FOR SALE ! A VENDA !!!! Todos os meus trabalhos gráficos e de artes plásticas (pinturas, desenhos, etc) aqui com texto de Ronaldo Polito.

Texto do Ronald Polito sobre a obra de Gerald Thomas:
AMANHÃ E DEPOIS :Talvez o que mais incomode nessa pequena mostra de desenhos de Gerald Thomas não seja o fato de eles serem absolutamente atuais, porque isso seria óbvio. Mas a percepção de serem apresentações do futuro. ESSES DESENHOS SÃO PARA AMANHÃ E ALÉM ENQUANTO AS VARIADAS AGLOMERAÇÕES DO TERROR DO PRESENTE AINDA SE ENCONTREM EM EXPANSÃO, ameaçando toda forma do bom senso, toda possibilidade razoável da vida humana. São, então, premonitórios de um estado de coisas, o domínio do retrogresso, da intolerância, da extrema violência dos donos do mundo.
Eles põem na ordem do dia aquela observação nada sutil de Joaquim Felício dos Santos do tão próximo ano de 1868: “A linguagem do despotismo tem certa força e energia, que não será fácil imitar”. Em duas palavras, eles estão falando de império e imperiosidade. Espancada a beleza (essa devassa), os recursos de resiliência são manchas, garatujas, gambiarras, rasuras, arranhados, esfolados, borrões, espirros, escarros, fluidos, genitálias autoritárias e sangue, muito sangue. Nunca suficiente para a falange avassaladora de vampiros de terno, coturno e gravata à volta. Dores esquartejadas por dólares. Os textos que muitas vezes acompanham esses pós-cartuns não deixam margem a dúvidas: “Third word – first word mouth to mouth resuscitation”. Note-se: não é legenda a “explicar” a imagem, mas contraponto que explicita o cinismo.
Nada de boca a boca, mas sofreguidão com que o primeiro mundo, esse velho e moderníssimo Midas, pode de seu trono sorver tudo, incluindo o vômito e o sangue dos miseráveis, se for possível transformá-los em cifras. E sempre é. Amarrar bem Francis Bacon, escangalhar o guarda-chuva de Beckett, torturar tubarões para além do espetáculo de Spielberg e Hirst: pequenas práticas para elucidar o aniquilamento. É preciso, sobretudo, esclarecer a escuridão em que nos meteram sem preservativos, sem lubrificantes. Anjos, hoje, são Ícaros. Mas atenção: não o grotesco com seu niilismo. Ainda que útil, entregar-se a ele seria capitular, o que tanto desejam nossos algozes. É o bizarro, o ex-cêntrico, o esquisito que podem nos orientar entre ciclones e maremotos com que os jornais batizam nosso café da manhã. De amanhã.
Ronald Polito

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