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Folha de S Paulo: Kazuo Ohno dead (Portuguese and English) Theater is not only larger than life…

Kazuo Ohno, the master of death: dead.

It’s an exaggeration of life (and death).

São Paulo, domingo, 06 de junho de 2010

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OPINIÃO

Ao mexer com nossa alma, Kazuo Ohno sacaneou a morte

Artista japonês fazia mistura singular de arte oriunda da dor do pós-guerra somada a um tipo decandomblé

GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Se você me perguntar qual foi a minha experiência mais mística no teatro em todas essas décadas, afirmo sem hesitar: Kazuo Ohno, que morreu na última semana.
Foi aqui em Nova York, no La MaMa, que o recebemos pela primeira vez. Deve ter sido no final dos anos 70 ou dos 80. Alguns anos depois, eu o vi de novo, num beco de Ropongui, em Tóquio, fazendo o ritual da morte, o seu próprio butô (diferente do de Min Tanaka ou do de Sankai Juko).
Kazuo incorporava algo: Qual algo? Ah… Quem explica a arte? Quem explica a arte que faz você engolir a sua própria essência e sentir uma dor no peito por dias e dias? Já com 70 e poucos anos, um mulher/homem (em “La Argentina” -versão Dietrich que ele viu certa vez na Alemanha), Ohno provocou tumultos aqui na rua 4, os ingressos esgotaram.
O butô de Ohno era a dança que transcendia a morte, como em “Tristão e Isolda” de Wagner. Kazuo era o “Liebestod” [ária final da ópera, onde o amor transcende a morte e vice-versa]. Meio vivo-morto em cena, tínhamos a impressão de que vinha carregado de “entidades”.
E vinha mesmo. Quando eu o vi mais uma vez, no Sesc Anchieta, fui carregado pra fora do teatro, desmaiado.
Sim, desmaiei, porque lá, em cima de sua cabeça e ao redor do seu corpo contorcido em dor e molecagem, eu vi os corpos dos “meus” mortos: Julian Beck, meu pai, Artaud e tantos outros.
Cada um via várias entidades nesse japonês que fazia uma mistura singular entre uma arte oriunda da dor do pós-guerra e do teatro Nô somado a uma espécie de candomblé. Ohno era a versão japonesa do caboclo véio.
Nossa! Não posso dizer que era de arrepiar. Era mais que isso.
E ainda agora, no voo que me trouxe de Londres pra Nova York, eu vinha escrevendo sobre as entidades que compunham a edificação da arte do nosso tempo.
Pina Bausch, Merce Cunningham, Bob Wilson, Philip Glass e Kazuo Ohno.
Ohno morreu 11 meses depois de Pina. Começo a acreditar que é extraordinário como os deuses do teatro conduzem a mão e contramão do que deixara um legado. Um tremendo legado. Como Beckett em “Ato sem Palavras 1 e 2”, Kazuo era o “Ato sem Palavras número 3”.
Suas mãos ainda cavam fundo na alma algo que nunca acharei. E por quê? Porque o butô celebra a morte. Celebra o único contrato que temos em vida: a morte. E Kazuo Ohno foi uma mistura de Rembrandt e Andy Warhol a sacaneá-la mexendo com a nossa alma e a alma da própria história do teatro para sempre.
Adeus, querido. Sayonara.

GERALD THOMAS é diretor e autor teatral.

In English:

Kazuo Ohno dead.

IF you were to ask me what was the most mystical experience in the theater in all these past decades, I can say without shivering or even taking half a breath: Kazuo Ohno.

It was here in New York, at La MaMa, that we hosted him for the first time. When was that? Must have been at the end of the seventies, early eighties. A couple of years later I saw him perform again, at the very end of a twisty alleyway in Ropongui, Tokyo. Ohno made out of his art, the ritual of death. Yes, his Butoh was different from that of Min Tanaka’s and Sankai Juku’s.

Ohno incorporated something or, rather, ‘someone else’. What that was exactly, is difficult to tell. There’s the rub: Who will ever be able to really explain art? Who will ever be able to explain that which makes you (willingly or not), swallow the essence of what you are and feel it with all its pain beating as a heart at the core of your chest?

In his late ‘progressive age”: 70 or older, this female of a male performer who got his inspiration from something I recall was titled La Argentina ( a Dietrich version of a piece he had seen in post war Germany), Ohno  caused an uproar here on East 4th Street. Within minutes, the Box Office had sold out.

Ohno’s Butoh is the dance which transcends death, just as in Tristan Und Isolde, it is love which transcends death. Kazuo Ohno was Liebestod himself, i.e. an incarnation of the Celtic Idea that ephemeral matters, matter but only on another level. Which level I dare not…

Liebestod is the last aria sung by Isolde, with her Tristan dead on her lap. Half dead, half alive on his stage, my impression is that his solo act was accompanied by a heavy load of ‘entities’.

Seriously. That’s how it was.

I saw him once again at SESC Anchieta, in São Paulo and I was literally carried out of the theater (for, I had fainted). Yes, I must have fainted after having cried a river and because I saw, hovering over his head and all around his contorted body, a mixture of pain and an attitude of a trickster of a boy: I saw the bodies and souls of MY dead loved ones such as Julian Beck, my own father and the likes of Artaud, as well as so many others….

Each one saw his or hers entities through the ritualistic art put on stage by this Japanese master who blended Noh and an the modern art derived from a painful end of a Second World War. Yet, there was something ‘candolmble’ (the Afro-Brazilian religion and ritual), about him. My God! I cannot describe the degree of  how shockingly beautiful and strangely spooky this was. It was, in fact,  far more than that. Ohno was the Japanese version of the old Black voodoo creature. And to think that, still now, on this flight which brought me from London to NY, I was jotting down some thoughts about those entities who have edified the art of our time:

Pina Bausch , Merce Cunningham, Bob Wilson, Philip Glass and Ohno. Strange thoughts went through my mind.

Ohno died exactly 11 months after Pina Bausch.

I am beginning to seriously believe how extraordinary it is how the Gods of the theater drive against the one way system and the currents of those who leave a legacy behind. And a tremendous legacy it is/was.

Just as in Beckett’s  “Act without words, 1 and 2”. Kazuo was definitely Beckett’s unwritten “act number 3”.

His contorted hands still dig deep into my soul something I am sure I’ll never find. And why won’t I? Because Butoh celebrates the only contract we have with life: death. And Ohno, as a mixture of Rembrandt and Warhol teased the crap out of death, yet moved us to tears with his

strange and estranged soul and the soul of theater itself for ever.

Goodbye my loved one.

Who will evoke you?

Sayonara.

Gerald Thomas

June 2010

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Folha de S Paulo – livro de Silvia Fernandes e o preço que se paga por CRIAR

São Paulo, sábado, 17 de abril de 2010
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ARTIGO

Paga-se um preço ao criar e paga-se outro por imitar

A partir de livro da professora e pesquisadora Sílvia Fernandes, diretor Gerald Thomas analisa o teatro contemporâneo e aponta a falta de originalidade deste

GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA

Existe um momento quando o teu passado te bate na cara, atropela seus rins e fígados e te deixa em estado de êxtase e dor. Eu estava aqui em Londres, quando me chega o livro de Sílvia Fernandes, “Teatralidades Contemporâneas”.
Trata-se de uma obra densa e compreende muita informação sobre a atualidade (ou não atualidade) do teatro mundial e explora as variantes sobre a vida no palco dessas últimas três décadas. Esse livro foi escrito ao longo de dez anos.
A introdução do livro me menciona de forma incrivelmente simpática. Sempre me senti um ponto de entrada, mas entendo que agora eu seja um ponto de partida. É a vida!
Mas a Sílvia não comete o engano que tantos acadêmicos cometem quando “classificam” uma arte qualquer ou fazem uma “melange” de todas as artes. Sílvia Fernandes toma partido. É uma crítica durona e isso é maravilhoso. Somos muitos nesse livro, ou melhor, somos “todos”. Mas somos, apesar de seres originais, personagens também.
Com exceção de um ou outro, que Sílvia aponta como “o pastiche de todos” ou o imitador sem caráter, somos os personagens ativos numa longa jornada teatral dantesca, brutal, darwiniana, em que a sobrevivência não é a do mais forte, mas do mais persistente.
Falo e escrevo na primeira pessoa. O que seria um diretor sem caráter? Em inglês, esse duplo sentido até que chega a ser engraçado. “Character” significa “personagem” e o teatro é feito deles. E a Sílvia deixa claro quem começou, quem imitou, quem se limitou, quem segue ou quem persegue os verdadeiros “characters”.
Agora, tendo me despedido do teatro através de um artigo no velho blog, mas que está como manifesto no novo blog (https://geraldthomasblog.wordpress.com), vejo minha vida teatral e operística com enorme saudades, mas com uma tremenda resolução: sou um “ponto zero”, um ponto falho, se deixei falhas enormes para trás. Qual ponto falho?
O teatro é uma arte para poucos. Ele sempre existirá, porque o ego de quem se exibe nos palcos sempre estará maior. Esse ego quer explodir, quer se mostrar, quer berrar e ser “tocado” pelo público. Mas o problema é que não estão dizendo nada. Nada que interesse. Então, temos egos vazios, cantando aberrações em tonalidades de cores que se confundem com aquilo que era uma pintura original da época em que se tinha algo a dizer.
Me diverti com texto do crítico de teatro da Folha, Luiz Fernando Ramos, sobre um espetáculo: “Fulano de tal se revela sem rumo nem estilo, como se fosse mais importante soar genial do que servir à obra. Essa fraqueza fica explícita nos três momentos em que as luzes da suposta sala de cinema se acendem. No mais provocativo, quando os atores permanecem olhando o público em silêncio por minutos, repete-se gesto de Gerald Thomas de 20 anos atrás, com menos brilho e mais afetação.
A tal peça queria ser uma bofetada no gosto do público. Consegue ser chata, apesar de desempenhos vigorosos dos intérpretes, da linda iluminação e do cenário funcional de Daniela Thomas.”
Por que me divirto? Porque Ramos se refere ao meu espetáculo “M.O.R.T.E.” (1990) e porque em “Teatralidades…”, o mesmo sujeito é descrito como meu “fiel seguidor”. Onde termina a homenagem e começa o plágio? Ou quando tudo vira caso de polícia?
O que acontece? Falta cultura a essa “falta de cultura?” Sim, pelo que Sílvia aponta existe uma enorme originalidade no teatro das últimas décadas. Se isso não resume a crise e o inescrupulismo em que vivemos, o que mais posso dizer? Uma “nação teatral” conquista sua história com independência, sangue e formula sua própria “constituição” através de uma, duas, três ou mais revoluções.
“MUDAR O MUNDO” (palavras sabias de Julian Beck). Tudo isso tem um preço. Um preço alto e, por isso, o teatro não está mais “mudando o mundo”. Paga-se um preço ao criar, paga-se outro por imitar.
O “teatro-supermercado” de “gadgets” que precisamos para viver é algo chato e sem pensamentos a respeito de si. O teatro não se repensa há tempos. A arte que repete ou imita é retórica, mas não tem opinião!
É a morte, a minha M.O.R.T.E., que significa: “Movimentos Obsessivos e Redundantes para Tanta Estética”. Poucos, nesses 30 anos de teatro revisitados por Sílvia, são pensadores originais da arte. O resto obceca em torno de uma estética velha. Não sei se devo ou não agradecer por essa desgraça.

GERALD THOMAS é diretor e autor teatral


TEATRALIDADES CONTEMPORÂNEAS

Autor: Sílvia Fernandes
Editora: Perspectiva
Quanto: R$ 40 (288 págs)

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We are all Polish!

When I look at this photo, what am I to think?

The symbolism is just amazing.

As the body of Poland’s president was returned to this traumatized capital on Sunday, a day after he and dozens of top Polish political and military leaders died in a plane crash in western Russia, the country was in mourning but there was already a sense that its young democracy had passed a major test.

But I do remember what were the most painful moments of my life. The months I spent living in Cracaw, rehearsing Mozart’s unfinished “Zaide”.

Back to that later.

The plane crash, which killed 96 people when the presidential plane went down about a half mile from the runway in the Russian city of Smolensk, was a trial that the 20-year-old democracy was handling with aplomb! Cingrats!  And a goodbye to a Tupolev which shouldn’t have been in the air to begin with, since LOT (Poland’s official airline), got rid of 200 in its fleet, long ago.

Poland – through the eyes and the writing of Jan Kott – is what taught me the works of noneless than William Shakespeare. “Shakespeare Our Contemporary” (next to Peter Brook’s “Empty Space”) is the book of my youth. Far more important than the romantically driven Harold Bloom (also on Shakespeare: “the invention of the human), Kott brings Shakespeare’s words to our century.

Yes, this is it. Shakespeare was Polish. For once, not a Polish joke. Shakespeare hid himself behind the role of Polonius.

And I, therefore, owe my experience in Cracaw to a French millionaire and diletant who backed Zaide, the opera that turned out to be a disaster when it opened at Maggio Musicale in May 1995, In Firenze.

Taking the entire Christian cast to Auschwitz and not shedding one tear. Taking the cast out to witness life!

Yes, that was quite something. Of course I was chastised by all of them when, upon leaving the Camp, right under the recently stolen arch of “Arbeit Macht Frei”, I said to the singers: “I want that hot dog over there”, spreading its odour through the foul air of the deathbed of six million Jews, Gypsies, people with physical anomalies and so on.

I went over to the stand and ordered one. No ketchup. Plain. Must I say that I  puked/threw up/vomited  it all over my girlfriend’s lap during our trip back to Cracaw?  Well, I just said it, but man…..it was worth it.

So when I look at the photo of that crashed plane, what do I think of?

Sturmspiel, my play in  Munich in 1989? Yes, it was  Shakespeare’s “Tempest –Play”, which began with a downed plane hitting Prospero in the balls.

Joseph Campbell would have loved to have seen this, had he not been dead. Yes, Kott would have loved it too: new world of exciting ideas opened up to Campbell while studying in Europe. Campbell’s “The Power of the Myth” brings out what we are and who we are at the time of someone’s death.

Queen Victoria was of mostly of German descent, the daughter of Prince Edward, Duke of Kent and Strathearn and Princess Victoria of Saxe-Coburg-Saalfeld, and granddaughter of George III and the niece of her predecessor William IV.  Queen Victoria was not on the plane that crashed.

Victoria was taught only German until she was three years old. She was subsequently taught French and English as well, and became virtually trilingual. Her mother spoke German with her. Very much like Poland, Queen Victoria was idiomatically raped. Poland has always been raped.

But yesterday’s events were the real tragedy. Unheard of. A premiere in History.

Queen Victoria’s command of English, although good, was not perfect as is the case with so many Polish friends I have.

As Victoria’s monarchy became more symbolic than political, it placed a strong emphasis on morality and family values, in contrast to the sexual, financial and personal scandals that had been associated with previous members of the House of Hanover. Is Queen Victoria a figment of our imagination? Is Poland?

And what symbolism should I resort to when I say that “we’re all a mess” or that “there is a Polish being in all of us”?

On my desktop, table,  rather, I have one only book, staring me in the face: it’s called SON OF HAMAS, which happens to be the diary of Mosab Hassan Youseff.

Last night, a friend sent me, via email, the last episode of “Law & Order Criminal Intent”. The name of the villain was Hassan, who was about to start a new country or reign in Africa, based on pirating. This episode – in itself was a tragedy: Erci Bogosian had been killed in the previous chapter (which I saw at home in NY). D’Onofrio is about to be fired and the entire cast is to be replaced. Why? What went wrong here? Jeff Goldblum (nothing against you , my friend), takes over as the main detective  but the questions remain:

Who is it that kills us and makes us alive so many times per day???

Yes, I had lost eight people in a single concentration camp: Auschwitz and did not shed a single tear. Quite remarkable, hey?

Yet, I saw their faces for the first time. The Germans had kept a very meticulous diary or logbook of who went and how they went. Yes, the did go!

Youseff is a double agent for Hamas and The Mossad. He worked provincially. Shakespeare did not.

Williamsburg or Greenpoint in Brooklyn, where I spent 22 years of my life, was all Polish when Philip Glass and I moved in. Nobody spoke a word of English. It was a province on the East River, in a way.

Yet, I am simply astonished that – on the cover of Murdoch’s “Sunday Times”, the plane crash appears on page 25. Instead, Tiger Woods – coming out of the woods, is on the cover saying the usual ridiculous things.

The entire thing (Kott would agree with me), is obviously a plot. Woods never ever “betrayed” his wife or had any affairs. This was all arranged to call attention to the world’s most boring sport: golf.

Just as James Cameron is on the front page of the New York Times defending the survival of a dull group of Brazilian Indians. Cameron is now

a Xingu River defender. I mean, I couldn’t help but have a nervous attack. I mean, let’s play this down. I had a laughter attack. More suitable.

“Save the Rain Forest Campaign” (remember?). The Polish president died in the woods, but not in a forest. It was foggy but it wasn’t raining.

Sting assaulting (Yes, that is the right word, ‘assaulting’!) along with the former owner of the Bodyshop raping some image of the Amazon. Raping the campaign of its principles, of its money just as (never mind). I cannot afford to be sued.

Yes, a meeting atop the “round tower” of the Hilton Hotel in São Paulo, opposite the infamous Copan building. No, I won’t get into details.

There’s a Pole inside all of us. There’s a Polish being inside all of us. Kantor, Grotowski, Chopin, Joseph Conrad and Copernicus and, of course, Polonius (Shakespeare). Who is for real in all of this?

Would it be Yousef, the “son of Hamas”?

I remember being given Access to the underground passages beneath the Wailing Wall in Jerusalem and coming out on the other side: Via Dolorosa, Via Cruxis where tourists would be carrying a fake cross and…

(no, never mind that either).

Sturmspiel, at the Munich State Theater dealt with all these issues, plus one: the Berlin Wall. Yes, about a year before it collapsed. I am its author and director. Now, someone wants to make a movie out of what Die Zeit ridiculed at the time.

Nothing like the passage of time. It wrinkles us as if we were raisins. It dumbs and numbs us, as we become wiser and more adventurous.

In Jerusalem, I simply wanted to stay on. Meaning, stay a little longer to see all the gold the Roman’s hid underneath the Holy Land. And so, I said to my crew: “bye, I’m staying/ dry land/dry desert, dry opera and the Dead Sea where I floated for hours ….and the Mud? Dead Sea Mud.

I used it for a long time, after all, Ahava packages it.

Nobody is packaging the mud that overwhelms Rio de Janeiro after a week of constant flooding!

Christ! Brazil is so provincial. PACKAGE THE MUD AND SELL IT internationally as DEAD RAIN.

The President of Poland dies in an unprecedented crash and the New York Times recognizes its importance: the horrifyingly beautiful photo of the crashed plane is on the front Page of the NYTimes. That was yesterday.

While Folha de Sao Paulo prints two photos of Jose Serra, a possible candidate in the next election for President in  Brazil.

Queen Victoria determined that Engel-Land was an island as Hamlet had also done, via Rosencranz.

But the real island belongs to those who choose not to see, blindness by choice.

Brazil is an island and its blindness infuriates me. And before I infuriate anyone out there any further let me say this: the death of the Polish president touched me in an unprecedented manner. Since Solidarienosk, Walensa and all the people who got rid of Jeruselski, I am, as we all are, Polish at heart. It was the airborne division from Poland, their pilots and so on, that saved England in a major way.

Why? Because our blood is NOT holy and we’re NOT eternal. This is something they, the Polish understand.

Why the fuck is it, that we are incapable of understanding suffering in such a dignified, horrendously vivid way?

Gerald Thomas

London -11 April, 2010

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About my imitators: “Peça falha ao homenagear o cinema”, says Folha de S Paulo

São Paulo, quarta-feira, 07 de abril de 2010


Crítica/ “Cinema”

Peça falha ao homenagear o cinema

Em espetáculo sem rumo e sem estilo, Felipe Hirsh perde-se entre o exagero e a representação que se quer realista

Nada contra as preferências do Hirsh cinéfilo, mas com essas incisões ele apequena a proposta e se revela sem rumo nem estilo, como se fosse mais importante soar genial do que servir à obra. Essa fraqueza fica explícita nos três momentos em que as luzes da suposta sala de cinema se acendem.

No mais provocativo, quando os atores permanecem olhando o público em silêncio por minutos, repete-se gesto de Gerald Thomas de vinte anos atrás, com menos brilho e mais afetação.
“Cinema” queria ser uma bofetada no gosto do público. Consegue ser chato, apesar de desempenhos vigorosos dos intérpretes, da linda iluminação e do cenário funcional de Daniela Thomas.

PS from GERALD: in the (s0 called) pause/frozen frame where the critic writes: “quando os atores permanecem olhando o público em silêncio por minutos, repete-se gesto de Gerald Thomas de vinte anos atrás, com menos brilho e mais afetação”, he is referring to M.O.R.T.E, (1990) where the actors STARE at the audience for SEVEN amazing minutes, bringing the audience into a frenzy: eventually, these SEVEN minutes became a “stage of exposure” for artists present in the theater as what we call “the public”, i.e. the theatergoer.

In Taormina, Italy, as well as in many other parts of the world, poets came on stage, dancers climbed onto the stage and the SEVEN minutes became known as a performance outlet for the lesser known….

BUT the imitator has never traveled with his pieces. He’s what we call a tapeworm or a provincial and ‘local’ frustrated non-author, doomed to die where he was born.

Gerald Thomas, London Aril 9, 2010

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Cortina de Fumaça

        

São Paulo, domingo, 02 de agosto de 2009 

              

 

Cortina de fumaça

Ecoando discurso de um fumante inveterado, seu personagem em “Restos”, monólogo de Neil LaBute que estreia em São Paulo dia 20, ator Antonio Fagundes critica a Lei Antifumo e diz que vai “peitar” a medida e acender cigarro em cena

 

Rafael Hupsel/Folha Imagem

Antonio Fagundes, 60, que vai estrelar o monólogo “Restos’, sob direção de Márcio Aurélio; ator encarna fumante que, durante velório, relembra a relação com sua mulher, vítima de câncer
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LUCAS NEVES

 

DA REPORTAGEM LOCAL 

 

Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em “Restos”, de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.
Em cena, dirigido por Márcio Aurélio (“Agreste”), ele encarna um fumante inveterado que repassa -com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos- as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.
Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. “Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela”, diz à plateia.
O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:
“Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex”.
Para Fagundes, “começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso”.
Sem patrocínio para a montagem de “Restos”, o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.
“As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo “só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro”. É claro que precisam!”
Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com “morte anunciada”. “Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar”, observa.Seu Zé e Dona Maria
Ao longo dos 43 anos de carreira teatral, transitou com desenvoltura entre a dramaturgia engajada do Teatro de Arena, musicais da Broadway, montagens de clássicos (como “Macbeth” e “Gata em Teto de Zinco Quente”) e empreitadas de risco, como “Carmem com Filtro”, estreia de Gerald Thomas na cena paulistana. Sempre com uma piscada de olhos para “seu Zé e dona Maria” -como se refere ao espectador pouco familiarizado com teatro.
“Estamos acostumados a ensinar filosofia a quem não sabe ler. Parte-se do princípio de que quem foi lá [ao teatro] sabe tudo”, afirma. “Defendo a tradição teatral para um público que não a conhece. Sempre pensei assim: só vou fazer experiência na minha vida quando tiver feito o resto todo. No Brasil, parte-se para a inovação antes de se ter experiência.”
Daí seu descontentamento com o abandono “da cortina, da sala convencional”. “Criaram-se espaços que não são teatros. Você pode inovar sem deixar de dar ao público conforto. Já cansei de sentar em cima de prego. Não acho interessante. A gente não tem mais maquiagem, grandes figurinos, cenários, efeitos. O próprio texto deixou de ter surpresas.”
Não é o caso de “Restos”, dotado de uma reviravolta que, nos momentos finais, atira no colo do público um segredo oculto pela cortina de fumaça. 

 

Proibição do cigarro no teatro incomoda artistas

Lei que entra em vigor esta semana exige autorização judicial para fumar em cena

Exceção a cultos religiosos não se aplica a espetáculos cênicos; para atores e diretores, legislação ameaça liberdade artística

JOSÉ ORENSTEIN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Onde tem fogo tem fumaça. E é na boca de cena que a coisa começa a esquentar. A partir de sexta-feira, dia 7 de agosto, entra em vigor em todo o Estado de São Paulo a lei que proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo.
No extenso rol de lugares proscritos estão cinemas, bares, lanchonetes, boates, restaurantes, hotéis, centros comerciais, bancos, supermercados, açougues e… teatros.
Quem quiser acender um cigarro, cachimbo ou charuto “cenográficos”, deverá pedir autorização judicial, explicando o porquê de a fumaça ter que se espalhar pelo palco. Ao juiz caberá decidir se o fumo é de fato imprescindível na construção dramática.
A medida vem preocupando alguns atores e diretores, que veem na lei um cerceamento da liberdade artística. É o caso da atriz Mika Lins, que está em cartaz no Sesc Consolação com a peça “Memórias do Subsolo”, uma adaptação do livro de Dostoiévski. “Eu fumo dois cigarros em cena, a frente do cenário tem um monte de bitucas. Faz parte da concepção do espetáculo, é quase um acessório de pensamento”, afirma.
“Acho o fim. É um absurdo essa história de ter que se justificar. Sei que tem multa, mas estou disposta a pagar ou recorrer na Justiça”, diz a atriz. A penalidade deve recair sobre o dono do estabelecimento.
Antonio Rocco, que dirige o teatro N.ex.t. -para onde Lins muda sua peça a partir do dia 11-, diz não estar preocupado. “É uma lei de saúde pública. Não foi pensada para espetáculos teatrais. Isso vai mudar.”
Salvo-conduto
Já o ator e diretor Celso Frateschi, em cartaz com duas peças no teatro Ágora -que não utilizam cigarros-, diz achar “patética” a lei. “Se tiver que usar cigarro em cena, vou usar sem dúvida. É uma hipocrisia uma cidade que não controla a poluição dos carros fazer isso. É quase revoltante”, comenta.
Além de tabacarias e afins, cultos religiosos “em que o uso de produto fumígeno faça parte do ritual” têm salvo-conduto.
“É uma incoerência que soa quase como um privilégio. Por que não há uma exceção de natureza artística?”, pergunta o diretor José Henrique de Paula. Sua peça “As Troianas”, em cartaz no Instituto Cultural Capobianco até dia 16, usava cigarros em cena, mas eles foram retirados a pedidos da instituição. “Não era um objeto crucial para a narrativa. Era um elemento que apenas ajudava numa concepção mais realista da peça”, conta.
O diretor do teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa, que está ensaiando a peça “Cacilda!!”, com cenas em que se usa o cigarro, dá outra interpretação para a lei: “O teatro é um culto religioso, dionisíaco. Então, tá liberado!”.

 

“Teatrinho realista”
Rodolfo García Vázquez, diretor da peça “Justine”, que entra em cartaz no final do mês no Espaço Satyros, engrossa o coro: “Eu não sei qual a diferença entre ato religioso e artístico… Por que proibir só na arte?”.
Quem tem opinião diferente é Gerald Thomas. Radicado em Nova York, o ex-fumante acha a lei “ótima”. “O cigarro é uma merda, não dá barato, só traz câncer e miséria. As pessoas têm que parar de ver seus ídolos fumando”, diz Thomas. Para ele, não é só questão de saúde. “É uma besteira esse teatrinho realista, que precisa de uma mesa, de uma cadeira, de um cigarro. O artista tem que transcender isso tudo.”
  

PS: Moral da história: Se não formos capaz de fazer teatro, poesia, qualquer coisa “dependentes” de um “prop”, ou seja, de um objeto cênico ou uma mamadeira qualquer, é porque o ator é muito ruinzinho mesmo, ou porque não consegue mesmo usar o pouco que tem da sua imaginação para criar metáforas e deixar o PÚBLICO pensar ou imaginar coisas. Não é à toa que ninguém aguenta mais essa caretice: pior, essa caretice traz CÂNCER!!!!! Não, Zé Celso, nem TUDO é dionisíaco (tadinho de Dionísio! Daqui a pouco batida de tânsito também é “dionisíaco!”). E beijar, como diz o Fagundes, nada tem com fumar. Não se tranta de censura e sim de BOM SENSO. O público precisa de “roles models”. E os role models podem se beijar à vontade, mas não às custas da maldita indústria tabagista!

 

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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A Cultura do Desprezo no Brasil

 

 (A torcida do contra)

 

Os Concretistas, os Tropicalistas, o Modernismo. O que é revolucionário?

 

Zurich- Caetano Veloso deu uma mega entrevista para a Folha de São Paulo, há dois dias, que me emocionou. Daqui a pouco explico o porquê. “Na minha profissão” – explica Dalai Lama pensativo, calmo como sempre e risonho – “podemos trabalhar com a nossa espiritualidade, assim como se fôssemos souffles numa academia de ginástica”.

Como? Faz sentido?

Faz sentido?

Muitas coisas que são ditas ou lidas, especialmente por pessoas iluminadas, não fazem sentido, principalmente fora de um certo contexto. Muitas entrevistas são cortadas, editadas e, às vezes, até mutiladas (seja lá por qual motivo for). Onde o Dalai Lama queria chegar? Ah, era o fato de que o céu é azul e que, mesmo na pior das depressões, deveríamos tentar enxergá-lo sempre azul. Mas não soube dizê-lo assim, diretamente.

Caetano fala de uma cultura, no Brasil, de adoração ao desprezo. Entendo bem do que ele fala. O que se vem falando mal de Chico Buarque e dele, por N motivos, não está no dicionário!

Minha pergunta é a seguinte: se falam mal de Caetano e Chico, essas pessoas ouvem quem, dentro do que se convém chamar de “música brasileira”? Ou exagero? Ou não existem mais fronteiras? Quero dizer, como estou a cada dia num país diferente, afirmo: EXISTEM fronteiras, SIM! Eu, pelo menos (e uma fila enorme atrás de mim) tenho que mostrar passaporte, etc.

Cito Caetano: “… e o fito era nitidamente me tratar como se eu fosse um misto de Sarney com Dado Dolabella.Ao fim da quarta resposta, disse-lhe que fosse embora (Caetano se refere a uma repórter). Ela perguntou triunfante: “Você está me mandando embora?”. Respondi que estava e insisti para que fosse logo. Depois a Mônica Bergamo foi para o rádio gritar meu nome com aquela voz de taquara rachada, competindo em demagogia e má-fé com [o jornalista Ricardo] Boechat.Claro que não ouvi isso na hora: uma amiga me mandou por e-mail em MP3. Havia um desejo ridículo de criar um caso em que eu aparecesse como um cara que não merece respeito.Li artigos de outros na Folha (e cartas de leitores) meio eufóricos com isso. Uma pobreza.”

 Eu, Gerald, volto a perguntar: quem lucra em denegrir o Caetano?

Ou o Chico? 

O Brasil, como pouquíssimos países, fez a revolução modernista. A Alemanha foi um (Bauhaus de Weimar, etc.), Os Estados Unidos, unindo revolução industrial com Dadaísmo e Expressionismo Abstrato (e por aí vai), foi outro. O resto do mundo ainda é extremamente BARROCO. 

Os poetas concretos de São Paulo (falo dos irmãos Campos, da Semana de 22, etc., e até da péssima arquitetura de Niemeyer, aluno de Le Corbusier – que quase não construiu na França (by the way, era Suíço)! – tiveram um ENORME impacto no que diz respeito ao “respeito” pelas palavras e ao possível desrespeito por elas, no sentido de desconstruí-las (“Cale-se, afaste de mim esse Cálice, Pai”).

Os outros países da América Latina (apesar de Borges, Cortazar, Cazares, etc.) não têm essa enorme força, justamente porque estão PRESOS ao continente europeu.

Caetano Veloso é descendente de Godard, de Glauber, e irmão adotivo de Helio Oiticica e filho (sei lá o que estou dizendo) de Carmem Miranda. Sim, essa salada linda que o Tropicalismo fez. E chamá-lo de cantor, somente, é, em si, um insulto.

Mas, no Brasil de hoje, “rebaixar o outro” parece ser o que levanta o ego, ou a carreira de muitos.  Não sei como é essa fórmula, mas parece ser o que funciona. E entendo que Caetano ache isso triste, pobre, etc..

 Nos EUA não xingam Bob Dylan. Não se xinga. Ah, entenderam, não é? Valoriza-se a genialidade. Mesmo que o Oswald (o verdadeiro, o De Andrade) tenha dito que o gênio seja uma grande besteira.

É obvio que me mijo de rir ao ler a coluna de Reinaldo Azevedo sobre a entrevista do Caetano. O RA escreve como poucos e, em seu próprio ofício, não deixa ele próprio de ser um poeta:

Às vezes, parece que a própria Folha é cliente de Paula Lavigne. Entenderam ou fui muito sutil? Ah, sim: Paula e Caetano estão lançando o filme Coração Vagabundo, dirigido por um rapaz “bonitinho” (by Caetano) chamado Fernando Gronstein Andrade, 28 anos.

E por que Caetano está bravo ou “estrila”, como diz o jornal? Bem, em primeiro lugar, porque está lançando o filme e é hora de criar marola. Em segundo, porque a Folha noticiou, em reportagens honestas, que nada tinham de operação de marketing, que o cantor pleiteava — ou seus produtores — incentivos da Lei Rouanet para seus shows. Vocês conhecem a história. Eles foram negados pelo Ministério da Cultura, mas aquele ministro da área, como é mesmo o nome dele?, ficou bravo e demonstrou disposição de rever a decisão.

Pronto! Está criado um caso.” 

Bom, o resto está no Blog do Reinaldo. 

E, juro, não me refiro ao Reinaldo quando falo nessa “torcida contra”, já que ele lida mais com leis fiscais, incentivos. Eu falo do Caetano músico, poeta, inspirador e criador. Um cara que transformou várias gerações e continua transformando.

E esse Caetano é mais ou menos como o Dalai Lama: intocável, acima da crítica. Não importa se o show foi bom ou ruim ou o disco está assim ou assado. E por quê? Porque esse Caetano  é aquele que INICIOU tudo aquilo que somos! Não se esqueçam disso JAMAIS!

 

Gerald Thomas

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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Juíz Proíbe Que Macaco Simão Escreva sobre Juliana Paes: Censura de Imprensa

Juiz proíbe que Simão fale de Juliana Paes, mas não impede o auto-retrato de Rembrandt.

Atriz alega que teve a honra atingida; colunista vê censura e diz que decisão tolhe liberdade de expressão.

Zurich – Saí correndo de Amsterdam. Depois de sete dias,  sendo empurrado pela população e espremido nas ruelas e quase jogado nos canais, resolvi que essa foi minha trigésima e última vez na cidade holandesa. E como a ópera que estou produzindo é aqui, voltei correndo pra cá, só pra me deparar com esse ABSURDO, que leio na Folha! Ah, mas antes, preciso relatar algo. 

Rembrandt, que sempre foi meu preferido (ao lado de Duchamp e Rauschemberg e Bacon – períodos diferentes, óbvio), me tocou dessa vez de uma forma muitíssimo peculiar.

 

Muitíssimo peculiar. Tive uma espécie de tontura, vertigem, quando peguei o bonde numero cinco e parei na porta do museu e subi pro segundo andar. Lá no cantinho, quase escondido, estava esse auto-retrato, que ele pintou aos seus 55 anos de idade:

 

Rembrandt

 

Eu estou com 55 anos agora e… e o quê? Jamais achei que iria chegar a essa idade. Jamais achei que pudesse olhar no olho vivo desse quadro e dizer “caramba, estamos aqui, você e eu, em épocas diferentes – ele em 1633 e eu em 2009, mas ambos com a mesma idade”. Ele, um total gênio. Gênio dos gênios, da Ronda Noturna, da Dissecação do Cadáver. Aquele que meu mestre Ivan Serpa e meus pais me fizeram gostar. Não, não forçadamente, já que a paixão foi instantânea. E cá estava eu, como sempre estive desse lado do quadro, mudo, estarrecido e pasmo,  já que não sou um personagem de Lewis Carroll.

 

Saí de Amsterdam meio atordoado. Também, com tanto cheiro de maconha no ar, quem não sairia? E tanta comida ruim:  ah, descobri: só tem comida pra larica. Pizza, fries com maionese, mais pizza,  uns indonésios fast food… muito Mac Donalds e Burger King (mais que em qualquer outra cidade que já vi!!).

 

Esse auto-retrato, mais que qualquer outro,  me levou a um estado de emoção que poucas coisas em arte me levam. Pina Bausch me levava. Kazuo Ono e Sankai Juku me levam. E o levo comigo porque ele representa a grande quebra do homem que se olha no espelho na época logo após os descobrimentos  e se pinta dentro de sua simplicidade sem ter que se “vestir”. Quem é de teatro sabe o que é “se vestir”. Retrato era coisa para realeza. Rembrandt começou a pintar o dia a dia das pessoas e de si mesmo. Foi o Tchecov da pintura, só que 300 anos antes de Tchecov. Dá um frio na espinha.

 

 Pessoas que levam suas próprias imagens nas camisetas, como Jane Fonda, por exemplo:

 

 

 

Não sei que doença é essa. Ego? Nostalgia?

 

Mas a pior delas todas está aqui embaixo. Sim, porque ela demonstra total ignorância a respeito do veículo para o qual trabalha e não tem um pingo de humor a respeito dela mesma. Leiam:

 

“O juiz João Paulo Capanema de Souza, do 24º Juizado Especial Cível do Rio de Janeiro, determinou que o colunista José Simão, da Folha, se abstenha de fazer referências à atriz Juliana Paes, confundindo-a com a personagem “Maya”, da novela “Caminho das Índias”, da Rede Globo, sob pena de multa de R$ 10 mil por nota veiculada nos meios de comunicação. A atriz moveu duas ações de indenização, uma contra o jornal e outra contra o colunista. Ela alega que Simão “vem publicando reiteradamente nos meios de comunicação em que atua, sobretudo eletrônicos (internet), textos que têm ultrapassado os limites da ficção experimentada pela personagem e repercutido sobre a honra e moral da atriz e mulher e sua família”.Anteriormente, a atriz havia ajuizado ação só contra a Folha na 4ª Vara Cível do Rio de Janeiro, mas não obteve a medida liminar.”  (e blá blá blá…)

 

A (sei lá se ela é atriz… pelo jeito não é!) censora, está com seus mecanismos de defesa em alta. Ah, entendi, ela não gosta que notem que sua bunda é grande, segundo esse relato.

 

Continuando… “do “colunista” sobre a “poupança” da atriz ou sobre o fato de sua bunda ser grande”, já que “sua imagem esteve e está à disposição de quem quisesse e ainda queira ver”, e qualificá-la “nos limites do tolerável””.

 

Meu santo Deus! Que ridículo! Atrizes do mundo inteiro estão fazendo um tremendo esforço para SAÍREM de si mesmas. Adotam crianças em países, digamos assim, em estado de guerra. Tentam ser ativistas políticas da melhor forma possível. E essa aí…? 

 

“É coisa medieval”, afirmou. As advogadas Taís Gasparian e Mônica Galvão, que representam a Folha, consideram que a decisão do juiz Capanema de Souza “trata o humor como ilícito e, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”.

 

Bem, Juliana Paes. Um dia, talvez bem mais próximo que você imagina, você estará virando um outro quadro de Rembrandt. Esse ai embaixo!

 

opened cow

 

Afinal, atores ou não, artistas ou não: somos produtos PERECÍVEIS.

 

 

 

Gerald Thomas, 17/Julho/2009.

 

 

 

(O Vampiro de Curitiba na edição) 

 

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