Lindo email de Guilherme Zelig sobre “Entre Duas Fileiras”: LINDO !!!

Guilherme Zelig

Guilherme Zelig

Terminei a tua autobiografia. Tardei a lê-la porque queria que fosse a minha última leitura de 2016, a prever que acabaria no dia de meu aniversário, mas acabei um dia antes. Tudo isso com gosto de quero mais. De olhar para a última página e desejar ler mais umas cinquenta, cem, duzentas de tão insólita e maravilhosa e instigante escrita e pormenores de sua louca vida, vida breve. Mesmo aos 62 anos. Afinal, o que são 62, 24 (que completarei amanhã), um século ou um par de anos para a história da humanidade? Cheia de erros e acertos. E, sob esses dilemas, está você na existência.

A memorar meu mestre, teu mestre, nosso mestre John Fante e seu fantástico Arturo Bandini, teu livro – meio ficção, meio vida real – além de uma aula de humanidade, é inspirador para quem ainda não experimentou a pílula chamada coragem.

Você diz em determinado momento que suas lágrimas são de covardia e autopiedade. Não, afinal estamos em um mundo onde o individual é o que importa. Você é dos poucos que chora pela dor alheia com sinceridade. Porque também a conhece, intimamente. A solidão, as tristezas, as perdas, o desespero por não conseguir transformar em exclamação a grande interrogação chamada vida. Eu te entendo muito bem. E sinto. E entristeço-me como lamuriei diversas vezes aqui, como o Werther de Goethe – que você tantas vezes o mencionou. Ou aquelas pessoas-animais de Zola e seu naturalismo idiossincrático.

Um imenso nó na garganta o teu livro. Você transporta o leitor a seu teatro pessoal. Uma hora estamos à ribalta com você; outra hora, somos meros expectadores de seu drama pessoal. A tentar te entender – algo que ousei em determinado momento, mas acho que esse sentimento de dúvidas quanto a você é o que me instiga a te perscrutar mais e mais. Afinal, você é a sua pura arte. Outra hora nos vemos sentados no divã, a deixar que você anote os nossos dramas. E invertemos papéis. Você vai ao divã e se define.

Olho para o teu – agora meu, com teu autógrafo cheio de interrogações – negro livro e me pergunto se não te li rápido demais. Se não te penetrei demasiadamente rápido. Se detalhes minuciosos foram perdidos em estado catártico de leitura ao qual me encontrava. Certamente lerei. Mas não como li durante esses três últimos dias. Sim, comecei no dia 27 e planejei terminar dia 31. Foram horas ininterruptas de leitura e risadas e caras de choro. A relembrar meu desespero aqui ao receber aqueles avisos de Leon. Ao tentar receber alguma notícia positiva. E depois veio teu e-mail, a dizer que estava bem, e que tudo ficaria bem. Um alívio.

E veio nosso breve hiato – idiotice de minha parte. Teus inúmeros e-mails a pedir para que eu reavaliasse meus modos de agir. E quão infantil fui! E te vi de perto, de novo, ao vivo e a cores, mais vivo do que eu – que também pertenço a Os Mortos, de Joyce, ou sou como aquela personagem de Zola que, em sua impotência de dizer que estava vivo, fora enterrado vivo.

E vivos ficaremos. Você está ótimo! Não pude – nem consegui, nem tive tempo, nem me encorajei – dizer naquele momento na Livraria Cultura , enquanto munido estava de seu celular colocar meu número, para dizer quão feliz estava de te ver tão bem. E feliz!

Escrevi demais. É minha sina. Eu poderia ser breve e conciso como os poetas: seu livro é excepcional, instigante. Mas não consigo

Sempre tenho mais a dizer.

Obrigado por existir. E por também existir em minha vida.

Eu te amo

I love you

Te quiero

Io amo te

Muitos beijos

Gui

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