“What? Dilma on Broadway?” – GT Direto da Redação

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Gerald Thomas

Confesso que nunca me senti assim, digo: vazio. Talvez eu esteja sofrendo de uma overdose de mim mesmo, já que escrevo no dia do meu aniversario enquanto escrevo os capítulos finais da minha autobiografia “And Dead, We Walk”.

Olha, é assim: tenho dado muitas entrevistas a colunas e revistas (como a da Joyce Pascovich, por exemplo) e a obsessão em me perguntar o que “eu acho do Brasil”, “o que acho da crise” da “Lava Jato”,  e “sobre o teatro brasileiro?”. Enfim: é um inferno e nunca sei o que responder, já que não vivo no Brasil. Não sinto na pele a agonia que ouço por telefone ou Skype. Sim, me relatam horrores.

Mas, dia desses, uma coluna me perguntou: “O que você diria pra Dilma?”

Fiquei mudo.

Eu que ja “recebi” o Lula em Londres em 2003, e tive uma conversa intima com ele no subsolo do “Pavilhão do Niemeyer”, em pleno Hyde Park, e conversei horrores (entre gargalhadas e uma sensação boa de mudança, uma sensação legal de que um sindicalista podia sim chegar ao poder. Algo como um Afro-Descendente como o Obama chegando a Casa Branca). O que acho do Lula hoje não interessa. O que interessa é que fiquei mudo diante da tal pergunta.

Mas acho que aqui vai uma espécie de ensaio: “Dilma, como é que você desembarca direto aqui em Nova York e vai ver uma peça da Broadway, caramba????”

Claro, minha indignação é mais pelo fato de ser a Broadway, já que eu continuo sendo um insignificante militante da Off Off Broadway e do teatro experimental !!!

Há muito tempo não me deparo com “autoridades” ou políticos. Se bem que hoje, além de aniversário e entrega da autobio, grudo os olhos na TV e tenho crises de gargalhadas com a tragédia nos proporcionada pela candidatura à Casa Branca por….(ai meu deus!!!) Donald Trump. Pronto. Falei. Eu não achava que nomes assim (ou o de Chris Christie) sairiam da minha boca, mas saiu.

Aos 61 anos de idade completados hoje, não creio mais em nada. Como crer, assistindo a crise entre sunitas e xiitas e curdos?  E…Como crer em algo, quando os números de mortos, assassinados, mutilados, desterrados, fodidos, seja por uma ideologia, duas ou três, se tornam um tablado internacional pra que a CNN e a BBC ah…. “Broadway Dona Dilma?” Que é isso?

Bem, eu nao lhe perguntei. E ela se mandou pra Washington. Ontem teve aquela coisa de almoço, drink, coletiva, sorrisos com o Biden, caras feias pra imprensa, cara boa pro Obama.

O que será que um pensa do outro? Enquanto o tradutor traduz, o que eles estão ali, pensando um do outro?

–       “Caramba ! Olha eu aqui, na Casa Branca. Imagina, eu que fui torturada nos calabouços da ditadura….no DOI-CODI, cortesia dos métodos da CIA….Caramba! A CIA fica em Langley, do lado de la do Potomak.Olha eu aqui.”

E a Broadway, Dilma?

E a Broadway?

Eu daria de tudo pra ouvir uma conversa entre Angela Merkel e Vladimir Putin. Sim, falo alemão. Acho que entenderia o ‘leve sotaque’ soviético de uma  ex-Alemã Oriental, mulher como a Dilma,  mas que nutre a cultura mais alta “Hochkultur”, vai assistir a operas audaciosas e tragédias Gregas temerosas.

Sonho que meu pai está em pé em frente a um muro abrindo um papel e, de frente ao muro, aos berros: “PAREM COM A TORTURA ! ! !” Preso pelo Nazismo, ele tinha mais que berrar mesmo!

Sim, ele não viveu para ver o Muro cair. Não viveu para ver aquele Muro que dividiu a sua Berlin ao meio, ou melhor, que cortava sua Berlin ao meio, como se fosse uma faca, cravando um sinal de um médico legista num corpo morto. Morto pôrra nenhuma! Uma cidade viva com milhões de habitantes divididos por….ideologias e governos. E com muito teatro experimental ainda vivo e muito vivo!

E a Dilma sorrindo e a merda despencando a cada dia no Brasil. “Doce ilusão”, diz Fareed Zackaria, colunista do Washington Post e ancora do GPS, na CNN. “Os anos de ouro e de 7a economia estavam completamente atrelados à China e ao sucesso econômico da China e a China comprava soja e comprava ferro.”.

Não sei se a Broadway faria jus ao Brasil nesse momento. Glamorosa que é,  a Broadway gosta de fazer coisas “up”. E o Brasil nesse momento, parece ser um sub-produto da opera de Pequim!

Ah, por isso a Dilma quis assistir algo na Broadway.

O que vem  a ser isso? O que vem a ser um partido político?

Para mim, a última pedra e/ou partido caiu junto com o MURO depois que a pessoa de número 150 MIL foi assassinada por tentar fugir da DDR (ex-Alemanha Oriental). O resto é uma péssima farsa, como um espetáculo da Broadway.

Mas o que será que ela pensa, enquanto o Obama responde à coletiva? Será que passa por ideologia?

O “anti-americanismo” é lindo né, tudo bem !! Deve-se ser o que quiser. O engraçado é que na primeira oportunidade possível estão TODOS aqui: o ORIENTE MÉDIO INTEIRO aqui; a AMÉRICA LATINA inteira aqui. Todos lambendo o chão de Tio Sam… E estão aqui falando asneiras:  “Eu?Jamais disse isso! A América é maravilhosa! Olha só como existe a liberrrrdade, meu! Porra!”

Para aqueles que latem “TIO SAM está no fim (já está no fim há 50 anos), o IMPÉRIO AMERICANO está despencando”. Querem saber o que mais? De onde vem a sua atitude ou postura? De onde aprenderam ou apreenderam aquilo que berram? E o ódio que nutre o leite negro de Paul Celan e a frustração que projetam? Onde nasce tudo isso? No grande ABC paulista? E se as multinacionais NÃO estivessem lá pagando os MÍSEROS salários? Como seria LINDO você,  Brasil! Estaria melhor, como a Albânia de Enver Hodjia?

raço principal do colunista Gerald Thomas - não tem papas na língua

Foi triste ver meu pai diante do Muro, pois ele jamais pôde supor que 5 anos após a sua morte aquilo tudo viria abaixo. É Papi, políticos são assim! Vão a Broadway ! Nem Bush nem Stalin, nem Putin ou os filhos da Putin….do Norte.  Assim como eu, eles também sonham à noite e também têm pesadelos.

Mas o Trump é a Broadway. É um construtor – de merda dos prédios mais feios de NY e fala com a arrogância de um bilionário, mas é somente um milionário. O que importa é o cabelo. Pra Dilma também. Pra mim, não é diferente. A resposta do mundo de hoje esta no cabelo!!!!

“Como vai, Kim?”

“Vou bem! Passei mais um dia na terra que fui orientado a odiar e… a cada dia a amo mais!”

Nessa confusão chamada “terra de imigrantes” uma coisa é certa: aqui rola a prática.   Práxis. Como em sexo. Imagine ficar somente na punheta a vida inteira, imaginando. Que horror seria! Agora, imagine um grupo de pessoas que, a partir da prática da punheta, decretassem as leis restringindo TUDO para aqueles que ainda tivessem alguma chance de praticar o sexo! 

E essa é uma das coisas que os teóricos retardados dos livros das ideologias falidas não possuem. Berrem! Berrem mesmo! Usem o gargalo, já que mais vocês não têm!

Mas pode parar de berrar, papai. O Muro de Berlin caiu. A tortura… continua! Dilma foi à Broadway. Sergio Porto está aqui ao meu lado sussurrando: encerra essa coluna e volte a ter raiva. Era boa a época da raiva.

Produzia-se muito! E como!

Hoje? Estamos todos no Facebook, no Twitter, no Google, no Instagram e nessa merda tecnológica! Vive-se sem raiva e a beira de um Silly Con ! Todos emitindo sons vazios. Mas passa. Quem ja viveu o que eu vivi sabe que tudo passa.

A Dilma fez uma ótima opção indo assistir algo na Broadway.

Gerald Thomas, diretor teatral. ator, escritor, encenador polêmico, criador de uma estética elaborada a partir do uso diferenciado de cada um dos recursos teatrais e orientada pelo conceito de “ópera seca”. Renovou a cena brasileira nas décadas de 1980 e 1990. Dirigiu no ano passado, a peça musical Entredentes com o cantor Ney Latarroca, nos teatros do Sesc de São Paulo e Rio de Janeiro.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins

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