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Os Dois Baracks e Uma MaMa

                                              

 

 (Foto de Gerald Thomas, do celular)

Há cerca de um mês estava tudo tranquilo. Quer dizer, tranquilo…Nunca nada, ever, está tranquilo. Mas Ellen Stewart, a fundadora do La MaMa ETC (Experimental Theater Club, que cunhou esse termo, ‘teatro experimental’), estava em seu apartamento, no 5 andar acima do teatro onde comecei minha carreira ‘oficial’ com as peças de, bem, vocês sabem de quem. De um irlandês famoso, o mais genial: Sam Beckett. E, até semana passada, nosso presidente Barack Obama ainda estava no Havaí de férias e o bombardeio entre Israel e o Hamas ainda não havia começado. Não era Natal ainda. Jesus ainda não havia nascido.

Bem. Os dois Baraks, ou Baracks, saíram de seus refúgios e Ellen Stewart entrou, em estado grave, para o hospital, para o refúgio de uma UTI. Algum paralelo? Talvez. Ontem, ao visitar a minha mamma, a pessoa a qual devo toda minha vida teatral, ela me dizia: “temos dois Baraks, dois Baracks, você precisa escrever sobre isso. E precisa escrever sobre como os judeus sefaradins são perseguidos por vocês!”

Eu, Mamma? Eu não persigo….

“Você, é maneira de dizer… vocês ashkenazis”

Ela se referia aos milhões de judeus Yemenitas, Etíopes e Somalianos ou  Egipcios ou Iraquianos e aqueles nascidos em solo “palestino” de cor escura. “São tratados como nós, negros, éramos, ou ainda somos, pelos brancos, aqui e no mundo”.

Sim, Ellen sabe tudo sobre racismo. Vinda de Chicago para New York nos anos cinqüenta pra trabalhar como estilista na loja Sack’s Fifth Avenue, ela tinha que entrar pela porta dos fundos. Era a única estilista negra. Lutou, berrou, esperneou e ralou até que chegou onde chegou: Fundadora do mais reconhecido teatro experimental do mundo, aquele que trouxe (da Polônia) Jersy Grotowsy e Tadeuz Kantor ou, do mundo, Peter Brook, Kazuo Ono, ou de paises confinados,  ou reduzidos a trapos, dezenas de artistas do palco  pra cena do East Village e deu ‘voz’ pra companhias como o ‘Mabou Mines” (de onde surgiu Philip Glass), e tantas milhares de outros, como Sam Sheppard ou até Robert de Niro e Bob Wilson….Ellen é, como diz Harvey Firestein (autor de “Torch Song Trilogy”), “Ellen é responsável por 80 por cento do que está nas telas e nos palcos americanos” (entrevista a Vanity Fair de anos atrás).

Estamos confinados.

Até semanas atrás, Ehud Barak, ministro da defesa de Israel e ex- Primeiro Ministro (deposto em 2000 ou 2001, não me lembro), era considerado um homem praticamente morto na vida política israelense. Ele é membro do mesmo partido trabalhista (o de Golda Meir e Ben Gurion, o fundador do Estado de Israel)…. ah, e, by the way, Barak é sefaradim , portanto não muito popular entre os “brancos” como Benjamin Netanyahu, também ex-primeiro ministro, educado aqui nos States, um perfeito sotaque inglês americano, um cara que era visto jogging em Central Park, digo, o Natanyahu.

Bem, ninguém está mais falando assim de Ehud Barak agora, nesse momento. Essa guerra contra o Hamas ou contra os palestinos, depende de como vocês queiram ler, é uma guerra ‘tida como pessoal’. Paralelos com George W Bush e o Iraque? Sim, já que o Pai, George Bush “Senior”, dono da guerra Desert Storm deixou o ditador Saddam Hussein, intacto? “W” foi lá e, crau! Estamos onde estamos. E a dívida? E a dívida humana?

Paralelos? Ontem, conversando pausadamente com a Ellen (nome da minha mãe biológica também), no hospital – (e não riam) – “Beth Israel”, ao sair para comprar uma barra de chocolate pra ela, perguntei pra alguns médicos judeus orthodoxos o que achavam do atual conflito: “DISGUSTING ! “Em tantos anos de intelligence gathering, deveria se achar uma outra maneira de desmantelar um grupo terrorista como o Hamas”. Já outro me dizia…”Crush them all” (massacrem, amassem todos!).

Barak está todo prosa: vestido com seu casaco de couro ele está respeitadíssimo entre seus pares no Knesset (parlamento) Israelense. Barack Obama está morando provisoriamente num hotel em DC. Faltam 12 dias para sua inauguração. Todo prosa, e com razão, ele está com seu terno e gravata tentando dar um jeito na economia americana que está um trapo: parece uma dessas fotos que se vê saindo de Gaza. Me desculpem pela péssima analogia, mas era evidente que um paralelo gráfico teria que ser feito.

Ellen Stewart apertava minha mão. Dificuldade em respirar. Mão enfaixada pelas injeções de insulina, etc. Ás vezes encostava a cabeça no meu ombro. Essa cena me é comum há três décadas, afinal, essa é a pessoa que me deu a vida no palco e comemora NOVENTA anos de idade. E me diz….”genocídio de crianças eh imperdoável…sob qualquer circunstancia….e a perseguição entre vocês….”. A enfermeira interrompeu. Era hora dos procedimentos médicos. Saí do quarto. Fiquei em pé no corredor pensando nessa mulher que passou metade de sua vida profissional amando Israel, montando um teatro lá.

Hoje, com o ataque do Hesbollah, ela já está em casa, sempre com a televisão ligada. “Gerald, escreve o que você tem que escrever, mas escreve para o palco. Não entendo isso de Blog que você fala”.

Essa é uma homenagem a Ellen Stewart.  Essa é uma homenagem a todos os que têm uma opinião, seja ela qual for. Mas cuidado: para se ter opinião mesmo, deve se saber onde, porquê e quando. E não arrotar ou reciclar bobagens.

Gerald Thomas

PS: Este artigo só faz sentido se lerem  antes “Israel Sexy”, no post abaixo, com seus quase 700 comentários.

 

(Vamp na edição)

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Israel Sexy: Queremos todos penetrá-la!

 

25/06/2008: Cena 1 – Notem que esse artigo com o título “Um Espetáculo que Não Termina Nunca” foi escrito aqui pro Blog em 15 de Junho do ano passado. Mas poderia muito bem ter sido escrito durante qualquer conflito que envolve os terroristas e Israel ou vice versa: naquela região, eu me recuso a dar qualquer palpite sobre o certo ou errado, bem ou mal: maniqueísmo, o que  quer dizer isso mesmo? Esqueci!

Assim como foi com a eleição americana, o mundo inteiro palpitou: e o mundo inteiro errou: Obama foi eleito. Muito palpite, muita opinião, principalmente de gente que JAMAIS esteve lá, que jamais (Hamais?), jamais sentiu o cheiro dos Montes das Oliveiras ou do Muro das Lamentações. Ou do Mercado Árabe de East Jerusalém e como RALAM os palestinos pra colocar um dia de trabalho em território Israelense: mas… sim, a beleza de um kibutz, a idéia do que é um kibutz, sim, aquilo é uma comuna verdadeira. Não mais uma utopia, um Thomas More no meio do deserto, mas algo que deu certo, sem homofobias, sem “um capitalismo desvairado” definitivo com um lucrismo sem fronteiras. Ah, mas o Estado de Israel só existe por causa do apoio americano, alguns berram. Certo.

Pasmem, muitos países árabes também só existem por causa dos dólares americanos!!!! E por causa do PETRÓLEO, então se acalmem!!!!

Sim, sim, chocante, sem dúvidas, estar comendo num restaurante e ter que lidar com as Uzis automáticas deixadas normalmente sobre as mesas. É o estado “normal” de ser de um estado SEXY.

Israel é sexy.

Por isso as raves? Será?

Em junho de 2008 escrevi: Aeroporto Ben-Gurion, Israel — Um policial israelense, plantado num topo de um prédio a cem metros do presidente Sarkozy e do primeiro ministro Olmert, olha em volta, cospe no chão, limpa a sua arma pela última vez, dá uma olhada para o céu claro do oriente médio e acaba disparando um tiro em si mesmo. Digo, em sua própria cabeça. Os guarda-costas, rapidamente, se jogam pra cima de Sarkozy e, o que se vê, é Carla Bruni subindo rapidamente as escadas do avião presidencial, e Sarkozy, meio perdido, ainda querendo apertar as mãos de todos os guarda-costas, soldados, etc., porque, sim, a essas alturas, o Olmert e Simon Peres já tinham desaparecido. Levaram “o homem” em outra direção.

Estranho: num país tão preocupado com terrorismo, segurança, e ainda existe essa babaquice de cerimônia de despedida aberta em aeroporto: por que os presidentes não embarcam em gates, ao invés de ao ar livre? Bem, Carla Bruni mostrou que deixaria seu marido pra trás na primeira ocasião.

SEXY ISRAEL HOJE: (esse artigo não faz sentido sem o de baixo, o “SOMOS APÁTICOS…”)

Uma porrada de mediadores está na região! Mais uma vez o nosso Sarkozy – que parece não gostar muito de ficar na França – está tentando conseguir um cessar fogo, já que mais de 500 civis palestinos morreram desde o início deste NOVO conflito. Mas quantos morreram desde a diáspora?

Quem expulsou os palestinos do Líbano? E da Síria? O que tem o King Hussein, pai de Abdullah, da Jordânia, com tudo isso? Muito. Ninguém quer saber dos Palestinos. Interessante. Mais eu não digo.

Está lá o Sarkozy, HOJE, em 5 de Janeiro de 2009. Vamos ver se ele consegue “salvar o mundo” já que a França não conseguiu salvar a própria França na Segunda Guerra Mundial.

Carla Bruni é sexy. Ela quer sua parceira, Israel.

Só com desbunde mesmo. Porque se formos falar sério…

Assistam ao clipe “O Império Contra Ataca”, produzido por Rosana Wölfl para Gerald Thomas:

 


 

Gerald Thomas

 

PS: Obrigado, Rosana Wölfl, pelo vídeo “ O Império Contra Ataca”.

 

(O Vampiro de Curitiba na edição)

 

 

 

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Sou incurável+Gaza e…

 

nenhum

New York -“Segui o Che pela cordilheira Alpina atrás de queijo suíço . Só deu buraco!” Essa frase caía bem na boca do GRANDE (Maior) ATOR, Marco Nanini, na peça “Circo de Rins e Fígados” que eu tenho rodado aqui no Blog nessa última semana.

Ela deveria representar uma espécie de besteirol e deveria compilar (e compila!) a falta de compreensão total do homem moderno em relação ao tempo em que vive. Assim somos, não é?  Quando observo essa ridícula e triste REPETICÃO em Gaza entre as mesmas “equipes” (não se trata mais de alianças: entendam meu ponto de vista: o jogo se entende como esporte,  a multidão que o assiste se mata e acaba sendo assassinada e os esportistas, os estrategistas raramente ficam feridos. Mas berram. E como!)

Vejo o vergonhoso caso Madoff: 50 bilhões de dólares e como ele (e tantos outros que ainda não conhecemos!!!!!) conseguiram ROUBAR e ROUBAR e ROUBAR por ter sido mais um mestre nesse jogo: qual a natureza desse jogo?

Esse que vejo sendo jogado no dia a dia pela mídia. Existem diferenças, claro. Mas poucas. Não pensem nem por um segundo que o iReport da CNN é um veiculo democrático ou a “Minha Notícia” desse portal ou de outros são, igualmente, democráticos: ao contrário. São formas demoníacas de fazer com que o leitor, internauta ou participante se sinta “parte do time” por um dia, dois dias ou por alguns minutos. É Andy Warhol diluído.  É o filme “Network” de Lumet sendo “pacificado” pra que a gente nao saia abrindo janelas berrando “this is bullshit and I’m not going to take it anymore!”

A Faixa de Gaza ou o West Bank que em português se chama Cisjordânia (tenho antipatia por essa palavra em português, e não me perguntem por quê): por quanto tempo? Por mais 5000 anos? Ou desde 48 e até…….2048 pra que 100 anos de sangue rimem com 100 anos de solidão, e RETIREM o Nobel de Garcia Márquez ou de Saramago….e de Harold Pinter (que aliás, apoiava Slobodan Milosovec, um tremendo carrasco e filho da puta…). Mas sou incurável  mesmo. Nao tenho jeito: Pinter está morto e mesmo assim: no vídeo que roda aqui no Blog (de aceitação do prêmio Nobel) o “silenciador” explica a formula de como “monta” uma peca sua! Ora! Que piada. Pior que isso! Diz que dá nome ou letras aos seus personagens: A, B, C ou D. EXATAMENTE, ESCARRADAMENTE, cópia total de Beckett.

Sua devoção ao mestre Sam era tal que, já com câncer terminal – quase sem poder falar – em 2006, ele entra no palco como ator e faz um espetáculo de Beckett , “Krapp’s Last Tape”. Pra quê? Pra colocar sua estúpida fragilidade Slobodomiana à vista? Sei!

Invasão, guerras, Hamas, Hessbolah, Al Qaeda, terrorismo, Exércitos e armas…..desde que existimos aqui….desde que olhamos pro outro ou pra outra, ou o pé do outro da outra ou pro outra do outro, a guerra esta declarada:

 “A agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre as pessoas. Se eliminamos os direitos pessoais sobre a riqueza material, ainda permanecem, no campo das relações sexuais, prerrogativas fadadas a se tornarem a fonte da mais intensa antipatia e da mais violenta hostilidade entre homens que, sob outros aspectos, se encontram em pé de igualdade”.

Seria isso uma citação de Freud? Parece que sim. Copiei dos comentários enviados ao Blog.

E tem mais: “O sentimento de culpa seria o mal-estar da cultura, o preço de vivermos em sociedade, reprimindo a sexualidade e a agressividade. Sob esta ótica, o mal-estar é estrutural, próprio dos processos de organização do psiquismo do homem, do fato de ele existir, de ser, pois ele só pode ser e existir como homem dentro da civilização. A existência humana é problematizada por não mais ser natural. Em relação a ela, as leis da natureza são substituidas pelas leis da cultura. Por esta razão, se – por um lado – a civilização em si, provoca um mal-estar, por outro lado, sem civilização não haveria humanidade, seríamos apenas outros primatas regidos pela natureza. A primeira e maior lei cultural, aquela que nos separa definitivamente dos outros animais, é o tabu do incesto, a regulamentação das relações sexuais, com a consequente organização das relações de parentesco, presentes em qualquer sociedade humana, mesmo naquelas ditas primitivas.” Obrigado, Nina, por ter enviado o Freud. Amo quando me enviam Freud. “Freude” em alemão é felicidade. Um mero “e” faz a diferença!

Mas e a tristeza? E a Tristeza do Mundo, hein, Ekram? “Israelenses e Palestinos sabem disso e até poderiam chegar a um termo se não houvesse tantos “bem intencionados” aliados em ambos os lados. Os EUA, por exemplo, estão apoiando esse ataque massivo dos F-16 sobre Gaza. A Rússia e a França condenaram e jogaram a responsa para a ONU, que todos sabem que não significa nada. A ONU é o espantalho no milharal.” Pois é. Sou incurável mesmo e acho que a merda da ONU só serve mesmo pra congestionar o trânsito aqui na primeira avenida. Mas, Sandra, por exemplo, responde…”Quanto a comparar fanatismo religioso com narcotráfico, depende. Se alguém quiser jejuar durante um dia inteiro ajoelhado no milho, tudo bem. Mas terrorismo? Pior: funciona? Veja o que funcionou, e quem fez diferença: Martin Luther King, Ghandi,… O Hamas não fala em nome dos mulçumanos, assim como o narcotráfico não fala em nome dos morros. Você daria a guarda de seus filhos a alguém que convence crianças a amarrar explosivos no corpo? Acha que eles vão parar se Israel não responder aos ataques? Foi o que aconteceu com todas as outras organizações terroristas? Quando pararam de brigar com Israel, brigaram entre si, e tornaram um inferno a vida das pessoas que diziam proteger.
 Nina, uma criança que mata um bicho não necessariamente o fará depois de adulto, mas, se o fizer, se, para ela, a crueldade continuar sendo uma coisa normal, ela deve deixar o convívio da sociedade. Não somos obrigados a sofrer nas mãos de pessoas assim.”

Ótimo. Todos os argumentos são ótimos. Justamente por isso, homens, mulheres e crianças brigam, lutam e se matam: o esporte que nao cessa nunca: OLIMPÍADA. A Tocha que não se apaga! Lindo nao é?

Não vamos fazer o jogo aqui dessa hipocrisia! “ai que horror! Ai que  coisa triste! E tal” Sabemos exatamente o ser VIOLENTO que temos dentro de nós. Como? Não ouvi direito! Você não entendeu essa última frase? Então seja mais um tolo e pegue toda a sua fortuna e entre no coro dos imbecis e berre: “que horror! Que coisa de louco (silêncio –pausa de 5 segundos , coisa de Harold Pinter)…..e jogue seu dinheiro ou sua arma predileta nos patifes como Bernard Maddof.

 

E FELIZ ANO VELHO como já disse um amigo meu, que hoje está…

Gerald Thomas

 

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COCAÍNA E EXTREMOS NÃO TÃO SIMPÁTICOS

Hoje este blog comemora seis meses aqui no IG. Esse último artigo, o de baixo, teve um acesso de mais de 17 mil pessoas, resultando em quase 800 comentários aprovados (coisa, aliás, sem precedentes). Dos mais insultosos aos mais carinhosos, acho que nunca vi ou vivi nada igual. Escrever sobre o Brasil (consideram alguns brasileiros) é escrever CONTRA o Brasil. A noção de  ‘crítica construtiva’ parece que caiu por água abaixo, junto com essa onda de analfabetismo e xenofobia que o pais adotou. Muito bem.

 

Esse artigo precisa ser linkado ao de baixo, “negros-2”, onde falo nada mais do que a Folha confirma hoje num caderno especial (e copio trechos aqui).

 

Outros assuntos: BlogNovela: “ O Cão que insultava Mulheres, Kepler the dog”.

 

O Cão que Insultava Mulheres, Kepler, the dog.

 

Pouco a pouco volto a reorganizar minha vida aqui em NY. Estranho isso. Alguns comentários deixados no texto “negros-2” são tão extremamente venenosos e recheados de FÚRIA que me pergunto sobre a patologia ou psicose do internauta que o deixa ou endossa tal comentário. E o resultado que isso traz, digo, o respaldo: Rimos muito, eu e amigos meus, quando lemos em voz alta alguns desses repetidos comentários. Sério. Não causam mais nenhum impacto, crianças!

 

O que ouvimos do palco, no final de um espetáculo, vindos de uma platéia escura, são aplausos ou vaias. Mas jamais saberemos a “verdade” do que realmente se passa na cabeça do espectador (Shakespeare escreveu a respeito) além daquela formalidade, digamos, protocolar. Mesmo depois de 30 anos de teatro e ópera pelos “mundos” afora, a quarta parede aqui dentro já foi quebrada há tanto tempo e se há um espelho do meu ego, esse já foi quebrado há décadas também. E por quê? Por causa de uma coisa simples, frágil, singela, singular… que chamo de AUTO-PROTEÇÃO.

 

Como assim? Sim, nós nos expomos. Claro. Damos a cara a socos e pontapés alheios quando escrevemos textos e encenamos/escrevemos espetáculos NOVOS (que não são REPETIÇÕES de textos clássicos, fáceis de serem remontados e remoídos e remoídos e regurgitados…). Mas, e dai?

 

E daí que nada disso importa. Teatro não importa. Arte não importa. O que importa é que a Ford Motor Company e os outros, como a GM, estão perto de fechar suas portas. E isso sim terá um impacto MUNDIAL (incluindo nosso querido Brasil que não aceita criticas…) Assim como numa peça teatral, a cortina fecha, o drama chega ao epílogo… e os grandes heróis de uma era não estão sabendo mais lidar com os tempos modernos de Chaplin e… pum, caem no chão! E, com isso, milhares, digo, milhões de empregos no mundo se evaporam. Milhares de famílias dignas viram homeless. Brincamos demais por tempo demais. Brincamos de Alan Greenspanismo, dessa desregulamentação! E esse será o preço. A coisa não começou ontem, não começou com Bush. Nada tem a ver com ele: tem a ver com Reagan/Thatcher que mandaram ver na desregulamentação e… a free market economy e a invasão japonesa e coreana e… agora o xeque-mate!

 

Então? COCAÍNA! Álcool. Drogas em geral. Dopamina. Neurotransmissores em confusão, serotonina em déficit, egos pedindo arrego. E uma pequena correção a fazer quando assisti meu grande amigo Reinaldo Azevedo no Jô, num link online (atrasado, coisa de mês atrás, quando o Reinaldo foi lá no programa). Disse o Reinaldo que essa coisa de “afro-americano” é besteira porque os brancos seriam o quê? Seriam “Euro-americanos”?

 

Sim, meu mais querido Rei. Aqui nos EUA a gente se classifica de Ítalian-American, Lithuanian-American ou simplesmente diz, mesmo já sendo terceira geração nascida aqui: I’M GREEK ou I’m Irish. Por isso, talvez, mantemos uma grande tradição das raízes de onde viemos. Talvez, por isso, mantemos um grande vínculo com os idiomas que nossos avós e pais falavam. E, no lado oposto da moeda… por isso talvez tenhamos GUETOS: I am Cuban (sendo ele americano, como Rick Sanchez da CNN, já nascido aqui). I’m Russian ou Italian ou Chinese ou seja lá o que for. E nesse seja lá o que for, ou que Ford, lendo a VEJA da semana passada no vôo de volta pra cá, não me choco com a reportagem feita com o Fábio Assunção.

 

Me choco com a hipocrisia feita em cima da reportagem. Sim, as redações , não especificamente da Veja, cheiram, se drogam, assim como em qualquer outro departamento da sociedade, e escrevem sobre algum ídolo da TV que se droga. Metalinguagem melhor, mesmo, somente seria um cego descrevendo uma paisagem.

 

Mas esquecem também que Jimi Hendrix morreu aos 27 anos. Causa oficial: engasgou em seu próprio vômito. Mas quem estava vivo naquela época (e eu estava) via que a tragédia estava pra acontecer: assim como toda sociedade que não sabe mais lidar com os xingamentos, vaias ou aplausos que recebe, porque TUDO TEM O MESMO SOM DO CONSUMO ou do FRACASSO DO CONSUMO, ou seja, o som do EPÍLOGO, Hendrix se deixou levar.

 

E foi o mesmo com Cazuza cuja “droga já vinha malhada” ou com Clapton sobre a mesma cocaína “she don’t lie, she don’t lie… cocaine!” e Joplin, Jim Morrison ou Sigmund Freud que, por assim dizer, a introduziu ao mundo clássico, neo-clássico, hostil da psicanálise.

 

Mas Rimbaud e Genet e, ah, claro!, Manoel Bandeira e Sérgio Porto e Vinicius de Moraes eram grandes fãs do pó! Pra não falar da cena intelectual de Paris dos anos da Belle Epoque onde era chamada de Café Blanche… Não, nada a ver com o Tennessee Williams, mas as reportagens freqüentemente esquecem Cole Porter que fazia a apologia da mesma! Estranho isso. Estranho esquecer Miles Davis, Porter, Ellington, Charlie Bird Parker, etc.. Mas tudo bem. Estranho não citarem a beat generation como Bill Boroughs ou Tim Leary que é conhecido, entre os não tão íntimos, como o “Papa das Drogas“.

 

Ou grupos inteiros de teatro que fazem a apologia de outras drogas para que se entre em “outro estado”. Qual estado? O de Israel? Sim, talvez tão provisório ou tão recente quanto o estado de Israel. Talvez não seja por acaso que a “designer drug” ecstasy tenha nascido nas festas RAVE em Israel. Estranho isso. Mas pensem na clausura, na cerca em volta, na quarta parede em tempo real daquele país que nasceu com seus kibutzes marxistas numa situação quase artificial em 48 e está sempre num regime tão frágil entre o existir e o não existir, eis a questão! 

 

Quem já não brincou, madrugada adentro, fazendo sexo-fantasia para quebrar tabus? Bem, eu brinquei. Não tive que lutar muito para sair, como os programas INTERVENTION querem mostrar dramatizando o drama. Mesma coisa foi com o terrível assassino CIGARRO: parar é só parar! É só parar dizendo assim: PAREI!

 

Mas… veneno, como diria Prospero para sua bruxinha preferida, a Sycorax, é algo temporário, e que, mais cedo ou mais tarde, estará matando ou ACORDANDO as pessoas através da HIPOCRISIA. Essa mesma hipocrisia xenofóbica que não permite mais que se fale mais criticamente do Racismo no Brasil e essa mesma hipocrisia que deixa que se venda bebidas alcoólicas aos montes em supermercados e cigarros aos montes, mas que se é obrigado a manter a “droga ilegal” em estado de ilegalidade, para que alguns lobbies ainda consigam pensar em leis e para que algumas ramificações das polícias, as várias, controlem o tráfico.

 

Tudo velado. Economia velada, vícios velados, governos velados e uma economia falida num sistema que (agora) se repensa. Que bom! Sou capitalista. E o capitalismo sempre teve que se repensar. Karl Marx, se lido a sério, examina o problema da mais-valia e acha necessário mesmo que o “tratamento de choque” na sociedade industrial que ele foi examinar na Inglaterra precisa mesmo ser reestruturado. E isso quebra muito ego. E ego precisa de psicanálise. Muita análise precisa de droga. Muita droga é legal. Muita droga legal também leva ao mesmo “escapismo” que a ilegal. Muita droga legal nos leva a crer que estamos CONTENDO as compulsões que queremos ter porque TUDO em volta está CAINDO aos PEDAÇOS. Tudo bem, se a farsa é pra ser farsesca, qual o problema em torná-la uma Comedia Dell’Arte? Para que minimizá-la e sorrir amarelo e ficar em constante ESTADO de DENIAL – de negação – dizendo para nossa quarta parede interior: “Não somos um país racista. Esse Gerald é uma merda mesmo, volta pro seu pais!”

 

Da FOLHA DE SÃO PAULO:

 

“Elite preta” se divide sobre extensão do preconceito

 

Para herdeiro, racismo ficou “mais velado’: diretor de banco diz que cor não importa

 

MARIO CESAR CARVALHO


DA REPORTAGEM LOCAL 



 

“O racismo não está diminuindo, só está ficando mais velado.

E racismo velado é pior”.
Carlos não é uma exceção entre quatro executivos negros ouvidos pela Folha, todos bem-sucedidos. Só um diz que nunca sofreu preconceito.
”Já me confundiram com motorista na porta de restaurante, mas bastou o cara olhar um pouco para pedir desculpas”

 

(quem quiser ler a excelente matéria do Mario, está na Folha de hoje)

 

“Ainda sou exceção”, diz Lázaro Ramos

LAURA MATTOS


DA REPORTAGEM LOCAL 



 

Para Milton Gonçalves, 74, que sempre lutou por personagens fora dos estereótipos e criou polêmica ao aceitar seu atual papel de político corrupto em “A Favorita”, até hoje “o negro aparece na TV só para dar uma cor local”. “É como a TV americana, que põe um apresentador branco, um negro, um latino e um asiático.” Ele avalia que a TV “está estagnada”. “Os protagonistas de Taís e Lázaro são conquistas, mas nada que tenha alterado. Com é que o fato de eu fazer um corrupto ainda causa irritação? Por que não podemos ser vilões?”
Joel Zito Araújo também acha “uma bobagem” discutir se o negro pode ou não interpretar vilões. “Minha crítica é a ausência de atores negros em papéis positivos. E os negros ainda continuam naquela cota de sempre de 10% do elenco.”
Para o cineasta, “a televisão piora a realidade do negro, que ainda é raramente incorporado. Para equilibrar um peso enorme da representação histórica, a TV deveria até retratar o negro de forma mais positiva porque certamente tem o papel de transformar a realidade”.
Ruth de Souza, primeira protagonista negra da teledramaturgia, em “A Cabana do Pai Tomás” (1969/70), novela sobre escravos, resume a questão com a sabedoria de quem chegou aos 87 anos, mais de 60 de uma carreira com consagrados papéis: “A TV conta histórias, e o negro tem que participar normalmente, como de todos os segmentos da sociedade”.

47 pontos
foi a audiência de “Da Cor do Pecado”, a maior já registrada pela Globo às 19h desde o Plano Real até hoje.

 

(quem quiser ler mais, está na Folha de hoje)

 

Bem, já está enorme essa matéria: mas também, querem o quê? Depois de 350 mil acessos em 6 meses e com um post que me rendeu mais de 700 comentários por eu ter dito que a HIPOCRISIA era o maior problema seja na questão do racismo, das drogas, em lidar com a morte, em lidar com seu melhor amigo, ou o mensalão, ou com POLÍTICA, ou tentar entender a natureza do ser humano… Seis meses de Blog no IG, quatro e meio no UOL e agradeço a todos. Vamp, obrigado por essa batalha diária. Quem está desse lado sabe como não é fácil. A todos no IG meu muitíssimo OBRIGADO. Juro que não sei se tenho forças pra manter o ritmo, mas sempre disse isso. Meu trabalho é contra a BURRICE, contra a FALTA DE CULTURA dentro da FALTA DE CULTURA e enquanto houver aqueles que não sabem quem foram Ovídio, Homero ou Shakespeare e berrarem do fundo de suas almas umas cretinices difíceis de serem curadas, eu não recomendo os REHABS que o Fábio Assunção frenqüenta (deus o queira bem!). E por quê? Porque, assim como no teatro, um rehab é como uma redação de jornal, revista, ou empresa qualquer: por trás o que existe não é o real interesse na recuperação de ninguém. O que existe é a propagação de alguma imagem. E essa imagem, infelizmente, está com falência múltipla de órgãos e justamente por causa dessa falência as pessoas têm sempre, ou quase sempre, a chamada RECAÍDA: WALL Street está aí para confirmar que CAÍMOS PORQUE SOMOS HIPÓCRITAS E GOSTAMOS MESMO É DE XINGAR OS OUTROS. E quando levantamos, assim como Ícaro já tentou, e Howard Hughes também, caímos de novo!

Por ora, chega!

MIL BEIJOS de uma gélida New York City

 

Gerald Thomas

(em homenagem ao meu mestre Samuel Beckett)

 

( O Vampiro de Curitiba na Edição)

  

  

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