PORRA!!!!! Um ano desde os 7 X 1 – Alemanha X Brasil

Porra, é o aniversário dos 7a1!

8/7/2015 15:00
Por Gerald Thomas, de Nova Iorque

Para o colunista, Dilma parece uma menina birrenta, batendo os pés - Não vou, não vou e não vou!

O Brasil “Balança mas não cai.”

Começo essa coluna roubando uma frase do Romário que li na Folha: “Sentado no sofá, assim como milhões de brasileiros, fiquei triste. Mas tive outro sentimento em particular, aquele que só quem já esteve em campo, com aquela camisa, poderia sentir: impotência.”

É inevitável não rir. Rio de nervoso, obvio. Acompanho essa punhetagem politica pela imprensa brasileira desde sempre. Nada Prova Nada (titulo do meu livro de crônicas e frase preferida da minha peça “Circo de Rins e Figados”, escrita para o Marco Nanini em 2005.

Nada Prova Nada.

Teorias A-Bundam!

Hoje, leio algumas aberrações postadas pelos meus 5 mil “amigos íntimos e 4 mil seguidores” do Facebook. Vejo como a coisa parece estar tomando ares de gang contra gang na “South Side” de Chigago, ou a guerra entre traficantes sentados em seus respectivos morros! É, politica no Brasil, desperta nojo ao brasileiro. Mas isso não nasceu ontem. Eu também não. Fora isso, os argumentos de todos os lados são: chatérrimos ou fraquíssimos.

Punheta!!!!” , exclamam alguns mais esclarecidos! Sim, é punheta mesmo, já que a corrupção….ah, a corrupção….ai ai…a corrupção !!! Ai ai…a impunidade!!! Sim, “Punheta!!!!”

Desbocado, provocador, cáustico faz da coluna uma peça de teatro

Tenho a certeza de que a palavra “impunidade” deveria constar no dicionário pornográfico! Tem um “pune” em impunidade. Isso vai longe!

Punheta tem seus perigos. Ao mesmo tempo, é uma delicia quando vinga pois não se deve explicações a ninguém. Depois do gozo não precisa se perguntar a companheira e não precisa se ouvir a voz de ninguem e não precisa-se dizer aquelas coisas de sempre “quer um copo d’agua? Eu vou la buscar” ou “tem um lenço de papel ai? Estou todo esporrado”. O ato solitário tem suas vantagens!

Politica no Brasil é uma punheta sim,  mas está longe de ser um ato solitário.

Romário mais uma vez: “Há um ano, a seleção brasileira masculina de futebol entrava em campo para passar o maior vexame de sua história, tomar uma goleada de 7×1 da Alemanha, em uma Copa do Mundo em casa.”

Faz um ano!!! Caramba. Um ano!!!!

Mas, olhem aqui: nada vai acontecer no Brasil. Talvez essa seja a PIOR constatação de todas.

Sim, essa é a pior constatação de todas. Se aqui nos USA os assuntos do dia são sobre o comediante Bill Cosby (provas de que estuprou duzias de mulheres com alcool e drogas) e o outro comediante, o ridiculo Donald Trump – ambos igualmente ofensivos em seus comentarios e atos- no Brasil um vai acusar o outro, milhares de colunas de opinião serão escritas, poucas parcelas da populacão protestarão e, fica tudo por isso mesmo!!

Estamos retumbando ha tanto tempo as margens do Rio Ipiranga, retumbado e heroico povo!!! Eu aqui, retumbando há tanto tempo…”

Ha um ano eu usava pequenos trechos do Hino Nacional Brasileiro na minha ultima peça encenada no Brasil: “Entredentes”, com Ney Latorraca. Mas o final era triste e tragico. Ney se enforcava ao som de “Chão de Estrelas”, rearranjado por Philip Glass.

O publico ja havia recebido uma “lição de anti-patriotismo (uma espécie de espelho de si mesmo, vinda de um sotaque portuges”, vindo da boca de uma atriz Lisboeta, Maria de Lima, e alternava o riso frouxo e nervoso, com um silencio de quem estava impactado com a realidade daquele retrato.

Ha um ano, o edificio estava meio em ruinas, mas não balançava tanto. Hoje, ele balança. Balança mas não cai.

Dilma parece uma criança  birrenta (“Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou”) Pode-se adicionar uns 3 mais “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou“. Pode-se ver a imagem de uma criança pentelha sendo ‘arrasatada’ pelos pais pra ir a escola ou algo assim. “Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou”!!!! Tadinha!!!

Quem ja viveu o que eu vivi sabe que não existe “verdade” em politica, seja o pais que for, seja a época que for. Existem somente retoricas de merda e uma mentirada ridícula.

Eu abri com o Romario mas fecho com o comediante inglês John Oliver (na HBO) que diz (e diz com propriedade):

“Como? A Dilma diz que nada tem a ver com a Petrobras se sentou em seu conselho diretorial nos anos onde a empresa mais foi desfalcada? Desfalcada tão tipicamente quanto o “Brazilian Waxing”  (depilação).

Então, com esse comentário sobre a depilação relacionado a politica brasileira, fecho essa coluna com essa palavra comum a todos os setores: PENTELHOS!!!!!

Gerald Thomas

Confiram o  show de John Oliver (HBO) tira o melhor dos sarros:

https://www.youtube.com/watch?v=rpXyFCcInG0

Visualizar o vídeo Last Week Tonight With John Oliver – Corruption in Brazil do YouTube

Gerald Thomas, diretor teatral. ator, escritor, encenador polêmico, criador de uma estética elaborada a partir do uso diferenciado de cada um dos recursos teatrais e orientada pelo conceito de “ópera seca”. Renovou a cena brasileira nas décadas de 1980 e 1990. Dirigiu no ano passado, a peça musical Entredentes com o cantor Ney Latarroca, nos teatros do Sesc de São Paulo e Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins

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