falamos e falamos mas O QUE FAZEMOS????


– Hiroshima após o ataque nuclear sofrido em 6 de agosto de 1945 –
– foto colhida na net –

Todos nos, de uma forma ou de outra, falamos ou escrevemos de barriga cheia. Eh muito facil: dizemos tudo o que dizemos – ja que as nossas preocupacoes sao, em grande parte, masturbacoes. Masturbacoes politicas e grandes, exuberantes e hiperberbolicas hipocondrias da vida cotidiana, sejam elas de ordem social, politico-social, sejam elas de ordem "ambiental", mundo verde, ou global warming ou coisa e tal.

Mas a pergunta persiste: qual de nos que escrevemos nesse espaco DE FATO mete a mao na merda ou tem contato com a miseria humana? Vou perguntar de novo: quem, de nos aqui, atras dos nossos computers, sabe o que eh, DE FATO, ser carbonizado numa camara de gas (ou tem parente que foi?) ou estar numa rua em que um suicide bomber aperta o cinto e reza pra Alah e BOOOOMMMM!!!!????!!

Alguem tem nocao do que eh ou seria isso????? Pois eh, eu, muitas vezes tambem nao, ja que o que acho que sei eh DE OUVIR FALAR!!!!!

Pergunto de novo? E sou muito sincero na minha pergunta! Em relacao a Barack Obama e John McCain nao me assusta nem um pouco quando a tatica do terror eh usada nas campanhas politicas porque as pessoas DE FATO SENTEM MEDO.

SENTI ISSO NO VOO DE VOLTA PRA NY ONTEM, vindo numa merdinha de um MD88 da Delta que nao pousava no JFK, e fomos parar em Connecticut. Seguranca eh a PRIMEIRA COISA na cabeca das pessoas.

OUTRO EXEMPLO: a cada duas geracoes, PELO MENOS UMA, (vou repetir) pelo menos UMA sabe o que eh FOME: sabe o que CRASH, sabe o que eh estar numa FILA de desempregos e sabe o que eh a MISERIA.

Ninguem que escreve aqui sabe disso. Eu so sei porque meu pai me contava como era a Berlin dele, quando ele era crianca em 1929. Eu so sei porque a vejo de longe ou porque – de vez em quando – dou aula de teatro nas favelas.

Meu pai carregava uma mala de dinheiro e trazia um pedaco de pao pra casa, isso na Alemanha de 1929.

Ou, nao sabemos o que eh uma Dresden completamente destruida. Uma Hiroshima completamente destruida. Uma Baghdad parcialmente destruida: vidas humanas achatadas, aniquiladas pra que? Pra mostrar PODER! O poder!

e…uma geracao depois o que resta eh …a retorica, os oradores, os jogadores profissionais da semantica! E tudo isso em nome de uma agenda ou de um deus ou em nome de uma grana preta!

Entao, vamos com calma gente.

E fiz o meu trabalho na Amnesty International: sei como eh, juro que sei. Mas nao me gabo disso!

Nao vamos nos insultar uns aos outros: a maioria se esconde atras de codinomes, mas a depressao acaba eh aqui, digo COMIGO aqui.

Pode ser tudo muito engracado pra voces. Pra mim, infelizmente (que nao traio o sigilo de ninguem) nao eh!

LOVE

Gerald

BRAVO !
[O Vampiro de Curitiba]
Como eu disse no post abaixo, poderíamos ter evitado tantos insultos. Acho o debate válido, mas com argumentos, não com ataques pessoais. Idéias se combatem com idéias. Valores com valores. Nada justifica esse clima de guerra que querem impôr ao blog, exigindo que cada qual se posicione, tome partido. Nem ao menos nos conhecemos, não há o porquê de tanto ódio. Acho engraçado alguns comentários do Fábio, por exemplo. Mas daí a chamar os outros de "burros" só por não pensarem da mesma forma, há uma grande distância. Se alguém não gostar daquilo que escrevo, tem todo o direito de usar argumentos contrários. Se não quiser usar argumentos, tem todo o direito de me ignorar. Mas devemos, preferencialmente, comentar os assuntos colocados pelo Gerald, não fazer comentários em cima de comentários. Com alguns eu tenho a liberdade de discordar francamente pois sei que reagirão da maneira adequada, como a Ana, a Valéria, a Sandra. Não somos inimigos, acredito que temos mais em comum que diferenças.

do Carlos
[Carlos] [US] Vão aqui duas mensagens em dois blocos separados: 1- os blogs caminham rápido demais. Até entendo a ânsia de escrever e comentar sem a preocupação de investigar mais sobre o que se diz. Funciona maravilhosamente bem quando o assunto é Deus, afinal é o que eu chamo tópico-avestruz: tudo desce goela abaixo. Mas quando envolve história, movimentos sociais, fatos, contra-fatos, datas, números, eventos, daí fica um pouco mais complicado querer comentar tudo achando que está dando uma aula de história. Na maioria das vezes, vem é de um microcosmo totalmente parcial, incompleto e inevitavelmente distorcido. Com um pouco de "pesquisa" imparcial talvez pudesse evitar tamanhas trivialidades. Bem, esse foi o post bacaninha. Agora segue post mais complicado.Eu discordei da análise que considerei leviana e protestei quando vi a mensagem em destaque e algumas pessoas concordando com as afirmações. Não vi ódio nenhum nas mensagens que seguiram. A Ana Carolina não usou do ódio pra argumentar. O que houve sim, infelizmente mais uma vez, é esse uso da vitimização.Fica complicado assim.Não entendi essa de que devemos nos comunicar preferencialmente com os comentários colocados pelo Gerald. O próprio Gerald tinha sugerido que colocássemos nós alguns tópicos. Mas será que isso já desapareceu?Será que semana passada já é longe demais e o negócio é como alguns sugeriram, olhar apenas pro futuro?Se eu aceitar a retórica que li aqui recentemente e que nem comentei, significa que Hiroshima deve ser esquecida também?Não, nunca passei fome, mas seguindo o formato da mensagem da Ana, venho de família de imigrantes famintos que deixaram a Europa na guerra com uma mão na frente e outra atrás e foram dormir sobre o capim na terra prometida, o Brasil Carlos (US)

Claudia Terra
(Claudia)] [SP] A Madona, faz com que eu sinta, uma impotência absurda. C.

Ih…
O Vampiro de Curitiba]
Claudia Terra, engraçado, a Madona me provoca tudo, menos impotência…

Fabio Fabio….(sobre o Post nada….mas….o que fazer ne?)
fabio] [são paulo]
É engraçado, né..!? A "vampira" parece uma "putinha"…!, na hóra do comentário, éla désce a "bolsinha" com toda FORÇA..! Aí, quando éla ouve a "SIRENE" da "policia" chegando, éla córre pro "beco", se tróca e vem vestidinha de " FRÊiRA"..!com a "bliblia" na mão fazendo uma PRÉCE..!!tóma vergonha néssa cara, meu!
Fabio

Entao ta, engulam essa!
O Vampiro de Curitiba]
Já que o Carlos e o Fábio não falam outra coisa senão do blog do Reinaldo Azevedo, lá tem um ótimo post sobre Obama. "Obama e o peso do passado". Acho que vale a pena para enriquecer o debate.
Vamp

Eu, Gerald: Sobre Nagasaki, Hiroshima, Dresden, Brasil hoje….nada! Sobre o que Fazer ou "O QUE FAZER?" nada. Tudo bem, vamos continuar nessa. Nao vejo muita razao nisso, mesmo porque, como ja dizia o dono da cervejaria de Boston Samuel Adams: Taste is something so peculiar that it's not debatable. (Gosto eh algo tao peculiar que nao se pode discutir)
O artigo sobre Miami continua aqui embaixo. E valido. Esse breve desabafo foi, desculpem, um mero desabafo: Em emails particullares alguns de voces acharam que nao era pra tanto. Acho que, talvez, tinham razao. Mas. el debate continua
LOVE
G

Claudia Terra (designer)
VAMPIRO DE CURITIBA: O MEU COMETÁRIO SE REFERE A UMA IMAGEM QUE O GERALD COLOCOU ONTEM, E ACABOU TROCANDO PELA ATUAL. A MADONA A QUE ME REFERI, É UMA MULHER COM UMA CRIANÇA MORRENDO DE FOME..SIMBOLO ATUAL DA AFRICA… REALMENTE ERA ALGO DE CAUSAR, INCOMODO, DESCONFORTO E MUITA TRISTEZA. Ela é com certeza o OPOSTO da Madona que voce se refere,e se voce tivesse visto ela também, te provocaria TUDO. Releia, teu próprio tópico…."Idéias se combatem com idéias, e valores com valores"…. Desculpe, mas neste caso, voce nem sabe "DO QUE", está falando. C.

GT: eh, a Ana mudou as fotos; por um meia hora tinha sim uma Madona com um filho esqueletico nos bracos! Eh disso que a Claudia estava falando. C: eu tambem achei estranho!

[Sandra]
Gerald, imagino você dando aula. Quando minhas classes estão um pouco indóceis, o máximo que faço é berrar no microfone ou posicioná-lo para dar microfonia, ou raspar a unha no quadro-negro. Aí agradeço pela atenção e prossigo a aula. Acho que você mostraria alguns cartazes com Hiroshima destruída, campos de concentração,… diria aos alunos como eles são privilegiados de poderem usufruir de sua aula, em vez de estarem naqueles lugares, sempre lembrando-os que uma em cada duas gerações passa fome: Qual será? A sua? A de seus filhos? Depois mandaria-os fazer uma redação de 100 linhas de como aquele gesto de indisciplina tornou o mundo um pouquinho pior, e acrescentaria: São 100 linhas mesmo, hein? (Pode deixar!!! Eles têm noção do perigo!). Acabaram? Então queimem o papel e misturem as cinzas à água. Vai ajudá-los a interiorizar o aprendizado! E depois, a despedida carinhosa: Bem, por hoje chega, né? Amanhã tem mais!
Sandra

do Carlos (US)
Pensei que com o chacoalhão virtual algumas informações aqui colocadas não sofreriam da barbárie da simplificação mais uma vez. Eis que me engano novamente. O Banco dos Pobres é uma iniciativa séria, e não deve ser avacalhada como foi. Talvez o próprio nome do banco ofenda aos ouvidos que preferem palavras como Perrier, Moe & Chandon, etc. O problema dos que usam a viseira capitalista selvagem é que ou se prega o ideal da riqueza, no sentido de possuir cada vez mais coisas, ou não interessa. Esse é o grande erro, um erro que tem reflexos trágicos na sociedade e no meio ambiente.Sabemos que a cultura do ganhar cada vez mais, lucrar mais e mais, é a ordem do dia. Está bem claro que o joguinho do crescimento mundial vai chegar ao fim cedo ou tarde. Em meio a essa orgia, o Banco dos Pobres não propõe fazer ricos, propõe menos desigualdade, "apenas" isso. Sandra: se você não consegue diferenciar minha "birrinha" da vitimização banal é porque estamos de fato escrevendo em idiomas diferentes.
Carlos

do Vamp sobre o manifesto
Pô, Gerald! Você assinou o manisfesto contra as cotas raciais e não nos falou nada? Parabéns, fico muitíssimo orgulhoso! Sempre fui contra essa aberração. No início nos chamavam de racistas, preconceituosos, esse papo de sempre. Hoje, são os próprios negros que querem apenas igualdade e não ser tratados como deficientes, como pessoas que precisam ser diferenciadas. Parabéns, Gerald! De coração mesmo! Sei que precisa de coragem para essa atitude. São com atitudes como essa que se muda o mundo. Pôxa, me sentí muito orgulhoso por você! Você me emociona, cara! Parabéns!
O Vampiro de Curitiba

EU: Quando a Sandra me perguntou hoje sobre o manifesto, nao entendi. Agora o Vamp mencionou de novo e a ficha caiu! Eh o seguinte: o Reinaldo Azevedo me apresentou a esse manifesto!, mais ou menos ha umas 3 semanas e eu coloquei meu nome la, em total confianca nele.
Obrigado Vamp.

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45 responses to “falamos e falamos mas O QUE FAZEMOS????

  1. Sandra

    Gilda, eu sei!!!! Já levei alguns puxões de orelha! Merecidos, admito! Pior que foram maravilhosos! Desses, que elevam o espírito!

  2. GILDA] [RIO

    SANDRA,
    ADOREI O QUE ESCREVEU SOBRE G DANDO AULA. Só agora vi que vc tb é profa. E olha, não precisa ser alno para ter nocao do pedigo não. Quando morava em NY,cruzei várias vezes com G, e apesar de ter assistido a peças, ensaios, etc, nem olhava para ele, morria de medo de me perguntar algo e eu não saber responder e tomar uma “IGNORANTE” PELA FUÇA. Mas ele não é nada disso, ou melhor é, bate forte, mas só pra doer um pouquinho e não para machucar. Prá machucar só faz com quem realmente MERECE. É com rapadura: é duro mais é doce!
    beijos para ambos vc e G!
    Namastê
    Gilda

  3. O Vampiro de Curitiba

    Pô, Gerald! Você assinou o manisfesto contra as cotas raciais e não nos falou nada? Parabéns, fico muitíssimo orgulhoso! Sempre fui contra essa aberração. No início nos chamavam de racistas, preconceituosos, esse papo de sempre. Hoje, são os próprios negros que querem apenas igualdade e não ser tratados como deficientes, como pessoas que precisam ser diferenciadas. Parabéns, Gerald! De coração mesmo! Sei que precisa de coragem para essa atitude. São com atitudes como essa que se muda o mundo. Pôxa, me sentí muito orgulhoso por você! Você me emociona, cara! Parabéns!

  4. Carlos] [US

    Pensei que com o chacoalhão virtual algumas informações aqui colocadas não sofreriam da barbárie da simplificação mais uma vez. Eis que me engano novamente. O Banco dos Pobres é uma iniciativa séria, e não deve ser avacalhada como foi. Talvez o próprio nome do banco ofenda aos ouvidos que preferem palavras como Perrier, Moe & Chandon, etc. O problema dos que usam a viseira capitalista selvagem é que ou se prega o ideal da riqueza, no sentido de possuir cada vez mais coisas, ou não interessa. Esse é o grande erro, um erro que tem reflexos trágicos na sociedade e no meio ambiente.Sabemos que a cultura do ganhar cada vez mais, lucrar mais e mais, é a ordem do dia. Está bem claro que o joguinho do crescimento mundial vai chegar ao fim cedo ou tarde. Em meio a essa orgia, o Banco dos Pobres não propõe fazer ricos, propõe menos desigualdade, “apenas” isso. Sandra: se você não consegue diferenciar minha “birrinha” da vitimização banal é porque estamos de fato escrevendo em idiomas diferentes.

  5. Ana

    O terceiro mundo (ou países sub-desenvolvidos, como é o correto dizer hoje em dia) só encontra diálogo com o socialismo, pq. diferentemente dos países desenvolvidos, não detém oportunidades ainda igualitárias para oferecer aos seus povos. Se tivéssemos, por exemplo, enquanto povo, as mesmas oportunidades que os EUA tiveram em seus tempos áureos (pq. parece que a coisa lá também está feia), não haveria tanta conversa (mole) com o socialismo ou o comunismo; que no fundo, não deixam de ser bastante semelhantes ao capitalismo selvagem. O que falta, é a consciência de que, se globalizamos o mundo vitualmente, e no que diz respeito à economias influentes, deveríamos já ter em mente uma forma de globalizá-lo de fato. Não dá para compactuar com a disparidade de meios de vida (um come caviar na Riviera e outro brinca com ossos na África, e sequer se alimenta direito). (Ct.)

  6. Ana

    Achar que isso é progresso, apenas pq. meia dúzia se beneficia de seus méritos, é uma falta de visão sem precendentes. Não sei qual o juízo disso. E se há um. Mas sei que tem muita gente que dorme tranquilamente, e se justifica através de contextos muito rasos para fazer uso disso tudo sem remorsos, enquanto outras pessoas – seus semelhantes – vivem o oposto. É isso que mais choca. Principalmente, porque sabemos que, geralmente, quem tem o poder de mudar tudo isso, são – em sua grande maioria – aqueles que deitam suas cabeças tranqüilamente em travesseiros antes de dormir. E dormem. O pacífico sono dos injustos. (ótimo título para um romance) (pena que é a vida real).

  7. Sandra

    Você também assinou a carta “Cento e treze cidadãos anti-racistas contra as leis raciais”, Gerald?

  8. Tales

    Sinceramente, não sei se a passagem por uma experiência-limite torna uma pessoa melhor ou mais nobre que outra. É muito fácil separar a teoria e a prática de quem luta por um mundo melhor. Acho que as duas coisas caminham juntas, assumir uma postura crítica é uma tarefa antes de tudo teórica, que não deve se submeter a qualquer tipo de proselitismo q impeça a revisão das bandeiras que nos engajamos. Ou seja, a autonomia é condição sine qua non para que possamos crescer, pra levantar e declinar bandeiras. É isso o que eu penso, Gerald.

  9. O Vampiro de Curitiba

    O que fazer? Complicado, né? Acredito que analisar os erros das gerações passadas é algo inteligente a se fazer. Na África, as tribos se matam sem nem saberem o porquê. Lhes ensinaram o marxismo e lhes armaram até os dentes. Há décadas o muro de Berlim caiu, mas os ideais, no terceiro mundo, sobrevivem. Combater os governos corruptos também é algo necessário. De preferência acabar com o Estado, refúgio dos canalhas. Meu vizinho, não mais conseguindo se manter com tantos impostos a pagar aos companheiros, acabou de despedir a empregada, mais uma que passará fome. É muito lindo ter boa intenção, mas ideais não matam a fome de ninguém! A salvação para o mundo é a liberdade, a competência, a honestidade, a ciência, a meritocracia. O capitalismo? Enquanto não surgir nada melhor, sim!, o capitalismo.

  10. O Vampiro de Curitiba

    Já havia posto um fim nesse papo, mas acho que vale a pena uma complementação: É, Ana Carolina, é contigo mesmo. Legal você ter me respondido no post abaixo. Fiquei decepcionado com você, embora não nos conheçamos, porque percebí que você (sim, usando as minhas palavras, é verdade)teve a intenção de ofender, sabe? E por quê? Por que você ficou tão ofendida? Este é um blog cujo dono é um homem que vive da sua arte. Eu imagino que pessoas que curtem arte devem ter a mente aberta. Eu não fico ofendido quando agridem políticos com os quais eu simpatzo. São humanos como nós, com seus erros, seus defeitos… Se ofender com críticas é coisa de fanáticos. Essa é, inclusive, a principal crítica que eu faço em relação à geração 68. Ainda tem muita gente sendo enganada por trambiqueiros que se dizem representantes do povo, do oprimido. E vão morrer com essa idéia fixa. Uma vida desperdiçada em nome de um ideal, de um princípio. A sua geração, Ana Carolina, é muito melhor que isso, acredite!

  11. Sandra

    Quanto a Hiroshima e Nagasaki… Puxa… O Japão ganhava uma guerra e começava outra. Ganhava a outra e começava uma terceira. E vivia aquela vida de guerra. O fato de ter perdido a guerra fez com que, finalmente, eles tivessem paz. Mas precisava tanto? O que será que é necessário acontecer a um povo para que ele diga: Chega dessa vida? Mas acho que é algo que, em primeiro lugar, deve partir desse povo. Eu não tenho como trazer a paz ao Oriente Médio, à Africa, ex-Iugoslávia, etc, etc, etc, e bota etc nisso.

  12. Sandra

    Ana, assino embaixo!

  13. Ana

    Ah, um truque (que pode e deve ser utilizado em todas as páginas web). Pra quem usa PC: à cada acesso ao blog, cliquem em SHIFT F5. Isso “engana” o cache da máquina, e substitui o que tinha lá pelo conteúdo atualizado. Em Mac COMAND F5. Porque coloco isso? Pq. a imagem da mãe africana não ficou nem 1 minuto online, mas alguns a viram por mais de meia hora. Por que? Porque o cache do navegador guarda o registro da página completa dentro dele, para quando se acessa, a navegação ficar mais rápida. Teclando F5 já ajuda. Unindo o SHIFT ou o COMAND não tem erro! Outra forma de pegar conteúdo atualizadíssimo, quando a própria página não oferece um script de reload, é limpar o cache. Só não vou dar aula disso aqui, senão, aí, sim, eu fujo ao foco (que é o texto) mais do que já fugi, agora. ;))

  14. Ana

    Ânimos acirrados ainda… Sandra, outro dia também imaginei Gerald dando aula. Neguinho não ia querer que a aula acabasse! Sobre a mulher e a criança: eu troquei a imagem. Mas quando li o comentário da Claudia, achei que ela se referia à adoção que Madonna (a cantora) quer fazer, ou fez, de uma criança. Mas aí lembrei de Angelina Jolie, e como estava caindo de sono deixei para pensar nisso hoje. Gerald, sobre ninguém comentar o texto, por favor: um monte de gente traçou paralelos com o texto. Por isso vc daria um excelente professor! E não me leve a mal; eu acho uma das profissões mais nobres que existe. Você faz com que os leitores pensem. Imagina o que faria com os alunos? Bjs pessoal!

  15. Sandra

    Gerald, já notou que você traduz trechos em inglês mas não em alemão?

  16. Sandra

    Gerald, imagino você dando aula. Quando minhas classes estão um pouco indóceis, o máximo que faço é berrar no microfone ou posicioná-lo para dar microfonia, ou raspar a unha no quadro-negro. Aí agradeço pela atenção e prossigo a aula. Acho que você mostraria alguns cartazes com Hiroshima destruída, campos de concentração,… diria aos alunos como eles são privilegiados de poderem usufruir de sua aula, em vez de estarem naqueles lugares, sempre lembrando-os que uma em cada duas gerações passa fome: Qual será? A sua? A de seus filhos? Depois mandaria-os fazer uma redação de 100 linhas de como aquele gesto de indisciplina tornou o mundo um pouquinho pior, e acrescentaria: São 100 linhas mesmo, hein? (Pode deixar!!! Eles têm noção do perigo!). Acabaram? Então queimem o papel e misturem as cinzas à água. Vai ajudá-los a interiorizar o aprendizado! E depois, a despedida carinhosa: Bem, por hoje chega, né? Amanhã tem mais!

  17. Sandra

    Vamp, acho que o que rolou foi um ciuminho!

  18. O Vampiro de Curitiba

    Claudia, Nooossssaaaa!!!! Me desculpe! Como eu poderia saber se você mesma disse que a imagem foi substituída? Pelamordedeus, gente! Calma! Foi só uma brincadeirinha, credo! Caraca, vou sair um pouquinho.. Depois dessa… tá louco, viu?!

  19. (Claudia)] [SP

    VAMPIRO DE CURITIBA:
    O MEU COMETÁRIO SE REFERE A UMA IMAGEM QUE O GERALD COLOCOU ONTEM, E ACABOU TROCANDO PELA ATUAL.
    A MADONA A QUE ME REFERI, É UMA MULHER COM UMA CRIANÇA MORRENDO DE FOME..SIMBOLO ATUAL DA AFRICA…
    REALMENTE ERA ALGO DE CAUSAR, INCOMODO, DESCONFORTO E MUITA TRISTEZA.
    Ela é com certeza o OPOSTO da Madona que voce se refere,e se voce tivesse visto ela também, te provocaria TUDO.
    Releia, teu próprio tópico….”Idéias se combatem com idéias, e valores com valores”….
    Desculpe, mas neste caso, voce nem sabe “DO QUE”, está falando.
    C.

  20. O Vampiro de Curitiba

    Fábio, nem me fale em polícia! Morro de medo! Aqueles malditos que insistem em prender os mensaleiros e companheiros do nosso líder Lula.

  21. O Vampiro de Curitiba

    Me desculpem, mas eu não resisto a tanta inocência, tanta hipocrisia: Simples, né? Se os banqueiros estão ricos, então criemos o “banco dos pobres” e pronto! Fica todo mundo rico, he, he… Isso que é comentário embasado! Isso é que é uma aula de economia! Fantástico!!!

  22. O Vampiro de Curitiba

    Claudia Terra, engraçado, a Madona me provoca tudo, menos impotência…

  23. fabio] [são paulo

    É engraçado, né..!? A “vampira” parece uma “putinha”…!, na hóra do comentário, éla désce a “bolsinha” com toda FORÇA..! Aí, quando éla ouve a “SIRENE” da “policia” chegando, éla córre pro “beco”, se tróca e vem vestidinha de ” FRÊiRA”..!com a “bliblia” na mão fazendo uma PRÉCE..!!tóma vergonha néssa cara, meu!

  24. O Vampiro de Curitiba

    Já que o Carlos e o Fábio não falam outra coisa senão do blog do Reinaldo Azevedo, lá tem um ótimo post sobre Obama. “Obama e o peso do passado”. Acho que vale a pena para enriquecer o debate.

  25. O Vampiro de Curitiba

    Vocês entenderam, né? A patrulha ideológica do blog aceita que se comente os comentários de outros leitores, desde que não se concorde com o Vamp. Pode-se, também, destacar comentários, desde que ele seja, na visão da patrulha, politicamente correto. Sobre Deus, pode-se falar qualquer asneira, mas sobre os deuses revolucionários da esquerda, tem-se que “pesquisar” nas cartilhas leninistas-maoístas. E acham que “os blogs caminham rápido demais”. Com muita pressa, chegaremos ao século XX!!!!

  26. O Vampiro de Curitiba

    Pronto, o comentário do Carlos já foi destacado, o Fábio já concordou com ele, vaidades aplacadas, a patrulha já saciada, voltemos à normalidade.

  27. Sandra

    Puxa, Gerald… Voltei do trabalho, abri a Internet, e… Que porrada! “Pelo menos uma sabe o que é fome”. Pior que é verdade.

  28. Carlos] [US

    Taí, toda essa polêmica está revertendo pra uma discussão diferente, o que é bom. Acho que foi a própria Ana que mencionou o Banco do Pobres outro dia, não foi? Lembro de ler a respeito e o fundador dizendo que o objetivo era de mudar a filosofia da centralização do poder das corporações gigantes para investir no negócio pequeno, na sua rua, na rua acima, etc. A iniciativa parece ser um sucesso onde foi implantada. Daí claro, você abre o UOL e vê que TODOS OS BANCOS brasileiros vem quebrando seus recordes de faturamento ano após ano. Tem gente que acha isso bom, afinal se esses bancos estivessem se arrebentando tudo mais também estaria. Mas a coisa poderia ser bem diferente. Eu achava que o Lula seria mais decisivo nesse aspecto. Achava que o modelo do banco do pobres poderia acontecer no Brasil durante o governo atual e poderia peitar as grandes corporações. Fato: a economia atual tem sido maravilhosa pros ricos e muito ricos.

  29. Mau

    É sinal de q o mundo tá melhor-se estamos a salvos de todas essas atrocidades, ao menos NOSSOS MUNDOS são melhores.Será?!

  30. Sandra

    Nossa… Não sei nem o que dizer… Lembrei-me de “Hiroshima, meu amor”, que me deixou vários dias mal. Desculpa, Gerald.

  31. Valéria] [Rio de Dengueiro

    Acho q podemos sim comentar o q outros escreveram, adoro isso. E ri com o termo do Carlos: tópico-avestruz. Com fé se argumenta só pra tentar entender no q o outro acredita, pelo menos assim encaro, e se a pessoa quiser me ouvir, tb falo o q penso e só, quem sabe poderemos ficar pasmos os dois, né, neste mundo de mistérios vestido de certezas?
    Gerald, vc sempre comenta sobre a sua experiência no Amnesty International, podia ter um post sobre isso; o q isso te afetou etc; acho q eu ñ teria condição de trabalhar nisso, é como profissão de médico! Isso ñ quer dizer q ñ tenha subido mtas vez em favelas, mas hoje ñ tenho + coragem. E vc disse tudo: poder, o poder q revela o homem… Tô c/ um livro q saiu do forno e tem uma citação: “o corpo dói”, “dói a culpa intrusa… ” é com as tetas da dor q se amamenta nossa fome”, “o pulso q melhor souber sangrar” (Flores do Mais).
    Tchau “La vie en close”
    Fábio: é, MeAme vai-se!
    bjim

  32. Ana

    Então, G, mas essa manipulação em relação ao medo que a gente sabe vir do poder econômico; esse mesmo que paga para que o medo exista; que faz-de-conta que existe uma guerra real nos morros cariocas, quando a guerra real só existe porque não se legaliza a droga, e não legalizando a droga, se “escoa” com gente muito mais rápido; a gente sabe que esse mesmo poder que mete medo nos cidadãos norte-americanos na questão segurança; esse poder econômico que rege tudo por trás e nunca mostra a cara; a gente sabe que ele existe e que é ele o único e real inimigo. Se os norte-americanos hoje sentem medo de homens-bomba, é pq. em dado momento foi imperativo para o poder econômico que houvesse um inimigo em potencial. Se lucra muito com o medo das pessoas. As holdings estão aí; quase um só dono de tudo. Isso me assusta barbaramente, pq. isso não é colocado de forma explícita para ninguém. Fica na velha e boa “teoria da conspiração”. (Ct.)

  33. Ana

    Se as pessoas parassem para “buscar” um pouco pela história, e vissem o que virou o mundo depois que as instituições financeiras “fundaram a si mesmas”, veriam que continuamos bárbaros, mas que hoje somos bárbaros mais requintados, pq. quem realmente é responsável por milhares, milhões de mortes; seja de fome, seja por falta de acesso à uma saúde pública ou privada decentes; seja pela violência desencadeada nos morros e rotas de tráfico, seja pelo idiota que saca de uma arma pra roubar algum objeto-sonho-de-consumo; seja pelo for, quem é responsável mesmo nunca aparece. O governo só serve de fachada – seja o governo do país emergente ou já no topo, que for -, o governo é só a fachada de um cartel milionário que comercializa dinheiro. Um dinheiro inexistente, diga-se de passagem. (Ct.)

  34. Ana

    Retira-se todo o dinheiro de todos os bancos do mundo amanhã, por exemplo, e os bancos quebram antes disso se concretizar. É isso e mais um bando de absurdos inconcebíveis que não entra na minha cabeça e na cabeça de mais dezenas de pessoas que eu conheço. Ok, alguns pode dizer “mas é assim que o sistema funciona”. Pois digo que ele é injusto. Nada justifica a fome, a barbaríe, a violência e o vazio aos quais o ser humano é obrigado a se submeter para poder sobre-viver. Ou sub-viver. Tantufas. O capitalismo se sustenta nos juros, e todos nós somos escravos a partir do momento que, no final do mês, não nos sobra um puto no bolso. Fica elas por elas. Escravidão na cara dura. Nesse momento existe alguém comendo bem às custas do povo. Isso nunca será justo. Principalmente quando se tem milhões de pessoas passando fome. Passando fome de verdade, e não com vontade de algo que não está à mão.

  35. Valéria] [Rio de Dengueiro

    cont.: falo isso sem nunca ter pensado em sair ‘livremente’ daki mas ñ gosto de pensar q todos fazem isso por um único motivo e q isso é ruim pra eles, q coitados etc. NÃO SEI!
    E Gerald deve saber melhor do q eu, me corrija: qndo os prisioneiros tentavam ou conseguiam se suicidar nos campos, os q viviam sofriam + ainda, pq era um ato de liberdade, de ousadia, de negar o status quo tenebroso. Algumas escolhas são nossas. E G,sempre falei aki, acho q ñ faço NADA pra suavizar mtos sofrimentos, o q faço, talvez uma mosca tb faça. E por isso nunca me sinto capaz de criticar e jogar cacos de vidros nos outros; esta foto é chocante por n razões! E talvez te choquem tb o q ñ me sai cabeça: como ainda conseguem transar sabendo q podem trazer + sofrimentos e fome pra si e pros filhos? Esta história de q isso é o único alento ou q são ignorantes ñ basta +, é chocante, nem tô falando da Aids. Acho uma crueldade colocar crianças num mundo de fome e miséria. Mas sei q isso ñ basta tb.
    Carinho, Val

  36. Carlos] [US

    Post 2: Eu discordei da análise que considerei leviana e protestei quando vi a mensagem em destaque e algumas pessoas concordando com as afirmações. Não vi ódio nenhum nas mensagens que seguiram. A Ana Carolina não usou do ódio pra argumentar. O que houve sim, infelizmente mais uma vez, é esse uso da vitimização.Fica complicado assim.Não entendi essa de que devemos nos comunicar preferencialmente com os comentários colocados pelo Gerald. O próprio Gerald tinha sugerido que colocássemos nós alguns tópicos. Mas será que isso já desapareceu?Será que semana passada já é longe demais e o negócio é como alguns sugeriram, olhar apenas pro futuro?Se eu aceitar a retórica que li aqui recentemente e que nem comentei, significa que Hiroshima deve ser esquecida também?Não, nunca passei fome, mas seguindo o formato da mensagem da Ana, venho de família de imigrantes famintos que deixaram a Europa na guerra com uma mão na frente e outra atrás e foram dormir sobre o capim na terra prometida, o Brasil.

  37. Carlos] [US

    Vão aqui duas mensagens em dois blocos separados: 1- os blogs caminham rápido demais. Até entendo a ânsia de escrever e comentar sem a preocupação de investigar mais sobre o que se diz. Funciona maravilhosamente bem quando o assunto é Deus, afinal é o que eu chamo tópico-avestruz: tudo desce goela abaixo. Mas quando envolve história, movimentos sociais, fatos, contra-fatos, datas, números, eventos, daí fica um pouco mais complicado querer comentar tudo achando que está dando uma aula de história. Na maioria das vezes, vem é de um microcosmo totalmente parcial, incompleto e inevitavelmente distorcido. Com um pouco de “pesquisa” imparcial talvez pudesse evitar tamanhas trivialidades. Bem, esse foi o post bacaninha. Agora segue post mais complicado. (cont)

  38. Valéria] [Rio de Dengueiro

    Do alto de minha semiconsciência acho q o Gerald coloca algumas mensagens no post ñ pq concorda sempre (até pq ele coloca o seu contra-argumento tb) mas p chamar a atenção e talvez diga: e aí, gente? Então Fábio, acho q destaque é isso, é p entrar na roda e olhar de perto o verme q tá lá, ou o gérmen de trigo, de joio… O lance é o encontro, palavras e espantos. E concordo com o Carlos, há os fatos anteriores, EUA, politização, camponeses, guerra fria etc. E foi no mundo; como disse ao Vamp, acho q a trama é + complexa, mas gostei de conhecer o q ele quis mostrar dele. Ñ vou morrer por isso. Ana C.: dá p fazer uma grande lista de suicidas, p. ex., q ñ se faziam de vítimas, q pensaram o mundo e nos afetaram de forma reflexiva. Este seu pto de vista talvez seja religioso, q eles são confusos etc, quem ñ tá ou é ? O ato é de coragem tb, liberdade p escolher em q hora sair daki, por q ñ descer do ônibus? O fato é q as opções pra sair antes são trágicas: ponte,tiro, salto. Falo isso sem

  39. Contrera

    eu sei o que são a fome e a miséria. e mesmo não vivendo-as agora ainda sinto seu aroma, que a riqueza amoral só faz aumentar sem parar.

  40. celia

    F.O.M.E uma das palavras mais malditas de toda a história, quem já passou ou teve seus ascendentes sabe como é isso.A minha familia conta tantas coisas…tanto que quando deixavamos um resto de comida no prato era um pecado.Ouvi história de tios que tomaram úrina de animais pra sobreviver da guerra.Minha avó tinha ficar horas na fila pra conseguir um pouco de pão.O mundo ainda morre de fome e injustiças, eu choro quando vejo estas coisas.O poder de uns pela desgraça de milhões.Plantar pra semear preferem queimar tudo.Ai usam o poder da Ciência em favor do mal como as duas bombas atômicas.

  41. (Claudia)] [SP

    A Madona, faz com que eu sinta, uma impotência absurda.
    C.

  42. Nina

    Nossa que texto e imagens fortes. Por algum tempo nem soube o que escrever. Aliás não sei o que escrever. A não ser que tudo isso é um horror. Parabéns por esse e pelos últimos textos Gerald. Parabéns mesmo. Abraço

  43. O Vampiro de Curitiba

    Como eu disse no post abaixo, poderíamos ter evitado tantos insultos. Acho o debate válido, mas com argumentos, não com ataques pessoais. Idéias se combatem com idéias. Valores com valores. Nada justifica esse clima de guerra que querem impôr ao blog, exigindo que cada qual se posicione, tome partido. Nem ao menos nos conhecemos, não há o porquê de tanto ódio. Acho engraçado alguns comentários do Fábio, por exemplo. Mas daí a chamar os outros de “burros” só por não pensarem da mesma forma, há uma grande distância. Se alguém não gostar daquilo que escrevo, tem todo o direito de usar argumentos contrários. Se não quiser usar argumentos, tem todo o direito de me ignorar. Mas devemos, preferencialmente, comentar os assuntos colocados pelo Gerald, não fazer comentários em cima de comentários. Com alguns eu tenho a liberdade de discordar francamente pois sei que reagirão da maneira adequada, como a Ana, a Valéria, a Sandra. Não somos inimigos, acredito que temos mais em comum que diferenças

  44. Ana

    Você tem razão. Eu pessoalmente não sei o que é fome, nem miséria. Mas minha mãe sabe. Ela passou fome. Morou em casa de “pau a pique” com onça rosnando lá fora nas madrugadas que não acabavam mais, e sem mãe, cuidava ela dos irmãos, enquanto meu avô ia trabalhar em outro estado. A idade dela na época? Seis anos. Uma criança de seis anos, passando fome, cuidando de dois irmãos menores, passando fome também, enquanto o pai não chegava. E quando chegava e trazia ovos consigo, os filhos ficavam olhando. Os ovos eram para serem vendidos. Se comia arroz e feijão quando tinha. E se tomava água com açucar. Um doce era um sonho de consumo. Mas ela é forte por isso. Porque subiu em muito pé de fruta para saciar a fome. E eu me orgulho dela. Da força que ela tem. De ter vindo de onde veio, e chegado onde chegou. O que não é muito, mas em muitos casos é tudo. E também por ter conhecido meu pai, que era um jornalista. Um “letrado”. E com ele ter aprendido tanta coisa.(Ct.)

  45. Ana

    Para mim, ela e seus irmão são vencedores. Não sei exatamente o que venceram. Se a si mesmos, quando nunca optaram por um caminho que poderia os levar mais facilmente ao dinheiro, se venceram o estado bruto das coisas que nunca sutiliza os direitos do menor, quando se trata de oportunidades. Ou se venceram a própria vida, resistindo, subsistindo, e sobrevivendo.

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