Uma carta de Fernanda Montenegro pra mim e FELIZ ANO NOVO !

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Querido Gerald, exgenroeterno,

 

          Existem os que EXISTEM fora da “Ordem Mundial. ” O que se vai fazer? Quanto pior a barra, mais o endemoniado cria. É essa a carga que te cabe neste latifúndio. Viver na luz enviesada.

          Li teu livro ousando achar que te entendo.

          Te entendo?

          Você aprendeu a sêr o máximo possível de si mesmo. Seja o que fôr esse “sêr.” A frase é do Nelson Rodrigues: “Aprendi a ser o máximo possível de mim mesmo.”

          Sua visão sobre mim é tão bonita e só é tão bonita porque é tão humanamente, amorosamente patética.

          Gerald, lembrar aquela noite de estreia ou véspera (não lembro com clareza mais) em que você largou tudo, a barra de estreia naquele lugar e me tomou pela mão e ficou comigo naquele ante-consultório público alemão, sentadinhos ali, tão órfãos de nós mesmos, conversando nadas, eu, trincada de dor nas costelas. E você, fraterno, tão filho, parente, amigo, vizinho, solidário na dor. Esperou radiografia, exame de urina, de sangue.

          Você lembrando?

Resultado? Eu chorando!

Querido Gerald, fim de mais um ano.

Você sobreviveu.

Sobreviver é coisa pra burro.

No teu livro, você se narra com extrema, honesta e despudorada dramaturgia. Você é sempre o máximo possível de você mesmo. Você não se traiu nem nos traiu.

Só te peço uma coisa:

Não me morra!!!

Até já.

Com todas as benesses para mais um ano.

 

Fernanda

 

 

 

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