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Nas Entrelinhas do Terrorismo

New York– Não me sentindo muito bem, me ponho a escrever como se fosse uma disciplina. Ainda saudoso, triste e inconformado pela morte do amigo e maestro Silvio Barbato no vôo da Air France (hoje, domingo, a CNN informa que recuperararm 17 corpos), me pego vendo a Fórmula 1, em Istambul. Nossa! Desde que Ayrton Senna morreu, nunca mais vi uma Fórmula 1. Fora o Barrichello (que parece uma eterna luta pra ser um Barrichello, mas fazer o quê? Ele não é um Barrichello!), o resto é um bando de nomes que não reconheço.

Mas durante essa semana aconteceu o imprevisível, o impalpável, o mais chocante: enquanto o Presidente Obama já estava em Buchenwald (campo de concentração perto de Weimar), o ex-vice Dick Cheney finalmente confessou que não tínhamos que invadir o Iraque mesmo e que não havia nenhuma ligação entre Saddam Hussein e Osama Bin Laden.

Nossa! Barichello deu uma escorregada na pista, virou 360 graus e retomou a corrida. Parece estar um enorme calor na Turquia.

Querem saber de uma coisa? Eu estou completamente de saco cheio de jornalistas ou blogueiros que se metem a comentar discursos do Obama ou sua política externa sem JAMAIS terem colocado um pé aqui. Sem JAMAIS terem trocado uma, duas ou três palavras com os paquistaneses, indianos, sírios ou alguém REAL e de alguma dessas tribos (sunitas, xiitas, etc.). Todo motorista de táxi aqui é de uma dessas tribos, o que torna a viagem, no mínimo, interessante! Ou duas em cada dez pessoas em NY são do Oriente Médio. Escrevem através de teorias ou (sei lá!) ideologias! Isso é jornalismo? Ou partidarismo? Partidarismo, óbvio! Não sabem fritar um único ovo, mas sabem TUDO sobre culinária! Não me aborreçam!

Não acredito em nenhum deles. Apesar de eu ser membro aqui do Partido Democrata Americano, mantenho a cabeça cool. E sei que a visita de Obama ao Cairo, por exemplo, foi uma “mão estendida”, sim. Falou  “presidenciavelmente”, falou numa nova linguagem. Uma linguagem que os islâmicos pudessem entender. E, ao mesmo tempo, dias antes, Benjamin Nataniahu esteve aqui, e sua determinação por Israel é firme: basta ver seu time: Rahm Emmanuel chegou a ser do Exército Israelense em sua juventude. Hoje o Líbano tem suas eleições, vamos ver: talvez o senso comum faça com que o Hesbolah saia de cena. Quem dera!

Talvez os velhos rancorosos não gostem da estratégia de Obama. É por isso que gente como o Rush Limbaugh (um porco!) e gente da liga dele estão chafurdando na lama da mentira de guerras inventadas que nada consertaram e só pioraram a imagem dos USA e matam MILHARES de pessoas.

E agora?

E agora, quem teve o prazer de ver a série de Brian Williams (NBC) sobre a intimidade dentro da Casa Branca, viu também a disciplina, a tensão, a ENORMIDADE de trabalho que é lá dentro. Não sei como o homem (Obama) agüenta.

No que diz respeito a uma aproximação PACÍFICA com o Islã, a coisa é clara: enquanto George W. Bush não sabia onde era a POLÔNIA em seu segundo dia de governo (e isso é sério, não sabia mesmo!), Obama é mestre em História. E foi uma aula de história que ele deu no Cairo.

Não somente por que, quando criança, morou na Indonésia e conhece a religião de perto e entende as diferenças entre um bando de terroristas e uma enorme população pacífica, mas porque está traçando uma estratégia de paz que faz a Ângela Merkel (Alemanha) não conter as lágrimas.

Chega de Fórmula 1. Está me dando enjôo! Tá vendo? Eu pessoalmente não agüento, mas não critico quem agüenta: torço pelo Barrichello, óbvio!

É um absurdo escrever através de teorias, de longe, via agência de notícias ou  ideologias. Jornalismo deveria ser algo “experimentado”. Deveria se colocar os pés aqui ou em países árabes. Os jornalistas mais “da antiga” faziam isso.

Os que vivem atrás de um microfone se entupindo de Oxy-Contin ou atrás de um computador expelindo seu veneno, nada fazem além de conseguir uma pequena legião de… De que mesmo? Pensem bem, de que mesmo?

O Presidente eleito chama-se Barack Hussein Obama. Prestem atenção no que ele diz  e como ele diz o que diz. E prestem atenção no que disse na Normândia, por exemplo! E pensem também no que confessou Dick Cheney: que nada tínhamos que invadir o Iraque.

“E que com o Iraque, perdemos muita força no Afeganistão”. Enfim, esse é somente um dos desastres que Obama agora herdou.

Nossa! Voltei à Fórmula 1. Muitas derrapagens! Muita troca de pneus. Odeio as câmeras que ficam dentro dos carros: deixam-me tonto, treme tudo.

Falam num tal de Button. Nunca ouvi falar.

Existem muitos mundos nesse mundo.

Mas os islâmicos estão aí. Essa “arabada”, como se costuma falar, está aí. Aliená-los não é, de forma alguma, uma boa! Integrá-los é a ÚNICA maneira! ÓBVIO! Assim, se afastam os Al Qaedas da vida! É como na década de 50, quando os porto-riquenhos invadiram Nova York. Hoje são parte integral da cidade. Os separatistas da época ficaram sem voz. Sem ar.

Isso me levaria, naturalmente, a falar sobre Sonia Sottomayor, a Juíza latina (mulher brilhante), nomeada pelo presidente para Suprema Corte, filha de porto-riquenhos. Mas isso é para um outro post!

Mas os carros estão derrapando, o Dick Cheney me fez vomitar, já não me sinto muito bem, pois hoje completaremos uma semana do desastre da Air France e nada. O mundo gira. A pomba gira.

A Lusitana nada. A Lusitana já parou de rodar faz tempo!

Nada como uma corrida dessas numa cidade linda como Istambul pra… Mas quantos de vocês sabem algo sobre Istambul? Quantos sabem sobre as fronteiras mais perigosas do mundo, onde o Al Corão pode ser interpretado de uma forma tão deformada que a paz pode significar a paz depois da morte de um desses loucos homens-bombas e, portanto, as entrelinhas do terrorismo são tênues. São frágeis como uma obra dramática de Tchecov, como “Tio Vanya” onde um mundo invade o outro. E baseado nessa fragilidade, um tempo entrando no outro, nessa entropia, Obama faz seus planos de CHANGE.

Não estamos nem na terceira cena do primeiro ato ainda: calma! Muita calma com as críticas. A Fórmula 1? Essa tem a largada e a faixa da chegada. Muita luta, muita gasolina, mas é simples, não? Merda: esse Button venceu. Eu torcia pelo Barrichello.

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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Bastardos: O Brasil Virou o Paraíso da Bandidagem Judicial

O triste caso dos BASTARDOS

(Continuação do texto de ontem sobre a pena de morte – que por sua vez era a continuação do texto sobre o casamento de Gisele Bündchen: vejam a que ponto nós chegamos!!!)

Ou: “O guia de Deus ou do Diabo?” (Não, esse é o título do livro de Walter Greulach, um genial escritor Argentino (seguindo a tradição de geniais escritores argentinos).

New York– Mas, sim. Quem nos guia? Deus ou o diabo? Ou passou mesmo a onda e o maniqueísmo morreu com a dialética. Nada! Queremos ver UMA COISA somente! Não agüentamos a dúvida. Não agüentamos as meias verdades, apesar de vivermos nelas e criarmos um mar de mentiras ao nosso redor.

E  se perseguimos a “versão única”, por que ouvimos os dois, três, quatro lados da mesma estória? É um desespero. É por isso que nos desesperamos e é por isso que brigamos. Por que será que nada pode ser contado assim como é?

Mas como é?

Porque Pirandello não deixa ser. Porque… Kafka não quis que fosse. Porque Bob Fosse. Ah, o Bob Fosse! Porque Orwell instalou um olho (não da “Historia do Olho” de ontem, mas esse que, quem assiste ao Big Brother e pronuncia esse nome nem sabe quem foi George Orwell: bastardos!

Sento aqui e vejo os barcos passarem no East River e penso no que vi ontem no “Larry King Live”, assim como vejo há 25 anos no “Larry King Live”. Só que ontem, algo inusitado:

O triste caso de David Goldman e Bruna Bianchi (ele americano, ela brasileira).

Eu estava fazendo hora para mudar de canal (pra NBC, para ver um novo episódio de “Law & Order”) pois já não agüentava mais ouvir falar nesse idiota do Rush Limbaugh (mais sobre ele abaixo), quando o Larry apresentou um caso tristíssimo envolvendo a (in)justiça brasileira: uma criança ‘raptada’ pela mãe (agora estranhamente morta durante o segundo parto no Rio).

Ihhh, é complicado!

Começa assim: David e Bruna eram casados aqui e moravam aqui em New Jersey, pelo que me parece, com o filho de 4 anos. Um belo dia, como é normal, os pais dela vieram visitar. Ela resolve passar férias no Brasil. Ele, o David, iria buscá-la e o filho, no final das férias, e voltariam para cá.

Mas a vida não é assim. Deus ou o diabo ou os grandes autores não querem que seja!  David recebe um telefonema. Ela diz que quer se separar. Ela já tem outro cara. Outro cara aí no Brasil. Um advogado (ihhhh!). O cara aqui fica bastante desesperado por causa do filho, óbvio.

Tenta contato. Cada vez mais o contato fica restrito.  Até que vem a BOMBA: Ela já está grávida do outro.

Ela vai parir. Ela MORRE durante o segundo parto, no Rio. E o filho do David? Bem, depois de oito viagens e tentativas, nada. Oito tentativas: como num conto de Kafka, ” O Processo” ou “Castelo”, cara na porta ou QUILOS de documentos e carimbos e selos e 350 mil dólares gastos em NADA! Sorrisos e tapinhas nas costas e mais nada. Conheço bem. Sei como é isso.

MESMO ele sendo o pai BIOLÓGICO, a (in)justiça brasileira deu custódia ao OUTRO. Digo, ao padrasto que, agora nada tem a ver com o filho do David, uma vez que a mãe biológica está morta. Bem, aí, numa certa altura do programa, aparece um brasileiro sinistro falando de Seattle. Sim, é o irmão do OUTRO!  Difama o David. Tentativa de difamação de caráter dizendo que ele não pagava pensão alimentar: ÓBVIO que NÃO: pagar pros SEQÜESTRADORES DO SEU PRÓPRIO FILHO SERIA JUNTAR KAFKA A ORWELL e ainda colocar uma pitada de Pirandello no meio!

Juro que é triste ver o Brasil sempre envolvido em confusões assim, em misérias ou porcarias ilegais desse jeito. Acabamos de ver a tal Paula na Suíça e a não extradição do italiano mafioso… e agora esse caso (que já se arrasta há anos) e… se fôssemos investigar a fundo o sistema jurídico brasileiro, teríamos que chamar o TOM WOLFE para acender a “Fogueira das Vaidades”.

O Brasil virou o paraíso fiscal da Bandidagem Judicial?

Ainda bem que vocês não têm aí uma figura NOJENTA chamada Rush Limbaugh: um porco humano, que se comporta e respira como um suíno (ex-viciado em Oxy-Contin) que o David Letterman chamou de mafioso russo, pois de tão inchado e grosso, suas gravatas pretas lhe soltam do corpo, o suor pula da testa. Mas quem é? Nada mais que um IRADO  radio talk show host tão, tão, tão, tão à direita da direita dos republicanos que ele chegava a ser contra o John McCain!!!! Agora diz que quer que o Obama FALHE! Essa frase poderia ser enquadrada como ato de traição, se não levássemos essa caricatura de imbecil na brincadeira. O redneck (de tão obeso, não dá nem pra ver se tem nuca ou não)… é o suíno que fala. Mas por que mencionei Rush Limbaugh? Ah, porque estava entalado na minha garganta e pronto! Certos assuntos têm que ser vomitados senão viram câncer. Limbaugh é um deles.

 

“New York – New York”, um belo livro por Denny Yang: 

Quando criança, eu havia visto, ou lido, alguma coisa sobre a guerra. Eu achava que nunca viveria o bastante, ou que ninguém mais iria presenciar um momento de guerra...” (…) “Talvez fosse assim que ela me visse, como um mero amigo, que saiamos juntos para nos divertir como fazíamos no passado.

Denny Yang é um brasileiro que mora em Taiwan. Seu livro maravilhoso (que estou há tempos para resenhar) se chama “New York, New York”. Não fica claro se o autor já esteve aqui em NY, ou não. Mas isso não importa. O que importa é uma imagem utópica dessa cidade. Tão utópica quanto esse OVNI que vocês vêem no topo da página que vem a ser um detalhe art deco (telhado do hotel Delano em Miami). No livro NY é um lugar onde “férias prolongadas” se iguala com o paraíso perdido ou com um lugar montanhoso. “Que raios de liberdade seria esse que eu não pudesse, se eu quisesse viver nas minhas montanhas?” O livro desinibe o inibido autor e passa a ser um berro de guerra contra o mundo, uma prisão. O livro é ficção. Mas toda ficção está nas entranhas do seu autor. 

Não muito distante da realidade da vida de David Goldman, Denny vive um exílio auto-imposto na ilhota chinesa.

Continua Yang: Não sei. O cara vinha aqui sempre, ficava aqui no bar, sentado sem beber nada… só olhando quieto”. 

Em sua dedicatória para mim ele escreve: Para GT, um americano-brasileiro, que deve compreender este livro de um escritor brasileiro-taiwanês. Um abraçoDYang

Sim, entendi e amei. O blog dele está linkado  a esse.  Mas amar um livro deve querer dizer entendê-lo ou ter algum nível de compreensão do que está se passando com o autor ou personagem (assim como numa sinfonia de Beethoven ou numa peça de Cage ou num quadro de Jackson Pollock, o estado emocional é o termômetro e basta).

Arte não se entende, mas se percebe e se intui. Às vezes caímos na burrice de construir castelos teóricos sobre essa intuição como Clement Greenberg o fez na década de 50. Mas, graças a deus, logo chegou um Warhol e fez piada de tudo isso, assim como o Duchamp havia feito piada de tudo décadas antes! 

Estou num estado de raiva e de “justiçamento” que não tem explicação. Deve ser a idade. Ou a menopausa. Sim, devo estar passando pela menopausa. Nem mais um minuto a perder. Viro-me, me mexo, pulo para várias áreas de Manhattan (várias fechando por causa da recessão), mas tenho me concentrado em reconhecer talentos. Os verdadeiros talentos: os escritos que me caem aqui nessa enorme mesa de metal.

Danny Yang, Walter Greulach, Judith Malina sobre Erwin Piscator, uma pilha de novos scripts e Hard Shoulder prosseguindo com o cenário sendo feito na Polônia.

Estranho?

Por que seria?

 

Justiça Brasileira: RETORNEM o FILHO de David GOLDMAN para ele JÁ! Ou o Tribunal de Haia (tratado que vocês assinaram em 2003) passará a ver o Brasil como infrator! Mais uma vez. O Brasil como país de gangsters: Sinatra com um ticket na mão “hey babe… let’s flee and fly to Rio”.

Brasil: um paraíso Limbaugh da Bandidagem Judicial. Ronald Biggs deu um belo exemplo, não?

 

Gerald Thomas, 05/Março/2009 

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(Vamp na edição)

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Nascemos para divergir: estou indo votar. E tremer. E sei lá o quê!

UPDATE as 8: 45 hora Eastern TIME US

—————————-23:45 BR

“Polls Begin Closing in Final Hours of Epic Campaign”

 

VITORIA PRATICAMENTE CERTA PRA OBAMA

muitos estados ja fecharam suas contagens

102- Obama

34- McCain

Ainda eh cedo mas esta se dizendo essa derrota eh “devastating” pra McCain.

—————————————-

Nervoso demais, prefiro publicar essa coluna aqui:

PS: UPDATE: Mais de meio dia aqui (mais de 3 da tarde no BR)

PS UPDATE as 5:20 Eastern US (20;20 BR): filas enormes em varios estados e counties em todas as partes dos EUA. Muitas urnas nao funcionam. Muita gente que estava na fila nao conseguiu entrar: foi prometida “votacao estendida” (garantida pra todos). HISTORICA em 100 anos, nunca teve tanta gente nas urnas.

PS 3- muitos nomes nao constavam nas listas (centenas). Muitos livros foram mandados pros distritos errados e tiveram que ser imprimidos (improvisadamente) na hora.

California fecha suas contas as 9 da noite da hora deles (3 antes de NY, 6 antes do BR e Hawaii 9 antes de NY) Unhas das maos e pes roidos!!!!

GT

Da Folha de S Paulo

Bifurcação

NÃO SERIA exagero dizer que os americanos estão com os nervos à flor da pele. Esta temporada eleitoral interminável cobrou seu preço de amizades, casamentos e relações com colegas de trabalho. Nossos nervos estão no limite.
Está. Quase. No. Fim. Um novo presidente será eleito, finalmente, e … bom, e aí?
Por mais que nós, americanos, gostemos de reclamar da política, também gostamos das discussões, das brigas internas, dos bate-bocas com os adversários externos, do debate belo e hediondo sobre o papel que o governo deve exercer em nossas vidas.
É tudo uma grande confusão, mas é nossa confusão. Mesmo assim, esta era particular na história americana testou para valer nosso bom humor habitual. Desde o 11 de Setembro nosso país vive em estados alternados de choque, negação, histeria e mal-estar.
A Guerra do Iraque nos dividiu, colocando vizinho contra vizinho. A crise econômica levou os americanos de classe média a voltar-se contra aqueles cuja cobiça nos levou à beira do colapso.
Raiva e ansiedade são as emoções que nos dominam. Como todo o mundo já observou, ou vamos eleger o primeiro presidente afro-descendente, ou a primeira vice-presidente mulher. Bravo.
Mas os desafios que este presidente vai enfrentar acabarão logo com nossos aplausos autocongratulatórios. A Guerra no Iraque pode mudar de rumo, dependendo de quem vencer a eleição. A ameaça do terrorismo persiste. A maioria dos americanos compreende, em algum nível, que em algum momento nos próximos anos seremos obrigados a defender nosso país.
O fato de estarmos aguardando a próxima catástrofe -uma bomba escondida numa mala ou uma explosão no sistema de transporte de massas- faz a Guerra Fria parecer algo de um passado até pitoresco. Naquela época, pelo menos, sabíamos quem era o inimigo; sabíamos que ele era suficientemente lúcido para não querer morrer conosco.
Nosso novo inimigo não se importa com isso.
Esta eleição também tem o potencial de assinalar uma mudança de gerações. A chapa McCain-Palin representa não apenas o velho, mas o tradicional. Personifica a memória institucional da América.
Obama representa o novo, o progressista, o que ainda não foi testado. Mas ele ingressa na luta com uma legião de jovens cheios de esperança e sedentos por mudanças. Os jovens sempre são assim.
Finalmente, esta eleição opôs o chamado “americano comum” (Joe, o encanador, ou Joe Six-Pack, aquele que compra um engradado de seis cervejas) às elites, vistas como tal. McCain e Palin alimentaram esse fogo com ferocidade indecorosa, cavando fissuras profundas num momento em que não podemos nos dar ao luxo de ter nenhuma.
Assim, o desafio maior do próximo presidente será lançar uma ponte sobre o abismo que nos separa e tentar alisar o gramado do campo comum onde jogamos. Nada fácil.
Se Obama perder a eleição, os afro-descendentes provavelmente sentirão que ficaram de escanteio. De novo. McCain terá dificuldade em convencê-los de que não é o caso, graças à eficácia de Palin em levantar suspeitas de que Obama não é exatamente um de nós. Talvez o discurso de “eles e nós” não tivesse a intenção de alimentar o mal-estar racial, mas foi apreendido assim. Se McCain vencer, os efeitos sobre a harmonia racial serão sentidos por muito, muito tempo.
O que virá a seguir, então?
Esperança e mudança, a julgar pelas pesquisas.
A esperança pode ser uma curva que não permite divisar o que vem a seguir, e a mudança pode não passar de uma promessa vazia, na qual só os inexperientes acreditam, mas elas não podem nos prejudicar, neste momento em que os americanos tentam lembrar quem são. Para melhor ou para pior, estamos nisto juntos. E as coisas vão se agravar.
Precisamos de uma mão calma e firme no leme. 

 

KATHLEEN PARKER é colunista do “Washington Post” e comentarista da NBC; ela escreveu esta coluna para a Folha

PS do Gerald: ESTOU NERVOSO demais para escrever algo agora. Além do mais, vou ficar na fila um tempão.
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PS 2: Fui la cedo: nao demorou tanto tempo. Eh muita coisa pra preencher. Mas foi um alivio e muita EMOCAO. Temos que tomar cuidado, afinal, eleicao nao eh esporte e nao eh campeonato: sao as pesssoas APONTADAS POR NOS, ELEITAS POR NOS. SAO NOSSOS REPRESENTANTES,

CLARO QUE SOMOS LEVADOS PELAS EMOCOES E, JUSTAMENTE POR CAUSA DISSO, IMPLORO QUE OS LEITORES NOVOS LEIAM O TRANSCRIPT DO ENDOSSO DE COLIN POWELL A BARACK OBAMA NO MEET THE PRESS HA UMAS SEMANAS ATRAS

EH UM DOS MOMENTOS MAIS LUCIDOS DE DEMOCRACIA, DE LUCIDEZ, DE….

LEIAM. SE NAO SABEM INGLES, POR FAVOR, ALGUEM TRADUZ PRA VCS

 

LOVE

GERALD


 

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