Parte 9 da BlogNovela – a primeira novela pela internet

Parte 9 da BlogNovela – a primeira novela da internet

“Angústias, paradeiros Germânicos, Britânicos e uma britadeira na mão (a Brit, half a pint), sem buraco algum para ser aberto. “Um ser em aberto”

Refeito do desmaio, Gerald está, de fato, no palco do Bayerisches Staatschauspiel. No mesmo Cuvilies Theater onde, em 89, montou seu “Sturmspiel”, e em 90 – um mês e meio após a morte de Beckett – sua versão de “Warten auf Godot”. Pega um celular da T-Mobile da produção e liga para amigos em todas as partes do mundo. Liga tambem pra Dra. Paloma, agradece profundamente, e ouve o que não queria ouvir.

“Como assim Paloma a traveca era o…..? O Dylan? Mas…como assim?”

Paloma – “Fique tranquilo. Meu fone está sendo…grampeado. Estou usando um código porque você ainda não está bem. Não é exatamente o Dylan, “O” Bob per se, entende? Mas trata-se de um Zimmerman”… depois a gente fala com mais calma. A sala de espera aqui tá com mais de 180 pessoas me esperando por causa do tempo que eu perco com você, Gerald, agora que voce esta de pé, se vire!!!”

Abruptamente a ligação é interrompida. Com seus botões, zípperes e o pouco que sobra de sua mente, o autor perambula pelo palco daquele teatro barroco, rococó, e fica murmurando “Zimmerman (homem do quarto, homem do quarto) Zimmer Man” como se fosse um mantra, algo hipnótico.

Um parágrafo do episódio passado, antes do desmaio ainda martelava, BRITadeirava a sua cabeça:

“Ainda sentado na cama, sabendo que a autópsia da Paloma havia sido concluída, o autor estava aflito pra saber qual era, de fato, o instrumento da morte fake, se era no mais remoto estilo Orson Welles ou algo como nos filmes de John Waters. Afinal, era ou não um bafômetro, e se era, quem o colocou lá ou que tipo de fetiche era esse? Quem era o criminoso?” E aquela coisa toda com a Amy Winehouse? E aquele bilhete: “you are strapped, you are gagged, hooded and bounded to fail (e continuando em português) um garoto cego te entrega uma flor, e sai correndo e você sai correndo atrás dele. De repente os dois param.”. Wow. Que animador. Nada tem conclusão.

O seu production stage manager, um francês , querendo ser simpático (isso em si uma anomalia, um paradoxo, um oxímoro, um cunudrum) vem tentar tirar o autor do transe, e tenta comentar a última partida de Wimbledon entre Federer e…. o autor explode:

“Genet c’est pas!” (oops!). Genet? J’adore Genet mais je déteste le tennis! Je deteste le sport e me ‘sivuplaixodeon’ me deixe em paix!” Sim, o autor confessa sua ignorância em francês desde o dia em que pegou um táxi em Paris (na década de 80) e o taxista (e seu cachorro) lhe perguntaram se ele era “un Juif de lá provence” (um judeu da provincia)! Ora! Essa corrida (aí no Corida, o império dos sentidos), foi ótima, os três, autor, motorista e cachorro vieram do aeroporto Charles De Gaulle até a Rue du Buci parlando le paroles sem parar sobre a política Argelina e Senegalesa (num sotaque de judeu da província). Ai, ai TGV de George Marchais. Ai, ai o “Liberation” de Jean Paul Sarte. Ai, ai, ai os idealistas de 68, enquanto em Londres (dentro da cabeça do autor) era a contracultura, o Cream tocando, os Yardbirds, etc, Hendrix no UFO club. Era o Sid Barret ainda no início de carreira com o Pink Floyd. Tudo tão punk, tudo tão “cult”.

Ainda perambulando pelo palco, anotando algumas frases (já que não havia se preparado pra esse momento) (o elenco está nos camarins e na cantina), como:

– “Se voce estivesse vivo durante a Guerra, a Segunda Grande Guerra, ou na guerra do Vietnam, na guerra da Coréia, ou durante as atrocidades de Sarajevo e Kosovo, ou entre Sérvia e Croácia, e os Tchechenios e Russos e Ruanda e Darfour, ou o 11 de setembro ou, e se conseguisse se desvencilhar das memórias reais daquelas que vão se acumulando depois, se ‘depositando como um lixo pós-traumático’, talvez se perceba que não são esses exatamente os eventos que marcam realmente a tua vida. Como?

Texto – “Sim, as pedras que acumulei na vida, uma no Muro de Berlin e outra no 13 de setembro, porque em 11 de setembro o que restava do WTC ainda estava muito quente para ser tocado, e agora são lembranças que podemos contar, recontar, rememorar, tocar, nos mais mínimos detalhes e sem cairmos aos pedaços. Afinal, passamos por elas, não ficamos deformados. Existem exceções. Os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki e Dresden, e dos campos de concentração e dos gulags.”

O autor percebe que parte do elenco já está de volta ao palco, e que esse texto acima não é nada operístico e muito menos teatral. MERDA! Mas ele não quer montar uma ópera agora, e o Cuvilies não é palco de ópera e sim de teatro! Esse teatro fica a poucos metros da Hofoper de Wagner, esquina de Maximillianstrasse. “Ah a revolução Russa, olha no que deu”. Ontem, Gordon Brown sentava com o novo filho da Putin numa posição de desconforto total lá em Hokaido, na conferência do G8.”. Não, essas anotações não servem pra nada!

Um placar da cidade mostrava mais uma peça “Warum Warum” (porque, porque), dirigida por Peter Brook, anunciada no Schauschpielhaus na mesma semana passada em que ele estava se apresentando em Sampa. Brook virou uma franchise? Só porque alguém está baseado na França, vira uma “franchise”?

O canal “arte” mostra um lindo documentário sobre Villa Lobos: um tanto quanto naïve: “brasileiros não precisam fazer nada, sigam sua arte, ela é suficiente”: Bem isso antes de morrer em 59 e no auge de sua carreira, ao se apresentar no Carnegie Hall e gravar com a orquestra da Rádio Francesa…. Ah Lobos, um idealista, viveu e morreu pra sua Sinfonia Amazônica e as Bachianas Brasileiras, lindas, emocionantes: de chorar!

Segurando suas lágrimas e de volta ao país onde sempre acaba voltando (a origem de seu pai, sua avó) faz mais uma anotação enquanto percebe movimentação na coxia: ‘uma casa é uma casa, uma bomba é uma bomba, uma for, uma flor. Esse talvez seja o meu fim por escolha própria. Se eu morrer aqui estarei – em parte – feliz. Não, não estarei. Talvez em Weimar estivesse. Ou no Rio de Janeiro, ou em Londres ou em NY. Ser um nômade a minha vida inteira foi lindo e, ao mesmo tempo, terrível.

“Não consegui ser um Ghandi. Aliás, nem tentei. Não consegui escapar do meu próprio umbigo, mas pelo menos contei um pouco da história da minha era. Não sou diretor. Nunca mais irei dirigir nada que não seja da minha autoria”

O autor se vira pro elenco, olha um a um e, um pouco estarrecido da um passo prá trás.

Chama o production stage manager, e pede a lista de nomes do elenco e, com a vista um pouco turva vai lendo os nomes, um a um:

1 – Vampiro de Curitiba
2 – Sandra
3 – Carlos
4 – Gustavo
5 – Mau
6 – Valeria
7 – Ana Carolina
8 – Ana Peluso
9 – Contrera
10 – Lucio Jr, Rio MaynArt, Helen, Andrea N.

E assim por diante! “Não! NÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!!!” O autor sai correndo em direção a Marienplatz. Ninguém o ouve. É mais uma vez o berro silencioso de Munch.
Correndo em círculos ele cruza o pequeno riacho Isa, e entra pelo Deutsches Museum. Bate com a cabeça numa quina de hélice de helicóptero. Acorda.

O autor está numa cama em Zurich.
E assim, como em “Company”, de Beckett, ele ouve vozes “Voce está de costas no escuro. Voce está de costas no escuro quando uma voz vem, e te diz: você está deitado de costas no escuro. VOCÊ ESTÁ DEITADO DE COSTAS NO ESCURO QUANDO UMA VOZ VEM E TE DIZ….”

O autor, que já não entende mesmo mais nada, ouve movimentação do lado de fora. Está com náusea, mas com fome ao mesmo tempo. Entra alguém no quarto.

!!!!!!!!!!!!

87 Comments

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87 responses to “Parte 9 da BlogNovela – a primeira novela pela internet

  1. Sandra

    Você se superou…

  2. E isso não é um artigo??? Logico q sim. Eu volto depois…

  3. Lu

    uh, Munch.. no te oigo
    por um momento achei que zimmer era outra coisa… esses falsos cognatos…
    esse texto me fez lembrar de um amigo que cantava sobre botões e flores…
    and then again… essas pedras, cabem na palma da mão, não? mas pesam nas costas, for sure… de quem as joga, empilha, derruba, recolhe ou apenas encontra pelo caminho… não?
    voltar para um lugar, ouvir vozes e não enxergá-las, talvez seja mais desesperador que olhar o quadro de Munch e não escutar seu grito…
    Je ne sais pas…
    dreamed of you, G
    guess I miss ya
    take care

    Lu

  4. O Vampiro de Curitiba

    Pelamordedeus!, ninguém invente de pedir ao Gerald para ele falar sobre São Paulo.

  5. O Vampiro de Curitiba

    Sandra, estou rindo até agora com sua preocupação: “Eu nunca pensei que teria que ter compromisso com o público ao fazer um comentário.” Você é hilária, Sandra!

  6. Célia

    ser um nômade e ser do mundo!!!!

    Peter Brook e seus atores: com uma sutileza e um monólogo interior inacreditável…….faz rir, faz chorar……….comunga com quem vai assistir……………hoje com 83 anos, acredito que não pode mais acompanhar seu elenco pelo mundo…….entrega os em todos os cantos……..acho que a vida é realmente curta…vida longa aos grandes mestres, isso incluo vc!!!!!!!!!!!!!!!!
    Dra Paloma não saia do lado dele!!! please!

  7. Célia

    eu ia pedir!!!………… aquele comentário que ele escreveu no post anterior é muito bom!!! São Paulo tem uma realidade cruel que só o Gerald pra descrever tão bem……

  8. O Vampiro de Curitiba

    Eu também concordo que as experiências que de fato nos marcam são aquelas de caráter íntimo, individual. Uma simples palavra de alguém especial, num momento delicado, tem muitíssimo mais efeito sobre nós do que um atentado terrorista ou mesmo uma guerra. A “dor do Mundo” não é nada se comparada àquela dor particular. Não soube de ninguém que tenha se suicidado por alguma tragédia coletiva, no entanto, milhões tiraram a própria vida por um amor não correspondido. Somos estranhos, nós humanos!

  9. Célia

    Vamp eu não concordo……….quando caiu as torres em 11 de setembro…..eu fiquei muito mal mesmo……. eu até fiz um filho! acho impossível não sentir nada com tragédias…….entrar em pânico!! quando cai aviões a gente fica atormentado……….

  10. Um Poema para Moraleida

    Mautner queria fazer os ditirambos de Dionísio

    Em ritmo de rock

    Será que Nietzsche gostaria?

    O artista botando frutos envenenados

    Para matar as gralhas do jardim plantado

    À beira-mar.

    Todo mundo tem Jesus Cristo demais

    Inclusive quem estava falando que seu sangue era nobre demais

    & se limpou na carne de Dionísios

    E não na lamacenta água de Jesus Cristo pensante

    Sem pensar, pirando e engolindo a tragédia

    Aos pedaços

    Pensando aos pedaços

    Amando aos pedaços

    O pulo é a morte

    O pulo é a trama do Superman

    Que não trepa com a Mulher Maravilha

    A elite planetária aparece no desenho animado

    Colonizado & colorizado por computador

    & com puta dor

    A dor do parto póstumo

    A virgem recebeu o anjo

    Tendo entre as pernas o amor fati!
    A verdade é como uma vaca!

  11. Marcelo Moraes Caetano

    É uma enfermeira russa! A mesma que adormeceu lânguida e lividamente o manifestante anti-Putin. Delicadamente ela grta no idioma dos irmãos São Metódio e São Cirílico, búlgaros de gênese, russos reformados (sic): “Os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki e Dresden, e dos campos de concentração e dos gulags.”
    Gerald, saudades internéticas. Vim lhe dizer oi e gritar que acho que o problema do ser humano é: “o ser humano”. Exatamente como está aqui: “precedido de dois-pontos e entre aspas asquerosas”. Olhe o capitalismo e ver-se-á uma garra malévola travestida de Myckey-Mouse-Lúcifer. “Esperança? Esperança?” – Grita a aflita donzela em meio à morte. Responde-se-lhe:”Sim: o muro-de-Berlim-Belzebu”. Tragam o Rei dos Elfos! Tragam o Rei dos Elfos! – aturdida a klein Kind grita! Mein Vater, mein Vater! Será que esta merda vai acabar nos pântanos de Hades? Um torrencial grito de vertigem desmaia a apoplética sociedade livre nas fábulas de sua própria ciranda fatídica e piamente laica. Beijos, Gerald. Desejo-lhe tudo de bom, sempre, que t és zênite, como já lhe disse auparavant.

  12. Ana

    em primeiro lugar: que sabor tem seu texto! precisava dizer isso!

  13. Ana

    estamos todos perdidos dentro de nós mesmos. só fingimos interagir, e se contradizemos os bons modos, às vezes, é porque “estalamos” lá fora mais do que dentro. lá fora a chamada é instantânea porque os homens fingem uma pressa atrás de algo chamado dinheiro, que serve entre outras coisas, para sobreviver.
    cada um, à sua forma, nós do elenco, e nós do mundo, estamos perdidos num cenário labiríntico que foi de NYC até a Germânia, e não se sabe se virá para a Banânia (endossa-se, sim – não damos 3 dias e o Pita ganha habeas corpus)… enfim, estamos todos perdidos entre universos pessoais e o do autor, que surpreende cada vez mais pela audácia de mostrar o mundo quase trêmulo, como só ele… a entropia do globo restabelecerá o senso comum? – pergunta-se: aquela lista estilo Dóicódi não tá com cara de ser brincadeira… algum destino aquelas pessoas têm, e como estou inclusa, sugiro encontro embaixo do galpão. nos uniremos contra o narrador, antes que ele nos encerre de vez no texto.
    codinone sabiá
    câmbio.

  14. Ana

    audácia de mostrar o mundo quase trêmulo, como só ele…

    quase trêmulo, o mundo, ok?

  15. Ana

    Vamp, vai ver os atentados terroristas só acontecem – no sentido de ter autorização celestial; de poderem acontecer mesmo – para que saibamos que só as nossas dores não são suficiente, e que vendo outras, quem sabe, nos desapegamos das nossas…

    sim, pq. muitas vezes a dor é só uma questão de ponto de vista.

    às vezes, eu disse.

  16. Sandra

    Gerald, eu não sei se o texto é operístico ou teatral, mas levou-me as lágrimas.

    E como você mistura impressões tão dolorosas com tiradas tão humorísticas? É um dom.

    E num clima tão noir… Arrepiante…

  17. Ana

    nem eu mais aguento o meu mesmo blá, blá, blá de sempre.
    estou em crise.
    é o dinheiro, é o dinheiro, é o dinheiro.
    é o governo, são os ladrões da merda que compramos antecipada. chega. ninguém tá nem aí pra isso. foda-se se vai tudo mal e poderia ir bem. ninguém quer saber. muito menos quem provoca isso tudo. tá vendo? se deixar eu não paro. chega

  18. O Vampiro de Curitiba

    Calma, Ana! Aquela lista é apenas a lista de chamada! Gerald só vai dar um esporro coletivo, só isso!

  19. “Não sei mais como se é. E uma espécie de solidão de não-pertencer começou a me invadir como heras num muro.”

    CLARICE LISPECTOR

  20. Ana

    Vamp, eu tenho um quê para clandestinidade. Queria ter sido agente secreta. Eu assistia Mulher Biônica, Vamp… Depois meu sonho passou a ser ser da Cia, ou da Scotland Yard. Mas estou aqui, num blog, investigando a morte de Amy Whinehouse (para a imprensa), de uma traveca (para as amigas dela) (se vazar, para a imprensa também).
    Dra. Paloma concluiu o laudo da causa mortis: “… de forma que o bafômetro estava na transversal da jugular, lugar onde o Vampiro provavelmente morderia…”.
    Êpa! Vamp, onde você estava no dia em que o cadáver apareceu? Digo, na hora em que o cadáver desapareceu. Minutos e segundos.
    Vou checar. Já volto.

  21. O Vampiro de Curitiba

    Lucio Jr., Nietzsche tem tudo a ver com Rock. Por falar nisso, estava lendo a Blognovela ao som de Johnny Cash e Bob Dylan. Tá faltando Johnny Cash ressuscitar em plena blognovela.

  22. O Vampiro de Curitiba

    Ana, infelizmente a censura (patrulha petralha) do blog não permite que se fale em cena mais, digamos…íntimas. Não tenho nada a declarar com respeito à traveca. Me reservo ao direito de permanecer calado!

  23. Sandra

    Vamp, Gerald não dá esporro coletivo. Ele tem uma longa e triste conversa.

  24. Valéria

    Tô num liqïdificador…

    ‘…se depositando com um lixo pós-traumático”.

    Deus do céu, é tanto peso, tanta voz deformada ou em suspensão, tanta crise, tanta decisão a ser tomada: “Não sou diretor. Nunca mais irei dirigir nada que não seja da minha autoria”.

    Este peso-decisão provoca desmaios de todo tipo mesmo.

    E quantas vezes eu me sinto em condição de cadáver.
    Todo este redemunho que não vai parar me diz que realmente estamos em condição de cadáver…

    “L’immense fatigue des pierres…”

    Gerald, tô em fragmentos, é vertigem… Amy Winehouse, esta cena-destruição é difícil de ver…

    E quem se desvencilha destes ‘eventos’ que abrem abismos? Desvencilham-se pelas almas deformadas.
    O que realmente marca a sua vida se? “Esquecer, isso é o que nos salva”… ? enigma puro, não há decifração, e é Beckett na cabeça, esta voz…. há britadeiras… repetições.

    Nada a dizer.

    Nós somos, talvez, mais fendas que formas. “Um ser em aberto”. Que grita exílio.

    “Nada tem conclusão” mas às vezes tem decisões… Difíceis.

    “Why not sneeze Rose Sélavy?” “Genet c’est pas”

    Quem entra no quarto? Zimmerman? Genet c’est pas!

  25. sol

    aprisionado,preso por correias, encapuzado. algemado a nós por Beckett. Sampa tem suas Berlins. Aqui próximo mesmo chama-se rua Vergueiro Na biografia de Walter Clarck, lembra? diz: nasci na rua vergueiro o lugar mais triste que conheci na vida, uma rua sem vida, escura, onde nada acontecia…uma Berlin Oriental(ainda com muro)ela principia na anchieta e termina na liberdade(bairro) nesta área ficava o doi-codi destacamento de ope
    rações de informações – centro de operações de defesa interna. Doutrina de segurança nacional – National War College. Lobos , lágrimas , bachiana lindas Gerald, meu amor continue correndo atrás do menino da flôr, por favor. Você está deitado de costas nos porões escuros vem o torturador e diz em alemão..AMAZÔNIA

  26. Sandra

    Sampa, uma Berlin Oriental? A Sampa da década de 70… Não conheço Berlin, mas é como a imagino. Triste, cinza e sem esperanças. Não esse caos enlouquecedor de hoje.

  27. Valéria

    Vamp, me veio o Santos Dumont na cabeça… Ele ficou muito mal quando viu que o projeto dos sonhos dele, voar, estava seguindo um rumo pesadelesco, ser utilizado pra gerar destruição… Não se pode afirmar que a sua morte foi por causa disso, quem vai saber? Mas são camadas e camadas de ‘lixo’ que vão sendo depositadas em nós, e não dá pra afirmar o que foi o, digamos, catalisador…

  28. Valéria

    mas quem não torce pelo mundo de gente que passou por guerras, repletos de momentos horrorosos, como os listados pelo Gerald , para que eles ‘superem’ (como definir este verbo numa situação dessas?) ou consigam ‘viver’ de uma forma mais leve?

    E como se reconstruir a partir de? Uns fazem isso mexendo na ferida, deixando-a aberta, outras a tapam; não sei qual o certo, qual o ‘saudável’.

    E eles sabem que tudo vai continuar em algum outro lugar, todos nós sabemos. E o que fazer?

  29. Ana

    se é pra destacar, segue:

    – “Se voce estivesse vivo durante a Guerra, a Segunda Grande Guerra, ou na guerra do Vietnam, na guerra da Coréia, ou durante as atrocidades de Sarajevo e Kosovo, ou entre Sérvia e Croácia, e os Tchechenios e Russos e Ruanda e Darfour, ou o 11 de setembro ou, e se conseguisse se desvencilhar das memórias reais daquelas que vão se acumulando depois, se ‘depositando como um lixo pós-traumático’, talvez se perceba que não são esses exatamente os eventos que marcam realmente a tua vida. Como?

  30. Ana

    Gerald, vc se fragmentou. E com isso deixou todo mundo zonzo.

    Essa coisa de não ter conclusão… torna a novela mais viva ainda… só a vida não tem final feliz.

    Isso tudo tá muito interessante!

  31. Fernanda

    Vampiro de Curitiba
    Li e respondi o seu comentario.
    beijos,

    Gerald,
    Que quarto?
    Pra que o quarto no escuro?
    Quem entraria num quarto escuro?
    Pela porta?
    Pela janela?
    Será que querem matar o autor?

    “beijos a vc e a todo elenco,”

    Fernanda

  32. De agora em diante não darei mais opiniões. GT ordinateur du monde. This would be the day there a died…But vou mandar poemas…

    Mas continuo achando (vide Vallejo) que a traveca é o João Paulo II ressuscitado e (arre)matado, é uma traveca polaca e não um homem do quarto, um Zimmer-mann.

  33. Gerald, queria saber sua opinião sobre esse texto aí embaixo do Cláudio Duarte:

    O ensaio de Adorno sobre Beckett é uma de suas obras-primas. Apesar disso, como todo ensaio, ele propositalmente não esgota o assunto, mas abre o texto para outros (daí o nome.. Para compreender Fim de Partida), propondo uma porção de interrogações sobre o universo beckettiano, visto como um enigma. (Um pouco assim procedem também Candido e Schwarz em seus ensaios sobre Rosa e Machado).

    Imergindo nas formas, encontramos o elemento histórico. E quando buscamos as teias desse elemento histórico, encontramos detalhes importantes contidos nessas formas, que não aparecem, caso ficarmos somente procurando referências culturais, meio etéreas e muito universalizantes (“la condition humaine”), intralinguísticas, estilísticas, etc. (no diálogo intertexto p.ex.).

    Vou dar só um exemplo: Hamm e Clov, em Fim de Partida, tem menos a ver com alguma forma de universal pessimista (sobre o homem) do que sobre a situação da dominação social no momento em que a ratio do capital se autonomiza completamente, ao mesmo tempo em que expõe tal dominação como um casulo sem conteúdo e sem sentido; e lá onde parece estar tudo petrificado em sua recorrência eterna encontra-se o movimento e a possibilidade de antever que não precisaria mais ser assim. Fim de Partida é a história de uma ruptura objetiva prestes a acontecer, sempre virtual, mas que não se desata entre outros fatores pela inércia natural das relações, que constitui sujeitos fracos ou impotentes. Mas o dominante (Hamm) aparece tão ou mais dependente que o escravo (Clov). Ambos semi-mortos. Dito assim parece tosco, mas isso rende muito na análise formal: as elipses, as redundâncias, a pobreza intencional do vocabulário e do cenário, aliás, índice da destruição ecológica, o elemento satírico, a estrutura circular, etc.

    O Terry Eagleton tem um ensaio recente na New Left Review chamado Political Beckett. Não o li ainda, mas parece interessante para julgar se Adorno ainda vale ou não. O mesmo vale para o Kafka de Benjamin ou de Adorno. São obras-primas do ensaio do século XX.

  34. O Vampiro de Curitiba

    Fernanda, você além de ser muito simpática, é muito gentil. Beijos!

  35. Sandra

    Nós sobrevivemos às tragédias mundiais e às nossas próprias dores. Mas temo em pensar que há um monstro dentro de mim que poderia causar tanta dor a alguém. No capítulo anterior, Gerald citou Shooting an Elephant, de Orwell, onde um soldado mata um elefante sem necessidade, apenas para satisfazer ao clamor popular. Em 1984, também de Orwell, o personagem principal escapa da tortura traindo sua amiga. A traição consistia em desejar, COM SINCERIDADE, que ela estivesse em seu lugar. Será que eu machucaria alguém se não houvesse leis que controlassem meus sentimentos mesquinhos?

  36. Sandra

    Mas eu lavaria privadas no metrô e não entraria para um grupo neo-nazista. Ainda não seria isso que despertaria o tal monstro em mim.

  37. Geraldo acabei de criar meu blog e ainda estou trabalhando nele mas você como especialista não teria como dar uma olhada e me dizer o que acha?? bom já agradeço pela atenção

  38. Rio Maynart

    Gerald,meus parabéns! Esta parte 9 vc se elevou acima de tdos os andares do paraíso de Dante Alighieri!!! Eu só queria saber se vc realmente acordou e voltou para nós – nos chamando naquela lista (aliás, obrigada, meu nome consta nela.) – ou se vc sonhou enquanto estava “deitado de costas no escuro quando uma voz vem e te diz que você está deitado de costas no escuro”… e meio que insconciente, curtindo ainda um leve torpor, vc escreveu esse texto que, prá mim, foi o mais fascinante de todos (até agora…). Lindo, Gerald! Bravo!!!

    Eu te aplaudo em meio a um concerto de Vila-Lobos e Wagner juntos acompanhado pela viagem psicodélica do Pink Floyd, com o fascínio de uma letra louca, brilhante da esférica cabeça do Sid Barret. E ele nem chegou a ir ao The Dark Side Moon… acho que ele escolheu o lado claro da lua.

    Afinal, quem era o Zimmerman que a Dra Paloma dissecou?! Ainda bem que não era o Bob… Eu não suportaria. Seria ondas planetárias demais antes do sangue.

    E por falar em sangue, vejo e revejo o vampiro ainda chorando e pedindo blood,blood,blood,blood…

    Alguém esqueceu da Dra. Paloma na lista do Gerald. E logo ela que trabalhou tanto autopsiando o homem do quarto!!! Parece que ao som das bachianas nº 5 de Villa-Lobos…

    E eu ouvindo uma banda de nome Mountain… alguma coisa… cantando Echoes do Pink,enquanto o Gerald deitado de costas no escuro ouvindo uma voz que dizia que ele estava deitado de costas no escuro, num estado de pueril torpor, escrevia quase que inconsciente esta fascinante e encantada (Hasta ahora) parte 9 da nossa, digo, do Gerald, intensa blognovela.

    Acho que o próximo capítulo (parte 10) PROMEEETTTEEEEEE!!!… É só aguardar.

  39. Eu gostei da Berlin Oriental – a região metropolitan de SP é um absurdo desastroso. Eu falo porque aqui estou no inferno. Berlin – so conheço por “Win Wenders em Asas do Desejo”.

  40. Contrera

    9

    Eu não me lembro de você.
    Queria saber quem você é.
    Você é alguém?
    É alguém importante?

    Vejamos:
    O sr. é meu amigo?
    Está aqui porque é meu amigo?
    Está fazendo greve de fome por quê?
    Quer aumento?

    (parte de peça que estou fazendo e alguns adendos)

  41. É foi ridículo G8 plantando mudas de árvore – o Bush com aquela cara de esquilo – a alemã falando com Sarkozy (falavam cada qual em sua língua) essa foi a impressão – o russo rindo com o celular tocando no bolso do terno (era o filho da Putin chamando ele pra nao chegar em casa tarde) – Gordon Brown tbm parece cansado de chamarem por Tony Blair e ele ter de dizer (Blair se aposentou) o Berlusconni (bom, é um brincalhão – ainda nao resolveu o fedor de Napoles) e pensar que a Grande Roma está atolada em lixo.

    E depois, eles falaram – daqui a 40 anos a gente resolve o problema dos poluentes.

    EU NEM QUERIA MESMO SALVAR O MUNDO. EU VIVO EM MARTE GENTE.

  42. Gustavo

    Verdade. Tem que rolar um Folsom Prison Blues do Johnny Cash no final.

  43. Valéria

    primeiro o acontece a diáspora teatral sem qualquer motivo, aparente.

    depois o diretor sai horrorizado ao ler os nomes do elenco, fuga autoral/diretorial…

    Mas o diretor vai parar numa mesma instituição: num hospital … Só que em outro lugar do planeta…

    Puxa, haverá um reencontro? Um reencontro é um re-encontro?

  44. Enfim terei história. Meu nome está na lista. Espero que tudo seja em preto e branco. Quem sabe assim poderei ser publicado. Afinal, é preciso ter leitores…

    Mas eu escrevo nas paredes e nas rochas marcianas…

  45. gthomas

    Rio, terei que ser breve: estou embarcando (aqui nas Oropas sao 7 da manha). Paloma nao esta na lista porque eh com ela que falo no telefone e foi ela que desligou na minha cara por causa dos 180 pacientes na sala de espera,
    depois conversamos mais
    LOVE
    G

  46. Carlos

    Uma quasi-piada com copyright de Carlos, el Medio Inquisidor: de fato Bush estava lá com a enxada na mão no G8. As fotos comprovam. Primeiro ele recusou plantar a árvore, obviamente. Depois disseram que ele ia plantar Pinheiro e ele entendeu Dinheiro. Aí pegou a enxada rapidinho…

  47. Serei um leitor deste blog. Gostei.
    Rogério

  48. Ainda a novela ? Tá aproveitando pra escrever o proximo espetáculo, ou tá com muito tempo livre ?Desta vez nem deu pra ler a novela toda que tem campeonato de surf em Itamambuca, e vai estar bomobando de gente de fora, fui…

  49. Ana

    Gente hoje é feriado em SP. Dá pra acreditar??? Só aqui mesmo. Depois da minha conexão sumir pelas sempre mesmas 3 ou 4 horas na parte da manhã, cá estou. Desconfio que ela é agente dupla trabalha para o vizinho também. Mas não é gato, não, e por isso passei os últimos 40 minutos anotando números de protocolos e mais números de protocolos (um técnico vem amanhã).

    Vcs já notaram como o sistema gosta de números. Agora o RG não terá mais digital, mas será um RG digita.
    Já volto. Fiquei tão eufórica pela conexão voltar, que estou trêmula.

  50. Helen

    genial… genial…

    ge – ni – al…

    G. vc precisa deitar… no divã… hehehehe

  51. sol

    G, bom dia de trabalho, amor..

  52. Rio Maynart

    Meu diretor está nas “Oropas”… E eu aqui deitada no divã que Helen preparou prá ele… em mudo silêncio (“mudo silêncio”!!!! Huummmm… será que isso é pleonástico?!…), aguardando tranquilamente o próximo capítulo… NÃO PERCAM A PARTE 10 DA MINHA, DA SUA, DA NOSSA, MAS NA VERDADE, UNICAMENTE DO GERALD; ENFIM… DA MUITO, MUITO LOUCA FASCINANTE BLOGNOVELA!!!.

  53. Sandra

    Puxa… Dois dias para as pedras esfriarem… Terrível…

  54. Ana

    quem será que vai entrar no quarto no próximo capítulo?

    Che Guevara? La lutcha vale la tarimba de lutchar!

    Hebe Camargo? Que gracinha gente, olha essa menininha caída em algum lugar da blogNovela…!

    Sanguinetti? O laudo não está especificando sangue, mas sim catchup. E de marca duvidosa. Eu contesto.

    Paulo Maluf? Vamos colocar um viaduto sobre a blogNovela. Com os dizeres “Faço o estupro mas roubo que mato”

    Bush? Toldos serem terolristas Condy. Non facilitar com os Brasileirus… Mandar NASA vigiar Rôlcinha, e o exélcito atirar míssil em Bogoutá.

    Lula? Eu nunca soube de cadáver algum em blogNovela nenhuma. Aliás, companheiros, tem blogNovela e ninguém me avisa?

  55. Ana

    vixe, ninguém se manifestou… estou me sentindo só e acabrunhada. num canto. esquecida às resmas de capítulos não exibidos; sequer decorados.
    soube que minhas falas têm efeito de gás hilariante…
    sei lá, acho que vou ser sumida da blogNovela…

    (não reparem. estou sob efeito hipnótico)

  56. Carlos

    Palavra escrita: forma irregular e limitada de se expressar. Século XXI: a substituição gradual da comunicação oral pela forma escrita. Resultado: salve-se quem puder.
    Ana: muito engraçado!!! Bush foi demais!

  57. Sandra

    Ana, demais!!!!

  58. ……………………Gérald…! Chêga déssa blógNOVELA..! JÁ DEU NO SACO..! Você devia ter deixado o último capitulo, o 8 como final( que ficou o MELHÓR) e fechar no 9 com, sei lá, …….uma despedida,…um suicídio,……aí você decidi,claro….Tô perdendo a vontade de entrar no blóg por causa déssa tietagem que virô, isso aqui.

  59. Rio Maynart

    Nunca vi novela com apenas 9 capítulos… Qtos capítulos deve ter uma blogNovela?!!!…

    Acho que o Fábio morre de ciúmes do Gerald…

    Ana (sob efeito hipnótico) canta p/ o Fábio: “Mas eu me mordo de ciúmes, mas eu me mordo de ciúmes, mas eu me mordo de ciúmeeeeessss”…

  60. Hombre! Donde estas? Te Quiero:-)

  61. Ana

    Palavra escrita: forma irregular e limitada de se expressar.

    por quê, Carlos?

  62. gthomas

    John
    I just wrote you: stuck at the aiport in…..???? Not able to catch the plane in the right direction?????
    Well, the rest in private of course and for those of you who wonder, just buy the book STRANGE TRIBE
    LOVE
    G

  63. Carlos

    Ahh Ana, sabia que ia te provocar…”Irregular e limitada” dentro da fisiologia humana. A escrita deve ter começado como registro de alguma coisa. Algo tinha que ficar guardado na parede, não exatamente pra comunicar diretamente. Pra comunicar a rapaziada usava a voz; vem bem próximo, direto da cabeça pra boca, não precisava passar pelo braço, apanhar um lápis ou uma caneta bic, ver se o papyrus estava sequinho e aí sim iniciar o processo. Não mudou muita coisa. Claro…não me refiro ao artístico, ao criativo…desculpe não ter separado o joio do trigo. Não me refiro ao literário, ao poético, mas apenas ao simples ato de se comunicar com o outro. Já passou um dia todo tentando resolver um email que foi mal-interpretado e teve consequências desastrosas, sabendo que se fosse na forma oral a realidade teria sido outra…Coisas do cotidiano…minha revolta momentânea contra a palavra escrita…

  64. Fernanda

    PREZADO ELENCO,
    Vampiro, Ana, Sandra, e …(ainda não decorei todos os nomes, sorry)
    GT 10,

    Plano A – procurem o Gerald para dar continuidade a BLOGNOVELA, com urgência;

    Plano B- chamem outro autor para dar continuidade a novela;

    Plano C- entrem no quarto e vejam o que aconteceu!

    Plano D- Prêmio: US$1.000.000,00 para quem achar o autor. Vcs Podem pedir esta bagatela emprestada ao Dantas. Que tal?
    Gente, essa pequena quantia ele tem na gaveta do armário da empregada,

    PS: Vcs sabem que a audiência define o rumo das novelas!

  65. Ana

    Não, Carlos: eu vi exatamente como vc descreve: a escrita pela escrita, como forma de comunicação pura e simples.
    mas per quê? eu acho que ela dá conta do recado.

  66. Ana

    o cenário é labiríntico, o que sugere uma platéia suspensa. nos bastidores e camarins egos se agitam atrás do melhor papel. nunca se sabe o que se pode fazer com a mais imbecil das falas. dia após dia o texto é tecido por grandes e habilidosas mãos. até que num instante parece estar pronto. artistas em posição. acima deles vários olhos curiosos pela estória que nunca mais termina, inacabada. há dias em que é possível ver os artistas se alimentando em meio às cenas. noutros, tomando banho, dormindo em pé, até. sempre tem um que tenta entregar um bilhete a algum expectador. mas nós nunca pegamos. gostamos de pensar que os atores jamais poderão se comunicar com alguém de fora. e se confessarem presos. é o inusitado da audiência que nos impele ao comum.

  67. Ana

    errata do final: não nos impele ao incomum.

  68. Kurt

    (Viram, eu voltei; enquanto Jesus…)
    Assista aí, Gerald:

    Será que vamos chegar lá? Se chegarmos, como estaremos?

    http://videolog.uol.com.br/video?274957

  69. Sandra

    Descobri onde o Gerald está, Fernanda:

    “o buraco do espelho está fechado
    agora eu tenho que ficar aqui
    com um olho aberto, outro acordado
    no lado de lá onde eu caí

    pro lado de cá não tem acesso
    mesmo que me chamem pelo nome
    mesmo que admitam meu regresso
    toda vez que eu vou a porta some

    a janela some na parede
    a palavra de água se dissolve
    na palavra sede, a boca cede
    antes de falar, e não se ouve

    já tentei dormir a noite inteira
    quatro, cinco, seis da madrugada
    vou ficar ali nessa cadeira
    uma orelha alerta, outra ligada

    o buraco do espelho está fechado
    agora eu tenho que ficar agora
    fui pelo abandono abandonado
    aqui dentro do lado de fora ”

    (Edgard Scandurra e Arnaldo Antunes)

  70. Carlos

    Ana: você acha que a palavra escrita tem a mesma força de expressão da oral?? Deixemos o profissionalismo de lado e vamos aos fatos. Com certeza que não. Claro, podemos querer romantizar a realidade e dizer que “sim”. Nesse caso, porque aprendemos o som dos nomes antes de colocá-los no papel?

  71. Yes, stuck in Paris CDG and awaiting a flight to NYC at 8:30 in the manana. I will then take the BUS to Montreal!!!

  72. My AF flight gets in about 10:30. check out my new blog posting:-)

  73. gthomas

    Your blog is now attached to this one.
    All I have to do is click “John Hemingway” on this very blog and, CALL ME as soon as you get in.
    LOVE
    G

  74. Send me an email with your phone number. I don’t have it on me:-0

  75. Ana Carolina

    Por hora me calo.
    Só existe uma maneira de ver o mundo, mas nem todos que foram ao encotro da morte acreditavam nisso.
    Aqui na nossa pequena babel algemas estão sendo disfarçadas por paletos que carregam os mapas das fontes, as chaves das gavetas de tramóias e das portas dos quartinhos de empregada onde tudo rola.
    Será que você não está trancado em um desses? Estou cega, expirrou uma lasca de pedra no meu olho. Será que os pacientes de Dr. Paloma te sequestraram pra serem atendidos mais rápido.
    Cuidado, se for dinheiro que tem em baixo de você, tome muito cuidado com que vai entrar.
    Boa sorte.
    um beijo

  76. Valéria

    Puxa, Carlos e Sandra, tanto a forma escrita quanto a oral não dão conta do que quero dizer… daí escrevo e escrevo pra tentar dizer… Mas pra mim a escrita é um outro tipo de aventura, porque ela tem um outro fluxo, outra estrutura… Falar tb não é fácil, mas de uma certa forma é mais ‘natural’, e aí a gente diz ‘não é bem isso, quer dizer etc… Mas eu tenho que tá relaxada, aí fica melhor… Mas adoro ouvir as tentativas dos outros tb!

    Será que quem colocou a carta, não conseguiu dar o recado pro Gerald e agora veio pessoalmente??? E quem entrou no quarto? O homem perdido? Ou este John??? Stranger tribe…

    Ana C: tudo vai ficar como D’antas…

  77. Valéria

    Errei, era pro CARLOS e pra ANA!

  78. Sandra

    O Strange Tribe é sensacional!!!! Quem encomendar o seu, enquanto espera quase 2 meses para que ele chegue, pense que estou quase acabando de ler o meu, e morra de inveja!

  79. Gracias Sandra:-)

  80. Fernanda

    Sandra,

    A letra da musica é muito bonita!
    Preciso sair, aui são 10:30 da manhã.

    beijos e até

    Fernanda

    Onde vc encomendou o video?

  81. Fernanda

    Sandra, errei o livro!

  82. Sandra

    Puxa… Fiquei sem jeito…

  83. Sandra

    Fernanda, eu comprei pela Amazon, mas dá para encomendar pela Livraria Cultura também.

  84. Ana Carolina

    Valéria espero que aqui nada fique com D´antas!!!
    Gerald???????????
    GERAld?????? Cade o volume 10?????????????
    Socorro tá tudo muito chato, as novelas aqui sempre tem o mesmo final!!! Estamos anciosos por algo novo e confiamos em você.

  85. Júlia Hardy

    “Ser um nômade a minha vida inteira foi lindo e, ao mesmo tempo, terrível.”

    assino embaixo. isso também descreve a minha vida Gerald.
    quem sou eu? apenas uma ilustre desconhecida na busca de si mesma, se encontrando nos restos, nos escombros do mundo, na consciência de Gerald tão fragmentada como o elenco.

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