Um berro pra William Oliveira sobre o Papa, o Cristianismo, o Congresso e eu.

William, oh, William, me atende… (caramba, não consigo falar com você..)

É que eu estou com esse enorme nó na garganta desde hoje de manhã sabe? Liguei a televisão cedo pra ouvir o Papa falar ao Congresso em Washington e, desde então, algo em mim mudou substancialmente. Quer dizer mudou tudo, ficou tudo de cabeça pra baixo. O que era zero agora é um milhão.

Oh, William, cade você?

Ai meu deus? Onde começar? Pela Missa de Janacek? Pelo “O Balcão” de Jean Genet? Onde começo? Pela teologia da Libertação? Começo pelos Irmãos Boff? Começo pelo Cardeal Evaristo Arns, Pedro Casaldaliga? Frei Beto?

Não, William! Nada disso.

Sou judeu, caceta. Sei que ontem foi Yom Kipur e hoje é Hajj pros Islamicos mas nada disso importa. O que importa é que estou, desde cedo, aos prantos, cara. Aos prantos e sem conseguir respirar direito, com o coração palpitando, revendo a vida como se estivesse vivendo em flashes, lembrando das minhas varias visitas ao Vaticano, deitando no chão da Capela Sistina, zombando disso e daquilo e…hoje, hoje, agora, 24 de Setembro, 18:40, momento exato em que o Papa entra na St. Patrick’s Cathedral aqui em Nova York, eu continuo aos prantos, William, tentando enxergar as entrelinhas em mim mesmo, ou na vida que levo, na obra que já deixei, nas dores que sinto, físicas, metafisicas e psicossomáticas ou o que sinto pela humanidade, passado e presente.

Paro e penso no que acho realmente da arte, no seu significado mais pleno, nas elites que temos discutido, você e eu, quem tem acesso e quem não, a cada beijo que esse Papa sai da sua armada policial e vai abraçar alguém do publico.

Eu sei que não significo nada, William. Sei que poucos de nós significam alguma coisa. Muito muito poucos. Mas sei que quando o Papa, hoje de manhã, em pleno Congresso, olhou pra estátua de Moises e falou em Dr. Martin Luther King e na sua Marcha de Selma, ele criou um triangulo sagrado, digno de poucas pessoas. Digno de pessoas que nasceram divinas, como esse Padre Jorge (por quem eu pouco sentia até hoje e que a partir de hoje….ai…não sei continuar esse texto porque isso aqui não é um texto e sim um berro que está sem endereço (já que vc não atende o telefone e as ruas de Manhattan estão superlotadas pra conseguirem dar uma olhada nesse senhor simpático e que anda meio torto e que da vontade de abraçar ou de se jogar aos pés dele e pedir perdão por tudo, sim PERDAO POR TUDO….PERDAO POR TUDO…..)

William querido, se eu não atender o telefone, não se preocupe: pela primeira vez saiba que fui achar a minha paz. E não é através daqueles meus e-mails ‘exagerados’ e ‘ameaçadores’ de sempre. Nada disso. Fui lá na St. Patricks Cathedral tentar ver se consigo respirar um pouco daquele ar inspirador de que todos sempre falaram e que demorei 61 anos pra entender.

Um beijo querido,

LOVE

G

PS: Trecho do discurso do Papa no Congresso:

Here I think of the political history of the United States, where democracy is deeply rooted in the mind of the American people. All political activity must serve and promote the good of the human person and be based on respect for his or her dignity. “We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable rights, that among these are life, liberty and the pursuit of happiness” (Declaration of Independence, 4 July 1776). If politics must truly be at the service of the human person, it follows that it cannot be a slave to the economy and finance. Politics is, instead, an expression of our compelling need to live as one, in order to build as one the greatest common good: that of a community which sacrifices particular interests in order to share, in justice and peace, its goods, its interests, its social life. I do not underestimate the difficulty that this involves, but I encourage you in this effort.

Here too I think of the march which Martin Luther King led from Selma to Montgomery fifty years ago as part of the campaign to fulfill his “dream” of full civil and political rights for African Americans. That dream continues to inspire us all. I am happy that America continues to be, for many, a land of “dreams”. Dreams which lead to action, to participation, to commitment. Dreams which awaken what is deepest and truest in the life of a people.

In recent centuries, millions of people came to this land to pursue their dream of building a future in freedom. We, the people of this continent, are not fearful of foreigners, because most of us were once foreigners. I say this to you as the son of immigrants, knowing that so many of you are also descended from immigrants. Tragically, the rights of those who were here long before us were not always respected. For those peoples and their nations, from the heart of American democracy, I wish to reaffirm my highest esteem and appreciation. Those first contacts were often turbulent and violent, but it is difficult to judge the past by the criteria of the present. Nonetheless, when the stranger in our midst appeals to us, we must not repeat the sins and the errors of the past. We must resolve now to live as nobly and as justly as possible, as we educate new generations not to turn their back on our “neighbors” and everything around us. Building a nation calls us to recognize that we must constantly relate to others, rejecting a mindset of hostility in order to adopt one of reciprocal subsidiarity, in a constant effort to do our best. I am confident that we can do this.

EM TOTAL CONTRADICAO COM TUDO ISSO QUE ESCREVI E COPIEI ACIMA, NAO POSSO DEIXAR A CONTRADICAO DE LADO E POSTAR ESSE BRILHANTE ‘STATMENT’ DE JOSE SARAMAGO SOBRE A CRUELDADE DE DEUS:

https://www.facebook.com/AteuInteligente.BR/videos/1654383338118155/

 

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