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O Dia em Que o Mundo Parou

O homem que parou os ponteiros do TEMPO e quebrou os espelhos do mundo.

O “Mundo INTEIRO” diz adeus a Michael Jackson: o maior espetáculo da terra foi a sua morte.

De mais um aeroporto europeu – O funeral de Michael Jackson foi mais um dos grandes espetáculos da terra, levado por quase TODOS os canais de televisão e praticamente ocultando o início do encontro do G-8 (que ninguém aguenta mais!!!). Ah, sim: climate change! Aquecimento global. Sorry, crianças. Tarde demais. Estaremos todos sendo FRITOS ou fritados, já que os raios ultravioletas estão nos queimando, via celular, via micro-ondas disso ou  daquilo. Não adianta os táxis dos países do primeiro mundo andarem com um “sticker” dizendo “esse carro anda com combustível CO2 Free”. Entramos na era da destruição mesmo.

Mas será que tudo isso é verdade?

Ou será que na época dos grandes vulcões em erupção,  da era do (des) gelo a merda toda já não flutuava rio acima? Enfim, esse é um assunto delicado mais apropriado pros meninos da Greenpeace!

Michael Jackson continua sendo a maior atração do planeta. Agora, morto, mais ainda do que vivo. Sim, porque quando vivo (e quase branco) era um véu (literalmente) de enigmas. Agora morto, e quase negro, foi reverenciado por todos os ídolos negros possíveis e imagináveis (eu só peguei mesmo a parte de Kobe Bryant e Magic Johnson, onde eles diziam que Jackson havia sido a grande, grande inspiração pra eles, como o “negro” que foi).

NEGRO

Como negro, ele foi um libertador e vanguardista. Tenho visto uns vídeos dele pelo Youtube. Realmente o cara estava além, muito além do seu tempo, em TODOS OS ASPECTOS (favor ler a coluna aqui embaixo “Michael Jackson morreu por excesso de higiene”).

Mas a intriga, a conspiração que é revelada após a morte de um gênio assim não deixa de ser assustadora, mais que Shakespeariana: os filhos dele não são dele. Os abutres como o pai, são ainda mais abutres.  E ele? Ele se escondia. Escondia-se de tudo e todos e não é à toa. Deus do céu. É só olhar o funeral estatal que recebeu. Será que era isso que queria? Justamente uma cerimônia PRODUZIDA daquele jeito, e justamente pelas pessoas das quais FUGIA a vida inteira. I don’t think so.

O mundo parou na Terça-feira. O Staples Center em Los Angeles virou uma espécie de Muro das Lamentações de Jerusalém e com razão. O mundo perdeu o seu enorme filho.

Na cerimônia a filha de 11 anos leva a platéia às lágrimas ao dizer que o seu era “o melhor pai que se pode imaginar”. Pai? Sim, pai é aquele que cria e não um dermatologista que cuida da pele ou prove o esperma. Entre o palco, em que se revezavam músicos, amigos, e o público, estava o corpo do cantor em caixão banhado a ouro. Isso é uma loucura? Será? Não sei dar a minha opinião sobre isso. Banhar uma pessoa num metal nobre. Mas sei o que é levar uma platéia às lagrimas ou o mundo as lágrimas, pois cá estava eu, aos prantos também,  chorando a morte de Pina Bausch e de Michael Jackson, que NUNCA foi quem ele quis ser.

E mesmo sem nunca ter sido quem ele quis ser, proporcionou uma enorme alegria e emoção para milhões de pessoas por tantas décadas, inventando, inovando, se mexendo, emocionando, quebrando corações. Frágil do jeito que era (e agora morto), Michael Jackson continua a carregar o mundo nas costas. E nós continuamos pasmos, tristes e boquiabertos com a nossa própria fragilidade e a hipocrisia dos humanos perante a morte em si e a dos outros.

Então, estão lá os G-8 ou G-20 ou G não sei das quantas resolvendo o nosso futuro, quando na verdade o nosso futuro é resolvido por emoções. E essas emoções são provocadas ou causadas por seres assim como Michael Jackson que, enquanto vivo era satirizado, sacaneado e perseguido por ser um negro quase branco, um homem quase mulher, um adulto quase criança. Agora morto, será que vão dizer que está quase vivo? Ou será que dirão que os gases letais como esses que produzem o “aquecimento global” também não poderia ter sido evitado se tivéssemos escutado nossos corações ao invés da nossa ENORME GANÂNCIA?

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Gerald Thomas

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(Vamp na edição)

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Washington: Faltam 3 horas + Carta para "Mileny" (8 anos): Ba-ROCK Obama

“Ba-ROCK Obama”

Carta para Mileny (8 anos)

Amor da minha vida,

Quando o ponteiro do relógio da sala da tua casa aí no Rio (ironicamente ela fica na Avenida Dr. Martin Luther King Jr.) apontar 3 da tarde, aqui em Washington DC estará sendo meio dia, o homem mais inteligente e glorioso deste planeta estará se transformando no nosso 44 presidente. O presidente dos Estados Unidos da América. Quem poderia pensar que isso aconteceria, mesmo há quatro meses atrás? Você , Mileny, está vendo (pela televisão) as filhas dele? Parecidas com você (só que você é mais linda, óbvio!) sempre de mãos dadas com a mamãe Michelle ou papai Barack? Bem, trata-se de uma longa história que começou com alguém que teve um sonho. E desde o sonho foi assassinado. Muitos foram assassinados, Mileny, para que esse dia de hoje chegasse e meus olhos não parassem de chorar e de pensar em você e no mundo em que você estará vivendo e no qual eu já serei uma espécie de passado.

Mileny: aos quase oito anos de idade você tem a linda sorte de se enxergar pequena, linda e negra, exibir esses cabelos de trancinhas e notar que todos olham pra você com enorme ternura e carinho. Mas, quando você estiver com seus 18 anos, talvez lerá essa carta em outra perspectiva e terá uma conversa em perspectiva comigo. No que você terá se transformado? Numa linda bailarina? Numa cientista? Numa médica ou filósofa? Nao importa. Ou melhor, importa sim, porque a mensagem que começou, essencialmente em 1963 quando um dos discursos mais COMOVENTES e mais ouvidos e mais imitados e mais INSPIRADORES da história da humanidade, “I had a Dream”, de Martin Luther King, nos foi “entregue” aqui nessa capital e nessas escadarias onde hoje bandas tocarão, pessoas tocarão… para comemorar seus quase 41 anos de seu… sim, assasinato.

Sim, Mileny: segregação racial. Ônibus para brancos e para negros. Bebedouros para brancos e para negros (que eu ainda peguei quando criança no mesmo Tennessee de Dr King). Ainda bem que você, meu amor, não sabe o que vem a ser isso.

Mas você certamente não notou, como tua mãe e tua avó notaram quando, naquela tarde de feijoada no último andar do Ceazar Park Hotel, no Rio no meio de dezembro passado, enquanto éramos cercados por olhares de brancos curiosos, como era estranho que “não cabíamos lá”. E realmente, como a tua mãe falou: “não cabíamos lá”. Por que será? O racismo camuflado no Brasil não deixaria revelar jamais um Dr Martin Luther King Jr? Será? Quero crer que sim. Mas, se isso não for possível e será difícil que surja, como surgiu, aqui, um Barack Obama. Mestrado pela Columbia e Harvard Universities, assim como sua mulher Michelle, a nova geração, a garotada afro americana ou simplemente ‘the black kids’ como a Oprah quer voltar a chamar e parar com essa coisa de Afro, agora vira uma página FUNDAMENTAL em sua história: percebe que não precisa mais se espelhar em atletas, como Michael Jordan ou Magic Johnson ou mesmo os músicos, como James Brown, Ray Charles, Stevie Wonder ou os milhares de rap ou hip hop que surgiram nas últimas décadas.

Agora o mais novo símbolo de “cool” é SER O MAIS inteligente e letrado e genial e culto político negro do mundo: e por quê? Porque entenderam that YES WE CAN. Sim, Mileny, A Gente Consegue!, Conseguimos se lutamos muito até conquistar a presidência dos Estados Unidos Unidos da América.

AMERICA IS BLACK AND IT’S PROUD.
AMERICA IS THE NEW BLACK

Mas chega de ufanismos!
Mas precisamos desse momento. E como!!!!!
Até a nossa cultura pop precisa.
Ah, Mileny, ontem foi feriado nacional: dia de Dr. Martin Luther King Jr. Sim, a nação inteira parou e se PREPAROU para hoje. E hoje? A nação acordou pra realizar, concretizar seu sonho de 45 anos atrás: ” I have a dream” se torna I AM HERE NOW !

Um dia, talvez, por interesse ou por pura preguiça, você me pergunte por que o Dr King escreveu uma carta da prisão de Birmingham e que ficou tão famosa (“Letter from a Birmigham Jail”). Talvez eu te conte, talvez os eventos avassaladores do tempo que nos atropelam me obriguem a te contar coisas de outros períodos. Por quê? Porque até lá, Barack Obama já terá (se deus quiser), dois termos inteiros de administração na Casa Branca e terá sido o mais revolucionário Presidente Americano desde Abraham Lincoln (que aboliu a escravidão em 1862). Quem sabe, daqui a dez anos, quando você estiver com seus 18, as palavras do sonho de Dr King, visto e ouvido por 250 mil pessoas aos pés do Lincoln Memorial, em 1963 com aquela estátua de dar arrepios Constitucionais e Democráticos dizia cantando de levantar cabelos:

“EU TENHO UM SONHO que um dia essa nação se elevará e viverá o verdadeiro significado do seu credo: que todos os seres são criados iguais.

E deixa a Liberdade tocar, soar. E quando ela tocar – e quando nos deixarmos que isso aconteça!- ela vai tocar em todas os vilarejos, em cada casebre, virá o som de cada estado e de cada cidade e seremos capazes de ACELERAR esse dia quando todas as crianças de deus – negros, brancos, judeus e góis, protestantes e católicos – e nos daremos as mãos e cantaremos as palavras daquele antigo ‘negro spiritual’: FREE AT LAST ! FINALMENTE LIVRES. OBRIGADO SENHOR, Thank God Almighty WE ARE FREE AT LAST”

Então Mileny, te escrevo isso na manhã do dia em que multidões esperam O MOMENTO mais IMPORTANTE da HISTÓRIA deste País. Te escrevo isso num momento em que duas milhões de pessoas se aglomeram na cidade para assistir a posse de um novo ídolo e presidente negro americano. E quero que você saiba quantas vidas isso custou, quanto de escravos ainda existe no mundo, de adultos e de crianças e quanta miséria humana acontece enquanto te escrevo com lágrimas nos olhos porque uma coisa eu sei: VENDO ISSO AQUI PERCEBO QUE NÃO HOUVE PASSO MAIOR dado desde que Neil Armstrong pisou na Lua e (pra te dizer a verdade), aquele passo pra mim nada quer dizer frente aos passos dados no campo da liberdade civil ou da conquista política.

Faltam algumas horas para que Barack Obama assuma sua posição de líder dessa nação. Vamos voltar a ter uma CARA e ALMA digna para o mundo! Espero que a nojeira da administração anterior passe logo.

E, quem sabe…? Daqui a dez anos, se alguém ai em cima der uma forcinha, você olhar a cor da tua pele e olhar tudo isso, as vidas perdidas e as guerras santas e essa loucura toda por causa de pigmentação de pele me olhará na cara e dirá: “será que você escreveu isso loucaço?”

E eu vou te responder, Mileny: não. Washington não era somente uma cidade aquele dia. Era também o espírito do primeiro presidente Americano, depois da Revolução, depois da expulsão dos Ingleses. E agora, como então, o clima está EUFÓRICO, e, pela primeira vez em muito tempo, nós aqui estamos nos abraçando, nos olhando nos olhos, nos dizendo GOOD MORNING, seja lá qual etnia, seja lá qual sotaque, seja qual vestimenta, pois essa é a verdadeira cara dessa imensa US of A. A cara de T.U.D.O e portanto nela cabe o que você otimizar de melhor.

(faltam 3 horas)

Gerald Thomas

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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