Nao existe mais o teatro, cinema, porra nenhuma assim como era

New York – No aviao da JAL vim lendo o "Incendio" que o Nanini havia me dado de presente (desde Londres). E hoje eh o aniversario de nosso melhor ator. E vim pensando na questao do ator.

Nanini eh Nanini e nao concorre a categoria de ator: eh um pensador de teatro. O ator, per se, perdeu completamente o sentido, assim como o bailarino ou o cineasta ou o diretor. Estamos ja – faz 8 anos – pra "dentro" desse seculo 21 e, no entanto , com toda essa nova tecnologia rasgando nossos tendoes do pensamento, nossas fronteiras, se limitam a pensar besteiras.

Ator? Aquele que interpreteta? Aquele que representa, que faz de conta, aquele que decora papel e que acaba sendo seduzido sentimentalmente por aquele ser que ele mesmo produziu? Quanta asneira.

Morremos. Alguns ainda nao entenderam.

Alguns custarao a entregar – de verdade – o bastao – e continuarao a ludibriar o publico nos festivais "Daniela Thomas na capa do JB d'outro dia (sim , Ziraldo, seu pai, eh o editor do Caderno) a colocou na capa falando pra atriz que ganhou o premio "querida, vc esta em nossos coracoes",

Deu saudade da Dani. O que vivemos e vivenciamos juntos. Nao sao coisas de serem jogadas fora. O dia em que batemos na casa do Sergio Mamberti e descobrimos que o Helio Oiticica estava morto. Os cafes interminaveis que tomavamos no Le Figaro ou no Reggio aqui no Village ou em Swiss Cottage (moravamos em Crouch End, lugar inospito!),

Saudades daquela franja que ela usava e a briga que eu tive com ela quando ficou uns dias mais na Alemanha visitando a irma, a Fabrizia e voltou pra NY de cabelos cortados.

Tudo isso antes do Fagundes colocar a gente num apart hotel que ficava em cima de uma churrascaria e onde hoje funciona o Satyros.

Mas porque a nao importancia do teatro assim como esta? Ou do cinema? Essas industrias podem continuar se perpetuando por mais "maus" 100 anos , mas e dai? E DAI?
Nenhum unico MINIMO impacto na sociedade. Sao clubinhos minimos que se bajulam, passam as maos nos ombros e cabeca num jigsaw puzzle politico pra lubrificar a maquina. Bobagem.

Reves-Lucao!

O ator revolucionario esta naquele que nao esta treinado com os truques repetitivos, assim como o politico revolucionario esta bombando e metendo medo por nao estar TREINADO a se "safar" atraves de jargoes.

Obama nao vai ter vida facil ate novembro.
O Brasil se perpetua atraves de uma CORJA patetica govervanemental e nem aguento mais falar sobre isso: mas ai, nas capitais brasileiras, que brincam que serem refugios de 1 mundo, nao passam de um 3 mundo corrupto,

O taxista que me trouxe, negro, investidor imobiliario, me chocou: "Nao gosto do Obama: gosto da Hillary. Quem estava por tras dos 8 anos de Bill no Oval Office?"

Como se fosse tao simples assim.

Hoje, o ex spokesperson da Casa Branca, Scott McLellan lancou um livro (mais um deles) dizendo COMO foi ludibriado, enebriado, embriagado pela Bubble de Washington e pelo fracasso de Bush , seu livro? "What Happened?"

Botou a boca no trombone

Estamos em plena era do cinismo. Esses sao os players na international arena, assim como Shakespeare. Ah, querem mostrar a pobrezinha brasileira pra circuito de festival, colocar um monte de grana na Cia das Letras pra que ela publique seus amigos Salles? Os Bancos brasileiros estao com tudo: mais nao sei quantas novas salas: es un filantropista de primeira.
Viva o Meirelles com sua Cegueira assumida num patamar arriscado! O do mainstream. Os atores hoje estao por tras das cameras e poucos se deram conta porque nao sabem quantos caralhos e bucetas uma puta tem que encarar por noite pra pagar seu aluguel EDICAO DE DOMINGO:
so problemas: Porto Rico vota por superdelegates depois que a Florida passou grande parte do dia ontem (junto com Michigan) tentando entrar num acordo (e entraram!) sobre quantos votos cada delegado teria!
Vai Scott MccLellan, diz pro povo, Tell them, spell out your guts, not only for publicity reasons! Tell them what were the real reasons for going into Iraq.
E agora Jose?
Stephen Toulmin deve poder explicar
Sera?
Ninguem mais explica porque os Republicanos estao messing around com a campanha democratica pra poder…em november…..
(nao preciso mais terminar any sentence, nao eh?
o Vamp ou o Carlos ou o Gustavo de Gainsville terminam por mim
estou numa tremenda exhaustao!
Bom domingo
LOVE
G
Gerald Thomas

comment
Oi, Gerald, deixo aqui uma sugestão para uma polêmica no blog: o gesto dos Kaiapós de passar o facão no engenheiro da Eletrobrás foi antropofágico? Para mim, foi. Abraços do Lúcio Jr.
Lúcio Jr

47 Comments

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47 responses to “Nao existe mais o teatro, cinema, porra nenhuma assim como era

  1. Ana

    Sandra! Deve haver mesmo algo em torno dos cabelos compridos, pq. quando eu cortava os meus, meu pai ADORAVA! E ele teve dois filhos homens, ou seja, não era nada em função de substituir inconscientemente. Eu acho que ele achava que eu ficava mais séria, pq. eu era terrível! Eu fazia altas mirabolâncias artísticas na frente dele, que era um sério jornalista. eheheh! Eu o deixava maluquinho! Ele dizia: “Monta um palco no quintal e vai se exibir lá, vai!” E o gozado é que o teatro profissional nunca me atraiu, mas o desenho, a filosofia e os papos sobre política. Acho que quando eu cortava os cabelos, ele achava que eu pararia se pular e dançar pela casa inteira. E até crescer, eu parava mesmo. Meus cabelos funcionavam como contra-peso do meu bailado solitário. Eu vivo dizendo que filho nasce com bula. Eu queria ter sido BAILARINA. Que coisa!

  2. Contrera

    no encontro entre a barbárie da civilização e a civilização da barbárie sempre há quem sirva de comida aos cortadores de cabeças. o que não significa que não deva existir porrete a demandar um limite entre as facas ou os canhões.

  3. Lúcio Jr] [Bom Despacho MG Brasil

    Oi, Gerald, deixo aqui uma sugestão para uma polêmica no blog: o gesto dos Kaiapós de passar o facão no engenheiro da Eletrobrás foi antropofágico?
    Para mim, foi.
    Abraços do Lúcio Jr.

  4. Contrera

    ainda valéria: sim, minha querida, aprecio todo esse seu processo, mas eu não consigo DESSA forma. eu estava num trajeto autodestrutivo, que me levava a considerar que amanhã talvez eu não estivesse mais aqui, e portanto corria com tudo como se realmente não fosse haver amanhã. hoje não estou mais BEM nessa, mas ainda não consigo dispensar tempo e esforço demais em ações coletivas em que o amor e a sincronicidade não consigam aflorar. ontem, no sarau, numa escola estadual, é incrível tudo o que surgiu, mas em condições abissais: quase nada de concreto – em literatura – a se aproveitar. o que nos resta hoje é a urgência de tentarmos aproveitar da vida aquilo que de mais básico podemos usufruir: o contato com seres humanos reais, em toda sua integridade. como conviver com paraguaias que não abrem a boca, com venezuelanos perdidos, com grupos de poetas saltimbancos, com equilibristas que deixam cair tudo – inclusive tochas! isso é realmente legal. gente que sem acreditar não sai de casa.

  5. Contrera

    valéria: adorável, vc. realmente, nossa geração, e outras, ainda, transmutam-se em “coisas” tão facilmente, não é. é como se não acreditassem realmente nos predicados que unem os seres humanos – a racionalidade, o amor, a liberdade – e precisassem apenas de uma desculpa qualquer – uma grana suficiente para afastarem-se uns dos outros – para caírem realmente no tacho da vala comum. disso, realmente, nenhum de nós está a salvo. basta fazermos sucesso, basta começarem a nos reconhecer e a acreditarmos nisso. gente como o francis bacon – o pintor – pareciam infensos a isso por haverem desistido de tudo há muitos, muitos anos – o rapazinho bacon vivia nos cassinos enquanto o pau dos nazistas começava a rolar solto (em vários sentidos – e nunca realmente parece haver levado a vida a sério. como iria, depois, levá-la a sério, então? mas uma pequena ressalva: os atores não são necessariamente pensadores: mas são seres humanos reflexivos: não podem simplesmente deixar passar tudo como se nada.

  6. Mau

    Tem uma meia duzia no mundo que sofrem pelo mundo. O resto tá é comendo churrasco (com madeira da amazonia) fodendo, bebendo, arrotando e dormindo. E a gente tomando psicotrópicos.

  7. Valéria] [RJ

    E ficou engraçado ler os comentários do Contrera e os da Sandra junto! E Vamp: ñ gostei da frase da semana… É, decepção tb existe no mundo aha ha ha. E ñ venha me dizer q vc ñ tem q agradar ninguém etc, estou comentando e só, tb ñ tenho q agradar…
    Boa viagem e bjim

  8. Valéria] [RJ

    Contrera: assino embaixo. E tô num processo assim, mas ñ num ensaio de 4 dias! Mto pelo contrário, a gente se encontra lê textos, conversa, ri mto, fofoca, faz cenas, traduz, enlouquece, vê entrevistas, pensa em si e na engrenagem do mundo e sei lá + o q; a pergunta é mto + como vamos nos dar do q no q vai dar; faço o q me deixa apaixonada, e sou movida a paixão pelas idéias, pelas pessoas q a tenham tb, q se enroscam em si e no mundo. Ñ sou vendedora, ñ tenho este talento. Ñ sei se leram a carta do Wagner no Globo; digo a ele: sabe qdo este assédio comercial, ridículo e violento vai parar? Qdo pararem de: receber prêmio das Contigos etc ou de se mostrar nas Caras etc, de irem a programinhas e sorrir. Eles se vendem e ñ têm consciência? Como podem ser atores? POis é, ñ são pensadores.Q façam sabendo q estão produtos e pensem a partir disso; fazem comerciais pra banco,bons vendedores, investem nisso, seduzem, ganham e gastam bem pra entrar nesta roda-gigante. Isso ñ vai parar NUNCA.Bjs

  9. Contrera

    acabo de começar um curso para palhaço. agora, vai? bj contrera

  10. Ana

    Contrera, acho que não me expliquei direito. Volto para comentar pq. meu PC-Maria-Fumaça tá começando a soltar fumaça de verdade. Um beijo

  11. Vera] [POA

    Ontem assisti uma entrevista da atriz que ganhou o premio e da história do filme( aliás não entendia nada do som nas cenas que passavam do filme) etc… Lembrava desse post do Gerald e me vinha uma ausência profunda de LOVE. Também não posso desfazer do que não conheço, mas vê-se sim, um tabuleiro com um joguinho armado, bem mais simples e linear que um jogo de xadrez, nesse mundo das artes, premios e dinheiros. Contrera,que bom saber dos teus caminhos.bjbj.

  12. Contrera

    vera: sou eu, querida. hoje, num sarau, trouxe isso à tona. é verdade. bj

  13. Marlio] [amsterdam

    Oi Geraldo,
    voce sabia que a Tiz Kussler morreu?
    Me escreve ai que mando mais detalhes.
    valeu.

  14. Vera] [POA

    Simples, autêntico, marcado pela subjetividade, alguém sabe onde fica isso?

  15. Sandra] [SP

    Mau e Contrera, eu não quero salvar o mundo não! Considero que dei uma boa aula quando meus alunos saem com questionamentos e crises. Amo o caos e a dúvida. Conhecem aquele trecho da oração de São Francisco que diz: onde houver dúvida, que eu leve a fé? Pois, onde houver fé, que eu leve a dúvida. Não tenho paciência para ensinar verdades, e, muito menos, para ouvi-las. Odeio peça-panfleto.

  16. Sandra] [SP

    Mudando para um assunto mais leve, qual será a simbologia por trás dos cabelos compridos femininos? Quando cortei os meus, meu pai respondeu meu efusivo bom-dia com um olhar fulminante, acompanhado de um ODIEI!!! Meus aluninhos ficaram indignados. Pensei: Na próxima fez faço uma enquete antes.

  17. Sandra] [SP

    Helena, só por ter feito essa observação, você mostra que não concorda com ela, e que seus valores estão acima disso.

  18. Sandra] [SP

    Contrera, você também deve ser o máximo como diretor, querido.

  19. Contrera

    Mau: porque a gente é assim, meu caro. somos uns otários! ahahah

  20. Mau

    Se o mundo nao pode ser mais salvo, porque insistimos (oun fingimos) em continuar salvando?????!!!!!!???!!!!

  21. Contrera

    que legal, não sou nada, e já há quem NÃO ME ENTENDA (ou que não consiga me expressar!!!)!!!! é o máximo! ahahahahah carinhos

  22. Contrera

    ana: leia de novo o que escrervi, se é que acha que estou contra alguém daqui. se não, bom, paciência. ahahahaha

  23. Ana

    Contrera: com jogos de força não se faz nada. Minto. Faz-se guerra. Com argumentos argumenta-se, mas pode ser que dê no mesmo fazer nada. Com arte faz-se tudo. Minto também quando digo que o ator “deveria” ser como uma cabaça ôca. Se ela for ôca e só ressoar, não há arte que perdure. Há que haver um núcleo ali, que – ao meu ver – não é alma do ator, nem o centro do ator, nem a personalidade do ator, nem a entrega do ator, nem a força, garra, coração, nada, nada. O núcleo é o ator. Com tudo isso e muito mais em seu núcleo. Então o ator é uma cabaça semi-ôca, tem um núcleo que ressoa arte. O resto é farelo de mesa de domingo. Se passa a faca sobre elas pra se entreter. bj.

  24. Contrera

    bom, com isso eu fiz minha parte ao tentar convidar ao debate. mas sabem, tô no fundo nem aí. todos meus projetos buscam destruir de dentro certas barreiras que querem me impor, primeiro em mentalidade, depois na prática. vai haver um momento em que começaremos a fazer algum barulho. e aí, sabem o que vão fazer? vão tentar comprar o que fazemos, ou nos comprar. sei que meu valor como artista é duvidoso. mas isso não me amedronta. a questão é que, pelo fato de conseguir enxergar valor onde ninguém – ou poucos – enxergam, e pelo fato de conseguir distinguir valor naquilo que de pouco se faz de interessante, eu não tô nem aí. o negócio é trilhar cada um seu caminho, e destruir as barreiras tão logo aparecem. eu, por exemplo, não acho que teatro é para ser apenas no palco. daí que muitos vão me chamar de filho da puta por questionar a festa das companhias que traçam a grana pública. ora, foda-se. eu não quero grana mas quando ela vier será só minha. para fazer mais bagunça. ahahah carinhos

  25. Sandra] [SP

    E, no Altas Horas, você não conseguiu dizer aos meninos para não serem atores, para não fazerem teatro, e, muito menos, para serem políticos corruptos.

  26. Contrera

    sim, o ator que se deixa seduzir por sua criação é um tolo. pois ele nada é, a não ser uma maquininha que nada quer expressar. quando se sente atingido, o que faz? ah, tem um orgasmo. ora, foda-se. eu disse isso ao meu ator, o brunno: “ah, tá emocionado? dane-se. não vai deixar de fazer seu papel. vc não é nada, ouviu, nada”. sim, as indústrias apenas se perpetuam. e por que? porque os dias delas estão contados. enquanto elas não se imiscuem a todas as novas tecnologias, o que elas são? apenas dinossauros que realmente só buscam se perpetuar, enquanto podem. hoje, as bandas (rock ou outra coisa) só ganham uma grana tocando ao vivo. voltamos à idade de ouro, em que só se impunha quem sabia fazer. e por que essas indústrias não atingem mais ninguém? por isso mesmo. ou alguém vê algo mais de assessorias de imprensa e outros interesses a ditarem as primeiras páginas dos cadernos ou revistinhas de aluguel? não falo à toa, trabalho nessa indústria. quanto ao obama, que porre são seus livros.

  27. Sandra] [SP

    Você deixou sua guarda lá embaixo: chorou, sangrou, despiu a alma. E FOI PARA O ATAQUE!!!! EM PELO!!! SEM ESCUDO!!! SEM MEDO!!! Essa é a energia que junho está lhe trazendo?

  28. Contrera

    mas, para não entronar-me como exemplo (que não sou), repito: é preciso questionar todas as barreiras invisíveis que destróem a busca pela arte que realmente consegue mudar (sim, muda) alguma coisa. e para isso é preciso sim, como diz o gerald, concluir que praticamente tudo o que existe deixou de ter função, na medida em que deixou de se direcionar a um fim palatável, esse fim pelo qual nós sempre ansiamos: a liberdade, a igualdade ou a fraternidade – ou qualquer outro. por que por exemplo os shows de música deixaram de comover? minha teoria é que eles se encastelaram num formato anódino, que nada quer dizer, que nada propõe atingir, realmente, nas PESSOAS, não me refiro ao público, que perco o respeito imediatamente em relação a grupos de gente. nesse sentido, precisamos romper essas barreiras, e dizer, com ação, que as coisas podem ser como queremos, e foda-se o resto. agora, tudo isso apenas com a arte, o aquilo que a gente gostaria de achar que é arte. o gerald toca mais fundo.

  29. Contrera

    foi essa juventude – no fundo, vontade de aparecer – e essa crença – algo de conflito de gerações também, afinal tenho o dobro da idade deles – que aparentemente levou-os a se submeterem à minha batuta? o resultado deu-se após apenas 4 ensaios. muito a fazer? claro. mas o que importa é que 1) eu não sou ator (e não estou sujeito aos dogmas do pessoal), 2) eu não sou escritor (idem), 3) eu não busco reconhecimento (como ambos), ou pelo menos não luto por isso, 4) eles não têm carreira (não têm nada a dever, portanto, ou a temer), 5) eles – por enquanto – não buscam ter uma carreira, 6) tudo foi feito assim meio de improviso, numa escola estadual, rompendo essa barreira invisível de que teatro se faz em teatros (não fizemos para os estudantes, saibam), 7) não houve divulgação, praticamente (no meu caso, erra irrelevante). foram umas 25 pessoas, apenas, alguns amigos meus, e de minha parte consegui 1) me expressar, 2) fazer um espetáculo marcante, 3) me descuidar do ESPETÁCULO. (cont)

  30. Helena

    tudo é grana…. e o que não é grana é quase sem nome
    beijo Gerald

  31. Contrera

    já o cara que acredita, o que tem de fazer (como aliás sempre aconteceu)? destruir qualquer barreira. qualquer barreira à expressão para questionar todas as barreiras criadas pelas corporações e pelo corporativismo. os atores, em geral o que fazem atualmente? adaptam-se para poder aparecer. ora apostam em algum diretor que pode lhes dar “aquele papel”, mesmo que artisticamente esse papel não tenha valor algum, ora se sujeitam a métodos de produção que de algo lhes SERVE. ou seja, entram no esquema. quando se tocam, esses atores percebem-se vendidos, sem que nada os consiga tocar, lá no fundo. passam a categorizar tudo e a apostar em nada. na verdade, só apo$tam. os outros, para eles, são losers, fracassados, gente que insiste em ideais carcomidos pelas traças. eles, são vencedore$, quando são apenas venDedore$. bom, vocês sabem que fiz minha primeira peça. só a sincronicidade junguiana conseguiria explicar como conseguimos realizá-la. mas houve mais. houve juventude e algo de crença.

  32. Contrera

    Ana: o Gerald tá certíssimo. mas discordo é com sua insistência (dele) em perder tempo lutando contra moinhos de vento que ninguém mais defende como se deveria (com argumentos, ao invés de com jogo de forças).
    hoje, em que tudo muda de forma tão rápida e ao mesmo tempo sorrateira, tanto faz, para defender coisas do espírito (refiro-me às artes, como sempre devem ser encenadas) trabalhar como encanador, office-boy, carpinteiro, designer, cenógrafo, diretor, jornalista, engenheiro, etc. ou mesmo ator. hoje, só defende seu mercado quem quer defender sua grana. enquanto essas categorias não são ameaçadas, elas seguem o ritmo do mercado, e neste qualquer putaria vende muito e faz todo mundo ser aceito socialmente. mas e a arte? a arte, ora, foda-se. é por isso que a prostituição rola solta, refiro-me à putaria em todas as profissões, à ausência de ideais, à ausência daquilo por que lutar, à derrota por acquiesência em relação a qualquer coisa. (cont)

  33. Sandra] [SP

    Eu não posso dizer nada quanto ao filme de Meirelles, mas o livro é fantástico. Aliás, Saramago escreve MUITO.

  34. Sandra] [SP

    Lembro-me quando o Teatro Municipal passou por uma longa reforma. Quando ficou pronto, o Mappin, que ficava em frente, colocou uma propaganda nos jornais que dizia “Estávamos com saudades da música do vizinho”. Eu estava com saudades dos seus maravilhosos textos, Gerald.

  35. fábio] [são paulo

    ………!!!!!!!!!!!!!!………..
    (ólhos arregalados na frente do monitor)

  36. O Vampiro de Curitiba

    Gerald, e a Fabiana, vai bem?
    Lilian, você acaba de ganhar a “Frase da Semana”, parabéns, boca suja!

  37. Valéria] [RJ

    Gerald, talvez a gente ainda ñ tenha nascido pra tudo isso; e a gente se anuncia, se enterra, se venera e chora;nosso tiroteio de idéias capengas q nascem e morrem dentro da gente todos os dias é a única coisa q talvez nos faça viver. O resto é sem sentido, i.é, ñ tem um só sentido. E o q vc fala já li em outros pensadores de tantas eras diversas; estamos num matadouro e num bebedouro. É um confronto diário, um julgar diário, só resta saber de onde, e só, pra desviar. E daí? Viver isso até morrer; uns se cegam, são cegos, uns tateiam pela cegueira outros pela luz; se vêem cegos, cegam; cegos e egos aos montes por aí. Impacto? Pacto. Estamos em pactos e só.
    Mau,o q vc falou: “e passei a amar a ausência (como é dificil amar na presença)” é uma ação q se repete em mtos momentos em mtos de nós; qual o nosso pacto com tudo isso? Tamos em pacto, sob impacto, como patos, mas em pathos. E é tolice a gente se assombrar com o q há, é acreditar num mito de progresso, é ñ ser pensante; q fazer?

  38. Lilian] [Ipatinga / MG

    quantos caralhos e bucetas ? já que o negocio também é representar ?

  39. Alexandre Vargas] [não gosto de passaporte

    Quando o ator sair de sua clandestinidade especulativa e se por a falar, é preciso saber que a sua voz soara mais rouc e caustica do que em suas construções sistematicas, mas também mais serena, mais tragica, mais alegre. Se tivermos o privilégio de ouvir essa voz, sera um exercicio de rara beleza, que nos fara flagrar o possivel e o intoleravel a partir de um pensamento pleno de humor e jamais divorciado da vida.

  40. Ana

    Quando se percebe que a imparcialidade desprovida de qualquer contexto retórico é um conceito vazio, penso que o “ator” deveria ser imparcial em lato sensu.

  41. Ana

    Por que falsos dilemas, Contrera?

  42. Ana

    O ator não morreu. Foi transformando pelo mesmo mainstream: grana. A palavra ator (ao contrário do que pensamos daquela tradução que te enviei) está sendo usada para políticos. Ator=sujeito da AÇÃO, o que atua, sem necessariamente representar. Imagino que tenha mesmo saudades de épocas memoráveis, mas esta também é uma época memorável, mas só vamos perceber quando ela passar. Ora, que merda: os atores de hoje estrapolam o verbo representar. Representam um texto com ou sem contextos. Tudo se tornou uma abobrinha sem semente, mas se vê “atuações” (agora as aspas cabem à nós, que estamos falando de teatro) memoráveis, como as do Nanini e outros poucos. Entendo tanto de teatro quanto entendo de construção civil, mas é notória a necessidade de um andar estar sobre o outro e não ao lado do outro, para se fazer um prédio de X andares. (Ct.)

  43. Ana

    No caso do “ator” (“encenador” (de um texto), colocado em cena) é necessária a devolução de tudo o que o mundo ensinou. É necessária a nudez. É necessária estar vazio para entrar o que é preciso. Ao meu ver, isso não tem nada a ver com ter, ou não, técnica. Ela pode ser dispensada junto com o conteúdo da mente no instante de “encenar” tal personagem. O que eu percebo VISCERALMENTE é que “atuar” tem muito mais ver com situações de ressonâncias do que qualquer outra coisa (sim, estou falando de Sheldrake; eu li seu pensamento). Um “ator” deveria ser uma cabaça (no momento de encenar, uma cabaça ôca) onde tudo pode ressoar. De alfha a zênite. E por aí vai.

  44. Contrera

    falsos dilemas.

  45. Sandra] [SP

    Gerald, como você está elevado… Que coisa impressionante!!! Não se conforma com gente que quer tão pouco da vida. O seu nível de exigência com seu trabalho está lá no alto!! Tê-lo como diretor deve ser uma experiência única. Você deve fazer com que cada um se expanda até o máximo do seu potencial, e ainda vá um pouco além. Que pena, que verdadeira lástima que a platéia do RS tenha fechado tanto a guarda. Conhecendo o grau de erudição e a habilidade de argumentação de sua gente, que verdadeiro salto quântico eles não poderiam ter dado. Quem sabe agora, que você abriu, ou melhor, escancarou sua guarda, revelando o quanto é maravilhoso, eles não percebam que sua mensagem é de amor e elevação e não de ódio, e venham somar conosco.

  46. Mau

    Vou ficar com o lado mais impessoal (ao mesmo tempo mais pessoal) do texto – suas saudades. Sua saudade parece com a minha, qdo fiz a escolha pela solidão – larguei um certo alguem (de Tókio) e passei a amar a ausencia (como é dificil amar na presença) – é isso que percebo em suas palavras. Eu vivi e vivo assim.

  47. jhyubfhhvbgyuyu hy yy na ta li a esta enviando essa mensagem em escrita indigena para vc vim a minha cidade campinas ue tenho seu dvd e quero que vc venha pra minha cidade fazer um chou.

    bjus e abraços
    nathy

    te amo amo sua vos vitor e sua tabém leo xau

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