Tag Archives: olimpíadas

Sou incurável+Gaza e…

 

nenhum

New York -“Segui o Che pela cordilheira Alpina atrás de queijo suíço . Só deu buraco!” Essa frase caía bem na boca do GRANDE (Maior) ATOR, Marco Nanini, na peça “Circo de Rins e Fígados” que eu tenho rodado aqui no Blog nessa última semana.

Ela deveria representar uma espécie de besteirol e deveria compilar (e compila!) a falta de compreensão total do homem moderno em relação ao tempo em que vive. Assim somos, não é?  Quando observo essa ridícula e triste REPETICÃO em Gaza entre as mesmas “equipes” (não se trata mais de alianças: entendam meu ponto de vista: o jogo se entende como esporte,  a multidão que o assiste se mata e acaba sendo assassinada e os esportistas, os estrategistas raramente ficam feridos. Mas berram. E como!)

Vejo o vergonhoso caso Madoff: 50 bilhões de dólares e como ele (e tantos outros que ainda não conhecemos!!!!!) conseguiram ROUBAR e ROUBAR e ROUBAR por ter sido mais um mestre nesse jogo: qual a natureza desse jogo?

Esse que vejo sendo jogado no dia a dia pela mídia. Existem diferenças, claro. Mas poucas. Não pensem nem por um segundo que o iReport da CNN é um veiculo democrático ou a “Minha Notícia” desse portal ou de outros são, igualmente, democráticos: ao contrário. São formas demoníacas de fazer com que o leitor, internauta ou participante se sinta “parte do time” por um dia, dois dias ou por alguns minutos. É Andy Warhol diluído.  É o filme “Network” de Lumet sendo “pacificado” pra que a gente nao saia abrindo janelas berrando “this is bullshit and I’m not going to take it anymore!”

A Faixa de Gaza ou o West Bank que em português se chama Cisjordânia (tenho antipatia por essa palavra em português, e não me perguntem por quê): por quanto tempo? Por mais 5000 anos? Ou desde 48 e até…….2048 pra que 100 anos de sangue rimem com 100 anos de solidão, e RETIREM o Nobel de Garcia Márquez ou de Saramago….e de Harold Pinter (que aliás, apoiava Slobodan Milosovec, um tremendo carrasco e filho da puta…). Mas sou incurável  mesmo. Nao tenho jeito: Pinter está morto e mesmo assim: no vídeo que roda aqui no Blog (de aceitação do prêmio Nobel) o “silenciador” explica a formula de como “monta” uma peca sua! Ora! Que piada. Pior que isso! Diz que dá nome ou letras aos seus personagens: A, B, C ou D. EXATAMENTE, ESCARRADAMENTE, cópia total de Beckett.

Sua devoção ao mestre Sam era tal que, já com câncer terminal – quase sem poder falar – em 2006, ele entra no palco como ator e faz um espetáculo de Beckett , “Krapp’s Last Tape”. Pra quê? Pra colocar sua estúpida fragilidade Slobodomiana à vista? Sei!

Invasão, guerras, Hamas, Hessbolah, Al Qaeda, terrorismo, Exércitos e armas…..desde que existimos aqui….desde que olhamos pro outro ou pra outra, ou o pé do outro da outra ou pro outra do outro, a guerra esta declarada:

 “A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre as pessoas. Se eliminamos os direitos pessoais sobre a riqueza material, ainda permanecem, no campo das relações sexuais, prerrogativas fadadas a se tornarem a fonte da mais intensa antipatia e da mais violenta hostilidade entre homens que, sob outros aspectos, se encontram em pé de igualdade”.

Seria isso uma citação de Freud? Parece que sim. Copiei dos comentários enviados ao Blog.

E tem mais: “O sentimento de culpa seria o mal-estar da cultura, o preço de vivermos em sociedade, reprimindo a sexualidade e a agressividade. Sob esta ótica, o mal-estar é estrutural, próprio dos processos de organização do psiquismo do homem, do fato de ele existir, de ser, pois ele só pode ser e existir como homem dentro da civilização. A existência humana é problematizada por não mais ser natural. Em relação a ela, as leis da natureza são substituidas pelas leis da cultura. Por esta razão, se – por um lado – a civilização em si, provoca um mal-estar, por outro lado, sem civilização não haveria humanidade, seríamos apenas outros primatas regidos pela natureza. A primeira e maior lei cultural, aquela que nos separa definitivamente dos outros animais, é o tabu do incesto, a regulamentação das relações sexuais, com a consequente organização das relações de parentesco, presentes em qualquer sociedade humana, mesmo naquelas ditas primitivas.” Obrigado, Nina, por ter enviado o Freud. Amo quando me enviam Freud. “Freude” em alemão é felicidade. Um mero “e” faz a diferença!

Mas e a tristeza? E a Tristeza do Mundo, hein, Ekram? “Israelenses e Palestinos sabem disso e até poderiam chegar a um termo se não houvesse tantos “bem intencionados” aliados em ambos os lados. Os EUA, por exemplo, estão apoiando esse ataque massivo dos F-16 sobre Gaza. A Rússia e a França condenaram e jogaram a responsa para a ONU, que todos sabem que não significa nada. A ONU é o espantalho no milharal.” Pois é. Sou incurável mesmo e acho que a merda da ONU só serve mesmo pra congestionar o trânsito aqui na primeira avenida. Mas, Sandra, por exemplo, responde…”Quanto a comparar fanatismo religioso com narcotráfico, depende. Se alguém quiser jejuar durante um dia inteiro ajoelhado no milho, tudo bem. Mas terrorismo? Pior: funciona? Veja o que funcionou, e quem fez diferença: Martin Luther King, Ghandi,… O Hamas não fala em nome dos mulçumanos, assim como o narcotráfico não fala em nome dos morros. Você daria a guarda de seus filhos a alguém que convence crianças a amarrar explosivos no corpo? Acha que eles vão parar se Israel não responder aos ataques? Foi o que aconteceu com todas as outras organizações terroristas? Quando pararam de brigar com Israel, brigaram entre si, e tornaram um inferno a vida das pessoas que diziam proteger.
 Nina, uma criança que mata um bicho não necessariamente o fará depois de adulto, mas, se o fizer, se, para ela, a crueldade continuar sendo uma coisa normal, ela deve deixar o convívio da sociedade. Não somos obrigados a sofrer nas mãos de pessoas assim.”

Ótimo. Todos os argumentos são ótimos. Justamente por isso, homens, mulheres e crianças brigam, lutam e se matam: o esporte que nao cessa nunca: OLIMPÍADA. A Tocha que não se apaga! Lindo nao é?

Não vamos fazer o jogo aqui dessa hipocrisia! “ai que horror! Ai que  coisa triste! E tal” Sabemos exatamente o ser VIOLENTO que temos dentro de nós. Como? Não ouvi direito! Você não entendeu essa última frase? Então seja mais um tolo e pegue toda a sua fortuna e entre no coro dos imbecis e berre: “que horror! Que coisa de louco (silêncio –pausa de 5 segundos , coisa de Harold Pinter)…..e jogue seu dinheiro ou sua arma predileta nos patifes como Bernard Maddof.

 

E FELIZ ANO VELHO como já disse um amigo meu, que hoje está…

Gerald Thomas

 

644 Comments

Filed under Sem categoria

Hoje o Blog comemora seu terceiro mês e…

Antes de mais  nada, eu queria agradecer aos leitores FIXOS (que transformaram esse BLOG num verdadeiro fórum de debates) e aos FLUTUANTES (aqueles que entram de tempos em tempos: no tempo Proustiano). Seja como for, está o máximo! Os comentários estão BOMBANDO!!!! Interessantíssimo: temos uma das maiores médias de Blogs (postagem diária) em comentários: ultimamente temos chegado à uma média de 250 por post: isso é uma maravilha! E isso com “moderador”.

Então, só tenho mesmo que agradecer a presença e o interesse de vocês: em 3 meses chegamos a quase 133 mil hits ou acessos, o que acho ótimo!!!!!

E parabéns ao pesoal do IG! (fui visitá-los ontem: os projetos futuros são ambiciosos e modernos. É o que se deseja. Sair da mesmice!)

Obrigado a todos!

E daqui a pouco, ainda hoje, espero: um novo artigo sobre o “BRASIL visto de cima”

LOVE

Gerald

__________________________________________________________________________________

QUERIDOS,

ESTOU PODRE DE SONO: MEUS OLHOS FECHAM ENQUANTO TENTO DIGITAR A PARTE PROMETIDA ACIMA. JÁ PASSA DAS 2 DA MANHÃ DE DOMINGO E… NÃO DÁ, 
SE AS MAQUININHAS PIFAM, OS HOMENS NÃO PRESTAM. DIGO, PIFAM TAMBÉM.
SÃO PAULO ME CONSOME (não confundir com a sopa de caldo de carne) como nenhuma outra cidade, e explico:

   Se em NY ou Londres e até em Trieste as malditas contas podem ser simplesmente pagas sem precisar ir aos Correios, mas deixando um cheque num envelope para, digamos, “ConEdison”, a “HIP” (meu seguro de saúde), “TIME WARNER CABLE” ou “BBC TV License”, etc. (ISSO PORQUE NÃO GOSTO DE PAGAR ONLINE: NÃO GOSTO DE DEIXAR MINHAS INFOS PESSOAIS NOS STES DE NINGUÉM).

   AINDA COLO UM SELINHO DE 42 CENTS NUM ENVELOPE E O DEIXO AQUI, dentro do prédio, numa caixa enorrme do “US POSTAL SERVICES MAIL BOX” ou da “ROYAL MAIL” ou da “DEUTSCHE (Bundes) POST” e, no dia seguinte, a conta está paga.

Mas em Sampa… onde o trânsito FLUI maravilhosamente bem e onde não existe stress de trânsito ALGUM. Onde um mero documentozinho de papel tem que passar por  tantos e tantos CARIMBOS e ASSINATURAS de JOSÉS e Marias que SEQUER O LÊEM, sequer  notam o seu CONTEÚDO!!!

Enfim, de volta ao capeamento das ruas e avenidas (PODRES e POBRES!) que são levemente asfaltadas num declive que vai caindo para o meio fio, ou guia, como vocês dizem, para que os motoristas de ônibus treinem para as próximas OLIMPÍADAS. Ou então metem essas carroças que vocês chamam de ônibus pra cima dos postes. Como é que os prefeitos BrassleROX deixam que circulem essa COISAS que até nas estradas perto e dentro de Tanger  e Casablanca já estâo UP TO CODE, digo, modernos (e Vamp: por favor não me venha com aquela de que o BR não vendia ÔNiBus pra NY, nâo! A tua Curitiba e o Jayme Lerner EMPRESTARAM algumas daquelas paradas de ônibus ovais e transparentes, junto com alguns ônibus. Não deu certo. Pequenos demais para o tamanho da populacão de NY e para reconstuir aquele alien numa cidade onde basicamente se anda a pé ).

Tempo que  me consome:

1- Tabelião (soa suspeitamente como o órgão que controla o Taleban) para RECONHECIMENTO DE FIRMA: ninguém olha nada mesmo, mas sai-se de lá, horas depois, orgulhoso e VITORIOSO  com aqueles selinhos e carimbos que Saul Steinberg imortalizou e fez com que Millôr Fernandes ficasse para sempre paralizado  de ódio e inveja (do Saul, claro),  porque, como já dizia Paul Celan, “Até existe  a inveja saudável, mas talvez entre os peixes”.

2-  Nos EUA (eu-a), o país mais personalizado do MUNDO, afinal é um país feito para o coletivo em inglês, US–A (nós–ou da gente), esquecem que existe algum parentesco com United something e, em português, fica ainda mais super-hyper-dper individualista: EU-A.

Lá (aqui, juro que não sei de onde escrevo, minha cabeça foi engolida por Moby Dick, uma baleia que vi na rua), nada de fila de correios e nada de FILA em bancos onde TUDO apita (falo dos bancos no BR): que meda! E que merda viver num clima de terror o tempo todo: não se pode parar nos faróis à noite, aquele CLIMA quando um molequinho de 9 anos quer limpar o vidro do carro.

 

Acordem brasileiros: esse país é extremanente RACISTA, cruz credo! Se um moleque branco vem, VOCÊ FICA. E se for um NEGRO, você dá um jeito de atravessar a Rebouças, vindo ali da Henrique Schauman.

 

Traum: sonho, em alemão

TRAUMA, oposto do sonho!

Já fiquei trancado naquela porta de banco giratória e nada acontecia: se tivesse sido com o ex-críitico teatral do New York Times de décadas anteriores, ele teria descrito uma ida aos bancos no BR à “Esperando Godot” que, segundo a infeliz crítica de Kerr, foi assim: “Nada acontece, em dois atos”

 

Kerr, décadas depois, pediu demissão do cargo de crítico por reconhecer em Beckett um gênio: “Nao tendo reconhecido Beckett logo, quanto talento maravilhoso eu terei ‘overlooked’?”

Pergunta: Quando é que esses MALANDROS QUE USAM O DINHEIRO PÚBLICO DO CONTRIBUINTE (esses verdadeiros impostores de renda!!)  seguirão o exemplo de kerr e… Como eu sou inocente, não? Tentando mesclar política com dignidade e dignidade com cultura…

 Nossa senhora! E as ruas aqui em sampa (olha que não falo das valetas que quebram TODOS os carros que cruzam a JAÚ, ITÚ, FRANCA, LORENA pelas  Joaquim E. de Lima, Peixoto Gomide, Casa Branca, Ministro, Padre, Augusta e a Haddock e a Bela Cintra e a rua da Consolation!) Não, o pior quebra-focinho-de-carro é a esquina da BRIGADEIRO (pra quem nem é daqui, até que dou banho em Rogério Fasano, que sentava ao lado do Fausto Silva na Rodeio e estranhava a decoração. Isso era uma prática diária, até que Marilia Gabi Gabriela, hoje a scholar mais respeitada no que diz respeito a Benazir Bhutto e a criação de sociedade dos seus ex-amigos…), enfim, o CAOS e o INFERNO dessa cidade me encantam (Frase de Marion Strecker).

Afinal, mostre-me uma grande cidade  cosmopolita que ainda tenha “BUJÃO DE GÁS” sendo vendido por charretes motorizadas: Essa é a grande KAPUTal? Sou mais o Rio! NÃO, NÃO E NÃO!!! NÃO ESTOU AQUI NESSE PLANETA PARA INSTIGAR AINDA MAIS VAIDADE ONDE NÃO DEVERIA HAVER NENHUMA…

O Roberto Marinho ordenou que a fiação fosse enterrada e que os os postes fossem alcoólatras em tratamento. E MANDOU que o Case e a ESPOSA doassem o seu dildo (como é em  português? É “consolo fálico”) no Bar Vinte, a alguns passos de onde o Islamismo extremista (ou algo assim) já faz muito tempo CONSEGUIU  dividir o LEBLON de Ipanema.

 É o Jardim de Alah… junto ao canal que desemboca na Rodrigo de Freitas!

 Prefeito (0u “a”): Vocês só têm duas opções!!!!!

1- Enterrem logo esss FIOS horrendos com seus geradores ou ‘transfiomadores’ assasinos: com 89 anos de atraso!

2- ENTERREM o transporte público também! SP bate todas as outras capitais do mesmo porte em FEIÚRA, falta de INFRA, etc.

Nao é à toa que o teatro CULTURA ARTÍSTICA  foi-se em questão de 3 horas.

Imaginem se Osama bin Laden decidisse atacar Sampa: Não restaria nem o Parque Trianom. Melhor ainda: só sobreviveriam os michês que ficam ali do lado de fora do Dante.

Mas… JUSTAMENTE por causa de toda essa zona que o Rio virou, aquela cidade ainda tem algo MUITÍSSIMO PRECIOSO: um senso de auto-estima altíssimo. Por ter sido a capital de Portugal e das colônias e depois a do BR. Não, de forma alguma: esse orgulho não está à venda  e não está na competição por prédios mais altos ou Shopping Malls que abrem aqui mais do que vala rasa na Geórgia!  Isso vem de uma FORTÍSSIMA TRADIÇÃO e CULTURA.

Sim, a CULTURA é o samba e a tradução vem de longa data: a de exbir com muito carinho, amor e preservação, ao TURISTA, a cidade onde Jesus decidiu dar uma paradinha. Só que, ao invés de simplesmente abençoar a cidade, seu gesto foi um daqueles “CARAMBA, como isso aqui é lindoooo!!”

COMO ISSO aqui é lindo!

Na minha modesta opinião, o Cristo Redentor deveria se casar com a LADY LIBERTY. “Ah, que piada insossa”, vocês estão dizendo. Seguinte, camaradenses: Jamais, mas JAMAIS menosprezem ou duvidem da importância de quando dois ÍCONES ou SÍMBOLOS resolvem se unir e se casar! Nunca! A História já nos provou  os tremendos danos de tais fusões. Mas raríssimamente existe, de fato, a paixão!

Gerald – comemorando 3 meses de IG e agradecendo TODA a equipe do fundo do meu coração: não sei como vocês me aguentam!

PS DO VAMP: críticas tudo bem, mas não esqueçam o LISTERINE!

380 Comments

Filed under artigos, shot cuts

Rússia e Geórgia: Nessa pôrra desse mundo fútil, um pintor chamado Beethoven faz o auto retrato da minha namorada Geórgia em plena batalha de Waterloo: HELP, blogueiros: o Museu Prada está em liquidação e a sopa Porsche na Rússia está vendendo Pacas!

 

Neste blog tudo é possível! Eu disse Blog? Esquece! Quero dizer: mundo útil. Esquece! Mil desculpas. Eu quis dizer… MUNDO FÚTIL.

Por exemplo: tenho uma namorada chamada Geórgia: Ela está sendo estuprada por uma amiga lésbica que tínhamos em comum, a Rússia. Estupro violento. Pior! Além da violência, da porrada, das partes mortas (minha namorada está sem rim, fígado, já teve perna amputada e está sangrando….) a Rússia, agora, ainda está mandando um ultimato: que a Geórgia se renda por total, se desarme: “Se solta, boneca. Vai, se libera, caramba!”.

  

Mas quem se interessa pela Geórgia? Ninguém, né!? Em época de Olimpíadas e numa sociedade cada vez mais imbecilizada pelo nada, pela “falta cultura  nessa falta de cultura” e/ou  noção histórica (cheguei a ouvir atrocidades no último ensaio em Londres! Já estou de volta a NY onde ninguém sabe nada mesmo), qualquer notícia tem o valor daquele dia. E somente o valor daquele dia, nada mais!

Fui levar uns amigos pra passear ainda lá em Londres: jovens, mas nem tanto. Nos seus 30 pra mais. Dei voltas por tudo que é parte da cidade: “’Waterloo’. Vocês sabem porque se chama assim ? Vocês sabem a qual evento histórico esse nome se refere?”

Silêncio. Nada.

Logo do lado de lá da ponte, a enorme praça “Trafalgar Square”:E aí, rapaziada? Alguma pista? Vocês têm noção se os eventos são relacionados?”

Silêncio sepulcral.

Esse cara lá em cima, lá, olha… lá em cima daquele poste enorme o… Nelson, Almirante Nelson… alguma idéia?”

Bem, se a minha namorada Geórgia não estivesse em frangalhos e a Rússia não continuasse o estupro (e eu, covarde, me divertindo a passear em Londres), quase ligo pra ela pra que se juntasse a nós, para uma boa lição de história!

Caminhamos até Whitehall e Westminster, e as Casas do Parlamento (House of Commons, grudada ao House of Lords). Me ocorreu uma idéia pirotécnica: “alguém já ouviu falar em Guy Forks? Ou em Cromwell?”

Nenhuma reação!

Bem, fico com o “History Channel” que colocou a Magna Carta (1215) junto com o  Monty Python  no seu release das “50 coisas” que você simplesmente PRECISA saber nessa era turbulenta do NADA.

Não, a rainha Victória não está na lista (pra fúria da “Regina” de mais longo e criativo reinado no trono britânico). Winston Churchill e outras brincadeiras sérias também foram  deixadas de fora, como o descobrimento do “admirável MUNDO NOVO”, as Américas. (vamos lá, blogueiros indignados, aos comentários!)

A CNN também foi deixada de fora.

 

Eis algumas das 50:

43 ad – A invasão romana

1610 – Shakespeare (não sei porque escolheram esse ano: um ano antes dele escrever sua última peça, “A Tempestade”)

1829 – o Bobby, (policial britânico)

1927 – A BBC.

1973 – A Grã-Bretanha se junta à Europa. (!!!!)

 

Enfim, fico por aqui com a lista. John Cleese e sua turma têm, pelo menos, um senso crítico, áspero, cáustico da História e sabem o que fazem e onde pisam… fico pensando se realmente Napoleão, Hitler , Stalin, Franco e Fidel (que parecem não terem entrado), são meros passageiros de um trem dos horrores de Coney Island. Ah, sim, Coney Island, pra ser destruída, junto com a minha namorada Geórgia, é/era um dos maiores parques de diversão do mundo!

Já o resto de nós, digo, dos turistas, entram nos museus e galerias, mas na verdade estão querendo entrar na Prada e não no Prado. Querem seus celulares funcionando pra mandarem torpedinhos imbecis, querem parar na frente das lojas da Porsche e ficar babando. Tate Modern? O que é isso? Ah, é o “Moma” daqui? “Moma” é Museu de Arte moderna, né? Temos que ir, não é? Lá tem o que, mesmo? O… aquele… o… aquele pintor… o Beethoven, né? Muito bom o Beethoven, rapaz! Gosto muito dele! De vanguarda, né merrrrmo? Vem cá, onde que  fica a Marcos e o Spencer mesmo? Parece que tão liquidando tudo!

Geórgia, heeeelp ! Dá um sinal de vida!

Antes que você seja transformada na Guernica de Picasso, pintada a barril de petroeuros, fala comigo: Alô! Alô! AAAAlôôô!

Putz! Meu celular da T-mobile está sem conexão e o da Orange também. Ainda bem que a British Airways perdeu minha bagagem! Eu não preciso de pôrra nenhuma mesmo, a não ser de um pouco de paz!

Gerald Thomas

(Vamp na edição)

 

 

 

231 Comments

Filed under Sem categoria

OLIMPÍADAS: UMA OVAÇÃO MUNDIAL NOJENTA À VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS!

MAIS TARDE, NESTE ESPAÇO: A  MAIS INACREDITÁVEL OVAÇÃO À VIOLAÇÃO AOS DIREITOS HUMANOS JÁ VISTA!!! UM ESPETÁCULO MONUMENTAL DE COMO VALIDAR  A PRISÃO PERPÉTUA , MORTE, TORRRRRTURA, ETC, EM NOME DA LIVRE EXPRESSÃO!!!!! E um artigo que escrevi e que o Arthur Xexeo (colunista e editor do Segundo Caderno do Globo) conseguiu resgatar (thanks, Xexéo!) dos arquivos (de 1999) sobre o Livro do Ruy Castro “Ela é Carioca”, em que Castro e a Cia das Letras – nas primeiras linhas da minha bio, diziam que minha avó era amante de Hitler e de Goebbles!!!!! Isso  deu início à lenta degradação moral e fisica e acabou levando minha mãe ao túmulo! Ontem fez dois anos que ela faleceu!

Eis o texto:

O que assusta é a banalização.

Dirigindo pelas ruas de Londres, ontem, dia 9, era nítido como grupos e mais grupos de pessoas se acumulavam pelo centro com bandeiras e faixas se OPONDO às olimpíadas.

No mais, O West End (parte central e turística da cidade) estava lotada como sempre, e os Pubs engarrafados, gente bêbada, aos berros e vários deles (aqueles que queriam mostrar os jogos) tiveram suas tvs desplugadas ou quebradas pelos usuários. Sim, os ingleses são incrivelmente politizados. Foi justamente aqui, em março de 2003 que participei da “one million march” contra a invasão do Iraque. Não adiantou. Alistair Campbell forjou o documento que fez com que Blair se juntasse a Bush. E a Grã-bretanha foi junto na leva e bombardeou Bagdad.

Voltando às Olimpíadas: NOJO! E, ao mesmo tempo, como uma DITADURA consegue, como ninguém, montar um BELÍSSIMO ESPETÁCULO (assim me dizem): O homem voando com a tocha na mão!

Mas qual outro significado pode ter esse “super-homem” olímpico criando ILUSÕES com fogo na mão?

Ilusão! Bem, uma ditadura não é ilusão! Controle de informação também não é! Lembram as Olimpíadas de 1936, na Alemanha de Hitler? Lembram quando a Seleção de Futebol da Inglaterra teve que fazer o “heil salut”? Não, não lembram! Ninguém lembra! Melhor esquecer. É mais conveniente desassociar POLÍTICA de ESPORTE. Mas infelizmente, não dá! EU DISSE: NÃO DÁ!

Estou ouvindo a BBC RADIO 3 que está em Shanghai entrevistando uma musicóloga chinesa tentando nos fazer entender a “cultura musical pura” da China. De estatal a estatal. Tem lá suas belezas, não nego! Mas… a palavra “pura” me dá medo! Esses grandes eventos são políticos e, num país com TOTAL controle político, o óbvio fica sendo um jacaré nadando de costas, como na camisa “lacoste”, all made in China.

Não quero me alongar muito, pois quero focar num único assunto: DIREITOS HUMANOS. A quebra das CONVENCÕES, o que significam regimes TOTALITARISTAS, os que matam, torturam, exilam, desterram as pessoas. Em nome do quê? De uma ideologia, de uma língua, de uma unificação de uma raça pura, de um deus, de um bode, de um aspirante a guru, de uma montanha mágica, de um santo de plástico ou mesmo de uma nota de dólar ou um barril de petróleo que seja. Todas as formas são terríveis pois desumanizam seres humanos como eu e você! Destroem famílias, acabam com a dignidade de crianças, de civis, ou seja, daqueles que nada tem a ver com isso.

Este texto, por tanto, é uma homenagem aos PRISIONEIROS de CONSCIÊNCIA do mundo inteiro. Vale pelos anos que dediquei, na década de 70, também aqui em Londres. Anos em que trabalhei na sede da Amnesty International, depois para o Russell Tribunal e depois em Roma, pela “Liga Internacionali dei Popoli”, do Senador Lélio Basso.

O texto foi escrito para “O Globo”, por ocasião do lançamento do livro “Ela é Carioca”, de Ruy Castro, que visa contar a biografia de Ipanemenses. A minha já começou da forma mais errada possível e acabou com a morte da minha mãe, em 7 de agosto de 2006. Esse texto é uma homenagem a todas as vítimas de todos os holocaustos diários: os jogos Olímpicos ocorrendo na China vêm a ser somente MAIS UMA no nosso dia a dia.

Texto (obrigado, Arthur Xexéo, por resgatá-lo!)

Pode ser que para um brasileiro de origem cristã esse assunto nem exista, esteja ultrapassado, digerido. Muita gente não se dá mesmo conta de como é pesado, perverso e permanente o reaparecimento do fantasma nazista. Quando menos se espera, quando o dia está bonito e a vida vai bem, ele te chega, como um soco na cara. No meu caso, foi no meio de uma palestra em São Paulo segunda-feira. Alguém da platéia perguntou: “é verdade que sua avó era amiga de Hitler?”. Achando não ter ouvido, devo ter ficado alguns segundos em silêncio. Ou soltei uma daquelas risadas histéricas.

Eu não sabia que se tratava de uma pergunta séria. Não tinha idéia de que o perguntador havia lido tal afirmação num livro. “Como????”, perguntei, “minha avó era judia!!. Perdeu tudo. Perdeu família, casa, dignidade… tudo!!!! Como assim, amiga de Hitler??? COMO ASSIM, AMIGA DE HITLER????”, devo ter berrado num tom constrangedor.

Para as pessoas que viveram ou foram criadas sob a sombra gélida do Holocausto, a Kristalnacht e outras atrocidades do terceiro Reich, a mera insinuação de tal coisa traz à tona uma perplexidade sem nome. Não é nem um mal estar, ou uma repulsa. Talvez esse sentimento possa ser melhor descrito como uma mistura de humilhação e degeneração instantânea de auto-estima. Muitos que sobreviveram ao Holocausto se suicidaram por não achar um termo para tamanho paradoxo.

Não posso explicar o grau de crueldade que é, para mim, abrir um livro numa página que visa a contar a minha biografia e ler, na primeira linha, que minha avó era amiga de Hitler e Goebbels. A frase seguinte é ainda pior: “foram muito generosos com ela”. Não posso descrever o que foi isso para a minha mãe. Trauma? É pouco. No caso dela, o destino parece ser extremamente demoníaco, pois não bastou a guerra, e se encontrar no porão de um navio rumando para não sei onde, tendo sua identidade roubada e arrebentada pelo regime nazista. Cinqüenta anos depois, ostraumas voltam travestidos de uma forma quase simpática, carinhosa, transformando o seu maior problema em vida (o nazismo) num comentário passageiro, piada, nota “leve”.

Acho que é isso o que mais me abala. A banalização. A falta de memória. A alienação constrangedora. Não posso deixar esse episódio passar em branco. Estaria traindo muita gente, a própria História e o rumo que o mundo tomou depois desse deplorável regime. Estaria traindo os que, como Spielberg, Wiesel e tantos outros, se esforçam diariamente para não deixar a amnésia e a burrice causarem danos ainda maiores que as feridas deixadas pelos nazistas. Minha avó? Desembarcou na Praça Mauá no início da guerra, com a roupa do corpo, desceu do navio e olhou em volta. Não tinha um centavo. Mesmo assim, deve ter dado um suspiro de alívio quando viu que estava nos trópicos, longe dos assassinos, num mundo novo. Tadinha. Morreu sem imaginar que alguém, algum dia, seria capaz de transformar todo o seu sofrimento e a sua miséria, numa graça ligeira em verbete de livro. Que pena, gente. Que horror! Deus me livre!

GERALD THOMAS é dramaturgo

Dezembro de 1999

O Globo”

(Vamp na edição)

do Blog do Alberto Guzik (linkado a esse blog na coluna da direita ai do lado) um trecho maravilhoso (o texto in full esta no blog dele, num post de hoje

……”já podia antecipar o que viria pela frente nesta abertura. toda a multimilenar cultura chinesa foi desfraldada de maneira mega-super no assustador ninho do pássaro, o estádio que parece saído de um cenário de pesadelo de filme expressionista. tudo muito incrível. números aparentemente improváveis, reunindo centenas de integrantes, executados de forma impecável. uma coreografia de cubos que nunca vou esquecer. e o que foi aquilo das roupas pontilhadas de leds que acendiam e apagavam em sincronia, formando figuras, ideogramas? e a pira olímpica acesa por um atleta voador? que espetacular, vão dizer. tudo isso me emociona? não. me assusta. grandioso demais, ostentoso demais, novo-rico demais. muito distante da elegância do tao, da sobriedade de confúcio (o que foi o número dedicado a ele? superproduzido e nada confuciano), da precisão ideogramas chineses. a cerimônia foi alimentada pelo espírito desse cinema sensacional que produz coisas como “o tigre e o dragão” e o “clã”, proporcionando espetáculo em lugar de reflexão. mais uma abertura das olimpíadas da era do espetáculo. marketing. por que não acredito na promessa de paz que a coreografia tanto exaltou na última coreografia? os excessos de brilho, de gente, de luz, desse show haverão de jogar purpurina nos olhos de muita gente. eu mesmo me pilhei emocionado aqui e ali. estavam manipulando a gente direitinho. que show é esse que me faz ter medo dele? que espetáculo é esse onde vejo alguma coisa …”A Guzik

227 Comments

Filed under artigos