foreigners. I say this to you as the son of immigrants, knowing that so many of you are also descended from immigrants. Tragically, the rights of those who were here long before us were not always respected. For those peoples and their nations, from the heart of American democracy, I wish to reaffirm my highest esteem and appreciation. Those first contacts were often turbulent and violent, but it is difficult to judge the past by the criteria of the present. Nonetheless, when the stranger in our midst appeals to us, we must not repeat the sins and the errors of the past. We must resolve now to live as nobly and as justly as possible, as we educate new generations not to turn their back on our “neighbors” and everything around us. Building a nation calls us to recognize that we must constantly relate to others, rejecting a mindset of hostility in order to adopt one of reciprocal subsidiarity, in a constant effort to do our best. I am confident that we can do this.

EM TOTAL CONTRADICAO COM TUDO ISSO QUE ESCREVI E COPIEI ACIMA, NAO POSSO DEIXAR A CONTRADICAO DE LADO E POSTAR ESSE BRILHANTE ‘STATMENT’ DE JOSE SARAMAGO SOBRE A CRUELDADE DE DEUS:

https://www.facebook.com/AteuInteligente.BR/videos/1654383338118155/

 

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Patrulhismo ideologico.

CORREIODOBRASIL

Otários que não admitem opiniões divergentes e Fascistas que ameaçam com todos tipos de insultos….

A frase não é minha. É de Cacá Diegues: “Patrulhismo Ideologico”. Então a coisa não é de hoje. No entanto, ainda fico PASMO com a reação de vocês. Fico pasmo com a reação quase fascista dos brasileiros quando leem alguma coisa sobre política que não esteja dentro dos moldes exatos que gostariam.

Aqui nos EUA, temos a figura horrível do Trump que varia entre ser uma piada ambulante ou o verdadeiro terror do Reality Show chegando à politica. Mas NUNCA, JAMAIS, NUNCA, um amigo deixaria de gostar do outro ou começaria a “ameaçá-lo” com insultos por causa de algum possível endosso politico a A, B ou C.

Penso que, de fato, o Brasil ainda não se recuperou MESMO dos anos “dungeon” da repressão militar. Perfeitamente compreensível.

Eu sei bem como foi. Eu trabalhava, como voluntário, na Amnesty International em Londres (Secretariado Internacional (ou seja, a sede) e defendia os presos políticos, asilados, refugiados, desterrados, torturados, desaparecidos, etc, BRASILEIROS. OK.

TENDO dito isso, nao entendo o VENENO que despejam contra mim quando resolvo publicar uma coluna de Helio Schwartzman (da Folha) sobre o que ELE acha do Brasil atual. Nossa! É   morte. É a verdadeira calamidade de palavrões e dos donos da verdade, etc.

Já aqui, convido gente pra jantar (as vezes) e são pessoas de todas as espécies. Algumas são, obviamente “ardentemente” PRO-Obama, outras torcem pra Bernie Sanders (nessa próxima eleição). Outros são pela Hilary mas, como não podia deixar de ser, tem de tudo. Tem até gente que gosta do Trump ou do Rand Paul ou até do “hiper perigoso” Marco Rubio e por ai vai.

Mas nunca, NUNCA, a conversa atinge tons agressivos ou insultosos. Por que? Porque sabemos que quem acredita em políticos (seja qual for o político, seja qual for o partido) é um OTÁRIO – Baba OVO, que idolatra carneiro de ouro e por ai vai.

Fico besta e fico pasmo em perder amigos no Brasil por causa de uma porra de uma Dilma, duas Dilmas ou três Dilmas. Nao dou um tostão furado por político de carreira ou pelas carreiras que eles cheiram pra chegarem lá. Não sou obrigado a ler tanta asneira. Minha família foi TORRADA em campos de concentração ! E o que o “povo” fazia? Berravam “HEIL” !!!E os “intelectuais” BERRAVAM “HEIL”? A mesma coisa que agora: “euforizavam essa asneira movida a EGO, PODER e MENTIRA!

Idolatria é pra OTÁRIO !!! É só olhar pra essa TRAGÉ DIA ACONTECENDO NO ORIENTE MÉDIO, os 4 milhões de refugiados, etc.

(ah, é claro….é culpa dos Americanos…eu ja estava quase me esquecendo!)

Gerald Thomas (num dia de inigualável humor).

Gerald Thomas, diretor e autor teatral, escritor, encenador polêmico, criador de uma estética elaborada a partir do uso diferenciado de cada um dos recursos teatrais e orientada pelo conceito de “ópera seca”. Renovou a cena brasileira nas décadas de 1980 e 1990. Dirigiu no ano passado, a peça musical Entredentes com o cantor e ator  Ney Latorraca, nos teatros do Sesc de São Paulo e Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins

EM MEMÓRIA DE BETTY LAGO

September 13, 2015 · 4:56 pm
BETTY LAGO – glorious, dead at 60 and the amazing support on Facebook

Sobre Betty Lago-

Nos conhecemos aqui em NY quando ela era modelo pro Calvin Klein. Nos víamos e morríamos de rir de tudo, dessa farsa toda, dessa palhaçada toda: já deixei coisa escrita aqui, ja chorei, ja lembrei das nossas viagens aos Castelos de Caras na França e aqui em Tarrytown, NY, das nossas noitadas, nossas gargalhadas com o Sig, Nelsinho, Zalis, Bruxinha, Gilda, Constacia…Danio Braga…que MERDA!!!!!! QUE MERDA. E quando a gente ficava atirando espigas de milho na piscina aqui em Tarrytown em 2008, com a Rosinha Maria Murtinho e Suzanna Vieira horrorizadas (até que recebi a noticia da morte do meu ex-sogro, Fernando Torres…e… tudo acabou) QUE MERDA TUD ISSO!
Eu queria poder escrever um daqueles mega textos lindos que você merece porque você é uma pessoa linda. Desde que soube da doença NUNCA deu o braço a torcer. Pelo menos pra mim, sempre se mostrou maior que a vida, zombando dela, como fazíamos nas décadas passadas. Mas a tua morte ME DERRUBOU, Betty. Me derrubou! Não estou conseguindo escrever porra nenhuma que preste. Mil perdões, Você sabe que eu te amo e…..me espere ai: logo logo a gente apronta ai onde você está e bota pra quebrar!
R.I.P Betty . Vá em paz meu amor. Lagrimas nos olhos. Nó na garganta!
Gerald

 

 

http://correiodobrasil.com.br/recado-aos-otarios-e-fascistas/

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BETTY LAGO – glorious, dead at 60 and the amazing support on Facebook

Sobre Betty Lago- Nos conhecemos aqui em NY quando ela era modelo pro Calvin Klein. Nos viamos e morriamos de rir de tudo, dessa farsa toda, dessa palhaçada toda: Ja deixei coisa escrita aqui, ja chorei, ja lembrei das nossas viagens aos Castelos de Caras na França e aqui em Tarrytown, NY, das nossas noitadas, nossas gargalhadas com o Sig, Nelsinho, Zalis, Bruxinha, Gilda, Constacia…Danio Braga…que MERDA!!!!!! QUE MERDA. E quando a gente ficava atirando espigas de milho na piscina aqui em Tarrytown em 2008, com a Rosinha Maria Murtinho e Suzanna Vieira horrorizadas (até que recebi a noticia da morte do meu ex-sogro, Fernando Torres..e… tudo acabou) QUE MERDA TUD ISSO!
Eu queria poder escrever um daqueles mega textos lindos que vice merece porque vc é uma pessoa linda. Desde que soube da doença NUNCA deu o braço a torce. Pelo menos pra mim, sempre se mostrou maior que a vida, zombando dela, como faziamos nas decadas passadas. Mas a tua morte ME DERRUBOU, Betty. Me derrubou! Não estou conseguindo escrever porra nenhuma que preste. Mil perdões, Vc sabe que eu te amo e…..me espere ai: logo logo a gente apronta ai onde vc estea e bota pra quebrar!
R.I.P Betty . Va em paz meu amor. Lagrimas nos olhos. Nó na garganta!
Gerald

 

 

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Ótimo texto de Guilherme Zelig.

Talvez, entre todos os defeitos dos brasileiros – que são muitos, o pior seja a hipocrisia. Esta, a nós, cidadãos desta nação que geograficamente ostenta uma grandeza continental, somos todos hipócritas.

Hipócritas ao dizer que no Brasil não há preconceito religioso (onde todas se respeitam, exceto as não cristãs); ao dizer que não há racismo (como os muitos e repetitivos casos dos últimos anos e meses que tiveram destaque na mídia – fora os que são de desconhecimento público); ao dizer que mulher tem voz e respeitar deputados (homens e fanáticos religiosos) que diminuem a figura feminina.

Triste é que o povo do país do futuro, termo cunhado por Zweig, não pensa no amanhã. Ainda sobrevive ao âmago do obsoleto, da vileza, do preconceito.

Em questões cognitivas, o Brasil de Cabral pouco evoluiu e está tendendo a regredir mais do que avançou.

Guilherme Zelig

São Paulo, 11 de setembro de 2015

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Another 9/11 – let’s see if we can go through it without panicking !

What a TERRIBLE date !

Today, 14 years ago exactly !!!!!

Hoje, ha 14 anos, pra Folha daqui de NY (uma de sete colunas, publicadas no caderno GUERRA – Folha)

11/09/2001 – 12h39

11 de Setembro, 2001 – New York City

Estou vendo da minha janela (meu apartamento é localizado diretamente no East River, em frente as torres gêmeas chamadas de World Trade Center) uma tragédia proporcional a uma guerra mundial. Os fatos até agora (são 9h30 da manha) dois aviões ‘propositadamente’ se lançaram contra cada uma das duas torres. Sabe-se que um é da American Airlines, um Boeing 767 vindo de Boston. O presidente Bush acaba de falar a nação. Expressão vazia, como se fosse uma marionete pega de surpresa, falou o óbvio, mas deixou claro que se trata de terrorismo.

O Pentágono, em Washington, também esta pegando fogo. Parece que foi um avião também que deliberadamente se lançou sobre o centro da inteligência da Segurança Nacional Norte Americana. Essas palavras todas podem tomar qualquer tipo de conotação e forma, mas a tragédia que vejo da janela e o medo que estou sentindo rompem uma longa e orgulhosa tradição que mantinha os Estados Unidos invictos de ter uma ‘Guerra em Casa’.

O ataque solitário sobre o mesmo World Trade Center em 92 ou 93, quando uma van na garagem do prédio explodiu (fundamentalistas islâmicos) gerou imagens apavorantes, mas não arranhou a superfície do orgulho americano. Hoje, com a direita no poder, isso poderá ter mudado para sempre.

Não sei se estou enlouquecendo, mas (ouvindo o que dizem os experts na televisão) as imagens que vejo e o que pressinto é que esse é o possível ataque massivo aos Estados Unidos e pode, muito bem representar uma próxima grande guerra.

É claro que ainda é cedo para se especular sobre o que está acontecendo. Nesse exato momento, ouço algum repórter dizendo que um shopping center em Washington também foi atacado. Todos os aeroportos americanos estão fechados. Todos os metros e pontes que levam a Manhattan estão paralisados. A catástrofe é monumental. Nunca se viu essas imagens em casa.

A essas alturas (agora são 9h43) o fogo e a fumaça já estão consumindo a maior parte das torres gêmeas. Aqui da mesa do computador olho temerosamente para o Empire State Building (literalmente na frente da minha janela direita) imaginando.

Meu Deus do céu! Uma das duas torres acaba de cair. Colapsou. Não sei se conseguirei escrever esse artigo ate o fim, pois nunca estive numa situação igual a essa. Uma das torres simplesmente caiu. Não ha maneira de calcular o numero de mortos. Mais de 150 mil pessoas trabalham nas duas torres. Uma estação de trem subterrânea e 13 linhas de metrô se encontram no subsolo do prédio, que também é a sede nova-iorquina da CIA e da FBI.

Os Estados Unidos estão sendo atacados. É Pearl Harbor em sua versão 2001 apocalíptica. É inacreditável o que estou vendo. Da minha janela só vejo uma torre do World Trade Center. A outra está no chão. É evidente que o número de mortos supera qualquer estatística ou ataque parecido ocorrido em um só dia em qualquer guerra de porte internacional.

Vou encerrar esse artigo com um medo que nunca tive. Cidadão americano orgulhoso, sempre acreditei ser esse o paraíso seguro onde essas coisas seriam impossíveis. A nossa história mudou para sempre. Não sei mais o que escrever. Estou em prantos e God Bless América.

Volto a escrever agora. A segunda torre do World Trade Center caiu. A estimativa é de 20 mil mortos. O Pentágono e o Capitol Building em Washington foram atacados. Um avião circula em cima da Casa Branca. Shoppings centers pelos Estados Unidos inteiro estão em chamas. Da minha janela, simplesmente desapareceram os dois monumentos mais imponentes do skyline mundial. O World Trade Center acabou.

É como se a Torre Eifel ou o Big Ben caíssem. Não há dúvidas de que hoje começa uma guerra mundial. Bush certamente mandará mísseis para alvos no Oriente Médio. E outros mísseis voarão na nossa direção, aqui em Nova York e nas principais cidades americanas.

Pode ser o fim.

 

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Monólogo final de Marco Nanini em Circo de Rins E Fígados (minha autoria – 2005), tão propicio pros tempos de hoje:

Monólogo final de “Um Circo de Rins e Fígados” que escrevi (e dirigi) pra Marco Nanini em 2005.

NANINI
Olha, gente….

eu…moro no Brasil.

Vivo e trabalho no Brasil

com muito orgulho.

É irônico porque,

apesar de querermos brincar, trabalhar,

sempre parecem querer…

querer colocar algum obstáculo,

alguma pedra no nosso caminho.

Desde Sófocles, por exemplo,

sobrevivi a tantos tribunais,

a tantas Inquisições,

tantas Guerras Mundiais,

conflitos locais,

emboscadas culturais,

ditaduras,

proibições de todos os tipos

e, no entanto…

continuo de pé,

e tudo aqui nesse pais maravilhoso das chacinas e do racismo não assumido.

E de tantas outras atrocidades e injustiças.

Sou como o Brasil:

não tenho solução.

Sou um problema.

Mas sou um problema sensacional.

Assim como um belo gol,

a mais bela literatura dramática do mundo,

a literatura de Nelson Rodrigues.

Não há ninguém melhor no mundo.

E mesmo ele, levou ovo e tomate na cara quando….ah…

Deixa pra lá.

Causo muita dor.

O Teatro causa muita dor.

Mas somos como a própria natureza:

belos como o nascer e o por do sol,

e devastadores como um Tsunami,

um terremoto,

um furacão.

Destruímos,

desconstruímos,

brincamos de estilhaçar tudo.

Mas essa lucidez toda vale a pena:

afinal, é ela que sobrevive através de todos esses séculos, mesmo com essa tecnologia toda agora

entrando como se fosse um pontapé no nosso estômago.
Eu fico assim,

como o berro silencioso de Munch,

ou um Álbum de Família

e quando dizem que ator não se emociona, estão errados.

A gente se emociona sim.

(Nanini é envolto na bandeira brasileira)

 Arranjo do Hino em samba de Ivo Meirelles. Fabiana Gugli Abraça Marco Nanini envoltos na Bandeira do Brasil e a luz cai em 30 segundos Pano fecha,

Gerald Thomas

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