Monthly Archives: July 2008

"Esquadrão Gilberto Gil da MORTE ao Teatro!". E agora? Se "o sonho acabou!"O que fazer depois do pesadelo?

Esquadrão Gilberto Gil da morte ao Teatro.

New York – “Nós somos do esquadrão Gilberto Gil da Morte ao Teatro e viemos aqui te prender pela ÚLTIMA vez.”

Essa frase, dita pelo personagem “Tenente Sylvia Colombo” para Marco Nanini em “Circo de Rins e Fígados” (que “autorei” e dirigí em 2005)  fazia o público vir abaixo! Todos morriam de rir e aplaudiam. Era o auge do fracasso do MinC. Gil não falava com a imprensa, viajava pelo mundo dando shows, pegando carona no avião de Lula e cobrando uma fortuna (já que era o “Senhor” Ministro!)  e apertava as mãos de presidentes, Primeiros Ministros, Rock Stars, etc.. E a tal chamada “Classe Teatral” estava furiosa com ele! E como!

Eu ainda havia defendido o Gil contra Augusto Boal (numa época estranha em que esse GT aqui tinha uma coluna no JB e Gil sofreu ataques do autor do Teatro do Oprimido, sei lá… algo no estilo de “você sabe piar bem, mas….”). Eu, violentamente, defendi nosso hoje “ex”.

Mas Gilberto Gil ODEIA ser defendido assim como ODEIA ser atacado. Ou seja: o homem, inteligentíssimo (e cujo talento não precisa nem entrar em discussão), não gosta de ser julgado: sorry! A vida.

Lembro-me como se fosse ontem: eu estava na tenda especial montada na Rocinha onde Gil iria dar um show. Foi um fracasso. Caetano e Paulinha, Junior e eu, conversávamos sobre algo que não me lembro – quando Lula havia ameaçado anunciar a candidatura de Gil. Repórteres para todo lado se atropelando. Gil saindo de uma van como Greta Garbo: “Não sei de nada, me dêem óculos escuros (era de noite), não, não, não…” (e entrou correndo na tenda!).

Dias depois: No Jardim de América, subúrbio carioca, num show do Afro Reggae, indo de uma tenda pra outra, o próprio Caetano já dizia: “Gil está impossível! Virou ministro! Não fala mais com ninguém.” Mas Caetano dizia isso naquele tom macio, suave e carinhoso de sempre: minutos depois, os dois estavam se apresentando para uma multidão!

Ministério da Cultura? Nesse Brasil de hoje? No lo creo!

Depois que Paulo Autran e muitos ícones do teatro foram insultados pelo hoje ex-ministro por serem “elitistas” (como se ele, o compositor – cantor REI, como se considera,ao se apresentar em Tókio, Paris ou aqui no Carnegie Hall a 125 U$ não fosse!!! Ha ha!). Pergunto-me se o Brasil realmente precisa de um Ministério da Cultura! Acho que não! Pra quê? Pra empilhar projetos? Deixá-los na poeira? Ou favorecer os amiguinhos?

Sergio Mamberti está lá, do seu lado: se ele fosse nomeado seria o máximo! Taí um verdadeiro HOMEM da Cultura. Mas não será. Fica esse Juca. E nada muda! E tudo caduca!

Talvez seja o caso de se voltar mesmo para EDUCACÃO!!!!!  Um ministério da ALFABETIZACÃO!!!!!

Andrzej Dudzinski, ilustrador, pintor e teatrólologo polonês, de Varsóvia, é meu amigo faz (uhhhh) quase 30 anos. Fazíamos parte do time que ilustrava a OpEd page do New York Times, dia sim, dia não. Hoje está  de volta à Polônia e nos fins de semanas ele me previne: “vou estar fora do ar: estou indo para a colônia de artistas à uma hora e meia de Varsóvia, no meio do campo, árvores e tal….” Que luxo! Isso antes da Polônia se juntar à Europa Unidamente Desunida!

Fico pensando na história triste da Polônia e como o Andrzej fugiu da ditadura stalinista, pré-Jeruzelski, pré-Soldarienosk, pré-Lech Walesa (o Lula de lá, que deu certo) e….

“se dedicar a carreira de compositor e cantor”, como Gil afirma….

Assim como o resto poderia ser o Silêncio de Hamlet decretado por Fortinbras, a caminho da Polônia (olha, como tudo não é um acaso!).

E, como em alguns acasos, o negócio mesmo é ARRUINAR o que já não andava muito bem.

Gerald Thomas

Obrigado Vampiro na correcao e edicao do texto, as always!

PS: nao posso dizer que estou “isento de Gil” na minha vida.  Minha cia de teatro foi produzida, em Salvador pela GG producoes artisticas em 1990. M.O.R.T.E. (Movimentos Obsessivos e Redundantes pra Tanta Estetica) era o espetaculo: nao vou entrar em detalhes.

PS 2: ele foi muito gentil comigo logo apos a estreia do show “Sorriso do Gato de Alice” que fiz pra Gal em 94 (muitas musicas de Gil). Ele, pela 1  e unica vez, me deixou um recado carinhoso naquelas secretarias eletronicas que haviam antigamente: com K7 e tudo.

PS 3: EDITORIAL da FOLHA de S Paulo de 1 de AGOSTO:

“POUCO PUBLICO”

Pouco público

INFELIZMENTE , a notícia de que Gilberto Gil deixa o Ministério da Cultura parece dizer mais respeito ao chamado “jornalismo de celebridades” do que aos assuntos de Estado. Grande parte desse efeito se deve, como não poderia deixar de ser, ao seu renome como artista e ao magnetismo de sua personalidade.
Ocorre que um dos principais méritos de Gilberto Gil foi justamente o de emprestar sua própria visibilidade midiática a um ministério cronicamente sem verbas e sem presença nas prioridades do governo.
A perene carência orçamentária não é a única justificativa para a inação do Ministério da Cultura. Em questões de grande importância, como a da Lei Rouanet e a dos direitos autorais, Gilberto Gil procurou movimentar o debate, sem poder traduzi-lo em propostas concretas de transformação.
São notórias, a esta altura, as distorções criadas pela atual legislação de incentivo à cultura. Apoiaram-se, com os recursos do contribuinte, projetos que teriam condições de se sustentar sem subsídios. A população carente de ofertas culturais e as instituições formadoras de talentos ficaram de lado.
É que as necessárias correções na Lei Rouanet -instrumento que tem a grande virtude de conter o aparelhamento político da cultura- esbarram tanto numa falta de real interesse político do governo para implementá-las, quanto no excesso de interesses, muito reais, dos setores que se beneficiam do sistema em vigor.
Refletem-se com isto, na verdade, as clássicas dificuldades em encarar o acesso à cultura, sua preservação e fomento, como uma questão de natureza pública, que transcende tanto as pressões corporativas quanto as tentações do dirigismo estatal.
Gilberto Gil pôde dar “publicidade” à pasta da Cultura. Não foi o suficiente, todavia, para colocá-la de fato como parte atuante do serviço público brasileiro.

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Vamos acabar logo com o inimigo? Obama: astro POP visto pelo deserto do Arizona e pela Guernica de Picasso, ou pelo Africasso, um modesto e lindo projeto de Simon Yiga, garoto jovem su-africano: AFRICASSO!

Obama, Lula, escândalos, problemas existenciais, riqueza e pobreza, quem está certo ou errado, Iraque, vítimas, retórica, retórica e retórica… A arte, sua inutilidade, pessoas que sabem TUDO, mas não saem da toca. E fala-se  disso e daquilo, sobre os homofóbicos e sobre as diferenças entre a seriedade de “interpretar” um papel e “to play a role”, ou seja, “brincar” de fazer um papel no palco. Mas raramente se fala sobre um jovem negro de 25 anos, empresário, sul africano, natural de Johanesburgo.

Pois! Seu nome: Simon Yiga. Idealizador de um projeto maravilhoso: “Africasso”, tremendamente inspirador. África e Picasso. Não se trata de uma ONG, não se trata de querer “curar” a miséria. Simon “coleciona” trabalhos de artistas da África inteira e junta tudo num espaço virtual e, de lá, vende pro mundo.

Mas, de uns tempos pra cá, ele tem me revelado que está mal humorado, chateado, puto mesmo. ‘Afroputo’ mesmo: “What is it, Simon?”.

“São esses merdas do Zimbabwe que vêm pra cá, roubam nossos empregos e trabalham por 25 cents….”. Acho que não preciso dizer mais. Conhecemos esse filme. Nos EUA, temos 12 milhões de mexicanos “legalmente ILEGAIS” catando espinafre e uva na Califórnia. E dominicanos, equatorianos, etc., catando o lixo em Columbus, Ohio. Trabalho que americano NÃO QUER mais fazer.  E aí? Como se sai disso?

Obama ficou pop no mundo, esta virando ícone.

Uma das maiores questões que Obama terá pela frente será a questão dos ilegais. Simon tem verdadeira paixão por ele, assim como eu. Simon, assim como eu, quer pôr um fim a essas guerras inúteis, invasões absurdas baseadas em mentiras e uma vida quase paranóica de escutas telefônicas legitimadas por um Patriot Act e serviços de Intelligence Gathering Agencies que até hoje, quase 7 anos após a queda das torres, não prenderam ou mataram Bin Laden. E só conseguiram disseminar mais ódio contra os EUA e criar novas células de terroristas! É isso. Hoje, somente hoje, morreram 28 em Bagdad e 22 em Kirkuk, vitimas de homens-bomba. Mas Bush diz que esta melhorando e tudo sempre sobre controle. Da?

Às vezes, não sei o que fazer com esse Blog. Não sei se devo cumprimentá-lo todos os dias ou ainda me pendurar nos galhos que restam. Esse blog brota como um arbusto ou um cacto no deserto do Arizona. Talvez eu devesse ser engolido por um iguana, como foi a Andréa N., ou a Andréa Schwartz, aquela que inventaram como filtro pra mascarar o que realmente o Eliot Spitzer, ex Governador do estado de Nova York, fazia naquele quarto de hotel em Washington… atchim!

Alguém, no vasto silêncio da solidão de uma campanha política pró-Obama no estado do Arizona – território inimigo porque esse AZ pertence a McCain – me perguntou porque eu me encostaria num blog como se ele fosse algo físico, palpável.  Assim como o Simon em Johanesburgo, olho pela janela e deliro. Deve ser o deserto imaginário. A cultura jalapenha!

Explico: Sou nômade. Sou assim como a Espanha: dividido em quatro. Às vezes preciso me encostar, sentar, descansar em algo, mesmo que seja em algo virtual. Pode-se dizer que a Espanha (assim como a Itália ou a Inglaterra), muda de identidade e de sotaque a cada 15 quilômetros. Mas prefiro dizer que sou como a Espanha.

Quando venta a morte na profunda relva

e remove do ocidente todas as imagens

que as nuvens erguem – então

vem a noite e lê as estrelas.”

(poema retirado do livro “Aventuras de Uma Língua Errante, por J. Guinsburg – editora Perspectiva)

E quando as estrelas aparecem tudo fica numa perspectiva triste. Ficamos pequenos. Mínimos. Não ha Johannes Kepler que nos coloque num lugar real. Somos efêmeros e passageiros e nossas dores, meras expressões de egos inflados. Alguns mais inflados que outros.

Me pego num simples beliscar, petiscar, mandando um email desejando “merda” ou “Break a Leg” pra alguém que teve estréia de um espetáculo teatral essa semana. Gesto de carinho, óbvio. Resposta? Pouco importa, já que pouco, pouco importa. Digo pouco nada importa, ou nada realmente importa nos continentes onde as coisas importadas importam: na África de Africasso e de Nelson Mandela, por algum motivo, onde o Simon ainda é revistado pela polícia por ser negro, por morar em bairro de brancos(!!!!), às vezes quero mesmo é desistir! Mas quem sou eu? Nada e ninguém!

Já que hoje, o que realmente importa seria o pop e a multidão que ovacionou Obama em Berlin, lá pela casa dos 200 mil. Tipo, meio Woodstock. Só que na Alemanha, eu tenho medo dessas multidões. Em 1933, também havia multidões ovacionando.

Não, chega disso. Como eu disse, sou como a Espanha. Sim a de Franco,a de Hemingway,  a de Guernica de Picasso. Uma única lâmpada ainda acesa. Em volta, destruição, Guerra Civil, mortos, fascismo, etc.

Sim, o Obama, pra mim e para tantos que conhecem os Estados Unidos e não querem mais a constante mentira da chamada “guerra contra o terror” desorganizada, mas sim algo que não aliene as pessoas, e sim o sonho já tardio de Dr. Martin Luther King Jr. A guerra contra o terror terá que continuar nos lugares onde, de fato, ele, o terror, existe.

No Iraque essa invasão só fez mesmo espalhar terror, matar civis que nada tinham a ver com isso, deixar soldados americanos em body bags e em estado de trauma e mutilação irreversível.

“Como em qualquer guerra”, contra-argumentaria  o interlocutor. Não senhor. Talvez Hitler justificasse a invasão da Polônia através de métodos tortos e estupidamente históricos, até que voltasse a Napoleão: afinal, a Polônia era outra terra como eu, como Guernica, quebrada, estilhaçada, com uma lâmpada no meio (se tanto) unificando vozes, idiomas, etc.

A invasão do Iraque e aquela monstruosa, repito, MONSTRUOSA reunião, convenção dentro de MIM, aqui dentro da Espanha, das quais participaram 21 países “para comprar e disputar os direitos pela RECONSTRUÇÃO do Iraque” !!! Que loucura!! Aquilo foi uma coisa tão sórdida que nem meu braço esquerdo (que chamo de Lorca) conseguiria explicar.

As mentiras são mantidas até hoje que nem meu braço direito (que chamo de Generalíssimo Franco) consegue explicar: não havia Armas de Destruição em Massa. Sabia-se disso, já que as várias expedições da UN, Hans Blix e companhia, nos afirmavam isso com certeza.

E, de fato, não encontraram nada. Até hoje, nada foi encontrado. Só fizeram mesmo foi abrir a porta para a INDÚSTRIA do jihad. A indústria dos que odeiam, a indústria do ÓDIO, dos meninos e homens-bomba, dos lagos de mel e das 72 virgens esperando os pobres virgens… Ah, Saddam! Claro, esqueço Saddam, aquele que, durante seu BRUTAL, regime gaseificou curdos, surdos, cegos e mudos.

Certo. Mas na operação Desert Storm de Bush Sr e de Clinton, achou-se melhor NÃO bombardear o paÍs inteiro e não ir em busca do petróleo óleo e nem por menos que uma única desculpa de se perder recrutas, pois Osama Bin Laden tem a ver com o Talibã e Afeganistão, e talvez até o Paquistão, mas uma coisa sempre foi certa: Saddam e Laden se odiavam. Sim, entre árabes assim com dentro de mim, aqui dentro, os Bascos e os Andaluzes e Catalães não se topam, se tripam, não trepam.

Vamos derrubar todos aqueles que consideramos horrendos? Vamos? Vamos inventar e difundir campanhas horríveis a respeito deles até que, na centésima rodada ela talvez se torne uma… ”meia verdade”?

Que tal começar pelo espelho do próprio banheiro?

O espelho de Bush está estilhaçado, assim como eu. Já me viram? Já me viram pendurado no Prado ou em reproduções em livros? Eu, Guernica, sou horrenda, feia de morrer e por isso fui pintada, pra meter medo numa época em que a arte ainda fazia algum sentido.

Robert Langdon Lloyd (Royal Shakespeare Company)
na producao de ALL STRANGE AWAY (premiere mundial) de Samuel Beckett, direcao e adatacao de Gerald Thomas
(Harold Clurman Theater – 1984- NY)

Aqui embaixo, um retrato do que eu sou hoje, só que representado por um ator meu, digo, um ex-ator meu, Robert Langdon Lloyd, em All Strange Away, peça que adaptei da prosa de Beckett em 84 num lugar remoto do mundo chamado Nova York. Tristes lembranças não ter mais uma cara, uma face, uma terra, pois explodiram temporariamente com nossa identidade até novembro, quando teremos eleições, e então quem sabe… Assim como o Generalíssimo Franco explodiu comigo e, grande parte da população dizia que elegera o grande mestre do teatro! Mestre do teatro? Os grandes ditadores são mestres do teatro, mestres do teatro da crueldade. A xenofobia dos povos, a defesa de suas identidades mesquinhas, ughhhh, numa era cada vez mais de plástico-derivado-do-petróleo faz com que moral, escrúpulos, essas coisas me tornem, eu , a Guernica, uma pintura ameaçada. Na África ou no Arizona então, mais ameaçada ainda. Não por causa das atrocidades históricas remotas, mas pelas atrocidades dos últimos 8 anos de administração Bush e que ainda veremos sendo descobertas aos poucos e que, deus me livre, se sobrevivermos…sentiremos o troco.

Gerald Thomas

Obrigado Vamp pela edicao, correcao, etc!!!!

PS: Importantissimo! Media Biased Against Obama

by DAVID KNOWLES
JUL 28TH 2008 9:22AM
A George Mason University Center for Media and Public Affairs acaba de publicar um estudo que prova que as tres NBC, ABC e CBS foram muita mais DURAS com OBama do que com McCain nos ultimos 6 meses de campanha! Isso se chama de?
De que?
adivinhem!
GT

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Censura ou simplesmente “subjetivismo” daqueles que não querem que a gente veja ou tenha acesso à noticia: o caso dos que ORGANIZAM nossas vidas à nossa revelia!

O Caso do fotógrafo que foi barrado no Iraque

Um freelance, ou, como brasileiro prefere dizer, “frilancer”, foi banido depois que colocou várias fotos de Marines (quem não souber quem são os Marines, saiam do artigo já!) na internet. Ah, detalhe: muitos dos Marines, nas fotos, estavam mortos.

Entra-se, aqui, num território perigoso e sensível sobre jornalista que cobre guerra, invasão, etc.: a que ponto ele/ela tem sua autonomia ou são submetidos às Autoridades Militares para controle de imagem e informação?

Sim, assunto de extrema sensibilidade em estados que se dizem “democráticos” e que dispõe do FIRST Amendment. Essa “emenda”, na Constituição dos US, conserva o direito de livre expressão. Mas até que ponto? Quando vemos um jornalista “embedded” (o vemos dentro dos tanques, nas trincheiras, etc.) junto com as tropas, o quanto sabemos sobre suas atividades ou cumplicidades com elas, as tropas? O quanto sabemos sobre  a Rede de TV que está nos trazendo àquela notícia? Isenção? Não, não existe! Existem os anunciantes. Isso, sim, existe! Ah, e os ‘Nielsen’ ratings… o Mr. Ibope!

Pois então!

No caso específico de Zoriah Miller, o tal fotógrafo: Se os militares conseguirem, de fato, barrá-lo (como querem) de tirar mais fotos em território Iraquiano, a palavra real seria Censura!

Mas por quantas não passamos todos os dias sem sequer sentirmos mais o seu odor? Na convenção de blogueiros e blogueiras se estabeleceu que nem os blogs estão livres de censura, pois os patrocinadores não gostam de certos “temas” e se irritam com certos assuntos.

Esse século 21 está transformando, manipulando a mídia – mais que nunca – num brinquedo Orwelliano (pior que Orwell jamais pôde pensar, ou Kafka jamais descreveu em seus “Processos”, “Castelos”, etc.), e por quê? E por que você pergunta?

Porque o ataque, a censura, não vem diretamente. O inimigo não tem visibilidade e as conversas com editores nunca são francas, transparentes ou abertas. Nesse mundo “tão redondo que não se sabe onde começa ou acaba” (Colombo não previa isso, seu ovo tão pouco), os assuntos nos vêm através de FILTROS.

E através deles vivemos. Achamos que estamos descobrindo coisas; a geração que realmente entendia a fusão das raças e das tribos que compõe as terras Árabes de hoje, a Europa e suas fronteiras provisórias, as emboscadas étnicas (ou essa Europa do Euro, como ela se encontra depois da queda do MURO hoje, etc.), essas pessoas estão desaparecendo. Difícil explicar para um jovem que o Irã não é um país Árabe. Difícil explicar que a Turquia também NÃO é árabe!!!!!! A geopolítica do ódio tende a transformar a cara do “inimigo numa coisa só”. Por isso, muitas vezes, Buenos Aires ainda é a capital do Brazzzzilllll e Rio de Jeneeeirooo fica na Argent’aina’, com suas lindas mulatas dançando el tango! Eta! Não, eta são os separatistas bascos!

No mais, o resto virou gelatina sem memória e filtrada de forma não-orwelliana, não ostensiva. No caso do tal fotógrafo, ele receberá um grande e sonoro NÃO, provavelmente. Mas no nosso, o acesso à informação ainda (e sempre) será completamente subjetiva, mesmo quando o repórter se diz independente, trabalhando pra uma agência de notícias “neutra ou imparcial” (piada maior não poderia existir).

Ora, meu senhores! Este artigo não pretende ser uma longa tese aprofundada sobre os  “direitos” ou liberdade de expressão. Longe disso. Numa sociedade onde qualquer um entra anonimamente na vida do outro e câmeras CCTV  te pegam em elevadores ou podem estar instaladas em quartos do teu hotel (sorria, você  está sendo filmado!) , onde os yellow cabs e livery cabs novayorkinos nos filmam enquanto as mini-tvs que o prefeito Bloomberg instalou nos táxis não desligam  nem quando se clica OFF (o Al Roker continua falando, falando, falando!), e os provedores sabem onde estamos através de nosso IP ou sabem de onde estamos falando por causa do GPS instalado em nosso celular, o  “ataque da mídia como um todo” parece ser um inferno mesmo.

Não se sabe até hoje 0 dia da convenção de blogueiros, três dias após a convenção de teatrólogos, cinco dias após a convenção dos ecologistas. 8 dias após a convenção dos pedófilos, 10 dias após a convenção de Genebra, 13 dias após a convenção dos Alcoólatras Anônimos (que querem introduzir um décimo terceiro “passo” porque doze não estão mais dando), e 24 dias após a convenção dos ex-amigos de Marilia Gabi Gabriela,  e 46 dias após a convenção dos que organizam convenções, sempre irei lembrar-me de uma frase gloriosa de Marcelo Tas: “Blog é uma coisa que se faz quando se vai ao banheiro de manhã, antes de puxar a descarga”.

Eu, modestamente, estenderia isso ao resto da mídia, como um todo.

Ah, Reinaldo (Azevedo), MIL E TRÊS perdões por ontem. Fiquei super mal. Erro meu. Mas, me deixe sofrer. Não me tire esse direito, já que sei que errei, errei, errei (o eco se ouve nas montanhas enquanto as auto-chibatas já acumulam 80 mil)

Gerald Thomas

obrigado Vamp mais uma vez pela edicao!

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Sociedade dopada por Psicotropicos! Pequenas sociedades Secretas. Todo mundo dopado, dopa-minado!

Pequenas Sociedades Secretas

Me sinto estranho às vezes, ansioso, não sei o que fazer, quero espancar as paredes” – me diz um dos meus vizinhos, ex-editor da revista PRINT, Marty Fox. Com seus 76 anos bem vividos, esse editor e também autor de teatro, é um ser extremamente ansioso.

Marty, por que você não tenta tomar Rivotril ou um outro ‘benzo’ qualquer?” Ele não quer. Não quer saber de Valium ou Frontal, Lexotan ou esses que baixam a bola.

Mas Marty parece ser um caso único.

A sociedade moderna está dopada. Ou dopa-minada. Ou minada por total! Pior que isso: está psicotropicamente congestionada. Quem dera a palavra psico-trópico tivesse sua base aqui nos lindos balneáreos caribenhos ou brasileiros, movimentos tropicalistas, mas não: mais tem a ver com o famoso livro “Tristes Trópicos” de Claude Levi-Strauss, o mais famoso antropólogo do século XX.

Falo de experiência própria: faz uns dois meses encarei uma psiquiatra em Nova York. Tudo bem. Depois de uma hora e meia de “entrevista” ela anotava algumas coisas que eu não considerava de nenhuma relevância:

1- Você tem pânico quando esta no meio de pessoas?

2- Você tem pânico quando está abrindo a porta ao sair de casa?

A vontade era a de bocejar. Tendo passado por verdadeiros mestres Freudianos e Lacanianos e tomando um poderoso Topamax + Rivotril, desde que ví, da minha janela em Brooklyn, a queda do World Trade Center naquele dia trágico (e ainda tendo que trabalhar como ‘voluntário’ no buraco- ground zero – por 21 dias) eu estava um caco, um estilhaço. Quatro dias depois de 11 de setembro eu era o próprio personagem rasgado de Beckett, com suas roupas empoeiradas…..mente em frangalhos!

Bem, voltando a tal entrevista com a tal psiquiatra: saí de lá com uma prescription (receita) de Lexapro. Primeiro eu deveria tomar 5 mg ao dia e subir para 10 mg no décimo dia.

Eu ainda me lembro de ter perguntado sobre efeitos colaterais: “Não, não terás nada. Imagine. Se, por acaso , no início, tiver algum pânico, alguma tremedeira, como muita ansiedade, quebre uma pílula de Rivotril ao meio e tome”, ela me disse.

Estranho porque, entrando no site do Lexapro, dizia-se que o medicamento era usado justamente para combater o pânico e ansiedade!!!

Tomei por 21 dias e chutei o pau da barraca! Não agüentei. Claro que por alguns dias, o mundo ficou LINDO, deu aquela fome de comer ‘fondue’ e traçar todos os queijos suíços, mas e a libido????

Assim como já havia acontecido com o Prozac, a libido foi dar uma caminhada na Sibéria. Ao contrário do Zoloft (que também experimentei por um tempo, mas abandonei porque é como uma sinfonia de Brahms: não se chega ao orgasmo NUNCA!!!!!) o Lexapro é, sim senhor, um tremendo broxante!

Curioso: faz um tempinho, um amigo muitíssimo querido, também analista, me deu um Viagra pra experimentar. Um dia experiementei. Confesso que minha visão ficou tão blurred (embassada) , tão completamente turva, que PERDI a mulher que estava na minha frente. Me deu até um pouco de náusea e… tudo foi pra baixo!

Voltando pros psicos, ou psycos (como a gente chama os loucos nos EUA), a sociedade parece mesmo não se agüentar! Só mesmo se juntando a essas pequenas sociedades secretas é que se descobre que todos os amigos também estão tomando.

Lexapro? Porra, tô com ele e não abro, já faz dois anos” Não foram duas ou três pessoas, foram mais de dez. E quem não falou do Lexapro, falou do Effexor, do Praxil, do Wellbutrin ou sei lá do quê; ESTÁ TODO MUNDO DOPADO, ou melhor, todo mundo “seratoninando” com esses SSRI!!!

Que locura! É mais ou menos como entrar em qualquer outra sociedade secreta! Terreiro de umbanda, por exemplo: caminhos sigilosos pra chegar não sei até onde…e, de repente, chegando lá: generais quatro estrelas, policias, artistas, arquitetos renomados, sorveteiros, políticos, etc. Parece o próprio “O Balcão” de Jean Genet!!!

Isso tudo me remete a uma única coisa!!! Ao meu mestre Samuel Beckett, cada dia mais montado e cada dia mais trivializado! Abro as páginas dos jornais do mundo e, dá-lhe Beckett. Desde os “Dias Felizes”, com a Fiona Shaw, até o Micha Barishnickov, fazendo os Beckett Shorts (Eh Joe) ou Peter Brook, passeando pelo Brasil e pelo mundo com seu pocket Beckett e Ralph Fiennes e Liam Neeson interpetando, entre outras coisas “First Love” (Primeiro Amor), no Lincoln Center Festival.

Gerald Thomas e Samuel Beckett

Foto: Gerald Thomas e Samuel Beckett em Paris, 1984

Ah, que saudades do Lincoln Center Festival! Eu e as Fernandas (Monetenegro e Torres) fazendo o nosso Flash and Crash Days. Eu nem sabia que, aqueles sim, eram dias…felizes. Explico: a enorme empatia entre os textos CINZAS de Beckett com os dias de hoje não são à toa! Uma maneira de sair desse tom cinza é tomando antidepressivo. O outro, é formar , ou fazer parte, como fiz por anos a fio, anos e anos, dessa sociedade (agora nada secreta) de aficcionados por textos de Samuel Beckett, que celebram o eterno lamento do berço até o túmulo (the same old moans and groans from the cradle to the grave).

Encarar a realidade custa caro: com psicotrópicos, mais caro ainda. Talvez, colocar um manto cinza e recitar no palco, dia após dia, “Imaginação Morta, Imagine”, ainda seja a farsa mais holística de encarar a vida de frente, já que sabemos como somos e quão frágeis somos perante a imensidão do desconhecido de nossas próprias mentes.

Gerald Thomas

(na edicao, obrigado: Vampiro de Curitiba)

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UM MES de BLOG – Briga terrivel com Ali Kamel – eu defendo que o Brasil esta maravilhoso, bem nutrido, e o nordeste esta alimentado a base de confit de canard com puree de mandioquinha importado da Nigeria, servido com Vinho do Porto: so Kamel nao quer enxergar isso!

Um Mês de BLOG, quem diria????

Hoje, exatamente Hoje, esse blog completa um mês de idade. Eu esperava, la no inicio, que chegaríamos – no maximo – a uns 40 mil hits. Caramba! Olhei o sitemeter agora e….estamos bem alem dos 60 mil. O que foi que aconteceu?

Desde artigos “culturais” ate uma BlogNovela que autopsiava uma traveca encontrada com um bafômetro entalada no esôfago ate artigos fervorosamente pro Obama ou textos do Vampiro de Curitiba, ácidos, sobre o caso Dantas/Nahas etc, ou meus sobre Duchamp e orgias de heteros homofobicos e mesmo….Chega! Quem leu, leu e quem não leu que va aos arquivos.

Quero agradecer minha parceira de mais de 4 anos, Ana Peluso, e a incrível equipe do IG (Caique, Marcela, Rafa e Clarice e todos que me atendem quando ligo pedindo SOS!!!), Caio Túlio Costa e meus eternos e queridíssimos comentaristas de sempre. Eles sabem quem são. Fico evidentemente incomodado com o baixo nível de alguns comentários mas, ao mesmo tempo me orgulho de deixar “vazar todos”, mostrando assim a verdadeira cara do Brasil internetizado (ainda um mínima elite de bobalhões que me “advertem” nos comentários: “Va arranjar trabalho, seu vagabundo!!!“). So olhando, rindo e me perguntando qual pobre infeliz sentado num escritório de 9 as 5 sofrendo de algum TOC ou outros compulsivos…Mas não. Não estou aqui pra agredir o leitor.

Comecei o dia telefonando para a Carmen, viuva de Haroldo de Campos e estou indo visitar Jacó e Gita Guinsburg, velhos parceiros (editores dos livros a respeito da minha obra), quando deparo com um interessante artigo de Ali Kamel publicado hoje na Folha. Liguei pra ele na hora. Ligação internacional via skype, olhando um na cara do outro: eu na Síria, ele de plantão no sul do Brasil, fronteira com o Uruguay.

Kamel – Padilha (cineasta , Tropa de Elite) disse que há no Brasil 11,5 milhões de pessoas passando fome. Como esse número não é correto, escrevi artigo no “Globo” contestando-o.

Gerald – Ali, perai. O Padilha faz cinema! Cinema e ficção estão lado a lado. O Brasil esta bem nutrido, a bolsa esmola esta dando super certo! Nunca vi povo mais bem informado e mais bem nutrido que esse aqui (mental e fisicamente: outro dia, no meio da Caatinga, me ofereceram “confit de canard, acompanhado de puree de mandioquinha com molho de vinho do Porto regado a vinho Tignanello, safra 86“), e tudo isso vindo dos Cofres Públicos do Sr Lula. Será que você não sabe mesmo ou esta se fazendo de bobo?

Kamel – Nas famílias que passam fome no Ceará, as crianças, na falta de comida, alimentam-se de uma mistura de água e açúcar, a garapa, daí o nome do filme. Padilha e Menezes enfrentaram as questões que propus com algumas provocações e muitos erros. Vou ignorar as provocações, mas apontar os erros principais.
1) Padilha e Menezes disseram: “A Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, de 2002-2003, revelou que, nos domicílios de até um salário mínimo ……

Gerald – Para! Para, por favor para, Ali, digo, para, Kamel!!!! Já disse que o Padilha esta maluco e que esta aficcionado! Nada sabe sobre a real! Você não pode ignorar as provocações! Eu tava conversando anteontem com o Reinaldo (Azevedo) justamente sobre como esse Brasil esta exemplar e como isso aqui deveria ser o grande modelo da verdadeira ORDEM, PROGRESSO e JUSTICA !. O recente caso do STF, do Protogenes (lenda mítica grega, criada por Sófocles!) contra, a favor e contra de novo sobre o vilão/herói Dantas de Inferno. Por exemplo….

Kamel -Isso é inteiramente falso, tão falso que não imagino como alguém que faz um filme sobre fome erre assim.
 A POF mostra que, nas famílias mais pobres (rendimento per capita de até um quarto de salário mínimo), a dieta é composta por 69% de carboidratos, 12% de proteínas e 19% de gorduras.

Gerald – Você e suas estatísticas! Juro! Que saco. Se recusam a ver que Fidel Castro e Chavez resolveram o problema. Não tem essa de carbs ou proteína mais!!! Hoje em dia o negocio se faz assim: distribui-se uma tela de Portinari (reprodução em lito, ou em serigrafia ou mesmo em xérox) e o povo se alimenta “espiritualmente” daquilo. Depois, vão orar! Todo mundo ora! Levantam as mãos, se dão as mãos, choram, berram, caem no chão em êxtase múltiplo, um orgasmo ecumênico e PRONTO. Não adianta usar a Santa Estatística: nem o Vaticano,….

Kamel – A Bolsa Família …..

Gerald – Não me ofenda Ali querido, não me ofenda. Vamos la fora. Estou arregaçando as mangas. Partir pra briga!

Kamel – Serio! Apenas quem passa fome e aumenta o valor recebido pelos beneficiários. E perguntam: “Ora, mas, nesse caso, o que aconteceria com as famílias excluídas do programa?”

Gerald – Não, não vou continuar discutindo cifras com você. Você se RECUSA a ver que o Brasil esta um PARAISO, se recusa a enxergar que o Brasil esta completamente LIMPO de qualquer tipo de corrupção. Se recusa a enxergar que o brasileiro virou o povo mais CULTO, bem informado (olha so O GLOBO, afinal… a edição diária não eh de 6 milhoes de exemplares so em bancas? E a Folha? Ta uma loucura isso! Pessoas brigando pra ler um exemplar! Não existe mais papel!!! Já passa de 10 milhoes de exemplares, fora os assinantes online que devem estar na ordem de 140 milhoes já que o pais esta COMPLETAMENTE cabeado ou wi-fi ou cartão via ondas curtas medias e FM!!! Digo, FHC! Não, Elio Gaspari)

Trata-se do Primeiro Mundo mas você, Ali não quer ou não consegue enxergar que o Lula transformou (sim, sim, com todo seu autismo, ele não vê, não ouve, não consegue apalpar nada em volta e mesmo assim….) ele transformou o Brasil numa Suécia!

Kamel – Não consigo mais discutir com você! Por isso cancelei a tua coluna no Globo….Liguei pro Erlanger e….

Gerald– Não, eu que fui pra Folha! Fui pro Die Zeit, pro….

Kamel– Mas agora você esta perdido nesse mundo sujo dos Blogs,do lado do Nassif ai..que horror!

Gerald – Mas eu tenho meu teatro.

Kamel – Do “teatrinho” como o Xexeo chamou com toda a razão! E para de me encher o saco que eu tenho que ligar pro Zuenir!

Gerald– Poxa! Logo no dia do aniversario do Blog, Ali!!!

Pois! Assim a vida passa. A uva também. Na verrdade quero mesmo dar os parabéns a todos, principalmente aos meus eternos queridos aqui do Blog. Ah e, claro, aos meus DETRATORES, VIDA ETERNA!!!!!! Hurra!

Gerald Thomas – 23 de Julho data de Independência Universal do Reino dos Blogs

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Conversa virtual com blogueiro Marden Bretas: homofobia parte 2 EXTRA EXTRA: machos ultra machos pegos em flagra num resort brasileiro numa orgia homo exclamando "oh my god!"

O nascer do sol sobre Seul, oh, desculpe, Sao Paulo. O Carrasco Karalzic pego trepando com homens. A Homofobia deu tres passos a frente: os pitbull boys estao a 120 por hora e agora sera a vez de Roberto Carlos: E que tudo mais va pro Inferno! Conversa DU Karalzic!

Conversa virtual com Marden Bretas:

Marden: A baderna homofóbica começou por causa de uma abordagem,vamos dizer assim,pessimista em relação à arte moderna:Duchamp e o fim da arte.Qual é o fundo disto e que leitura minuciosa,nas entrelinhas,podemos tirar desse fato.Ora bolas!Existem centenas de homofóbicos com ilustrações de obras de Duchamp penduradas na parede do quarto ou gente apaixonada pelas instalações,happenings e outras manifestações modernas a ponto de perder as estribeiras e partir para a baixaria!

Gerald: Eu sei mas era isso que eu queria te dizer naquele email que te mandei e que….

Marden: Pessoalmente,talvez com um pouco de ingenuidade oscilante na cabeça,eu não acredito no fim da arte.Não sei se o Gerald coloca no quesito arte todas as variantes artísticas,ou seja,literatura,teatro,poesia.O que perturba a vanguarda de hoje,talvez,seja seu rodopio permanente,sempre no mesmo paradigma.Realmente,não há avanço.Se,ao analisar uma pintura de Picasso,podemos enxergar a influência de Cézanne,é fácil perceber,além disso,o avanço,o passo a frente.E o teatro,hoje,querendo ser vanguarda,não consegue sair do paradigma Gerald Thomas.É difícil superar os grandes modelos.

Gerald – Marden: Não! A arte que se produziu e esta pendurada nos museus do mundo ainda pulsa e esta PROFUNDAMENTE VIVA, apesar de seus autores estarem de fato, mortos. Mas nada me emociona mais do que estar diante de uma tela de Bacon, Rothko, Pollock ou diante de uma peca de Duchamp ou uma tela de Ernst ou Klee, sei la quem….ficar numa passagem de ano na (ex) Paula Cooper Gallery ouvindo “The Making of Americans” da Gertrude Stein ou ter um bom Ernest Hemingway na minha bolsa (essa que rodo quando tenho que fazer miche, miche no Central Park junto com o Richard Quest da CNN)…..Nada como um pouco de “coisa boa” dentro da bolsa. Ah, tem que ser uma bolsa de couro. Não pode ser bolsa esmola!

Marden: Os trombadinhas da internet fazem barulho,tiram qualquer um do sério.

Gerald: Sabe que eu me diverti? Achei os machos orgiasticos homofobicos que nem o carrasco Du Karalzic, digo , do caralho!

Marden: Eu,da minha parte,acho até positivo como termômetro,como pesquisa instantânea:num passe de mágica,descobrimos ,com uma porcentagem quase precisa,o que anda pensando a imbecilidade coletiva.Hoje de tarde,lendo os comentários,de certa forma mais comedidos,fiquei perplexo que alguns tinham um texto articulado,com redação pronta e tudo.Um certo André,por exemplo,fez um verdadeiro manifesto de intolerância,de aberta burrice e espírito tacanho,mas num argumento razoavelmente bem escrito,claro,transparente em sua miopia.

Gerald: Claro. Tem muita gente boa. São eles, na verdade que me fazem continuar. O mantra Beckettiano (e não Beckettiniano como usam alguns desinformados) era “I can’t go on. I’ll go on”. (não posso continuar. Continuarei) Existem ali comentários memoráveis, tanto e que respondi a vários no sentido bom da palavra.

Marden: Teve um sujeito que teve a cara de pau de defender Hitler, de relativizar a barbárie do holocausto.

Gerald: Gostaria de ver seus antepassados fritos, assados em câmaras de gás, como os meus foram! Ha! ha! Aos pouquinhos virando farinha de trigo e entregue aos traficantes do “morro do alemão”. Ah Slobodan Milosovec, Agora que pegaram teu amiguinho hein? Havera um orgia de machos no ceu?????? Com uma pica de aco ou com regida pelo mestre Picasso?

Marden: Teve gente que lembrou do episódio da bunda na encenação do Tristão e Isolda e,portanto,tudo era válido,a língua podia andar solta e sem réplica.Até onde eu sei, voce só arriou as calças,num gesto reativo a um punhado de frases racistas, antijudáicas e tal,por um bando de wagnerianos nazistas.

Gerald: Justamente. A matéria do New York Times deixa isso muito claro (ah, esqueci que homofobico não sabe ler inglês!) sorry!

Marden: Eu que descobri a possibilidade da beleza na música ao ouvir essa ópera,há bem mais de dez anos,na Rádio Mec,só posso sentir repugnância de quem é capaz de defender grupinhos nazistas e,ao mesmo tempo,de colocar o Liebestod no aparelho de som.Obviamente,conheço as posições antisemitas de Wagner,do Terceiro Reich,etc.

Gerald: Mas o problema de um pais onde não ha cultura mas o “sensasionalismo em cima da noticia ou do fato”, como o Caio Túlio explicava ontem no Roda Viva, eh que o publico so lembra da headline ou daquilo que lhe convem na hora de JULGAR, porque somos constantemente JULGADOS e condenados mesmo antes de passarmos pelo processo dito judicial (se esse tivesse sido o caso).

Marden: Gerald,obrigado pelas palavras de outro dia.

Gerald: Obrigado a você e, sinceramente não entendo porque você não respondeu meu email pessoal….

Marden: Depois do último comentário,eu tinha largado o computador e tinha ido por meu quarto pegar o livro e prosseguir na leitura da véspera. Estou no último volume do Em Busca do Tempo Perdido.

Gerald: Proust sempre passa a ser uma boa opção pra escapar dessa toilette publica desses recalcados!

Marden: Proust É a minha paixão do momento,fazendo do meu próprio tempo um prisioneiro contínuo.Só no outro dia li sua resposta:fiquei sinceramente emocionado.Por favor,não vai acabar com um blog tão crítico e diferenciado só por causa de uns recalcados e de gente com titica na cabeça.

Gerald: Acabar? Por causa de imbecis provincianos e xenofobicos? Jamais, nunca! Pra que eu acabe com o Blog teria que ser por uma razão muito forte como por exemplo……deixa me ver…..ah já sei: se alguém me desse um quadro de Portinari de presente. Acho que nem fecharia o Blog per se, mas de tanto vomitar, de tanto vomitar, eu ficaria desidratado e passaria alguns dias internado no Bellevue ou no Sírio ou no Miguel Couto ou no Royal Free ou…..

Enorme abraço querido e obrigado por essa conversa virtual,

PS: Em Tempo: acabo de receber a noticia por email que quatro MACHOS acabam de ser presos por agentes de segurança da “Masculine Police” num resort brasileiro. Estavam todos nus, pênis a meia bomba, naquela posição de “choque total’ de oh my god! Quando pegos em flagra.

Estavam fazendo sexo grupal entre si, los machos heteros. De baixo da cama os seguranças acharam um pinico. Tristemente dentro do pinico, um retrato estampado…….Era um certo presidente brasileiro…Tsk Tsk…..(Lula? Não, não era ele! Era outro. Bem mais antigo. Ah não, não chegou a ser presidente não, somente liderou uma parte da massa, tratava-se do integralista Plínio Salgado mesmo)

Gerald Thomas

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Enviado por: Richard Fonseca

Acho que a “conversa virtual” esclarece bem o problema do texto “fim da arte”. A segunda resposta do G. Thomas deixa muito claro o que estava em questão. Foi assim que entendi o texto original e por isso, como disse ontem, não via ali qualquer doideira ou polêmica.
Claro que soa estranho quando um artista afirma o fim da arte; parece que está fazendo uma certa apologia….. quando, na verdade, está constatando e mostrando a dificuldade que é fazer (produzir e contemplar) arte nos dias de hoje. Qualquer um que tem um posicionamento menos careta com a sua atividade soa paradoxal ou polêmico. Enquanto que os paradoxos podem oferecer a possibilidade de pensar melhor a própria atividade. Quem assistiu o Roda viva ontem viu o quanto foi difícil para o Caio Túlio mostrar para a entrevistadora o posicionamento crítico que ele alimenta acerca da relação bem aceita entre o jornalista e o publicitário. Até o final, ela queira que ele julgasse, oferecesse uma solução, fosse mais claro e menos paradoxal quanto a essa relacao. Até o final ele foi categórico e disse: eis um fato, foi isso que pensei na tese e estou discutindo….

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A Imoral Improvisada: Caio Tulio Costa no Roda Viva hoje a noite. Um mes de Blog no IG, a homofobia e a etica dos comentaristas

A IMORAL IMPROVISAVEL

Bem, hoje, segunda, esse blog completa quase um mês de existencia e atinge um numero de ‘hits’ altíssimo para um blog que se diz “cultural”.

Fico feliz.

Mas fico triste.

Por que? Confesso que o que me entristece é a covardia daqueles que entram com pseudônimos pra deixarem comentários insultosos.

Sinceramente? Sim, fico triste e, ao mesmo tempo, estarrecido que o leitor , blogueiro, seja la o que for isso, seja em principio um recalcado sexual: e digo porque

1- os insultos são todos a base de ‘bicha não sei das quantas, vai tomar nesse CU, etc”

2-esse viado de vanguardinha que não é ninguém fica arrotando verdades, vai mostrar a sua bunda sua bicha!’

Bem, esse viado, bicha, sou eu, Gerald, Geraldo, ou Geralda sou eu ou euzinha!

Curioso: o problema no Brasil parece ser homofobico mesmo. De bicha pra baixo ou de viado pra cima, por que será? Nos EUA os xingamentos são mais do tipo “Son of a Bitch” ou “You Mother Fucker” (tradução caindo na real, sem usar a ‘cadela’, seria Seu filho da Puta e Fudedor de Mãe!). Mas nada de homofobia. Não prefiro um ao outro, acho tudo horrendo!

Porque o brasileiro acha que esta atingindo o cerne do cerebelo do útero do outro quando o chama de viado? O que seria isso?

Não importa. Na verdade o mais risível mesmo disso tudo fica sendo o aspecto xenofobico de certas questões: defendem ate xenofobicamente ate aquilo que não não nasceu ou foi gerado no Brasil, como a obra de Duchamp. Mas, deus do céu….atacar ou colocar em perspectiva historia a importância (ou falta dela) de um Portinari….Sai De baixo. Melhor seria falar de Miguel Falabella no mundo encantado de Lord Nelson ou Napoleão. Ooops!

Bem, O titulo desse artigo nada mais e senão um empréstimo travestido e temporário da tese de doutorado defendida por Caio Túlio Costa , Editor Chefe do IG, ha duas semanas na USP. Titulo real da tese. “MORAL PROVISORIA”: ética e jornalismo: da gênese a nova mídia,

(By the way, a defesa durou mais de quatro horas e foi um total ARRASO!)

Mapeando o território dos limites éticos e morais de uma industria da comunicação (como essa, principalmente) que passa por mudanças estruturais RADICAIS e numa velocidade difícil de ser captada a olho nu, Caio Túlio, um absoluto pioneiro no campo da internet (constriuiu o Universo Online) fala das possíveis questões futuras assim como George Orwell falava em seu 1984, sobre um território desumanizado, turvo, cinza e estranhissimamente vigiado por um de um ‘oni-poder’ Kafkiano e Big Brotheriano dominado por anônimos ou nos mesmos travestidos por pseudônimos imorais, uns invadindo a vida dos outros. Uns vigiando e voyeurizando a vida dos outros: um mundo de recalcados atrás de telas, um mundo sem escrúpulos tentando escrever a lei apos cometerem crimes. Leis que seriam o travestimento da ética, assim como o reflexo na obra de Edgar A. Poe, ou a figura do eterno “outro” de Jorge L. Borges ou da constante paranóia kafkiana.

Citando um trecho: “trazendo para os dias de hoje, o Presidente dos Estados Unidos George W Bush teria agido dentro de acordo com a ética da responsabilidade ao ordenar a invasão do Afeganistão para caçar Osama Bin Laden e, com isso, também ter matado milhares de civis. Idêntico racionio serve para Bush na invasão do Iraque

Esse trecho foi retirado de um capito entitulado “A ética da convicção”. Essa que acredito ser a ética usada por aqueles que se dão ao trabalho de abrirem a caixinha de comentários e deixarem seu testemunho relativo a um ou outro artigo. Porem, protegidos pelo anonimato e pelo exercicio sádico de querer não somente comentar, como também HUMILHAR o articulista/artista, essa “ética da convicção” na internet ainda esta pulverizada e indecifrável: eu posso ser você , você pode ser outro. O Outro pode ser eu. Wow!

Numa breve interrupção de um simples jantar, teu melhor amigo sai para o banheiro para fazer xixi. Demora um pouco mais que o esperado. Esta no Blackberry ou no iPhone deixando uma mensagem no teu blog como um anônimo: “sua bicha desvairada: volta pro teu pais, seu artistazinho narcisita de merda”. O amigo volta a mesa, com um sorriso sincero e continua a conversa interrompida. Nada, absolutamente nada de desconfiacas e o teatro continua.

Cito o Caio novamente:
Ética e linguagem, ética e representação, ética e interpretações; em nenhum momento do fazer jornalístico, a questão ética se dissocia desses fazeres, seja nas atitudes consideradas eiticas ou antiéticas

Pulo…..
a experiência do senso comum de ter que lidar com a resistência de uma realidade decepcionante.….”

Sim, realidade decepcionte.

Caio Túlio Costa será o entrevistado de hoje do programa Roda Viva da TV Cutura de hoje.

Sua tese levanta muitas questões existenciais para um artista, inclusive a de continuar ou não tendo um Blog e se expondo, a troco de pouco; a insultos de anonimos que, de dentro de sua própria bolha ética fascista e recalcada, lançam seus tiros assim, a toa como se fosse a era do ouro na Califórnia: um duelo de saloon, so que UM tem cara, identidade, ou outro usa mascara!

Afinal, gostando ou não de quem ou do que somos, temos uma cara e não um nickname: tanto Caio Túlio e eu não nos escondemos covardemente atrás dos chapéus coco e guarda-chuvas daquela “inundação” famosa do quadro de Magritte. No entanto, depois de quase um mês de Blog no IG, e quase 50 mil hits, me sinto como se fosse um habitante do quadro de Max Ernst, “Europa depois da chuva” sendo alvo de insultos de pessoas que, insatisfeitos com a a ética de seu próprio pais não sendo cumprida dia apos dia, ano apos ano, descarregam a mais poderosa arma (a anti-etica) naqueles que resolvem criticar aquilo que vem a ser o mais sincero espelho de um variante da verdade,mjá que não ha verdade nesse teatro da vida. Ah, e qual e mesmo essa critica? O simples bom senso de expressar aquilo que se chama de “livre expressão” e que parece ofender o “viado” e a “bicha” dentro de cada um de nos de uma forma tão absolutamente tão viruleta, trogloditica e machista que começo a pensar que a tese de Caio Túlio, apesar de genial e poderosa, poderia também ser chamar “ Imoral e De-Pravda: os gulags da perversão do anonimato não mudarão jamais!”

Não percam Roda Viva com meu mestre e amigo de vinte anos: hoje, segunda!

Gerald Thomas

(por sugestao do Vampiro de Curitiba, darei destaque a esse comentario)

Enviado por: Tene ChebaNão sou psicólogo, nem mesmo tenho qualquer afinidade com à area de Humanas, mas vou chutar. depois do complexo de Édipo, de electra, talvez, Freud se vivo, configuraria uma nova complexidade humana, o complexo de Andy Warhol, ou os dos quinze minutos, que quando mal resolvidos, tentam corroer e desiquilibrar, através de expedientes sórdidos, àqueles que são bem resolvidos em suas vidas. Ou, de uma forma mais simples, a inveja, resultante da incapacidade de se prover, de amar, de estabelecer conceitos. Enfim, um tanto cafona, mas vou mandar, ” as árvores que dão bons frutos, são as mais apedrejadas”, não nos prive de você, Thomas, os estéreis, são o fardo que ajudaremos a você carregar, se perciso for , claro.
Ás duas linguagens do Homem, a clara e a obscura, esta última ele só revela aqui, permeando seu veneno nesse espaço, destilado dos seus cérebros fermentado.

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