Versão atualizada em 28 Abril depois da recusa da Folha ! Meu deus do céu. A provincia a-BUNDA em Nelson de Sá e seu Shakespeare provinciano !!

SHAKESPEARE

 

Aqui está a versão que a Folha não irá publicar:

Razões dadas pela FOLHA : “Voce ja tinha publicado artigo semelhante em seu blog”
Eu; “Dois pesos, duas medidas. Fiz o mesmo na época dos ataques em Paris em Novembro do ano passado quando publiquei a “Carta ao presidente Françøis Hollande” 

Eis a nova versão:

No caderno especial da Folha de sábado passado, sobre Shakespeare e Cervantes, temos o Sr. Nelson de Sá, mais uma vez falando besteira. Poderia ter escrito um belo artigo sobre Shakespeare mas, infelizmente se guia por estatísticas.

Acho que, a essas alturas da internet, Google, etc, todos sabemos que números enganam, enquetes – sejam elas quais forem, raramente são realmente representativas daquilo que pretendem retratar. São, no mínimo superficiais, rasas e eu diria, falsas. Não importa a fonte. A Gallup erra e erra feio !

Mas o Sr. De Sá afirma – com base nessas esdrúxulas e miseras estatísticas (sabe-se lá porque), que o Brasil, a China e a India acham o Shakespeare mais “relevante” que a própria Inglaterra ou o Reino Unido !!!

No inicio tive uma crise de risos porque, ai ai ai, o homem escreve tão mal, mas tão mal que a tal “linearidade” que ele tanto busca nas minhas encenações, talvez, quem sabe, ele devesse fazer uma imersão na ilha de Prospero e de Sycorax para checar se o português dele não está desfalecendo com a sua capacidade de escrever um texto realmente impactante (ou mesmo linear – já que se trata de um jornal…). Já a Sylvia Colombo escreveu com o coração e as vísceras sobre Cervantes, de forma linda e impactante, no mesmo caderno. Que contraste ! Nossa!

Ao ler o Nelson de Sá, a minha reação inicial foi a de gargalhar. Logo depois me deu raiva. Raiva dele não conseguir ter a paixão pra retratar o mais eclético mais poético dos autores de todos os tempos e, ao contrario disso, divido-lo, esquarteja-lo e expo-lo na prateleira das estatísticas, como se estivéssemos num morgue, num Instituto Médico Legal. Graças a Deus, nesse caso, a Folha não é lida pelo mundo afora. E, ao mesmo tempo, pena. Pena porque são justamente esses erros brutais – como se um médico legista primário não soubesse sequer dissecar um, corpo, que tornam a Folha um jornal de província.

Então, voltando ao lado absolutamente tragicômico do que foi cometido ali, que eu pergunto:

 Quer dizer que os brasileiros dessa tal “enquete” acham o Shakespeare mais relevante do que os ingleses? Será que esses brasileiros sequer “leram”, “ouviram” ou  “assistiram” (alguma vez na vida) alguma única peça de Shakespeare? Claro que não. Será que eles tem um único livro dos trabalhos completos de Shakespeare em casa? Ou uma única peça? Ou os sonetos? Duvido. É tudo da boca pra fora. O mesmo vale para os Chineses e os Indianos. Tudo da boca pra fora!

  • Existe aí no Brasil um Globe Theatre, como no South Bank do Thames de Londres ? Existem nesses países citados uma cidade equivalente a Stratford-upon-Avon que sedia uma tal de “ROYAL Shakespeare Company”??? Ah, me poupem !
  • Eu nem me meteria a discutir tudo isso não fosse o artigo de Nelson de Sá a aberração que foi. Mas foi.

 PS: Shakespeare em tradução, mesmo na tradução de sua eterna viúva – a Barbara Heliodora – ou as poucas de Millor Fernandes – nunca chegariam aos pés do original. Pode-se dizer que esse vem a ser o problema com qualquer coisa escrita em verso ou mesmo prosa. O mesmo ocorre com Goethe e assim por diante. Guimarães Rosa também soaria estranho em inglês. Até as tentativas de verter Nelson Rodrigues pro inglês, falharam.

Existe uma única exceção (parcialmente feliz) é o PANAROMA de Finnegans Wake, de Joyce, feita por Haroldo e Augusto de Campos. É um curto apanhado, uma visão geral sobre um amplo tratado linguístico, revolucionário, talvez o mais difícil escrito até hoje. (sim, é Pana-Roma mesmo!)

No fundo, fico com pena. Juro. Participei (e com muito orgulho) do caderno especial comemorando o centenário de Kafka. Foi lindo. É uma tremenda pena ver um caderno especial tornado nada especial por alguém que abusa dessa fraude que se chama de estatística como base para fincar suas frágeis estacas como resenhista, critico ou seja lá o que ele anda fazendo hoje em dia.

Gerald Thomas

New York – 25 de Abril de 2016

Jan Kott - Polones - o dramaturgo que influenciou Grotowski e Peter Brook a nada tem de Brasileiro, Chines ou Indiano

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Harold Bloom - A invenção do Humano (parte de uma quebra cabeças interessantissimo proposto por Bloom - Cidadão Norte Americano)

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Até bons atores / atrizes como Bete Coelho precisam de um boa direção (ou condução) como essa, boas épocas de vasta produção nossa de Cia de Ópera Seca (1989) Hamlet, leitura

 

Shakespeare NYTIMES

 

 

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