A CULTURA DO ESTUPRO NO BRASIL

A CULTURA DO ESTUPRO NO BRASIL

Passei hoje, por Skype, por um dos momentos mais horrorosos que já imaginei passar. Fui julgado “a revelia”, se bem que presente, virtualmente presente, desse lado de cá da tela. Ou seja, mais uma vez como em “O Processo” de Kafka, fui condenado sem ter sido sequer julgado.

Mas tudo bem. Isso me dá a chance de abordar esse episodio que ha tempos (bota tempo nisso!) estou querendo abordar.

Trata-se do tal momento em que, ao lançar o meu livro de desenhos “Arranhando a Superfície” na Livraria da Travessa no Leblon, em Abril de 2013, fui abordado pelo pessoal do “Panico”, que incluía a Nicole Bahls. Bem, mais adiante eu volto a esse assunto.

Agora, eu quero descrever esse MASSACRE que sofri. Sim, um estupro virtual (vale a pena ressaltar que fui vitima de estupro aos 12 anos de idade, aqui em NY).

Bem, trata-se de uma amiga de um amigo inteligentíssimo. Talvez o MAIS inteligente com quem troco uns 800 emails por dia. Sem reservas, sem censura. Vale tudo.

Pois bem, ela entra na moldura do Skype e começa a zombaria: “ah, você sabe o que é cerveja Antartica? Sabe o que é a Mangueira?”

Eu fico sempre meio pasmo, tendo em vista tratar-se de uma cinquentona, professora de leis, intelectual portanto! (mas que não sabe quem é Zuenir Ventura! Hmmm e duvida que eu, com 32 anos de carreira de teatro no Brasil e infância no Rio, duvida que eu saiba o que seja a Antartica…..hmmm)..mas, mesmo assim, confessa ter assistido o meu espetáculo “Esperando Beckett” com a Gabi em BH… Bem.. de repente, as equações batem:

Ela JULGA sem saber dos fatos. Mas não foi a única. Na época muita gente escreveu, muita gente me acusou. Artigos inteiros. Não dei bola, porque…não dou bola…e os artigos desaparecem.

Aqui eu dei bola porque….essa “professora” não leu a “Cidade Partida” ou “68, o Ano que não Terminou” do Zuenir, mas…certamente ficou sabendo do meu….”encontro” com a Nicole, através da “coluna social” “Gente Boa” do Joaquim. Na época era o Joaquim que escrevia.

Ah, então ela é de ler coluna social.

Então vamos aos fatos:

Herpes Zoster (SHINGLES – Catapora de adulto)

HERPES ZOSTER

É assim que se apresenta ! É isso que o público não enxerga.

Eu já havia desmarcado o lançamento o meu livro anterior, “Nada Prova Nada”, pela Record. Não queria, não podia cancelar (mais uma vez) esse, os de desenhos. Parecia mais uma desculpa. “Estou morrendo de febre” (e estava mesmo!). É assim que são as feridas debaixo da roupa.

Pois bem. Depois de uma semana tomando remédios fortíssimos, embarquei num voo da American Airlines, Nova York – São Paulo de 10 horas. Entre idas pra aeroporto e chegadas a hotel, todo mundo sabe, isso chega a 16 horas. O meu corpo estava coberto por emplastros que visavam neutralizar os nervos que terminam na pele, mais pomadas, mais uma tonelada de pílulas.

O schedule era brutal. Era Livraria Cultura, primeira rodada de sorrisos e assinaturas, dia seguinte era o programa do Jo Soares, Metropolis, mais a revista BRAVO outros programas que não me lembro ainda em SP, voo pro Rio, entrevistas ‘exclusivas’ no hotel, uma atrás da outra e, afinal, a ida pro Shopping Leblon.

Eu não podia comer, por causa da diarreia. E tinha que ficar acordado, então caƒé e IMOSEC. Linda combinação. Mais o Jet Lag. Maravilha.

E da-lhe a fila de amigos queridos, desde Zuenir até Jabor, Nanini, Guilinha, Burlamaqui, Ivo Meirelles, Ney, Globais e não globais…

Era gente que não tinha fim. E eu estava no fim. E veio o tal do Panico.

E veio a tal da Bahls que – juro – acreditei tratar-se de um homem.

Dai, meti a mão lá embaixo e vi que não tinha pau. Todos riram. Eu só queria que a fila andasse, me livrei do Panico (nossa! Que pânico! Até joguei um prato neles de longe….quebrou no meio da livraria…)…. e eu ainda tinha horas pela frente.

Acabou. Fui jantar. O primeiro prato de comida desde que cheguei no Brasil 3 dias antes.

Dia seguinte, antes de pegar um voo pra Londres, eu ainda tinha o programa do Roberto D’avila pra gravar então….

Bem. Então eu aproveito pra me desculpar a todas as mulheres que eu, inadequadamente ofendi – na época – se, sem querer (e sem querer mesmo), participei dessa “cultura do estupro”.

Mas quero que saibam que esta longíssimo de mim isso, vitima de estupro eu mesmo e, participante do #FlyToFreedom Project que lida, JUSTAMENTE com 35 – a – 45 milhões de crianças no mundo, escravas do sexo e de outras coisas.

Assim como trabalhei para a Amnesty International na década de 70, a favor dos presos politicos exilados políticos, torturados, desterrados (brasileiros) a partir do Secretariado Internacional em Londres, NUNCA deixei de ser um tipo de militante ou outro, por alguma causa ou outra.

E justamente por causa disso, ser julgado a revelia, por uma arrogantezinha de merda, que acha que pode me jogar na cara algo sobre marca de cerveja ou algo sobre a minha personalidade (que mal conhece da mídia), quero que vá a merda. Ela, assim como não sabe quem é o Zuenir, nada sabe sobre os meus antepassados assassinados nas câmaras de gás em Auschwitz. Ou será que torceria o nariz pra isso também ?

Vai a merda Senhora L !

E ao resto da população que ofendi na época: o meu mais sincero perdão.

Gerald Thomas

New York, December 17, 2015

PS: de um amigo : se a Bahls tivesse feito isso comigo, ninguém teria dado a minima. 

Interesting ! And true.

 

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