Miami ou MiDeixe!

Miami ou MiDeixe!

Se Pirandello estivesse aqui nao teria o menor problema: teriamos uma nova versao "rave" e ela se chamaria "2.5 milhoes de personagens em busca de um autor". Ja se meu mestre Beckett estivesse vivo, estaria murmurando – la em Coconut Grove (onde ele teve a estreia Americana, pasmem!, de seu Esperando Godot, na decada de 50) algo parecido como em seu "the Lost Ones"…."Abode where lost bodies each roam looking for their lost ones".

Mas os dois estao mortos e Miami esta cada vez mais MAIS! Mas, mais o que? Estou ha 5 dias tentando entender que "mais" esse. De seis em seis meses, quando acabo vindo pra ca, me pego fazendo a pergunta criminosa e capital e mordendo a maca. Pra que querer entrar no Paraiso e pra que sair dele? Porque isso aqui eh um inferno! Mas nada melhor que o inferno! Ai que inferno explicar isso! Mesmo pra um Novayorkino ou um carioca ou alguem que faz plantao nas chamadas "muvucas" do mundo, oucam essa aqui perola (juro que eh verdade)

Hoje, domingo de manha, um casal de brasileiros deitados na areia do FountaineBleau pega o Nextel em viva voz e fala assim: " Po ai! Se nao fosse pela feijoada eu taria ai com voces!!!!"

Pensei, refleti, pensei de novo. Olhei em volta. Homens de kipa (judeus ortodoxos, com suas JAPs – Jewish American Princesses do lado), latinos, Gregos, Arabes, Ingleses, Franceses, o diabo. Todos nos, servidos por humildes Peruanos e Colombianos, haitianos etc, ilegais.

Bem, essa feijoada eh, evidentemente aqui, em Miami.
Esse cara esta hospedado aqui. "SE nao fosse pela feijoada aqui, eu estaria ai nessa Merda de pais ai, ou seja o Brasil onde vcs tem que aguentar essa merda de vida" (livre subtexto e interpretacao minha). "papai e mamae estao comprando presentinho pra voces viu?"

Meu deus! O novo rico! O dinheiro novo. O emergente! Miami eh "o" santuario pra esse tipo de gente e…ainda parece – em alguns lugares com a propria Barra da Tijuca! Perai. A Barra eh que parece com Miami, Gerald, sera que vc nao se toca? Ah. Claro! Ah sim, o novo rico e eu tentando esconder o livro que estava debaixo do meu braco: "1968, o que fizemos de nos" – uma ode aos tempos, um triste depoimento ao eunuco, a idade indefinida, a sexualidade indefinida, escrito por Zuenir Ventura, o mestre. Eu estava vendo, vivenciando o que Zuenir descrevia no livro, so que numa especie de asterisco do mundo, um asterisco aricsco e latino que inclui uma brasileirada fruto do novo dinheiro.

O fato eh que Miami esta ou eh – de longe – hoje a MUVUCA do mundo. Pelo menos, South Beach, Ocean Drive, esse strip de milha e meia, que corre paralela a Collins Avenue e que tem cantos definidos e spots definidos e onde tudo virou industria.

Desde um extremo da ponta de South Beach – o Joe's Stone Crab (Corner) (pra onde eu corro todas as vezes em que estou aqui….(como descreve-lo?) Eh um Peter Luger do Super Caranguejo. O Stone Crab eh tipico daqui …..(o City Crab de Manhattan tambem serve. Ah, o Peter Luger: em Williamsburg, Brooklyn, NY: lugar de carnivoro. Reservado com 3 meses de antecedencia. Eh um Bavarian steakhouse. Inexplicavel fenomeno, o Peter Luger: perguntem ao Boni.

O Joe's e a versao crustacea de Miami do Luger de NY.
Mas andando a pe pela muvuca de Ocean Drive ou e vendo a putaria, percebo que – cada vez menos- se fala ingles: pior, cada vez menos se "entende" ingles. Aqui o ingles virou completamente secundario.

O ''assalto" da emigracao illegal esta em tudo que eh lugar: se ouvissimos o que o Lou Dobbs esta berrando ha anos na CNN talvez (e refletissimos mais e tomassemos mais acao, a coisa nao tivesse virado essa mixordia). Esse pais eh feito de emigrantes. Essa eh justamente a graca da coisa. Mas a ilegalidade da coisa esta insuportavel. E a demagogia do governo Bush em construir o RIDICULO muro que atravessaria Texas , New Mexico . Arizona e California so pode ser mau gosto ou a penultima idiotice (debaixo de muros de cavam tuneis), e ja existe a industria dos tuneis, anyway!

Dos 5 taxis que peguei, 2 motoristas eram brasileiros. Uma era brasileira , de Goiania: Maria Borges. Conversamos pouco, ela timida , eu tambem. Mas onde quero chegar? No Tides? Na mansao do Versace? No bar gay do lado ou do outro lado que purula e pororoca de las putcas e seus pimps e traficas que nao cabem na calcada? Nao nego que o cheiro de tesao chega a transbordar pelas calcadas e tem ate turma de motoqueiro de mascara pra fazer com que a gente se sinta dentro da serie CSI-Miami. So falta aparecer o David Caruso em seu Hummer e…..Sem falar que em NY nao temos uma Lincoln Road, aberta tao tarde como aqui com essa FAUNA, policia correndo atras de peruas de salto alto, produtos de consumo. Consumo humano, eh so pagar e levar pro hotel: mas cuidado, senao elas te esvaziam e voce fica a ver os belos navios de Biscayne! Se tem uma fauna e flora viva eh aqui! Mas a troco de quantas vidas mortas? E quantas sociedades moribundas? Nao sei responder! Essa feijodada ja deve estar pesando na barriga do casal e as caipirinhas ja devem ter subido a cabeca deles e…. Ou entao ja devem ter brigado porque, sei la. Chega!

A rave acabou de manha e que vi da janela e que emendou com um casamento de judeus mas que…mas adelante habia una cerimonia de matrimonio de "cubanos en exilio", um acontecendo nos gramados luxuosos do Ritz Carlton o outro, na areia mesmo!

"No meu pais, existe fome e miseria meu senhor", me dizia o simpatico mensageiro do hotel, um haitiano. "E no entanto aqui, na nova versao desse hotel terao SETE novas piscinas e ONZE restaurantes".

Eu ja estava comovido com o livro do Zuenir e esbocei uma lagrima com o Patrice, de Port au prince. O livro do Zuenir merece mais que uma coluna, merece um estudo aprofundado. Nao pode ser, nao deve ser comentado levianamente.

O que me atria sempre a Miami? O que atria esse sexo a flor da pele que faz com que uma mera adolescente mude de roupa e se enturme com a muvuca mais muvuquenta. Ela eh, digamos, de uma familia tradicional de um pais ou estado qualquer. Chegou aqui, pegou a coceira no ar e la se foi pra nite! E em pleno dia! E adeus! So se vera essa menina daqui a alguns dias. Voltara tatuada e …

O que me atrai me repugna, mas me atrai!
A cidade proibida. Todo novayorkino vem pra ca. Mas agora parece que o mundo inteiro "mesmo" desceu aqui, parece um despacho que nao apaga! Parece o terreiro mais vivo do mundo!

Fauna, zoologico, etnias e nacionalidades: estamos virando muitos, muitissimos nesse planeta e, se algo tiver que transbordar tera que transbordar aqui: eh uma "arca que Nao eh", ao ives de "Arca de Noe", um diluvio sempre por vir, a Babel se entreolhando: o zoologico humano e se procriando artraves da ilegalidade, drogas e prostituicao.

Se, em NY estao todos cobertos, aqui, com a nudez nada castigada, ela, a nudez, vira uma aberracao: os obesos pedindo comida e mais comida e falando arabe ou hebraico aos berros, os latinos latindo, judeus de kipa, o bate estacas constante de uma rave enraivecida com os caras se observando porque as mafias se policiam e visam o lucro e aqui a luta pela sobrevivencia eh mais desnuda que em qualquer lugar que ja vi: sempre vejo a mesma cena: mais Porsches conversiveis num unico quarteirao, com calota dourada, turmas desvairadas de russos e de croatas e de nicaraguenses, etc!

"Show me the money"

Na praia, mais pelanca, maquillagem, unhas longas e mais cellulite e a latinada berrando com seus filhos que passam por nos esparramando areia pra inconveniencia de todos.

Ah, as drogas e las putchas! So numa unica subida de elevador (estou no 34 andar), vem varios mensageiros: olha eu sou o numero 48, O outro: "eu sou o numero 57" e assim por diante: " o que o sr precisar desde QUALQUER cosa desde la chica mas rica and beautiful, you understand me sir, please just call my number any time of day or night and I can get you Anything!!!"

Ano passado, digo, faz alguns meses estive aqui, no National Hotel e fui comer na Jerry's Deli. Acho que meu inferno gastrointestinal comecou ali. Os Venezuelanos imundos que trabalham na Jerry's Deli da Collins Avenue continuam la e continuam imundos.

Eh engracado. E essa pergunta eu faco a voces:

1- tempos atras o mito era que os estrangeiros fazem aqui o "trabalho sujo" que Americano nao quer mais fazer. Isso eh – na realidade do "outsourcing" e da falencia da economia – uma tremenda mentira. Tenho amigos aqui, assim como em NY desempregados e aguardando numa fila de agencia de empregos. Digo, aguardando emprego seja ele qual for. Querem nomes? Se for necessario provar vou a justica e levo pelo menos uns 6 ou 7 cidadaos americanos que nao conseguem mais penetrar o cerco das mafias que empregam os ilegais.

2- Daqui a alguns anos nao se falara mais ingles em Miami, quem, sabe em parte de LA tambem nao. Os excluidos serao os que nasceram aqui e pagam seus impostos. O que voces acham disso, se esse fosse o caso no Brasil? "E ai meu irmao? Aquela feijoada?" Me levanto, com o livro do Zuenir nas maos, e umas anotacoes na mao, o rabo entre as pernas de vergonha e fico com uma enorme pena do fato do Zu nao ter visto algumas dessas cenas interessanterrimas, tristes, decadentes, efervecentes, borbulhantes que dao tesao e frio na espinha assim como dao depressao. Muito parecido como o material que compilou pro seu livro, e muito parecido com o que viramos todos, digo nos que partimos de um ponto, de um ideal, mas que nos encontramos noutro tao completamente diferente. Isso eh bom? Ruim? Nada disso. Simplesmente nao existimos mais.

Gerald Thomas


comentario do Vamp
Zuenir Ventura, com o seu "1968 – O que Fizemos de Nós", trouxe uma reflexão sobre as diferenças entre gerações. Comportamentos, valores, ideais de 1968 agora podem ser vistos e discutidos pela geração atual.
Não quero, aqui, ser a voz nem da Geração 68 nem da geração atual, dessa rapaziada que curte "raves" e tal. Quero colocar a opinião daqueles que nasceram em 1968.
Embalados por ideais de 1917, querendo salvar o mundo da selvageria do Capitalismo, a Geração 68 quis implantar no Brasil e em toda América Latina uma ditadura comunista. Guiados pelo Partido Comunista Soviético, vários grupelhos armados competiam para ver quem era mais "revolucionário", mais combatente, mais crítico ao capitalismo. Faltou combinarem isso com o Capital. Conclusão: Os militares, chamados pelos setores mais conservadores da sociedade, não gostaram muito da idéia e resolveram interferir. O sonho de uma noite de verão transformou-se num pesadelo de chumbo.
Radicalizações de ambos os lados, as décadas de 60 e 70 assistiram às torturas, aos assassinatos, à barbárie geral. O final, todos sabemos qual foi. Os valentes esquerdistas, depois da aventura revolucionária, depois de terem dividido a sociedade, depois de transformarem o país numa ditadura militar, foram fazer canções melosas na Europa capitalista, preferencialmente na França.
Além de 25 anos de uma ditadura militar, qual foi a herança daquela geração?
1)A glamorização do uso de drogas, principalmente do cigarro e do álcool. Os heróis gostavam de se auto-afirmar. Nas novelas, nos teatros, no cinema, apareciam sempre com um cigarro na boca e um copo de bebida na mão. A esquerdista era aquela que fumava, que bebia, que não tinha preconceitos com o sexo livre, etc…
2)Como alguns dos presos políticos ficaram custodiados com criminos comuns, desenvolveram, desde aquela época, uma simpatia pelo crime, organizando-o e lhe ensinando táticas de guerrilha e terrorismo. Ali surgia o "Comando Vermelho", que daria, mais tarde, origem aos demais bandos criminosos, como o PCC.
Pois bem! Para nós, filhos de 68, sobrou um país atrasado, onde tudo era proibido, onde tínhamos aulas de "Moral e cívica"e deveríamos amar o nosso país com obediência e respeito. Enquanto os heróis desfrutavam da democracia Francesa, para nós sobrou o uso de drogas e a violência dos seqüestros e assaltos do crime, agora organizado. Tornamos-nos uma geração de alcoólatras, suicidas e neuróticos.
Depois de 25 anos de inferno, democracia restabelecida, os valentes voltam ao país e são recebidos como heróis. São eleitos presidente, deputados, senadores, prefeitos, governadores. Outros ocupam cargos de ministros, assessores, secretários. Vendem o Estado aos companheiros e se enriquecem como nunca se viu. Não satisfeitos, exigem indenizações, bolsas-ditaduras, afinal, se consideram vítimas do passado.
O pior é a herança ideológica que deixaram. Nas universidades, nas escolas, misturaram aquele sub-marxismo com catolicismo, inventaram a "teologia da libertação", acabaram com o diferente, com o individual, com a meritocracia. Transformaram tudo em coletivo, em cotas, em populacho, em pobreza. Enquanto ensinam ao povo a odiar os "burgueses", o capitalismo, os "americanos imperialistas", vão passar as férias ma Disney, em Miami… Ainda hoje os vemos por aí, defendendo hora a ditadura castrista, hora a chavista. Alguns ainda adoram Saddam Hussein, como aqueles que se auto-intitulam do MR8, famosos por recentemente ameaçarem de morte o colunista Diogo Mainardi. Vivem, todos eles, do dinheiro público dos miseráveis que pagam impostos.
Não queremos fazer papel de vítimas, aprendemos a ter senso de ridículo, apenas não me venham dizer que esta geração é alienada, egoísta, etc… Não existiu geração mais perniciosa que a de 68.
Vampiro de Curitiba

[Tales]
A boçalidade, a merda, a mediocridade, de fato, têm um incrível poder de nos atrair. Vide Miami. E foi o próprio Benjamin que disse uma vez, convidado por Adorno a ir pro Eua, que queria ficar bem longe da barbárie. Mas é claro, que isso é redutor, o EUA não é só a terra do Tio Patinhas, Mickey e Donald, como é também o país que nos deu Faulkner, Rorty, Mellville, Kerouac, Miller, Kubrick, Welles, o jazz, o rock etc.
O ápice do texto. "Nao nego que o cheiro de tesao chega a transbordar pelas calcadas e tem ate turma de motoqueiro de mascara pra fazer com que a gente se sinta dentro da serie CSI-Miami. So falta aparecer o David Caruso em seu Hummer e…..Sem falar que em NY nao temos uma Lincoln Road, aberta tao tarde como aqui com essa FAUNA, policia correndo atras de peruas de salto alto, produtos de consumo. Consumo humano, eh so pagar e levar pro hotel: mas cuidado, senao elas te esvaziam e voce fica a ver os belos navios de Biscayne! Se tem uma fauna e flora viva eh aqui! Mas a troco de quantas vidas mortas? E quantas sociedades moribundas? Nao sei responder! Essa feijodada ja deve estar pesando na barriga do casal e as caipirinhas ja devem ter subido a cabeca deles e…. Ou entao ja devem ter brigado porque, sei la. Chega!"
Tales

[john]
So, did you have a good time in my home town? Ready to give up the Big Apple??;-)
John H

From GT – My answer, dearest: After 3 days or so of watching this (,,,,,) parade on the promenade, I felt as if I was in Tel A Viv of Belize de Port au Prince avec las putchas homegrown ….But you know all that, so why am I preaching? The good news is that , when one wakes up in the morning and the sun hits you in the face and your feet hit the warm sands and you take a dive into the transparent waters (full of seaweed, yet transparent anyway), the "world out there" doesn't seem to matter/YET, now Back in the bitten apple, and the terrible weather, I SHALL NEVER give up THIS, my beloved and fucked up NY!
LOVE (we'll talk tomorrow) GT

do Mau Fonseca
A ditadura no brasil nao ocorreu por conta de uma intensiva comunista – no brasil nunca houve comunismo – o maximo foi na epoca de Prestes e da Intentona Comunista. Jango – fez visitas na China e isso foi pretexto pra que os EUA junto aos militares brasileiros justificassem um golpe. Esses jovens que ficaram rotulados como comunistas nao eram comunistas – e somente surgiram pra lutar contra a ditadura. A bem da verdade o Brasil nunca soube ser de ideologia nenhuma. Veja vargas, era admirador de Mussolini, no entanto fez um pacto com os EUA pra ficar no lado dos aliados na 2.Guerra – em troca pediu a construção da Petrobras e da CSN. Ou seja, sejam os velhos ou os jovens, o Brasil nunca se postou ideologicamente. E nós aqui, do presente e eles do passado, sejam das gerações perdidas de Vargas, JK, Janio Jango, militares, os brasileiros sempre acabaram atrasados. Em relação aos bolsistas da ditadura – ate nos EUA o holocausto foi usado pra se ganhar grana a custa da tragedia.
Mau

Lindos os comentarios: estou relendo todos (de novo: da um livro ou uma peca, espetaculo: OBRIGADO a todos: da um tremendo orgulho! LOVE GT)

[Sandra]
Por mim, os neo-ricos podem farofar à vontade, desde que não joguem lixo na areia, e que usem seu próprio dinheiro, e não dinheiro público. Eles é que terão que pagar pela infelicidade dos ilegais? Vamos dividir as pessoas em quem merece e quem não merece estar ali? Todo mundo precisa do empregado mal-remunerado, mas alguns são do bem, então estão justificados. E o empregado ma-remunerado precisa do turista, inclusive o imigrante ilegal, senão estaria bem pior no seu próprio país, para o qual não quer voltar (senão já teria voltado). Que os neo-ricos esnobem seus pares se quiserem.
Sandra

Do Rio Dengoso a Valeria….
Sandra: ri de sua pergunta ao mesmo tempo engraçada e carinhosa: "G. tem certeza q vai conseguir descansar?" Talvez ver outras coisas descansa tb, outro tipo de agito! G.:É bacana perceber seu pasmo, atração e ogeriza por tudo isso q tá fazendo de Miami o local de despachos do mundo: "mas agora parece que o mundo inteiro 'mesmo' desceu aqui… cenas interessanterrimas, tristes, decadentes, efervecentes, borbulhantes q dao tesao e frio na espinha assim como dao depressao… Com os caras se observando porque as mafias se policiam e visam o lucro e aqui a luta pela sobrevivencia eh mais desnuda que em qualquer lugar que ja vi: sempre vejo a mesma cena: mais Porsches conversiveis num unico quarteirao…" Tá tudo aí, e como vc q pega tudo no ar, rearrumando seu mundo e desarrumando o nosso com o seu olhar, só fico esperando como isso pode entrar em cena a partir de vc. Acho q vc tá se espiralando pra mandar ver,pra nos mandar nos ver, pra nos enviar pra este universo pluri-patê éticultural!
Valéria

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50 Comments

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50 responses to “Miami ou MiDeixe!

  1. Contrera

    creio, contudo, que o mais interessante em tudo é que essa geração – a dos nossos pais – não nos mostrou que a resolução dos problemas da nação se faz pelo diálogo verdadeiro – com raras exceções. ao contrário, todos eles insistiram – e ainda insistem – na questão da conscientização e na mudança por princípios. quando na verdade as mudanças se fazem por pressões – algo a que eles em geral não estavam acostumados – afinal, viviam em ditaduras! então, vamp, tudo bem, teu artiguinho até convence, mas não ME convence: você julga o todo pela parte: claro, essa parte é a que mais aparece. mas nem por isso ela é mais representativa, necessariamente. assim como eu, apesar de nada ser, não necessariamente posso ser qualificado como “vendido” ao sistema – por trabalhar nele – ou de ser alienado – por não discutir as questões candentes ou não atuar na política. o buraco é mais embaixo. é em nossas casas, não tendo medo da arte, e discutindo até o fim que a gente abre caminho ao diálogo com amigos

  2. Contrera

    comento (tarde) o vamp. querido, compartilho – em parte – tuas posições. mas entendamos que eles – vá lá, nossos pais – estavam tresloucados por uma conjuntura que levava os jovens americanos ao paz e amor, à luta dos negros e à anomia política. sobraram, quem? repare, quem é que sobrou, agora? nem um lou reed faz maré, hoje. nossos antecessores geracionais fizeram cagadas, sim. mas não todos. talvez apenas os mais “aparecidos”. conheço pencas de colegas 10 anos mais velhos que foram, sim, torturados e que não saem por aí lambendo feridas para ganhar umas belas aposentadorias. sei também de muitos que mantêm a luta em trincheiras mal-reconhecidas. minha exprofessora flavia schilling, por exemplo, que torturada e presa por 7 anos no uruguai agora simplesmente dá aula, como muitos, mas não assume fé em mediocridade (sua entrevista num livro sobre silêncios é divina). claro, muitos de meus professores eram, sim, uns ressentidos por nada, culpando-nos por menos ainda. mas são pessoas. cont

  3. Ana

    Então, segundo um amigo meu do exército, o golpe de 64 teve como “justificativa” o comunismo, mas na verdade foi orquestrado junto aos EUA. E agora? Como desmentir um ex-coronel do exército que saiu do exército e diz que se alguém perguntar o qu ele sabe, ele nega até o fim? Bate exatamente com o que o Mau coloca. Mas quem prova? Como Gerald diz “nada prova nada”.

  4. Ana

    Carlos de deus, o Vamp deu uma aula de história. Como não aplaudir? Gente, o que aconteceu? Alguém dormiu com a cabeça nos pés da cama? Alguém perdeu namorada/ namorado? Que raio… Ninguém se entende mais? É a curva dramática da peça que se desenrola aqui? Nos atracaremos? Depois faremos amor? Sem camisinha? Com camisinha? Que porcaria. Ninguém se entende nem em um blog… Pq. a gente se espanta tanto, então, com as guerras? Elas são puro desentendimento. “Eu quero seu território.” “Não dou.” “Eu entro, então.” “Então vem!”, e pronto, temos uma guerra. Eu sinceramente não compreendo como um não entende o que o outro quer dizer, aqui. “Babels, babels, lá vamos nós! Iupiiii!”. Ai, ai…

  5. Ana

    Vamp, você disse tudo. “Se eu estivesse naquele momento, naquela situação…”. Pronto, esse é o ponto. Se colocar no lugar do outro. Claro que nada justifica nada. Mas a partir do momento em que nos colocamos sob outro ângulo de qualquer questão, passamos a ver o outro lado. Fica mais fácil compreender o próximo, se é que ainda faz sentido falar do próximo. Um beijo.

  6. Ana

    Rafael… pensei que tivesse sido notória a minha ironia. Como eu posso estar do lado dos neo-ricos, me diga? Não pq. sejam ricos, e muito menos neo-ricos, mas porque não vejo em nenhum deles aprofundamento algum que não seja relacionado à economia (quais os índices da bovespa, hoje?) (um exemplo) Só que usei muito mal o termo “refinamento espiritual”. Ou não usei mal, mas aqui pegou mal. Não critiquei o fato deles darem duro para chegar lá. Disse justamente o que você afirma: nenhum deles deu duro nenhum para chegar lá, mas justificam atos esnobes como se tivessem dado o maior duro. Eu não suporto desdém, esnobismo; atitudes típicas de neo-ricos. E sinceramente começo a concordar com você. Nada mais é absurdo. Nada. Já sexo sem camisinha, menino, que loucura. E, sim, sou antiquada. Alguém nesse blog tem que ser.

  7. Mau

    Não vejo onda comunista no Brasil. Acho exagero isso. Lula nunca foi comunista – apenas se aproveitou da roupa revolucionaria de uma tal esquerda pra surgir no cenário nacional – concordo com Delfim Neto – Lula é esperto o bastante pra nao ser comunista e até mesmo enterrar a esquerda – nao fosse isso nao teria vencido em 2002. Evo Morales é diferente, ele representa uma classe muito forte na Bolivia – os índios. Assim como o presidente do Equador e outros da America Andina que tem crises internas entre brancos e índios camponeses.

  8. Carlos] [EX BLOGUEIRO

    Nossa, o show de horrores continua. Fabio, põe NOJO nisso!Nunca vi tanta simplificação, tanta banalização dos fatos, tanta leviandade canalha como estou lendo aqui. O que? A Ana diz que aplaude e o Gerald está orgulhoso??Cara, que loucura!!Copio a frase no final que tive que ler várias vezes pra ACREDITAR que estava lendo isso em DESTAQUE nesse blog. Como as coisas mudaram rapidamente aqui!! Enfim, passei rapidinho. Não dá mais, tenho que acabar um trabalho e estou atrasado…e vamos admitir: comentar mais o que??Quer exemplo melhor da estupidez reinante? Aqui está a síntese do que virou isso aqui: “Além de 25 anos de uma ditadura militar, qual foi a herança daquela geração? 1)A glamorização do uso de drogas, principalmente do cigarro e do álcool. Os heróis gostavam de se auto-afirmar. Nas novelas, nos teatros, no cinema, apareciam sempre com um cigarro na boca e um copo de bebida na mão. A esquerdista era aquela que fumava, que bebia, que não tinha preconceitos com o sexo livre, etc.”

  9. Sandra

    Gerald, lindo é seu texto! Lindo não, maravilhoso! Espero que, um dia, Sampa te inspire uma declaração de amor dessas!

  10. Valéria] [Rio de Dengueiro

    Sandra: ri de sua pergunta ao mesmo tempo engraçada e carinhosa: “G. tem certeza q vai conseguir descansar?” Talvez ver outras coisas descansa tb, outro tipo de agito! G.:É bacana perceber seu pasmo, atração e ogeriza por tudo isso q tá fazendo de Miami o local de despachos do mundo: “mas agora parece que o mundo inteiro ‘mesmo’ desceu aqui… cenas interessanterrimas, tristes, decadentes, efervecentes, borbulhantes q dao tesao e frio na espinha assim como dao depressao… Com os caras se observando porque as mafias se policiam e visam o lucro e aqui a luta pela sobrevivencia eh mais desnuda que em qualquer lugar que ja vi: sempre vejo a mesma cena: mais Porsches conversiveis num unico quarteirao…” Tá tudo aí, e como vc q pega tudo no ar, rearrumando seu mundo e desarrumando o nosso com o seu olhar, só fico esperando como isso pode entrar em cena a partir de vc. Acho q vc tá se espiralando pra mandar ver,pra nos mandar nos ver, pra nos enviar pra este universo pluri-patê éticultural!

  11. fabio] [são paulo

    ..aaaaaaaAAAAAAÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ
    ÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁ´´AÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁHHHHRRRR
    RRRRRGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGG!!!!!!!!
    (grito de suplício misturado com NÔJO)

  12. Valéria] [Rio de Dengueiro

    Vamp, tb fico espantada de ver gente achando q as FARC é legal, q Fidel é´ótimo, q Stalin foi bom; pra mim são todos ditadores, c/ interesses próprios e ñ c/ independência tentando algum caminho pro bem-estar coletivo, ñ há bem-estar neste estado! O triste é q o termo comunismo abre pruma coisa interessante e quem sabe generosa mas é sempre associado ao radicalismo, a um pensamento unívoco, à violência. Umas pessoas vêm e pensam uma forma, q nem sei se é possível num estado atual,evêm outras e modificam tudo, impondo, matando. Tb ñ gostaria q aquela geração de 68 tivesse ganhado a luta. Receio o engessamento de pessoas. E detesto o ñ projeto Lula pro Brasil, q tá cada vez + rico, seus filhos e companheiros. Espero q este 3º mandato ñ vingue! mas estes corredores do Brasil são tão escuros, as portas tão fechadas; fachadas prum pensamento plural. Estamos na podridão política. Se ñ morasse em Nikiti: Gabeira total. Só votei uma vez no Lula e me arrependo mas em quem votar??? Tô nisso. Té+

  13. Sandra

    Sei lá, Mau… Gente aproveitadora tem em todo lugar, mas acho que a chance de se errar com o holocausto é menor.

  14. Sandra

    Valéria, mas quem se define como Geração 68 não está se rotulando? Só que está se rotulando para o bem! Até seus delizes são olhados com glamour, além de ser melhores e mais justificáveis que os deslizes das gerações posteriores. Como essas últimas não se acham medonhas, quando levam, batem.

  15. Sandra

    Mau, não existe mais intensiva comunista. O MST vai chegando… As FARC vão chegando… Os livros de geografia e história com uma visão esquerdista vão chegando… A classificação racial vai chegando… A imprensa vai indo embora… As reeleições infinitas vão chegando… E pronto! Taí uma ditadura comunista chegando pelo voto. Taí uma Venezuela! E um Brasil, se a gente não ficar esperto!

  16. O Vampiro de Curitiba

    Olhem aqui: Quando critico a “Geração 68”, obviamente não estou criticando todas as pessoas que viveram naquela época. Estou criticando aqueles que continuam com aquele blá blá blá reacionário e ficam pousando de bons moços, de vítimas, de progressistas, etc… Vocês entenderam, né?

  17. O Vampiro de Curitiba

    Ana e Sandra, Obrigado! Vocês são sempre muito gentís. Eu não estou aqui querendo julgar ninguém, não. Sei lá, se eu estivesse naquele momento, naquela situação, quem sabe se eu também não teria pego em armas? O homem é ele e suas circunstãncias, não é isso? Só acho que temos que responder por nossos atos. De fato, o que conseguiram foi deixar 25 anos de ditadura para a minha geração. Da minha turma daquela época, os que não se suicidaram ou morreram de overdose, estão internados em clínicas ou completamente neuróticos. Quando disse, num post anterior, que somos todos sobreviventes, não estava falando isso por acaso, só por falar. Acho que pagamos um preço alto de mais para que os “heróis” pudessem sonhar com um mundo melhor. E esse pessoal vem agora criticar a geração atual? Ahh, me poupem! Eles que vão gastar suas indenizações na Europa, em Miamai, mas não me encham o saco!

  18. O Vampiro de Curitiba

    Valéria, eu concordo contigo. É que para falar de “geração” não dá para não generalizar. Você mesmo citou o Gabeira. Ele sim deu a cara pra bater, sempre assumiu seus atos e jamais eu o ví fazendo papel de vítima ou cobrando indenização do passado. Pelo contrário, ele fala que errou, que sequestro jamais servirá à causa alguma. Até hoje ele não pode entrar nos EUA, mas não se queixa disso. O Gabeira é o único político que me surpreende positivamente. Se eu fosse carioca, votaria nele para qualquer cargo. Agora, você tem de concordar comigo que ainda tem político que não aceita as críticas de Krushev a Stalin!!!! Esse pessoal, se tivesse alcançado seus objetivos em 64, teria feito muito mais cadávares do que a ditadura militar. Isso é a história quem diz, não sou eu. Tanto estou certo, que é fácil de ver o apego que esses caras tem pela democracia. Quem vive aqui no Brasil sabe do que estou falando. E agora, chegaram ao poder para quê? Para se enriquecerem ás custas dos “oprimidos”.

  19. Valéria] [Rio de Dengueiro

    E apesar de não concordar nunca com a luta armada, com este festival de torturas, violências, sequestros, lenços de seda na boca etc, eu hoje prezo o Gabeira; acho q ñ dá pra colocar tudo no mesmo saco nunca. Também ñ dá pra dizer q todos q lutaram naquela época, e de todos os jeitos, estão pedindo indenização, não mesmo. E eu discordo disso e fico perplexa com mais esta situação. Mas o q mais odeio é q algúem congele pessoas, etiquete pessoas, generalize tudo; assim é mais fácil pruma classificação mas e daí? É mais fácil pra pensar o todo (é?), mas e daí? Eu prefiro pensar por fragmentos, ir por outros e todos os lados, mas talvez não chegue a nenhuma conclusão mto concluída, e sem concluios. Gosto de pensar no movimento, seja geração, classe etc tentando ver o q vem predominando sim, mas ver o q tá morrendo, o q tá nascendo,crescendo. E como isso atua em relação a sei lá o q.
    Tô podre mas ñ queria deixar de falar um poquito sobre o q escreveu. O do Gerald fica pra amanhã! Bjim

  20. Valéria] [Rio de Dengueiro

    Vamp, gostei da sua visada mas acho q vc deu uma generalizada radical, botando tudo num saco só; pode até ter uma predominância em algum momento, mas dizer q “os valentes esquerdistas, depois da aventura revolucionária, depois de terem dividido a sociedade, depois de transformarem (?) o país numa ditadura militar…” E pessoas ñ saem dum mesmo buraco, há pessoas + esclarecidas, + alienadas, + interesseiras, + violentas etc c/ vários tipos de reações e relações! Caça às bruxas na visada? Até os EUA conhecem isso bem: comunista ou ñ? É pensar diferente pra ser etiquetado pelo outro lado? Pra pensar a geração tal ou qual, no hoje, q tal ramificar estes ‘esquerdistas etc”? E mtos ñ foram pra França, mtos morreram mtos etc,dos ‘2’ lados. E qdo vc diz q “esta geração é alienada, egoísta” tb ñ havia isso na época? Qdo ñ tem isso? E: “tornamos-nos uma geração de alcoólatras, suicidas e neuróticos”. Só há estes tipos agora por conta daquilo q aconteceu? Acho q a trama é + complexa…

  21. Contrera

    enquanto isso, em marte (esta é para o Mau)…
    contrera

  22. Sandra

    Vamp, ARRASOU!!!!!!!!!!!!!

  23. Mau

    A ditadura no brasil nao ocorreu por conta de uma intensiva comunista – no brasil nunca houve comunismo – o maximo foi na epoca de Prestes e da Intentona Comunista. Jango – fez visitas na China e isso foi pretexto pra que os EUA junto aos militares brasileiros justificassem um golpe. Esses jovens que ficaram rotulados como comunistas nao eram comunistas – e somente surgiram pra lutar contra a ditadura. A bem da verdade o Brasil nunca soube ser de ideologia nenhuma. Veja vargas, era admirador de Mussolini, no entanto fez um pacto com os EUA pra ficar no lado dos aliados na 2.Guerra – em troca pediu a construção da Petrobras e da CSN. Ou seja, sejam os velhos ou os jovens, o Brasil nunca se postou ideologicamente. E nós aqui, do presente e eles do passado, sejam das gerações perdidas de Vargas, JK, Janio Jango, militares, os brasileiros sempre acabaram atrasados. Em relação aos bolsistas da ditadura – ate nos EUA o holocausto foi usado pra se ganhar grana a custa da tragedia.

  24. Rafael Dantas] [NY

    Ana, poxa quando te vi dizer que o ser-humano eh primata, “viva os sentidos” e “viva o hoje, o amanha que espere” e “ignorar os sentidos mais sutis”, tive a certeza de que se nos conhecessemos hoje era sexo sem camisinha garantido. Mas ai logo em seguida vc falou mal dos neo-ricos que soh se preocupam com o aqui e o agora e nao tem refinamento espiritual. Nao entendi de que lado vc esta… Vc tambem criticou o fato de eles nao terem dado o duro pra chegar la. E desde quando alguem tem que dar duro pra chegar em algum lugar? Conhece algum rico que deu o duro? Soh se foi durante o sexo (supondo que nao estivesse mole). A coisa mais normal do mundo eh injustica, pessoas nao fazendo nada para merecer o que tem. A historia do sujeito que prendeu e engravidou a filha tambem tambem nao eh tao absurda. Num universo aleatorio aberracoes profundas sao esperadas de vez enquanto. A vida eh um jogo: te jogam no jogo, nao tem como vc ganhar o jogo, nao tem como voce sair do jogo. Apenas jogar…

  25. Ana

    Vamp, só posso aplaudir! De pé! Claps & claps! E bjs também!

  26. Tales

    A boçalidade, a merda, a mediocridade, de fato, têm um incrível poder de nos atrair. Vide Miami. E foi o próprio Benjamin que disse uma vez, convidado por Adorno a ir pro Eua, que queria ficar bem longe da barbárie. Mas é claro, que isso é redutor, o EUA não é só a terra do Tio Patinhas, Mickey e Donald, como é também o país que nos deu Faulkner, Rorty, Mellville, Kerouac, Miller, Kubrick, Welles, o jazz, o rock etc.

  27. Tales

    O ápice do texto.
    “Nao nego que o cheiro de tesao chega a transbordar pelas calcadas e tem ate turma de motoqueiro de mascara pra fazer com que a gente se sinta dentro da serie CSI-Miami. So falta aparecer o David Caruso em seu Hummer e…..Sem falar que em NY nao temos uma Lincoln Road, aberta tao tarde como aqui com essa FAUNA, policia correndo atras de peruas de salto alto, produtos de consumo. Consumo humano, eh so pagar e levar pro hotel: mas cuidado, senao elas te esvaziam e voce fica a ver os belos navios de Biscayne! Se tem uma fauna e flora viva eh aqui! Mas a troco de quantas vidas mortas? E quantas sociedades moribundas? Nao sei responder! Essa feijodada ja deve estar pesando na barriga do casal e as caipirinhas ja devem ter subido a cabeca deles e…. Ou entao ja devem ter brigado porque, sei la. Chega!”

  28. Tales

    Belíssimo texto, Gerald, redundante dizer.

  29. Antonio Moraes] [SP

    Sobre a frase “partimos de um ponto, de um ideal, mas que nos encontramos noutro tao completamente diferente”, acho isto ótimo. E bem feito ! Quem mandou ter ideais ? Entenda e aceite a realidade – ela é maravilhosa ! E faça-a trabalhar a seu favor. Não é difícil. Mas também não é para todos …

  30. Antonio Moraes] [SP

    OK, após o meu cérebro ter saído do ‘default-mode network’ no qual operou no final de semana
    (em http://www.economist.com/science/displaystory.cfm?story_id=11088585 artigo para consumo
    geral, e http://www.pnas.org/cgi/content/full/105/16/6173?maxtoshow=&HITS=10&hits=10&RESULTFORMAT=&fulltext=default+mode+network&searchid=1&FIRSTINDEX=0&volume=105&issue=16&resourcetype=HWCIT para o original),
    volto articulado (espero) à discussão.Ana, não tem nada a ver com o mundo em que estamos. Desde sempre existiram pessoas com um comportamento, digamos, “fora do padrão”. E a mitologia grega está cheia de exemplos de “perversões” do gênero. De onde eles tiraram tudo aquilo ? A discussão sobre imigrantes está ótima. A solução é simples. Abaixo a anarquia dos estados nacionais. Para um tempo de finanças e comércio globalizados, precisamos também de trabalho e governo globalizados. E uma moeda global.

  31. Ana

    Mudando de assunto, gente: eu estou chocada desde ontem com a história do pai que escondeu a filha por 24 (VINTE E QUATRO) ANOS em um calabouço subterrâneo, e teve, com ela, sete filhos. Não vou, juro, perguntar “em que mundo estamos”. Eu só quero saber onde é a saída. Alguém sabe?

  32. john

    So, did you have a good time in my home town? Ready to give up the Big Apple??;-)

  33. Sandra

    É uma brande babaquice eu me definir como individualista. Quem se define como pessoa preocupada com o mundo não faz nada por ele do mesmo jeito que eu. Em muitos casos, até o piora um pouco. Mas ganha o status de gente legal, do bem. Mas prefiro ser babaca. É o preço da minha liberdade.

  34. Sandra

    Ana, geralmente as pessoas que pensam no mais pobre não mudam o seu modo de vida, pois afinal, eles têm direito de viver assim, pois são conscientes, são melhores, são bons e justos. Se ficarem só nisso está bom. O duro é quando defendem algum país onde o dinheiro não é um valor, e acham que os pobres devem viver ali, pois lá, sim é certo, enquanto continuam vivendo longe daquele paraíso, sempre com muito luxo e riqueza. Acho os neo-ricos menos danosos. Acho que qualquer pessoa honestamente egoísta faz menos mal ao mundo do que um grande salvador.

  35. Ana

    Sandra, o problema é que os neo-ricos sempre espalham a farofa na cara dos mais pobres. Se esquecem de sua origem, pq. não tem cultura que dê um certo refinamento espiritual. Aliás, não estão nem aí para o refinamento, muito menos o espiritual. É uma geração do aqui-agora. Ensinam seus filhos a subjulgarem amigos, justificando isso através do “duro” que deram para chegarem lá. Conheço neo-rico que não deu duro nenhum. Ou especulação financeira é dar duro? Outros exemplos caberiam aqui, mas deixa quieto. O que se vê muito hoje em dia é o valor pelo que se tem. Um cara de 20 anos, hoje, contrata um policial civil nas horas vagas para fazer segurança pessoal (por 200 reais), e gasta 1000 reais numa garrafa de champanhe. Tira a grana deles, bota eles num penha-lapa, e pronto, todas aquelas mulheres lindíssimas somem na hora. E os caras não têm nem noçaão disso… Acham que dinheiro é como a vida eterna. Nunca acaba. E se acabar, eles dão um jeito de voltar ao topo, seja pelo meio que for.

  36. Sandra

    Em 68 meus pais trabalhavam 14 horas por dia, inclusive, sábados, domingos e feriados, para que eu e meu irmão pudéssemos comer, vestir e, principalmente, estudar, coisa que eles não puderam fazer. Mais ou menos como os empregados mal remunerados de Miami. Garanto que eles não querem pena ou catequização. Eles querem é mais neo-ricos para que eles possam trabalhar mais e terem casa, carro, filhos na escola e farofa no domingo.

  37. Ana

    Eu nasci em 66, meu pai era de direita (acho que por isso fui de esquerda durante algum tempo; hoje sou livre; nem direita, nem esquerda), estudei em colégio católico a vida toda, e tive a minha juventude subvertida por dogmas e regras chatíssimos, onde tudo era altamente perigoso, e podia te matar. E o pior: você acreditava… A minha visão política era nula até as diretas; na escola não se falava nisso, mas tínhamos – acreditem – aulas de religião; não se lia filosofia; não se lia nem Machado de Assis. Se o Ziraldo acha que merece 1 milhão por danos que a ditadura lhe causou, eu mereço 2, e todo o pessoal que cresceu comigo, idem. Todos uns frustrados. A maioria sem ensino superior, só discute o que vê no Fantástico, e tenta viver o que vê nas novelas. Uma grande maioria procurando a malfadada auto-ajuda. (Ct.)

  38. Ana

    Um bando de abortados políticos. Quem resistiu, chora pq. compreendeu. Quem não resistiu, chora pq. não entendeu e não entende até hoje. São as velhas discussões da classe-média baixa, com uma pitada de nonsense de dar dó. Já, quem nasceu nos 70 se saiu melhor. A geração nascida em 64, até 69, é uma geração perdida. Aos presos-perdidos se deve muito. Mas muito mais do que se oferece. E no entanto, tudo o que essa geração tem, hoje em dia, é conta pra pagar, e sonhos que nunca vão se realizar, porque cresceram num período onde sonhar era proibido, e sonhar era desconhecido… Sonhar com o quê, quando o presidente da república era o Médici, e depois o Geisel, e depois o Figueiredo?

  39. Sandra

    Por mim, os neo-ricos podem farofar à vontade, desde que não joguem lixo na areia, e que usem seu próprio dinheiro, e não dinheiro público. Eles é que terão que pagar pela infelicidade dos ilegais? Vamos dividir as pessoas em quem merece e quem não merece estar ali? Todo mundo precisa do empregado mal-remunerado, mas alguns são do bem, então estão justificados. E o empregado ma-remunerado precisa do turista, inclusive o imigrante ilegal, senão estaria bem pior no seu próprio país, para o qual não quer voltar (senão já teria voltado). Que os neo-ricos esnobem seus pares se quiserem.

  40. Ana

    Vamp, pior. Os porra-louca de hoje são os “mano da perifa”. Regras: odiar quem não é mano. Turmas: todos os que são mano. Som: som dos mano. Drogas: crack (é a mais barata). Sonho de consumo: “mina”, “rolé”, “500 reais por mês”. Dogma: ficarem ricos, mas continuarem morando na periferia. Ou seja, é uma turma de noiado (gíria deles) que não sabe sequer quem é o inimigo. Ah, inimigos em potencial: skin heads, punks, neo-punks. Política: “o que é isso?”. — Dá pra encarar? É esse o futuro pensante do Brasil cosmopolita. Já do pessoal do campo, não posso falar. Tá todo mundo na cidade. E o campo pertence à meia-dúzia. Só Goiás, deve ter dois ou três grandes donos de terras, e olha lá. O resto é testa de ferro. Isso é responsável por metade da minha crise existencial, pq. eu, muito burra, acreditei na reforma agrária do Senhor Lula. Até ver, pelo Google Earth, que não há terra sem plantação (existem é várias fazendas gigantescas) nesse país.

  41. Mau

    1968 – 2008. Não sei qual geração é melhor ou pior. Acho que todas são as duas coisas. Já quis fazer um doc sobre nossos pais que não foram rebeldes e nem tiveram ideologias na decada de 60 ou 70 – como o caso dos meus. Ja conversei com tantos pais sobre a epoca – que ficou registrado pra mim, numa impressão, é que tanto lá como hoje, a grande maioria de jovens desconhecia movimentos juvenis, e nem lutavam fosse pelo capitalismo fosse pelo socialismo. A grande maioria era alienada de informação, alienada pela exclusão. O que era tido como educação publica severa e de alto padrão, hoje entendo que era uma educação boa sim, mas opressora construída ainda na era Vargas. Vamos dizer, os jovens que saiam nas passeatas eram da elite urbana e como diz minha mãe – só eles tinham tempo e recursos pra ler livros de Trotsky a Sartre, ver cinema, teatro. Eu acabei desistindo de doc, filme, curta, porque achei o assunto esgotado.

  42. Sandra

    “parece um despacho que não apaga!” DEMAIS!!!

  43. Ana

    A imigração ilegal é sintoma claro da pobreza no restante do planeta, e o fato de pessoas preferirem comer feijoada aí, mostra os valores dos neo-ricos. Valores vulneráveis. Se amanhã algum deles perder tudo, saca de uma pistola e mete um tiro nos cornos. Sinceramente? A vida, para muitos, parece que banalizou geral. Essa coisa de investidores investirem sempre nos mesmos lugares, ou em países emergentes, não está dando certo. Hoje, por exemplo, se tem mais gente nos centros urbanos do Brasil, do que na área rural. Está todo mundo nas cidades. Respirando que ar? Dando que tipo de “qualidade” de vida a seus filhos? Parece a corrida do ouro, aquela na Califórnia, que começou em 1848, quando se encontrou ouro em Sutter’s Mill. Deu pra todo mundo? Nããããão. Vai dar certo esse modo de vida, o contemporâneo? Não preciso responder. (Ct.)

  44. Ana

    Já vejo o trajeto de volta. Já vejo ex-neo-ricos, netos, bisnetos, voltando para o campo em 20, 30, anos, aqui no Brasil. Só que o campo também já tem dono. Como os países de origem desse povo que está aí, também tem. E, quando os descendentes desse pessoal quiserem voltar a seus países de origem? Quem estiver por lá à época de algum investimento, permitirá, mais tarde, o retorno daqueles que saíram em busca de uma melhor qualidade (???) de vida? Qto. à putaria amalucada, tirante a noção de valores e tais, acho mesmo que o humano é meio primata. Adora tudo o que agrada apenas aos 5 sentidos. O resto que se dane. Afinal, se ninguém tem certeza de que a vida continua mesmo após a morte, pra que dar atenção aos “sentidos” mais “sutis”? “viva o hoje! O amanhã que espere”.

  45. Sandra

    Tenho um grande carinho por terras que são o avesso do avesso do avesso do avesso. Mas ainda prefiro New York.

  46. O Vampiro de Curitiba

    Sobre as “gerações”, vamos abrir logo o jogo: Sou nascido em 68. Nascí e fui criado numa ditadura militar. Ditadura, esta, provocada pela porra-louquice da Geração 68 que queria uma ditadura comunista de partido único. Hoje os porra-loucas estão recebendo bolsa-ditadura, vendendo o Estado aos companheiros, se enriquecendo como lobystas de multinacionais. Sim, estou falando do Zé Dirceu, ícone dessa geração. Graças ao sonhos da Geração 68, minha geração foi criada numa ditadura militar. Nos tornamos uma geração de alcoólatras, suicidas e paranóicos. Não me venham, por favor, fazer papael de vítimas. Nem criticar a geração atual. Conheço a geração 68 como conheço a geração atual. Essa geração é infinitamente melhor que a de 68. Não queiram poluir essa rapazeada com seus ideais, pré-conceitos e ressentimentos. Zuenir poderia falar sobre isso também, Gerald.

  47. fabio] [são paulo

    Gérald…! Teu texto está muito legal, vou comentar mais tarde,ok!
    É que não pude deixar de esconder minha ALEGRIA com a MANCHÉTE DO UOL, SAÍDA agórinha..;;….” LULA COM APROVAÇÃO DE 57 e poucos POR CENTO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA!!!
    E A PESSOA DELE COM 69 e poucos POR CENTO.!!!!!ahahahahahahahaah
    “VAMPIIIIIRA…”..!!!!!Córre lá pro cólinho do “tio REY”, na vejaNAZI/FASCÍculo e péga o próximo “texto” dele pra explicá e pesquiza..vai…vai lá!O PIG. bate,bate,bate,bate,bate…..e LULA, parece “CHANTILY”, CRÉSCE,CRÉÉÉSCE,CRÉÉÉÉESCE…!!!
    ahahahahahahahahahhahaaha, éssa foi a mélhór da semana…..!!!!!
    DEPOIS do “ESPETÁCULO” da coitada da ISABÉLA, O PIG TOMÁ ÉSSA LÓGO CEDO!!!!

  48. O Vampiro de Curitiba

    Não poderia deixar de comentar a última frase do Gerald, que para mim, é a mais importante do artigo.”…e muito parecido com o que viramos todos, digo nos que partimos de um ponto, de um ideal, mas que nos encontramos noutro tao completamente diferente. Isso eh bom? Ruim? Nada disso. Simplesmente nao existimos mais.” Que bom, né, Gerald?! Para renascer é preciso morrer! E isso não vem sem alguma dor. O importante é ter consciência disso e não fazer como alguns que insistem em continuar mortos-vivos, perambulando por aí, defendendo tiranos assassinos e se queixando das “novas gerações”.

  49. caca

    na terra da oportunidade falta oportunidade para aqueles que são “donos” da própria terra.
    o pior é que é assim mesmo, o imigrante ilegal se sujeita a trabalhar por uma merreca para o local, que convertida em dólar acaba duplicada e de alguma forma o resultado é que ele “não tem nada a perder, está no lucro”. e que lucro é esse?
    o que muda é o ceneario pois o classe média que aqui não aceitava lavar carro vai feliz lavar a privada (sem preconceitos contra nenhum desses empregos) do mesmo novo diretor executivo da multinacional da marca de desinfetantes que está desestressando do trânsito.

  50. O Vampiro de Curitiba

    E o futuro? Não serei tão dramático como o Gerald, acho que continuaremos existindo, sim. O futuro saberemos com a escolha do novo Presidente Americano. Mccain representa essa coisa chata de “segurança”, “experiência”, “controle”. Será bom para os EUA e para o mundo “legalizado”. Obama (se vencer a Hillary) representará esse oba-oba, essa festa multiracial, os descolados liberais, etc… Isso, no discurso. Se vencer mesmo, será mais republicano que Bush. Me perdoem por ser tão lógico, sim?

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