Políticos? Quero que se fodam! Um recado amoroso ao amigo Luiz Carlos Maciel.

Como adoro, amo (mesmo) o Luiz Carlos Maciel de coração ( e não é de hoje – e sei que ele prepara um workshop sobre Hannah Arendt e Heidegger (esta aí um dos maiores conflitos politico / amorosos de todos os tempos) deixei essa nota na pag do FB dele:

Luiz Carlos Maciel querido: “Pra quem veio de pais que sobreviveram ao holocausto, como eu, “não existem politicos limpos. Existem somente aqueles que, de vez em quando, tomam banhos” .

Não coloquem suas mãos no fogo POR NENHUM POLITICO. TODOS FEDEM. Todos !
Gerald Thomas

(claro, Luiz Carlos Maciel – sinta-se livre pra deletar isso que escrevi mas, tenho lido seus posts entusiasmados por A, B ou C e não entendo como uma pessoa do teu calibre intelectual (sim, esse é o termo!) poderia aderir qualquer “causa” que seja ela qual for. Tendo vindo da contracultura como veio (e eu também),  tendo inventado a “Flor do Mal“, tendo editado a revista “Rolling Stone” e feito parte do “Pasquim” e dirigido peças de SAMUEL BECKETT, não dá pra entender sua cega adesão a uma causa sem antes deixar que role algum tipo de processo judicial. Mesmo que esse também seja liderado por (ladrões) num país de Macunaímas, de gente preguiçosa, que não quer desenvolver ou inventar nada e  que ….se GRUDA na China pra exportar e quando a China desinfla, como um pneu…não há um plano B. DEPRIMENTE.

“O BRASIL não precisa de liderança política. Precisa de óculos !)

LOVE
G

Resposta do Maciel

 Querido Gerald. Você sabe que eu te amo, tenho vários motivos para isso, e a última coisa que desejaria na vida seria ficar em algum tipo de confronto com você. Claro que, no fundo, você tem razão, todo político fede, a política é uma atividade menor, é até ridículo preocupar-se com ela em face da grandeza do espírito humano expresso na Arte e no Pensamento. Foi inventada pelos gregos para tentar organizar outra monstruosidade que eles, com todo seu gênio, também inventaram, a tal de polis, um ajuntamento confuso e mórbido de gente que devia estar cada um no seu canto. Perpetua-se a monstruosa política e temos de aturá-la até hoje. Só não concordo com você em sua crença “em algum tipo de processo judicial” que, para mim, também facilmente degenera em mais um tipo de monstruosidade. Não tenho a menor confiança em qualquer tipo de juiz e minha maneira de ver os acontecimentos políticos independe inteiramente deles, especialmente quando se tornam agentes de um processo cínico e ilícito como o que se vê hoje no Brasil. Me perdoe se penso diferente de você em certas coisas, como a política e a justiça. Espero que nossa relação pessoal não seja abalada por essas diferenças sem importância em assuntos que só merecem o desprezo de nós dois. Te amo para sempre. LOVE Maciel

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O mundo não começou ontem e “We won’t get fooled again” como já dizia o The Who depois do discurso de Abbey Hoffman em Woodstock. Mas vamos deixar o rock pra lá. O Brasil está em chamas, o mundo está em chamas e eu, em 1978, desci no Galeão, Rio, e o Jornal do Brasil me aguardava no aeroporto: matéria de página inteira, caderno principal de domingo, foto de frente e de lado: “Thomas, pintor, 24 anos, veio ao Brasil para ver e ouvir”.

Pronto, foi o fim da anonimidade da qual eu precisava pra fazer o levantamento de ‘dentro’ das prisões. Prisões politicas.

Sim, eu trabalhava como voluntário pra Amnesty International, Secretariado Internacional, Londres.

Pouco se sabia sobre o Brasil. A Amnesty, logicamente, estava mais preocupada com a USSR e o Chile, a Argentina e assim por diante. Mas eu, ali com as minhas caixas desorganizadas, tentava organiza-las.

No programa da TV Cultura RODA VIVA de 1988 eu falo sobre isso (oEdelcio estava entre os entrevistadores), mas tem que esperar UMA hora pra que o segmento Anistia Internacional aconteça.

Eis o link: https://vimeo.com/11704401

……E assim entrei na Frei Caneca (Alex Polari de Alverga, Nelson Rodrigues Filho e outros) e assim entrei no Barro Branco em SP, guiado por Luis Eduardo Greenhalgh e Airton Soares e assim entrei em Itamaracá e assim falei com a mulher do Herzog e a família do Manoel Fiel Filho e a família Monerat, e a familia Pomar e os que sobraram do Araguaia…. ENFIM; assim encontrei Eni Raymundo Moreira e a Iramaya Benjamim e…Tudo isso pra dizer: L U L A!!!

o conheci ali no Grande ABC. Nada contra, na época. Defendia os interesses metalúrgicos e os da Telefunken, da Siemens, VW, Ford, Chevy e por ai vai.

Corta:

Muitos anos depois, ja muito amigo do Gabeira (do exilio e de Lizst Vieira) fui parar numa cobertura no Leme, Rio, onde Lula estava discursando a favor da Bené . Gostei do discurso e eu gostava da Bené.

Corta:

Eu tinha coluna no JB (que ironia) la pelo ano 2002 quando endossei a campanha do Lula.

Corta:

Lula em Londres, no Rolls da rainha e eu e ele, ele e eu + Hugh Hudson (meu amigo e diretor de Carruagens de Fogo) , a convite do embaixador Bustani, nos encontrávamos sozinhos (olha que perigo !) no subsolo do pavilhão Niemeyer em pleno Hyde Park. O Lula estava todo sorrisos, obvio.

Tudo isso pra dizer o que? QUE NADA PROVA NADA.

NAO CONFIO EM NINGUEM A QUEM EH DADO O PODER! NINGUEM !!!! Isso remete ao meu post anterior. Não nasci ontem.

Pra quem veio de pais que sobreviveram ao holocausto, como eu, “não existem politicos limpos. Existem somente aqueles que, de vez em quando tomam banhos” .

Não coloquem suas mãos no fogo POR NENHUM POLITICO. TODOS FEDEM. Todos !

É uma merda pensar assim. Mas assim é.

Não idolatrem Carneiros de Ouro. E…Também não os queimem. Calma! Tem muita merda nesse Brasil preguiçoso que NUNCA tem um plano B, que nunca se organiza e onde UM ou DOIS sempre tem que levar a CULPA. Mas o buraco é mais embaixo ! Muito mais embaixo. Perguntem ao De Gaulle. Ele, na década de 60 ja disse tudo

Gerald Thomas

 

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