Adriane Gomes escreve sobre “DILUVIO” : brilhante !

 

DILÚVIO 

AUTORIA  DIREÇÃO E CENÁRIO   GERALD THOMAS

SESC CONSOLAÇÃO 2017

Um menino e seu barco ancoram no Brasil para construir sua nova nau, repleta de artistas, saltimbancos, e entre bichos e carroças, suas rodas e manivelas, entre cordas e pipocas, nasce o pirata e o mostro que ataca sua nau.

Eram dias de muito vento e chuva, nas ruas pessoas com seus guarda chuvas, e suas capas tentam se proteger de um vento tão forte e intenso, mas seus corpos frágeis e desvestidos sofrem ao enfrentar tamanha tempestade.

Todos se refugiam dentro de um barco guiado por um tocador de tambor cheio de poderes incríveis, homens fortes soltam as velas, enquanto um pirata cheio de sentimentos que ainda não sabemos quais, surge nesta tempestade para roubar o barco, hora pirata, hora mostro das águas revoltosas, torna se quase dono dos corpos pendurados, corpos que formam o calabouço “cala sua boca” desse barco, onde escravos o carregam e o servem,  dançam e são também seu entretenimento.

Esse menino olha para essa história e pensa que ela não é mais sua e então entra dentro de um barco japonês para sair apenas no último dia.”

O tocador de tambor dentro da nau.

O tamanho de uma história não é formada por quantos dias ela se torna historia, mas sim pelos acontecimentos. E nesses dias de dilúvio, foram experiências que olhando de fora ate parece uma nova peça de teatro,  dentro da peça “Diluvio” mas dilúvio é linda e emocionante se torna uma nova historia sobre a VIDA DAS PESSOAS ENVOLVIDAS neste Dilúvio dentro da nau do Sesc Consolação.

Quando um artista trabalha em tempo reduzido, e com a missão de entregar em tempo recorde uma obra do tamanho de dilúvio não se sabe o que vem pela frente, a obra de Gerald é conhecida por sua estética, seus jogos psicológicos, por sua escrita em tempo real, ao longo de sua montagem, ele nunca trás pronto, ele cria, e cria a partir do que vê, ou do que ele tem a oferecer de sí mesmo, e isso significa trabalho em crise, corpos em crise, menstruação, ovulação e nascimento em geral envolve sangue… isso mesmo aquilo que rege todas as mulheres todos os meses de suas vidas. “action writing

Foi então que tive meu primeiro sonho com esse homem que me inspirava a criar. O sonho: “Estou em um quarto de hotel, e uma das paredes escorre água, uma banheira transborda escorre água, a água vaza e inunda todo o quarto, Gerald aparece no sonho e me diz que a peça acabou e que é hora de partir.” acordei com o coração acelerado e escrevi um e-mail contando aquele sonho, isso era 2010 e o tempo passou, os anos se foram e tudo mudou. Muitas coisas aconteceram com todos nós desde aqueles anos. Mas houve também o nosso encontro e houve o momento em que eu me desnudei para lamber o seu cú, e beijar todo seu corpo e deixar que todo meu cheiro tomasse aquele quarto de hotel, não estávamos sozinhos, e eu também não se sentia totalmente a vontade, mas precisávamos consumar algo que jamais nos esqueceríamos, mesmo que na minha cabeça, era preciso ter uma experiencia só nós dois, sem nada até mesmo sem Baco. As águas permeiam as emoções, os sentimentos, e os sonhos, foi assim que a minha vida se encontrou com a vida de Gerald e nos reencontramos nesse Dilúvio. Era 2010 e eu estava enlouquecida com o meu mestrado quando por acaso um Diretor famoso curtiu um post colocado no facebook, era um post sobre a Rainha de copas e suas 7 primas invejosas meu processo de Mestrado sobre Arte e Tecnologia, eu estava fazendo os primeiros desenhos e era tudo em aquarela, e ele gostava do que eu pintava. E começamos a conversar e a escrever, e a falar pelo Skype, os assuntos? Arte. Arte. e Arte… e eu fui conhecer mais além da única peça que eu havia assistido: Um circo de Rins e Fígados com o Nanini ou sobre as matérias da Bunda no Teatro Municipal, quando fez Tristão e Isolda, ou sobre a destruição das Torres Gêmeas no Fantástico, e foi assim que eu entrei de cabeça nos desenhos, nos vídeos, nas entrevistas e até que um dia eu comecei a sonhar e a gostar da voz e de tudo que eu aprendia nos emails e nas conversas.

Agora estamos sem 2017  havíamos nos afastado de novo, mas mais uma vez eu sonhei, e nos encontrávamos e nos abraçávamos e eu chorava dizendo que sentia saudades. Resolvi escrever, e ele me convidou para um café, e eu fui as 22 horas, hora que meu trabalho acabava, e ao abrir a porta, eu de novo chorei e nos abraçamos. E minutos depois estamos nús  na cama, eu sangrava e eu era arredia como uma égua selvagem, “uma mulher selvagem, é isso que eu sou” um peixe fora da água, meu corpo não era tocado daquele jeito a muito tempo, e me foder, me comer, e me sentir como realmente eu sou, com toda minha força e fragilidade não era algo fácil, mas eu ainda o amava e ele começou a me ver, me sentir… e eu me sentia amada, quantas mulheres podem se sentir amadas, e trepar e gozar na sua boca como não houvesse amanha, e trepar todos os dias até que seu corpo jorre todas as dores e tristezas guardadas. Foram momentos únicos que eu nunca havia sentido até aquele dia. Eu merecia aquele homem me comendo e me amando loucamente e sentindo minha falta e gostando do meu cheiro, e lambendo cada pedaço de mim. E choramos juntos e rimos juntos e de alguma forma fui acalmando e me abrindo para o Dilúvio de emoções.

Antes de falar da obra Dilúvio é necessário falar do mundo hoje, da guerra de poderes, dos novos ditadores, com seus misseis, do presidente da maior potência do mundo e do circo de horrores que se tem formado desde então, é necessessário falar sobre a guerra da Síria, ou da guerra de informações ou das Fake News, e dos telefonemas mentirosos, ou das pessoas ardilosas que não só roubam como matam os seus próprios. É nesse cenário que nasce dilúvio, e não de auto biografias como muitos descrevem eu seus textos. mas sim de um realidade cruel e ordinária, onde Gerald busca uma saída ou faz poesias com os corpos das suas atrizes, poesias com corpos de mulheres. Sim mulheres… as mulheres. O processo de trabalho foi muito rápido e logo fui convidada para ver um ensaio, a minha primeira percepção sobre a montagem:

Foi no primeiro ensaio de Dilúvio, e ainda o começo de tudo, e tudo me emocionou demais, eu me sentia como aquelas crianças que corriam gritando “pai” era a Síria gritando dentro de Gerald, eu me sentia aqueles corpos, eu me sentia a obra de arte que sangra, obra de arte viva, mas ainda não existia a visão completa desse barco, o pirata começava a aparecer mas ainda estava disfarçado, e ele ou ela ainda não haviam se transformado, apesar de que as pistas surgiam, mas para haver algo com muito “poder” deve se dar “poder” a ele (o processo), e assim tudo vai se criando.

Tenho uma teoria sobre o trabalho do diretor criador e a relação de Caráter, estresse, corpo em risco, e a fragilidade da alma. Tudo isso nos mostra quem realmente somos, e como observadores vamos percebendo a mutação dos artistas, e como as pessoas reagem a todas as mudanças.

Foi nesta toada que fui vendo a naus de Gerald finalmente entrar em alto mar, entre as emoções de uma obra política, entre ficção e realidade, entre passado e futuro, entre as pessoas que junto com ele contam suas historias, fui reconhecendo os segredos e os amores, os olhares entre as atrizes, e os pactos se formando e como é brilhante tudo isso.

O homem do tambor é o ser magico, é o Guia que leva todos ao transe, e o teatro é esse transe onde todos transam e se molhar para encontrar o êxtase, a peça tem esse poder de mutação onde as lagrimas brotam sem que a gente pense. Lidar com uma nau é enfrentar a água que permeia as emoções: lá estava eu assistindo esse processo, e eu me lembro de coisas que eu sentia, eu sentia medo, eu sentia aquele vento bater em mim, sentia vontade de fugir, era aquela criança na guerra, a minha guerra interna, eu não sabia para onde, “pai” eu o sentia dentro de mim, eu queria tanto o meu pai… era tudo a minha volta, era aquele salto no vazio, eu via o mar, eu sempre via as atrizes sendo jogadas no mar. Em alto mar.

 

Era uma vez um menino, era uma vez um vento, tão forte, que levava todos os guarda chuvas… era uma vez um menino e seu barquinho… era uma vez uma historia onde um presidente brinca com seus bonecos de verdade, ele também é um monstro, e somos todos tão frágeis, mas ele tem foguetinhos de verdade e suas historias de mentira, parecem verdade.

Naqueles dias de Dilúvio telefonemas FAKES, segredos de pipocas jogadas com ódio, eu ví cenas do alto de onde via se egos e cenas tão lindas, o que diria Beckett se estivesse lá no alto olhando comigo o que eu via!? há era sobre os gênios, poucos encontram verdadeiros gênios na vida e poucos são chamados de gênio em vida. Mas olha esse cenário, escuta essa trilha e veja essa luz, eu me emocionava, e lágrimas brotavam de dentro de mim, como esse Dilúvio é lindo!

Pássaros negros, voam sob nossas cabeças, telefones tocam, mulheres olham, andam e falam, somos seduzidos o tempo todo.

Se você ao ver Dilúvio  se sentir sozinho, entre as fileiras do teatro, entenda a nossa dor, e muitos segredos que só nos contam quando olhamos uma obra de arte, nas gavetas se guardam corpos, e nos corpos se escrevem historias e cicatrizes.

Dilúvio é esse barco navegando em alto mar onde cada dia o céu te mostra algo novo, você percebe o que você vê?  eu ví meu amor crescer a medida que Dilúvio nascia, e sangrava, e vazando sangue, ainda cheia de esperança, porque: “esperança era sua última esperança mas baixo demais para o ouvido dos mortais.”

E foi assim que eu entendi, o seu corpo é quase morte nesta guerra interna de sobrevivência, onde muros separam homens, onde o ego tenta trucidar um obra, mas não mata, porque a vida é muito forte, onde o ser humano ao receber poder tende a aniquilar seus próximos, onde a exaustão revela o bom coração, e o corpo em risco beneficia a força e a estima.

Quando Gerald expões seus corpos, ele expõe a sí mesmo, ele expõe seus dias de chuva, ele puxa esse barco desgovernado em jardins de guarda chuva quebrados e aprende a não dar valor ao que não tem valor algum. Gerald é transcendente, ele é como um cavalo selvagem porem doce e amável, Gerald não  acredita na realidade do rifle, e sabe que notícias falsas surgem a todo momento, e que possíveis guerra, ou guerras que nunca se findam podem mudar o seu dia mas Gerald em Dilúvio usou toda a “importância de ser fiel ao seu palco”.

Adriane Gomes

Wengen, CH – 7 March 2018

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A reasonably loose translation of Adriane’s text into English

“A boy and his boat anchor in Brazil to build their new ship, full of artists, mountebanks, and between bugs and carts, their wheels and cranks, between ropes and popcorn, the pirate is born and the monster that attacks his ship.”

It was a windy and rainy day, people with their umbrellas in the streets, and their cloaks tried to protect themselves from such a strong and intense wind, but their fragile and undressed bodies suffer in the face of such a storm.

Everyone takes refuge in a boat guided by a drum player full of incredible powers, strong men release the candles, while a pirate full of feelings that we do not yet know which, appears in this storm to steal the boat, pirate hour, hour show of the it becomes almost the owner of the bodies hanging, bodies that form the dungeon “shut your mouth” of this boat, where slaves carry and serve you, dance and are also your entertainment.

This boy looks at this story and thinks that it is no longer his and then goes inside a Japanese boat to leave only on the last day. ”

The drummer inside the ship.

The size of a story is not formed by how many days it becomes history, but by events. And in those days of deluge, were experiences that looking from the outside until looks like a new play, inside the play “Deluge” but deluge is beautiful and exciting becomes a new story about the LIFE OF PEOPLE INVOLVED in this Deluge inside the SES Consolation.

When an artist works in a reduced time, and with the mission of delivering in a record time a work of the size of the flood, we do not know what lies ahead, Gerald’s work is known for his aesthetics, his psychological games, his writing in real time, over its assembly, it never backs ready, it creates, and creates from what it sees, or from what it has to offer of itself, and this means work in crisis, bodies in crisis, menstruation, ovulation and birth in general involves blood … that’s what governs all women every month of their lives. action writing

The watercolor of the water colors permeate emotions, feelings, and dreams, this is how my life met Gerald’s life and we find ourselves in this Flood again. It was 2010 and I was crazy with my master’s degree when by chance a famous Director liked a post placed on Facebook, it was a post about the Queen of Hearts and her 7 envious cousins ​​my Master’s degree on Art and Technology, I was doing the first drawings and everything was in watercolor, and he liked what I painted. And we started talking and writing, and talking on skype, the subjects? Art. Art. and Arte … and I went to know more than the only piece that I had seen: A circus of Kidneys and Livers with Nanini or about the stuff about the “Case of the of Mooning of the Opera in Rio”, when he staged Tristan and Isolde, or about his appearance live on TV because of 9/11, and that’s how I got my head into  his drawings, his videos, his video chronicles/  interviews till one day I started to dream  like the voice and everything I learned in emails and conversations.

It was then that I had my first dream about this man who inspired me to create. The dream? “I’m in a hotel room, and one of the walls runs water, a bath overflows with water, water leaks and floods the whole room, Gerald appears in the dream and tells me that the play is over and that it’s time to leave. ” I woke up with my heart racing and wrote an e-mail telling that dream, that was 2010 and time passed, the years are gone and everything has changed. Many things have happened to us all since those years. But there was also our meeting and there was the moment when I undressed to lick your ass, and kiss your whole body and let all my scent take that hotel room, we were not alone, and I also did not feel totally but we needed to consummate something we would never forget, even if in my head we had to have an experience just the two of us, with nothing even without Bacchus.

Now we’re out of 2017 we’ve been away again, but once again I dreamed, and we would meet and hold each other and I would cry saying that I missed them. I decided to write, and he invited me for a coffee, and I went at ten o’clock, when my work was over, and when I opened the door, I cried again and embraced. And minutes later we’re naked in bed, I was bleeding and I was like a wild mare, “a wild woman, that’s what I am” a fish out of the water, my body had not been touched that way in a long time or fucked me or  ‘eaten  me up’… I was  feeling like I really am, with all my strength and fragility was not easy, but I still loved him and he started to see me, to feel me … and I felt loved, how many women can feel loved, and climb and cum in your mouth like there was no tomorrow, and climb every day until your body gushes out all the pain and sorrow kept.

These were unique moments I had never felt before. I deserved that man fucking me and loving me madly and missing me and liking my scent, and licking every bit of me. And we cried together and laughed together and somehow calmed down and opened up to the “Emotion Deluge”.

Before speaking about the Deluge, it is necessary to speak about the world today, the war of powers, the new dictators, with their missiles, the president of the greatest power in the world and the circus of horrors that has been formed since then, it is necessary to talk about the war of Syria, or the information war or the Fake News, and the lying phone calls, or the cunning people who not only steal but kill their own. It is in this scenario that deluge is born, not of auto biographies as many describe me their texts. but of a cruel and ordinary reality, where Gerald seeks a way out or makes poetry with the bodies of his actresses, poetry with the bodies of women. Yes women … women. The work process was very fast and soon I was invited to see an essay, my first perception about the assembly:

It was in the first trial of Deluge, and still the beginning of everything, and everything moved me too, I felt like those children running around screaming “father” was Syria screaming inside Gerald, I felt those bodies, I felt the a work of art that bleeds, a work of living art, but the complete view of this boat did not yet exist, the pirate began to appear but was still disguised, and he or she had not yet transformed, although the clues arose, but for there is something with a lot of “power” to give “power” to it (the process), and so everything is being created.

I have a theory about the work of the creative director and the relationship of character, stress, body at risk, and the fragility of the soul. All of this shows us who we really are, and as observers we are realizing the mutation of artists, and how people react to all changes.

It was at this point that I saw Gerald’s ship finally entering the high seas, between the emotions of a political work, between fiction and reality, between past and future, among the people who together with him tell their stories, I recognized the secrets and the loves, the looks among the actresses, and the pacts forming and how brilliant all this.

The man of the drum is the magic being, it is the Guide that takes everyone to the trance, and the theater is this trance where everyone fucks and gets wet to find the ecstasy, the play has this power of mutation where the tears sprout without us think. Dealing with a ship is facing the water that permeates the emotions: there I was watching this process, and I remember things I felt, I was afraid, I felt that wind hit me, I wanted to escape, it was that child in the war, my internal war, I did not know where, “father” I felt it inside me, I wanted my father so much … it was all around me, it was that jump in the void, I saw the sea, I always saw the actresses being thrown into the sea. On the high seas.

Once upon a time there was a boy, there was once a wind, so strong, it carried all the umbrellas … it was once a boy and his boat … it was once a story where a president plays with his real dolls, he is also a monster, and we are all so fragile, but he has real rockets and his stories of lies, they seem true.

In those days of Deluge FAKES calls, secrets of popcorn with hate, I saw scenes from the top of where I saw egos and scenes so beautiful, what would Beckett say if he was up there looking at me what I saw !? there are geniuses, few find true geniuses in life, and few are called geniuses in life. But look at this scenery, listen to this trail and see this light, I was moved, and tears flowed from within me, as this Flood is beautiful!

Black birds, fly under our heads, phones touch, women look, walk and talk, we are seduced all the time.

If you see the Flood feeling alone among the ranks of the theater, understand our pain, and many secrets that only tell us when we look at a work of art, in the drawers they keep bodies, and in the bodies they write stories and scars.

Deluge is this boat sailing on the high seas where every day the sky shows you something new, do you realize what you see? I watched my love grow as the Flood was born, and bleeding, and leaking blood, still full of hope, because: “Hope was your last hope but too low for the mortal’s ear.”

And that’s how I understood it, his body is almost death in this internal war of survival, where walls separate men, where the ego tries to slaughter a work, but does not kill, because life is very strong, where the human being receiving power tends to annihilate their neighbors, where exhaustion reveals the good heart, and the body at risk benefits strength and esteem.

When Gerald exposes their bodies, he exposes himself, he exposes his rainy days, he pulls that unruly boat in broken umbrella gardens and learns not to value what has no value. Gerald is transcendent, he is like a wild horse but sweet and kind, Gerald does not believe in the reality of the rifle, and he knows that false news comes up every time, and that possible war or wars that never end can change his day more Gerald in the Flood used all the “importance of being true to his stage”.

Adriane Gomes

Wengen, CH – 7 March 2018

 

 

 

 

Adriane Gomes de Brito

Artists Management

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