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O Círculo se Fecha!

Voltar para casa é sempre um alívio. Digo isso a cada 3 semanas e chamo Nova York de “casa” (e sempre foi),  assim como chamo Londres de “casa”, assim como chamarei, logo,  logo,  um assento numa canoa, fugindo de um furacão, de “casa” (Aliás, obrigado, supervisor de vôo da “JAL”, pela troca de assentos na última hora). Para vocês que voam de “TAM” e não sabem o que é cortesia, experimentem voar pela “JAL” (não, isso não é jabá, pago full fare em business, mas agradeço gentileza e ataco os rudes, os brutamontes do ar quando merecem ser atacados.)

Olhando fotos dos retirantes de Louisianna, esses seres que escaparam do Gustav e que escaparão de vários outros desastres naturais e artificiais, como guerras, insurgências, minha mente atravessa vários emails não respondidos aqui no computer e a geladeira sobrecarregada de produtos orgânicos da WholeFoods… mas por que digo isso? Ah sim, ainda me fixo no artigo dos Caretas! Cidades caretas, cidades JOVENS, dominadas por jovens e com JOVENS saindo pelos poros da imaginação!

Esqueçam os autores MORTOS!

ESTAMOS VIVOS.

Não custa esquecer um pouco, por um tempo (digo, um respiro) os “CRÁSSICOS”! Estão nos levando a Ground Zero! Se formos investigar ou querer investigar o CÍRCULO das coisas semi-vivas, saibam que existe em MUNIQUE um dos mais belos ambientes do mundo, digo isso porque VIVO LÁ: a GLYPTOTHEK (entrem no Google e descubram, que não aguento mais descrever essa maravilha semi-morta, greco-romana)

Esquece! Esquece!  Passei minha vida inteira  tentando comparar culturas, tentando explicar uma cultura para outra, tentando explicar para os meus tios que no Rio não tem elefante andando na rua. E riem. Tento, até hoje, dizer que em NY se anda tranqüilamente às 4 da madrugada sem olhar para trás de MEDO e… riem!

O círculo se fecha!

Guerras entre críticos e músicos e artistas de palco ou de telas penduradas em museus.

Tudo muito triste, mas a verdade é que o círculo se fecha e o mundo responde via Blogs.

Saudades imensas de pessoas como João Candido de Galvão. Meio pé-na-merda, meio pé-na-imprensa. Mas sabia das coisas. Era relacionado a Oswald de Andrade, não sei bem como.

A última vez em que nos vimos foi no aeroporto “Charles De Gaulle” (acho). Me contou que havia sido assaltado na Ipiranga com São João. Já estava bem fraco do coração. Nós nos amávamos. Era um amante da obra de Robert (Bob) Wilson e falava dele com paixão. Paixão que poucos possuem quando falam de arte hoje.

Por que a arte hoje não é discutida com paixão mesmo quando se discute o iluminismo ou, digamos, os impressionistas? Estranho! Não sinto paixão por Jackson Pollock. Tenho um amor frio por ele. Tá certo! Mas tenho uma paixão FORTÍSSIMA pela obra de Duchamp e pela obra de Steinberg e a de Francis Bacon e Vik Muniz (que encontrei ontem vindo pra cá).

Digo, morro de paixão por Pina Bausch, e João Candido sabia corresponder essa paixão quando fez a crítica de “Quatro vezes Beckett” – em 1985 – no “teatro dos 4”, no Rio. Também soube meter o pau em “Carmem Com Filtro”, obra ruim, que construí pro Fagundes em Sampa, em 86. Mas fiquei quieto.

Tem artista que esperneia até hoje: sim, mandei a Bárbara Heliodora morrer. Mas isso é um capítulo à parte: ela queria que eu morresse, que meu teatro morresse e atacaou a Nanda. Eu simplesmente fechei o ciclo. Anos depois, digo, hoje, outro círculo se abriu. Dona Bárbara e eu nos damos bem. Ela gosta ou desgosta de alguma obra minha, mas ela dá de DEZ a ZERO em Ben Brantley ou no Christopher Isherwood, ambos do New York Times (nova velha geração), os pré-pretensiosios que chegaram há alguns anos quando Frank Rich e Mel Gussow saíram.

Ah, a crítica! Não vivemos com ela. Não vivemos sem ela.

O que dizer de tantos novos atores e atrizes de hoje? Não se pode mais MASTIGAR em público, digo, mastigar mesmo (boca entreaberta ou não), como num desses “FREVINHOS” da vida (restaurante na Oscar Freire que deveria ensinar aos russos e polononeses como se fazer um bom strogonoff). “Ai, que nojo, Gerald!”  Zé Celso está de parabéns por ter RESISTIDO à caretice dos tempos. (Te admiro Zé, e você nem sabe o quanto!)

“NOJO”?

Artista de teatro sente “nojo”?

Caramba! Eu não sabia disso, com 30 anos ou mais de teatro, se levando em conta “Verbenas de Seda”.

Um pé na merda e outro outro na lama” – dizia Grotowski. Frase inesquecível para uma cultura inesquecível. Sim, cheguei em casa.  E, ao ler o Times, leio as páginas de cultura que há anos não saem do mesmo tema: parecem até terem entrado no próprio labirinto metalingüístico da mesmice e da loucura: ELSINOR!

Palavras, palavras, palavras!

Fecharam o círculo.

Só dá peça de Shakespeare ou peça de Beckett!

Parece até que Hamlet fará o “Krapp’s Last Tape”. Haja “Quantum Leap” pra tantum, digo, pra tanto!

Não podemos ficar falando ou repetindo e repetindo momentos da cultura do passado! Não podemos. TEMOS que FALAR pra FRENTE, custe o que custar.

Aqui na parede, enquanto eu escrevo, de vez em quando eu levanto os olhos e dou de cara com fotos num painel avacalhado: Beckett e eu; Julian Beck e eu; eu espremido entre Haroldo e Augusto de Campos. Deus do Céu! Quase toquei nas mãos de Joyce. Eu disse “quase”.

Estou fechando o meu círculo.

Custe o que custar!

Gerald Thomas

NY, 2 September 2008

PS: a “CLARO” boicotou meus recados e minhas ligações durante minha estada no BR. Três delas foram pro Alberto GUZIK, ex-crítico , futuro “UM CRÍTICO”, sempre um tremendo apaixonado.

EXTRA EXTRA

BUSH NÃO FALA DIRETAMENTE À CONVENÇÃO REPUBLICANA!

FALA RAPIDAMENTE VIA SATÉLITE: razão indireta = hurricane Gustav (que já passou, hoje, terça).

Razão real: a BAIXÍSSIMA popularidade de Bush!

 

(Vamp na edição)

Comentário belíssimo de:

Enviado por: Tene ChebaCiclos, uma possante palavra, ciclos existenciais, das estações, ciclo sexual, das chuvas, da neve, do amor, da dor.O ciclo é foda, quando não está em pi, está em e, ou o número Euler, dá no mesmo, só para esclarecer. A vida, a morte, a desesperança, o futum, o bode que não sai da sala, teima em ficar.O Artista é dono de um ego compelxo, anormal, ele não entende o seu público, odeia esta dependência, seu maior pavor é saber que sua arte será impiedosamente julgada, por anônimos, esta ansiedade danifica sua existência, o gozo nunca vem.Ser Crítico, o perfeito embasamento para não se acreditar em Deus, ninguém merece, nem eles, coitados, o destino furioso não lhe concedeu o talento, apenas o poder platônico de amar os filhos dos outros, uma paulada que dói.Mas tem o povo, incapaz de captar uma Tela, de entender um texto, de abstrair o feio, o belo e o trágico, não existe competência na fome, não existe arte na fissura, nas dívidas, no ônibus, nas quatro horas de viagem, entretanto amam seus escolhidos, seus eleitos. O meu círculo está em pi sobre quatro, faltam ainda três pi sobre quatro para ele se fechar.Um gênio não deveria perder o seu sentido, não deveria acumular, apenas fluir, chorar, ri, mas nunca se ausentar.Nova York-São Paulo, ou, excessivos contrastes perturbam.Melhor comer uma maçã.

e de…

Enviado por: ManuEles pairam sobre nós, vivos ou mortos, sempre nos acompanham e permanecem vivos no mais profundo mistério de nossas mentes, não blasfeme, não chore, ilumine-se com a palavra que está em tua boca, que está em nós, que está em tua morada, que está na tua mãe, no teu pai, no teu filho , na tua amada, no teu céu , no teu quarto escuro, na tua janela aberta, no ar que você respira, não pare nunca de dizer a palavra que nos redimirá de nossos erros, de nossos fantasmas, de nossos desejos, de tudo que não é, de tudo que é e será, de tudo que não faz sentido, de tudo que deve morrer, de tudo que deve viver, de tudo que deve florecer nesta estação.

do Mau Fonseca

Enviado por: MauBEETHOVEN quando terminou a NONA teve de escutar os criticos alemães falarem que sua Nona era uma BOSTA.

Ainda bem que ele ja estava totalmente surdo.

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