“CALA A BOCA !!!!”, ela berrava depois que me disse: “eu vivo cada dia como se fosse o último”.

 

Eu vivo o meu dia como se fosse o último”, ela falou em tom já bem bravo. Mas isso ela falava quase todos os dias nessas ultimas duas semanas.

 “Eu vivo o meu dia como se fosse o último”, soa muito agressivo, quando se ama alguém! Mesmo que no inicio de uma relação (ou num reinicio ou numa retomada de algo que já começou, falhou, falhou de novo, falhou melhor e agora está, mais uma vez, a começar, já com jeitinho de término…)

Soa mais ainda agressivo quando essa é a resposta a um pedido de namoro (mesmo que já se esteja trepando muito, o que era o nosso caso).

Surtam. Elas surtam. Todas elas ou quase todas elas.

Todos nós, imagino. Mas obviamente, eu tenho essa incrível tendencia de enxergar o que esta muito perto e aquilo que está bem longe mas o que está no meio? Não. Não consigo. Trata-se, de certa forma, daquilo que o Rupert Sheldrake, certa vez, batizou de “Morphic Resonance”. Mas deixa isso pra lá. Que “Morphic Resonance” porra nenhuma.

Tudo bem, a Ressonancia Morfica pode ir pro inferno mas…mas essa coisa de conseguir se adaptar também vem a ser uma questão de “generosidade cultural”. Ou de aceitação de costume dos outros. Talvez ai, sejamos todos pecadores.

Mas pra que se tenha “generosidade cultural”, tem que se ter cultura.

“Eu vivo o meu dia como se fosse o último”……Depois de duas semanas ouvindo de mim que eu queria um futuro e um futuro que até (ah….sei lá….) ela me devolve essa frase BRAVA assim que cheguei de um dia BOM de ensaios QUENTES e esquentados de DILUVIO. Mas penso ….”o que é que acontece?”

O que foi que falei?

 PROVINCIA

Ah, deve ter sido a questão de isso aqui (o pequeno meio “alternativo” por onde ela circula, ser uma PROVINCIA? WOW. Que tremenda novidade. Teria sido isso?

Não! Disso ela já sabe pois elas e eles e elas se encontram e bebem e cheiram e  bebem e cheiram…(……) todas as noites e se entorpecem pra cair a beira do desespero porque ISSO AQUI NÃO LEVA A NADA PROVA NADA PRA LUGAR NENHUM – é o FIM  – (mas eles ainda mantem o tom da arrogância enquanto sobem e descem essa Augusta, e essa Augusta e esses Planetas e esses barzinhos de sempre e de sempre onde a “classe” “acha que se ve” (mas não se enxerga), geração após geração, caindo no abismo, num abismo maior, pois quem vai lá, não vai lá pra comemorar. Vai lá pra enxergar o DESESPERO NA CARA DO OUTRO E…pra entender que a SOLIDAO é grande.

Elas se olham no espelho, não se enxergam ou se reconhecem somente via smartphone através dos seus APPS. Ontem mesmo, depois das brigas e desentendimentos, ela fingia uma lágrima através do Instagram.

É interessante isso. Não sei se tudo é um enorme fingimento ou, de fato, elas choram ou sentem tudo através de uma postagem virtual. Se esse é realmente o caso, ela já viveu o seu ultimo dia ! Ele esteve lá atrás.  Se esse é realmente o caso, ela é o ANDROIDE (do futuro) no qual tanto se fala e que nem nome tem. Tem um nome no Facebook, outro aqui, mais um ali e outro completamente indiferente…Indiferente…

Sim, indiferente, ela abre as pernas e continua com elas fechadas. Ou fecha as pernas e continua com elas abertas. Engole fogo mas é gélida.

Mas é linda e doce, sendo salgada e brava.

Já veio de PRETO pra causar BRIGA!

Qual briga, não sei.

Mas imagino que tenha sido o fim.

Um fim que já havia sido pré-determinado desde o primeiro dia – há duas segundas feiras atrás quando nos reencontramos.

Mas ontem a noite quando veio dela, em voz alta: “CALA BOCA  PORRA CALA BOCA”…. eu continuei deitado na cama por alguns momentos e pensei…..Eita! Eita. Não não não…

NINGUEM nesse mundo vai me mandar calar a boca ou, aliås…NINGUEM NESSE MUNDO JAMAIS DEVERIA OUVIR ESSA FRASE. NINGUEM. Quando percebi isso, me vieram sensações de profunda tristeza, choro, decepção e imagens do “The Lost Ones” de Beckett onde ele diz (cito de memória: “Abode where lost bodies roam each looking for their lost one…”

Pois é ! Em províncias cujas ideologias falidas ainda lidam com bolhas que sustentam os egos altos e vagos de auto estimas falidas, “The Lost Ones” de Beckett são imagens presentes e validas (talvez até urgentes e que explicam essa VIOLENCIA verbal, esse abuso ditatorial que me sai nesse urro: “CALA BOCA  PORRA CALA BOCA”

“Eu vivo o meu dia como se fosse o último”

 Entendi.

 Gerald Thomas

São Paulo, October 16, 2017

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