Bete Coelho – short portrait (now with Bob Wilson in São Paulo)

Bete and I - 12 pieces together from 1085 to....(??) You make me very proud !

Bete and I – 12 pieces together from 1085 to….(??) You make me very proud !

For those who want to see Bete in my early shows, click on the links below:

CarmemComFiltro

http://geraldthomas.net/PP-Carmen-com-Filtro-2.5.html

UmProcesso (based on Kafka)

http://geraldthomas.net/PP-A-Process.html

Bete (as well as the Companhia de Opera Seca – BR) can also be seen in MattoGrosso (Philip Glass and Gerald Thomas

http://geraldthomas.net/PP-Mattogrosso.html

Bob Wilson is working with most of of the Brazilian Opera Seca: Bete Coelho, Luis Damasceno and others. Is it a cycle? Don’t know. We all owe it to Ruth Escobar and Ellen Stewart. That’s for sure. And here is my THANKS.

Photos of the production
http://cacilda.blogfolha.uol.com.br/2013/05/25/a-dama-do-mar-
temporada-paulista/
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Artigo escrito para a Folha de S Paulo em Março de 2009, por época da passagem do Zé Celso por Nova York como meu hospede:

Não Seja Marginal Para Não Ser Herói

New York- Como é fácil ir para Times Square e colocar a língua de fora para ridicularizar o “TEATRÃO”. Facílimo. Coisa que Alice Cooper e todos nós, do La MaMa e da Off Off Broadway, já fazemos há… milênios. Por isso nosso movimento se chama “off off”.

Agora, é preciso entender de onde vem aquilo que se chama de Broadway Musicals. O Musical da Broadway nasceu de um movimento americano que visava quebrar com a estática da Ópera Européia. Aquelas Arias longas e estáticas cantadas pelos obesos por horas a fio num idioma que ninguém entendia. A Broadway, em primeiro lugar, popularizou isso tudo.

O Sapateado vem de um movimento ‘paupérrimo’ negro. Tap dancing foi e ainda é uma das mais originais formas de expressão de milhares de pessoas. E é belíssimo! Quando bem feito é simplesmente belíssimo. De chorar. Claro, a Broadway incorpora tap dancing, jazz, canto, teatro falado, cenários gigantescos, estórias e histórias, ficções e adaptações, orquestras e pequenas bandas que numa soma geral das coisas formam um grupo de teatros que se aglomeram em torno dessa praça, a Times Square.

Ora, quem tanto preza o Carnaval e a carnavalização das coisas deveria entender uma coisa: O Sambódromo no Rio custou MILHÕES. Quando o Brizola encomendou ao Niemeyer aquele monstro de concreto, alguém ali foi “marginal”? Quando as mulatas desfilam pros turistas nos camarotes (que vem em vans protegidas dos hotéis da orla) e o LUXO EXAGERADO dos carros alegóricos… aquilo é o quê? Marginal?

Não sejamos ingênuos. Aquilo é a Broadway Brasileira! Não se rebelou contra nada europeu. Mas se construiu um folclore em cima do que existia e CRESCEU vertiginosamente e COMERCIALMENTE e, pimba! E quem há de negar que aquilo é lindo, deslumbrante, etc.? Eu sou o primeiro a chorar quando a Mangueira desfila, mesmo aqui de NY, sinto a vibração da Estação Primeira, aquela que eu subia quando adolescente com o Helio Oiticica e mais tarde com o Ivo Meirelles.

Ora, esses são os nossos mundos. Ninguém deve zombar deles. Principalmente alguém de teatro! Mas teatro? O que vem a ser isso?

Para alguns é uma questão meramente financeira. Para outros é uma questão de alma. Para outros é uma necessidade física. Ainda tem aquele que o pratica por um amor definitivo e químico-dependente. E uma parte pequena dele é composta pelos atores caça níqueis televisivos (esses sim) que acabam com tudo. Mas a maioria de quem pratica o faz por ser uma arte genuinamente franca e francamente CONTRA o Status Quo, porque é no palco que ainda se pode dizer tudo que se quer, com o lirismo que se quer, com o tempo que se quer, no tempo/espaço que se quer, na clausura e no liebestod que se quer.

O Teatro, assim como o Sambódromo (vazios), não é a representação de nada, necessariamente. Mas preenchidos, viram a interpretação do “TUDO” que somos, que fomos e, principalmente, daquilo que NÂO fomos e que NÃO somos. Isso torna o teatro uma somatória (um terreno) um tanto quanto “despido” (no bom sentido) daquilo que tememos ser quando não temos a coragem de nos olharmos no espelho.

A grande massa não quer saber das grandes questões. Isso eu notei no post sobre o Zé Celso e o Marcelo Drummond passando aqui por NY. Ninguém se interessou. Fodam-se! Se preferirem se dopar com a “noticia do dia” ou com música alta nos iPods e iPhones e in-Ter-net, e digitar textos ridículos em telefones celulares que nada significam, problema de vocês. Mas nada tem a ver com sermos marginais para sermos heróis! O marginal de hoje é uma merda. É um marginal que não sabe quem foi Genet, é um marginal que não sabe nada sobre 1968, é um marginal que não quer completar seus 30 anos! Preferem ter 10000 canais em suas televisões (o que é o mesmo que não ter nenhum!). Esses estão concubinatos com a matança geral da arte! E para aqueles que acreditam que meter a língua de fora, como se fosse a Serpente do Pecado (ha ha), não me façam rir, eles sim, estão matando algo frágil: a arte das artes!

Mesmo assim o teatro sobreviverá através das coisas que são GRANDES demais para serem percebidas ou PEQUENAS demais para serem notadas.

GERALD THOMAS é autor e diretor teatral.

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