New York – Pequeno Diário de Bordo 1

 

New York –  (Com um PS. no final: Maureen Dowd, do NYTimes de domingo, com uma pérola!)

 

O Artista é Sempre Um Estrangeiro ou A Bandeira de Lugar Nenhum

 

Andando pela cidade ainda atordoado, como sempre, resolvi dar uma volta em torno do reservatório d’água, no Central Park. É oval, circular. Hoje ainda estava cheio de poças d’água. Os joggers, aqueles corredores doentios conectados ao iPod, correndo atrás de suas vidas, ou mais para perto da morte, berravam “room please” e todos nós, os mortais, abríamos caminho. Eles passam correndo, trotando e eu andava rápido, muito rápido, pensando na vida: “nunca irei me acostumar com o skyline dessa cidade. Mesmo vivendo aqui, no Rio e Londres e Alemanha, desde sempre, nunca irei me acostumar a lugar nenhum.

 

Kafka, certamente um dos maiores autores da humanidade, mas que ultimamente circulou pelos blogs por motivos imbecis, é autor de uma frase que adoro: “Quando vou dormir à noite, me certifico de que tudo está em seu devido lugar. Quando acordo, acho estranhíssimo que tudo esteja no mesmo lugar em que deixei ao ir dormir”.

 

A turistada tá foda, aqui! Em Londres, semana passada, a turistada também tava foda. Sempre foi assim? Não, acho que não. O dólar está baixíssimo e isto torna Nova York mais acessível para todos: uma brasileira (sem a menor idéia do que estava dizendo) exclama: “Isso aqui é a minha cara!” 

 

Quer dizer que ela é a cara do Chrysler Building, construído no auge do período “dark” da arquitetura “art deco”? Quer dizer que ela sabe exatamente quem era Frank Lloyd Wright e sabe o que ele fez com o concreto protendido, quando experimentou com o seu “Guggenheim” em espiral? Quer dizer que ela sabe o que a Lower East Side (Essex Street com Delancey, por exemplo) significa no calendário de um lituano imigrante? E ela sabe o que aconteceu com a “sua cara” (com sotaque de Vila Nova Conceição) em Saint Mark’s Place na década de 60 e 70? Não. Ela não sabe. Mas, mesmo assim, NY é a “sua cara”! E o pior é que é mesmo! Trump é democrático! Barbara Walters, que caminha anônima aqui ao lado, também é. (Acaba de pisar numa poça). Mas turista quer ver arquitetura, prédio, art deco? Claro que não! Turista vem aqui pra… fazer COMPRAS!!!!! E fazer BARULHO! E subir no Empire State Building para tirar fotos. E compram ingressos pra shows da Broadway sem nem saber que as origens dessa tradição foram contrafóbicas reações ao musiktheater, uma reação ao teatro musical europeu. Trocando em miúdos, o musical da Broadway vem a ser uma versão “action movie”, uma versão light da ÓPERA européia. Pasmem! Mas… a Macy’s está lotada! E a Bloomingdales também!

 

A Valéria me mandou um trecho que faz parte de um texto que escrevi pra Folha  e esta publicado no livro o “Encenador de Si Mesmo” (Editora Perspectiva,1996) – Haroldo de Campos fez a curadoria a respeito de minha obra. Esse trechinho era a respeito do artista plástico Jasper Johns, um dos maiores, da turma do Raushenberg (morto faz pouco tempo), ambos descobertos pelo Leo Castelli, aquele que montou sua galeria na West Broadway, aquela via que divide o SoHo entre vivos e quase mortos!

 

Mas nesse sábado ensolarado aqui em NY eu endosso isso que escrevi há mais de 14 anos. Eu sou ele, o Johns. Ele vira eu. Somos todos feitos da mesma coisa: New York é uma mistura linda!

Essa mistura incoerente é, em si, uma celebração. Celebrações podem constatar momentos tristes. Como festas. Festas podem ser coisas tristes, como os lamentos do samba, os lamentos do jazz. Os lamentos do Blues. Só não ouve quem não quer.

Eis o texto: “O artista é sempre um estrangeiro”. Isso está no capítulo “A Bandeira de lugar nenhum”

 

O “elemento terra”, no artista, flutua sobre camadas espessas de influências, maleáveis e pessoais, a ponto de sofrer do mal itinerante (necessário) que os povos nômades sofreram no desesperador esforço de acumularem sofisticação durante seu percurso”.

 

Criar inimigos sempre foi e sempre será a tática de todos aqueles que não conseguem mais se olhar no espelho ou tolerar a entrada de imagens estranhas àquelas que se admiram. E a cara do inimigo geralmente compreende todos os traços que a sua não tem. Tudo aquilo que a moldura do espelho contém pode ser chamado de “estrangeiro”. Alguns se penteiam perante o estrangeiro e se embelezam para ele. Outros jogam pedras no estrangeiro e o estilhaçam, confirmando mais uma superstição.

 

Toda arte produzida em grandes centros é descaracterizada de nacionalidade. Ela é urbana simplesmente. Essa urbanidade compreende a falta de identidade, a confusão étnica e mística que as vias de concreto propõem…”

 

A produção artística dos centros urbanos é a natureza mais que morta, decrépita, mas, paradoxalmente, essa decrepitude contém todos os aspectos do homem moderno, suas várias nacionalidades – tudo justaposto, aglomerado, anárquico e fora de ordem, neste disfarce democrático fica difícil distinguir até o sexo da obra, quanto mais a sua origem étnica”.

 

O artista é sempre um estrangeiro”. Isto está no capítulo “A Bandeira de lugar nenhum”.

 

New York de então

New York de agora

 

O estado de espírito de sempre.

 

Gerald Thomas (alheio aos sons de Phelps e Spitz e ovações em Beijing, sorry: Pequim, Atchim!

 

(Vamp, ainda na edição)

 

 

PS 1- Maureen Dowd – Considerada a mais (ouch) “polêmica” colunista do New York Times escreve sobre… bem, leiam trechos, chama-se “A RÚSSIA não é a JAMAICA!”.

“A América está de volta à Guerra Fria e “W” (George Bush) entrou em férias novamente (…) Depois de oito anos ele continua ignorando a realidade; deixando de prever ou se previnir ou mesmo se preparar contra “disasters”: interpetando mal ou não interpretando os “reports” das agências de inteligência (…)

Ele passou 469 dias de sua presidência no rancho, dando coices, 450 dias em Camp David “dando pinta” (…) Isso tudo está acontecendo enquanto a Rússia avança para dentro da Geórgia (…)”

Trechos da BRILHANTE colunista que pega no pé de todo mundo, geralmente não sobre alguém específico: não adianta dizer que ela é isso ou aquilo: ela é simplesmete MateMática, como 1+1 são 2: Maureeen Dowd.

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52 responses to “New York – Pequeno Diário de Bordo 1

  1. Legal… ” O artista é sempre um estrangeiro”…
    A arte da vivência de um andarílho…
    Bem ou mal, estamos todos perâmbulando por este planetinha azul tentando deixar as “coisas” no lugar, mas não há lugar!
    Ser artista é cultivar novas idéias e ter a consciência de ser um cultivador de idéias… Quanto às bandeiras, fogo nelas!
    Ainda não estamos prontos pra isso, não é?

  2. Valéria

    é, estas molduras…

    e há muitos tipos de exílios…
    Ah, por vc ter falado, eu acabei de comprar “Exílios”, do Joyce…

    Já disse isso aqui: os abismos nos emolduram também

    é bom falar das cidades, pra mim então, não tenho idéia dessas fisionomias… Também não sei o que significa aquele lugar para os lituanos nem etc.

    Musfil: adorei o “não há lugar”, é um quase-lugar, sei lá.

    bjim colorido

  3. Valéria

    esse sábado eu fiquei preso ao computador, foi bom, viajei muito na virtualidade. Tava com saudade deste tipo de viagem!

    fui

  4. Lu

    Fiquei nostálgica.
    Mas vou me restringir aqui apenas a questão das produções de arte nesses centros urbanos… Eu concordo em termos que ela seja descaracterizada de nacionalidade. Talvez não se asemelhe tanto às produções típicas da nação onde está inserida, mas muitas vezes exibe em seus traços pedaços de outras nações, ou mesmo um emaranhado de tantas delas que chega a parecer abstrato demais, ou urbano demais…

  5. gthomas

    Lu: estou te implorando pra vc publicar aqui o email que vc me mandou…

    Valeria: mil vezes obrigado pelo “recorte” do meu proprio livro> jamais teria me lembrado.

    ATT: Quanto a perua que diz “NY eh a minha cara e a turistada que me apavora: o que quero dizer eh que o NOVO RICO me apavora: antes pudessemos trazer TODO MUNDO pra ca e mostrar a diversidade dessa ilha pra todos!
    porque esse espelho martelado eh o subsonsciente do ente do mundo
    LOVE
    G

  6. gthomas

    Comentario LINDO mandado pela Luciana Tomie por email (junto com uma foto que nao consigo anexar nessa tripa de comentarios por motivos de incapacidade tecnica miha)

    Acabei de ver o post no blog…
    Deu tanta saudade…
    Fiquei com vontade de contar
    Minha primeira semana nos US foi na city, engraçado que eu via todas as meninas deslumbradas, achando o máximo estar em NYC, e eu tinha uma sensação estranha de tudo aquilo ser comum… Tanto que eu nunca brinquei de turista, só tempos mais tarde quando me fazia de guia pros amigos que vinham de fora…
    O Central Park era parada obrigatória pra todos, cansei de andar por lá, bancando a fotógrafa e raramente a modelo… Acho que meu pedaço favorito ali é a Alice sentada sobre os cogumelos.
    O mais hilário é que eu tinha um círculo de amigos bem variado e fazia de tudo com eles… Tinha aqueles pra bares, clubes e restaurantes, outros para compras, outros pra visitar museus, ir a cinema, teatro, até pra fazer aula de ballet, ou apenas andar sem saber pra onde ir…
    Mas às vezes eu ia sozinha e talvez eram os momentos que eu mais gostava de estar lá, me sentia um personagem em slow motion no meio de tanta gente correndo e aí acontecia algo que eu pensava que era mágica. Alguém da multidão frenética parava pra me olhar e começava a caminhar ao meu lado, fiz vários amigos na rua, conversei com mendigos, trabalhadores, muitos estrangeiros, e até me apaixonei por um garoto que me beijou na times quando virou o ano e acabamos namorando por uns 3 meses.
    Não sei se me acostumei com o skyline, mas o underground te garanto que tenho grande parte das linhas decor… e as ruas que eu andava sim up and down mesmo sendo tudo flat!
    Conheço essa cidade melhor doq o lugar onde nasci. Eu só percebi que era uma estrangeira quando estava prestes a ir embora e isso foi um choque. Fiquei dias revendo filmes dentro da minha cabeça, todos os lugares e pessoas, ficou tudo tão dolorosamente passageiro junto com uma tristeza alimentada por uma sensação de “nunca mais”…
    E fiz uma coisa que fazia às vezes dentro do trem, ou sentada em algum canto da cidade… escrever sentimentalismos…

    “Parar
    Te ver de longe
    Lembrar
    Dias e noites
    (An)Danças solitárias
    Ocasionais encontros
    (Em/En)Cantos
    Conhecidos ou não
    Labirinto de labirintos
    Agora me perco fora de você
    Você…
    Que me amarrou pela garganta
    Mas não prendeu meu coração
    Nem era minha intenção
    Te deixar tão cedo
    Também não lamento
    Se não deu tempo
    Enquanto a vista alcançar
    Vou parar
    Te olhar de longe
    E lembrar…”

    Isso é parte do MEU diário de bordo… e a foto em Anexo tb…
    Take care
    Love

    Lulu

  7. Cara, tem hora que tu escreve igual a um porra louca, outra hora parece, Hemingway – se escrevi certo.

  8. Sandra

    Puxa… Que lindo… Seu texto, os lindos comentários, os trechos do seu livro que a Valéria destacou…
    Hoje de manhã eu disse um oi, volto mais à noite, e… Pensei na dor que seria se isso acabasse.

  9. O Vampiro de Curitiba

    Gerald, eu adoro quando você nos fala sobre o cotidiano de lugares onde você esteve. Principalmente de New York. Eu viajo mentalmente em todos esses lugares. Parece que estou vendo aquela senhora dizendo “Isso aqui é a minha cara!” e você olhando para ela com o canto do olho.

  10. O Vampiro de Curitiba

    Lindo o que você escreveu, Lu!
    Parabéns!!!

  11. Sandra

    Vamp, sempre achei os textos do Gerald visuais. Esse está cinza, mas não um cinza pesado, como o de Orwell. Um cinza de fim de outono, nostálgico, uma música do The Doors de fundo,…

  12. Sandra

    Superficialidade o incomoda, não?

  13. gthomas

    Sandra: superficialidade?
    Sim, nao consigo entender pessoas que nao entendem onde estao.
    LOVE
    G

  14. Sandra

    Imagino como você é como diretor!!!!!!

    Aliás, imagino o que deve ter sido escrever uma peça sobre Kepler. Para que você diga que somos pequenos diante das estrelas, deve ter lido muita física.

  15. gthomas

    Fisica nao, infelizmente. Todo o resto, mas fisica sempre me fascinou e nunca consegui entender: astronomia, fisica e matematica eram coisas que me apavoravam.
    Eu fugia delas.
    Mas quando aprendi a usar a cor preta (nanquim, guache negro e oleo ou acrilico negro) comecei a entender o universo: e as viagens de navio Lloyd Brasileiro da Inglaterra pro Brasil: eu ficava olhando pras estrelas e me dar conta da nossa insignificancia,
    LOVE
    G

  16. Sandra

    Bem, você desenha lindamente (vi na sua home). Mas esse papo meio vivo e meio morto de que você foge de física e matemática não cola.

  17. O CORVO

    GThomas, eu li o artigo do livro sobre a vida Kafka, não lembro mais o nome do imbecil que escreveu – o cara só pode estar brincando – com tanta coisa para escrever sobre a obra do grande Kafka o idiota pega em picuinhas sem o menor valor acho que ele tenta denegrir a imagem do autor – acho, pois não li o livro e nem vou ler – já fiquei puto com o comentário sobre o livrro.

  18. O CORVO

    Foi muito bom entrar na internet e ver que o seu blog estava lá, ou pelo menos mais um texto vamos ver ate quando – obrigado.

  19. gthomas

    O CORVO: obrigado pelos elogios, como sempre.
    Eh, essa internet tem seus lados apelativos. Kafka pode virar um envolucro de lixo pra um simples blogueiro por simples falta de assunto. Deve ser isso: falta de assunto.
    Fazer o que?
    Pedir pro IG pra contratar pessoas melhores? Eh isso nao eh?
    Mas da trabalho. Prefiro focar naquilo que me move e me comove’
    LOVE
    G

  20. Mariene de Campos

    “RETRATO DOS ARTISTAS, DESDE JOVENS”

    A arte como permanência no mundo
    Dança nas beiradas de olhos fechados
    Muitos morreram no globo da morte antes da estréia
    Caíram da corda bamba antes da rede erguida
    Até os bambas vacilam e tombam
    Ouve o chamado que ensurdece
    Voz do mundo que encarna em si
    Cabaça de biriba.
    Não trocam de ofício, o torna sagrado
    O ofício do novo
    Não estamos sozinhos
    A arte permanece quando morrem as mães
    A arte permanece quando fracassam os políticos
    Quando o casamento acaba
    Quando não se evitam as falências
    Somos artistas, até sem domicílio ou nação
    Não faremos concursos públicos
    Não seremos crianças obedientes
    Seremos expulsos, mas arte:
    PERMANECERÀ!
    Não somos intelectuais nem professores, somos ARTISTAS!
    Criatividade insubmissa, exuberância íntima, intuíção!
    O cotidiano como medida da plenitude
    Sem meio expediente.
    Ainda que se fabriquem armas nos desertos, ainda que se auto-destruam
    Comensais no manicômio, piratas das heranças
    Poetas não morrem, antecipam a madrugada.
    Quem não come pimenta no almoço, não tem fogo na língua,
    Todo cadáver não fala.

    (achei na rodoviária, não sei de quem é, não sei quem fez, decorei, virou mantra de sobreviver artista)

  21. Marcya oliveira del valle

    Depois de ler o texto e ler os comentario,fiz uma busca nas suas citações e conheci um pouquinho dos artistas citados das belissimas obras dos aquitetos citados, dos artistas plasticos .
    Não conheço os EUA,mas foi um momento maravilhoso…
    Uma palavra ficou em minha mente”exilio”
    Exilar para adentrar no objeto observado…
    Acho que o que menos os turistas querem é isolar-se.
    Querem a superficialidade do consumismo,de amarras que mostram que estiveram no lugar referido.
    Muita gente passa pela vida colecionando essas amarras,que vão errolando no seu próprio corpo e fica dificil depois encontrar
    seu ser verdadeiro,tudo se torna superficial,apenas visual.
    Muitas pessoas passam pela vida sendo turistas de si mesmo…
    Confesso que ontem estive a procura de um texto seu aqui no blog,só encontrei hoje de manhã ,fiquei feliz de ter reconciderado.
    abraçossss

  22. Fred

    Opa, testando!

  23. O Vampiro de Curitiba

    Gerald, não sei se tivemos problemas, me parece que alguns leitores não conseguiram enviar seus comentários. Agora parece que está normal….

  24. …”O silêncio é de OUUUURO..”,…..sabem quem disse éssa frase???
    ………….. . . . . . .não…?!…… . . . . . . . .nem, eu!………………….
    Quando leio um texto desse, do Gérald,…….fico em ABSOLUTO, SILÊNCIO!!!!!!!!!!!!!!!!!!…………………………………….o silêncio é o respeito pela ÓBRA de um AUTOR..!!!!!!!!!…nÃO SEI como vocês “conseguem” escrever em CIMA de um TEXTO desse.>>!!!!!……………….Gérald, você ARRRASOOOOOOU, de novo!
    (obs. por favor não acabe com o teu blóg, não!)

  25. Valéria

    Gerald, em muitos momentos me deu vontade de colocar trechos escritos por vc, mas às vezes ficava em dúvida; desta vez a vontade grande superou as dúvidas; e que bom que gostou, fico mais colorida!

    Lu: sim, é justamente isso, esta mistura, esta confusão étnica e espiritual: os traços, os pedaços, as curvas das pessoas estão todas ali e lá. E eu amei o que escreveu, tive que reproduzir, só pra ecoar ecoar ecoar: “e eu tinha uma sensação estranha de tudo aquilo ser comum… “Eu só percebi que era uma estrangeira quando estava prestes a ir embora e isso foi um choque… Labirinto de labirintos/ Agora me perco fora de você”

    Márcya, repito vc também: “Muitas pessoas passam pela vida sendo turistas de si mesmo…” É, boa idéia, dá um google…

    Sim, os textos do Gerald fazem a gente visualizar a cena e dão perspectiva também.

    Gerald, foi bom entrar aqui e ver que estamos todos aqui.
    Não sei se viu, falei do artista q colocou um cachorro preso: eu queria tanto saber sua visão disso tudo. Já vi cada opinião…

    inté ( tô saindo, mas quando chegar vou tentar colocar aqui, com Proust, num outro forro e ângulo, um diálogo pra esta frase maravilhosa e enigmática do Kafka; não sei por que isso me veio à cabeça, pode ser besteira, mas fiquei empolgada, e espero que ache!

    carinho,
    Valéria

  26. Oi, GT e pessoal, especialmente Valéria: adorei a citação do Haroldo; vou procurar mais citações de Gerald Thomas no scholar google. Belo texto, show de bola.

    Pessoal, estou com uma comunidade do meu livro, Penetrália, totalmente parada no Orkut:

    http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=15616889

    Valéria, vc parece que gostou das minhas idéias para uma blognovela. Se quiserem, que tal uma orkutnovela?

    Outra dica: publiquei dois artigos na Revista Discutindo Filosofia do mês passado, um sobre a antropofagia e outro sobre estética da recepção.

    A inspiração é sempre Gerald Thomas. GT, parte da minha família mora em Goldensbridge, são três tios que trabalham com um milionário, Mr. Max. Inclusive mamãe já foi lá: avisei-a para procurar algo off-broadway. Vou dar o toque do La Mama.

    Quando eu disse que converso com vc, mamãe comentou, alegre: “aquele moço que foi casado com aquela atriz bonita? Ele parece o John Lennon!”

    Abraços do Lúcio Jr.

  27. Flavio Marzano

    Belo texto, me levou a pensar, imaginar, mais que Todorov, me lembrou Pasolini ( o desajustado – não desenraizado ).
    Uma vez, num debate, disse que Pasolini deveria ter se refugiado em NY para escapar do fascismo romano, e uma colega, na lata, respondeu: ir pra NY como fez John Lennon? Aquilo me feriu mesmo. E eu balancei. Ela não percebia isso que a poesia de Gerald insinua: celebração da diferença. Celebração como uma mistura incoerente. Jogaram pedra na diferença, no caso do escritor-cineasta italiano. O fim de Lennon foi o tiro de um louco, o de Pasolini – a macchina do estado.
    Ontem na madruga, ao passar em frente ao Teatro dos Satyros, ubbriaco, tropeçando no riso ( Dorian Gray em Picadilly? Rs ) me lembrei de muitas cenas – e todas poderiam ser estrangeiras, novaiorquinas.
    “ O estado de espírito de sempre”, havia um lamento no ar, de ecplise. Mal sabia que uma hora depois, um outro teatro arderia em chamas.

  28. caca

    nossa… lindo esse texto…
    de fato é preciso um silêncio.

    bj

  29. Marcio M

    Definição de Haroldo de Campos: Generosidade. Imensa generosidade intelectual.
    Como o próprio Gerald Thomas !

  30. Tene Cheba

    Nova York eu não conheço, sem desdenho, não faço muita questão, talvez pelos filmes com as excessivas locações durante o reinado do grande cinema americano. Não sei bem.Gosto muito do Rio, que tem a minha cara, feia, que transparece felicidade, mas a tristeza enrustida é fácil, muito fácil de enxergar. Tudo é pequeno no Rio, tudo é perdido no Rio, complicado conviver nessa síntese da desesperança. Não pelas balas perdidas, nem pela brutal marginalidade, que prospera como os nossos políticos de esquerda, não por isto, e sim pela noite perdida, pela falta de manutenção da nossa cultura, estamos cada vez mais paulistas ou paulistanos, estamos perdendo a nossa poesia, estamos dormindo mais cedo. O quadro de candidatos retratam bem a nossa fadigante rotina, já tivemos o Besteirol, os Monólogos ultrajantes, o Renascimento, hoje convivemos com o nada e fugimos para os nossos recantos, nos trancamos por lá, Angra, Cabo Frio, Arraial do Cabo, Saquarema, daqui a pouco faremos amor em São Paulo, que não tem praias, mas vive e sobrevive, não tem samba que dê jeito.

  31. juliano

    Que pena um incendio destruiu o teatro Cultura Artistica aqui em São Paulo…

  32. Franciny Chequer Gonzalez

    Parecer turista em seu proprio país, ou estar a vontade NY, na verdade tudo isso depende do seu estado de espirito e também como vc se acha naquele lugar, morei em Rosario na Argentina e uma cidade pequena, cada quadra exatos 100 metros uma cdade plana e quando vc está no inicio dla ao fundo já avista o final da mesma, e mesmo assim se tornou meu lugar no mundo, mora hoje em São Paulo, e sempre aqui, e para falar a verdade nunca me encontrei aqui parece que minha bussula pessoal não funcinava aqui, mas lá foi diferente não tinha carro não vivia em um lugar confortavel, morava em alojamento estudantil, e mesmo assim acabei descobrindo quem de verdade eu era, pois não sabia, direito, andar sozinha pelas ruas, ir comer em um restaurante sozinha era uma coisa que me apavorava ficava pensando quando viu alguem comendo sozinho, eu achava que a pessoa era triste, mas isso foi um engano da minha parte pois naquele momento que fui comer sozinha eu descobri que era bom tinha um sentimento de paz comigo mesma, sabe depois da aula eu ia estudar nos monumento a Bandeira que tem muitos degrais e ficava lá sentada estudando comendo alguma coisa, e foram momentos maravilhosos pois eu se senti livre sem regras sem amarras ivre para descobrir de verdade quem eu sou, e nunca me senti uma estrangeira lá, tinha a nitidez em minha mente que eu era parte de lá, o que eu estou tentando falar e que vc pode nascer e se criar em ualquer lugar, mas não significa que vc se encontrou, eu as vezes me sinto um peixe fora da agua aqui, mas lá em nenhum momento tive esse sentimento, eu me sentia parte de lá , mas foi porque lá eu me encontrei cresci aprendi respeitar espaços, e até mesmo dividir pois morar em alojamento com muitas pessoas de muitos lugares, vc aprende muito e faz descobertas de quem e vc mesmo longe de pais irmãos etc, hoje eu sei com eu sou e me tornei mais forte, e mais tolerente e aprendi a fazer e cativar amigos e saber qual a importancia dessas amizades pois se tormam mais que sua familia, e por isso que quando alguem fala eu gosta de morar NY ou algum outro lugar, e nasceu em outro eu não estranho pois as vezes e ficando longe de todos e que vc fica mais perto de quem e vc mesmo.

    beijos a todos Gerald estou super feliz com vc, e Vampiro vc não respondeu nada referente ao meu pedido muitos bejos

  33. Danilo Oliveira

    “E ela sabe o que aconteceu com a ‘sua cara’ (com sotaque de Vila Nova Conceição)”;

    Me desculpe se estou enganado, mas creio que essa parte do texto um tanto desnecessária, deixando transparecer um certo bairrismo para alguém que adotou no Brasil a cidade do RJ para viver e que, em sua maioria, odeia o sotaque paulista. Acho que deveria deixar tal turista no “anonimato regional”. Paulistas são a maioria dos turistas em NY e em praticamente todas as outras partes do mundo, até natural pelo tamanho da população em relação aos outros estados, mas no momento em que você critica (ou faz uma observação) essa massificação de turistas em NY que não conhecem a maioria das origens do locais que visitam, deveria deixar claro que se tratam da maioria dos turistas em geral, de todas as partes do mundo. Espero que entenda o que quero dizer, só não achei o motivo de expor a “origem” de sua fonte de crítica (caso realmente seja uma crítica, tanto faz).

  34. Tene Cheba

    Bush, na minha opinião, tão somente minha foi um bom presidente, claro, pela perspectiva americana. Encarou com destreza assuntos em que os Clinton foram omissos, Osama uma grande evidência da falta de coragem em deixar de ser playboy. Bush foi vítima da História, seu governo foi premiado com um ataque certeiro que ´desestabilizou toda a sociedade americana, a liberdade foi a primeira vítima, os Estados Unidos constataram que seu território não era mais virgem, foi brutalmente penetrado por um sedutor e carismático terrorista, simbólicamente a estátua da Liberdade foi o alvo que não viu, mas acertou, mortalmente. Bush, fez o que Lula nunca faria e jamais fará, botou a mão na massa e começou a detonar.
    Entretanto, o grande vilão americano, o maior de todos, nem que a vaca tussa será comparado ao Putin, um mocinho carismático, inocente e simpático, se é assim que mundo o vê, então assim será. Quero um pastel de camarão e um caldo de cana, eta mundo bão, eta vidão.Os que choram por Saddam, deveriam chorar também pela suas adjacências, aliás, deveriam inundar com suas abundantes lágrimas todo o Índico, uma cobiça antiga dos russos. A Tzar o que é de Tzar.

  35. Agustinho Carrara

    Eai, alguém viu o Irineu por aqui?

  36. fhorylka.

    Nunca saí do Patropi, por isso tenho todos os cacoetes dos que pertencem aos países emergentes (tempos atrás era subdesenvolvidos).

    Confesso que gostaria de conhecer Nova Iorque, cenário de tantos filmes que vejo desde de moleque. Aos domingos em Irati, cidade do interior do Paraná só tinha uma casa de exibição.

    Quem assistiu o ótimo Cine Paradiso, poderá fazer uma ideia de como se davam as coisas. Nós, a piasada (no Paraná chamam garoto de piá.) , assistíamos tudo. O beijo nos filmes eram proibidos. Portanto, não existia censura, freiras e padres podiam ver tranquilos as películas.

    Mas o que nós gostávamos mesmo era os os filmes de Tarzan, lutando contra os nativos, o homem branco e os naturais da selva. O João Waine exterminando os índios, nós vibrávamos, torcendo para que matasse todos.

    Dia desses o Thomas escreveu sobre o Tio San, que ele era a nossa cara. Ela começava a ser moldada na nossa infância e, hoje faz parte do nosso subconsciente.

    Outra forte influência, foram as estórias em quadrinhos. A Família Marvel e o sinistro Dr. Silvana, que queria dominar o mundo. Mas na hora “h”, a família Marvel aparecia e salvava o Planeta. Os outros heróis eram os mesmos que estão aí até hoje. Super Homem, Batman e Robin, Tio Patinhas, Pato Donald e toda a turma. O mais engraçado era o Hortelino Troca Letra, que desapareceu do mapa.

    E quem estava por detras disso tudo: o simpaticão Tio San.

    Vou parar por aqui, porque a história é longa e ninguém aguenta mais textos longos.

  37. fhorylka.

    Em tempo: Hoje fico horrorizado de como pensavamos quando crianças.

  38. gthomas

    Franciny, onde vc nasceu? No Brasil?

    Sobre a questao do sotaque da Vila Nova Conceicao: um pequeno toque de humor, nada mais, Uma pequena tentativa de toque de humor assim como Nanini faz um nordestino no Bem Amado (fazia) agora que o teatro pegou fogo!
    LOVE
    G

  39. Paulo

    sotaque Vila Nova Conceicao eh uma piada! Sabia que a herdeira
    da fortuna do Onassis mora la? O predio em que ela mora se chama
    Chateau Margaux…

  40. Tene Cheba

    Pois é, exatamente essa overdose de cultura americana, é que a mim, desestimula completamente a conhecê-lo. Tenho a nítida sensação de que conheço tudo por lá e nada por aqui. Agora mesmo li, que o Obama foi derrotado pelo MacCain no primeiro debate na TV americana.Em uma de suas magníficas respostas, afirmou que o lado pessoal está dissociado do político(sic), ou, dois pensamentos em mesma idéia, como construir dois pensamentos em um mesmo cérebro? Não sabem? Eu também não, vamos perguntar ao notável e distinto candidato.Freud não explica, mas Lula explica, não importa a consistência, o que importa é ganhar. Meu gato pôs um ovo, puta que pariu(!!!), mas gatos não põe ovo, puta que pariu de novo!!!

  41. Sandra

    Está uma luta achar seu livro, Gerald.

  42. gthomas

    Sandra: eu te dou o livro pessoalmente em Sampa da proxima vez. A Livraria Cultura deveria ter mas o Herz eh um truque! Finge ser amigo mas eh da onca (com cedilha)
    LOVE
    G

  43. gthomas

    Tene: Eu nao sei quem e onde vc recebe tuas informacoes mas eu estou comecando a ficar triste: mais do que ja estava
    LOVE
    G
    mas tudo bem: aqui fala-se o que quiser!

  44. Tene Cheba

    Não Gerald Thomas, não estou inventando, de fato eu li, que o primeiro duelo na televisão, entre o Obama versus MacCain, este se saiu melhor do que àquele. Putz, não queria te aporrinhar em um momento tão triste para a sua Classe.

  45. Franciny Chequer Gonzalez

    Sim no Brasil em São Paulo, mas como fala a minha mãe eu não fui fabricada em São Paulo, ainda fui fabricada em Damasco, eu tinha um irmão mais velho que sim ele nasceu lá, e ainda tenho 2 irmãos mais novos esses sim foram fabricados no Brasil, e eu fui morar lá para o programa Angel pois na minha cabeça os meus pais foram covardes, e hoje eu sei que eles foram muito corajosos, mas quando fui morar em Rosario foi para estudar, fazer um curso de Marketing para países em crise, e também acho que foi para fugir de casa pois morar em alojamento com quase 40 pessoas e 5 banheiros, mas Gerald vc sabe quem e filho de Israelense Arabe Sirio, ele e criado como se fosse voltar para lá, com suas tradições, mas eu me considero meia a meia, beijos a todos

  46. gthomas

    Tene: nao se preocupe: Obama vai bem. McCain tem um unico drill: eh um POW e usa isso, martela isso sem parar: como eu fui torturado no Vietman. Mas olha, os dois sao AMERICANOS, assim como eu. No fundo, como diz meu parceiro Johh Hemingway, os dois serao encarregados de levar pra frente essa enorme CORPORACAO chamada America inc,

    nao aguento mais falar sobre isso: ja discuto isso o dia inteiro aqui e debato dentro do partido dem. Sim, esse eh um dia tristissmo. Mas teatros e paises em chamas se reerguem No 60 minutes de hoje uma materia CHOCANTE (mais uma) sobre DARFUR!

    Franciny: lindo isso de ser “fabricada em Damascus”, Tenho amigos na Syria e em Beirut e “achatar” a cara do inimigo eh uma das piores taticas dessa administracao. Tudo aquilo que fica pra la da grecia eh inimiga, a nao ser os sionistas e isso eh simplesmente um golpe e precisa ser DEBATIDO de forma calma e inteligente
    LOVE
    G

  47. Sandra

    Não tem na Livraria Cultura!!!! Foi o primeiro lugar onde procurei!!!!

    Franciny, também adorei o “fabricada em Damasco”!!

  48. Marden Bretas

    Só para informar às pessoas que procuraram e não encontraram.O livro está no nome dos organizadores.

    No site da Livraria Cultura,onde geralmente compro todo mês meu suprimento de livros.

    ENCENADOR DE SI MESMO, UM (em Portugues) (1996)
    FERNANDES, SILVIA / GUINSBURG, JACO
    PERSPECTIVA
    ARTES-TEATRO

    Preço = R$ 40,00

  49. gthomas

    Marden, obrigado pela info.
    Espero que a Sandra leia o comentario
    Ainda te devo o email.
    LOVE
    G

  50. Sandra

    Eu tinha achado, Gerald, mas não sabia que era o seu! Obrigada, Marden!

    Depois você autografa para mim, Gerald?

  51. Olá, sou Daniel, não o conheço muito bem, mas já ouvir falar muito! No entandoa a minha curiosidade e seria um ´prazer em conhecer você?! Saiba que dejeso tudo de bom para você e muita luz em seu caminho de seu novo e adimirador Daniel!.

  52. lú mmmmmmmmmmmmmmuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiitttttttttttttttttttttttttooooooooooo llllleeeeeeeeeggggaaaaallllll

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