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Sua Excelência Obama: a realidade que ainda assusta alguns.

Enfim, a realidade:

New York – Fico pasmo como alguns ainda tentam relutar a realidade. Não sei bem contra o que lutam, sinceramente.

Mas isso é papo para outra hora e em consultório. Em dias mais tranqüilos, volto a tocar nesse assunto, porque se formos levar até às últimas conseqüências o raciocínio lógico de algumas equações, não conseguiríamos nunca estacionar um automóvel, por exemplo, ou exercer o ato de aplaudir, ovacionar. Muitos diriam que a vaga é um pouco pequena demais ou que o carro é grande demais ou que os urros que soltamos quando estamos emocionados não passam de emoções primitivas. Pois.

Bolsas de valores nem sempre reagem no dia seguinte a uma eleição, e isso também é um fato histórico, assim como ter vasta experiência em “governar” pode provar péssimos vícios em cidades como Washington DC. Então, por que tanta pressa em julgar o nosso novo presidente?

Bem, nenhum jornal do mundo conseguiu, exceto um: o New York Times: a capa de ontem, logo abaixo do logo dizia somente:

OBAMA

Pra que dizer mais?  O Wall Street Journal, assim como todos os outros, elaboraram manchetes, quebraram a cabeça mas… como se diz aqui, o headline, de costa a costa, no centro da página…  OBAMA… era magnífico!

Criticamos uma obra de arte ou um candidato pela sua postura e oratória ou porque não entendemos ele ou ela, a obra de arte. Criticamos um presidente eleito pelo slogan que ele escolheu depois de eleito, como se isso fosse novidade na história. Devo aqui traduzir o que todos os maiores estadistas usaram como slogan para suas campanhas? Me poupem! Devo fazer aqui uma lista de todos aqueles que levaram porrada logo de cara por não serem entendidos, mesmo sem conseguirem se provar, como diria Chesterton?

Na arte a regra pode até ser não facilitar o entendimento para o público. Na política ocorre justamente o contrário e Barack Obama (para o desespero de uns poucos) conseguiu essa conexão desde o início. Ou seja, facilitou o entendimento do que quis passar. Mesmo não sendo explícito sobre o seu plano como governante, passou a sua imagem. E imagem, como todos viram…

A língua de McCain ficou embaralhada. A de Obama, no mínimo, bem-feita, educadíssima. No máximo, emocionante. Como? Culpar o povo por se emocionar? Como? Eu ouvi direito? Culpar o povo do mundo INTEIRO por se emocionar com a vitória AVASSALADORA de um cara que surgiu do nada,  de um “escurinho” (como vocês gostam de dizer), num pais RACISTA (como vocês adoram nos acusar!) depois de OITO anos de ódio pelo mundo afora… (é assim que o mundo nos enxerga). Ah… give us a break! Estamos livres. Livres, no melhor sentido da frase famosa de Dr. Martin Luther King.

Mas nem todos são santos. Jesse Jackson não estava aos prantos por emoção. Ou pelo menos não por emoção somente. Eu me lembro e Obama se lembra do que o reverendo da Rainbow Coalition e do affirmative action falou a respeito dele: aquelas lágrimas ao lado da Oprah (essa sim, essa sem dúvidas. Ela “lançou” Obama!), tinham algo de crocodilo!

Os críticos de Obama ainda pecam por se perderem na analogia das imagens, que não tem começo, meio e fim.

Prezam a lógica e, no entanto, se perdem nela.

Sabem por quê? Porque algumas coisas simplesmente  não se explicam pela lógica e sim através da emoção. Sim, sou de teatro e sei muito bem que uma cena pode estar logicamente montada (isto quer dizer, aristotelicamente, com começo, meio e fim), e não surtir nenhum efeito.

No entanto, uma ária de Wagner, um trecho de uma sinfonia de Mahler não precisam de lógica alguma, ao contrário. Chegam a ser bestiais. Brutalmente ilógicas e… justamente nesse momento soltamos o que temos de melhor! Aha! Soltamos aquele pingo de “razão trancada”, aquela razão que esta travada ali e que faz com que os tituleiros de jornal ficassem horas e horas e horas e não conseguissem orgasmificar num simples golpe: uma simples manchete. Um raciocínio simples. Dramaturgia simples e pura, sem artificios, sem sabores ou adoçantes.

Política da paixão pode ser perigosa em paises subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento), onde existem grandes esquemas de corrupção, certo. O tema  é livre e as novelas, digo, os fatos, estão aí. Mas aqui a coisa já é um pouco diferente. Obama é o nosso novo presidente. Conversei o dia inteiro com as mais diversas pessoas possíveis aqui em NY e pelo país: foram unânimes. Por que não podemos nos dar o luxo de ENJOY, de degustar esse que acabamos de escolher?

Justamente. ENJOY Mr. Obama! And please feel very WELCOME Sir!!!! Very welcome!

Gerald Thomas

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

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