Tag Archives: grande imprensa

A GRANDE MENTIRA DA MÍDIA

Vocês acreditam na mídia? Juram? Sério?  Um amigo me liga do Brasil e desabafa. Ele é o Daniel Feingold, um pintor, ótimo, por sinal. Ele não agüenta mais o que lê nos jornais, o que ouve na televisão, o que ouve falar por aí, nos círculos por onde anda. E garanto a vocês, o Daniel, anda por vários círculos.

Ex-morador daqui, de NY, ex-fabricante de pranchas de surf no Rio, ele vive de sua arte, a pintura. Politizadíssimo, ele simplesmente não agüenta mais o lero-lero da midia: “estão todos com o rabo preso, cada um com a sua mentira!”.

A minha opinião não difere muito da dele, não. Quando leio (o pouco que leio) a imprensa brasileira, ela me deixa simplesmente PASMO.  Quer dizer, o simples fato de, religiosamente, ás Segundas-feiras, todos os jornais brasileiros estamparem ENORMES, uma foto do GOL do dia anterior, já é, em si, um atestado de… (ah, deixa, estou exausto). Juro, estou chegando no meu limite.

Blog já é um pouco diferente. Existe um pouco mais de autonomia. Mas a quantidade de merda que se escreve, que se twita ou tweeta, é simplesmente “amazing”. Não bastasse a idiotice de receber texto via celular, e a praga do iPhone, do iPod , do iFode, do não fode, agora ninguém mais sai do MYSPACE, ou do FACEBOOK, e realmente estamos em plena crise da idiotice dos idiotas!!!      

Bem, aqui nesse blog, estamos chegando perto de completar um ano de hospedagem pelo IG. Somando com o UOL, dá mais ou menos 5 anos e meio de papel-higiênico virtual. Nossa! Quanta coisa já foi escrita. Quanta coisa ainda não foi!

Será que me imagino escrevendo daqui a três meses?

JURO que não sei. Juro!

No estado mental, psicológico e físico em que me encontro, eu marcaria um enorme encontro com todos os amigos do Blog numa… pizzaria vegana. E daria um beijo em todos e partiria no Queen Mary pro Mediterrâneo pra Creta. Pra Eletra Com Creta, pra Carmem Com Filtro Com Creta, Pra Trilogia Kafka Com Creta, ou pra qualquer território teatral concreto, mas não mais pra esse espaço aqui que… sei lá, cabe mais aos comentaristas políticos que se disfarçam daquilo que não são e comentam aquilo que não sabem. Exemplo:

BRASÍLIA – “Aconteceu de novo. Juízes passaram um feriadão num hotel de luxo acompanhados de mulheres ou maridos. Desta vez, eram magistrados ligados à Justiça do Trabalho. A conta do Tivoli Ecoresort Praia do Forte, na Bahia, foi paga pela pela Febraban, a federação dos bancos brasileiros.
Os juízes sempre dão a mesma explicação para esse tipo de estripulia. É tudo legal, feito às claras.
Um magistrado não se venderia por um fim de semana num resort de luxo com todas as mordomias pagas. Para arrematar, é um “sacrifício” desfrutar uns dias diante do mar.
João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST e membro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), declarou ter sido “um sacrifício muito grande” passar o feriado de 21 de abril no hotel de luxo.
Em setembro de 2006, o então corregedor nacional do CNJ, Antonio de Pádua Ribeiro…”

CHEGA ! CHEGA! Eu berro antes mesmo de chegar no final (já próximo). Sim, o texto é válido. Aliás, super. Mas parece encomendado pelo GRANDE ESQUEMA. Ou seja, “eu erro e você comenta: certo? E não me acontece nada. E fica tudo por isso mesmo.”

O Brasil é um pais blindado! O ser humano parece cada ver mais blindado também!

Um excelente dramaturgo baiano, Gil Vicente Tavares, ignorado pela imprensa de Salvador, ganha elogios da imprensa européia. Mas em sua própria cidade nao é notado. Eu lhe escrevo pra ignorar a ignorância porque a mídia esta viciada sempre nos mesmos nomes: peguem os cadernos culturais de um mês. Juntem esses cadernos. Façam uma lista dos nomes que saem. É uma vergonha. É sempre a mesmíssima coisa!

E por quê? Com os prêmios é também a mesma coisa. As pessoas gostam de se auto-celebrar. Acaba sendo uma maneira de se encontrarem, uma desculpa de segurarem uma taça de champagne na mão e um chacoalhozinho de mãos, um apertozinho no cinto, um “sinto muito pela perda” de alguém que morreu, um “parabéns pela tua obra” (sem saber direito se a pessoa é de cinema, teatro ou nenhuma das duas coisas!). Vocês deveriam ver! É patético, mas hilário. Tragicômico. Ou de vomitar! É Dercy Gonçalves puro. “Hoje, homenageio… (…..)… sussurros e mais sussurros (como é mesmo seu o nome?”)

Cerimônias esquizofrênicas que transformam em múmias canonizadas aqueles que morrem! CRUZES!

Agora que passou mais de mês e meio, posso contar. Ah, querem saber? Não vou contar, não. Ah, vou sim! Fica valendo a falsa manchete do O Globo: “Zé Celso lança DVDs em Nova York.”

Jura? Lançou? Onde? Me lembro de ter alugado um espaço, pago por MIM, onde foi PROJETADO as Bacantes para um número de pessoas… E o resto é pura invenção!!!! VIVA O MITO da mentira e GLÓRIA: Tancredo Neves estava morto antes de estar morto!

Ah a mídia… não é, Daniel?

 

Gerald Thomas

comentario do Feingold

 

  1. 12/05/2009 – 15:16Enviado por: Daniel FeingoldCaríssimo,Havia me esquecido que você é um homem extremamente público e que sendo assim, em algum momento mais adiante, caso o conteúdo corrosivo de nossas considerações de ontem perturbasse ainda mais a ineficácia de seus rivotrís, à revelia de minha proferida timidez que teima em esconder minha figura, meu nome também acabaria vindo à público. Como conversamos “quase que” longamente ontem e hoje vejo sua menção à nossa discussão, volto a te dizer do quanto minha dolorosa solidão encontra ressonância em suas reflexões diante da falta de ambição dos habitantes do Brasil. Chamo-nos habitantes porque soa mal essa idéia de “povo brasileiro.” Parece algo cunhado por antigos ditadores e que insiste em progredir por aqui. Aqui a construção moderna da idéia de “cidadão”caiu no domínio compassional e tem ficado a encargo de ONGs beneficentes em vez de estimular uma política pública educacional. Não conseguiremos construir cidadania por aqui enquanto não nos livrarmos do clientelismo, do assistencialismo, do poder retrógrado dos bunkers nordestinos. Cinicamente hoje, mais uma vez nos vemos controlados por um trio oligarca: Sarney, Calheiros, Collor. A perpetuação do retrocesso no poder por mais de 40 anos! Ainda uma terra extensa controlada por famílias dominantes. Repito, há de se temer também o Temer, o agente que aquadrada a figura triangular acima. Todos limpos demais, escovados, enternados cínicos e arrogantes atuam diante de 200 milhões de passivos ilhéus. Sim por que assim nos comportamos, como tal assim agimos. Amedrontados “cercados por todos os lados.” É o teu “lá fora” que, para um surfista como eu, significa_ depois da arrebentação. Trancados dentro de terra imensa, acreditando puramente na informação como agente transformador. Conhecer é enfrentar o risco do desconhecido, é o exercício moderno do espaço público e o enfrentamento das fobias dalí advindas e/ou alí projetadas, é ter que se atritar com a adversidade da vida, com o estranho sem obrigatorimente querer transformá-lo em unanimidade. A tecnologia por si não liberta, a ilusão agora é a de que todos estamos plugados no mundo mas não é assim que funciona. A vida online não é mais provocativa do que o áspero contato do conhecimento que nos obriga o passado como catapulta para o futuro. A tecnologia tem fornecido sem duvida mais informação mas isto sozinho não promove o conhecimento.

    Como você aponta, nos jornais daqui, a primeira página de segunda-feira é o lugar da emoção do esporte. O atacante gordo que felizmente continua atacando nos traz felicidade. Outro atacante, de 27 anos, menos gordo porém emocionalmente invaginado, bebe, açoitado pela ausência do feijão, da farofa, da empada, do afeto dos antigos companheiros de infância. Êle quer voltar_ pede o colo da mãe e o afago do povo que penalizado o adota. O “clube X” da oficialidade nacional o adota. A oficialidade nacional é o retrocesso para qualquer luz do espírito. Mais ainda, luz do espírito soa evangélico demais mas, como poderia se dizer hoje no mundo e ao mundo, “espírito das luzes”? O brasileiro não desmama… A mídia copia a forma estrangeira e a classe mérdia, se apronta para consumir a casa a la Miami, o carro tecnológico que deveria ser vendido sem sinalizador lateral já que ninguém aprende a se comportar, pensa só em si, e não sinaliza manobras. As músicas em ingles banal vendem o produto: a casa, o carro, o remédio é tudo igual. Enquanto aberrantes escândalos nos circundam nos congresso e senado, enquanto acontece o retorno das mais desqualificantes figuras políticas deste país, daqueles que impunemente e coniventemente atravessaram uma ditadura criminosa que até hoje não nos permite observar seus arquivos, enquanto esta ópera bufa se desenrola em capítulos sem fim. Uma lei de imprensa, isto é, lei que controlava a imprensa, que punia aqueles que escreviam em desacordo com o status quo, dizem ter sido revogada, isto agora, 40 anos depois de ser instaurada pela ditadura. Daí pensar, à medida que teóricos, poetas, escritores, intelectuais em geral têm sido, na mídia, paulatinamente substituídos por jornalistas medianos, bem pagos, sempre mais suscetíveis ao agasalho do bom salário e à propenção ao acordo pacífico com as ordens das corporações. Não que clame por um chulo puritanismo abstinente ao dinheiro nem a apologia do intelectual ou scholar mas, aponto sim o descaso, o desinteresse, o medo de aprofundar discussões, de trazer à superfície conteúdos embasados nas dúvidas, nas desconfianças de todos, e até porque não, no pensamento mais abstrato, menos causal. Vejo muitos repórteres, basicamente entrevistadores, como são acovardados, instigadores da fofoca, da intriga somente. Talvez porque passaram todas essas décadas temendo ser expurgados e, acho, no fundo, assim acabaram sendo. Existem contudo alguns corajosos que me agradam como o Alberto Dines por exemplo.

    Caríssimo, vejo a ambição como uma virtude em oposição ao vazio inoperante da arrogância burra. Não sei o que fazer com esse meu ceticismo pois observo o contingente desta nação sem verdadeira ambição coletiva. Até o melhor de nossa história recente: o neo-concretismo, a bossa-nova, a arquitetura modernista, tem sido mais bem armazenado em registros em outras terras do que aqui. É certo que o armazém não substitui a experiência mas, se a memória escapa, por aí também vai nossa história culta.
    Além do nosso inerente judaísmo ateu, compartilhamos intestinos multifacetados que lembram, à distância, as incursões do cubismo analítico de Braque e Picasso, não poderíamos então nos eximir desta propensão crítica e deixar escapar das paletas deste cubismo aquilo que é sócio-político e nos diz respeito. Mas o que vejo, e que ainda instiga, é que acima de tudo continua pulsando o que mais estimamos, o desejo de liberdade. Beijos,

    Feingold

800 Comments

Filed under artigos