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Um Ano de Blog no IG

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 .          (Antes do Blog, em Paris)                                      (Depois do Blog)

 

New York – Miami: Cinco anos e meio de Blog corrente, de conta corrente que não se esgota, graças a vocês! Hoje, exatamente hoje, esse Blog comemora um ano aqui no IG.

E, no entanto, os espelhos!  Estejam lá onde estiverem (os espelhos), são somente humanos. Retratam nossa dor. Retratam nosso humor. Retratam nossa estima. Meu medo? Quem estaria ou estará atrás desses espelhos! Quem nos vê da maneira que ninguém mais nos vê. Ou seja: Quem enxerga MESMO, de verdade, nossa alma?

Alma, aquilo que poucos conseguiram até hoje retratar.

Esse ano passou como uma flecha! Foi um ano devotado, praticamente todo ele, á eleição de Barack Obama. Foi, de minha parte, uma tensão doida!

Tem um corpo morto no chão, aqui do meu lado, enquanto escrevo. Sou eu mesmo. Não me reconheço mais. Parte de mim se foi. E não estou tentando brincar com palavras, não estou tentando fazer joguinho com as parolas. Sim, morri de várias formas. Fui traído por vários amigos. Ainda não sei muito bem por quê. Talvez um dia saiba.

Blog traz dessas coisas: em teatro temos um mundo muito EXPLOSIVO. Ele se mostra na hora. O aplauso ou a vaia são ali mesmo, no final, quando cai o pano! Sabemos dos cochichos, sabemos do veneno, mas “sabemos”. Nossos inimigos, por assim dizer, se tornam nossos maiores amigos assim, da noite pro dia, como se nada jamais tivesse acontecido. E aceitamos isso.

A Decadência dos tempos de hoje, com tanto artista legal fazendo tanta bobagem, me choca! Deixa-me triste! Meu corpo morto aqui do lado ainda não foi achado pelo time de “Law & Order Special Victims Unit”. No momento em que encontrarem esse meu corpo em decomposição, constatarão que ele foi molestado, espancado, torturado por tanta, mas tanta burrice, tanta besteira e tanta pobreza cultural que ele leu nesse último ano. E o médico legista não terá um diagnóstico! Aliás, não há!

É de se questionar tudo mesmo: em que ponto de nossa cultura estamos? Como nos vemos? Quem nos vê? Como somos enxergados? Se Richard Wagner nos visse hoje (seu aniversário, by the way), como ele nos veria?

Obama tenta imprimir nessa linda terra nossa uma proposta de um NOVO SISTEMA LEGAL em que terroristas  poderiam ser presos ou detidos por um tempo prolongado DENTRO dos USA (sem julgamento em vista). Qual a diferença entre isso e Guantánamo? É que aqui dentro eles teriam acesso ao sistema judicial. “Ou se prova que são culpados, ou deixa-os andar”.

A Arábia Saudita está conduzindo um programa de reabilitação de ex-membros do Al Qaeda. Entre erros e acertos, a margem é de 80 por cento.

Meu corpo morto aqui do lado, infestado de Kafkas, de Becketts, de Orwells, de uma literatura praticamente obsoleta quando olho essas estantes (retornei pra casa ontem e ainda olho tudo numa ressaca terrível), vejo esses volumes de Joyce, de Gertrude Stein, de sei lá quem. Não nasci com um nome bom. Quem dera. Deram-me um nome vulgar.

Sim, agradeço muitíssimo aos meus mestres! E como! Eles têm nomes sonoros. Mas na autópsia desse corpo não sairão sons. Nunca sai som, a não ser o som do vento armazenado nas entranhas, nos intestinos, o som dos gases, o som gutural do tempo perdido de Proust, o som de certa amargura por não ter sido entendido por A, B ou C.

Escreve o leitor “José Augusto Barnabé”: 

“O Gerald, chegou a hora definitiva de a arte e a criação representar pelos seus meios, o futuro.Acho que Da Vinci foi o último, nos seus escritos e desenhos, que geram até hoje controvérsias e discussões.Não há mais espaço para Inquisições, que se mostrou uma fraude política.O Artista tem que achar forças para se desvincular do Sistema, ser um pouco Iluminatti, escancarando até essas próprias sociedades secretas, também fraudulentas, e criar.Na imaginação está o nosso gene, e o artista que tem o dom da sensibilidade, a aplica melhor.O Planeta está mudando rapidamente, e não é coisa para 500 anos como na época do Da Vinci. É coisa para já.Se os artistas não perceberem, vão deixar de existir e continuar sendo os BOBOS DA CÔRTE.Ficção? não sei. E o Sistema não o é?Você não tem nada para comentar, porém tem muita coisa a fazer, se não desocupa a moita, meu caro”.

Difícil, muitíssimo difícil responder qualquer coisa que coloque Leonardo Da Vinci no meio. Até Shakespeare, em sua última peça, “A Tempestade” (praticamente autobiográfica), se viu num espelho e enxergou um futuro não sangrento. Foi a única tragédia desse magnífico gênio não sangrenta: Prospero, o personagem principal, era um Leonardo. Mas era também um Duque deposto. Era um ILHADO, era alguém que tinha o poder da mágica reduzido aos confins do palco.

Tudo é sempre uma metáfora.

Há um ano, nesse blog, escrevo parte em metáforas, citando meus mestres, citando minhas angústias. Criei um enorme e lindo círculo de amigos. Vocês, os leitores.

Mas as metáforas estão fadadas a ter um limite, a esbarrar na moldura do espelho ou refletirem a luz que vem de fora e, portanto, ofuscarem a imagem real que o espelho deveria estar mostrando. Sim, escapismo.

Escreve o “Capitão Roberto Nascimento”:

Gerald Thomas meu querido cabeludo, que beleza esse texto rapaz! Não é um texto de moleque, de fanfarrão!!É UM TEXTO PARA QUEM USA FARDA PRETA E COLETE; MAS É PARA SE REFLETIR SOBRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO.Eu penso: no BOPE, a gente não pode pensar muito NA HORA; mas devemos pensar antes, no treinamento, para que a ação seja EFICAZ COMO O SILÊNCIO DO FUNDO DO MAR.Nossa missão é subir o morro e deixar corpo de narcotraficante no chão. Pode parecer nazismo, mas, para mim, NAZISMO É DEIXAR OS NAROTRAFICANTES DOMINAREM O MORRO, OPRIMINDO CENTENAS DE MILHARES DE POBRES FAVELADOS.O teu silêncio, Gerald, chega como um abraço. O teu silêncio é o silêncio do preto da minha farda, do frio do meu fuzil, antes da ação.E nós agimos em silêncio Gerald. Quem faz festa é bandido. Quem solta rojão é traficante.A lei é fria e silenciosa. COMO O TSUNAMI QUE NASCE NO FUNDO DO MAR.”

Tudo é sempre uma metáfora. Nem tudo sempre é uma metáfora. Muitos de vocês, leitores, lidam com a vida REAL. E isso, muitas vezes, me assusta. Por quê? Não sei.

Ontem, ainda em Miami, a caminho daqui, um velho, obviamente cubano, enrolado na bandeira americana, trazia, trêmulo, a sua bandeja com um croissant, café, um ovo, etc. Sua cara marcada pelo tempo e sua elegância deixavam claro não tratar-se de um “daqueles” milhões de cubanos que povoam Miami (pra onde eu vou 3 vezes ao ano). Tive uma enorme vontade de cobrir-lhe de perguntas. Muitos milhares de perguntas. Ele me olhava. Eu o olhava. Estamos em pleno feriado de “Memorial Day”, dia dos caídos em combate, em guerras passadas. Os USA em guerra constante!

Mas pensei e pensei. Não, melhor não. De repente, assim como já foi com tantos outros seres interessantes, ele vai vir com uma dessas “verdades universais” ou com a “ordem do universo” e despejar tudo isso sobre a minha bandeja. Isso me aconteceu no Arizona com indígenas que “ouviam deus” ou na Chapada da Diamantina e mesmo na Cornualia.  São seres simples e que tremem, elegantes. Mas que quando perguntados, são verdadeiras “torneiras da verdade”. E eu não suporto mais a quantidade de verdades que existem por aí.

Tive medo de fazer perguntas a um simples ser que poderia ter me contado a sua história de vida. Mas tive medo. Arreguei.

Como pode ser isso? Medo de seres místicos? Eu? Medo de ouvir sobre Eric Von Denicken e os deuses que eram astronautas? Logo eu? Quem te viu e quem te vê, Gerald!

Já ouvi que a minha cara era o mapa de Hiroshima. Então, do que ter medo?

Exaustão chama-se isso. Falta de espaço aqui dentro. E isso me preocupa.

Sim, assim como no texto anterior: “Sinto-me como uma massa, como uma pasta, irregular, inexplicável, triste, vazia, ruidosa, sem nada a declarar e, no entanto, querendo dizer tanta, mas tanta coisa e… sem conseguir dizê-lo.”

Nem tudo sempre é uma metáfora. Às vezes esse corpo morto aqui do meu lado tentou atravessar o espelho vezes demais ou tentou atravessar espelhos espessos demais.

Faz parte da minha profissão: o risco. Como me sinto? Esgotado. Acabado. Esse (que ainda vive) olha praquele que está morto e pensa: será esse o meu futuro? Caramba!

Parece mesmo um conto de Poe! Ou um Borges mal escrito. Somos tantos e não somos porra nenhuma. No texto anterior, “NADA A DECLARAR”, fiz uma declaração de amor a tudo que sinto, de verdade, ao vazio, ao TUDO a Declarar, como o Pacheco detectou.

Mas e agora, José? Um ano e não sei quantos artigos. A partir de hoje estamos sem contrato. Como diria meu mestre Samuel Beckett: “Não Posso Continuar: Hei de Continuar!”

Em inglês soa melhor:

I Can’t Go On. I’ll Go ON!

Muito Obrigado por tudo!

Coberto de emoção e lágrimas vendo o mundo numa relativa paz e, no entanto, atravessando o maior período de mediocridade em décadas, se desmanchando num milk shake insosso e azedo, esperando um Moisés que ainda nem subiu o Monte Sinai, porque lá nada existe!

O deserto está realmente repleto de areia mesmo. E ela está em nossos sapatos.

 

LOVE

Gerald

 

Gerald Thomas, 23/Maio/2009

  

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

 

 

 

 

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We Won’t Get Fooled Again!

 

We Won’t Get Fooled Again! (The Who)

 

Obama propõe “novo começo” a Cuba

Na abertura da Cúpula das Américas, presidente americano prossegue o xadrez de reaproximação com inimigo da Guerra Fria. Como Raúl Castro, ele diz querer diálogo direto, mas não “falar por falar” aos vizinhos. Diz que EUA não podem ser culpados de tudo.

Querem saber? Estou feliz nesse momento.  Cuba não representa nada. Uma reaproximação com a Ilha poderá, no máximo, tirar a “tirania” (nossa, que português horrível!) do poder e reestabelecer os mínimos, que sejam, valores democráticos à Havana.

Que seja! Mas não seremos enganados de novo, como berrava, girava com sua guitarra, Pete Townsend em “We Won’t Get Fooled Again”. Aliás, não há nada como os deuses do Rock. Eles nos inspiram até hoje.

Quando leio o mundo de hoje, leio isso: um setor INVESTIGA O OUTRO! Parece um Kafka mal resolvido ou um Orwell mal sentenciado. Todos investigando todos. Aqui em New York temos os escândalos óbvios, mas temos a LUZ de Obama! Kafka pediu que se queimasse sua obra. Graças a Max Brod, seu grande amigo, nós a temos! Orwell reportava da Guerra Civil Espanhola, onde Franco queimava uma Espanha desunida. Chamas! Fogo! Uma era se vai.

Penso como era essa era: eu ia ao Filmore East e via o Hendrix de perto. Lá a única coisa que investigávamos era a genialidade do cara! E a nova era. Qual nova era? Pois. Agora em retrospecto, já que estamos todos mortos (porém felizes), a era de uma superhomem-idade/andróginia e PAZ, sim, a paz. NÃO, NÃO POSSO RIR ENQUANTO DIGITO!!!! Eu via o Cream tocando no Marquee, na Wardour Street e tento não rir. É que Eric Clapton e Jack Bruce e Ginger Baker não se falavam na vida real. Mas éramos todos do “bem” e do “amor” e não queríamos saber que EXISTIA  a flor do mal, ou melhor, o MAL,  e que CUBA, essa mesma, a da Revolução de Sierra Maestra, era ‘mocked” (satirizada) pela Carnaby Street e pelas lojas aqui da Saint Mark’s Place, nas tirinhas de Jules Feiffer e nas tironas de Crumb! Ah o mundo!!! 

Não posso chorar enquanto digito! Eu era aquele que catalogava os mortos, desaparecidos, exilados, mutilados, etc. na Amnesty International em Londres na década de 70, poucos anos depois de ver o Hendrix ao vivo. A Bibba, loja incrível, tinha acabado de fechar as portas na High Street Kensington e “Blow Up” (de Antonioni, com Jimmy Page e Jeff Beck) estava nas telas. Nova era BIPOLAR. Na Bibba o que se mais vendia era uma camiseta com a cara de Che estampada enorme, em autocontraste! E Mao também!

Deixei uma de minhas “ex”, a modelo americana Ellen Kaplan, plantada em Viena e voltei para Londres, arrombei meu próprio carro (teto de lona, era um MG, que eu deixava estacionado no aeroporto de Heathrow) para não perder o show do Led Zeppelin no Earl’s Court Arena.

Foi a maior e melhor coisa que já vi. Nunca nada igual. EVER! Meu olho ficava nas mãos de John Bonham (morto), no ritmo que saía “daquilo”, porque no Rio, quando jovem, eu havia subido a Mangueira e sabia o que era um SAMBA! E como sabia! E meu outro olho ficava na guitarra de Page imaginando o inimaginável, porque em “Kashmir” todas as sinfonias se reuniam, de Beethoven até Cezar Frank. Até mesmo uma Ária de Wagner estava lá. Kashmir ainda é o maior problema entre o Paquistão e a India (ambas nações nucleares, nuclearizadas!) e, digamos assim, a constante “missile crisis” ou em estado de “Bay of Pigs”, da região deles, delas. Entra ano, sai ano, Paquistaneses, independetistas e Indianos brigam por Kashmir. E eu, eu aqui, usando um cachecol de cachemera…. Mas não! Esse é de ovelha escocesa! Sim, na época, todos quebravam suas guitarras, colocavam fogo nelas! (óbvio, nada como o capitalismo dentro da contracultura: haviam outras novinhas lá atrás). Ah, o mundo!!! As vacas sagradas da India e as vacas abatidas em Cuba! O fazendeiro que mais abatia vacas em Cuba era capa do jornal cubano que quase provocou o love affair entre Nikita Khrushchev e Kennedy, lembram? Sapatos histéricos na ONU e tudo? Éramos ou tentavamos ser vegetarianos (comiamos carne escodidos uns dos outros nos subsolos ou nos porões da contracultura: ou seja, oito andares abaixo no nivel da terra: fundo demais até para poder respirar, éramos nós e os ratos). 

E agora? E AGORA? Depois de Hendrix, Zeppelin, Who, Cream… essas bandinhas de merda DE HOJE usam a mesma cozinha, a mesma merda reciclada. Não é à toa que se ouve mais Rolling Stones que nunca, mais… ah não, deixa! Um dia o Sting falou assing (com g no final mesmo, porque tudo que ele diz tem g no fim): “Lennon was nothing. Ringo was everything. Pay attention to the Beat”. Era tudo rubbish. Sting só fala bobagem, assim como eu. Mas o Police era o máximo! Não, não era não! Não era nada, comparado às bandas de antes! Música e Política. Alquimia e Religião (Carl Jung),  Pintura e Revolução (Barthes, que nada), podemos juntar as partes de um quebra-cabeça de um Guatary que nunca houve ou qualquer tratado surrealista de Breton: nada será como antes: A LUZ de OBAMA ! Estamos vendo o desempenho de um novo PRESIDENTE.

QUE LOUCURA ESSES PRIMEIROS CEM DIAS!!!! O animado xadrez político-diplomático que virou a distensão das relações entre EUA e Cuba, congeladas por quase meio século, ganhou lances decisivos nas últimas horas e dominou a abertura da 5ª Cúpula das Américas, ontem em Trinidad e Tobago. Em discurso na abertura da cerimônia, Barack Obama disse que os Estados Unidos buscavam “um novo começo” com Cuba.
“Eu sei que há uma longa jornada que precisa ser percorrida para ultrapassar décadas de desconfiança, mas há passos críticos que nós podemos tomar em direção a um novo dia”, afirmou. “Eu já mudei políticas em relação a Cuba que fracassaram em avançar a liberdade do povo cubano”, continuou, referindo-se à recente decisão de liberar viagens, remessa de dinheiro e comunicações entre cubano-americanos e seus parentes na ilha caribenha.
Em resposta à declaração da véspera, de Raúl Castro, que se disse disposto a conversar sobre “tudo” com os EUA, ele afirmou: “Deixe-me ser claro: não estou interessado em falar apenas por falar. Mas eu acredito que nós podemos levar a relação entre EUA e Cuba para uma nova direção.”



 

Sênior e júnior 

Não há mesmo! Somos todos juniors. Ou então, estamos mortos. Se não estamos ABERTOS  PARA MUDANÇAS, melhor nos considerarmos mortos.

Viva Obama, por ter a coragem de abrir novas fronteiras e quebrar paradigmas retóricos! Afinal, Cuba em si, nada significa além do nada. Quanto às bandas de rock, estamos ávidos – assim como em todas as outras artes – para termos um BARACK OBAMA DO ROCK!!!!!

 

Gerald Thomas 

 

 

Ps.: Quero agradecer imensamente aos mais de 800 comentários do post anterior!

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)          

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Lula, o Moreno de Olhos Negros, na TV Americana

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Lula no programa GPS, de Fareed Zakaria, da CNN.

 

 

New York – Todo mundo gosta de enfrentar um entrevistador elogioso. Nada de perguntas “sensíveis”, nada de controvérsias, nada de perguntas sobre a corrupção interna e os escândalos que vêm acompanhando seu mandato. Aqui o presidente Luis Inácio Lula da Silva foi entrevistado como o líder de uma nação “potente”, “o país do futuro”, etc.

 

Olha, até que fiquei impressionado. Fora algumas datas que ele errou (tudo bem), Lula falava em deus o tempo todo e disse ter dado muitos conselhos a Obama. Por que deus? Será que Lula se sente um iluminado? Um escolhido? Bem, o aspecto “proletário” dele foi um fato bastante explorado. Sim, o metalúrgico que subiu ao poder e tal…”Sim, eu conheço a pobreza. Na minha casa haviam inundações de um metro e meio. Flutuavam ratos e baratas quando isso acontecia então… sei muito bem o que é ser pobre!” – dizia um deslumbrado Lula a um deslumbrado Zakaria (que me parece ser paquistanês, não sei ao certo). Ambos deslumbrados, Lula completava: “às vezes me pergunto o que estou fazendo no meio desses líderes mundiais todos.” Os dois se olhavam deslumbrados. Acho que Zakaria também nunca imaginou que teria um programa na CNN.

 

Em nenhum minuto o presidente brasileiro foi questionado sobre a violência interna em seu país. Quando Musharaff foi entrevistado (já depois de deposto como presidente do Paquistão), as perguntas eram muito mais agressivas, óbvio. Era Al Qaeda pra lá, Al Qaeda pra cá, e como pequenos grupos seletos protegiam os terroristas em vilarejos na fronteira com o Afeganistão. E assim foi com outros líderes políticos que já deram seu depoimento a Zakaria.

 

Já na sua intro, o apresentador deixou muito claro: “aqui estará sentado um presidente de um país dos mais importantes e sobre o qual você sabe menos”.

 

Acho impressionante como Fareed Zakaria conseguiu apresentar o Lula como o líder mais “popular do mundo” (com 80 por cento de aprovação), sem entrar em detalhes de como esses dados são colhidos. Não se falou em voto obrigatório. Não se falou em mensalão e outros escândalos.

 

Acho de uma irresponsabilidade ÚNICA um canal como a CNN apresentar um presidente de um país como o Brasil sem que se mostre antes uma reportagem sobre a “realidade do país” que esse líder governa.

 

Lula falou muito nas alianças entre países de terceiro mundo, como Índia e China. Foi cauteloso quando falava na China, parecia não ter muitos dados. Falou com cautela também sobre Hugo Chavez e, aí sim, foi interrompido algumas vezes. Mas disse que a Venezuela é parceira econômica do Brasil, e que não se sentia livre para falar criticamente de seu companheiro, o ditador Hugo Chavez, e seus métodos nada ortodoxos de se manter no poder. Lula falou que “deve-se respeitar a cultura de cada país”. Bem, se formos seguir esse raciocínio, é melhor deixar o genocídio do Congo e em Darfur prosseguir, porque, afinal, deve ser algo tribal e, portanto, cultural. Enfim, sem comentários.

 

Bem… ao mesmo tempo, digo o seguinte: Lula não se saiu mal. Se todos os entrevistadores do mundo fossem tão “amáveis” quanto Fareed Zakaria (cuja única pergunta realmente sensível foi: “O senhor disse a Obama para levantar o embargo a Cuba?”), seria sempre fácil.

 

Primeiro Lula procurou desconversar. Depois se confundiu com as datas. Mas acertou que a revolução de Sierra Maestra foi em 59 e disse que não fazia nenhum sentido “manter um embargo quando na verdade o Obama foi eleito, em grande parte, por cubanos residentes aqui”. O que o Lula talvez não saiba é que esses cubanos residentes aqui são EXILADOS FORAGIDOS, pessoas que remaram, que nadaram, que quase foram comidas por tubarões para chegarem à costa da Flórida e que ODEIAM Fidel.

 

Mas se Zakaria não interrompe, do que adianta ficar desse lado da tela, ficar esperneando?

 

 

Ps.: A fala do presidente foi dublada para o Inglês por um intérprete com a voz idêntica a do Lula.

 

Gerald Thomas, 29/Março/2009.

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PS. do Vamp: Pessoal, é preciso sempre atualizar a página ( F5,”atualizar” ou “refresh”), pois a mesma nem sempre atualiza automaticamente.  

 

 

 

(Vamp na edição)

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O Brasil Precisa Voltar a se Enxergar

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“Cross Gender Restrooms”

 

New York – Reconhecemos que uma  sociedade é sofisticada quando ela lida com assuntos considerados “tabus” por outras. Um exemplo: Certas escolas primárias aqui já têm algo chamado “cross gender bathrooms ou restrooms”. O que vem a ser isso? Bem, isso vem a ser um banheiro, ou lugar de trocar roupa, nem para homem nem para mulher. É para aqueles que estão no meio, atrapalhados, atropelados e aprisionados em corpos que os traíram desde que nasceram. “São corpos de meninos, mas cabeças de meninas e vice- versa”. Sim, homossexualidade, mas um pouco mais complicado. Já lidando com ela desde a primeira fase da adolescência na escola, para que não levem pedrada dos colegas na hora de ir mijar ou trocar de roupa: a hora da humilhação de ter que decidir por um ícone ou outro. Aquele homenzinho estéril ou aquela mulherzinha estéril padronizada, estampada nas portas dos banheiros do mundo afora, pode ser apavorante para alguns. Geralmente aquelas figurinhas em azul.

 

Mas, enquanto não quebramos todos os tabus, tentamos lidar com alguns. Claro que os religiosos conservadores fanáticos e evangélicos (bible bashers) dos wastelands desse país afora, desde o Colorado até as Montanhas de Montana, não estão muito felizes com isso, mas, aos poucos, terão que engolir a revolução sexual que começou lá atrás, na década (qual década foi mesmo?), quando as Sufragettes se auto-flagelavam e Collette era seu expoente ou, décadas depois, quando Germaine Greer e Gloria Steinem escreviam seus manifestos e a contracultura ganhava um peso a mais que nada era Flower Power.

 

Mas por que escrevo isso?

 

Bill Clinton dava uma entrevista ontem. Longa entrevista. Não tão animado como eu imaginava. Em sua enorme biblioteca em Little Rock, Arkansas, ele falava de Hillary em sua primeira viagem como Secretária de Estado no Governo Obama. Não, não é sobre isso que quero escrever.

 

Recebo centenas de e-mails. Alguns me divertem profundamente. Alguns eu guardo para futuros estudos. Outros eu encaminho para amigos, muitos deles psicanalistas, como o João Carlos, aí no Brasil.

 

Um desses recorrentes e-mails é de alguém chamada “Lola” (como no filme “Run Lola Run”). É de uma menina alemã que conheci há uns vinte anos e que se tornou amiga, mas que hoje, infelizmente, não sabe mais distinguir um pão de um tijolo ou tijolo de areia, e escreve para amigos imaginários, já que não tem mais ninguém. O caso é meio triste. Mas, como dizemos em teatro, nenhuma tragédia é inteiramente trágica sem ser, ao mesmo tempo, cômica. E existe uma enorme verdade nisso.

 

Depois de traduzir alguns e-mails e longas cartas escritas a mão, num alemão meio gótico (como se estagnada na escuridão do pré-iluminismo), João Carlos do Espírito Santo leu tudo com atenção, e me devolveu algumas idéias interessantíssimas:

 

Medeia estéril 

“Tem mulheres que não ascendem sequer à condição de Medeia, úteros áridos e desertos que não dispõem sequer de filhos para o matricídio, são apequenadas em suas lascívias, são embrutecidas em suas toscas sexualidades, sempre na espera de que o outro as veja, as eleve, as empodere.Sim! Medeias sem filhos, sem a quem castigar, sem a quem assassinar, sem tela de projeção para as próprias  falências, para as incapacidades e as derrotas pessoais.Sem um palco, sem uma clássica tragédia para encenarem e sem expectadores, dão-se a quem em espetáculo?Mulherzinhas que se querem Cacilda, Medeias do raso cotidiano, sem serem amadas porque amargas.São Medeias que fazem do mundo representantes dos seus natimortos filhos, que assassinam ou pelo menos tentam – porque seus atos estarão sempre condenados ao fracasso – destruir tudo o que é sua antítese, não suportam a diferença. E sua antítese está na gênese, na criação, no começo, na relação, na fecundidade, na solidariedade, na alteridade, resgatada como valor, como ética.Sim, meu querido toda Medeia, toda Medeia rasa e rastejante não suporta quem inaugura, quem é marco, quem fecunda, quem move e promove a VIDA! Porque nestes gestos, nestas gestações, revela-se o NADA que são.Medeias capadas, clitóris simbólicos cortados, metafísicas lhe são impossíveis de compreensão porque acovardaram-se do necessário enfrentamento e, tendem, frustradas como são, a querer bloquear o fluxo sanguíneo que alimenta a VIDA!SIM A VIDA! É ISSO QUE ELAS NÃO SUPORTAMÉ PRECISO DIZER: A VIDA! É ISSO QUE NÃO SUPORTAM.”

 

Freud, estudante em Paris, assistindo as aulas do Professor Charcot, escreve em seu diário:  “Curioso como este homem, contrariando a medicina orgânica, se dispõe a tratar destes casos, destas mulheres que, sem nenhuma justificativa orgânica, sem nenhum problema físico não andam, não vêem, falam línguas incompreensíveis, convulsionam, se contorcem, se dão ao espetáculo. Negam a medicina e todos os estudos do corpo, da lógico-físico-química que aprendi em Viena. Que natureza é essa que se insurge contra todas as evidencias? Que corpo é esse que nega a natureza e se impõe como um enigma?”

Freud em Viena, anos depois:  Charcot tinha razão, porém a solução está na decifração da diferença entre o anatômico e o simbólico, entre o biológico e o imaginário.  

Mas o que quer uma mulher? De que desejo ela sofre? Qual  a sua queixa? Oscilam sempre entre TER e SER o Falus. A castração, de que todos sofrem. Existem homens histéricos também, levam, em alguns, a uma busca desenfreada pela reparação do que julgam ter perdido e que só o outro possui o que, por direito, acreditam ser seu, e quando chegam a isso, percebendo o equívoco e o peso de estar na posição fálica, de suportar esse peso, renunciam, gerando a constante e indefinida queixa contra a vida, sempre insatisfeitos, pois querem o que não desejam e desejam o que não querem. Precisam entender que necessidade é diferente de vontade. Não estão satisfeitos dentro de suas peles, acomodadas com os ditames de seus corpos. Os outros, para se livrarem do mesmo dilema, se sacrificam em espírito, negam o corpo e tendem a se manifestar enquanto puro espírito, mera abstração, meros rituais, dissociados de si mesmos. As minhas queridas histéricas – a quem devo minha descoberta da Psicanálise  – me dão exibição, seus corpos são para serem vistos, olhados, alvos de pena e de piedade, de atenção. Meus obsessivos negam seus corpos, sendo puramente pensamentos. 

Triste Fim. 

Continua João Carlos: 

“Começa mais um a semana de moda, mais uma Fashion Week no Rio, em São  Paulo ou em Paris. Ocupa em São Paulo o prédio da Bienal de artes que em sua ultima edição, deixou um andar inteiro vazio, ou melhor, com cinco extintores de incêndio que para muitos desavisados era a instalação de um anônimo e gastaram suas metafísicas e seus conceitos decorados posando de complexos analistas da historia da arte e da sua libertação da representação após o advento da fotografia (Susan Sontag). As passarelas montadas, a primeira fila repleta de celebridades, a musica, o conceito, a inspiração e la vamos nos.Mulheres cabides, descabeladas, desfiguradas, magérrimas, andando trôpegas, apáticas, sob as luzes dos flashes, sobre os aplausos, sob a fome negada, sob  a tirania compensada num reconhecimento patético que durara o tempo do desfile. Meninas em busca do quê?”

GT: Pois é. Pergunto-me e pergunto a todos: Em busca de quê? Lola, coitada, já deve ter cortado os pulsos em Passau, onde mora ou morava.  

No mais, ligando tudo isso ao “cross gender bathroom” e a falta de sofisticação de alguns países em relação a outros, me lembro que criticar o Brasil hoje em dia é sinônimo de anti-patriotismo, é sinônimo de Yankee go home, é a mesma coisa que o Stalinismo em seus dias mais cegos e úmbrios com as caras dele mesmo (e de Marx e de Lênin) enormes, ou a de Fidel em Cuba com aquelas bandeiras a la Rudchenko tornando uma critica construtiva numa máquina de destruição em massa: as pessoas não conseguem mais lidar com a critica. Se sentem rejeitadas. Entram em surto. Piram. Entram em pinóia. Viram uma máquina de movimentos espasmódicos e convulsivos que babam baboseiras porque sua identidade foi ameaçada.

Pergunto-me, sinceramente, se o Brasil não se tornou um país pré-Medeia. Um país (de certa forma) Medeia Estéril. Não consegue ter filhos e, quando consegue, não os mata exatamente, mas os coloca numa posição de limbo confuso, algo entre o absurdo e o a falta de vontade de vencer e ouvir. E ver! Melhor ainda, ENXERGAR!

 

Gerald Thomas

18 Fevereiro 2009

 

(Vamp na edição)

 

 

 

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FAUSTO SILVA, VOCÊ VENCEU, PARABÉNS!

Fausto Silva, Chacrinha e… o grande circo.

New York – Pronto. Agora pensei o seguinte sobre a matéria da Judith postada no sábado: quase ninguém teve o que dizer ‘fundamentalmente’ sobre o que ela falou. Digo, sobre a vida que ela leva, levou e a mensagem que ela trasmite para o mundo. Quando penso nos programas dominicais do Faustão ou do falecido Chacrinha (absolutos vanguardistas no que fizeram), penso no que o mundo virou, ao contrário do que Judith Malina prega. Por quê? Difícil explicar. Mas tentarei.

Pensem naquela “melange” de gente no palco falando, berrando ao mesmo tempo. Pense naquelas meninas dançando e na confusão geral que se dá durante a tarde de domingo.

Agora, pensem nos Blogs, eles berrando, cada blog uma aberração, uma berração, um berro, uma verdade. Uma sinfonia pra lá de atonal, uma cacofonia pra lá de qualquer coisa que  o ouvido humano possa suportar. A mobilização urbana está insuportável. A mobilização política puxa a sardinha para o lado demagógico que quer e que lhe mais convém.

Um apoiador de McCain pode agora usar o jargão de Obama “CHANGE” da mesma maneira como um sucessor de Pinochet, no Chile, pode falar em liberdade de imprensa. Assim como os irmãos Castro, em Cuba, podem se considerar o Triunfo da Vontade exibindo o filme-mor do Terceiro Reich, de Leni Riefenstahl. Nada realmente faz sentido nessa moral perversa desse milênio que entrou. Nada.

ESTAMOS AGENDADOS.

ESTAMOD IBOPE-Ados.  Quem ganhou? O mundo cão! Viva o Faustão! Viva o Abelardo Barbosa!

Ontem, após o “60 Minutes”, na CBS, deixei sem querer a TV ligada. Pra quê? Entrou no ar “THE AMAZING RACE”.  O grupo de idiotas (acho que tudo pré-scripted) acontecia no Brasil, entre Salvador e Fortaleza.

Os Brasileiros eram mostrados como perfeitos imbecis, desdentados, táxis péssimos (até certo ponto verdade) e os americanos competidores eram mostrados como outro bando de imbecis que pronunciavam a capital do Ceará… “Furrleteeza”! Claro, ninguém tem a obrigação de saber onde está.

Se eu despachasse um bando de brasileiros pro Iemem do Norte, ninguém saberia pronunciar a capital: um horror: Mas a televisão é isso. As gravíssimas acusações engraçadas de Andy Rooney sobre o que é essa porra da AIG ou Goldman Sachs, e o que fazem com o “dinheiro dele”, e o que é essa merda de “bailout” são seguidas por um bando de imbecis tentando pegar táxis em aeroportos no norte/nordeste brasileiro.

Viva Faustão!

E Num Law & Order Criminal Intent na TNT ou A&E ou sei lá qual, um tal de vilão chamado Dupont estava com uma namorada brasileira, pronto para dar o golpe dos golpes e embarcar para o Brasil.

Quantas vezes já vimos esse filme? E o quanto dele está certo?

Eu poderia escrever algo mais sério, como a demonstração dos cegos aqui na Rua 23, que me impediram de ver o “BLINDNESS”, do Meirelles. Mas não vou. Retribuo generosidade com generosidade e mesquinharia com mesquinharia.

Ontem, comemorei quatro anos sem fumar! Oba!

Ontem, comemorei um ano desde que voltamos do festival de Córdoba e estávamos nos preparando (ensaiando) no hotel Staybridge em Sampa para abrir o evento “Satyrianas” na Praça Roosevelt, amarrando Alberto Guzik e um outro que desapareceu da minha vida por livre e espontânea opção, depois de aprontar aqui em NY. Nunca falei disso publicamente, mas um dia… Um dia, nada. Que um dia porra nenhuma! Viva o Alberto que está escrevendo magnificamente “Um Crítico”.

Quanto ao mundo? Ah, sim, ele. Hoje foi a Europa que se fudeu. Efeito Dow Jones. “The devil in Miss Jones”, aquele filme pornô que andava lado a lado com DEEP THROAT – com Linda Lovelace. Engolir tudo. Assim estamos, me parece. Como Linda Lovelace. Engolindo tudo!

Deep Throat também era o informante de Bob Woodward e Carl Bernstein do Washington Post e que acabaram com a vida de Nixon ao revelarem o escândalo de Watergate.

Hoje? Não tem mais GATES. So tem o Bill Gates dando uma ótima entrevista a tarde para um paquistanês cujo nome não me lembro… CNN dominical. Ótima. Micro and soft. Deve ter sido a mulher dele que deu o nome, depois que o Bill se despiu e ela viu o dito cujo.

Viva o Faustão! Você é a encarnação de “Fausto”, de Goethe. Já te disse isso na Churrascaria Rodeio de São Paulo e te direi sempre. Você está nas Vanguardas das Vanguardas porque o barulho que você provococa quando não deixa ninguém ser ouvido, quando fala é exatamente igual aquele que acabo de ouvir agora do lado de fora do meu banco, aqui na primeira Avenida, quando um policial da NYPD era verbalmente abusado por um camelô que dizia: “You motherfucker, se você me multar, eu vou lá e mato toda a tua família, teus sobrinhos, tua lua e teu sol. Yor son and yor SUN“.

O que ele quis dizer com isso, Faustão?

O que ele quis dizer com isso, Abelardo?

Mas funcionou! O policial se mandou.

O Brasil é humilhado por esses “game shows”. Mas não se preocupem: os particpantes são mais humilhados ainda.

Um humilhando o outro. Mundo cão! Mas tudo de mentirinha até que a primeira bala seja realmente MORTAL.

Gerald Thomas

Inicio de outubro. The Race is ON!

PS: Ih, esqueci de comentar o melhor do 60 Minutes: um soldado da DELTA FORCE que tentava catar o Bin Laden la nas montanhas em Tora Bora! mas nao conseguia porque, na medida em que…bem, deixa pra la. Quem viu, viu. Fica pro proximo post!

  

(O Vampiro de Curitiba, na edição)

 

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