We open ENTREDENTES on Thursday , April 10th: SESC Consolação, 21h – Estreia de Entredentes nessa proxima quinta dia 10.

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All the Walls: Waling and Berlin -

All the Walls: Waling and Berlin –

Maria de Lima arrasando

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Edi Botelho e Ney Latorraca arrasando

Edi Botelho e Ney Latorraca arrasando

Ney Latorraca arrasando

Ney Latorraca arrasando

Ensaio - rehearsal on stage

Ensaio – rehearsal on stage

Por Ruy Filho

A mediação mediúnica do presente escondido

Há um mínimo espaço que sobra quando os dentes se apertam. Por ele, o ar escapa e invade mantendo o ser vivo ou em latência de sobrevivência. Esse respirar e aspirar é igualmente o sufocamento das palavras impedidas de seguir. Então se sufoca pelo surgir de cada sílaba, de cada verbo, em cada adjetivo escondido de valor ao outro. Sobra ao homem engolir a própria essência travestida de saliva e se deixar invadir no percurso que desenha boca, tripas, cu. As palavras são defecadas e espelham o apodrecimento dos discursos. Não há mais diferença. Mas, ainda assim, o mundo insiste em polarizar e distanciar um do outro, com classificações e regionalizações. Ora, o que são as classificações se não palavras de distanciamentos, separações? Aquilo classificado e identificado pertencente sucumbe ao seu estado limite de um existir minimizado na história. Vivemos esse instante de deslocamente temporal do espaço de modo definitivo. Agora, o homem corre atrás da história em busca de pertencer a algo, não mais ao instante. Só que não existe mais esse tal de algo. Tudo passou a ser nomeado, identificado, classificado, propriedade. Então se regionaliza pela cultura, pela terra, pela religião, pela informação. Tudo é limite e origem. Tudo é incapacidade e desnecessidade. E só resta ao homem encontrar e reconhecer o outro nessas mesmas condições. A boceta que estampa o fundo do palco expõe o útero como o mais original de todos nós. Mas isso seria compreendê-la de dentro pra fora. É mais. Vista, percebida, exposta, direciona a percepção de fora para dentro, e se faz túnel ao infinito original do homem e da história. É igualmente muro, como se o outro lado fosse impenetrável, como se a história pudesse ser invadida apenas lascivamente, seduzida ao prazer de quem a manipula. Não cabe mais ao homem o imponderável sobre o desejo de seu próprio existir, portanto. Nem o de nascer, portanto de dentro pra fora, então de escolher ser; nem o de invadir, portanto de fora pra dentro, então de escolher não ser. Desse modo, história e homem sucumbem um ao outro. Invalidam-se, enquanto comprovam serem eles mesmos os paradoxos de um ao outro. No movimento de reconhecimento da história, o homem se revela antinatural e autista. No do homem, a história se coloca humanamente equívoco. É preciso escapar simultaneamente aos dois movimentos. Invadir e fugir, simultaneamente. Construir outra planície de pertencimento, como se o espaço fosse viável apenas se compreendido como espacial e não local. É nesse vácuo hímen que o presente mais próprio pode ressurgir. E nenhuma ação é mais a manifestação do instante que a palavra, o discurso, o dizer. Ainda que seja, cada vez mais, fundamental dizer como outro, como meio do outro, meio da história, história do tempo, em tempo real, final e começo. Uma espécie de espetacularização do dizer, ao invés da fala em sim. Ou o homem reassume o nascer do tempo como presença espacial de discursos, ou lhe sobrará a corda insistentemente dependurada sobre o banco como possibilidade real de encontro ao presente. A escolha é inevitavelmente de cada um.

RUY FILHO

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