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New York – Pequeno Diário de Bordo 1

 

New York –  (Com um PS. no final: Maureen Dowd, do NYTimes de domingo, com uma pérola!)

 

O Artista é Sempre Um Estrangeiro ou A Bandeira de Lugar Nenhum

 

Andando pela cidade ainda atordoado, como sempre, resolvi dar uma volta em torno do reservatório d’água, no Central Park. É oval, circular. Hoje ainda estava cheio de poças d’água. Os joggers, aqueles corredores doentios conectados ao iPod, correndo atrás de suas vidas, ou mais para perto da morte, berravam “room please” e todos nós, os mortais, abríamos caminho. Eles passam correndo, trotando e eu andava rápido, muito rápido, pensando na vida: “nunca irei me acostumar com o skyline dessa cidade. Mesmo vivendo aqui, no Rio e Londres e Alemanha, desde sempre, nunca irei me acostumar a lugar nenhum.

 

Kafka, certamente um dos maiores autores da humanidade, mas que ultimamente circulou pelos blogs por motivos imbecis, é autor de uma frase que adoro: “Quando vou dormir à noite, me certifico de que tudo está em seu devido lugar. Quando acordo, acho estranhíssimo que tudo esteja no mesmo lugar em que deixei ao ir dormir”.

 

A turistada tá foda, aqui! Em Londres, semana passada, a turistada também tava foda. Sempre foi assim? Não, acho que não. O dólar está baixíssimo e isto torna Nova York mais acessível para todos: uma brasileira (sem a menor idéia do que estava dizendo) exclama: “Isso aqui é a minha cara!” 

 

Quer dizer que ela é a cara do Chrysler Building, construído no auge do período “dark” da arquitetura “art deco”? Quer dizer que ela sabe exatamente quem era Frank Lloyd Wright e sabe o que ele fez com o concreto protendido, quando experimentou com o seu “Guggenheim” em espiral? Quer dizer que ela sabe o que a Lower East Side (Essex Street com Delancey, por exemplo) significa no calendário de um lituano imigrante? E ela sabe o que aconteceu com a “sua cara” (com sotaque de Vila Nova Conceição) em Saint Mark’s Place na década de 60 e 70? Não. Ela não sabe. Mas, mesmo assim, NY é a “sua cara”! E o pior é que é mesmo! Trump é democrático! Barbara Walters, que caminha anônima aqui ao lado, também é. (Acaba de pisar numa poça). Mas turista quer ver arquitetura, prédio, art deco? Claro que não! Turista vem aqui pra… fazer COMPRAS!!!!! E fazer BARULHO! E subir no Empire State Building para tirar fotos. E compram ingressos pra shows da Broadway sem nem saber que as origens dessa tradição foram contrafóbicas reações ao musiktheater, uma reação ao teatro musical europeu. Trocando em miúdos, o musical da Broadway vem a ser uma versão “action movie”, uma versão light da ÓPERA européia. Pasmem! Mas… a Macy’s está lotada! E a Bloomingdales também!

 

A Valéria me mandou um trecho que faz parte de um texto que escrevi pra Folha  e esta publicado no livro o “Encenador de Si Mesmo” (Editora Perspectiva,1996) – Haroldo de Campos fez a curadoria a respeito de minha obra. Esse trechinho era a respeito do artista plástico Jasper Johns, um dos maiores, da turma do Raushenberg (morto faz pouco tempo), ambos descobertos pelo Leo Castelli, aquele que montou sua galeria na West Broadway, aquela via que divide o SoHo entre vivos e quase mortos!

 

Mas nesse sábado ensolarado aqui em NY eu endosso isso que escrevi há mais de 14 anos. Eu sou ele, o Johns. Ele vira eu. Somos todos feitos da mesma coisa: New York é uma mistura linda!

Essa mistura incoerente é, em si, uma celebração. Celebrações podem constatar momentos tristes. Como festas. Festas podem ser coisas tristes, como os lamentos do samba, os lamentos do jazz. Os lamentos do Blues. Só não ouve quem não quer.

Eis o texto: “O artista é sempre um estrangeiro”. Isso está no capítulo “A Bandeira de lugar nenhum”

 

O “elemento terra”, no artista, flutua sobre camadas espessas de influências, maleáveis e pessoais, a ponto de sofrer do mal itinerante (necessário) que os povos nômades sofreram no desesperador esforço de acumularem sofisticação durante seu percurso”.

 

Criar inimigos sempre foi e sempre será a tática de todos aqueles que não conseguem mais se olhar no espelho ou tolerar a entrada de imagens estranhas àquelas que se admiram. E a cara do inimigo geralmente compreende todos os traços que a sua não tem. Tudo aquilo que a moldura do espelho contém pode ser chamado de “estrangeiro”. Alguns se penteiam perante o estrangeiro e se embelezam para ele. Outros jogam pedras no estrangeiro e o estilhaçam, confirmando mais uma superstição.

 

Toda arte produzida em grandes centros é descaracterizada de nacionalidade. Ela é urbana simplesmente. Essa urbanidade compreende a falta de identidade, a confusão étnica e mística que as vias de concreto propõem…”

 

A produção artística dos centros urbanos é a natureza mais que morta, decrépita, mas, paradoxalmente, essa decrepitude contém todos os aspectos do homem moderno, suas várias nacionalidades – tudo justaposto, aglomerado, anárquico e fora de ordem, neste disfarce democrático fica difícil distinguir até o sexo da obra, quanto mais a sua origem étnica”.

 

O artista é sempre um estrangeiro”. Isto está no capítulo “A Bandeira de lugar nenhum”.

 

New York de então

New York de agora

 

O estado de espírito de sempre.

 

Gerald Thomas (alheio aos sons de Phelps e Spitz e ovações em Beijing, sorry: Pequim, Atchim!

 

(Vamp, ainda na edição)

 

 

PS 1- Maureen Dowd – Considerada a mais (ouch) “polêmica” colunista do New York Times escreve sobre… bem, leiam trechos, chama-se “A RÚSSIA não é a JAMAICA!”.

“A América está de volta à Guerra Fria e “W” (George Bush) entrou em férias novamente (…) Depois de oito anos ele continua ignorando a realidade; deixando de prever ou se previnir ou mesmo se preparar contra “disasters”: interpetando mal ou não interpretando os “reports” das agências de inteligência (…)

Ele passou 469 dias de sua presidência no rancho, dando coices, 450 dias em Camp David “dando pinta” (…) Isso tudo está acontecendo enquanto a Rússia avança para dentro da Geórgia (…)”

Trechos da BRILHANTE colunista que pega no pé de todo mundo, geralmente não sobre alguém específico: não adianta dizer que ela é isso ou aquilo: ela é simplesmete MateMática, como 1+1 são 2: Maureeen Dowd.

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TOLERÂNCIA ZERO

TOLERÂNCIA ZERO – possivelmente um último artigo TEXTO REVISADO (elogiando os dois comentarios escolhidos para ilustrar o texto: o do Carlos e o do Anonimyous)

“’Terra de maluco’, você quer dizer, o Blog”?- indago a uma amiga que me escreve indignada.

 Mas, caramba, qual é o nível de tolerância que se quer ou se exige de uma legião de pessoas que interagem e discordam sobre temas? “Você quer um “designer blog”, feito só para você? “Sim, muitos blogs são pura “self promotion”, muitos são somente sobre UM assunto e muitos são sobre aquele assunto específico.

 Ontem mesmo, o IG quis me classificar como “aquele que escreve sobre teatro”. Reclamei dizendo que posso até ver o mundo e suas (idiot)sincrasias a partir de referências teatrais. Afinal, as grandes obras de grandes dramaturgos olhavam para o palco do mundo e faziam dele uma maquete para o seu pequeno microcosmo.

Mas não escrevo sobre teatro e sim eu “fervo” sobre eventos do mundo atual. Atual? Não, que atual nada. Eu trago para a atualidade “coisas” como no texto de ontem, tipo o Muro de Berlin, ou levo para a perspectiva histórica a lenta e gradual morte de Amy Winehouse. Ou ainda falo de Cartola como se ele estivesse onipresente. Meto o pau na imprensa toda por ser um monólito – monobloco, monocordio,  incapaz de enxergar o homem LIVRE nesse labirinto de seres humanos em busca de uma identidade digna num mundo de regimes xenofóbicos e fundamentalistas. Ah, sim… Muitos estão para renunciar e muitos oportunizam a situação. Muitos, como o Sarkozy, são presidentes que são mera “photo opportunity”, mas como nada tenho a ver com a “Vive la France”, não serei eu a meter o pau nele. Dona Carla fará isso!

Não, não escrevo sobre teatro. Escrevo sobre a teatralização ou a bestialização do absurdo que as coisas tomam em sua dimensão quando nicknames e pseudônimos começam a travar uma guerra entre sí e o tema da matéria fica completamente esquecida: dedos em riste, os blogueiros me chamam de qualquer nome, me advertem com o indicador no meu nariz e dizem tudo aquilo que eu já sei e já vivi (mas que eles não têm noção de que eu já vivi), entende, dona Maria? Porque naquele momento o brio e brilho são somente DELES, ou melhor, de vocês. E ameaçam: “Nunca mais entrarei nesse blog!”

Eu ameaço de volta: “estou fechando o blog”. Criando, assim, uma típica e dupla e tripla  e volúptica relação passional ‘dramática e teatral” sim, só que não descrita por mim, mas pairando no ar. Alguns voltam, eu volto. Alguns jamais voltarão, pro bem de ambos. Nervos estressados, unhas roídas, mas todos com as portas entreabertas, ou semi-fechadas, ou olhos bem fechados e ouvidos bem abertos! Os egos estão feridos!

Vocês só querem ler aquilo que  acomode as banalidades  que lhes facilitam a vida? Mesmo? Tem tanto blog de auto-ajuda por aí… Tem tanto teatro que tem a fórmula do choro por aí, colocando gente pelo ladrão! E Tem-Tanto-Político-Enchendo-os-Bolsos-com-o-Teu-Dinheiro (TTPEBTD) fazendo isso descaradamente e impunemente… Eu, Mané? Tô fora!

Olhem só esses dois comentários do post abaixo, sobre Tio Sam: Isso sim da alegria de ler:

Carlos, EX-BLOGUEIRO:

“Como eu dizia mais acima: a facilidade de se opinar não significa que não temos que ter responsabilidade sobre o que é escrito!

A questão dos EUA, dos brasileiros, dos imigrantes, enfim, é muito, muito mais complexa do que dizer que um é melhor do que o outro, ou de atacar um país e defender o outro. Pela própria história dos EUA, desde seu princípio, a questão da liberdade e da ideologia americana é extremamente complexa!! Não dá pra analisar só o que é bom ou só o que é ruim!!
Vamos com calma nessas discussões.

Eu lia na Economist sobre aquele monumento em Mount Rushmore, aquele com as figuras de George Washington, Lincoln, etc, encravadas nas pedras no alto da montanha. Pois bem, para os índios que ainda vivem naquela região, o monumento é o próprio símbolo do total desrespeito e descaso contra eles. Isso porque era uma região que pertencia (e teoricamente ainda pertence) aos índios Sioux e que foi violentada (assim como ocorreu no Brasil…etc). E porque me refiro a isso??? Justamente pra mostrar a complexidade dessas questões!! De um lado, o ideal Republicano, a independência dos EUA, a essência de uma nova Nação, a liberdade do cidadão americano contra a exploração dos Ingleses, do outro os seres humanos que já estavam ali e que foram massacrados pelo homem branco em sua NECESSIDADE de criar um Mundo Novo. O fato de milhões de latinos terem “invadido” Los Angeles (olhem o nome da cidade, é inglês?) tem diversas causas que vão lá pro século XVIII!!! Em dez segundos, olhem o que achei nessa nossa internet: “In 1781, 44 settlers of mixed Spanish, Indian, and African descent staked out turf for the pueblo that would become Los Angeles”.
E depois disso teve a guerra entre México e EUA, onde o Estado do Texas foi anexado aos EUA…ou seja, CLARO que existem milhões e milhões de mexicanos nos EUA. FORA ISSO, a corrupção, a pobreza no México é ENDÊMICA. Assim como no Brasil. Oras…pra onde ir??? Claro que o caminho é os Estados Unidos!!! Daí origina os ilegais os muros, a polícia…etc,etc….VAMOS PESQUISAR sobre os assuntos ANTES de colocar frases feitas, antes de tomar posições maniqueístas sobre as coisas! Esse é o grau de complexidade de um pequeno sub-tópico: Estados Unidos e imigração!! A coisa vai longe!!
O blog pode ser uma grande ferramenta pra educar a todos.
Precisa calma…de todos os lados…”(fim).

E tem mais esse:

Enviado por: Aninomyous

“Ser anti ou não ser é social demais para mim, intelectual demais para um insignificante ser humano como eu, so que dentro da minha lucidez quero falar um pouco de Deus, apenas na parte que me toca….na verdade, todos são responsáveis por seus atos, diferentemente de religião ou política que são SEMPRE eventos SOCIAIS, eu busco sim a Deus, só que isoladamente, confesso que também não sou totalmente AMOR como deveria ser ao me chamar de Cristão, ou se puder escolher eu encarar Deus na forma Humana, face a face, saber que ele sentiu na ‘pele’ o que é ser Homem e que talvez até ele tenha sofrido mais que eu, até pelos ‘meus’ pecados…sem ataques pessoais, nem qualquer tipo de agressões…afirmo que pude apreciar sempre e encontrar o centro de minha ignorância, não nego ter ela e que ela é tão infinita quanto o vazio que cerca minha existência! não me envergonho pois uso esse vazio para preencher com um pouco do que se manifesta em meus atos, meus objetivos e minha personalidade, consciente ou inconsciente…mais tolo seria eu querer me dizer responsável por mim, querer me ‘chamar’ de EU…Eu isso…Eu aquilo…se simplesmente não sou nada! 
Eu poderia ‘guardar’ comigo todos os elogios ou críticas, me encher de vaidade ou cair na maior deprê…só que…não sou nada! não vou reter mais do que as escolhas que eu mesmo fiz em meu caminho, e trato da mesma forma aos elogios e críticas…prefiro não tê-los, ser anônimo embora reconhecidamente individual…mas não é de mim que eu quero falar aos incredulos, mas de Deus! no pouco de experiência que eu tenho nesta busca, pelo que eu saiba, nenhum gênio da Humanidade se fez sozinho, sequer algum deles ou sua tão bajulada Ciência fez algo do nada, e de vazio eu entendo, porque nossas mães não tem o conhecimento para nos gerar, e mesmo assim o fazem (inicialmente no mó prazer, depois na mó paciência, pra finalmente nos conceber geralmente com grande dor) tudo bem, me chamem de FDP pois sou mesmo! mas minha mãezinha éra uma santa….eu sou, não ela! ok?
Pelo contrário, quanto mais ignorantes mais filhos elas ‘fazem’…tudo isso desde a mais remota era…independente de falar da teoria o sujeitinho x ou y, eu queria dizer que para ‘mim’ pessoalmente, mesmo eu sendo um FDP, tendo gente que eu simplesmente ‘esmagaria’ feito uma ‘barata’, ainda sim acho tudo isso sagrado…’amo muito tudo isso’ apenas pelo verdadeiro Rei, estes corpos são templos onde habitam nossos espíritos (de porco ou não) sagrados porém, embora quase sempre habitados por espiritos sem fé…já chego lá…calma…toda essa experiência para a infelicidade dos egoistas e materialistas não é voltada ao sujeito deles, mas sim para Deus e sua Obra…pobres tolos não sabem que estão na História Dele e não são nada, porque se ou quando Deus lhes retirar isso, nem isso eles poderão ter mais…porém outra revelação é que faz com que me toque a parte Cristã, e somente por Ele é que perco meu Sagrado tempo de vida em responder assim…é que aqueles que escolhem ser ‘pecado’ assim serão, serão um com o pecado, e os que escolhem ser ‘espírito’ assim serão, um com o Espírito…porém Deus é espírito, e aqui temos o Holy Gost (assim escreve?) Espírito Santo de Deus…o que retorna à questão, se vc não é nada e tem a oportunidade de ser, escolhe não ser? esse é o direito da livre escolha, e em seu livre arbítrio não dirás nunca ter sido avisado das consequências, pois antes este corpo não é teu, mas grava tudo que faz, pensa ou vê, é testemunha dos outros, mas mais ainda é mais testemunha de ti…pode ser ele a te julgar no teu fim! com tua imagem serás condenado pois teu corpo grava tudo o que vc pensa ser em suas atitudes esnobes.
Obrigado a quem ler isso…eu não quero converter ninguém e nem dizer essa ou aquela religião, só deixar um pouco da minha insignificância no ar se assim for permitido.” (fim).

Não sei muito explicar porque selecionei esses dois comentários (ou melhor: sei sim, Sao GENIAIS!!!), para explicar  o seguinte: Sinceramente não sei se vale a pena, para mim, dramaturgo e diretor (que não pára quieto,  pulando de país em país), reportando suas viagens, ponto e vírgula… e essas reportagens poderiam ser “ducacete”, mas não! PARECEM SER OFENSAS PESSOAIS a maioria de VOCÊS leitores e isso eu não entendo, pôrra! Plagiando Tom Jobim nesses 50 anos de bossa nova: “No Brasil, o sucesso alheio é OFENSA PESSOAL.”

Sim, o Brasil tem uma questão SERíSSIMA com a questão do “outro”. “Inveja” seria dizer pouco.

 Se sou feliz? Isso não é da conta de vocês. Meu erro foi contar muito da minha vida pessoal. O que vocês  acham é sempre PREconceituso. Se sou feliz? Vocês acham que estou por aí “TURISTANDO”?

Não preciso me justificar para vocês!

Mas uma coisa é séria: não acredito mais nessa forma de ser julgado. Aceito que o texto seja lido e, pra quem tiver tido alguma experiência relativa ao texto, ótimo: se manifeste. Mas não: “EU ODEIO os EUA!” (de gente que nunca pisou aqui e equaciona governo e política com vida: isso seria equacionar o período da DITADURA MILITAR BRASILEIRA COM A POPULAÇÃO DA ÉPOCA. FAZ SENTIDO?)

NÂO MESMO! Mas o clichê mais forte do PREconceito é o de criar uma máscara pronta e vestir o inimigo com a cara de um fantasma qualquer que odiamos!

Muito menos acredito nessa forma de ainda persistir em escrever pessoalmente para alguns amigos e amigas, para saber o que aconteceu, e levar uma esnobada! No way! Tem me acontecido isso nesse ano de 2008. Devem ser os planetas. Deve ser o Clarke Kent. Sei que sei muito as coisas que não sei ainda, mas nunca cansarei de ir atrás porque a internet não é e nunca foi a minha prioridade, e sim, o palco, a literatura.

Vou ficando por aqui. Confesso que não está sendo fácil ser racional, formular algo sóbrio num estado sóbrio. Não deve ter sido fácil se despedir em vida de alguém que ainda não morreu. Mas estou em luto ou de luto e num estado difícil de descrever.

Talvez a melhor maneira será mesmo a de não escrever. Dessa forma ficarei mais focado em meu trabalho teatral e o IG poderá, com orgulho, me classificar como um “escritor teatral”.  No meio tempo, esse “meantime”, que é “mean” enquanto também é “time”, malvado como ele, só esse tempo, me dará a chance de viver a Convenção dos Democratas em Denver, desenvolver os trabalhos de ópera e teatro que estão mais que devidos e parar de responder como um RÉU DIÁRIO as mais ridículas acusações.

Desejo a vocês tudo de bom. E, do fundo do meu coração, eu agradeço. Mesmo! E, me autoplagiando (da peça “Ventriloquist”): “Vou sentir saudades. Vou mesmo!”

LOVE

Gerald Thomas

New York 15 de agosto de 2008

(Vamp, na última edição)

tres comentarios (2 a favor, 1 contra)

 

  1. Enviado por: Sergio FonsecaPrezado Gerald Thomas,
    Gostaria de fazer um apelo a voce para que continue articulando o seu blog. Voce é especial e seus textos são diferentes, contém algo de vivo, na verdade, vital para o nosso espírito pós-moderno de insatisfação total com tudo e todos. Não é só o “seu” teatro e a sua biografia, os seus pensamentos são um emaranhado de sentimentos fortes, contraditórios e vivos. Exatamente como é a vida pós-moderna. Não sei se voce vê algo na pós-modernidade ou se vê mesmo a pós-modernidade, de qualquer forma o seu itinerário intelectual e biográfico lhe põe no centro da pós-modernidade. Para nós é uma oportunidade magnífica de ver o grande autor teatral lidando com as questões atuais, mostrando nas entre-linhas como que é gestado no coração e na mente de um dramartugo as idéias e percepções das criações artisticas. Não vá Thomas, não nos deixe sós!
  2. 15/08/2008 – 11:03Enviado por: Jose Pacheco FilhoPessoal atenção.
    Vamos nos unir e solicitar ao maquinista que não deixe o nosso trem sem condutor. Já deu para notar que forçando a barra nós podemos conseguir uma reconsideração.Quem sabe poderemos ter mais lá na frente um:-diga aos blogueiros que fico.O maquinista toma seu lugar.O trem retorna seu caminho e damos o assunto por encerrado.E eu ficarei feliz continuando esta viagem que eu mal comecei a tomar gosto e de repente vi a ameaça de ter que ficar no meio do caminho.Vampiro você que é mais chegado em relacionamento faça um apelo de caráter pessoal.Ou outros ai que estão viajando a mais tempo do que eu.Apelem,apelem e apelem.Mais valem as lagrimas de não ter vencido do que a vergonha de não ter lutado(esta frase eu copiei em um bar de Santa Catarina e nem sei porque me recordei agora.Mas parece que ficou bacana e assim vou encerrando.Obrigado.
    Pacheco.
  3. 15/08/2008 – 11:14Enviado por: Rogério SimõesNa era do marketing tudo vira produto e se é um produto tem que ter um rótulo com as informações bem explicadas, quer dizer mastigadas.
    Não tem problema não, pessoas como você são extremamente necessárias, esse blog fecha aqui, mas já já estará aberto em outro lugar.
mais um (bem legal)
15/08/2008 – 12:41Enviado por: StefanoDa minha parte posso apenas dizer: debate! Acho que o que pegou mesmo foi que o texto de Gerald, seu texto sobre Tio Sam, acabou colocando você na defensiva no DEBATE. Eu, que não tenho contato nem relações aqui – só entrei umas 3 vezes, acabei citando Guantánamo e aí a coisa pegou fogo. Você se sentiu forçado a explicar o óbvio, como disse, é contra qualquer tipo de tortura . Cansativo manter um blog polêmico, com certeza há que se por na balança, prejuXbenefício. Não foi nada de bobeira, tipo você é isso, você é aquilo, foi a hiperexposição, como se você, Gerald, tivesse que justificar suas posições e firmá-las, mas e se você não tem a convicção da certeza das idéias? Obrigar-se a uma coerência cansa também. Espero que o blog continue, mesmo que eu apenas seja um leitor casual, há muita coisa mesmo para se fazer na vida. Abração GealdThomas e aos demais participantes.   

 

O CORVO (daqui a pouco te publico aqui, mas o espaco esta diminuindo)

marden bretas, cade tu?

 

 

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Bem vindos ao novo blog!

New York – Meus queridos: não posso deixar de dizer que é um pouco estranho mudar de casa, ou de host. Em princípio nada muda, já que é uma só tela, essa, a do computador. Mas vivemos num “nonsense surround system”, ou seja, o que nos importa, nos dia de hoje, somos nós mesmos, os dias do i-isso, iPod, iPhone, I-não pode, e meus vizinhos aqui no i-G…sei não! Sei não! Sei SIM. Caio Tulio é meu amigo e mestre desde 1853 quando Richard Wagner compunha o Anel dos Nibelungos e resolveu fazer uma pausinha pra compor (a pedidos de Dom Pedro II), o Tristão e Isolda (pago com dinheiro brasileiro pra inaugurar o Theatro Municipal do Rio de Janeiro: infelizmente o Municipal só veio a abrir as portas em 1908). Enfim, estamos nessa era em que tanto se monta NO Beckett (que escreveu EU NÃO) “not I”, que se esquecem um pouco da essência e do conteúdo de sua escrita.

Venho escrevendo em Blog há mais de quatro anos. Recebendo e ouvindo e lendo comentarios, os mais incríveis e os mais diversos, elogios e insultos de admiradores até detratores, assim como é no teatro.

É. Assim como é no teatro. Aliás, quando comecei com essa coisa de Blog, ninguém sabia muito bem o que era. Hoje, tem mais blog no mundo do que gente! Eu mesmo, confesso, não tenho saco pra ler, digo, outros blogs. Tem que ser MUITO MUITO exótico mesmo pra chamar minha atenção! Ou seja, leio o mínimo necessário porque está provado que blog, jornal, mídia em geral faz mal a saúde. Deveria ser tudo interditado pelo Ministério da Saúde. Êpa! O que foi que eu disse? Ministério? RETIRO!!!!

Odeio governos! Não. Também não é verdade. “Sou” pelo Obama aqui nos US, mas não gosto aí do Sr. Lula da Silva, e sei que isso – aqui no IG – cairá mal. Bem, vocês me contrataram, então terão que conviver com essa ovelha negra aqui dentro: vai ser duro ser “companheiro” de página de Zé Dirceu. Já tive pesadelos a esse respeito. Confesso que tive. Ao mesmo tempo, cheguei a um ponto de cinismo onde já não acredito mesmo em que a “arte” ou opnião possa mais fazer a menor diferença (como um dia já fez: exemplo, Bertold Brecht, Living Theater, enfim, a arte da “demonstração” da “agitprop”, panfletagem, aquela que saía da “clausura” da bilheteria e realmente ia pras ruas reclamar ou clamar sua liberdade ou a liberdade de alguma coisa: sim, Sartre se foi e a Simone também.

” Fail. Fail again. Fail better.”

“Falhar. Falhar de novo. Falhar melhor”
Samuel Beckett.

O tempo passa e os escritos desse homem (na frente do qual tive o privilégio de sentar algumas vezes) ficam cada vez melhores e mais “wise” , mais …. (“Oh palavras que me faltam” última frase da ópera “Moisés e Arão” de Arnold Schoenberg” que dirigi em 98 na Áustria….tão vendo? Não olho pra trás, não reviso meus textos, vou escrevendo assim como vou dirigindo meus atores, sejam eles brasileiros, sejam eles da Baviera, sejam eles dinamarqueses ou daqui, do East Village ou de….. (pausa pra uma lágrima cair)… Londres….onde meu coração ficou…de onde meus pés, na verdade, nunca saíram, ou melhor, a minha alma nunca saiu. O resto é uma miragem, deve ser. Esse que perambula por aí é esse “Nowhere Man” (peça que escrevi pra Luis Damasceno em 1996), e que finge estar em casa no Rio, em Sampa, aqui em NY, ou em qualquer lugar do mundo mas não está.

– Onde estou? No lugar perfeito. No lugar virtual. Nessa coisa que, um dia, um vírus vai comer, “nhac”, e pronto! Estaremos de volta a estaca zero: papel e lápis.

Seremos obrigados a ler Kafka de novo. Nao poderemos mais entrar no “google” e fingir que sabemos tudo sobre todos. Teremos que sair pra comprar um livro todo amarelado de Joyce, ou de Guimarães Rosa, ou de Shakespeare, ou mesmo de Harold Bloom sobre Shakespeare ou do Haroldo de Campos sobre Joyce porque….Por que? Porque no fundo estamos perdendo nossa identidade. Sim, com esse “evento global” com esse information overload, esse excesso de informação, acabamos nao entendendo muito de nada ou nada de nada mesmo e “nhac”.

Muito de nada. Nada de nada. Assim como Beckett que usava seis palavras e sobravam quatro. Ou Heiner Müeller que usava mais de três mil palavras num jorro hemorrágico, mas no final, também só sobravam quatro.

Sejam super-bem vindos a esse novo blog. Teremos colaboradores. Estarei, como sempre estive, escrevendo, berrando, de tudo quanto é canto do mundo. Ainda estou estranhando um pouco o layout mas….. Nada que uma breve clicada de olhos ou um breve trocar de lágrimas não obrigue a vista a se acostumar.

Espero, sinceramente, não decepcioná-los. Mas, se for o caso: uma bela vaia também é bem vinda
LOVE
Gerald

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