Irene’s last hours in NYC – Folha de Sao Paulo – international section.

São Paulo, segunda-feira, 29 de agosto de 2011 
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OPINIÃO

Risco do Irene acabou e já se tornou motivo de chacota nos EUA

Republicanos queriam culpar as férias de Obama, e conspirações inundavam mais que a água das chuvas


VIA DA JANELA A ÁGUA SUBINDO, SUBINDO A NÍVEIS ASSUSTADORES. DUAS HORAS DEPOIS, ESTAVA TUDO NO PASSADO


GERALD THOMAS
ESPECIAL PARA A FOLHA EM NOVA YORK

Acabou! Em Nova York, Irene ainda era uma mega-ameaça às 9h30 (horário local), tendo sido classificado como furacão categoria 1.
Víamos a água do East River invadindo o Southstreet Seaport, Tribeca, e regiões do West Village, como o Meat Packing District. E eu via da janela a água subindo, subindo a níveis assustadores.
Duas horas depois, estava tudo no passado. O Irene já era chacota. Pessoas andavam rindo de camiseta para ver os danos.
Mas preciso dizer isso: foram impecáveis o prefeito Michael Bloomberg, assim como governadores de dez Estados da Costa Leste americana que decretaram estado de emergência, a federal Fema (agência de emergências dos EUA) e outros.
Tomaram precauções até exageradas para proteger a população e as propriedades.
Ninguém queria um segundo evento como o furacão “Katrina”, que devastou Nova Orleans há seis anos.
Dessa vez, os republicanos queriam de qualquer forma culpar o presidente Barack Obama por ter tirado férias na ilha de Martha’s Vineyard para jogar golfe e por simplesmente ignorar o furacão que já beirava a Flórida. Até eu me assustei.
Ele não abria a boca para declarar nada sobre o assunto, até o último minuto.
Tinha gente que considerou o pior. Pensaram que ele havia sido levado para uma localização não revelada, o que traumatiza qualquer um que passou pela vice-presidência de Dick Cheney -mais protegido que George W. Bush em 11 de setembro- pois era o verdadeiro e maquiavélico “cérebro” daquele estúpido governo.
Conspiraram que tudo não passava de uma estranha e horrenda catástrofe terrorista, armada para ser deflagrada semanas antes do aniversário do ataque que derrubou o World Trade Center.
Será? Obama, sempre visto de costas ou andando de bicicleta, teria abandonado Washington, atingido pelo furacão, porque já se sabia de algo? Ele não se pronunciou sobre o terremoto em Virgínia e isso foi muito estranho.
O evento de comemoração em torno de um memorial de Martin Luther King, na capital, teve que ser suspenso.
Conspirações nos inundavam mais que as chuvas que caíam ou que as ondas que o Atlântico empurrava para costa de Long Beach, Long Island e Nova Jersey.
Irene ri. Graças a Deus. Todos agora rimos, ainda que com um pequeno nó na garganta, já que tantos rios passaram em nossas vidas nesses últimos dias, prestes a transbordar.

GERALD THOMAS é autor e diretor teatral

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