Adriane Gomes hoje as 23h no CABARE DA CECILIA (rua fortunato 35, Santa Cecília- São Paulo, SP)

TEXTO DE ADRIANE GOMES (+ Guimarães Rosa e Gerald Thomas)

Detalhamento da Performance

cenário: um banco e um microfone

(Mulher entra vestida de homem)

Boa Noite (bar do lado de fora)

Essa é a minha vez de falar, todos voces já falaram…. eu sempre quis falar, eu pensei muitas vezes sobre isso…. pensei que isso nunca aconteceria. (fala pra uma pessoa) eu não sei porque mas eu desconfio que era apenas medo!

Então resolvi escrever pra não ficar com medo e não ficar nervoso.

(vai entrando pra dentro do bar e falando o texto acima)

Mas eu já estou nervoso. (olha para a plateia)

(entra dentro do bar, desce as escadas) música ambiente alta, vai baixando devagar) Já sentada

…quando eu era criança eu adorava falar, falava mais que o homem da cobra… foi nessa época que eu morava em frente a escola perto do rio.

Pra mim tudo começou no rio… a gente de cuequinha andando de mãos dadas entre as pedras dos rios, escondidos entre os capões de mata, olhos nos olhos, e a gente já estava se embrenhando mundo à fora:

“Aquele lugar, o ar. Primeiro, fiquei sabendo que gostava de Diadorim – de amor mesmo amor, mal encoberto em amizade. Me a mim, foi de repente, que aquilo se esclareceu: falei comigo. Não tive assombro, não achei ruim, não me reprovei – na hora. Melhor alembro.”

***

“O nome de Diadorim, que eu tinha falado, permaneceu em mim. Me abracei com ele. Mel se sente é todo lambente – “Diadorim, meu amor…” Como era que eu podia dizer aquilo?”

***

“E como é que o amor desponta.”

***

“Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe.”

***

“E eu – como é que posso explicar ao senhor o poder de amor que eu criei? Minha vida o diga. Se amor ? … Diadorim tomou conta de mim.”

***

“E de repente eu estava gostando dele, num descomum, gostando ainda mais do que antes, com meu coração nos pés, por pisável; e dele o tempo todo eu tinha gostado. Amor que amei – daí então acreditei.”

***

“Um Diadorim só para mim. Tudo tem seus mistérios. Eu não sabia. Mas, com minha mente, eu abraçava com meu corpo aquele Diadorim- que não era de verdade. Não era?”

***

“Diadorim deixou de ser nome, virou sentimento meu”

***

“Aquilo me transformava, me fazia crescer dum modo, que doía e prazia. Aquela hora, eu pudesse morrer, não me importava

é a vida imitando a arte desde cedo (eu sei isso é clichê)… e então atrás do paiol nos beijamos pela primeira vez, quando ia tomar banho ele subia no pé de Goiabeira pra ver o diabo que era eu mostrando minhas partes pra ele era assim: eu sentava dentro da bacia ABRIA AS PERNAS e ficava mostrando pra ele, e quando acordava já queria ele grudado em mim… brincamos de mijar um no outro, trocamos cuspe lambemos as partes, e no fim gozamos… Ele era filho de pastor, eu era filho de Petista o pai dele PMDB roxo. Meu pai detestava os crentes que colocavam bem alto o som do culto pra toda cidade escutar.

Quando fiz 5 anos minha mãe morreu e eu fui pra cidade, virar puta, artista, levar porrada. Eu sentia saudade do cuzinho dele, e do seu pau se esfregando em mim. nunca mais voltei lá…  Quando ja estava adolescente fui brincar na casa de uma amiga ela era nossa vizinha e um certo dia eu estava sentada na cama da dela e  ela passou a mão nos meus seios e beijou a minha boca, disse que é pra gente aprender como se faz, depois chupou meus peitinhos, fez um rolo de papel e colocou entre nossas vaginas, e se esfregava em mim, eu não entendia muito bem…  depois ela gozou e me mandou ir embora.

No bairro tinha um padre, Um ´padre velho, ele pediu para sentir o cheiro da minha vagina, rapidamente ajoelhado no chão, eu estava de saia e ele era padre da igreja da minha tia mais carola. todas as vezes que estávamos sozinhos ele tocava meus seios, e ajoelhava pra cheirar minha bucetinha, até que um dia ele não aguentou e pediu para tocar com a língua quando sua língua encostou, tive o desejo de enfiar minha buceta na sua cara e sufocar ele, mas ele parecia um cachorrinho lambendo, me virou de costas, e lambe meu cu, enfia a lingua la dentro, e chupava… depois deitou no chão me pediu pra fazer xixi nele e me mandou sentar na sua cara, mas antes me pediu para perdoar ele… eu olhei e cuspi nele e depois sentei e gozei no seu rosto, eu tinha 13 anos.

Ja na fase adulta, fui trabalhar com um grupo de teatro infantil e lá tinha um diretor dessas bem canalhas e bem bonitos, mas bem filho da puta, desses abusadores…. um dia ele chegou desceu da sua Moto potente, com seu pintinho fedido no meio da pernas, e percbendo que eu estava sozinha na sala de ensaio, resolveu enfiar aquele pequeno instrumento fedido na minha boca, foi ai que eu comecei a me lembrar de um sonho antigo, foi aí que eu comecei a me lembrar de quem realmente  eu sou… quem sou… mas mesmo assim demorou mais de 8 anos pra eu entender que essa crápula é apenas um crápula.

2 ato O sonho de MININI

Atriz volta de Boneca

pega o microfone

Acho que ele morreu com o pulmão perfurado pelo meu super salto. Era o único sapato que eu tinha, digo de salto daquele tamanho- eu chamava ele de “foz do Iguaçu”. Tristeza.

Não ha mais chances pró mundo. É deus contra deus, é religião contra religião: com tanto GOOGLE pra la e pra ca, com tanto iPhone e ipad e ifuck e iMe e i-MEUDEUS o que sobrou mesmo foi aquela flor no fundo do jardim pedindo um pouco d’agua.

Outro dia foram me chupar e desmaiaram. Romântica que sou, achei que foi de amor. “Ah, que lindo, desmaiou com o elixir do amor!” Nada! Desmaiou com a cândida ou  o pessimismo e a correnteza e o TRIconoma la de dentro mesmo e no chão ficou. E caiu em cima do meu sapato de salto alto.

Eu sei que não é fácil viver afastado do mundo. Sei como é difícil “tentar” estar envolvido e, no entanto, não estar. Imagino como deva ser enfurecedor. 

O negócio então é esperar. Esperar o matadouro matar essa merda e vender a minha vidinha pra um açougue qualquer onde alguem, algum poeta sujo e boemio, como Artaud ou Rimbaud – veganos, obvio, que nem passam perto de açougues e não moram no Brasil, me comprem. abre o roupão.

Dança

Pega o mel e derrama no pau

e oferece pro público

Adriane Gomes de Brito

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