Monthly Archives: December 2019

THANK YOU AND FUCK 2019 !

All photos by Adriane Gomes

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GT – Semi nudes – one of the highlights of 2019

2020

https://geraldthomasblog.wordpress.com/2019/10/06/gt-nudes-renewed-october-2019/

https://geraldthomasblog.wordpress.com/2019/07/03/hidden-and-not-so-hidden-nudes-gerald-thomas-at-65/

 

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GT – NUDES renewed 2020 (life is a hard on :)

NUDES RENEWED PACT:

2020

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THANK YOU / OBRIGADO – all of you. A todos.

geraldthomas1
COMO não ser extremamente GRATO? Como não me entregar aos DEUSES? Obrigado SESC e Edições SESC por esse livro! Obrigado DANILO SANTOS DE MIRANDA @danilom @doralicelion Dora Leão @felipe66 @drimaciel @fabigugli Fabiana Gugli @francis.manzoni @betecoelho_ e @grazielli_vieira e TODOS os atores que fizeram e fazem minha vida acontecer, obrigado Ney Latorraca, Nanini, Fernanda Montenegro, Bete e Ellen Stewart @lamamaetc @lfmreis and LA MAMA ETC La MaMa ETC (where I used to play as a child… where was that ? Obrigado 
Dirceu Alves Jr.@dirceualvesjr Dirceu Alves J , Flora Sussekind e Adriana Maciel/ Danilo Santos de MIranda and Bayerisches Staatschauspiel and Wiener Festwochen and Julian Beck and THANK YOU !!! Felipe Mancebo + Francis Manzoni

GeraldThomas

Dec30,2019

NUDES RENEWED PACT:

2020

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Dirceu Alves Jr. escreve lindamente uma das apresentações do meu livro “Um Circo de Rins e Figados” – Sesc Edições – 2019

UM ARTISTA

EM PRIMEIRA PESSOA

INTRODUÇÃO

DIRCEU ALVES JR.

É fácil, muito fácil falar mal de Gerald Thomas. “Difícil mesmo

é gostar e entender as peças que este cara faz”, costumam dizer seus incontáveis e persistentes detratores. Existe, porém, algo de sedutor no conjunto de sua obra, que muitos resistem a decifrar. Renegá-lo soa, no mínimo, como falta de informação. Desde meados da década de 1980, pelo menos no Brasil, Gerald Thomas transforma-se no centro das atenções quando bem entende e, mesmo depois de exílios criativos, desperta curiosidade imediata ao acordar. Existe sempre a expectativa em torno do que será dito, apresentado ou contestado por ele. “Pessoas interessantes sempre têm espaço na mídia”, afirma, com misto de razão e falta de modéstia, que é capaz de originar interpretações equivocadas a seu respeito.

Diretor, dramaturgo e pensador de seu tempo, o artista usa
a seu favor os veículos de comunicação que adoram lhe instigar e, por tal motivo, jogam-se aos seus pés cada vez que ele pretende atravessar a passarela. Sim, ele próprio, verborrágico, polêmico
e narcisista, garante o espetáculo – mesmo fora do palco. E, por isso, faz o espetáculo quando deseja. Foi articulista de jornais brasileiros de grande circulação, um dos primeiros a alimentar um blog para a curiosidade de uma audiência fiel e, hoje, põe-se voraz nas redes sociais, sugerindo um teatro virtual na internet. Não é raro que provoque admiração ou desprezo pelas ideias que prega. No entanto, justamente por isso, esse cara atende pelo nome de Gerald Thomas.

DIRCEUB ALVES JR E EU NO DEBATE SESC PAULISTA

Personagem cult, com alma de popstar, Gerald Thomas se mantém com uma imagem eterna e intacta, que é familiar aos olhos até de quem nunca assistiu a um de seus espetáculos. São os mesmos óculos redondos, os cabelos longos, encaracolados
e negros, o ar angustiado de quem não se conforma com a vida como ela é. Dissertações sobre o dramaturgo Samuel Beckett, o poeta Haroldo de Campos ou o artista plástico Marcel Duchamp podem ser ouvidas em suas entrevistas em meio a desabafos relativos ao tédio existencial. Sim, porque teatro é pouco. Gerald é artista plástico – pagou as contas como ilustrador do The New

York Times e criou o material gráfico de várias peças –; cuida da luz, do cenário; interfere na trilha sonora e, não à toa, cunhou o conceito de ópera seca1, que resume tal estética visual, fragmentada e cheia de estranheza ao espectador.

Seu teatro mistura-se o tempo todo com a própria vida.
É difícil estabelecer limites entre o personagem e o homem, que, por incrível que pareça, é comum, afunda na lama e retorna à superfície para extrair arte da podridão. Quem o conhece minimamente sabe. Alguns podem dizer que se trata apenas de eu, eu, eu − mas é desta conjugação em primeira pessoa, apoiada em memórias de quem viveu intensamente desde cedo, que nasce sua visão particular e conectada de arte e mundo.

Gerald Thomas não é apenas o encenador emblemático que, com estética peculiar e formalismo radical, impôs sua marca.
Em dezenas de montagens (brasileiras ou internacionais), ele nunca deu trégua ao público nem aos críticos, sempre loucos para enquadrá-lo em algum gênero ou impor limites a um criador capaz de desprezá-los. Suas peças são mais do que meras apresentações, rendem experiências únicas e provocam sensações particulares. “Se um espetáculo meu significar uma única coisa, eu me retiro de cena ou me suicido”, afirma ele, radical. Encanto, deslumbramento, tédio ou raiva… Gerald Thomas é capaz de provocar quase tudo − menos indiferença.

Como o teatro é a arte do efêmero, depois de fechada a cortina, tal momento jamais se repetirá com os mesmos detalhes. Transforma-se em um sentimento singular. O encenador, coitado, corre o risco de caminhar a passos largos para o esquecimento, mesmo em tempos de vídeos na internet ao alcance de todos. Gerald Thomas, no entanto, é o autor de grande parte do que dirigiu e, na forma de livro, o dramaturgo ganha a chance de alcançar a suposta eternidade. O discurso do encenador, pregado pela geração que despontou na vanguarda da década de 1970, testa o poder de fogo de suas histórias fragmentadas.

DIRCEU IN BLACK AND WHITE

As peças escritas por Gerald Thomas – que, segundo muita gente, só surtem efeito no palco – comprovam, quando lidas, que a dramaturgia visual também demonstra potencial narrativo ou literário. Mesmo que algumas não alcancem tal status, todas atestam o amadurecimento de um artista preocupado com o presente e disposto a levantar questões inéditas ou até pouco discutidas. Conflitos íntimos ou sociais, reflexões políticas, homenagens a amigos ou releituras ganham, sob seu cunho, uma etiqueta do teatro e, principalmente, a visão de um homem que não faz concessões.

Na perspectiva de Gerald Thomas, tais temas já se faziam relevantes no momento em que foram desenvolvidos – e muita gente, talvez a maioria das pessoas, não dava a menor bola para eles, ou não tinha se tocado de sua urgência. Sua dramaturgia é feita no palco, junto dos atores, durante o processo de ensaios, ou mesmo temporada afora. Isto, de certa forma, contradiz a visão exclusivista de criação. É um constante work in progress e, por isso, muitos desses textos só ganharam o formato final no encerramento de sua carreira ou tiveram revisões e até novas versões posteriormente.

Nunca é demais relembrar por que Gerald Thomas tornou-se relevante. O teatro brasileiro viveu a ressaca da ditadura militar até meados da década de 1980, correndo atrás de um tempo perdido. Peças proibidas, como Rasga coração, de Oduvaldo

Vianna Filho, e Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra, ganharam os palcos junto da anistia e, na esteira, textos engajados – alguns, embolorados – eram incessantemente produzidos. Por outro lado, as comédias garantiam a bilheteria, e um novo gênero, o “besteirol”, despontou na cena carioca, popularizando atores que escreviam, interpretavam e até se autodirigiam.

A cartilha europeia estabelecida pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), lá nos anos de 1950, ainda era rezada por uma geração consagrada e tinha um público fiel. Quanto mais limpa a encenação, melhor. A assinatura do diretor andava anestesiada, esquecida − mesmo entre os nossos maiores nomes. Desde o final da década de 1970, Antunes Filho concentrou-se em seu bem-sucedido grupo de pesquisa. José Celso Martinez Corrêa, de volta do exílio, ainda mostrava-se adormecido e sem um eixo para potencializar suas provocações no país que reencontrou.

O público precisava ser chacoalhado, como o fez o polonês Ziembinski com Vestido de noiva, de Nelson Rodrigues, em 1943, ou o próprio Zé Celso, na montagem de O rei da vela, de Oswald de Andrade, um marco tropicalista do Teatro Oficina, em 1967.

Até que provem o contrário, Gerald Thomas Sievers, nascido em 1o de julho de 1954, é brasileiro, um carioca de Ipanema, que, no final da adolescência, mudou-se para Londres e, na vida adulta, escolheu Nova York para morar. Antes de deixar o país, ele teve uma estreita ligação com o artista plástico Hélio Oiticica − e, estamos falando de 1968, o ápice das experiências dos parangolés, a antiarte por excelência.

Garoto certo no lugar certo, também testemunhou, no ano seguinte, os bastidores da montagem de O balcão, peça do francês Jean Genet, encomendada por Ruth Escobar ao diretor argentino Victor Garcia. Vale lembrar que, no extremo da desconstrução, Garcia botou abaixo parte da arquitetura do teatro da atriz e produtora no bairro paulistano da Bela Vista em nome do projeto.

“Foi ali, com meus 14 ou 15 anos, em São Paulo, que percebi que queria fazer teatro”, recorda. As primeiras experiências que moldaram o que seria Gerald Thomas se deram na capital inglesa, com os grupos Exploding Galaxy e Hoxton Theatre Company. No início dos anos de 1980, em Nova York, abençoado pela diretora e produtora Ellen Stewart, Gerald, já convicto, fez do La MaMa Experimental Theater Club seu berço e playground criativo. Referência do circuito alternativo, o teatro ajudou a consolidar os atores Robert De Niro e Harvey Keitel, o dramaturgo Sam Shepard, o encenador Robert Wilson e o compositor Philip Glass, que se tornaria profícuo parceiro de Gerald Thomas.

Por identificação de gênios e sentimentos, o diretor foi adotado por Stewart e fez o que quis na casa da MaMa Ellen. Entre as façanhas, com menos de 30 anos, Gerald comandou o ator Julian Beck, já devastado pelo câncer, em sua única interpretação fora do Living Theatre, em uma coletânea de textos de Samuel Beckett. Não, não é pouca coisa.

De repente, o ator Sergio Britto carimba o passaporte para Nova York e assiste a um de seus espetáculos. Exemplo de vocação incansável e intérprete ávido por diretores de pulso firme, Britto era cria do TBC e um dos fundadores do Teatro dos Sete, ao lado de, entre outros, Fernanda Montenegro e Fernando Torres.
É justamente ele quem traz Gerald Thomas ao Rio de Janeiro para montar Quatro vezes Beckett. Além de Britto, Ítalo Rossi e Rubens Corrêa brilharam nesta coletânea de peças do dramaturgo irlandês, que estreou em julho de 1985. Causou furor aquele jovem de botas, casacos pretos, cigarro entre os dedos, circulando e fazendo teatro no país tropical. Poliglota, o rapaz ostentava
um discurso nem um pouco condescendente com o Brasil. Fez, então, muita gente se tomar de antipatia por ele, talvez por se enxergar tão atrasada diante daquele espelho, ou por não tolerar seu pedantismo. Nascia ali, para os brasileiros, o personagem Gerald Thomas. Choque mesmo, no entanto, veio quando a plateia carioca se emperiquitou para ver seu teatro.

Com a estreia de Quatro vezes Beckett, Gerald Thomas mostrou a estagnação da cena brasileira naquele momento de abertura política, e o povo não gostou muito de enxergar isto. Muitos devem ter se sentido como os índios diante do reflexo dos espelhinhos oferecidos pelos colonizadores, lá por volta de 1500. Veio à tona um conceito de experimentalismo, que era tendência nos Estados Unidos desde a década de 1970. Naquela época, Robert Wilson colocava no palco cenas longuíssimas e de impacto visual, enquanto Richard Foreman era celebrado pelo caráter performático. Lee Breuer, do grupo Mabou Mines, misturava bonecos, vídeos e música e, de repetente, Gerald Thomas trouxe para o Brasil um conjunto influenciado por tudo isto e mais um pouco. Parecia uma afronta às convenções. E era.

Estava personificada ali a figura do invasor, tão conhecido do povo brasileiro desde os tempos de Pedro Álvares Cabral. Porém Gerald Thomas não era um invasor qualquer. Podia até parecer gringo, mas o pior é que não. Não era. Era um de nós, representante de uma elite, claro, convertido em cidadão do mundo, que voltava, mesmo sem se estabelecer oficialmente no Brasil, para colocar em prática o que viu. Não era guiado por vícios e nem alimentava dívidas de gratidão, e, em pouco tempo, uma leva de estrelas disputava sua agenda para permear um pouco daquele cosmopolitismo em suas produções. Muitos diretores dariam um braço para trabalhar com Sergio Britto, Ítalo Rossi, Tônia Carrero, Antonio Fagundes ou Rubens Corrêa. Gerald Thomas conseguiu no primeiro ano. Então, morte ao invasor!

A crítica ficou dividida, os prêmios chegaram aos montes, os jornalistas procuravam pelo personagem, e, sobretudo, Gerald Thomas o desempenhava com louvor. Britto, satisfeitíssimo, convenceu Tônia Carrero a mergulhar na investigação e protagonizar Quartett, de Heiner Müller. De São Paulo, Antonio Fagundes chamou Gerald Thomas para elaborar um projeto.

O resultado foi Carmem com filtro, investida autoral, com base na mítica cigana da novela de Prosper Mérimée e da ópera de George Bizet, tendo também Clarisse Abujamra no elenco. Com Maria Alice Vergueiro, Beth Goulart, Bete Coelho e Vera Holtz, entre outros, veio Eletra com Creta. Em cena, a tragédia grega confrontada com a poesia dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos e de Décio Pignatari.

O método tradicional era posto em xeque. O apoio nem sempre vinha na forma do texto dramático. Os personagens surgiam indefinidos, e o espaço cênico era o próprio teatro. Tratava-se da imposição de um discurso autônomo, repleto de estímulos visuais e sonoros, não limitado a um roteiro. Os atores, muitas vezes, apresentavam distanciamento e economizavam na emoção. Excitadíssimos, desciam do pedestal abertos às múltiplas propostas de Gerald. Durante as temporadas, muitos brigavam feio com o diretor, rompiam relações e outros se apaixonavam, curtiam cada etapa do processo e, em vários casos, logo também rompiam as relações. Essa dicotomia de amor e ódio, de entrega e repulsa, também faz parte do método inconsciente, do teatro em primeira pessoa de Gerald Thomas.

Com a Trilogia Kafka, o diretor estreitou o caminho de autor e construiu uma dramaturgia livre, com base nos contos do escritor checo Franz Kafka. O início da década de 1990 evidencia a veia autoral e, a cada espetáculo, Gerald radicaliza na desconstrução do óbvio, entre o anárquico e o irreverente. Em M.O.R.T.E., de 1990, a atriz Bete Coelho surgiu como seu alter ego, uma espécie de artista paralisado diante da criação. O mesmo conflito se assemelha à base de Nowhere Man, de 1996, que faz uma releitura de Fausto, mostrando um sujeito incapaz de fixar raízes ou se identificar com pátria alguma. O personagem, representado por Luiz Damasceno, é tentado por uma criatura a fazer um pacto que lhe devolva a inspiração plena.

O papel do artista deslocado de seu tempo ainda conduz Unglauber, em 1994. Na peça, Gerald questiona o propósito
de ser um criador em meados da década de 1990. As gerações nascidas nos anos de 1930 e 1940, como era o caso do cineasta Glauber Rocha, carregavam objetivos claros para lutar, e a arte era embebida no âmbito social. Para Thomas, que veio ao mundo em 1954, nenhum confronto, nem mesmo a Guerra do Vietnã, mostrava-se tão forte quanto os que motivaram os artistas
que o antecederam. Em razão disto, busca-se imediatamente
a contemporaneidade, que, vista com distanciamento, fez-se pioneira. Um exemplo é a peça Ventriloquist, escrita em 1999 − ano que ainda pode ser considerado entre os primórdios da internet. Gerald Thomas tratou da polifonia e do excesso de informações capazes de transformar as pessoas em seres que reproduzem discursos alheios sem filtro ou interpretação própria. E nem se imaginava, na virada do século, quem um dia existiriam as redes sociais.

Unanimidade nacional, Fernanda Montenegro já tinha se rendido ao discurso dele e, junto da filha, Fernanda Torres, estrelou The Flash and Crash Days, em 1991. Plateias lotadas estranharam
ao ver a atriz, adepta da dramaturgia de Luigi Pirandello, Eugene O’Neill e Nelson Rodrigues, em meio a uma encenação em que gestos e expressões corporais se sobrepunham às palavras.

A metalinguagem ultrapassava o óbvio de ter mãe e filha no palco. Chegava a um duelo de mulheres de gerações diferentes, desafiadas por estéticas teatrais que também contrastavam com suas histórias profissionais. A jovem precisava se emancipar
da mais velha − talvez matá-la −, na busca de uma identidade autônoma. Uma cena que simulava uma masturbação entre as personagens causou polêmica. Era impossível – e elas sabiam disto – o público deixar de enxergar mãe e filha, atrizes populares, pertencentes a uma família considerada modelo, em um ato incestuoso.

É por causa dos subtextos que a dramaturgia de Gerald Thomas torna-se mais desafiadora com o passar do tempo.

The Flash and Crash Days não fica condenada como a peça das Fernandas e pode ser protagonizada por outra dupla de atrizes

– ou atores – desde que existam contrastes a serem explorados. A mesma ideia vale até para um texto mais frágil, como Entredentes, de 2014, criado em torno do tema da retomada da vida para o ator Ney Latorraca, que passou dois meses em coma devido a uma infecção. Gerald, como homenagem, escreveu uma história que une um judeu e um islâmico à espera de algo que não se concretiza, talvez a morte, talvez a paz, como Vladimir e Estragon, no Godot de Beckett. O clássico, venerado por Gerald, inspirara Esperando Beckett, no ano 2000. Estreia da jornalista Marília Gabriela como atriz, a peça é centrada em uma entrevistadora ansiosa pela aparição do dramaturgo irlandês para a gravação de um programa de TV.

As intenções e ironias não morrem na primeira leitura. Referência incontestável, Beckett ainda foi celebrado pelo discípulo em seu centenário, em 2006, com a tetralogia Asfaltaram a Terra, que ganha relevância no monólogo Terra em trânsito. A atriz Fabiana Gugli deu vida a uma diva da ópera, embalada por fileiras de cocaína, que conversa compulsivamente com um ganso e planeja convertê-lo em patê de foie gras.

A plenitude da dramaturgia de Gerald, no entanto, se dá ao recorrer a uma das maiores dores do mundo – os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. O resultado, surpreendente, é uma elegia ao palco e até ao teatro brasileiro. Escrita para o ator Marco Nanini, Um circo de rins e fígados, de 2005, apresenta todas as características de sua obra – a desconstrução, o deboche, múltiplas referências, a homenagem e a fragmentação – em uma narrativa de comunicação imediata e provocativa.

Nanini, o personagem principal, recebe casualmente uma caixa de documentos de um sujeito chamado João Paradeiro.
Os papéis implicam o governo norte-americano no golpe militar brasileiro de 1964 e na derrubada no presidente chileno Salvador Allende, nove anos depois. Como também é ator, o personagem Nanini, sentindo-se ameaçado por ter caído nesta de gaiato, decide contar esta história, na forma de um espetáculo, para, assim, livrar-se dela.

Em um emocionante monólogo final, o protagonista define o ofício de ator como um problema sem solução − algo próximo também do que é ser brasileiro. As falas exaltam a obra de Nelson Rodrigues, o alívio proporcionado pelo futebol no país das chacinas e do racismo, e as belezas da natureza – que também pode ser furiosa e destrutiva, assim como o teatro. Em Um circo de rins e fígados, Gerald Thomas travou uma viagem inversa.

Da tragédia mundial, ele chegou ao íntimo do Brasil e retratou com emotividade a alma do artista. Nem parece Gerald Thomas, podem pensar alguns. Neste circo visceral de contradições, o artista, brasileiro e universal, atingiu um grau extremamente pessoal que raras vezes se mostrou tão genuinamente
Gerald Thomas.

 

 

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Chris Cuomo’s brilliant defense of journalism and free thinking last night on CNN (Dec 26, 2019)

CHRIS CUOMO

Chris Cuomo’s BRILLIANT EDITORIAL LAST NIGHT ON CNN.

CUOMO: All right, best to you and the family for the New Year.
You thought I was joking. I wasn’t. Google it and you’ll see that I actually did go down there to jump off one of his casinos.
And Mr. Trump, at the time, not the President, said, if you do it without the cable that you had on, I’ll double the donation to charity, if you do it again tomorrow without the cable. He was kidding, I think.
All right, what a year!
So much heat in our politics, led by a President who calls any who say or do anything that he doesn’t like a fake, a fraud, and bad. “Nothing but problems for the country,” that’s how he describes any criticism. He is wrong. I can prove it. That’s the argument, next.

“All we journalists do is talk about the bad, and we’re therefore making things worse.” That’s the President’s main argument against criticism. “It’s all fake, malicious. Therefore it’s part of the problem.”

To borrow from him, wrong.

We all know the media is not supposed to pump up the powerful. Besides, this President already has that in Fox right, so – especially, at night.

The rest of us refuse to capitulate to power. You should want that in your media. These people may have power and money. But they work for you and your communities, and so do we.

We report to you and for you. And you are activated, engaged now in a way that I have never seen. And, as a result, you’re seeing the media and this maelstrom for what it is.

The biggest proof that criticism and analysis isn’t the problem isn’t how you feel about the media. 41 percent of Americans trust newspapers, TV, and radio to report the news fully and fairly now, all right?

It’s actually, you know, better than it was in 2016, all right? But the division is real. People are angry at us and at everybody else. When it comes to the government, what you ignore you empower, and what you expose, you can change.

Trump’s Presidential run reveals certain frustrations and realities in this country. But he’s a one-trick pony. He’s juicing anger. But America is much bigger than Trump.

Millions voted for him. Millions more voted against him, and his numbers are stuck right where he started? Why? In part because fake news and lies and denials of the obvious, sure, creates tension, it fires up some people. But it makes a lot of other people more discerning, informed, and engaged.

That can cause progress. Like what? Here. U.S. stocks, they’re up, but they’re not the only thing on a roll this year.

The 116th Congress, most diverse in history. Humpback whales recovering from near extinction. Why? Exposure. This tortoise we thought was extinct was found after a 100 years. They’re small unless you care about the environment and the ecosystem.

We got to see the first close-range image of the far side of the Moon. NASA completed its first all-female spacewalk. All major pageants won by women of color. The U.S. Women’s Soccer team won its fourth World Cup.

You think that would come if we didn’t scrutinize ourselves and where we need to be better? Sesame Street launching the show to help refugees.

Scientists able to spot Alzheimer’s now, more than a decade before symptoms. Two men cured of HIV. Mental health being discussed as something other than a stigma. States responding to calls to help people, make society safer, thereby make us more free to live as we choose.

Even in crisis, we see that this country is strong even when it’s weak that our fellow Americans are at their best when others are at their worst.

Riley Howell, you remember him? He died tackling a gunman at UNC Charlotte?

CUOMO: All of our hearts broke for them. But those parents were so certain of the type of man they – they raised that he was like a Jedi.
And now, he actually is one. The Visual Star Wars Dictionary that was just released has a reference to Jedi Master and Historian, Ri-Lee Howell. Look, he’s proof of the truth.

We could be angry and ignorant and unkind. But there’s so many of us, even the young, who could be heroes. Don’t be burned out by the bad. Don’t put blinders on to all the happiness that’s going on around you as well in this world.

It’s not about being Pollyanna. It’s about being practical.

As for us, we do what we do. We fight your fight. We demand the powerful answer to you, and sometimes it works, like this did.

(BEGIN VIDEO CLIP)

CUOMO: Did you ask the Ukraine to investigate Joe Biden?

RUDY GIULIANI, ATTORNEY TO PRESIDENT DONALD TRUMP, FORMER MAYOR OF NEW YORK CITY: No. Actually, I didn’t.

CUOMO: So, you did ask Ukraine to look into Joe Biden?

GIULIANI: Of course, I did.

CUOMO: You just said you didn’t.

(END VIDEO CLIP)

CUOMO: You got to have the fight because every so often, heated moments, they shed some light, not always, but sometimes.

And as ugly as it’s been, and it is uglier for some of us than anything I have ever seen in this business before, you definitely have the facts of what happened and when and why with Ukraine and TrumpCo.

Is it worthy of impeachment or removal? You know, look, that’s lawmakers’ call. And it’s your place to judge their call. It’s my job, the media’s job, to relay and scrutinize the process.

The point is this country is strong because we expose our weaknesses. The way those in power handle criticism can galvanize support and also birth a formidable challenger. Both of those fates make our democracy stronger.

Good, bad, ugly, it’s all real. The job is to face them all the same way, and as a people, to be more about unity than division. If we can do those two things, we will be the best we’ve ever been.

Thank you for watching. Up next, I want you to join CNN’s Tom Foreman for ALL THE BEST, ALL THE WORST 2019.

Chris Cuomo, CNN – Dec 26, 2019

 

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Uma mera fatalidade do meu passado @Gerald Thomas (DILUVIO) 2017

K Hand GT 2019

Reconheço a dúvida de algumas pessoas quanto a isso ser ou não ser algo. Reconheço essa dúvida histórica sem a qual eu jamais poderia ter ultrapassado tantas etapas, a ponto de dizer: sim, isso é uma dúvida, é mais dúvida que qualquer dúvida por ser menos certeza do que, digamos, uma afirmativa ou do que uma mera pausa. Uma pausa sugere uma mentira, uma hesitação, sugere algo fake, entende? Fake. Sim, fake. Uma “situaçãozinha”. Mas reconheço a dúvida dessas pessoas, como reconheço a desaprovação dessas pessoas. Não que eu, como Maria de Lima, enquanto pessoa física e/ou pessoa jurídica e por que não pessoa física quântica jurídica dessa arca, desse aborto, dessa… Não. Não é isso que eu quero dizer.

Eu posso até me convencer e achar tudo isso muito positivo. Isto é, crescer, se instruir e descobrir pequenas coisas no mundo e adaptá-las ao nosso íntimo, tendo a mais absoluta certeza de que somos únicos, de que importamos para o mundo, de que mais ninguém pensou nessa imagem, nessa coisinha, que ninguém mais incorporou isso. Posso até achar tudo isso muito positivo. Posso até tentar esquecer os vários momentos em que dou de cara com os verdadeiros gênios do passado e os de agora, que não só viram isso, como fizeram disso… uma mera fatalidade do meu passado. 

Gerald Thomas (peça DILUVIO, monologo final) Novembro / Dezembro de 2017

K Nee + foot GT 2019

Unless they happen to be resting……

NUDES RENEWED PACT:

2020

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