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Lula, o Moreno de Olhos Negros, na TV Americana

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Lula no programa GPS, de Fareed Zakaria, da CNN.

 

 

New York – Todo mundo gosta de enfrentar um entrevistador elogioso. Nada de perguntas “sensíveis”, nada de controvérsias, nada de perguntas sobre a corrupção interna e os escândalos que vêm acompanhando seu mandato. Aqui o presidente Luis Inácio Lula da Silva foi entrevistado como o líder de uma nação “potente”, “o país do futuro”, etc.

 

Olha, até que fiquei impressionado. Fora algumas datas que ele errou (tudo bem), Lula falava em deus o tempo todo e disse ter dado muitos conselhos a Obama. Por que deus? Será que Lula se sente um iluminado? Um escolhido? Bem, o aspecto “proletário” dele foi um fato bastante explorado. Sim, o metalúrgico que subiu ao poder e tal…”Sim, eu conheço a pobreza. Na minha casa haviam inundações de um metro e meio. Flutuavam ratos e baratas quando isso acontecia então… sei muito bem o que é ser pobre!” – dizia um deslumbrado Lula a um deslumbrado Zakaria (que me parece ser paquistanês, não sei ao certo). Ambos deslumbrados, Lula completava: “às vezes me pergunto o que estou fazendo no meio desses líderes mundiais todos.” Os dois se olhavam deslumbrados. Acho que Zakaria também nunca imaginou que teria um programa na CNN.

 

Em nenhum minuto o presidente brasileiro foi questionado sobre a violência interna em seu país. Quando Musharaff foi entrevistado (já depois de deposto como presidente do Paquistão), as perguntas eram muito mais agressivas, óbvio. Era Al Qaeda pra lá, Al Qaeda pra cá, e como pequenos grupos seletos protegiam os terroristas em vilarejos na fronteira com o Afeganistão. E assim foi com outros líderes políticos que já deram seu depoimento a Zakaria.

 

Já na sua intro, o apresentador deixou muito claro: “aqui estará sentado um presidente de um país dos mais importantes e sobre o qual você sabe menos”.

 

Acho impressionante como Fareed Zakaria conseguiu apresentar o Lula como o líder mais “popular do mundo” (com 80 por cento de aprovação), sem entrar em detalhes de como esses dados são colhidos. Não se falou em voto obrigatório. Não se falou em mensalão e outros escândalos.

 

Acho de uma irresponsabilidade ÚNICA um canal como a CNN apresentar um presidente de um país como o Brasil sem que se mostre antes uma reportagem sobre a “realidade do país” que esse líder governa.

 

Lula falou muito nas alianças entre países de terceiro mundo, como Índia e China. Foi cauteloso quando falava na China, parecia não ter muitos dados. Falou com cautela também sobre Hugo Chavez e, aí sim, foi interrompido algumas vezes. Mas disse que a Venezuela é parceira econômica do Brasil, e que não se sentia livre para falar criticamente de seu companheiro, o ditador Hugo Chavez, e seus métodos nada ortodoxos de se manter no poder. Lula falou que “deve-se respeitar a cultura de cada país”. Bem, se formos seguir esse raciocínio, é melhor deixar o genocídio do Congo e em Darfur prosseguir, porque, afinal, deve ser algo tribal e, portanto, cultural. Enfim, sem comentários.

 

Bem… ao mesmo tempo, digo o seguinte: Lula não se saiu mal. Se todos os entrevistadores do mundo fossem tão “amáveis” quanto Fareed Zakaria (cuja única pergunta realmente sensível foi: “O senhor disse a Obama para levantar o embargo a Cuba?”), seria sempre fácil.

 

Primeiro Lula procurou desconversar. Depois se confundiu com as datas. Mas acertou que a revolução de Sierra Maestra foi em 59 e disse que não fazia nenhum sentido “manter um embargo quando na verdade o Obama foi eleito, em grande parte, por cubanos residentes aqui”. O que o Lula talvez não saiba é que esses cubanos residentes aqui são EXILADOS FORAGIDOS, pessoas que remaram, que nadaram, que quase foram comidas por tubarões para chegarem à costa da Flórida e que ODEIAM Fidel.

 

Mas se Zakaria não interrompe, do que adianta ficar desse lado da tela, ficar esperneando?

 

 

Ps.: A fala do presidente foi dublada para o Inglês por um intérprete com a voz idêntica a do Lula.

 

Gerald Thomas, 29/Março/2009.

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PS. do Vamp: Pessoal, é preciso sempre atualizar a página ( F5,”atualizar” ou “refresh”), pois a mesma nem sempre atualiza automaticamente.  

 

 

 

(Vamp na edição)

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Vem aí o Inferno anual e o Império da Manipulação das Emoções. Quem sofre mesmo? Quem viveu DE FATO o 11 de setembro?

Contagem anual:  9, 10, 11… de setembro dos INFERNOS!!!!

E a cada ano fica pior. Eu achava, lá no inicio, digo, em 2002, 2003, que iria melhorar. Nada. Essa merda só piora! Vem mais um aí. A data está dobrando a esquina. E a lista de pedidos de entrevista são os mesmos ou um pouco diferentes, mas o martelo bate como se fosse o personagem Clov na cabeça de Hamm em “Fim de Jogo”, de Beckett. Som de lata! Sim, aquele dia foi um final de jogo, um fim de mundo, um final das contas, o holocausto ao vivo. O holocausto dentro dos EUA. Para aqueles que não estiveram em Kosovo, ou no Vietnam, ou em Sarajevo, Uganda, Ruanda, sim, esse aqui foi o que nos atingiu. Não me falem em Hiroshima, Nagasaki, Dresden, Auschwitz, Dachau, Buchenwald porque os ossos de meus parentes estão em cinzas lá. Sem lágrimas. Na boa!

Também vi Vigário Geral!

11 de setembro e as ruínas onde fui trabalhar e, ao voltar empoeirado, massacrado e sem fibra, escrevia meu depoimento para a “Folha”.

Mas o que veio depois foi ainda pior: A política de Bush. Não posso acreditar que estou em 2008 escrevendo isso. Leiam o que quiserem e acreditem em quem quiserem, juro que não agüento mais discutir como estrelar um ovo. Você agüenta? Não, não agüenta. Tenho aqui na minha frente todos os livros de Woodward e o 9/11 Commission Report e o livro de George Tenet e o de Frank Rich e uma pilha de livros que nem eu mais agüento ver ou ler. Náusea. Não, nada a ver com o Sartre, não.

Não posso acreditar que estou em 2008 me vendo diante de John McCain e Sarah Palin e sua pequena vila pentecostal no Alasca. Essa radical quase fundamentalista que transborda “pecados” por todos os lados. Transborda? Como assim? Sim. Marido bêbado que é pego dirigindo “sob a influência”… “DUI”, chama-se isso aqui.

Deus quis”… Ai, meu deus! Qual deus? Qual deus? “Deus é o maior problema, não a solução”, dizia um grafiti numa calçada em Brooklyn, nos dias após os ataques.

Não. Esse jogo de novo, não. Sou de teatro, mas odeio a repetição!

Será que escrevo sobre os ingressos do show da Madonna na Argentina que esgotaram em questão de horas? Digo, a mesma Argentina que vaiava Madonna por interpretar Evita Perón na sacada da Casa Rosada… Não, não irei entrar nessa de falar sobre a Madonna. Vou tentar me distrair com a ótima entrevista concedida por Alec Baldwin ao “60 Minutes” de domingo último, em que demonstrava ser  “outrageous”. Um cara de coragem singular por ter se “excluído” de Hollywood. Sim, e por quê? Porque sim! Porque George Bernard Shaw diria que ele seria um caso muito “peculiar” e que pertenceria ao equivalente a Fabian Society ou que ele atrairia muito mais atenção sendo um excluído! Faz sentido. Pouco. Tanto quanto Palin, Deus, Jews for Jesus ou campanha eleitoral onde VALE TUDO, ou seja, nada!

De volta a realidade, Gerald! Volta!  O ex-pastor, ministro, sei lá como se chama isso, da igreja de Sarah Palin (a Wasilla Assembly of God) falam em jivês, em gírias. Não, gírias, não. Falam como se fala no candomblé. Ou seja, quem é de fora não entende. É para não entender. É que nem o meu teatro. Epa! O ex-pastor de lá, o tal de Brickner, dos Jews for JESUS (Judeus por Jesus) acha que os ataques a Israel são justificados pelo seguinte: Ouçam bem: porque os judeus não procuraram por JESUS!!!

OLHEM o NÍVEL de loucura em que está metida a nossa potencial VICE presidente! E eu, tentando fazer o meu anual memorial sobre o 11 de setembro que vem sombrio, sóbrio, frio, estúpido, como todo setembro vem! ESTÚPIDO!

Olhem o potencial nível de loucura ao que chegou o Jihad propagandístico da políticaÉ um deus contra o outro.

O que eu vi da minha janela na Kent Avenue em Williamsburg, naquela terça-feira de manhã? Os aviões batendo no WTC, os prédios em chamas, os prédios caindo… muita gente morrendo e eu indo trabalhar em GROUND ZERO por VINTE E UM DIAS. Foi o que eu vi e vivi. Mas o que foi que aconteceu, por trás das paredes políticas dos que escrevem o DRAMA?

E, fora o petróleo, e a indústria bélica e a indústria do lucro, qual outra intenção? A de estabelecer uma nova ordem religiosa, a new religious RIGHT no mundo, usando Bin Laden (ex Cia nas Afghan mountains contra os russos)… Será? Não, estou sendo um Hamletzinho. Agora que o Musharaff nem “está” mais no Paquistão e o marido da Benazir pegou o poder… o que será? Caos total? A ordem é essa?

Para que liberassem um bando de mentiras?

E que construíssem uma CONSTITUIÇÃO paralela, mentirosa, ilegal… Não, não foi para isso que engoli kilos de asbestos, de amianto. Não foi para isso que segurei sapato com um pé dentro ou camisas… Chega!

Palin mudou de igreja, mas, como pergunta Larry King, “o que nós temos a ver com isso?” Por que isso determinaria o futuro do Commander-in-Chief? Desde quando isso é assunto? Agora ela freqüenta outra pentecostal , mais parecida com uma pipeline (oleoduto), a coisa mais cobiçada pelo estado do salmão, dos esquimós e do bacalhau negro!

Ah, a igreja agora é a outra, do outro lado da rua, e os pastores mudam de nome, vão de Tim McGraw até Larry Kroon, mas são todos a favor desse abominarrável Jews for Jesus, Jesus for Cheese, Cheese for Jesus, Jesus for Cristus, I for Isus, Pumpkins for Ravolis, Ricotas for Veal and so on, e assim por diante e com essa CARTA BRANCA se entra em qualquer país, se destrói, se desmonta, se mente em nome do santíssimo. E se sorri marotamente, assim como Madonna (olha o nome, que ironia!) sorria nos balcões da Casa Rosada com um sorriso amarelo quando a população portenha queria expulsá-la porque a sua santíssima Evita Perón havia sido manchada de um sangue impuro, assim como Brunhilde havia sido manchada com o sangue dos planetas e no desmanchar do castelo de Walhalla… E a Sarah Palin ainda vai me pertencer a uma organização obscura????? (sim, ela existe) Que acredita  QUE O MUNDO ESTÁ PERTO DO SEU FIM!!!! E QUE O ALASCA SERÁ O ÚNICO LUGAR SALVO PARA AQUELES QUE ACREDITAM EM JESUS. Caramba! Está uma coisa muito… o que mesmo?

Isso ultrapassou os limites de uma campanha presidencial. Isso aqui virou uma verdadeira AMEAÇA!

Gerald Thomas

Sobrevivente. Contagem regressiva e ainda sofrendo de Post Traumatic Shock Syndrome!

 

(Na edição: O Vampiro de Curitiba)

09/09/2008 – 23:29Enviado por: Tene ChebaGerald Thomas, sinceramente, o Iraque foi uma disponibilidade que não poderia ser dispensada, na minha opinião.Também para mim, foi um consenso político entre os Democratas e Republicanos, não se gasta o PIB do Chile por ano com uma alçada apenas.No meu ponto de vista,(coisa mais antiga, propaganda de ótica, Ponto de Vista, a melhor), o Iraque serviu para três coisas, desmobilizar um estado com tendências muito perigosas, criar uma barreira geográfica para proteger Israel, Arábia Saudita e menores laterais, vizualizar o Irã mais proximamente.Eu não acredito, que com as poderosas ferramentas disponíveis para tomar decisões, o despropósito ocorreu.A Jordânia vendia petróleo iraquiano, furando o bloqueio da ONU, Kofi Anan, este sim, através do seu filho, deitou os cabelos, e depois foi réu confesso.Não sei, alguém teria que alterar aquele absurdo, 5.000 curdos, mais os xiitas, um motivador e tanto. Gostei, só para variar, do seu texto, incrível que seus textos sempre nos desorganiza, ficamos atordoados, as quatro estações, rir, chorar, feliz e triste, perplexos, no parágrafo final, beijamos a lona. Você é demais.

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