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Vamos acabar logo com o inimigo? Obama: astro POP visto pelo deserto do Arizona e pela Guernica de Picasso, ou pelo Africasso, um modesto e lindo projeto de Simon Yiga, garoto jovem su-africano: AFRICASSO!

Obama, Lula, escândalos, problemas existenciais, riqueza e pobreza, quem está certo ou errado, Iraque, vítimas, retórica, retórica e retórica… A arte, sua inutilidade, pessoas que sabem TUDO, mas não saem da toca. E fala-se  disso e daquilo, sobre os homofóbicos e sobre as diferenças entre a seriedade de “interpretar” um papel e “to play a role”, ou seja, “brincar” de fazer um papel no palco. Mas raramente se fala sobre um jovem negro de 25 anos, empresário, sul africano, natural de Johanesburgo.

Pois! Seu nome: Simon Yiga. Idealizador de um projeto maravilhoso: “Africasso”, tremendamente inspirador. África e Picasso. Não se trata de uma ONG, não se trata de querer “curar” a miséria. Simon “coleciona” trabalhos de artistas da África inteira e junta tudo num espaço virtual e, de lá, vende pro mundo.

Mas, de uns tempos pra cá, ele tem me revelado que está mal humorado, chateado, puto mesmo. ‘Afroputo’ mesmo: “What is it, Simon?”.

“São esses merdas do Zimbabwe que vêm pra cá, roubam nossos empregos e trabalham por 25 cents….”. Acho que não preciso dizer mais. Conhecemos esse filme. Nos EUA, temos 12 milhões de mexicanos “legalmente ILEGAIS” catando espinafre e uva na Califórnia. E dominicanos, equatorianos, etc., catando o lixo em Columbus, Ohio. Trabalho que americano NÃO QUER mais fazer.  E aí? Como se sai disso?

Obama ficou pop no mundo, esta virando ícone.

Uma das maiores questões que Obama terá pela frente será a questão dos ilegais. Simon tem verdadeira paixão por ele, assim como eu. Simon, assim como eu, quer pôr um fim a essas guerras inúteis, invasões absurdas baseadas em mentiras e uma vida quase paranóica de escutas telefônicas legitimadas por um Patriot Act e serviços de Intelligence Gathering Agencies que até hoje, quase 7 anos após a queda das torres, não prenderam ou mataram Bin Laden. E só conseguiram disseminar mais ódio contra os EUA e criar novas células de terroristas! É isso. Hoje, somente hoje, morreram 28 em Bagdad e 22 em Kirkuk, vitimas de homens-bomba. Mas Bush diz que esta melhorando e tudo sempre sobre controle. Da?

Às vezes, não sei o que fazer com esse Blog. Não sei se devo cumprimentá-lo todos os dias ou ainda me pendurar nos galhos que restam. Esse blog brota como um arbusto ou um cacto no deserto do Arizona. Talvez eu devesse ser engolido por um iguana, como foi a Andréa N., ou a Andréa Schwartz, aquela que inventaram como filtro pra mascarar o que realmente o Eliot Spitzer, ex Governador do estado de Nova York, fazia naquele quarto de hotel em Washington… atchim!

Alguém, no vasto silêncio da solidão de uma campanha política pró-Obama no estado do Arizona – território inimigo porque esse AZ pertence a McCain – me perguntou porque eu me encostaria num blog como se ele fosse algo físico, palpável.  Assim como o Simon em Johanesburgo, olho pela janela e deliro. Deve ser o deserto imaginário. A cultura jalapenha!

Explico: Sou nômade. Sou assim como a Espanha: dividido em quatro. Às vezes preciso me encostar, sentar, descansar em algo, mesmo que seja em algo virtual. Pode-se dizer que a Espanha (assim como a Itália ou a Inglaterra), muda de identidade e de sotaque a cada 15 quilômetros. Mas prefiro dizer que sou como a Espanha.

Quando venta a morte na profunda relva

e remove do ocidente todas as imagens

que as nuvens erguem – então

vem a noite e lê as estrelas.”

(poema retirado do livro “Aventuras de Uma Língua Errante, por J. Guinsburg – editora Perspectiva)

E quando as estrelas aparecem tudo fica numa perspectiva triste. Ficamos pequenos. Mínimos. Não ha Johannes Kepler que nos coloque num lugar real. Somos efêmeros e passageiros e nossas dores, meras expressões de egos inflados. Alguns mais inflados que outros.

Me pego num simples beliscar, petiscar, mandando um email desejando “merda” ou “Break a Leg” pra alguém que teve estréia de um espetáculo teatral essa semana. Gesto de carinho, óbvio. Resposta? Pouco importa, já que pouco, pouco importa. Digo pouco nada importa, ou nada realmente importa nos continentes onde as coisas importadas importam: na África de Africasso e de Nelson Mandela, por algum motivo, onde o Simon ainda é revistado pela polícia por ser negro, por morar em bairro de brancos(!!!!), às vezes quero mesmo é desistir! Mas quem sou eu? Nada e ninguém!

Já que hoje, o que realmente importa seria o pop e a multidão que ovacionou Obama em Berlin, lá pela casa dos 200 mil. Tipo, meio Woodstock. Só que na Alemanha, eu tenho medo dessas multidões. Em 1933, também havia multidões ovacionando.

Não, chega disso. Como eu disse, sou como a Espanha. Sim a de Franco,a de Hemingway,  a de Guernica de Picasso. Uma única lâmpada ainda acesa. Em volta, destruição, Guerra Civil, mortos, fascismo, etc.

Sim, o Obama, pra mim e para tantos que conhecem os Estados Unidos e não querem mais a constante mentira da chamada “guerra contra o terror” desorganizada, mas sim algo que não aliene as pessoas, e sim o sonho já tardio de Dr. Martin Luther King Jr. A guerra contra o terror terá que continuar nos lugares onde, de fato, ele, o terror, existe.

No Iraque essa invasão só fez mesmo espalhar terror, matar civis que nada tinham a ver com isso, deixar soldados americanos em body bags e em estado de trauma e mutilação irreversível.

“Como em qualquer guerra”, contra-argumentaria  o interlocutor. Não senhor. Talvez Hitler justificasse a invasão da Polônia através de métodos tortos e estupidamente históricos, até que voltasse a Napoleão: afinal, a Polônia era outra terra como eu, como Guernica, quebrada, estilhaçada, com uma lâmpada no meio (se tanto) unificando vozes, idiomas, etc.

A invasão do Iraque e aquela monstruosa, repito, MONSTRUOSA reunião, convenção dentro de MIM, aqui dentro da Espanha, das quais participaram 21 países “para comprar e disputar os direitos pela RECONSTRUÇÃO do Iraque” !!! Que loucura!! Aquilo foi uma coisa tão sórdida que nem meu braço esquerdo (que chamo de Lorca) conseguiria explicar.

As mentiras são mantidas até hoje que nem meu braço direito (que chamo de Generalíssimo Franco) consegue explicar: não havia Armas de Destruição em Massa. Sabia-se disso, já que as várias expedições da UN, Hans Blix e companhia, nos afirmavam isso com certeza.

E, de fato, não encontraram nada. Até hoje, nada foi encontrado. Só fizeram mesmo foi abrir a porta para a INDÚSTRIA do jihad. A indústria dos que odeiam, a indústria do ÓDIO, dos meninos e homens-bomba, dos lagos de mel e das 72 virgens esperando os pobres virgens… Ah, Saddam! Claro, esqueço Saddam, aquele que, durante seu BRUTAL, regime gaseificou curdos, surdos, cegos e mudos.

Certo. Mas na operação Desert Storm de Bush Sr e de Clinton, achou-se melhor NÃO bombardear o paÍs inteiro e não ir em busca do petróleo óleo e nem por menos que uma única desculpa de se perder recrutas, pois Osama Bin Laden tem a ver com o Talibã e Afeganistão, e talvez até o Paquistão, mas uma coisa sempre foi certa: Saddam e Laden se odiavam. Sim, entre árabes assim com dentro de mim, aqui dentro, os Bascos e os Andaluzes e Catalães não se topam, se tripam, não trepam.

Vamos derrubar todos aqueles que consideramos horrendos? Vamos? Vamos inventar e difundir campanhas horríveis a respeito deles até que, na centésima rodada ela talvez se torne uma… ”meia verdade”?

Que tal começar pelo espelho do próprio banheiro?

O espelho de Bush está estilhaçado, assim como eu. Já me viram? Já me viram pendurado no Prado ou em reproduções em livros? Eu, Guernica, sou horrenda, feia de morrer e por isso fui pintada, pra meter medo numa época em que a arte ainda fazia algum sentido.

Robert Langdon Lloyd (Royal Shakespeare Company)
na producao de ALL STRANGE AWAY (premiere mundial) de Samuel Beckett, direcao e adatacao de Gerald Thomas
(Harold Clurman Theater – 1984- NY)

Aqui embaixo, um retrato do que eu sou hoje, só que representado por um ator meu, digo, um ex-ator meu, Robert Langdon Lloyd, em All Strange Away, peça que adaptei da prosa de Beckett em 84 num lugar remoto do mundo chamado Nova York. Tristes lembranças não ter mais uma cara, uma face, uma terra, pois explodiram temporariamente com nossa identidade até novembro, quando teremos eleições, e então quem sabe… Assim como o Generalíssimo Franco explodiu comigo e, grande parte da população dizia que elegera o grande mestre do teatro! Mestre do teatro? Os grandes ditadores são mestres do teatro, mestres do teatro da crueldade. A xenofobia dos povos, a defesa de suas identidades mesquinhas, ughhhh, numa era cada vez mais de plástico-derivado-do-petróleo faz com que moral, escrúpulos, essas coisas me tornem, eu , a Guernica, uma pintura ameaçada. Na África ou no Arizona então, mais ameaçada ainda. Não por causa das atrocidades históricas remotas, mas pelas atrocidades dos últimos 8 anos de administração Bush e que ainda veremos sendo descobertas aos poucos e que, deus me livre, se sobrevivermos…sentiremos o troco.

Gerald Thomas

Obrigado Vamp pela edicao, correcao, etc!!!!

PS: Importantissimo! Media Biased Against Obama

by DAVID KNOWLES
JUL 28TH 2008 9:22AM
A George Mason University Center for Media and Public Affairs acaba de publicar um estudo que prova que as tres NBC, ABC e CBS foram muita mais DURAS com OBama do que com McCain nos ultimos 6 meses de campanha! Isso se chama de?
De que?
adivinhem!
GT

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