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Somos Todos Jacksons ou: Quando os Urubus Não Liberam a Alma

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(Jesse Jackson (esquerda) e o pai de Michael Jackson (direita)

Uraniastrasse (Urania Parkhaus) – Como você se sentiria  olhado, vigiado por BILHÕES de pessoas todos os dias? O Jagger, por exemplo, tem estrutura. Adolescente rebelde, mas já estudando na London School of Economics, ele se “ancorou” internamente para ser um “alvo”.

Já Michael Jackson, nasceu ali, menino, pequeno, frágil, no meio dos irmãos. E menino ficou. O sucesso lhe “estourou” na cara. Nem a voz mudou, ou mudou pouco até quinta passada, quando nos deixou.

A repercussão da morte dele serviu até para desviar a atenção das demonstrações contra o Ahmadinejad, no Irã, e outras atenções. Claro, morrer aos 50 anos não é, digamos, natural.

E nos faz refletir um bocado sobre quem somos, o que fazemos de nossas vidas, o quanto lutamos para termos o que temos, para que, no final, o lixo todo de um “império do rancho do nunca” seja desmontado, assim como são desmontados os nossos pequenos apartamentos, nossas caixas, nossos arquivos, nossos armários e segredos que guardamos atrás de mil tabus. Em nome de quê, mesmo?

Na verdade é estranhíssimo. Logo antes do Michael Jackson morrer, eu ia mesmo escrever algo sobre nossas compulsões, obsessões, higiene, nossa OBSESSÃO em esticar a vida. Lembro-me do Caetano Veloso dizendo, certa vez, que Michael Jackson era uma das fontes que mais distribuía alegria pelo mundo. Eu não poderia concordar mais. Quanto a querer prolongar a vida, isso já é coisa da mitologia grega ou shakespeariana e, especialmente, iluminista (Goethe). Mas Hollywood é o símbolo desse prolongamento artificial estético.

É incrível como a morte de alguém tão genial acabe cavando feridas e expondo microscopicamente a sociedade dopada, dopaminada e lipoaspirada: três em cada dez comerciais de TV nos EUA são de “pílulas de promessas” de redução de peso em sete dias. Na vitrine da Barnes & Noble (cadeia de lojas de livros que a Amazon.com não conseguiu matar) metade dos livros são sobre dieta, fitness, saúde, etc. ou as “últimas” promessas de vida eterna.

No entanto a estatística mostra que estamos morrendo como sempre morremos. Claro, em “alguns casos” estica-se a vida até os 90 e poucos. Mas sempre foi assim.

Minha avó também chegou aos 96. O poeta e escritor beat William Borroughs chegou perto disso, tendo sido viciado em heroína quase a vida inteira.  Tem mulheres paupérrimas no nordeste do Brasil que chegam aos 100. Qual a fórmula? Qual a fórmula?  Somente “ELE” lá em cima a tem.

E nós aqui podemos passar os cremes mais incríveis na cara, nos injetar de colágeno do “La Prairie” ou da “La Mer” ou de GH (Growth Hormone) ou do caralho a quatro que acaba tudo dando numa enorme EXPERIMENTAÇÃO dos médicos e laboratórios. Ninguém sabe nada. Todos se promovem à custa da nossa ignorância.

Somos cobaias e radicais livres numa corrida contra o tempo, contra o círculo de giz.

Claro: macrobiótica serve pra alguns. Ortomolecular para outros. Homeopatia ou (pros masoquistas) acupuntura é uma delicia. Mas tem aqueles que se resolvem mesmo é numa boa feijoada.

Agora, para assuntos mais compulsivos:

MAÇANETA DE PORTA DE BANHEIRO PÚBLICO

Algo muito estranho é maçaneta de porta de banheiro público, como o de avião, por exemplo. Depois que você fez lá o que teve que fazer, lavou as mãos, você pega na maçaneta da porta em que TODOS tocaram, um nojo! Faz sentido? Você não sabe se a pessoa anterior lavou as mãos! Não sabe se está infectada com qualquer tipo de vírus. E não houve nenhum “gênio” que ainda inventasse uma forma de NÃO se tocar naquela horrorosa maçaneta de porta!

PADRES-POLÍTICOS QUE SEMPRE MONOPOLIZAM SITUAÇÕES (foto acima)

Jesse Jackson (mesmo sobrenome, não é da família): Michael havia se convertido ao islamismo. Ninguém está tocando nesse assunto.

Diz o Reverendo Jackson:

“Quando o médico veio? O que fez? Deu uma injeção a Michael? E se deu, qual foi a substância injetada? O médico voltou muito tempo depois de ter sido chamado?”, perguntou o reverendo. “A ausência dele levanta questões importantes, às quais só ele pode responder”, prosseguiu.

Só que…

O Departamento de Polícia de Los Angeles, que investiga a morte de Michael Jackson, afirmou neste domingo que o médico do cantor, Conrad Murray, está ajudando as investigações. Na noite de sábado, Murray foi entrevistado pela polícia por cerca de três horas.

Segundo comunicado divulgado pela polícia, o médico, que estava com Jackson antes de o socorro ser chamado à sua casa, se apresentou voluntariamente. “O Dr. Murray foi cooperativo e deu informações que vão ajudar nas investigações”, disse o texto.

Também neste sábado, uma porta-voz de Murray afirmou que o médico “não é um suspeito” na morte do cantor e que ele vai “continuar a colaborar” nas atividades policiais.

“O Dr. Murray ajudou a esclarecer algumas circunstâncias e inconsistências na morte do ícone pop”, afirmou a porta-voz, em comunicado. “Os investigadores disseram que o médico não é um suspeito e, sim, uma testemunha da tragédia”.

Pronto, aí está. Jesse Jackson sempre CORRE para cena. Sempre. Por ser uma pessoa realmente importante (alguns o colocam no local da morte de Dr. Martin Luther King), acabou por se achar “justiceiro”. Mas com Barack Obama na presidência os valores dialéticos mudaram.

O Reverendo Al Sharpton (que monopolizou a morte de James Brown), é outro cuja voz sempre ouvimos (aos berros). Enfim, deixa pra lá. São pessoas que parecem viver de intrigas, de conchavos, escândalos (na esperança que eles nos tragam alguma revelação).

Então copio abaixo um trecho de um texto que adoro de Alan Viola, cujo blog está linkado a este:

“O ato secreto de Ninguém

Desde o processo de renúncia/impeachment de Collor não se parou mais com a onda de escândalos e suas revelações. Não separamos mais a política de maracutaias – espécie de extensão natural da profissão não regulamentada. Passamos pelo lodo do mensalão escandalizados com o PT, que criou-se e se fortaleceu na tese da ética na política. O partido parece que também não sabia que o jogo do poder – o poderio do jogo – poderia levá-lo para onde sempre pautou sua crítica. O PT frequenta hoje o espaço de suas críticas ferozes por décadas. Que doido. Ou era apenas um estratégia? Um discurso roteirizado para forçar a aceitação do círculo, uma contra-senha?

Havia, e há, uma palavra mágica que adere a antigos, e novíssimos, movimentos de atos políticos, uma aceitação generosa da agilidade e maneira peculiar de se fazer política, tradicional, e supermoderna. A palavra é: governabilidade. Ela que sustenta as línguas dobradas e os conchavos. A governabilidade, para não se romper, impedindo a suposta ação benéfica dos governos, é uma aceitação a priori do outro, com suas manias, idiossincrasias e jeito diversificado – uma ação para além do comum. A governabilidade e seu fim tem que superar essa cisma do comum, de que as coisas tem que estar submetidas a uma ética. Tem uma expressão que lhe assegura os atalhos e lhe dá a camada de importância: Em nome da governabilidade! Depois disso, portal e porteira abertos.

Então, expressões novas e bastantes usadas também vão se acercando de nós como o chatíssimo diferenciado, que já deveria partir sem saudades, pois quer ser um adjetivo de marketing do diferente, e já tornou tudo igual. Expressões servem para isso às vezes, nos fazem entender que nem tudo é como nos parece.”

(seu texto por inteiro continua lá no blog do Alan)

Pois é! Ali está: “Ela que sustenta as línguas dobradas e os conchavos. A governabilidade, para não se romper, impedindo a suposta ação benéfica dos governos, é uma aceitação a priori do outro, com suas manias, idiossincrasias e jeito diversificado”.

Leiam isso no contexto dos conchavos Elsinorianos ou Hamletianos, no caso da morte de Michael Jackson, onde reverendos e políticos (às vezes ambos) querem meter a mão  e o bedelho. Essa tragédia,  que já chamei de “Weltschmerz” (dor do mundo), ou dor de sentir a dor do mundo, é uma medida que não tem medida. Mas pessoas sensíveis a sentem: Van Gogh ouvia vozes e cortou a orelha, e não foi por amor, e por aí vai. Jackson sofria as dores do mundo, desde muito cedo.

Grandes estrelas se apagam e as galáxias ficam com pequenos asteróides sombrios querendo 12 minutos de fama. Nunca me esquecerei as lágrimas de crocodilo de Jesse Jackson aplaudindo a vitória de Obama em Chicago em 4 de novembro, cerrando os dentes de ódio. Ele foi, no início, um dos candidatos pelo Partido Democrata.

É isso. Estamos todos tristes. Não nos entendemos, não entendemos nada, e, no entanto, queremos FICAR aqui o máximo de tempo que der. Ego? Muito ego? Todos nós tentamos “prolongar” a vida. Seja ela a vida biológica ou pública, a dos factóides. É antioxidante pra lá, pílula pra cá, remédio pra isso e Omega 3, 6 e 9 pra aquilo. Os laboratórios fazem verdadeiras fortunas e as clínicas lipoaspiram, botoxam, siliconam as pessoas, tudo pra que se ESTACIONE num tempo! Num túnel do tempo.

Num pacto com Mephisto. Numa troca de sangue.

Numa troca dos três poderes, três mãos, minas de sal, estátuas de sal, coisa que jamais será possível.

E mesmo assim os mais poderosos acabam sendo os mais sensíveis e levam nas costas essa merda dessa coisa chamada “WELTSCHMERZ”, ou Dor do Mundo, que vem da compreensão de que está tudo torto, de que está tudo errado, desde a maçaneta da porta do mictório até as mais altas esferas políticas, até o microcosmo das famílias disfuncionais! Não há jeito.

Nascemos com parafusos a menos!

Gerald Thomas

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(O Vampiro de Curitiba na edição)

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Washington: Faltam 3 horas + Carta para "Mileny" (8 anos): Ba-ROCK Obama

“Ba-ROCK Obama”

Carta para Mileny (8 anos)

Amor da minha vida,

Quando o ponteiro do relógio da sala da tua casa aí no Rio (ironicamente ela fica na Avenida Dr. Martin Luther King Jr.) apontar 3 da tarde, aqui em Washington DC estará sendo meio dia, o homem mais inteligente e glorioso deste planeta estará se transformando no nosso 44 presidente. O presidente dos Estados Unidos da América. Quem poderia pensar que isso aconteceria, mesmo há quatro meses atrás? Você , Mileny, está vendo (pela televisão) as filhas dele? Parecidas com você (só que você é mais linda, óbvio!) sempre de mãos dadas com a mamãe Michelle ou papai Barack? Bem, trata-se de uma longa história que começou com alguém que teve um sonho. E desde o sonho foi assassinado. Muitos foram assassinados, Mileny, para que esse dia de hoje chegasse e meus olhos não parassem de chorar e de pensar em você e no mundo em que você estará vivendo e no qual eu já serei uma espécie de passado.

Mileny: aos quase oito anos de idade você tem a linda sorte de se enxergar pequena, linda e negra, exibir esses cabelos de trancinhas e notar que todos olham pra você com enorme ternura e carinho. Mas, quando você estiver com seus 18 anos, talvez lerá essa carta em outra perspectiva e terá uma conversa em perspectiva comigo. No que você terá se transformado? Numa linda bailarina? Numa cientista? Numa médica ou filósofa? Nao importa. Ou melhor, importa sim, porque a mensagem que começou, essencialmente em 1963 quando um dos discursos mais COMOVENTES e mais ouvidos e mais imitados e mais INSPIRADORES da história da humanidade, “I had a Dream”, de Martin Luther King, nos foi “entregue” aqui nessa capital e nessas escadarias onde hoje bandas tocarão, pessoas tocarão… para comemorar seus quase 41 anos de seu… sim, assasinato.

Sim, Mileny: segregação racial. Ônibus para brancos e para negros. Bebedouros para brancos e para negros (que eu ainda peguei quando criança no mesmo Tennessee de Dr King). Ainda bem que você, meu amor, não sabe o que vem a ser isso.

Mas você certamente não notou, como tua mãe e tua avó notaram quando, naquela tarde de feijoada no último andar do Ceazar Park Hotel, no Rio no meio de dezembro passado, enquanto éramos cercados por olhares de brancos curiosos, como era estranho que “não cabíamos lá”. E realmente, como a tua mãe falou: “não cabíamos lá”. Por que será? O racismo camuflado no Brasil não deixaria revelar jamais um Dr Martin Luther King Jr? Será? Quero crer que sim. Mas, se isso não for possível e será difícil que surja, como surgiu, aqui, um Barack Obama. Mestrado pela Columbia e Harvard Universities, assim como sua mulher Michelle, a nova geração, a garotada afro americana ou simplemente ‘the black kids’ como a Oprah quer voltar a chamar e parar com essa coisa de Afro, agora vira uma página FUNDAMENTAL em sua história: percebe que não precisa mais se espelhar em atletas, como Michael Jordan ou Magic Johnson ou mesmo os músicos, como James Brown, Ray Charles, Stevie Wonder ou os milhares de rap ou hip hop que surgiram nas últimas décadas.

Agora o mais novo símbolo de “cool” é SER O MAIS inteligente e letrado e genial e culto político negro do mundo: e por quê? Porque entenderam that YES WE CAN. Sim, Mileny, A Gente Consegue!, Conseguimos se lutamos muito até conquistar a presidência dos Estados Unidos Unidos da América.

AMERICA IS BLACK AND IT’S PROUD.
AMERICA IS THE NEW BLACK

Mas chega de ufanismos!
Mas precisamos desse momento. E como!!!!!
Até a nossa cultura pop precisa.
Ah, Mileny, ontem foi feriado nacional: dia de Dr. Martin Luther King Jr. Sim, a nação inteira parou e se PREPAROU para hoje. E hoje? A nação acordou pra realizar, concretizar seu sonho de 45 anos atrás: ” I have a dream” se torna I AM HERE NOW !

Um dia, talvez, por interesse ou por pura preguiça, você me pergunte por que o Dr King escreveu uma carta da prisão de Birmingham e que ficou tão famosa (“Letter from a Birmigham Jail”). Talvez eu te conte, talvez os eventos avassaladores do tempo que nos atropelam me obriguem a te contar coisas de outros períodos. Por quê? Porque até lá, Barack Obama já terá (se deus quiser), dois termos inteiros de administração na Casa Branca e terá sido o mais revolucionário Presidente Americano desde Abraham Lincoln (que aboliu a escravidão em 1862). Quem sabe, daqui a dez anos, quando você estiver com seus 18, as palavras do sonho de Dr King, visto e ouvido por 250 mil pessoas aos pés do Lincoln Memorial, em 1963 com aquela estátua de dar arrepios Constitucionais e Democráticos dizia cantando de levantar cabelos:

“EU TENHO UM SONHO que um dia essa nação se elevará e viverá o verdadeiro significado do seu credo: que todos os seres são criados iguais.

E deixa a Liberdade tocar, soar. E quando ela tocar – e quando nos deixarmos que isso aconteça!- ela vai tocar em todas os vilarejos, em cada casebre, virá o som de cada estado e de cada cidade e seremos capazes de ACELERAR esse dia quando todas as crianças de deus – negros, brancos, judeus e góis, protestantes e católicos – e nos daremos as mãos e cantaremos as palavras daquele antigo ‘negro spiritual’: FREE AT LAST ! FINALMENTE LIVRES. OBRIGADO SENHOR, Thank God Almighty WE ARE FREE AT LAST”

Então Mileny, te escrevo isso na manhã do dia em que multidões esperam O MOMENTO mais IMPORTANTE da HISTÓRIA deste País. Te escrevo isso num momento em que duas milhões de pessoas se aglomeram na cidade para assistir a posse de um novo ídolo e presidente negro americano. E quero que você saiba quantas vidas isso custou, quanto de escravos ainda existe no mundo, de adultos e de crianças e quanta miséria humana acontece enquanto te escrevo com lágrimas nos olhos porque uma coisa eu sei: VENDO ISSO AQUI PERCEBO QUE NÃO HOUVE PASSO MAIOR dado desde que Neil Armstrong pisou na Lua e (pra te dizer a verdade), aquele passo pra mim nada quer dizer frente aos passos dados no campo da liberdade civil ou da conquista política.

Faltam algumas horas para que Barack Obama assuma sua posição de líder dessa nação. Vamos voltar a ter uma CARA e ALMA digna para o mundo! Espero que a nojeira da administração anterior passe logo.

E, quem sabe…? Daqui a dez anos, se alguém ai em cima der uma forcinha, você olhar a cor da tua pele e olhar tudo isso, as vidas perdidas e as guerras santas e essa loucura toda por causa de pigmentação de pele me olhará na cara e dirá: “será que você escreveu isso loucaço?”

E eu vou te responder, Mileny: não. Washington não era somente uma cidade aquele dia. Era também o espírito do primeiro presidente Americano, depois da Revolução, depois da expulsão dos Ingleses. E agora, como então, o clima está EUFÓRICO, e, pela primeira vez em muito tempo, nós aqui estamos nos abraçando, nos olhando nos olhos, nos dizendo GOOD MORNING, seja lá qual etnia, seja lá qual sotaque, seja qual vestimenta, pois essa é a verdadeira cara dessa imensa US of A. A cara de T.U.D.O e portanto nela cabe o que você otimizar de melhor.

(faltam 3 horas)

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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