ARTiculose (Monologo final de Marco Nanini) “Circo de Rins e Figados”

É irônico porque, apesar de querermos brincar, trabalhar, sempre parecem querer… querer colocar algum obstáculo, alguma pedra no nosso caminho.
Desde Sófocles, por exemplo,
Sobrevivi a tantos tribunais, a tantas Inquisições, tantas Guerras Mundiais, conflitos locais, emboscadas culturais, ditaduras, proibições de todos os tipos e, no entanto… continuo de pé, e tudo aqui nesse pais maravilhoso das chacinas e do racismo não assumido. E de tantas outras atrocidades e injustiças.
Sou como o Brasil:
Não tenho solução. Sou um problema. Mas sou um problema sensacional. Assim como um belo gol, a mais bela literatura dramática do mundo, a literatura de Nelson Rodrigues. Não há ninguém melhor no mundo. E mesmo ele, levou ovo e tomate na cara quando….ah… Deixa pra lá.
Causo muita dor.
O Teatro causa muita dor. Mas somos como a própria natureza: belos como o nascer e o por do sol, e devastadores como um Tsunami, um terremoto, um furacão. Destruímos, desconstruímos, brincamos de estilhaçar tudo. Mas essa lucidez toda vale a pena: afinal, é ela que sobrevive através de todos esses séculos, mesmo com essa tecnologia toda agora entrando como se fosse um pontapé no nosso estômago.
Eu fico assim, como o berro silencioso de Munch, ou um Álbum de Família e quando dizem que ator não se emociona, estão errados.
A gente se emociona sim.
“Circo de Rins e Figados” que escrevi (e dirigi) pra Marco Nanini (2005)
Gerald Thomas

Gerald Thomas Circo de Rins e Figados

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