Great great review : optima critica – ENTREDENTES

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Por MIGUEL ARCANJO PRADO

Uma cena poderia resumir o espírito de Entredentes, a nova peça de Gerald Thomas, em cartaz no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo.

Ela se dá quando a atriz portuguesa Maria de Lima começa a esbravejar contra o Brasil, dizendo questões pertinentes e provocativas sobre questões histórico-sociais que não conseguimos ainda resolver.

Em seguida, a atriz explica à plateia que a fala não é dela, mas, sim, do diretor e autor, Gerald Thomas. Há um riso, de certo alívio. Mas é aí que ela, em primeira pessoa, passa a dizer o que ama no Brasil, citando como motivos coisas das quais não nos orgulhamos, como nossas favelas e o cheiro de xixi nas ruas.

Atônita com o discurso, a figura de Ney Latorraca só consegue uma saída diante da situação incômoda: a vaia.

Como em toda peça, muitas coisas estão implícitas nesta cena, cheia de signos fragmentados que permitem ao espectador diversas leituras. Não há discurso hegemônico, mas um convite ao espectador para ser uma espécie de coautor da encenação, preenchendo-a de significados.

entredentes foto alisson louback 8778 Crítica: Gerald Thomas solta grito entalado Entredentes e convida Brasil a pensar
Confronto entre Maria e Ney: verdade dita por boca do colonizador – Foto: Alison Louback
Na cena do confronto entre Maria e Ney, é preciso que a “verdade” seja dita por boca estrangeira. Mesmo assim, é necessário o grito para que seja escutada, evidenciando uma dependência brasileira ao olhar do Primeiro Mundo.

E tal discurso vem com sotaque colonizador. Talvez seja por tal ressentimento que este não é legitimado por Ney. Ou sequer contestado. A reação escolhida é quase que infantil, e bem brasileira. Em vez de partir para uma discussão dialética, o personagem de Ney prefere tentar desestabilizar seu interlocutor pela vaia e cortar o diálogo.

Thomas reúne três atores potentes no palco: Latorraca, Lima e Edi Botelho, este último o artista com quem mais trabalhou. Entregues ao jogo, Latorraca e Botelho fazem dupla. Primeiro, dois astronautas lunáticos. Depois, se alguém sente falta de historinha, um vira judeu e o outro, palestino. Tudo diante de um painel com uma enorme vagina ou de um pichado Muro das Lamentações.

Diante do delírio, ambos são capazes de dizer coisas profundas que retumbam na cabeça do espectador.

Latorraca, para quem a peça foi escrita, faz excelente performance. Incorpora a si próprio em cena, que usa elementos de sua própria história, como a internação recente e a quase partida para o lado de lá. É ótimo ator e aproveita as liberdades do teatro de Thomas para apostar em seu tempo cômico, que ao mesmo tempo provoca o riso e desconcerta. Como quando diz: “It’s amazing”.

Entrevista: “É uma idiotice, um horror”, diz Gerald Thomas

Outro grande destaque é Maria de Lima. Ela entra na peça, num primeiro momento, como alegoria sublinhada, como se a direção fizesse concessão ao didatismo que tal público está acostumado.

Logo sua personagem ganha peso e, em muitos momentos, se torna centro das atenções. Botelho chega a ir para a plateia para permitir que o duo de force entre Lima e Latorraca se faça sem interferências, como na cena que abriu esta crítica.

Em seu teatro próximo à performance e com farta assinatura do diretor, Thomas abre a porteira para temas que perpassam o contemporâneo: desde a tensão política na Ucrânia após a invasão da Crimeia pela Rússia até a obsessão do povo brasileiro em acompanhar com afinco as telenovelas de roteiros repetidos.

Há uma preguiça para o Brasil – e os brasileiros – implícita na peça. Uma preguiça para um povo que não se cansa de retumbar às margens do rio Ipiranga, como diz uma das provocantes sacadas do texto, e que precisa terminar tudo em samba e Carnaval.

O recado de Entredentes não tem a obviedade que necessita quem busca riso fácil ou choro emotivo convulsivo, ou, como agora é moda, na relação de compromisso afetivo com artistas que ressuscitam no palco. Vai além disso.

É um teatro que se propõe a pensar a partir da quebra das estruturas sociais e comportamentais que move a sociedade e o pensamento brasileiros. A começar por quebrar a historinha. É fragmentado, propositivo e analítico.

Na obra que está mais para brado retumbante do que para revelação entredentes, Thomas cutuca a dormência anencéfala e tira a casca do verniz, revelando a mediocridade de nossa gente, tentando, ao mesmo tempo, despertá-la da alienação e do conformismo. É um mérito.

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